Lula resgata o rebelde de São Bernardo para enfrentar a eleição mais difícil

Fundão de R$ 4,9 bilhões vira disputa política no TSE às vésperas da eleição

Charge do Sinfrônio (Correio Braziliense)

Rafaela Gama
O Globo

Às vésperas do início oficial da campanha nas ruas e na internet, amanhã, um julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) paralisou os repasses do fundo eleitoral para os partidos. O financiamento, que neste ano chega ao valor recorde de R$ 4,9 bilhões, teve a distribuição às siglas congelada devido a uma ação protocolada pelo PT, que pede para ampliar a fatia disponível para as suas candidaturas neste ano. A medida também deixa em compasso de espera as outras siglas.

Em jogo, está a maior fatia do fundo eleitoral (48%), cuja divisão entre os partidos é proporcional ao tamanho das bancadas na Câmara. Para esse cálculo, a Justiça Eleitoral considera o número de ocupantes das cadeiras na Casa em 1º de junho do ano da eleição. O PT pede uma recontagem de sua cota, argumentando que devem ser considerados os 69 deputados eleitos em 2022, e não os 68 atualmente registrados no TSE.

PERDA DE CADEIRA – A contestação parte de uma mudança na bancada de Alagoas em maio deste ano, quando, após a cassação do mandato de um suplente, o Tribunal Regional Eleitoral do estado refez a contabilização dos votos obtidos em 2022. O processo resultou na perda de uma cadeira do partido na Câmara. No mesmo mês, o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu pela suspensão do processo de recontagem até a análise de um recurso pendente, mas o procedimento já havia sido registrado no sistema da Justiça Eleitoral.

A ação chegou ao TSE, que decide se vai considerar a contagem de 69 deputados, respaldada por Toffoli, ou a configuração atual da bancada. Caso a ação apresentada pelo PT seja acolhida, o partido ganharia R$ 5 milhões a mais, somados aos R$ 615,3 milhões previstos originalmente.

PEDIDO DE VISTA – Na abertura do julgamento na quinta-feira, no entanto, o relator, Nunes Marques, foi contrário ao pedido feito pelo partido. Já a segunda integrante da Corte a se manifestar, a ministra Estela Aranha, pediu vista, paralisando a análise do caso. “Enquanto não concluir esse julgamento, não será distribuído absolutamente nada de 48% para nenhum dos partidos, pois essa decisão pode impactar nos demais partidos”, determinou Nunes Marques.

A distribuição do restante do fundo (52%) atende a outros critérios, que incluem a presença de ao menos um representante da sigla na Câmara (35%) e o tamanho das bancadas no Senado. Outros 2% são divididos igualitariamente entre todos os partidos com estatutos registrados no TSE.

SEGUNDA MAIOR FATIA –  Autor da ação cuja análise paralisou a maior parte dos repasses, o PT terá acesso à segunda maior fatia do fundo (R$ 615 milhões) e planeja destinar 20,64% dessa verba para a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O segundo maior percentual será direcionado para os candidatos à Câmara, que ficarão com 43,06% do valor disponível para o financiamento. O partido, por sua vez, aumentou de 2,48% para 10,08% o percentual reservado para os candidatos ao Senado, com o enfoque em aumentar a bancada na Casa neste ano.

A direção nacional do PT, por sua vez, delegou aos diretórios estaduais a classificação das candidaturas em três categorias (G1, G2 e G3) para a definição da prioridade para a distribuição dos recursos e acesso à propaganda partidária gratuita na TV e na rádio.

PRIORIDADE – O enfoque ao Senado também deverá ser dado pelo PL, que considera a expansão da bancada como prioridade, para além da candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Mesmo com o acesso à maior fatia do fundão neste ano (R$ 886 milhões), o partido também tem expectativa de financiar parte das campanhas a partir de doações de apoiadores. A sigla, no entanto, não divulgou publicamente os critérios que serão considerados internamente para a distribuição do fundo.

Já o PSD, que terá o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado como candidato à presidência, apenas informou que a destinação obedecerá à máxima de 80% para chapas majoritárias e à mínima de 20% para candidaturas proporcionais.

Na esquerda, o PSOL, no entanto, pretende destinar 51% da verba partidária para candidaturas à Câmara, com o enfoque em alcançar a cláusula de barreira neste ano. A distribuição da verba, no entanto, foi contestada pela deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), principal aposta de puxadora de votos no pleito deste ano. Em junho, a parlamentar acusou a direção nacional do partido de “rasgar” acordos prévios para a divisão dos recursos e de “inviabilizar” sua candidatura à reeleição.

VALOR MAIOR – Em um post feito nas redes sociais, ela afirmou que a sigla havia prometido um “valor substancialmente maior que a faixa de deputados que concorreriam à reeleição”. No dia seguinte, em nota, o partido declarou prever R$ 2,3 milhões para a campanha de Érika, enquanto outros postulantes teriam acesso a R$ 2,2 milhões. O teto de gastos para o cargo é no valor de R$ 3,1 milhões.

Com a terceira maior fatia do fundo (R$ 526 milhões), o União Brasil permitirá que parte da verba disponível para a sigla seja redirecionada ao Progressistas, legenda com a qual está federada. A legenda também sinaliza que as candidaturas femininas, que devem cumprir a proporção de 30% do total de postulantes, deverão passar pelo crivo do União Brasil Mulher, que calculará a “probabilidade de êxito” e decidirá a distribuição da verba.

O PP prevê que parlamentares que optaram por ficar fora das urnas neste ano têm direito de indicar verbas para sucessores. O MDB, por sua vez, determinou a destinação de ao menos 1% da verba para candidaturas de jovens de 18 a 34 anos, buscando incentivar a renovação dos seus quadros políticos.

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Mendonça diz que o povo deseja um STF imparcial, sem perseguir os investigados

Supremo Tribunal Federal

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Deu no SpaceMoney

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, quebrou o silêncio sobre sua atuação como relator de investigações que envolvem o Banco Master e o INSS. Em entrevista ao podcast ITER Cast, o magistrado afirmou que o papel dele é ser imparcial e que a credibilidade do sistema de Justiça depende do respeito aos limites institucionais.

Prestes a completar cinco anos no STF, Mendonça conduz o escândalo do banco de Daniel Vorcaro, o caso Master, e também é relator da chamada farra do INSS. Além dessas apurações, o ministro cuida do inquérito sobre o financiamento do filme Dark Horse, que tem como um dos objetos o senador Flávio Bolsonaro, e das investigações contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, cujo caso foi desmembrado da apuração na Previdência.

IMPARCIALIDADE – “Meu papel é ser imparcial. Acho que esse é o meu papel. E o quanto mais eu me mantiver nesse eixo, eu acho que eu vou corresponder àquilo que a Constituição espera de mim e, por decorrência, acho que a própria sociedade”, declarou Mendonça na conversa, gravada em 27 de julho e divulgada nesta sexta-feira, dia 14.

O magistrado também afirmou que o povo não quer que se persiga ninguém, mas também não quer que se proteja indevidamente pessoas que deveriam ser responsabilizadas. Para ele, a questão central é a credibilidade.

A fala do ministro ocorre em meio à discussão sobre os limites exatos da atuação de um relator em investigações criminais. Se Mendonça não agir dentro desses limites, todo o processo pode ser contaminado e anulado, o que aumentaria as chances de mais um caso de corrupção terminar impune.

MINISTROS ENVOLVIDOS – A jurisprudência do Supremo, porém, atribui aos relatores da Corte papel muito mais alargado do que o dado a juízes de instâncias inferiores. No caso Master, menciona-se na imprensa possível envolvimento de ministros do STF, o que coloca a condução do inquérito sob atenção especial.

Conflitos entre Procuradoria-Geral da República, Polícia Federal e juiz sobre limites e estratégias sempre existiram — do Mensalão à Lava-Jato. Agora, ocorrem entre o relator e a PF. Nesse cenário, o que não é razoável é que as diferenças gerem insegurança sobre o sucesso das investigações e que as desconfianças cultivem nulidades.

Na entrevista, Mendonça recorreu à teoria do agente principal para explicar a relação entre o povo e os agentes públicos. Segundo o ministro, o principal — o povo — transfere aos agentes públicos uma relação de confiança, com a expectativa de que eles sejam honestos e cumpram as leis, os contratos e os limites institucionais.

DIZ MENDONÇA – “A grande questão brasileira, eu penso que é em relação à persecução. Nós temos histórico muito ruim de efetiva responsabilização dos casos”, disse o ministro do Supremo, acrescentando:

“A questão não é se vai ou não haver corrupção. Corrupção vai haver, faz parte da condição humana. Mas como nós tratamos a corrupção?”. E finalizou Mendonça:.

“O papel do juiz não é combater a corrupção. O papel do juiz é aplicar a lei. Mas aplicar a lei com coerência, aplicar a lei com respaldo nas evidências”, completou o ministro.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Ao contrário de ministros como Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Dias Toffoli e outros, Mendonça não se deixa levar pela vaidade e se comporta como um exemplo de comprometimento com a Justiça e a lei. Se não vacilar, seu nome ficará na História. (C.N.)

Ao violar sigilo da fonte, Moraes blinda Flávio Dino e desmoraliza a democracia

Alexandre de Moraes ultrapassa todos os limites e se consolida como a “ditadura da toga” - Jornais em Foco

Reprodução do site Jornais em Foco

Eliane Cantanhêde
Estadão

É inacreditável a insistência de ministros do Supremo para tentar confirmar as acusações do governo Donald Trump de que Alexandre de Moraes, o STF e o próprio Brasil não são democráticos. Moraes não para de atrair chuvas e trovoadas, não apenas contra si, mas contra um poder vital para a democracia que ele tanto defendeu.

A última ação de Moraes, excessiva e desnecessária, foi determinar que a PF vasculhasse o repórter e a fonte da informação de que o também ministro Flávio Dino e sua família usam carro oficial e blindado do Estado quando estão no Maranhão. A fonte vazou e o repórter publicou dentro das regras e da rotina do jornalismo.

TUDO VERDADE – Independentemente de quem sejam o repórter e a fonte, se têm ou não credibilidade ou folha corrida, o que importa é que a informação é verdadeira, não foi inventada. Aliás, especialistas em direito nem veem nada demais no uso de carro oficial por um ministro do STF, que tem boa imagem, foi governador e sofre ameaças.

Há uma regra do jornalismo, pragmática e importante para o ofício: quem conhece corrupção e escândalos não habita conventos. Logo, não se escolhem fontes pelo caráter e pureza, mas sim pelo peso da informação, se ela é verídica ou não e é comprovada por provas, documentos, fotos… Se há interesses políticos ou financeiros, isso pode ser citado na reportagem, sem quebrar o sigilo da fonte.

Ao jogar a polícia em cima do jornalista Luís Pablo Conceição Almeida, apreender seu celular e dali quebrar o sigilo da fonte – o ex-secretário de Estado Raimundo Cutrim –, Moraes fez um favor para o colega Flávio Dino e um desfavor à institucionalidade e à democracia, numa coleção de erros distantes do Estado Democrático de Direito.

EXEMPLOS DE ERROS – Jornalistas que cometem injúria, por exemplo, são sujeitos a processos normais; Luís Pablo e sua fonte não têm foro no STF; liberdade de imprensa e sigilo da fonte não são privilégio, estão na Constituição.

Moraes usou o inquérito das fake news, que se “eterniza” há sete anos, em favor dos próprios ministros; por último, tudo isso para servir a um colega.

Moraes, aliás, já tinha servido ao seu próprio interesse, ao abrir investigação para descobrir a fonte que revelou à mídia o contrato de R$ 130 milhões do escritório da sua família com Daniel Vorcaro, do Master. Também não era fake news, mas sim um fato que Moraes jamais desmentiu.

ESCÂNDALOS – Imagine-se se o STF e a PF tivessem perseguido as fontes e os jornalistas investigativos que vêm informando a sociedade sobre escândalos como Petrolão, mensalão, golpe, rachadinhas, INSS, “empréstimos” milionários, Master, Dark Horse, viagens e piscinas promíscuas…

Não haveria mais fontes, jornalismo investigativo, nem mesmo jornalismo e estaríamos não numa democracia, mas num regime autoritário, em que castas podem tudo, quem denuncia é penalizado e a verdade é sonegada aos cidadãos e jogada debaixo do tapete.

Moraes cria um precedente grave. Se a contestação à liberdade de imprensa e a quebra do sigilo da fonte valem em favor de ministros do STF, por que não para todo o Judiciário, Congresso e Planalto? Adeus jornalismo! Poderosos de todos os quilates e ideologias dormirão em paz e o injusto e perigoso Trump poderá comemorar: “Bem que eu disse, quem ri por último ri melhor”.

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Uma canção de amor que jamais será esquecida e fez sucesso no exterior

Preconceito (ANTÔNIO MARIA e FERNANDO LOBO)

Maria e Lobo, compositores geniais

Paulo Peres
Poemas & Canções

O cronista, comentarista esportivo, poeta e compositor pernambucano Antônio Maria de Araújo Morais (1921-1964), entusiasta de vida noturna carioca da década de 50, juntamente com seu parceiro Fernando Lobo,  compôs uma das mais famosas canções de amor – “Ninguém Me Ama”.

Este samba-canção, gravado por Nora Ney, em 1952, pela Continental, foi composto somente por Antônio Maria, mas não acreditava que a música fizesse sucesso e deu parceria a Fernando Lobo, em troca de parceria com uma outra canção escrita por Lobo, que todos achavam que ia fazer sucesso, mas isso não aconteceu. Naquela época era comum a troca de parcerias entre amigos, como Maria e Lobo. dois grandes jornalistas pernambucanos que vieram juntos fazer carreira aqui no Rio de Janeiro.

Esta canção fez sucesso mundial, gravada por Nat King Cole.

NINGUÉM ME AMA
Fernando Lobo e Antônio Maria

Ninguém me ama,
ninguém me quer,
ninguém me chama
de meu amor.
A vida passa
e eu sem ninguém.
E quem me abraça
não me quer bem.

Vim pela noite tão longa
de fracasso em fracasso.
E hoje descrente de tudo
me resta o cansaço.
Cansaço da vida,
cansaço de mim.
Velhice chegando
e eu chegando ao fim.

Depois do “nunca antes’, Lula recorre ao “quem nunca” – e o efeito é hilário

Livros encontrados sobre Nunca Antes Na Historia Deste Pais | Estante  Virtual

Marcelo Tas escreveu livro sobre as asneiras de Lula

Diogo Schelp
Estadão

O presidente Lula incorporou um novo bordão contendo o advérbio “nunca” ao seu repertório. Já havia o indefectível “nunca antes na história deste país”, que ele usa como recurso de marcação de excepcionalidade e ineditismo em seus governos e em sua trajetória pessoal.

Nunca antes um presidente teria feito “tanto em tão pouco tempo”. Nunca antes um líder deste País teria sofrido tanta perseguição política quanto ele.

ANTES E DEPOIS – É uma tentativa de reescrever a história e de apagar da memória coletiva os avanços obtidos por antecessores, como se houvesse uma clivagem temporal equivalente ao nascimento de Jesus Cristo: antes de Lula, depois de Lula.

A fórmula foi repetida por Lula em discurso na convenção do PT do último dia 2, quando afirmou que nunca, na história deste País, os militantes do partido tiveram tantos argumentos para defender sua continuidade no poder. Como ele está em seu terceiro mandato não consecutivo, trata-se do cúmulo da hipérbole: Lula se considera pioneiro em comparação consigo mesmo.

A nova formulação com a palavra “nunca” usada por Lula busca o oposto da excepcionalidade. O objetivo, agora, é atribuir normalidade absoluta a uma atitude que nem precisaria estar escrita em lei para ser considerada incompatível com a função pública.

CORRUPÇÃO NO PLANALTO – O contexto é a revelação de que Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula e um dos coordenadores da atual campanha, recebeu dinheiro da empresária Roberta Luchsinger, que defende interesses privados junto a órgãos do governo. Segundo Marcola, tratava-se de um empréstimo que já foi pago.

No episódio há, na melhor das hipóteses, um potencial conflito de interesses. Para que isso se configure, não é preciso haver dano ao erário ou ganho pessoal indevido por parte do agente público.

Mas, segundo reportagem de Vera Rosa, no Estadão, Lula defendeu seu ex-chefe de gabinete com a seguinte frase, em reunião com dirigentes de partidos aliados: “Quem aqui nunca pediu empréstimo para um amigo?”

“QUEM NUNCA?” – O argumento chega a ser cômico, pois remete à conhecida pergunta retórica usada nas redes sociais para fingir que uma atitude é comum, quando na realidade é constrangedora, exagerada, egoísta ou claramente reprovável: “Quem nunca?”

A ironia está em buscar uma cumplicidade improvável com o interlocutor: “vamos admitir que todo mundo faz isso”, embora o subtexto seja “isso é absurdo” ou “pode ser tentador, mas é imoral”.

Com a campanha presidencial já em andamento, falta uma explicação convincente — e pública — sobre o que aconteceu na antessala do presidente, no Palácio do Planalto.

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