PT entra em corrida contra o tempo após Pacheco abandonar disputa em Minas Gerais

A ofensiva dos EUA contra facções brasileiras e o impacto político no Brasil

O Brasil chegou ao limite da escala 6×1, e a nova regra não quebrará as empresas

Piada do Século! Relatório oficial diz que Juscelino foi “assassinado” pela ditadura

Moraes tem outros problemas graves nos EUA, além do processo judicial de Trump

Moraes é citado em ação nos EUA; caso amplia tensão diplomática com o STF, avaliam analistas – Noticias R7

Moraes é processado por Trump e investigado pelo Capitólio

Carlos Newton

A vida está dando uma bela lição no ministro Alexandre de Moraes, que precisa urgentemente usar parte dos R$ 80,2 milhões que conseguiu receber do banqueiro Daniel Vorcaro e contratar um grande escritório de advocacia nos Estados Unidos, para defendê-lo na ação movida pela plataforma de vídeos Rumble e pela  Trump Media & Technology Group, que é proprietária da rede social Truth, do presidente Donald Trump.

Mesmo que gaste parte da fortuna para se defender, Moraes será irremediavelmente condenado pela Justiça Federal americana, porque não tem como justificar as violações à Primeira Emenda da Constituição, que desde 1791 garante os direitos fundamentais dos cidadãos lá na matriz.

OUTROS PROBLEMAS – Além dessa ação judicial que vai condená-lo por estabelecer censura, perseguição política e outros graves crimes ao exercer a magistratura, Moraes tem outros problemas nos Estados Unidos, com destaque para a investigação que está sendo feita pelo Congresso americano sobre a atuação política de Moraes em seus julgamentos relacionados aos EUA.

Divulgado recentemente, o relatório inicial do Comitê Judiciário da Câmara dos EUA acusa diretamente o ministro do Supremo de violar a liberdade de expressão em solo americano. Para o Comitê Judiciário, comandado atualmente pelo Partido Republicano, Moraes montou uma campanha de censura e lawfare que atingiu o cerne da democracia brasileira.

Por meio de intimações na Justiça dos EUA, o Comitê Judiciário obteve cópias de ordens de Alexandre de Moraes às redes sociais dos EUA, determinando a remoção de postagens e a suspensão de contas, como se a Justiça da filial Brazil se sobrepujasse à Justiça da matriz USA.

85 ANEXOS – O relatório é impressionante, acompanhado de 85 anexos. A maioria deles consiste em decisões de Moraes ordenando às redes sociais americanas a suspensão de contas e a remoção de postagens. Há, por exemplo, quatro diferentes ordens para a plataforma de áudio Spotify remover conteúdos do youtuber Bruno Aiub, o Monark.

“Baseado em novos documentos obtidos pelo Comitê, este relatório fornece evidências adicionais de como o regime de censura do Brasil mina a liberdade de expressão nos Estados Unidos, por meio da edição de ordens de remoção de conteúdo com efeitos globais, parcerias com censores em outros países e pela remoção de proteções legais das plataformas de redes sociais”, diz o relatório.

Não há como Moraes se desfazer das acusações, porque as provas são abundantes, fornecidas por ele próprio, ao deflagrar uma patética campanha para calar as críticas de oposicionistas que se manifestavam contra o governo Lula nas redes sociais.

###
P.S. –
Outro erro de Moraes foi pedir a extradição do ex-deputado Alexandre Ramagem, que o ministro condenou à prisão e à perda do mandato e do cargo de delegado federal, sem haver a menor prova de participação dele na trama golpista. A extradição não será concedida e será judicialmente usada contra o próprio Moraes. Mas este é outro assunto importante, que depois abordaremos. (C.N.)

Rodrigo Pacheco anuncia saída da política e desiste de disputar governo de Minas

Pacheco era cotado para representar Lula em MG

Deu no O Globo

O ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSB-MG) declarou nesta sexta-feira que não vai ser candidato a governador de Minas Gerais. O senador disse que tomou a decisão de encerrar sua participação na vida política.

“Eu vou fechar o ciclo da política, é algo que eu já havia programado há bastante tempo. Quando entrei na política eu dizia sempre que a gente tem uma data de entrada e uma data de saída, que não me eternizaria na política. Tenho muito desapego ao poder e felizmente não preciso da política para sobreviver. Eu tinha decidido que ia sair desse ciclo, ao sair da presidência do Senado essa decisão estava muito bem refletida e estou mantendo essa decisão”, afirmou.

FAVORITISMO – O senador era visto como opção prioritária para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ser candidato a governador em Minas Gerais e dar palanque para o petista no estado. Pacheco chegou a trocar o PSD, que em Minas está mais alinhado à direita, para ir ao PSB e sinalizou aproximação com Lula, mas o acordo no estado acabou estremecido após o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), articular a derrubada da indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF).

Pacheco era o nome de preferência de Alcolumbre e outros senadores para a vaga. Setores do governo e do PT passaram a ver o ex-presidente do Senado com desconfiança após o episódio. Pacheco, no entanto, voltou a negar hoje ter trabalhado contra Messias. Ao comentar sobre a possibilidade de ser indicado ao Tribunal de Contas da União, caso o ministro Bruno Dantas antecipe sua aposentadoria, Pacheco reforçou que não existe a vaga e “é algo que não se cogita”.

ELOGIO – Mesmo decidindo não concorrer para dar palanque ao petista, o senador elogiou o presidente Lula: “Minha relação com o presidente Lula é muito boa, sempre foi muito boa. Nós nos gostamos, temos apreço um pelo outro e tivemos uma convivência muito sadia mesmo antes de ele assumir a Presidência da República”.

O parlamentar também comentou sobre os cotados para disputar o governo de Minas Gerais e falou sobre as opções do PSB para a disputa. Ele, porém, fez uma ressalva de que se trata de opinião e de que não vai participar do processo de escolha.

“Acho importante que esse campo democrático, progressista, de pessoas que querem reconstruir Minas Gerais possa escolher um nome que esteja à altura e tenha nomes bons. Na pergunta você cita o nome de Josué Gomes da Silva, que foi presidente da Fiesp, é mineiro, filho do nosso saudoso vice-presidente José Alencar. Assim como temos também o ex-procurador geral da Justiça Jarbas Soares. São dois nomes que estão filiados ao PSB”, disse.

JULGAMENTO – Ao comentar sobre o escândalo do banco Master envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), rival de Lula na pré-candidatura ao Palácio do Planalto, Pacheco disse também ter uma boa relação com o parlamentar da oposição e disse que ele não pode ser julgado antecipadamente.

“É preciso garantir a todas as pessoas, inclusive ao senador Flávio Bolsonaro, o direito de defesa, contraditório, o devido processo legal, a presunção de não culpabilidade. Isso se aplica a ele e a qualquer cidadão. Não vou me permitir fazer qualquer tipo de exploração midiática ou política de algo que precisa ser suficientemente explicado”, afirmou. As declarações foram dadas durante um evento do Lide realizado em São Paulo.

TERRORISMO –  O ex-presidente do Senado também criticou a decisão dos Estados Unidos de classificar as facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como terroristas

“Eu não considero que seja uma decisão acertada, ao contrário, considero equivocada. Caberá ao Ministério das Relações Exteriores fazer essa tratativa com os Estados Unidos para ajudar a combater às organizações criminosas. Considero que essa classificação não é necessariamente uma ajuda”, pontuou.

Pacheco disse que a decisão “banaliza o conceito de terrorismo”. “Quando se classifica essas organizações criminosas como terroristas isso acaba banalizando o conceito de terrorismo e não resolvendo o problema das organizações criminosas”, finalizou.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Quando percebeu que estava apenas sendo usado por Lula, o senador |Rodrigo Pacheco ficou tão decepcionado que desistiu da política. É uma pena. Seria melhor ter desistido de Lula. Pacheco é um político mais preparado do que a maioria dos parlamentares. (C.N.)

Lula reagirá à decisão dos EUA com discurso de defesa da soberania nacional

Estratégia de usar Trump como escudo é mais um erro dos irmãos Bolsonaro

12/03/2026 - Cláudio de Oliveira | Folha

Charge do Cláudio (Folha)

Vicente Limongi Netto

Os irmãos metralhas e moleques, Flávio e Eduardo Bolsonaro, monitorados pelo pai golpista, condenado e preso, insistem em solapar a soberania brasileira. Perdem tempo, usando Donald Trump como escudo para esconder a queda da campanha do senador rachadinha, cada vez mais perto de afundar na lama. O velório já começou e o enterro será em cova rasa, pago pelo meliante Daniel Vorcaro.

Flávio achocolatado soltou foguetes, diante da decisão arbitrária de Trump de considerar as facções criminosas brasileiras CV (Comando Vermelho) e PCC (Primeiro Comando da Capital).   

NAÇÃO SUBSERVIENTE – Flávio não percebe que Trump o usa como capacho para tentar fazer do Brasil uma nação subserviente, ajoelhada aos Estados Unidos, como fez com a Venezuela e, breve, fará com Cuba e Colômbia.   

Celso Amorim retrucou firme, em boa nota, dizendo: “Colaboração, sim; intromissão, jamais”.  Nessa linha, o Brasil está fazendo o dever de casa. No dia 12 de maio, Lula lançou o Programa Brasil contra o crime organizado. Com investimentos de 11,1 bilhões de reais, para integrar forças de segurança federais, estaduais e municipais.

Flávio sonha em obter votos tirando migalhas dos destrambelhos de Trump.  Vai morrer tentando. No bueiro das ratazanas.

OUTRO GOLPE – O jornalista e escritor Ignácio de Loyola Brandão, um dos mais destacados membros da Academia Brasileira de Letras, depois de ler minha coluna anterior na Tribuna da Internet, fez uma indagação que ele próprio respondeu:

“Vicente, o que Flavio faz não é um golpe contra o país? É como se estivessem trabalhando contra o Brasil. Não é atitude condenável, como se estivessem espionando o próprio país? Entregando a nação aos EUA? Pedindo: Venham nos governar!!!!

Tiradentes foi condenado. E quanto a esses outros, que tramam contra a nação?”

Sem consenso sobre código de conduta, STF avalia divulgar palestras de ministros

Tema ainda é considerado embrionário

Mariana Muniz
Pepita Ortega
O Globo

A divulgação prévia de palestras e eventos públicos realizados por ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) tem sido apontada nos bastidores da Corte como uma possível medida de transparência enquanto o código de conduta dos ministros segue sem consenso interno. A iniciativa é vista por uma ala de integrantes do tribunal como uma espécie de “meio-termo” diante das resistências para retomar, neste momento, as discussões mais amplas sobre a criação de regras éticas formais para os integrantes da Corte.

Entre esses ministros, há a avaliação de que a publicidade sobre convites para eventos e palestras pode funcionar como um gesto concreto de abertura institucional e ajudar a reduzir críticas sobre falta de transparência no Supremo. Ainda não há, contudo, uma adesão majoritária e o tema ainda é considerado embrionário, presente em conversas informais. Ministros que rechaçam a discussão a classificam reservadamente como “artificial”.

CÓDIGO DE CONDUTA – A discussão ocorre em meio à tentativa do presidente do STF, ministro Edson Fachin, de destravar o debate sobre o código de conduta. Em março, em conversa com jornalistas, Fachin reconheceu que ainda há divergências internas sobre o tema e citou as palestras como um dos pontos em análise.

— Há quem entenda que o código é bem-vindo, mas não necessariamente neste momento. Há outros que já discutem questões um pouco mais concretas. As palestras devem ser informadas previamente? Pode trazer algum problema de segurança. Isso nós vamos discutir — afirmou o ministro na ocasião.

Ministros avaliam que a divulgação das participações em eventos públicos teria a vantagem de não exigir, neste primeiro momento, uma aprovação formal e ampla de um código de conduta completo, tema que ainda enfrenta resistências dentro da Corte após as crises dos últimos meses em que o Supremo se viu mergulhado. A minuta do código está sob responsabilidade da ministra Cármen Lúcia, que foi anunciada como relatora do processo ainda em fevereiro por Fachin.

PRIMEIRA VERSÃO – Agora, com o fim da gestão da ministra na presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a expectativa entre integrantes do Supremo e auxiliares da Corte é que uma primeira versão do material seja publicada após as eleições.

Em artigo publicado na revista CartaCapital, o ministro Flávio Dino magistrado afirmou não ver problema na participação de ministros em debates e eventos públicos. Segundo Dino, “ouvir pontos de vista diferentes, em eventos públicos ou audiências, não atrapalha a função de julgar” e “não implica automaticamente corrupção ou parcialidade”.

O ministro acrescentou que “atos de improbidade ocorrem longe dos olhos e ouvidos do público, em pagamentos ocultos e em reuniões clandestinas, que jamais constarão em um extrato bancário ou em uma agenda oficial”.

“CLIMA POLÍTICO” – A avaliação de uma parte de integrantes da Corte é que a adoção de medidas de transparência sobre palestras pode ajudar a reduzir parte das críticas dirigidas ao Supremo sem abrir, neste momento, uma nova frente de desgaste interno em torno da aprovação imediata de um código de conduta mais rígido. Ministros reconhecem que ainda não há “clima político” dentro do tribunal para retomar integralmente as negociações sobre o texto. A percepção é que o tema acabou contaminado pelas tensões internas e pelas crises recentes envolvendo a imagem da Corte.

Por outro lado, ministros do STF afirmam reservadamente que o debate sobre palestras ganhou uma dimensão desproporcional diante de problemas considerados mais graves dentro do Judiciário. Para esses magistrados, há uma “obsessão artificial” em torno do tema, enquanto questões como suspeitas de corrupção, fraudes bilionárias e a atuação de magistrados em investigações recentes teriam impacto muito maior para a imagem do Judiciário.

Mais uma Piada do Ano! Lula anuncia que reenviará indicação de Jorge Messias ao STF

Michelle Bolsonaro aciona STF contra Janones após associação ao escândalo do Master

“O Centrão nunca se compromete com ninguém”, diz analista sobre crise de Flávio

Contradições de Flávio podem aprofundar desgaste eleitoral

Míriam Leitão
O Globo

O impacto do caso Master sobre a candidatura de Flávio Bolsonaro ainda depende de novas revelações, mas o desgaste pode se aprofundar caso o senador volte a cair em contradição. Essa é a avaliação do professor do Departamento de Gestão Pública da FGV-SP, Claudio Gonçalves Couto, cientista político formado pela USP e com pós-doutorado na Universidade de Columbia.

Para ele, partidos do Centrão, como PP, Republicanos e União Brasil, tendem a se afastar de candidaturas que possam gerar desgaste eleitoral e podem se manter neutros no primeiro turno, movimentando-se apenas no segundo. “A verdade é que o Centrão nunca se compromete com ninguém”, avalia.  Na entrevista que me concedeu na GloboNews, Claudio Couto fala também sobre a crise de governabilidade no Brasil, sobre o antipetismo e a dificuldade de renovação do PT. Veja a entrevista na íntegra:

Miriam: As últimas duas semanas foram marcadas por uma intensa repercussão do caso Master, que atingiu principalmente o candidato da direita, Flávio Bolsonaro. Que tipo de impacto isso pode ter na disputa? Esse desgaste tende a se dissipar ao longo da campanha ou pode influenciar de forma mais duradoura os eleitores que já demonstravam intenção de voto nele?

Claudio: Acho que depende muito do que ainda vier a aparecer. Imaginemos que parasse por aqui. Que tudo o que tivesse que aparecer já apareceu. Ele teve uma queda significativa nesse começo, como algumas pesquisas já mostraram, mas nada garante que essa queda vai continuar. Isso pode se manter nas próximas pesquisas, pode ficar onde está, pode se aprofundar. Acho que, se novas revelações houver, aí a situação dele se complica bastante, sobretudo se ele novamente cair em contradição.

Mesmo no dia em que saiu a reportagem do Intercept, ele chegou a negar ao próprio jornalista do Intercept, no começo do dia, que tivesse tido qualquer contato com o Vorcaro, deu aquela risada nervosa e, logo depois, foi desmentido pelos fatos. À noite, teve que falar o contrário do que havia dito de manhã. Então, se ele novamente for pego em contradição, aí eu acho que o desgaste se aprofunda.

Caso contrário, são quase cinco meses até o primeiro turno da eleição. Acho que ainda há espaço para recuperação do Flávio Bolsonaro.

Ele já mudou um pouco de postura diante da revelação do Metrópoles de que havia visitado o banqueiro Daniel Vorcaro. Estava em reunião com dirigentes do PL quando a notícia veio à tona e, imediatamente, confirmou o encontro. Ou seja, já não optou pelo caminho da negação. A percepção parece ter sido a de que insistir nisso poderia ampliar ainda mais o desgaste.

Claudio: Ser desmentido pelos fatos. E é melhor, às vezes, admitir as coisas em público e tentar apresentá-las como algo normal. Acho que foi isso que ele tentou fazer. Mas o problema é a contradição disso com tudo o que ele falou durante meses, negando qualquer contato, qualquer conversa, qualquer proximidade com o Vorcaro e tentando associar o escândalo do Master e o próprio Vorcaro ao governo. Quando essas coisas aparecem, por mais que ele tente justificar, fica muito complicado.

Mas houve um primeiro movimento do Centrão de tentar se afastar, começando a falar em liberar seus políticos para apoiar o candidato que quisessem na eleição de 2026. Você acha que partidos como PP, Republicanos e União Brasil vão manter a aproximação que vinham demonstrando com Flávio Bolsonaro diante dessa dúvida pairando?

Claudio: Acredito que não. A gente sabe que os partidos do Centrão, eles, a rigor, não têm grande compromisso com nenhum tipo de candidato ou projeto político nacional. Eles têm os seus projetos, primeiro regionais, evidentemente. Em alguns estados, um dos seus líderes tem alguma força e tem um projeto. E há também um projeto claro de ocupar um grande espaço no Congresso para poder justamente se apropriar dos recursos que isso possibilita. Ainda mais agora, com esse controle grande que o Congresso tem sobre o orçamento.

Então, ninguém vai tentar se associar ao governo Bolsonaro se perceber que isso pode trazer mais desgaste do que ganho. Várias vezes esses partidos que compõem o chamado Centrão foram para a eleição sem estar numa aliança presidencial. Eu acho que isso pode voltar a acontecer neste ano.

E aí eles vão para o primeiro turno sem aliança e, no segundo turno, se reposicionam.

Claudio: Aí se reposicionam, inclusive, a gente sabe, muito possivelmente sem fechar questão. Ou seja, às vezes uma ala do partido vai para um lado, outra ala vai para o outro, outros ficam neutros. O Centrão nunca se compromete muito com ninguém.

E o papel do PSD?

Claudio: O PSD é um partido que, claro, também é Centrão, mas resolveu ter candidato presidencial na eleição deste ano. E agora, diante do que acontece com o Flávio Bolsonaro, acho que essa candidatura ganha uma certa força. Não sei se a ponto de ir para o segundo turno, de crescer muito. Acho que isso não é tão fácil de acontecer, porque existe aquele núcleo duro bolsonarista que é capaz de preservar uma candidatura da família Bolsonaro num patamar relativamente elevado, dificultando que outras candidaturas do campo da direita também ocupem esse espaço. Mas o PSD pode, inclusive, ser um atrativo para outros partidos que queiram, por exemplo, embarcar numa chapa presidencial sem se comprometer muito com qualquer tipo de escândalo que tem aparecido até este momento.

Qual porcentagem do eleitorado você acha que é fielmente bolsonarista e votará no candidato indicado por Jair Bolsonaro?

Claudio: Eu imagino que seja alguma coisa em torno de 20%, pelo que as pesquisas mostram, quando as pessoas são questionadas sobre o seu posicionamento. Se elas são de direita bolsonarista, direita não bolsonarista, o quanto elas inclusive acreditam em praticamente tudo o que a família Bolsonaro diz.

A gente tem ali, eu diria, um piso de 20%. Acho que ele pode até oscilar um pouco para cima, mas acho muito difícil que caia abaixo disso, porque é uma afiliação que, eu diria, é muito mais emocional, afetiva, identitária do que propriamente uma vinculação baseada em propostas de políticas públicas e um projeto de governo.

Eu queria que você avaliasse o comportamento dos outros dois candidatos, Zema e Caiado. Caiado fez um movimento do tipo: “Nós precisamos tocar no nosso objetivo principal, que é antipetista, é contra esse governo, a gente quer substituir esse governo”. Já o Zema atacou Flávio Bolsonaro. Fez um recuo, mas voltou a afirmar ontem que “assombração sabe para quem aparece”. Ele está focando na crítica ao comportamento do Flávio Bolsonaro, enquanto Ronaldo Caiado não. Quem pode ter mais vantagens nesse ambiente meio fluido, desse momento em que ninguém sabe muito bem para onde as coisas vão?

Claudio: Eu acho que os dois estão fazendo apostas um pouco diferentes. O Caiado me parece estar numa aposta de médio e longo prazo, enquanto o Zema está numa tática de curtíssimo prazo. Isso por quê?

Porque a gente viu que, nas semanas anteriores, ele vinha dando declarações polêmicas. Falou aquela coisa sobre trabalho infantil, enfim, resolveu aparecer. Isso teve um certo impacto. O Zema teve um pequeno crescimento em algumas pesquisas, ganhou mais visibilidade. E eu acho que ele viu ali uma oportunidade de continuar nessa toada, de novamente ganhar palco. Farejou sangue e foi atrás.

Acho que o Caiado percebe que talvez isso possa até servir num momento inicial, mas pode lhe desgastar com esse eleitorado bolsonarista. Que, mais na frente, se perceber que a candidatura do Flávio ou de qualquer outro candidato da família Bolsonaro se viabilizar, terá nele um porto seguro, alguém confiável, alguém que não traiu aquele eleitorado. Tanto que sabemos que os dois subiram no palanque do Bolsonaro para defender a anistia.

Por outro lado, o presidente Lula enfrenta um momento muito difícil na economia, atingida por um choque externo forte, que é a guerra envolvendo o Irã. A inflação tende a subir, os juros devem cair menos do que o previsto e o crescimento pode desacelerar. Alimentos e combustíveis, que são os preços mais sensíveis para a população, devem sofrer maior pressão. Além disso, há preocupações com o abastecimento e impactos sobre o agronegócio. Enfim, há uma série de dificuldades no horizonte. Como o presidente Lula pode lidar com essa conta que, no fim das contas, acaba recaindo sobre quem está no poder?

Claudio: Não é uma resposta fácil de dar. E o próprio presidente deve estar se debatendo com esse tipo de questão. E por quê? Porque mesmo antes, quando os sinais já não eram tão negativos, a gente vinha com a inflação sob controle, os juros tinham começado a sinalizar uma queda, o próprio Banco Central anunciou, mas aí, quando foi iniciar a queda propriamente dita, veio a guerra do Irã. E aí a coisa toda se complicou.

Mesmo com o emprego em alta, renda aumentando, vários indicadores bons, ainda assim havia desaprovação do governo. Então isso torna a vida do presidente muito mais complicada. Ele está tomando algumas medidas pontuais em questões que acha que podem resolver. Tirou a taxa das blusinhas, resolveu criar ali um subsídio para combustíveis. Pode tentar coisas desse tipo, mas eu acho que o alcance disso é muito limitado.

Como o eleitor independente reage a isso? Pelas últimas pesquisas, pelo menos da Quaest, que eu olhei com detalhe, a espontânea está muito mais baixa e o grupo dos que ainda não se definiram é muito maior. E nesse momento isso acontece principalmente com a direita.

Claudio: Acho que ainda é um pouco cedo para as pessoas se definirem. Elas vão deixar para tomar a decisão final um pouco mais para frente. Talvez depois da Copa — não por causa da Copa em si, mas por causa do timing mesmo. Como eleição presidencial sempre acontece em ano de Copa, não dá para abstrair isso completamente. Mas as pessoas deixam para tomar a decisão final, sobretudo esse eleitor mais independente, muito mais perto da eleição. Então não acho que isso seja tão estranho. A espontânea ainda está dando uma intenção de voto baixa para qualquer candidato.

Agora, é claro que as pessoas vão se deixar levar, primeiro, pela percepção de como está a economia e de como ela pode vir a ficar, porque essa percepção prospectiva também é importante. Mas também por como episódios como esse escândalo de corrupção, que agora afeta a candidatura do Flávio Bolsonaro, podem impactar as candidaturas.

E aí esse eleitor pode chegar na reta final e, se algo bombástico aparecer ou se ele se vir desgostoso até com coisas que apareceram mais cedo, pensar: “Não, isso aqui não dá. Vou para o outro lado”. Mas acho que é uma decisão que esse eleitor particularmente deixa para tomar no final.

Explica melhor essa questão de a espontânea estar tão baixa para todos os candidatos. Dá quanto mais ou menos? Uns 60%?

Claudio: Quando você pega a espontânea, eu não diria que é 60%, mas é alguma coisa próxima da metade do eleitorado. Porque hoje você tem dois núcleos um pouco mais consolidados, que são os eleitores propriamente bolsonaristas e os eleitores lulistas ou petistas. E esses aí, de alguma forma, já estão sinalizando. A gente tem algo um pouco acima dos 40%, de novo, depende um pouco do instituto que você pega. Mas, no geral, as pessoas ainda estão pouco informadas sobre isso.

Imagine então como deve ser a eleição para governador e Senado. As pessoas não fazem a menor ideia de para onde vão. Mas para presidente você ainda tem um espaço grande. Isso não é tão diferente do que tivemos em outros anos de eleição. Então me parece que a gente não está num quadro atípico. Estamos num quadro normal, dado o tempo que ainda falta para ocorrer o pleito.

Na sua coluna, Vera Magalhães fala dessa complacência da elite brasileira com pessoas que tentaram um golpe de Estado. A elite econômica, o mercado financeiro, continuam apoiando o candidato Flávio Bolsonaro, apesar de ele não ter nenhum histórico de pensamento econômico que agrade o mercado. Independentemente de Flávio Bolsonaro não ter qualquer pensamento econômico conhecido, o mercado reagiu com dólar subindo e bolsa caindo com a crise na candidatura dele. A elite não se preocupa com a democracia?

Claudio: A gente já viu isso com Jair Bolsonaro. Ele não tinha nenhuma ideia sobre economia e tinha o “Posto Ipiranga”, como chamava Paulo Guedes, que resolveria os problemas para ele. A gente tem, no caso do Flávio, uma ausência completa de qualquer discussão sobre isso.

E parece que esses segmentos da nossa elite econômica se movem muito mais pelo antipetismo e antilulismo, independentemente de qualquer análise objetiva que possam fazer sobre as políticas levadas a cabo por esses governos e elas mudaram em diferentes momentos, do que propriamente por adesão ao outro lado. Se o outro lado é a negação desse, então eu vou para lá. O que mostra que aquela crença de que “dinheiro não tem ideologia” não é tão verdadeira assim.

O dinheiro pode até não ter, mas certamente os donos do dinheiro têm. E aí eles acabam se guiando muitas vezes mais pelos seus preconceitos do que propriamente por uma avaliação muito objetiva, muito pragmática, daquilo que acontece. Então acho que é isso. E, claro, a adesão deles à democracia não é das maiores. Acho que isso aparece para muitos deles e até para membros da classe política também como uma questão secundária. A classe política, a gente diz, é formada por “democratas semileais”, que não vão até o fim na defesa da democracia. Nesse caso, eu nem sei se dá para dizer que, em muitos casos, são propriamente democratas. Para eles, provavelmente, isso é uma questão secundária. Se os negócios andam bem, a democracia não é problema meu.

É irracional, porque um governo autoritário pode se voltar contra qualquer um, né?

Claudio: Porque ele não tem controle. Qualquer decisão pode ser tomada sem qualquer tipo de freio.

Você sempre estuda muito a questão da governabilidade no Brasil e eu queria que falasse sobre esse conflito entre Executivo e Congresso, que parece cada vez mais intratável. Isso piorou com o orçamento secreto? Esse momento é fruto do orçamento secreto somado às emendas? E como lidar com isso?

Claudio: Houve uma mudança estrutural no presidencialismo brasileiro desde 2015. Eu falo desde 2015 porque foi o momento em que começou a situação da impositividade das emendas orçamentárias dos parlamentares. Elas passaram a ser de execução obrigatória, inclusive depois aumentando o percentual em relação ao que foi gasto no orçamento anterior. No começo era 1,2% do orçamento, passou para 2%. Uma emenda constitucional ainda no governo Dilma. Presidente fraca, o Congresso ocupou espaço. Mas ocupou não só naquele momento, ocupou definitivamente.

Depois, Bolsonaro, que abdicou de montar uma base de sustentação, presidente fraco de novo, e o Congresso avançou mais. Primeiro vieram as emendas individuais, depois as emendas de bancada e depois o orçamento secreto. Aquilo que foi declarado inconstitucional pelo Supremo foi substituído pelas emendas de comissão, uma outra maneira de camuflar um pouco quem é o pai da criança, quem está propondo aquele tipo de coisa.

Isso empoderou o Congresso. Esse controle sobre o orçamento, que neste ano chega próximo de R$ 60 bilhões, é muito dinheiro. E aí o que acontece? Esses partidos não têm mais por que fazer concessões ao governo em troca de acesso a recursos, que é o que eles faziam antes. Antes, o governo condicionava a execução de uma emenda ao apoio legislativo. Isso acabou. Inclusive era uma maneira de disciplinar sua própria base dentro do Congresso.

Isso fica ainda pior quando você tem um desalinhamento ideológico entre o presidente e a maioria do Congresso. A gente tem hoje um presidente de esquerda com um Congresso claramente de direita, de maioria de direita.

Esses parlamentares, que abriam mão muitas vezes das suas preferências ideológicas em prol do acesso a recursos, não têm mais por que abrir mão delas. Então isso, ironicamente, tornou o Centrão mais ideológico do que era antes. E esse ideológico não é à esquerda, é à direita, porque o Centrão, cá entre nós, não é de centro. O Centrão sempre foi — inclusive surgiu na Constituinte — como um grupo de direita.

A questão é que era uma direita pragmática, que abria mão de certos projetos e preferências em prol do acesso a recursos, fosse dinheiro do orçamento, fossem cargos no governo. Hoje não precisam mais fazer isso. Estão numa situação muito confortável, o que dificulta a vida de qualquer Executivo, ainda mais se for um Executivo desalinhado ideologicamente da maioria congressual.

Eu queria que você falasse também sobre esse sentimento de rejeição tão forte ao PT e ao lulismo. De onde sai esse sentimento tão forte?

Claudio: Acho que sai de vários lugares. Sai, claro, da percepção que houve durante os governos petistas relacionada à corrupção. Os escândalos de corrupção ficaram colados no PT, que é um partido com marca forte. Então é mais fácil identificar isso com o PT do que, por exemplo, com os partidos do Centrão, que não têm muita identidade. Mesmo que políticos e até os próprios partidos tenham envolvimento em escândalos.

O presidente do PL é o Valdemar Costa Neto, que já foi preso no mensalão.

Claudio: Mas as pessoas nem sabem direito disso. Nem sabem do PP, do União Brasil, do PSD. Esses partidos são menos responsabilizados porque não têm uma identidade clara que permita ao eleitor identificá-los.

No caso do PT, que é o partido com essa percepção mais forte, tanto que também tem a maior preferência partidária do país, o outro lado da moeda é gerar uma identificação negativa clara. Há pesquisadores que já mostraram que, nas eleições nacionais, o eleitorado basicamente se dividia entre pró-PT e anti-PT. E isso aparece aqui.

Eu acho que existe um segundo elemento que, para certos setores da sociedade, sobretudo os de renda mais alta, é importante: a percepção de uma certa perda de distinção social que aconteceu com a redução da desigualdade e da pobreza ao longo dos governos petistas lá no começo. Isso aproximou o andar de baixo do andar de cima.

Isso pode ser sintetizado naquela situação anedótica, mas nem por isso menos verdadeira, do “efeito aeroporto”: “essa pessoa não viajava do meu lado e agora está aqui ao meu lado”. Antes ela, na realidade, era meu serviçal.

Muita gente se sentiu desprestigiada por causa disso. E acho que isso gera um certo ressentimento. Somado à percepção de corrupção, são duas coisas diferentes, mas que se combinam e produzem esse cenário que a gente vê hoje.

E, claro, tem ainda, eu diria, secundariamente — mas nem por isso deixando de atingir uma parte importante do eleitorado — a questão dos valores, da moralidade sexual, de temas relacionados à família, coisas desse tipo, que pegam sobretudo o eleitorado mais profundamente religioso, que percebe na esquerda em geral e, consequentemente, no PT, uma posição menos favorável à defesa da família e dos valores tradicionais do que teria a direita.

Acho que é esse amálgama de coisas que faz com que o antipetismo seja tão forte.

Que cara terá a esquerda no pós-Lula? Porque o mais impressionante nisso tudo é a permanência de um único líder durante tanto tempo, já disputando o quarto mandato. Não se vê um movimento de renovação. Você vê uma coisa muito fragmentada. Surge alguém e os outros atacam. Então há uma incapacidade de fazer herdeiros políticos para Lula. Pelo tamanho dele, pelo carisma, pelas características, pelos defeitos e qualidades, não importa. O fato é que não existe um sucessor.

Claudio: O que eu acho é que, apesar da enormidade da figura do Lula dentro da esquerda e desse predomínio que ele tem, o PT é um partido forte, com identidade própria e certa adesão social para além do lulismo. E eu acho que isso, na realidade, é o trunfo que existe ali.

O problema que o próprio PT enfrenta — e acho que enfrenta muito mais do que a direita hoje — é que não tem quadros jovens. Quando você pega a média etária dos parlamentares petistas, ela é muito maior do que a dos parlamentares da direita.

Não tem o Nikolas Ferreira do PT, só para ilustrar. Você tem o Fernando Haddad, mas Fernando Haddad já é um homem de 60 anos. Não estamos falando de gente muito jovem chegando. Acho que o grande problema não é a falta de um partido que possa gerar essa continuidade, mas a falta de uma nova geração que dialogue, inclusive, com as novas gerações.

Polícia Civil de SP pede quebra de sigilo financeiro de produtora de ‘Dark Horse’

Uma simples palhoça, que nos dá vontade de morar para sempre no interior

ARQUIVO MARCELO BONAVIDES - Estrelas que nunca se Apagam - : RELEMBRANDO O COMPOSITOR  J. CASCATA

J. Cascata, um compositor de talento

Paulo Peres
Poemas & Canções

O cantor e compositor carioca Álvaro Nunes (1912-1961), conhecido por J. Cascata, expressa na letra de “Minha Palhoça” um bonito, bucólico e romântico convite para a pessoa amada. Este samba de breque foi gravado pela primeira vez por Sylvio Caldas, em 1935, pela Odeon.

MINHA PALHOÇA
J. Cascata

Se você quisesse
Morar na minha palhoça
Lá tem troça, se faz bossa
Fica lá na roça à beira do riachão
E à noite tem um violão
Uma roseira
Cobre a banda da varanda
E ao romper da madrugada
Vem a passarada
Abençoar nossa união

Tem um cavalo
Que eu comprei em Pernambuco
E não estranha a pista
Tem jornal, lá tem revista
Uma Kodak para tirar nossa fotografia
Vai ter retrato todo dia
Um papagaio que eu mandei vir do Pará
Um aparelho de rádio-batata
E um violão que desacata

Meu Deus do céu que bom seria..
Se você quisesse
Morar na minha palhoça
Lá tem troça, se faz bossa
Fica lá na roça à beira do riachão
E à noite tem um violão
Uma roseira
Cobre a banda da varanda
E ao romper da madrugada
Vem a passarada
Abençoar nossa união

Tem um pomar
Que é pequenino,
É uma teteia
É mesmo uma gracinha
Criação, lá tem galinha
Um rouxinol
Que nos acorda ao amanhecer
Isso é verdade pode crer
A patativa
Quando canta faz chorar
Há uma fonte na encosta do monte
A cantar chuá-chuá…

Meu Deus do céu que bom seria..

Nem Trump contém turbulência e campanha de Flávio mergulha em disputas e deserções

Dirigentes do Novo temem que a união de Zema e Caiado possa enfraquecer a direita

Romeu Zema propõe federalizar Cemig e outras estatais para pagar dívida

Romeu Zema articula aliança para evitar a reeleição de Lula

Deu no site Timeline

O avanço das articulações para a eleição presidencial de 2026 começou a provocar tensão dentro do Partido Novo. Integrantes da legenda demonstram preocupação com o impacto das críticas feitas pelo ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, ao senador Flávio Bolsonaro, avaliando que a escalada do conflito pode prejudicar alianças estratégicas com o PL nos estados.

 Nos bastidores, dirigentes do Novo defendem uma postura mais moderada de Zema para evitar desgaste com setores do eleitorado conservador e com lideranças bolsonaristas que hoje são vistas como fundamentais para acordos regionais.

MAIS VISIBILIDADE – Embora a possível candidatura presidencial de Zema seja considerada positiva para ampliar a visibilidade nacional do Novo e fortalecer a bancada do partido no Congresso, integrantes da legenda temem que o confronto com o núcleo bolsonarista produza efeito contrário ao desejado.

O receio é que a disputa afaste aliados do PL em estados onde as duas siglas mantêm proximidade política e interesses eleitorais convergentes. Em diversas regiões do país, parlamentares e lideranças locais dependem da manutenção dessa relação para viabilizar palanques competitivos nas próximas eleições.

A tensão aumentou após declarações públicas de Zema direcionadas a Flávio Bolsonaro, interpretadas por setores da direita como uma tentativa de demarcar espaço político próprio dentro do campo conservador. O movimento gerou reações negativas entre aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro e acendeu alertas dentro do Novo sobre possíveis consequências eleitorais.

ENFRAQUECER A DIREITA – Parte da direção partidária avalia que Zema precisa equilibrar a construção de uma identidade nacional independente sem romper pontes com o eleitorado bolsonarista, considerado decisivo em diversos estados. A leitura é de que um confronto direto pode fragmentar a direita e enfraquecer alianças locais estratégicas.

Apesar do desconforto interno, o ex-governador mineiro continua sendo visto como um dos principais ativos eleitorais do Novo para 2026.

Integrantes do partido acreditam que sua projeção nacional cresceu nos últimos anos e que sua candidatura presidencial poderia consolidar a legenda como força mais relevante no cenário político nacional.

MAIS CAUTELA – Ainda assim, dirigentes avaliam que o momento exige cautela. Nos bastidores, há quem defenda que o partido evite transformar divergências pontuais em conflitos públicos com o grupo político ligado a Bolsonaro.

Esse temor é causado especialmente pela necessidade de alianças regionais para fortalecer candidaturas ao Congresso e aos governos estaduais.

 O episódio expõe as dificuldades enfrentadas pela direita brasileira na construção de alianças para 2026, em um cenário marcado por disputas internas, busca por protagonismo e tentativas de reorganização do campo conservador após os desdobramentos políticos dos últimos anos.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Enviada por Mário Assis Causanilhas, essa análise mostra as dificuldades do Novo para se fortalecer nacionalmente. Hoje, o partido depende diretamente de Romeu Zema, que está negociando uma aliança com o PSD para formar uma chapa única com Ronaldo Caiado. As duas pré-candidaturas ficam mantidas até o início de agosto, e quem estiver à frente nas pesquisas sai para a Presidência e o outro fica como vice. Com essa manobra, Zema e Caiado estão criando uma terceira via que pode representar com chances a direita e o centro na eleição. A preocupação de Caiado e Zema é o desgaste de Flávio Bolsonaro, devido à sua ligação íntima com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, um fato que pode facilitar a reeleição de Lula. (C.N.)

Decisão dos EUA sobre PCC e CV amplia ofensiva bolsonarista contra Lula na segurança pública

O custo político da crescente promiscuidade entre poder e dinheiro público

Ex-governador enfrenta cenário de desgaste acumulado

Pedro do Coutto

As novas revelações envolvendo Daniel Vorcaro e Cláudio Castro aprofundam uma crise que já ultrapassou a esfera policial para alcançar o coração da política fluminense. Os pagamentos de despesas pessoais, viagens, encontros em ambientes privados e eventos patrocinados pelo controlador do Banco Master ao então governador do Rio não aparecem mais como episódios periféricos ou meramente sociais. Dentro do contexto investigado pela Polícia Federal, esses movimentos passaram a ser observados como parte de uma engrenagem política e financeira muito maior.

O ponto central das suspeitas está justamente na coincidência temporal entre a aproximação pessoal dos dois e os sucessivos aportes do Rioprevidência em produtos financeiros ligados ao Banco Master. Segundo decisões judiciais e documentos tornados públicos, os investigadores identificaram um padrão que vai além da informalidade política típica das relações entre empresários e governantes. A suspeita é de que a relação privada teria produzido efeitos concretos sobre decisões administrativas envolvendo bilhões de reais pertencentes ao fundo previdenciário dos servidores do estado.

SIMBOLISMO INSTITUCIONAL – A gravidade política do caso não está apenas nos valores envolvidos, mas no simbolismo institucional da operação. O Rioprevidência não é um fundo qualquer. Trata-se da estrutura responsável por garantir aposentadorias e pensões de milhares de servidores públicos fluminenses. Quando aplicações consideradas arriscadas passam a ser associadas a relações pessoais entre agentes públicos e empresários investigados, a consequência inevitável é o desgaste da confiança pública na gestão do patrimônio estatal.

O caso também ajuda a explicar por que a crise do Banco Master deixou de ser vista apenas como um escândalo financeiro para se transformar em um problema político nacional. As investigações passaram a atingir governos estaduais, fundos públicos, operadores financeiros e figuras centrais do sistema político brasileiro. A dimensão do episódio lembra outras fases da história recente do país em que a fronteira entre influência econômica e poder institucional se tornou nebulosa.

DESGASTE ACUMULADO – No caso específico de Cláudio Castro, o problema político é ainda mais delicado porque o ex-governador já enfrenta um cenário de desgaste acumulado. As operações recentes da Polícia Federal ampliaram a percepção de fragilidade ao redor de seu grupo político justamente no momento em que o Rio de Janeiro vive uma disputa intensa por reorganização de forças para os próximos ciclos eleitorais.

O impacto não se limita ao campo jurídico. Existe um dano reputacional crescente, sobretudo porque as imagens divulgadas e os relatos de encontros privados patrocinados por Vorcaro reforçam um componente simbólico devastador: a ideia de promiscuidade entre o luxo privado e a gestão de recursos públicos.

A política brasileira tolera relações próximas entre empresários e governantes há décadas. O problema surge quando essa proximidade passa a produzir coincidências administrativas, mudanças estratégicas em órgãos públicos e decisões financeiras incompatíveis com critérios exclusivamente técnicos. É exatamente nesse ponto que a narrativa das investigações ganha força.

REFLEXOS – Outro aspecto relevante é o efeito institucional produzido pelo caso. A sucessão de denúncias envolvendo fundos públicos estaduais reacende um debate antigo sobre governança, fiscalização e blindagem técnica de fundos previdenciários. Em tese, estruturas como o Rioprevidência deveriam operar sob critérios rigorosos de compliance e gestão de risco. Mas a repetição de episódios semelhantes em diferentes estados brasileiros demonstra que ainda existe enorme vulnerabilidade política nesses sistemas.

A defesa de Cláudio Castro nega qualquer irregularidade e sustenta que as relações mantidas com Daniel Vorcaro ocorreram dentro da normalidade institucional e social inerente ao exercício do cargo público. Ainda assim, o avanço das investigações indica que a discussão já deixou de ser apenas jurídica. O desgaste político tornou-se inevitável porque a opinião pública tende a interpretar esse tipo de proximidade a partir de uma lógica simples: quando empresários bancam luxo, viagens e convivência privada de autoridades, cresce inevitavelmente a suspeita sobre o que estava sendo negociado nos bastidores.

PÚBLICO E PRIVADO – O episódio também revela uma característica recorrente da política brasileira contemporânea: a erosão gradual das fronteiras entre o espaço público e os interesses privados. Não se trata apenas de corrupção clássica ou troca direta de favores. O fenômeno é mais sofisticado. Relações pessoais passam a criar ambientes de influência permanente, nos quais decisões estratégicas deixam de ser exclusivamente técnicas e passam a orbitar relações de confiança, dependência e conveniência política.

O caso Vorcaro-Castro ainda está longe de um desfecho definitivo. Mas independentemente do resultado judicial, as revelações já produziram um efeito político profundo: reforçaram a percepção de que parte da elite dirigente brasileira continua operando em uma zona cinzenta onde convivem luxo privado, influência financeira e estruturas públicas bilionárias. E quando aposentadorias de servidores entram nessa equação, o impacto deixa de ser apenas político para atingir diretamente a credibilidade do próprio Estado.

O novo autoritarismo social: quando opinar virou obrigação e pensar virou um risco

Piada do Ano! Procuradoria retoma a “delação meia-sola” com o enganador Vorcaro