Segundo maior colégio eleitoral, Minas Gerais virou dor de cabeça para Lula

Pacheco e Kalil resistem a disputar governo do Estado

Vera Magalhães
O Globo

O presidente Lula continua sem palanque em Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do país e Estado decisivo nas mais recentes disputas presidenciais. Enquanto a direita fecha as últimas vagas de uma chapa que vai unir aliados do governador Romeu Zema e o bolsonarismo, a centro-esquerda tem dificuldade de encontrar candidatos tanto ao governo quanto ao Senado, atrasando a definição da estratégia de Lula.

O senador Rodrigo Pacheco, depois de ter passado a considerar a hipótese de disputar o governo, teria recuado novamente nos últimos dias. Aliados do ex-presidente do Senado lembram que ele há meses vem manifestando desinteresse em continuar na política partidária, mesmo com a frustração de não ter sido o nome escolhido por Lula para o STF.

BRECHA – Observadores da política mineira viram nas últimas movimentações de Lula no caso Master uma brecha para, caso o ministro Dias Toffoli deixe a corte prematuramente, nova chance se abrir para Pacheco. Mas o mineiro não inclui essa possibilidade na equação quando avalia a possibilidade de seguir disputando eleições.

Outro que chegou a ser cogitado como possível candidato lulista ao governo é o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil, mas as últimas sondagens a ele também resultaram em negativas.

CHAPA – Enquanto isso, o vice-governador Mateus Simões, recém-filiado ao PSD para disputar o governo com o apoio de Zema, está prestes a anunciar uma chapa com o prefeito de Divinópolis, Gleidson Azevedo, que vem a ser irmão gêmeo do senador Cleitinho e é do Partido Novo, como vice.

Uma das vagas ao Senado na chapa deve ficar para o PL, que deve indicar o deputado Domingos Sávio, e a outra para a federação União-PP, que deve indicar o secretário de Governo de Zema, Marcelo Aro, como candidato.

Perdido em suas contradições, agora o Supremo não sabe o que deve fazer

Supersalários do poder Judiciário custam 12 bilhões ao País. | ASMETRO-SI

Charge reproduzida do Arquivo Google

William Waack
Estadão

O caminho da crise envolvendo o STF é sem volta, mas o problema é que não se tem muita ideia neste momento até onde vai chegar. Em termos políticos foi ultrapassado o ponto no qual uma “gestão de crise reputacional” poderia conter os danos causados à imagem e legitimidade da instituição.

Não custa lembrar os clássicos da sociologia: instituições existem não por terem uma placa com o nome delas pendurada na fachada de um prédio. Existem por se acreditar nelas. E por serem entendidas como impessoais.

SEM CREDIBILIDADE – Aqui está a essência do problemão imediato do STF: sofre com falta de credibilidade por parecer defender os interesses (políticos e financeiros) de alguns de seus integrantes.

A situação não se deve apenas ao escândalo do Master. Simplificando brutalmente, o STF caiu na política e a política tomou conta dele.

Ironicamente, o Supremo virou mais um retrato do contexto político atual: o da falta de lideranças, em todas as esferas, com capacidade efetiva de controle. Não parece haver no momento quem seja capaz de estabelecer consensos dentro do STF sobre como seguir adiante nessa turbulência severa.

DESCONEXÃO TOTAL – Notas oficiais e desmentidos vindos do Supremo nos últimos dias evidenciam desconexão com um aspecto relevante da realidade política. Querem alguns dos ministros e o presidente da casa acreditar que são vítimas de ataques vindos de prejudicados por suas decisões (e o que chamam de “intervenções de ofício”).

A saber: golpistas, bancos descontentes com decisões de ordem tributária, reacionários que não toleram decisões em favor de minorias, jornalistas pagos por algum interesse escuso.

De fato, seria mais “elegante” encarar um embate sobre aborto, marco temporal, regulação de redes sociais, legislação tributária, para citar alguns assuntos. São grandes temas, de alta complexidade e fortes repercussões sociais e econômicas, cujo tratamento por parte do STF em si levanta questões sobre equilíbrio entre os poderes e as normas constitucionais, mas em boa medida estamos num campo de ideias.

CAUSAS REAIS – Mas não são os grandes temas que estão em debate. No foco da presente crise estão contratos de assessoria jurídicas de valores astronômicos firmados por integrantes da corte com instituições acusadas de fraude pelo Banco Central e pela Polícia Federal (os investigadores que uma parte do Supremo tentou transformar em investigados).

No mesmo foco também estão os favores pessoais recebidos por teias de relacionamento perigosas e promíscuas com diversos segmentos da economia.

E há a arrogância trazida pelo exercício de um poder sem controle. Em nome do quê, afinal? De salvar a democracia, dizem, sem medo do ridículo.

Toffoli e Master: entre a controvérsia e a possibilidade de remessa à 1ª instância

Charge do Sponholz (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

No âmago do sistema judiciário brasileiro, o caso Master — que investiga irregularidades na tentativa de venda do Banco Master para o Banco de Brasília — se transformou em um dos episódios mais controversos do início de 2026. O ministro Dias Toffoli, relator do processo no Supremo Tribunal Federal (STF), divulgou uma nota pública em que rebate as críticas à sua condução e acena com a possibilidade de que, ao fim das investigações, o caso possa ser remetido à primeira instância da Justiça Federal.

Toffoli começou por reafirmar que sua participação foi definida por sorteio, uma prática padrão para a distribuição de casos dentro do STF. Ele destacou que determinou, em caráter liminar, a remessa do inquérito à Corte em dezembro de 2025, mantendo sigilo e medidas cautelares que já haviam sido decretados pelo juízo de origem. A justificativa oficial é sempre a preservação da integridade das apurações e a proteção do sistema financeiro nacional — um argumento que ressoa fortemente em tempos de incertezas econômicas.

JUSTIÇA DE 1º GRAU – O ponto mais sensível da nota, no entanto, foi justamente a abertura — ainda que cautelosa — para que o processo possa, no futuro, retornar à Justiça de primeiro grau. Conforme o próprio ministro pontuou, “encerradas as investigações, será possível examinar os casos para eventual remessa às instâncias ordinárias, sem que se apontem nulidades em razão da não observância do foro por prerrogativa de função ou de violação da ampla defesa e do devido processo legal.”

Esse trecho é revelador por dois motivos: primeiro, porque reflete a preocupação institucional com possíveis críticas sobre foro privilegiado — um tema permanente na jurisprudência brasileira; segundo, porque indica que Toffoli enxerga na transferência para a primeira instância não uma renúncia, mas uma etapa posterior natural, após o fim formal das diligências da Polícia Federal.

Até aqui, todos os pedidos de nulidade apresentados pelas defesas foram rejeitados, e uma tentativa de acordo com um dos investigados também foi indeferida. Além disso, diligências importantes já foram realizadas, incluindo oitiva de dirigentes do Banco Central e a acareação de depoimentos entre figuras-chave — como o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Master, e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB.

TENSÕES – Ainda que a nota seja uma defesa técnica e jurídica, o pano de fundo político é inescapável. O caso Master expôs tensões sobre competência, sigilo e influência institucional em um momento em que a confiança pública nas instituições permanece sob escrutínio, seja por debates recentes sobre prerrogativa de foro, seja por pressões externas que cercam as investigações.

A indicação de que o processo pode, em algum momento, voltar à primeira instância tem o efeito prático de diluir parte da controvérsia — e, ao mesmo tempo, adiar um eventual julgamento final por um prazo considerável, caso a estratégia de investigar profundamente antes de remeter o caso seja mantida.

Aumenta cada vez mais a possibilidade de impeachment dos ministros do STF

Moraes e Toffoli são alvo de 7 novos pedidos de impeachment

Moraes e Toffoli já estão na alça de mira dos senadores

Deu na Veja

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) afirmou em entrevista ao Ponto de Vista, programa de VEJA, , que existem “problemas na conduta” de ministros do Supremo Tribunal Federal no caso do Banco Master. Relator da CPI do Crime Organizado, o parlamentar citou especificamente os ministros Dias Toffoli, relator do processo na Corte, e Alexandre de Moraes.

“Você tem claramente problemas na conduta dos ministros Alexandre e Dias Toffoli – contratos, valores e relações que precisam ser explicadas. E é muito natural que, se for necessário, a gente demande (explicações) do Poder Judiciário e o Poder Judiciário atenda, seguindo a lei”, afirmou.

IMPEACHMENT – Segundo Vieira, caso não haja colaboração por parte da Corte, uma das respostas seria o impeachment de magistrados.

“Se (o Judiciário) não fizer isso, você vai ter um agravamento dessa crise institucional e uma demonstração cabal de que o caminho restante será o impeachment. O que não pode numa democracia de verdade é você ter pessoas que estão acima da lei, que não podem ser investigadas.”

Alessandro Vieira afirmou também que a CPI do Crime Organizado pode investigar os familiares de ministros do STF que mantinham negócios com o banco de Daniel Vorcaro.

INVESTIGAR TUDO – “É muito claro que precisamos de mais informações sobre essa situação onde você tem, aparentemente, uma organização criminosa que comprava acesso privilegiado ao poder – Executivo, Legislativo e Judiciário – usando, entre outras estratégias, contratos com escritórios de advocacia. Então a gente tem que fazer essa investigação com todo o alcance possível”, disse o senador, sem citar a mulher de Alexandre de Moraes e seu contrato de R$ 129 milhões.

Também a CPI do INSS pretende convocar o banqueiro Daniel Vorcaro para prestar depoimento, assim com os demais envolvidos no escândalo do Banco Master.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Alessandro Vieira é hoje um dos parlamentares mais influentes e respeitados do Congresso. Com sua formação em Delegado da Polícia Civil, ele não dá moleza para a criminalidade e a corrupção. Quando ele fala em impeachment, é que hoje a possibilidade já existe, não é nenhum sonho. Por isso, Toffoli e Moraes têm tanta dificuldade para conciliar o sono. (C.N.)

Sem herdeiro, sem projeto: Tarcísio, Bolsonaro e o colapso da sucessão

Caso do resort tornou-se um festival de mentiras envolvendo a família Toffoli

Tribuna da Internet | Pressionado, Toffoli empurra decisão sobre caso Master e amplia desgaste no Supremo

Charge do Spacca (Arquivo Google)

Carlos Newton

O caso do luxuoso resort Tayayá, que pertencia a José Eugenio Toffoli e José Carlos Toffoli, irmãos do ministro Dias Toffoli, do Supremo, saiu do noticiário por causa da gravidade do escândalo do grupo Master, embora também esteja cada vez mais enrolado. Toffoli pensa (?) que não sofrerá danos à sua imagem, mas o assunto será investigado pelo Congresso e tudo pode acontecer.

Os repórteres Paulo Ricardo Martins e Lucas Marchesini, da Folha, fizeram uma reportagem definitiva sobre o caso, e até se hospedaram no hotel, que fica no Paraná, fronteira com São Paulo.

LIGAÇÃO AO MASTER – Eles relataram que durante quatro anos (entre 2021 e 2025), os irmãos de Toffoli dividiram o controle do Tayayá com o fundo de investimentos Arleen, que faz parte da intrincada rede montada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, do grupo Master.

As cotas do Arleen eram de propriedade de outro fundo, o Leal, que de acordo com o jornal O Estado de S. Paulo pertence a Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. Os dois foram alvos de uma operação da PF (Polícia Federal) quando tentavam embarcar para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.

A defesa de Zettel não quis se pronunciar. Toffoli e seus irmãos também não aceitam falar a respeito, o que aumenta as suspeitas sobre o comportamento da família, já que há muitas coisas que eles precisam explicar ao respeitável público.

SÃO FREQUENTADORES – O fato concreto é que o ministro Dias Toffoli e seus irmãos, José Eugênio e José Carlos, continuaram a frequentar o Tayayá Resort mesmo após a venda do negócio para o advogado Paulo Humberto Barbosa, apurou a Folha. 

Toffoli chega ao local, na divisa de Paraná com São Paulo, sempre de helicóptero e pousa em um heliponto exclusivo próximo à luxuosa casa que mantém numa área próxima ao resort. Ele usa um barco do Tayayá que não está disponível para outros hóspedes para passeios.

O irmão do ministro Toffoli, José Eugenio Toffoli, era quem administrava o local enquanto a família tinha uma participação societária. Ele também tem uma residência fixa no resort, embora continue morando numa pequena casa a em Marília, interior de São Paulo.

MUITAS MENTIRAS – Sua esposa, entrevistada pelo Estadão, disse que José Eugênio nunca foi sócio do resort e não tem dinheiro para nada. Portanto, ou a mulher está mentindo ou o marido tem uma vida dupla, que é modesta em Marilia e luxuosa no resort…

O atual dono do empreendimento é Paulo Humberto Barbosa e também está mentindo. Aos repórteres Paulo Ricardo Martins e Lucas Marchesini, ele informou que é o  único proprietário do resort. Disse que conheceu o local no fim de 2024 e desde então foi adquirindo participações no empreendimento até se tornar dono.

“Eu tenho grandes amigos de Londrina [PR] que são investidores aqui. Então eu vim para conhecer o complexo. Tentei comprar uma parte, não consegui. Depois fui negociando até que eu consegui comprar a participação”, completou.

CONTRADIÇÕES – Barbosa, porém, diz não ter relação com o fundo de investimentos Arleen nem com o caso Master. “Eu não tenho nada com o Master. Eu não conheço ninguém de Master, eu não conheço nada. Eu nunca, na minha vida, investi em nada. Acho que a única vez que eu investi em alguma coisa, e que eu me arrependi, foi em um consórcio”, disse à reportagem.

Está claro que ele também está mentindo. Como nunca investiu em nada, se agora é dono do resort? Mas logo terá de contar a verdade, porque os senadores Carlos Portinho (PL-RJ) e Magno Malta (PL-ES) protocolaram requerimentos nesta quarta-feira (28) convocando um depoimento de Barbosa, que é advogado do  grupo JBS, dos irmãos Batista (Friboi).

Os parlamentares também pedem a convocação de José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli, ambos irmãos do ministro. E querem ouvir, ainda, o depoimento de Mario Umberto Degani, primo de Toffoli, também enrolado no resort.

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P.S.
– O Brasil é mesmo um país surpreendente. Nenhum outro consegue produzir tantos escândalos simultâneos de corrupção. A quantidade é tamanha e tão variada que a gente acaba se perdendo.

P.S. 2 – Antes que eu me esqueça, José Carlos Toffoli é padre e costuma rezar missas no resort em datas festivas. Cabe, então, a pergunta: O que o piedoso cônego está fazendo no meio desses pilantras, como ex-sócio do resort? (C.N.)

Mercado tenta fazer sucessor de Marina, mas Lula sinaliza pela continuidade

Tarcísio reage a Kassab, rejeita rótulo de submissão e reafirma lealdade a Bolsonaro

Tarcsio diz que ficar em São Paulo não é submissão

Samuel Lima
O Globo

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), rebateu, nesta sexta-feira (30), declarações do presidente do PSD, Gilberto Kassab, de que ele deveria demonstrar gratidão a Jair Bolsonaro, mas sem se mostrar submisso. Ele sustentou que a decisão de concorrer à reeleição, e não à Presidência, este ano é um desejo próprio e que tem seu estilo de governar de forma técnica e mais moderada em comparação com o padrinho político, de quem foi ministro.

“Sou uma pessoa de valores, então sempre vou ser grato a quem me estendeu a mão e me abriu as portas”, disse Tarcísio, durante a entrega da reforma da estação ferroviária Júlio Prestes, na capital paulista. “É fácil você estar do lado quando a pessoa está bem. Difícil, e não vemos muito isso na política, é estender a mão quando a pessoa está na pior, precisa da sua ajuda, perdeu o poder e está privada da sua liberdade. Nesse momento os amigos aparecem para dizer “estou contigo”. Isso não tem absolutamente nada a ver com submissão”, afirmou.

FAVORITISMO – O governador de São Paulo era o nome preferido de setores antipetistas moderados e líderes do Centrão para tentar unificar a direita no enfrentamento ao presidente Lula (PT) nas urnas, mas foi preterido por Bolsonaro, que optou por ungir candidato o filho Flávio Bolsonaro (PL), senador pelo Rio de Janeiro. Nesta quinta-feira (29), Tarcísio visitou o ex-presidente em sua cela no 19º Batalhão da Polícia Militar, em Brasília, conhecido como “Papudinha”. Ao sair do local, Tarcísio voltou a descartar uma candidatura presidencial e disse que “sem dúvidas” apoiará Flávio.

No mesmo dia, em entrevista ao site UOL, Kassab defendeu que Tarcísio seja grato a Jair Bolsonaro, mas não submisso. A declaração circulou entre deputados da base aliada e gabinetes da administração estadual. Aliados avaliaram, sob reserva, que o dirigente do PSD aparentou uma certa irritação com os rumos eleitorais do chefe no Palácio dos Bandeirantes e o tom adotado foi de “desabafo”, considerando que ele foi um dos principais entusiastas da ascensão do governador à disputa contra Lula.

“Eu tenho o meu estilo, a minha característica. Sou um cara mais técnico, mais centrado e mais ponderado, continuo sendo, e isso não vai mudar. A decisão de ficar em São Paulo não tem nada a ver com submissão. É algo que estou dizendo desde 2023, não é nenhuma novidade. Desde que eu cheguei aqui eu tenho dito que o meu projeto é de longo prazo”, disse Tarcísio.

INCÔMODO – O governador negou incômodo com a fala de Kassab, sustentando que ele alia o papel de “dirigente importante” do PSD com o cargo de secretário de Governo, responsável pelas relações institucionais com as prefeituras e outros órgãos públicos e privados.

“Aí ele fala como dirigente nacional dentro daquilo que ele acredita. Obviamente, dentro da atuação de governo, vou exigir que ele esteja sempre aderente àquilo que é a diretriz de governo. E isso ele tem feito na sua relação, por exemplo, com os municípios, no seu dia a dia. Ele tem suas opiniões próprias e acho que não tem nenhum problema”, afirmou.

O governador prometeu, novamente, ajudar a campanha de Flávio, mas sem detalhar exatamente qual será o seu papel nas articulações. “Vou ajudar fazendo tudo o que se faz numa campanha. Na verdade, passa por convencer que temos hoje um modelo petista absolutamente esgotado, que não tem nada para oferecer ao Brasil, e que existe uma alternativa de projeto muito mais conectado com a modernidade, com esperança, com prosperidade, e que vai atacar os pontos chaves, os pontos estruturais”, finalizou.

Recuo de Toffoli no Master é para salvar o pescoço, o STF ou ambos?

STF discute saídas para conter desgaste com Toffoli no caso Banco Master # charge #cartum #caricatura #editorialcartoon #politicalcartoon

Charge do Clayton (O Povo/CE)

Francisco Leali
Estadão

Sete dias separam duas notas oficiais. A primeira foi do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin. Data de 22 de janeiro. A segunda, de Dias Toffoli, divulgada na quinta-feira, 29. Ambas tratam do mesmo caso: a crise provocada pelas investigações do Banco Master. No meio delas, Fachin falou ao Estadão.

Seu tom tradicionalmente catedrático deu lugar ao discurso de quem precisa expor na esfera pública o que uns e outros colegas não querem ver.

LIMITES DO ÓBVIO – Andar de jatinho com advogado de investigado ou ter a mulher contratada pelo Master, seja pelo valor que for, ultrapassa os limites do óbvio e não caberia no código de ética que ainda está por vir.

Ao Estadão, Fachin deixou transparente: há ministros do STF que não querem tratar de código em ano eleitoral. O presidente do STF foi ao limite da ironia ao falar desse argumento, lembrando que de dois em dois anos há campanha no Brasil. Ou seja, se isso é trava para o Supremo aprovar um código, é o mesmo que dizer que não aprovará nunca.

A entrevista do presidente do STF serve para corrigir a interpretação de quem viu a primeira nota como blindagem a eventuais deslizes de Toffoli no caso Master. Fachin indicou que não é isso. Os erros, advoga, podem ser sempre corrigidos pelo plenário.

UM POR TODOS… – Na semana passa, um leitor desta coluna comentou que há um problema estrutural no STF a ser resolvido: a falta de colegialidade. De fato, por décadas o Supremo foi conhecido por decisões tomadas no plenário. Mais recentemente, fala-se mais de despachos monocráticos do que de entendimentos consensuados na Corte.

Na quinta-feira, 29, o ministro Dias Toffoli saiu da toca. Divulgou uma nota sobre o Master. Na noite do mesmo dia, foi um pouco mais adiante e tirou o sigilo de vídeos de depoimentos feitos em dezembro sob sua ordem.

Recheado de trechos em negrito, o texto divulgado pelo ministro conclui com indicação de que o caso pode vir a baixar para a primeira instância do Judiciário. A questão do foro de um banqueiro que não é autoridade política já vinha sendo levantada no mundo jurídico. Agora, o próprio Toffoli admite a probabilidade de o assunto deixar os escaninhos do Supremo.

TOFFOLI E MORAES – Se isso de fato ocorrer, estará dado o primeiro passo para a Corte se livrar do ônus de ter que lidar com processo que põe em questão as condutas de Toffoli e Alexandre de Moraes.

O primeiro, como relator, teve irmãos negociando com fundo ligado ao banco investigado. Abrir mão do caso, vai na direção de quem prefere preservar o pescoço. O segundo tem a mulher remunerada por Vorcaro e até aqui não viu problemas nisso.

Agora, se o gesto vai servir para livrar ambos de novos desdobramentos por conta dos vínculos pretéritos, são outros quinhentos.

Com aval dos líderes, Câmara prepara votação da PEC da Segurança após o carnaval

Motta sinaliza que PL Antifacção deve levar mais tempo

Luísa Marzullo
O Globo

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), usou a reunião com líderes partidários nesta quarta-feira para organizar a largada do ano legislativo e definir um calendário mínimo para as primeiras votações relevantes da Casa. O principal encaminhamento do encontro foi a previsão de que a PEC da Segurança Pública seja analisada logo após o carnaval, além da sinalização de que o projeto Antifacção deve ficar para um segundo momento.

O relator da proposta, deputado Mendonça Filho (União-PE), afirmou que Motta deu prioridade ao tema e que o texto seguirá um rito previamente combinado com os líderes. Nas próximas duas semanas, o relatório apresentado por ele em dezembro será debatido com as bancadas, que poderão sugerir ajustes antes da deliberação formal.

— O presidente Hugo reafirmou a prioridade para a pauta da Segurança Pública. Vamos fazer uma apresentação do substitutivo às bancadas na primeira e na segunda semana de fevereiro, para que tragam contribuições antes da decisão final na comissão especial e depois no plenário.

REUNIÃO – Segundo Mendonça, a previsão é que, concluída essa etapa, a proposta seja apreciada na comissão especial na semana de 23 de fevereiro, já depois do feriado. O relator informou ainda que terá uma reunião de trabalho com o novo ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington Lima, nos próximos dias, antes do início da rodada de apresentações às bancadas.

A PEC chega a essa fase após semanas de tensão entre o governo e o relator. Integrantes do Executivo vinham defendendo mudanças para reforçar a coordenação nacional no combate ao crime organizado, preservar instrumentos do Ministério da Justiça na gestão do Fundo Nacional de Segurança e deixar mais explícito o papel da Polícia Federal.

ANTIFACÇÃO – Outro ponto de incômodo no Planalto era a avaliação de que o texto relatado no Congresso vinha suavizando o eixo de coordenação federal para evitar resistência de governadores. Durante a reunião, Mendonça também defendeu que o projeto Antifacção, que trata do enfrentamento às organizações criminosas e sofreu alterações no Senado, seja votado apenas depois da definição do texto constitucional. A sugestão foi acolhida na discussão.

Enquanto a segurança entra no trilho para fevereiro, a pauta imediata ficará concentrada em medidas provisórias e matérias de consenso. Motta informou que a Câmara deve votar já na próxima semana duas medidas provisórias — a do Gás do Povo e a que trata do alívio financeiro e da renegociação de dívidas de produtores rurais afetados por eventos climáticos — além do projeto que cria o Instituto Federal do Sertão Paraibano e outras propostas de consenso entre os partidos.

As duas MPs atendem a agendas defendidas pelo governo federal, enquanto a criação do instituto é uma pauta de interesse direto de Motta. Também está prevista a instalação e eleição das comissões permanentes, etapa considerada essencial para o funcionamento regular da Casa.

DIREITO ÀS CADEIRAS – O acordo é preservar o desenho partidário do ano passado, com as mesmas siglas à frente dos colegiados, evitando reabrir uma disputa ampla por espaços neste início de sessão legislativa. Pelo regimento, os presidentes não podem ser reconduzidos, mas os partidos mantêm o direito às cadeiras, indicando novos nomes. As exceções serão a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e a Comissão Mista de Orçamento (CMO), que têm regras próprias de alternância entre os partidos, já definidas no início da legislatura. CCJ ficará com União e CMO, com o PSD.

— Cada bancada terá a próxima semana para discutir os nomes e fechar a composição antes do Carnaval. Essa é a prioridade das prioridades — afirmou o líder do governo, José Guimarães (PT-CE).

PRIORIDADE – Temas defendidos pela oposição, como a CPMI do Banco Master, não avançaram no encontro. O deputado governista Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) chegou a pedir que seu requerimento fosse pautado, com apoio de integrantes da base, mas Motta deu a entender que não passaria o assunto à frente. Hoje, 17 colegiados já aguardam a instalação. Já o acordo Mercosul–União Europeia foi citado como prioridade política, mas ainda aguarda o envio da mensagem do Executivo ao Congresso.

— Queremos votar antes do carnaval, mas depende do envio, e estamos tratando para que chegue o mais rápido possível. Depois ainda tem que passar pela comissão do PARLASUL — afirmou Lindbergh Farias (PT).

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Quem falhou no caso Master? Críticas reacendem debate sobre o papel do BC

A poesia de Adalgisa Nery, num abrir e piscar de olhos, pode até mudar o mundo

Adalgisa Nery, pintada por Portinari

Paulo Peres
Poemas & Canções

A jornalista e poeta carioca Adalgisa Maria Feliciana Noel Cancela Ferreira (1905-1980), mais conhecida como Adalgisa Nery, por ter-se casado com o pintor Ismael Nery, revela no “Poema Natural” como o mundo pode ser diferente quando você fecha os olhos.

POEMA NATURAL
Adalgisa Nery

Abro os olhos, não vi nada
Fecho os olhos, já vi tudo.
O meu mundo é muito grande
E tudo que penso acontece. 
Aquela nuvem lá em cima?
Eu estou lá,
Ela sou eu.

Ontem com aquele calor
Eu subi, me condensei
E, se o calor aumentar, choverá e cairei.
Abro os olhos, vejo um mar.
Fecho os olhos e já sei.
Aquela alga boiando, à procura de uma pedra?
Eu estou lá,
Ela sou eu.

Cansei do fundo do mar,
subi, me desamparei.
Quando a maré baixar, na areia secarei,
Mais tarde em pó tornarei.

Abro os olhos novamente
E vejo a grande montanha,
Fecho os olhos e comento:
Aquela pedra dormindo,
Parada dentro do tempo,
Recebendo sol e chuva,
Desmanchando-se ao vento?
Eu estou lá,
Ela sou eu.

Aliados de Bolsonaro e ministros defendem prisão domiciliar

Vorcaro é uma bomba ambulante, que vai fazer sucesso ao depor no Senado

Tenho amigos em todos os poderes”, diz Daniel Vorcaro | Portal O Ralho

Charge do Aroeira (Brasil 247)

Vicente Limongi Netto

Está voltando a Escolinha dos professores Davi e Hugo. O público já saudoso das embromações e parlapatices dos alegres engomados. Muitos dos escolados alunos são mais finórios do que Davi e Hugo. Foram  expulsos do seminário de futuros anjos, frequentado pelo presidente do Senado e do Congresso, Davi Alcolumbre, e pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta. 

Voltarão gordos, bronzeados, alimentados e mais falastrões e bazofeiros.  Dispostos a continuar trabalhando pelo povo. Senadores e deputados são abnegados cidadãos. Não deixam faltar nada para os brasileiros.

MALEDICÊNCIAS – Tudo que os parlamentares fazem no Congresso é para melhorar a qualidade de vida da população. Jamais pensam em seus interesses pessoais. São maledicências de contribuintes que pagos impostos.

Assim, senadores e deputados receberão, de braços abertos, outro fenômeno da vigarice, o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do latifúndio Master. Daniel vai arrebentar a boca do balão na CPMI do INSS. O plenário da comissão será pequeno.

Assessores vão pernoitar na porta para garantir os melhores lugares para seus chefes.

AMIGO DO PEITO – Ano de eleições, palanques montados. Vorcaro tem dito que é amigo do peito de senadores, deputados, governadores e ministros. Adoram o vinho caro e bons charutos na casa dele.

Vorcaro é uma bomba ambulante, pronto para explodir. Vai jogar pelo ar pedaços de pilantras, adoradores de emendas e cretinos pelo Brasil e pelo mundo. A presença na CPMI será cobiçada por bolsonaristas e petistas. Todos querendo as vísceras do banqueiro vigário.

O banco Master está pendurado em rombos de mais de 40 bilhões de reais. Resta saber se depois das investigações alguém será preso. O script final e mais aguardado é a delação premiada do banqueiro. Intrigas e maldades com a inteligência artificial vão alegrar as eleições. Preparem os corações. Muitas emoções até outubro. 

A anatomia de uma fraude que expõe a fraqueza das instituições no Brasil

Expansão se deu por meio de operações mal explicadas

Pedro do Coutto

O escândalo envolvendo o Banco Master deixou de ser apenas mais um caso rumoroso do noticiário econômico para se tornar um raio-X incômodo das fragilidades institucionais do país. Em artigo recente, Malu Gaspar, em O Globo — uma das jornalistas investigativas mais respeitadas do Brasil — descreve o episódio como a “anatomia de uma fraude”, expressão precisa para um caso que cresceu, ganhou terreno e passou a envolver personagens centrais do sistema financeiro, do governo e até do Supremo Tribunal Federal.

O ponto de partida é a atuação de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, cuja ascensão foi acompanhada por práticas que hoje soam, no mínimo, temerárias. A expansão agressiva do banco se deu por meio de operações mal explicadas, carteiras infladas artificialmente e uma engenharia financeira que, ao longo do tempo, revelou sinais claros de fraude. Não se trata de uma interpretação ex post: desde 2024, analistas do mercado já descreviam a situação como uma “bomba-relógio”, visível a quem quisesse enxergar.

TEIA DE RELAÇÕES – O caso se agrava quando se observa a teia de relações políticas e institucionais que cercou o banco. A contratação de figuras de peso — como ex-ministros e nomes com trânsito no Planalto e no Congresso — ampliou o alcance do escândalo. A presença de Ricardo Lewandowski como advogado, ainda que posteriormente encerrada, levantou questionamentos éticos profundos. Sua eventual permanência no caso poderia, como observadores apontaram, respingar até mesmo na estabilidade política do governo Lula e em um eventual projeto de reeleição.

Outro ponto sensível foi a contratação de Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda, por indicação política, o que aumentou a pressão sobre o governo federal. O Planalto, que já enfrentava dificuldades em outras frentes, viu sua posição fragilizada diante da percepção de proximidade excessiva com um banco que, pouco depois, se revelaria um epicentro de irregularidades.

Os números ajudam a dimensionar o problema. Descobriu-se um rombo estimado em cerca de 12 bilhões de reais, fruto de carteiras de crédito vendidas com valores artificialmente inflados — inclusive ao Banco Regional de Brasília — e de investimentos sem lastro econômico razoável. Um dos episódios mais emblemáticos foi a injeção de centenas de milhões de reais em uma pequena empresa cujo negócio principal era a realização de festas infantis, algo completamente incompatível com a lógica de gestão prudente de recursos financeiros.

ARRANHÃO – A Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão responsável por fiscalizar o mercado de capitais, também saiu arranhada. Segundo relatos já públicos, técnicos alertaram para irregularidades, mas seus pareceres foram ignorados em favor de acordos que resultaram em multas consideradas irrisórias. O diretor que avalizou esses arranjos acabou, paradoxalmente, promovido, após a renúncia do então presidente da autarquia — que teria confidenciado a pessoas próximas ter sofrido ameaças.

No Supremo Tribunal Federal, o caso ganhou contornos ainda mais delicados. Há uma corrente que defende a transferência de parte das investigações para a primeira instância, o que, na prática, pode significar atraso, fragmentação do processo e risco de prescrição. Como alertou Merval Pereira, também em O Globo, o simples fato de a Corte cogitar essa divisão já acende um sinal de alarme no convés da mais alta instância do Judiciário. Abrir mão de uma investigação que envolve ministros do próprio tribunal não parece compatível com a gravidade do momento.

IMPACTO ELEITORAL – Politicamente, o impacto eleitoral tende a ser limitado. O escândalo atinge, direta ou indiretamente, diferentes campos do espectro político, o que dilui seu potencial de uso imediato como arma eleitoral. Ainda assim, o caso do Banco Master entra para a história recente como um dos exemplos mais escancarados de falhas de governança, fiscalização frouxa e promiscuidade entre poder econômico e poder político.

A anatomia dessa fraude revela mais do que um banco problemático: expõe um sistema que reage tarde, pune pouco e frequentemente protege os de sempre. Enquanto essa lógica persistir, novos “casos Master” continuarão a surgir — talvez com outros nomes, mas com a mesma essência.

Sob pressão do caso Master, Fachin avalia deixar código de conduta para 2027

Além de Moraes e de Ibaneis, quem não fumou os charutos cubanos de Vorcaro?

Alexandre de Moraes determina afastamento do governador do DF Ibaneis Rocha  por 90 dias - Brasil de Fato

Cada vez mais enrolado, Moraes não tem como se defender

Carlos Andreazza
Estadão

O portal Metrópoles informou – e banca a informação – que Alexandre de Moraes esteve na casa de Daniel Vorcaro, em Brasília, ao menos duas vezes. Umas dessas visitas já fora noticiada, pelo Globo – e nunca negada pelo ministro. Terá ocorrido no fim de 2024 – segundo o Metrópoles, em 6 de novembro daquele ano.

O contrato do escritório de advocacia Barci de Moraes com o Master é de janeiro de 2024. De modo que: a reunião, na casa de Vorcaro, cuja existência Moraes não negou, teria se passado sob a vigência do contrato de sua esposa com o banco.

Antes de avançarmos, o cronista propõe um exercício de imaginação: que suponhamos a inexistência do contrato. Jamais houve. Tiremos essa camada de gravidade. Ainda assim, pergunte-se: é normal – aceitável – que juiz, juiz de Corte constitucional, frequente casa de banqueiro, empresário etc.?

CONTRATO EXISTE – Existia quando da visita de 2024, o Master já exposto, já insolvente, desesperado por “soluções de mercado” como as que produziriam – já produziam – as “transfusões de liquidez” destinadas a falsear solidez impossível ao que sempre foi esquema de pirâmide. E Alexandre de Moraes na mansão do faraó dono do banco.

A novidade, na reportagem do Metrópoles, é o evento de 2025, vigente, claro, o contrato, um evento havido no momento decisivo da trama em que o BRB adquiria os papeis podres-falsos do Master e negociava mesmo a compra do banco. Publicou o portal:

“Foi na casa do banqueiro que o ministro conheceu o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. O encontro ocorreu em um fim de semana do primeiro semestre de 2025. Vorcaro pediu que Paulo Henrique fosse até seu endereço, no Lago Sul, área nobre de Brasília, porque ‘o homem estava lá’.”

SUPERMINISTRO – O “homem” é Xandão, presença que fiava o Master, demonstração de poder do banqueiro ao mundo – um conforto a quem pretendesse fazer business com o banco. “O homem estava lá”; e Vorcaro chamou o camarada do BRB para chegar junto. Ninguém sério pode avaliar as operações entre BRB e Master, senão sob a lógica da camaradagem.

Em seu depoimento à Polícia Federal, em 30 de dezembro de 2025, Daniel Vorcaro disse que esteve quatro vezes com Ibaneis Rocha para tratar do negócio – uma das quais recebendo o governador do Distrito Federal em casa. Ibaneis admitiu os encontros, em que – disse – não falara sobre as tratativas BRB-Master. Teria ficado mudo, nas conversas tocadas pelo onipresente Paulo Henrique Costa.

MORAES ONIPRESENTE – Não onipotente. Será, com sorte, da ordem da estupidez acreditar que tal um movimento bilionário seria acertado-aprovado-executado sem a chancela do responsável último pelo Banco Regional de Brasília: o governador do Distrito Federal. É o único político – talvez como alerta – que Vorcaro entregou até aqui, e não um dos mais próximos do banqueiro.

Mais do Metrópoles sobre a visita de 2025, estando vigente desde janeiro de 24 – reforçar é fundamental – o contrato do escritório da esposa do ministro do STF com o Master:

“Ao chegar, o então chefe do BRB foi apresentado a Moraes, que estava em um ambiente reservado da mansão. Naquele momento, o Master buscava no BRB sua tábua de salvação para evitar fechar as portas. Durante o encontro, Moraes e Paulo Henrique trocaram impressões sobre o assunto”.

ATÉ LULA… – O cronista ora propõe uma nota à margem, talvez nem tão à margem, para citar o bizarro de haver Lula recebido Vorcaro no Planalto. Foi em dezembro de 2024; a trama já mais que embaraçada e embaraçosa. E o presidente da República recebendo o banqueiro no palácio, via lobby de seu ex-ministro Guido Mantega, outro consultor do Master, e sem que o evento constasse em agenda. Por quê?

A versão oficial constrange. Mantega teria levado Vorcaro ao Planalto para falar com o chefe de gabinete de Lula. Uma vez lá, o banqueiro pediu para falar com o presidente, tudo assim, no improviso, e conseguiu; de repente armada uma reunião – no improviso – para a qual foram convocados ministros e o então diretor do BC Gabriel Galípolo. Tudo, repita-se, por fora. No jeitinho. Não sem método.

Entre os presentes, o chefe da Casa Civil, Rui Costa, ex-governador da Bahia – Bahia petista sem a qual (caso Credcesta) não haveria Master como o conhecemos.

OUTRO CONTRATO – Ricardo Lewandowski, então ministro da Justiça e chefe hierárquico da Polícia Federal, não esteve na reunião. Naquela altura, o escritório de advocacia de seus filhos já tinha contrato de consultoria com o Master – contrato firmado pelo próprio Lewandowski quando à frente da banca, da qual se afastaria para ingressar no governo.

Contrato que foi honrado – a modestos (se comparados aos 3,6 milhões pagos mensamente ao escritório Barci de Moraes) R$ 250 mil mensais – até setembro de 2025, antevéspera da liquidação do banco, espremido o bagaço da laranja até o fim.

O padrinho da contratação de Lewandowski foi Jaques Wagner, líder do governo no Senado e, ex-governador da Bahia, mui bom conhecedor do Master, eque arranjou o contrato de Guido Mantega ganhando R$ 1 milhão por mês.

SÓ POR DINHEIRO – O cronista abriu esta já longa nota extrapolante das margens para apontar o vexame em que consiste a campanha por associar o escândalo ecumênico do Banco Master a algum lado político.

O Master esteve e está em todo lugar – na direita, na esquerda, no centro, embaixo e em cima, sobretudo em cima. Na Bahia petista. Na bancada governista no Supremo. Na PGR submissa ao Supremo diastoffolico. Nos Rio de Janeiro e Distrito Federal bolsonaristas. No Amapá alcolúmbrico. No Parlamento de Ciro Nogueira e Arthur Lira.

E essa é a razão – Vorcaro contratou muitas defesas – por que a liquidação do banco demorou tanto. Não houve precipitação, como quis vender o TCU. Houve demora, para prejuízo aumentado – por exemplo – do contribuinte de Brasília, do servidor estadual fluminense… Sim, Roberto Campos Neto deixou o bicho correr solto. Foi omisso. Para começo de conversa.

VISITA DE MORAES – De novo ao Metrópoles, agora para cuidar da visita a Vorcaro que Moraes não negou – vigente então, sublinhe-se de novo, o contrato do escritório de sua esposa com o Master:

“O ministro do STF acompanhou, na mansão do banqueiro, o resultado da eleição norte-americana que, em 6 de novembro de 2024, elegeu Donald Trump para o segundo mandato. (…) Na ocasião, Moraes estava na mesma área reservada do imóvel, fumando charutos e degustando vinhos caros e raros”.

O noticiário do começo desta semana teve um tom artificial mui facilmente identificável, produto da blitz do Planalto por plantar a disposição de Lula em descolar o governo do caso Master, irritado o presidente com Dias Toffoli. Ou mais irritado. Porque irritado já deveria estar quando se encontrou com o ministro para tratar do assunto. Foi em dezembro de 2025, presente também Fernando Haddad – tudo sem registro em agenda. Irritação nenhuma justificará que presidente da República se encontre com ministro do Supremo fora da agenda, independentemente do tema em questão – o que só agravará o problema. Por que Lula quereria tratar de Master?

LULA QUER ESCAPAR – Ninguém, ao pensar no caso Master, pensa no governo Lula em primeiro lugar. Até aqui, em termos de representação no imaginário, não há uma associação imediata, decerto não primordial. Ocorre que Lula, o mesmo que se reúne com Dias Toffoli, quer se afastar. É ano eleitoral. E está evidente que as investigações tornam instável o solo e podem despertar o ora anestesiado sentimento anticorrupção – antissistema – no brasileiro.

O presidente, candidato favorito à reeleição, quer se afastar do quê? Do caso Master ou do Supremo? Faz sentido ser do Supremo; porque – aí, sim – seu governo e o STF são próximos (a corte constitucional como solução para os problemas de Lula no Parlamento) e mesmo se confundem na percepção popular. E a percepção popular compreende que está em curso – Supremo à frente – uma operação abafa destinada a matar as apurações sobre as traficâncias no caso Master.

O presidente da República, que quer se descolar, almoçou recentemente com Alexandre de Moraes, neste janeiro. A sós. Sem registro nas agendas. A versão oficial dá conta de que falaram de segurança pública.

NEGAR, SEMPRE – Em nota, o ministro Moraes negou que tenha se encontrado com o então presidente do BRB na casa de Daniel Vorcaro “em um fim de semana do primeiro semestre de 2025”. Numa construção que desafia o idioma, lê-se:

“Essa reunião não ocorreu e, lamentavelmente, segue um padrão criminoso de ataques desqualificados contra integrantes do Supremo Tribunal Federal”.

Não é a reunião que não ocorreu que segue padrão criminoso. Você entendeu. Alexandre de Moraes – e isto não tardaria – classifica a atividade jornalística profissional sob “padrão criminoso de ataques desqualificados contra integrantes” do STF. Tampouco tardaria até que a corrupção da palavra ataque – do verbo atacar – servisse para qualificar o trabalho da imprensa.

Confirmado! Galípolo recebeu orientação de Lula para proteger o Banco Master

Sorriso Pensante-Ivan Cabral - charges e cartuns: Charge do dia: Esse Mister Lula....

Charge do Ivan Cabral (Sorriso Pensante)

Carlos Newton

São estarrecedoras as notícias de que o banqueiro fraudador Daniel Vorcaro, dono do grupo Master, esteve no Palácio do Planalto ao menos quatro vezes entre 2023 e 2024 e, num desses encontros, teria falado diretamente com o presidente Lula da Silva sobre a necessidade de dar apoio à instituição, alegando que enfrentava o “oligopólio” dos bancos.

Segundo a repórter Mariana Haubert, do portal Poder360, as visitas aconteceram fora da agenda e são mantidas em sigilo pelo Planalto, embora constem em registros oficiais do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência, obtidos pela jornalista através da Lei de Acesso à Informação..

Na reportagem publicada pelo Poder360, Vorcaro foi ao Planalto pela primeira vez nesta gestão de Lula no dia 4 de dezembro de 2023, às 15h42. Em 2024, houve mais duas entradas registradas, em 1º de março, às 14h33, e em 3 de abril, às 17h29.

FORA DA AGENDA – A apuração da repórter aponta que o dono do grupo Master foi ao Planalto uma quarta vez em 2024, numa reunião com Lula no dia 4 de dezembro, também fora da agenda oficial. A informação coincide com outras matérias divulgadas na véspera por jornais e portais sobre o encontro ocorrido em um momento em que o Banco Master já enfrentava dificuldades de liquidez.

A reunião de Vorcaro com Lula não consta no relatório oficial de visitantes do GSI e foi revelada inicialmente pelo jornal O Globo, confirmada posteriormente pelo Poder360 e outros veículos.

O portal Metrópoles também apurou que teriam participado da reunião, além de Vorcaro, seu assessor Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda, e os atuais ministros Rui Costa (Casa Civil) e Alexandre Silveira (Minas e Energia), o economista Gabriel Galípolo, diretor do Banco Central, já indicado para presidir a instituição, e Augusto Lima, então CEO do Master.

MANTEGA EM CENA – Essa reunião foi articulada por Mantega, que recebia R$ 1 milhão mensais para assessorar o banqueiro Vorcaro junto ao governo Lula, por indicação do senador Jaques Wagner, líder do PT, vejam como certos políticos se vendem por 30 dinheiros.

Antes dessa reuniu com Lula, o ex-ministro Mantega teria se acertado com Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, chefe do Gabinete da Presidência e assessor mais próximo do presidente.

Após essa conversa, segundo apurou o Poder360, Mantega e Vorcaro teriam pedido para falar com Lula, que aceitou recebê-los em seguida. Na agenda oficial, porém, apenas o nome de Mantega aparece.

CONTRA O SISTEMA – No encontro, segundo a apuração, Vorcaro alegou que o Banco Master tinha como objetivo quebrar o oligopólio do setor bancário, dominado por apenas algumas grandes instituições. Era uma Piada do Ano, claro, mas ninguém riu.

A informação sobre essa reunião, confirmada por vários jornais e portais, tem traduções simultâneas. De início, significa que Gabriel Galípolo, que na época ainda era diretor de Política Monetária do BC, aceitou a indevida orientação de Lula para atuar em favor do grupo Master.

Essa submissão de Galípolo se confirmou em sua postura futura. Após ser nomeado presidente do BC, está claro que ele determinou que o diretor de Fiscalização, Ailton Aquino dos Santos, ajudasse a negociar a venda do Master ao Banco Regional de Brasília (BRB).

AQUINO OBEDECEU – Auditor de carreira do BC, admitido por concurso em 1998, Aquino obedeceu a orientação dada a ele por Galípolo, que alegou risco sistêmico. E assim o próprio diretor de Fiscalização participou indevidamente das negociações em defesa do banqueiro fraudador.

Ou seja, Aquino foi atirado às feras por Galípolo, que continua numa boa, como cidadão acima de qualquer suspeita, e chegou até a se vangloriar na reunião do fim do ano, dizendo aos jornalistas que havia sido pressionado a defender o Master e mantinha “tudo documentado”.

Agora, chegou o momento de Galípolo contar a verdade e mostrar essa alegada “documentação”, que vai apressar o impeachment do ministro Alexandre de Moraes e prejudicar gravemente a campanha presidencial de Lula da Silva.

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P.S.
– Conforme temos avisado aqui na Tribuna da Internet, esse escândalo está apenas começando, e a imprensa vem dando um show de liberdade, em benefício do interesse nacional. Sem imprensa livre, não existe democracia, é claro. (C.N.)

PSD aposta no pós-bolsonarismo e tenta ocupar o vácuo do centro-direita

Charge do Zé Dassilva (Arquivo do Google)

Deu no G1

O governador do Paraná, Ratinho Júnior, afirmou nesta quarta-feira (28) em entrevista à GloboNews que a definição sobre quem será o candidato do PSD à Presidência da República deve ocorrer em meados de abril.

O partido vive um momento de articulação interna com a chegada do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, e a presença de outros nomes fortes, como o governador gaúcho, Eduardo Leite.

MEADOS DE ABRIL – “A discussão de quem será o candidato e essa união em torno desse nome vai acontecer lá por meados de abril”, disse o governador. Ele detalhou que a escolha será feita por um conselho interno do partido, “de forma sem disputa interna, bem harmônica e respeitosa”.

Mais cedo, os governadores do RS, Eduardo Leite, e de GO, Ronaldo Caiado, deram entrevista à GloboNews. Caiado afirmou que o PSD terá candidatura própria para a eleição presidencial e detalhou os motivos que o fizeram trocar o União Brasil pelo partido, presidido por Gilberto Kassab, em pleno ano eleitoral.

Ratinho Júnior explicou que o foco atual dos governadores é cumprir os mandatos até o prazo de desincompatibilização, em 4 de abril. Só após essa data, segundo ele, a sigla baterá o martelo sobre o nome que liderará a chapa: Caiado, Leite ou ele.

“ESCOLHIDO” – O governador evitou tratar a chegada de Ronaldo Caiado ao PSD como um sinal de que o goiano já seria o “escolhido” como candidato. O paranaense elogiou a gestão de Caiado na segurança pública e educação, chamando-o de referência, mas colocou seu próprio nome e o de Eduardo Leite também no tabuleiro.

Para o governador do Paraná, o objetivo do PSD é apresentar um projeto que fuja do “fla-flu político” entre lulismo e bolsonarismo. Ele criticou a polarização atual, afirmando que ela “não tem trazido benefício para Dona Maria ou para o Seu Zé” e que o Brasil “anda de lado” enquanto países como Índia e China crescem.

Ratinho Júnior admitiu que a tentativa de criar uma terceira via enfrentará resistência dos polos políticos já estabelecidos, mas disse acreditar que há espaço na sociedade para uma candidatura que “vire a página” das discussões do passado.

MOVIMENTAÇÕES –  Ratinho Júnior também comentou o cenário eleitoral no campo da direita, analisando as movimentações do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL).

Para o paranaense, é natural que Tarcísio apoie Flávio devido à “ligação histórica com a família”, mesmo não sendo candidato à presidência. Ele classificou Tarcísio como um “grande cabo eleitoral” e um governador de muito prestígio. Sobre Flávio, Ratinho Júnior considerou a candidatura “normal” e legítima, dado o tamanho do PL e o ativo político herdado do pai.

Ao projetar um eventual segundo turno, o governador do Paraná sinalizou que a união entre as legendas é o caminho provável caso a disputa fique entre um nome da esquerda e outro desse espectro. “Penso que é um caminho meio da centro-direita natural apoiar quem esteja nesse campo”, afirmou Ratinho Júnior. Ele ressaltou que, se for o escolhido do PSD para ir ao segundo turno, buscará “o máximo de apoio possível”, mas admitiu que a recíproca também é verdadeira se o resultado favorecer o candidato do PL.

JOGO EMBARALHADO –  Com o anúncio do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, de que deixará o União Brasil para se filiar ao PSD de Gilberto Kassab, o partido embaralha o tabuleiro eleitoral de 2026 e mexe nas articulações dos palanques estaduais. O objetivo inicial e principal — segundo lideranças — é se colocar como alternativa de centro-direita sem Bolsonaro, com nomes para um pós-bolsonarismo.

Nos bastidores, o movimento é visto como o mais relevante no campo desde o anúncio da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em dezembro do ano passado, apresentado por Jair Bolsonaro como seu escolhido.

Agora, Caiado passa a integrar um trio com os governadores Ratinho Júnior (PSD-PR) e Eduardo Leite (PSD-RS). Pelo desenho atual, um desses nomes deve sair como cabeça de chapa numa futura candidatura presidencial.