Esposa de Moraes entra na mira da Lei Magnitsky e tensão cresce entre Brasil e EUA

A Serra da Boa Esperança idealizada por Lamartine Babo

O CASO DE LAMARTINE BABO E A CANÇÃO SERRA DA BOA ESPERANÇA - Boa Esperança  Turismo

Lamartine escreveu belíssimas canções

Paulo Peres
Poemas & Canções

O advogado e compositor carioca Lamartine de Azeredo Babo (1904-1963) compôs “Serra da Boa Esperança” inspirado numa situação inusitada, conforme consta na “História da MPB, Grandes Compositores”, coleção da Abril Cultural.

Segundo o fascículo da  coleção, “ em 1935, Lamartine recebeu da cidade de Boa Esperança (MG) uma poética a apaixonada carta assinada por Nair Pimenta de Oliveira. Iniciou-se entre ambos uma correspondência que se prolongou por cerca de um ano. Depois, o adeus na última carta de Nair.

Meses mais tarde, outra correspondência da mesma cidade convidava o compositor para a festa de estreia de um conjunto musical. O remetente era o dentista Carlos Alves Neto. Sonhando encontrar sua antiga missivista, Lamartine rumou para Minas.

E não foi difícil encontrar Nair: uma menina sobrinha do dentista, que era também autor das cartas. Ele colecionava fotos de artistas e se valera daquele expediente para aumentar sua coleção. Desse episódio, nasceu o famoso e bucólico samba-canção Serra da Boa Esperança”, gravado por Francisco Alves, em 1937, pela RCA Victor.

SERRA DA BOA ESPERANÇA
Lamartine Babo

Serra da Boa Esperança,
Esperança que encerra
No coração do Brasil
Um punhado de terra
No coração de quem vai,
No coração de que vem,
Serra da Boa Esperança,
Meu último bem

Parto levando saudades,
Saudades deixando,
Murchas, caídas na serra,
Bem perto de Deus
Oh, minha serra,
Eis a hora do adeus
Vou-me embora
Deixo a luz do olhar
No teu luar
Adeus!

Levo na minha cantiga
A imagem da serra
Sei que Jesus não castiga
Um poeta que erra
Nós, os poetas, erramos
Porque rimamos, também
Os nossos olhos nos olhos
De alguém que não vem

Serra da Boa Esperança,
Não tenhas receio,
Hei de guardar tua imagem
Com a graça de Deus!
Oh, minha serra,
Eis a hora do adeus,
Vou-me embora
Deixo a luz do olhar
No teu olhar
Adeus!

Sem Estado de Direito, não há democracia possível, alerta cientista político

PEC da Blindagem perde força no Senado e deve ser arquivada diante de ampla rejeição

Manifestações enterram anistia e isolam Bolsonaro no Congresso

Lula erra feio ao tentar alinhamento do Brasil com a China, Rússia e Irã

Charge: as manchetes de Trump sobre guerra comercial levam os mercados à  loucura – ´pMoney Times

Charge reproduzida do Arquivo Google

Carlos Newton
Estadão

No Brasil e no mundo, a política está ficando cada vez tresloucada e surreal. Os conceitos de direita e esquerda, que vigoravam desde a Revolução Francesa, tornaram-se absolutamente superados, a tal da Inteligência Artificial não tem como explicar essa situação, porque não captam ironias, os robôs estão sendo levados à loucura.

Ao analisar essa situação, é fundamental nos debruçarmos sobre a disputa ideológica mais importante que está acontecendo no momento. Com toda a certeza, a situação mais grave é o enfrentamento entre o Supremo Tribunal Federal e o governo do presidente americano Donald Trump.

TEORIAS VÃS – Há quem acredite que o problema é causado pela “amizade” entre Trump e a família Bolsonaro, porém isso nunca existiu. O fato concreto é que a matriz USA despertou para o fato de que precisa manter a filial Brazil sob controle.

As excelentes relações entre China e Rússia e o crescimento do Bloco Brics, com a adesão da Venezuela e do Irã, significam a concretização da nova Rota da Seda, que dará enorme impulso à economia chinesa, podendo realmente alterar o equilíbrio da balança econômica mundial.

Os gênios de Washington jogam muito sujo e podem aturar muita coisa em matéria de política externa, mas não admitem perder a hegemonia mundial.

BASE JURÍDICA – É nesse quadro que se enquadra a disputa entre o governo dos EUA e a Suprema Corte brasileira. A assessoria de Trump encontrou base jurídica para sustentar seus ataques ao ministro Alexandre de Moraes e ao STF em geral.

Trump e seu governo não estão mentindo nem exagerando. É verdade que Moraes está descumprindo a Primeira Emenda, que é a norma jurídica mais perfeita sobre democracia. É uma soma de infrações absolutamente clara.

Notem que no “Tarifaço” o Brasil foi um dos países menos atingido, com imposto de 10%. Lula aproveitou para atrair eleitores incautos, em aparições performáticas de soberania e nacionalismo.

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P.S. 1
– Em situação normal de temperatura e pressão, o Brasil tem de decidir se ficará ao lado dos Estados Unidos e da Europa ou se entregará seu futuro ao eixo Pequim/Moscou. É isso que interessa discutir. Se Lula realmente soubesse o que significam as palavras democracia e soberania, poderia manter o Brasil em sua política externa tradicional de não alinhamento. Mas não tem essa grandeza. Está optando pelo alinhamento com China, Rússia e Irã, países que nada têm a ver com a cultura brasileira.

P.S. 2 – Nesta terça-feira, Lula fala na ONU na presença de Trump. Comprem pipocas. (C.N.)

Deputados acionam o MPT contra Nikolas por perseguição política aos trabalhadores

Nikolas pediu a demissão de trabalhadores

Mônica Bergamo
Folha

Deputados acionaram o Ministério Público do Trabalho (MPT) para que o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) seja investigado por promover uma cruzada contra pessoas que fizeram postagens sobre a morte do norte-americano Charles Kirk. Desde a semana passada, o parlamentar posta mensagens dirigidas a empregadores exigindo que os trabalhadores autores das publicações sejam demitidos. Em diversos casos, teve sucesso.

Segundo a representação, assinada por nove deputados do PSOL, “o constrangimento, a coação, a intimidação e a ameaça de demissão por motivos de convicção filosófica ou política, sejam os empregados de esquerda ou que simplesmente não compactuem com opiniões de direita ou de extrema-direita, configuram situações de evidente abuso de direito e assédio laboral, que não podem ser toleradas nem incentivadas, como ilicitamente vem fazendo” o parlamentar.

INVESTIGAÇÃO – Eles pedem também que seja aberta investigação contra o empresário Tallis Regence Coelho Gomes, que ajuda a divulgar a hashtag “DemitaExtremistas”. “Sob a desculpa de que estariam ‘perseguindo extremistas que apoiam a morte’, em referência às pessoas que se manifestaram nas redes sociais de forma crítica às opiniões do norte-americano Charlie Kirk, militante de extrema direita assassinado em 10/09 nos Estados Unidos, os denunciados têm levado à cabo uma verdadeira campanha de incentivo à perseguição de trabalhadores por suas convicções políticas, violando a liberdade de manifestação do pensamento (artigo 5º, IV, CF), liberdade de consciência (artigo 5º, VI, CF) e de convicção filosófica ou política (art. 5º, VIII)”, dizem os parlamentares.

“Trata-se de uma campanha orquestrada pela extrema direita, de perseguição e amedrontamento dos trabalhadores em razão de suas opiniões e convicções políticas não alinhadas às pautas da extrema direita”, seguem. Os parlamentares incluíram postagens de Nikolas para exemplificar o que consideram “ilícitos trabalhistas de abuso de direito e assédio laboral por motivos de convicção filosófica ou política”.

PERSEGUIÇÃO – Em dois deles, Nikolas pede a demissão de trabalhadores do Theatro Municipal de São Paulo e da Vogue Brasil. Em uma das postagens, ele afirma que vai entrar em contato com o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), para pedir o desligamento de um funcionário do espaço cultural por uma publicação sobre Kirk.

Em outra postagem no X, o deputado pressiona a Vogue Brasil a demitir Zazá Pecego, stylist sênior da revista por uma publicação dela interpretada como uma comemoração ao assassinato de Kirk —o que a profissional nega. Como mostrou a Folha, Zazá de fato foi desligada da empresa na sexta (12). Para celebrar, Nikolas Ferreira postou uma imagem dele mesmo dizendo “Caçar e Demitir. Gostoso demais”.

Em outra postagem, o deputado comemora a demissão de um médico de uma clínica em Recife pelo mesmo motivo —e elogia a empresa. “Espetacular posicionamento.” “Muitas denúncias interessantes hoje. Nós vamos atrás de você”, celebrou o parlamentar em outra mensagem, indicando que seguiria publicando e expondo trabalhadores.

REPRESENTAÇÃO – A representação é assinada pelos deputados Guilherme Boulos, Erika Hilton, Célia Xakriabá, Henrique dos Santos Vieira Lima, Ivan Valente, Luciene Cavalcante da Silva, Talíria Petrone Soares, Tarcísio Motta de Carvalho e Paulo Lemos. Nela, eles pontuam ainda que “o poder diretivo do empregador não contempla a imposição de convicções políticas e ideológicas. Assim, ao firmarem contrato de trabalho, os trabalhadores tem a expectativa de que suas convicções filosóficas e políticas sejam respeitadas no âmbito de suas individualidades. Vale dizer que o empregador compra as horas de trabalho do empregado, mas não suas convicções filosóficas e políticas”.

Procurado pela coluna, o deputado afirma que a única resposta que tem para a representação dos psolistas é “mandar eles caçarem um lote para capinar”. Já Tallis afirmou se sentir orgulhoso de ter uma representação contra ele por “estar lutando contra o extremismo”.

“Reitero a minha posição de que aqueles que celebram a morte de pessoas inocentes não merecem emprego. Se ainda vivemos em uma democracia e o Estado de Direito existe, estou amparado pela lei no meu pleito.”

MAU PROCEDIMENTO –  Em sua resposta, ele diz ainda que comemorar assassinatos se encaixa em mau procedimento e em ato lesivo da honra e da boa fama, o que são, em sua visão, suficientes para motivar a demissão por justa causa.

“Aristóteles dizia que a virtude está no equilíbrio dos extremos; o debate está sumindo no Brasil exatamente por atitudes como essas que eu e todo o empresariado sério brasileiro estamos lutando. Pergunto aos deputados do PSOL: Eles são a favor da celebração da morte de pessoas inocentes?, questiona.

Alcolumbre critica Eduardo Bolsonaro e ameaça bolsonarista

Alcolumbre disse que não irá aceitar “agressões calado”

Bela Megale
O Globo

Em seu desabafo durante a sessão do Senado, na última quarta-feira (17), o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), criticou as ações de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos pela primeira vez em público. Alcolumbre criticou o fato de “ver um deputado federal do Brasil, eleito pelo povo de São Paulo, lá nos Estados Unidos, instigando um país contra o meu país”. O senador destacou que não dá para “aceitar todas as agressões calado”.

“Não dá para eu ver todos os dias um deputado federal pelo Brasil, eleito pelo povo de São Paulo, lá nos Estados Unidos, instigando um país contra o meu país. Nunca falei sobre isso, mas agora está na hora de começar a falar. Não dá, com todo o respeito, para eu aceitar todas essas agressões calado, então eu vou me organizar agora para começar a responder a todos os questionamentos, todas as perguntas, à altura”, disse.

“DESABAFO” – Aliados do presidente do Senado relataram que dois fatos pesaram para que ele fizesse seu “desabafo”, citando nominalmente o filho de Jair Bolsonaro. O principal deles foi a fala do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, sobre obstruir os trabalhos da Casa se uma anistia envolvendo o ex-presidente não for votada. A declaração foi dada por Valdemar ao site “Metrópoles” e encarada por Alcolumbre como mais uma ameaça dos bolsonaristas.

Outro ponto foram as ameaças mais recentes encampadas por Eduardo Bolsonaro e seu aliado, Paulo Figueiredo, após a condenação de Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na ação da trama golpista.

Há dois meses, ambos mandam recados ao Judiciário e ao Legislativo brasileiro, afirmando que, se uma anistia ampla que beneficie Jair Bolsonaro não for aprovada, novas autoridades além de Alexandre de Moraes serão sancionadas. Segundo interlocutores de Alcolumbre, ele avaliou que, como presidente do Senado e do Congresso, precisava se posicionar de maneira clara e objetiva contra as intimidações.

Políticos que foram visitar Zambelli deviam ter ficado por lá, ao lado dela

charge de Thiago Lucas (@thiagochargista), para o Jornal do Commercio.  #CarlaZambelli #zambelli #prisão #italia #justiça #bolsonaro #moraes  #brasil #chargejc #chargejornaldocommercio #chargethiagojc  #chargethiagolucas #chargethiagolucasjc #digital

Charge de Thiago Lucas (Jornal do Commercio)

Vicente Limongi Netto

O Senado patrocinou a viagem inútil, demagógica, patética, injustificável, absurda, cretina, descarada, ridícula dos senadores Eduardo Girão, Damares Alves, Flávio Bolsonaro e Magno Malta, para visitar, na Itália, a deputada fujona, desprezível e condenada Carla Zambelli. É o fim da picada.

Mais uma vez o bom senso perde de goleada para o despudorado achincalhe da atividade pública. O quarteto de senadores poderia ter amenizado o espetáculo torpe e constrangedor, decidindo por uma solução que deixaria o povo brasileiro feliz: ficassem lá, não voltassem mais para o Brasil.

Não fariam falta. Poderiam dividir a cela com a infame deputada presa, para serem felizes para sempre. 

CABEÇA RASPADA – A cabeça raspada é parceira do sorriso aberto e coberto de fé. A energia da deputada Roseana Sarney cobre a alma de alegria e ternura. O altivo coração de Roseana se encanta. Eleva os olhos aos céus.  A cabeça raspada viaja pelo tempo. lembra as inúmeras batalhas que Roseana enfrentou e venceu.

A cabeça raspada avisa ao câncer de mama que ele não sabe com quem se meteu. A fibra e ânsia de viver da guerreira Roseana falam mais alto. Deputada Roseana, que foi governadora, que foi senadora, que foi secretária de Estado, não se abate diante dos obstáculos. Já está acostumada. Manda para a lona todos eles. Por mais severos que eles sejam.

O câncer de mama será mais uma vitória. Mais um troféu que Deus e Maria oferecerão para Roseana guardar e exibir na galeria do amor infinito.

Não há censura no Brasil? Posso citar dez casos nos últimos anos

A história está nos detalhes | Censura, censor e humor – Parte 1 – A  história está nos detalhes

Charge do Zé Oliveira (Arquivo |Google)

Fernando Schüler
Estadão

“No Brasil não existe censura”, disse o ministro Barroso, semana passada, na abertura de uma sessão do STF. A declaração me surpreendeu. Tenho apreço pelo ministro, de modo que dou uma resposta popperiana: listo dez casos de censura, no Brasil dos últimos anos. Se eles não existirem, está tudo bem. Mas se eles forem reais, quem sabe vale refletir sobre o que vem se passando, afinal, em nossa democracia.

O primeiro é o ato inaugural. Muita gente acha que os inquéritos surgiram para salvar a democracia, mas não. Foi para censurar uma revista, em 2019.

OUTROS CASOS – Depois vem o caso do PCO. Um tuíte que quase ninguém leu, um “ataque” ao STF, quem sabe em nome da justiça soviética, e o minúsculo partido comunista foi apagado.

O terceiro é o professor Marcos Cintra. Tuíte elegante sobre o resultado de algumas urnas. Nenhum “ódio”. Apenas o direito de questionar alguma coisa, na internet.

O próximo é o deputado Homero Marchese. Divulgou um protesto, em Nova York. Estava no Paraná. Mas foi a pique. Censurado durante meses, recorreu. Sua indenização foi anulada e, o juiz que a concedeu, investigado. Curioso caso em uma democracia onde “não existe censura”.

MAIS CENSURA – Depois vem a turma do WhatsApp. Grupo privado, papo-furado. Um sujeito diz que prefere uma ditadura à eleição de um candidato. Bobagem, não crime. Os demais, nada. Um deles, Luciano Hang. Dois anos de censura por dizer coisa nenhuma, no WhatsApp.

A lista segue com o Monark. Primeiro, censurado por achar que mesmo um partido nazista deveria ter direito à expressão. Princípio elementar da Primeira Emenda Americana. Crime? Foi censurado ainda uma segunda vez por críticas ao STF.

Ameaça nenhuma, apenas uma opinião ácida. Dessas a que estão sujeitos os que ocupam funções públicas.

ABERRAÇÕES – Censurar um documentário sobre o atentado a Bolsonaro, sem conhecer o conteúdo? Caso clássico, e algo ridículo, de censura prévia; Indiciar um deputado, Marcel Van Hatten, por uma denúncia de abuso de poder, na tribuna da Câmara? Um deputado não pode fazer uma denúncia, no Parlamento, se julgar relevante?

E as plataformas digitais obrigadas a apagar sua visão sobre o “PL das Fake News”? E uma autoridade, numa manhã de Brasília, dando ordens para “desmonetizar” revistas? E depois de ouvir que “não tem nada”, que há apenas “matérias jornalísticas”, mandar que se “use a criatividade” para incriminar veículos de comunicação?

COISAS DESAGRADÁVEIS – Desde que o mundo é mundo, liberdade de expressão é para ideias desagradáveis e controversas. Ideias que “odiamos”, como lembrou Oliver Holmes.

Liberdade só para ideias aceitáveis ao poder é democracia café com leite. Ou para as tantas formas do iliberalismo atual. Quero crer que o ministro concorde com isso. Muitos cidadãos foram agredidos, em seus direitos, e isto jamais deveria acontecer em nossa democracia.

Oxalá o tempo e a sabedoria nos ajudem a corrigir essas coisas.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– É por essas e outras que Musk e Trump conseguiram colecionar provas e argumentos sobre as deformações da democracia à brasileira. Respeitar as liberdades democráticas teria sido muito melhor e mais fácil, mas o Supremo ultrapassou os limites de uma forma ridícula – a pretexto de salvar a democracia, acabou enfraquecendo o próprio regime democrático, o único que funciona.
(C.N.)

Cientista político diz que Centrão e extrema direita firmam pacto de mediocridade

Temer afirma que Motta negocia anistia com STF e Planalto

STM enfim decide reforçar a presença feminina na corte militar

Verônica Sterman tomará posse em 30 de setembro

Bruna Rocha
Estadão

O Supremo Tribunal Militar (STM) realizará, no próximo dia 30 de setembro, a cerimônia de posse da ministra Verônica Abdalla Sterman no plenário da Corte. Ela será a segunda mulher da história a compor o tribunal desde sua criação, em 1808.

No último dia 15 de setembro,  Verônica foi formalmente apresentada como nova ministra em um evento interno do STM. Ela ocupará a vaga destinada à advocacia, aberta com a aposentadoria do ministro José Coêlho Ferreira, em abril deste ano.

INDICAÇÃO – A ministra foi indicada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Dia Internacional da Mulher, em março deste ano, e teve seu nome aprovado pelo Senado Federal após sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e votação no plenário. Foram 51 votos a favor e 16 contrários.

Com a posse, Verônica se torna a segunda mulher a integrar o STM. A primeira foi a ministra Maria Elizabeth Rocha, empossada em 2007. Maria Elizabeth foi eleita presidente da Corte em dezembro de 2024, para um mandato de dois anos iniciado em março de 2025.

PRESENÇA FEMININA – Durante sua sabatina no Senado, Verônica defendeu a ampliação da presença feminina no Judiciário. “Mais mulheres na magistratura significam um Judiciário mais plural, capaz de compreender as múltiplas realidades que atravessam nossa nação”, pontuou.

“A presença de mais uma mulher neste tribunal histórico carrega este compromisso: a diversidade de olhares enriquece a Justiça e fortalece a legitimidade perante os jurisdicionados”, concluiu a ministra.

Governo minimiza saída do União Brasil e aposta em Alcolumbre

A Primavera de Cecilia Meireles chegava num poema em forma de prosa

Há pessoas que simplesmente aparecem em... Cecília Meireles - PensadorPaulo Peres
Poemas & Canções

A poeta, professora, pintora e jornalista carioca Cecília Meireles (1901-1964), tem na sua poesia uma das mais puras, líricas, bucólicas, belas e válidas manifestações da literatura contemporânea. A Primavera que se inicia hoje no Brasil, neste poema em forma de prosa, é descrita numa linguagem “onipotente”, imune a quaisquer condições que impeçam a sua chegada, ainda que efêmera, e implanta seus principais dogmas, que fazem uma festa na natureza.

PRIMAVERA
Cecília Meireles

A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la. A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega.

Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse mundo confidencial das raízes, — e arautos sutis acordarão as cores e os perfumes e a alegria de nascer, no espírito das flores.

Há bosques de rododendros que eram verdes e já estão todos cor-de-rosa, como os palácios de Jeipur. Vozes novas de passarinhos começam a ensaiar as árias tradicionais de sua nação. Pequenas borboletas brancas e amarelas apressam-se pelos ares, — e certamente conversam: mas tão baixinho que não se entende.

Oh! Primaveras distantes, depois do branco e deserto inverno, quando as amendoeiras inauguram suas flores, alegremente, e todos os olhos procuram pelo céu o primeiro raio de sol.

Esta é uma primavera diferente, com as matas intactas, as árvores cobertas de folhas, — e só os poetas, entre os humanos, sabem que uma Deusa chega, coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com os braços carregados de flores, e vem dançar neste mundo cálido, de incessante luz.

Mas é certo que a primavera chega. É certo que a vida não se esquece, e a terra maternalmente se enfeita para as festas da sua perpetuação.

Algum dia, talvez, nada mais vai ser assim. Algum dia, talvez, os homens terão a primavera que desejarem, no momento que quiserem, independentes deste ritmo, desta ordem, deste movimento do céu. E os pássaros serão outros, com outros cantos e outros hábitos, — e os ouvidos que por acaso os ouvirem não terão nada mais com tudo aquilo que, outrora se entendeu e amou.

Enquanto há primavera, esta primavera natural, prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos novos, que dão beijinhos para o ar azul. Escutemos estas vozes que andam nas árvores, caminhemos por estas estradas que ainda conservam seus sentimentos antigos: lentamente estão sendo tecidos os manacás roxos e brancos; e a eufórbia se vai tornando pulquérrima, em cada coroa vermelha que desdobra. Os casulos brancos das gardênias ainda estão sendo enrolados em redor do perfume. E flores agrestes acordam com suas roupas de chita multicor.

Tudo isto para brilhar um instante, apenas, para ser lançado ao vento, — por fidelidade à obscura semente, ao que vem, na rotação da eternidade. Saudemos a primavera, dona da vida — e efêmera.

Lula esbarra em crise de comunicação às vésperas da eleição

Comunicação segue entre os principais desafios do Planalto

Malu Gaspar
O Globo

A nova rodada de pesquisa de avaliação do presidente Lula divulgada na última semana pela Genial/Quaest apontou uma estabilidade nos índices do petista, mas trouxe uma péssima notícia para o governo: a quase um ano da eleição, a comunicação segue entre seus principais desafios do Palácio do Planalto. De acordo com o levantamento, 43% dos entrevistados disseram não ter ouvido nenhuma notícia positiva relacionada à sua gestão.

O percentual se refere a respostas espontâneas ao questionamento sobre as informações mais positivas do governo Lula. O percentual está muito à frente dos outros temas que se destacaram, como a ampliação dos programas sociais (7%) e o enfrentamento ao tarifaço do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (6%).

SALÁRIO MÍNIMO – O aumento do salário mínimo, que tem sido reajustado acima da inflação e é bandeira histórica do PT, só foi citado por 1% dos entrevistados. Além disso, o índice dos que não souberam citar boas notícias relacionadas à gestão petista é o dobro daqueles que disseram não ter tido ciência de informações negativas sobre o governo (24%).

Quando os entrevistados foram questionados de forma estimulada se ouviram mais notícias boas ou ruins a respeito de Lula, as “mais negativas” (45%) também se sobrepuseram às ‘mais positivas” (27%). Logo atrás estão os que afirmaram não ter acompanhado notícias (23%).

Outro recorte da Genial/Quaest que chama atenção é o dos programas do governo do PT. Em relação ao Agora Tem Especialistas, carro-chefe do Ministério da Saúde que Lula espera apresentar como uma vitrine de seu terceiro mandato na campanha à reeleição, 80% disseram não conhecê-lo e, por isso, não podiam opinar sobre ele.

DEMISSÃO – Como mostrou O Globo, as dificuldades na implementação do programa na gestão Nísia Trindade na pasta contribuíram para a demissão da então ministra em fevereiro passado pelo presidente. Pelo mesmo motivo, a bandeira foi abraçada como a principal prioridade de seu sucessor, Alexandre Padilha.

Para efeito de comparação, outra novidade do governo Lula, a isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil, é desconhecida por apenas 30% dos entrevistados. Por outro lado, a taxa desaba no caso de programas consolidados desde as primeiras gestões do PT como o Bolsa Família (1%).

A comunicação tem sido um dos principais desafios do presidente no seu retorno ao Palácio do Planalto em um ambiente de polarização, notícias falsas e pulverização de conteúdos por diferentes redes sociais. Além disso, o domínio da direita bolsonarista nesta seara torna o processo ainda mais pedregoso para o presidente, pouco afeito às redes sociais antes de voltar ao poder.

BUSCA DE SOLUÇÃO – Atribuir índices de popularidade abaixo do esperado à dificuldade em se comunicar com a população tornou-se um chavão entre ministros desde a posse de Lula, que aparentemente caminha rumo às eleições sem uma fórmula que solucione a questão.

Depois de dois anos com tropeços do governo, o presidente decidiu demitir o então ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Paulo Pimenta, e nomear o marqueteiro de sua campanha em 2022, Sidônio Palmeira, para o cargo com ares de “bala de prata”. A movimentação, inclusive, seria o prenúncio de uma ampla reforma ministerial que não se concretizou.

Passados nove meses desde a nomeação de Sidônio, os números da Genial/Quaest sugerem que o desafio está longe de ser superado – ainda que o titular da Secom tenha declarado na última quarta-feira não ter “absolutamente nenhuma preocupação” com os resultados da pesquisa.

LICITAÇÃO – A maior aposta do governo Lula para o setor segue sendo uma licitação de comunicação digital que se arrasta desde 2023. O edital foi finalmente aberto em 2024 projetando o contrato mais caro da história do Planalto no âmbito da comunicação, R$ 197,7 milhões.

O certame foi aberto na modalidade de melhor técnica no lugar da escolha pelo menor preço, como é de praxe na administração pública, mas acabou suspenso pelo Tribunal de Contas da União (TCU) depois que a lista de agências vencedoras foi antecipada na véspera da divulgação do resultado pelo site O Antagonista. A corte contábil posteriormente liberou a retomada da concorrência, mas, já empossado na Secom, Sidônio preferiu abrir uma nova licitação. Isso só ocorreu em julho passado, e o custo estimado agora é de R$ 98 milhões.

O processo ainda está em curso, sem previsão de conclusão. A julgar pelos números da Genial/Quaest e pela proximidade do período eleitoral, a missão de corrigir as falhas de Lula na comunicação se assemelha cada vez mais a uma corrida contra o relógio, apesar do favoritismo nos cenários eleitorais a mais de um ano da eleição em uma disputa sem candidatos definidos.

Ilusão à toa! PL calcula votos no STF para anistiar Bolsonaro

Cúpula do PL trabalha para conseguir mais votos na corte

Bela Megale
O Globo

Lideranças do PL já fazem cálculos de quantos votos teriam no Supremo Tribunal Federal (STF) se uma eventual anistia contemplando Jair Bolsonaro for judicializada.

Contrariando os sinais explícitos do tribunal, membros do partido trabalham com uma perspectiva otimista, acreditando que podem até obter uma vitória e manter a anistia, apesar das manifestações públicas de diversos ministros de que a medida seria inconstitucional.

VOTOS CERTOS – De saída, o PL contabiliza a favor da manutenção da proposta os votos dos ministros indicados por Jair Bolsonaro para a corte: Kassio Nunes Marques e André Mendonça. O voto do ministro Luiz Fux também é dado como certo, ainda mais depois de sua manifestação no julgamento da Primeira Turma para absolver Bolsonaro das acusações da trama golpista.

Integrantes da cúpula do PL trabalham junto a magistrados para angariar mais três votos, já que calculam precisar de seis dos 11 votos dos integrantes do Supremo. Os focos prioritários são o ministro Dias Toffoli, que foi presidente da corte na gestão Bolsonaro e mantinha relação amistosa com o capitão reformado, e o próximo presidente do STF, o ministro Edson Fachin.

Interlocutores de Bolsonaro têm buscado estabelecer uma ponte com o magistrado e levado o discurso de que a anistia ajudaria a pacificar a relação com o tribunal durante seu mandato.

PASSAPORTES – Já a abordagem junto aos ministros Luís Roberto Barroso e Gilmar Mendes é outra. Membros da cúpula do PL pretendem oferecer a recuperação de seus passaportes suspensos pelos Estados Unidos devido às articulações de Eduardo Bolsonaro junto ao governo Donald Trump.

Já os ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin, que votaram pela condenação do ex-presidente e dos demais envolvidos na tentativa de golpe, são considerados votos certos a favor da inconstitucionalidade da anistia.

SEM ESPAÇO – Ministros da corte, no entanto, avaliam que não há espaço para que a maioria decida a favor de uma proposta que beneficie Bolsonaro, ainda mais sob a ameaça crescente dos EUA a integrantes do STF por influência de Eduardo. Internamente, a avaliação é que Fux, Mendonça e Nunes Marques devem ficar isolados numa eventual votação sobre a inconstitucionalidade da anistia.

Um dos precedentes destacados pelos ministros foi a votação do indulto concedido por Jair Bolsonaro ao ex-deputado Daniel Silveira, que cumpre pena de oito anos de prisão por ameaça ao Estado Democrático de Direito, derrubado em 2023. Sete dos 11 ministros que fazem parte da atual composição do STF consideraram inconstitucional a hipótese de perdoar condenados por ataques à democracia.

Reduzir penas do STF? O impasse entre política, justiça e democracia

Charge do Cláudio Oliveira (Folha)

Pedro do Coutto

O debate sobre a anistia dos condenados pelos atos de 8 de janeiro voltou ao centro da cena política em Brasília, mas desta vez com contornos mais pragmáticos. O relator do projeto, deputado Paulinho da Força, tem repetido que a ideia de uma anistia ampla, geral e irrestrita já está descartada.

O que se discute agora é um projeto que ficou conhecido como “PL da dosimetria”, voltado não para apagar as condenações, mas para reduzir penas aplicadas pelo Supremo Tribunal Federal. Essa proposta, porém, levanta questões delicadas sobre o equilíbrio entre os Poderes.

INTERFERÊNCIA – Afinal, até que ponto o Legislativo pode interferir em decisões transitadas em julgado, especialmente quando o STF já aplicou sanções após processos que seguiram o devido rito legal? A dúvida é pertinente, pois a separação entre política e justiça é um dos pilares do sistema democrático, e qualquer tentativa de borrar essa fronteira pode gerar uma crise institucional de grandes proporções.

A discussão esbarra em fundamentos centrais da democracia: a separação dos Poderes e a proteção ao Estado de Direito. Para muitos juristas, reduzir penas já impostas pelo Supremo seria uma forma de intervenção política sobre o Judiciário, com potencial de abrir precedentes perigosos para outros casos.

Imagine-se, por exemplo, se no futuro o Congresso resolvesse suavizar penas aplicadas a políticos envolvidos em escândalos de corrupção sob o argumento de buscar “pacificação nacional”. O risco é de que a justiça deixe de ser um espaço de decisões técnicas, baseadas em provas e garantias legais, para se transformar em campo de barganha política.

REJEIÇÃO – Além disso, pesquisas recentes indicam que grande parte da população rejeita qualquer tipo de perdão aos envolvidos nos ataques, o que reforça a percepção de que uma redução generalizada de penas poderia ser vista como impunidade travestida de conciliação. Em última instância, o país poderia viver um perigoso esvaziamento da confiança nas instituições, num momento em que já enfrenta graves desafios de polarização e descrédito político.

Apesar disso, a pressão política por uma “pacificação” segue forte. Parlamentares da oposição querem apresentar a medida como um gesto de reconciliação, enquanto setores do governo e do Judiciário alertam para os riscos de se fragilizar a autoridade das decisões judiciais. Paulinho da Força tenta construir um meio-termo, preservando a legitimidade do STF, mas ao mesmo tempo oferecendo uma saída menos radical para parte dos condenados, especialmente aqueles de menor envolvimento.

A estratégia é claramente política: evitar a narrativa de que apenas os “peixes grandes” pagaram a conta, enquanto pequenos participantes dos atos permaneceriam presos por longos anos. Esse discurso ganha força em setores mais moderados do Congresso e pode se tornar um argumento central para conquistar votos, já que, ao mesmo tempo em que rejeita a impunidade total, tenta dar uma resposta mais equilibrada à sociedade.

DOSIMETRIA – O fato é que, descartada a anistia irrestrita, a batalha agora será em torno da dosimetria. No Congresso, ainda não há consenso, e no STF, a expectativa é de que qualquer norma aprovada seja alvo de contestação imediata.

O impasse ilustra como, no Brasil de hoje, a política e a justiça caminham em tensão permanente: de um lado, a busca por acordos e soluções políticas; de outro, a necessidade de manter intactos os pilares constitucionais que sustentam a democracia.

Nesse tabuleiro delicado, cada movimento pode redefinir não apenas o destino dos envolvidos nos atos de 8 de janeiro, mas também o próprio desenho das relações entre os Poderes. É uma disputa que ultrapassa o caso concreto e se inscreve no coração do sistema democrático, testando a capacidade do país de equilibrar justiça, política e legitimidade social.

Políticos blindados: O golpe da PEC contra a democracia no Brasil

PEC da Blindagem fragiliza o Estado de Direito

Marcelo Copelli
Revista Fórum

A aprovação da chamada PEC da Blindagem pela Câmara dos Deputados marca um dos episódios mais graves de descompromisso com a ética e a responsabilização política no Brasil contemporâneo.

A proposta altera a Constituição de forma a dificultar drasticamente a investigação e a responsabilização de parlamentares, transferindo para o próprio Legislativo a prerrogativa de autorizar processos criminais contra deputados e senadores.

CONQUISTAS – Essa mudança reverte conquistas importantes da Emenda Constitucional 35/2001, que retirou do Congresso a competência exclusiva de filtrar investigações, justamente para impedir que interesses políticos se sobrepusessem ao direito à Justiça.

A exigência de autorização prévia, por votação secreta, da maioria absoluta da Câmara ou do Senado para que um parlamentar seja processado cria um mecanismo que transforma o Legislativo em barreira à responsabilização, favorecendo a ausência de punição e corroendo a credibilidade do sistema jurídico. Além do filtro político para processos, a PEC amplia o foro privilegiado, estendendo-o a presidentes nacionais de partidos com representação no Congresso — medida inédita e sem paralelo em democracias consolidadas.

Outro ponto alarmante é a restrição à prisão de parlamentares. A proposta limita a medida a crimes inafiançáveis e ainda exige autorização legislativa, mesmo em casos em que a urgência demandaria resposta imediata da Justiça. Na prática, ergue-se uma barreira quase intransponível, tornando inviável a aplicação célere da lei contra quem ocupa cargos políticos, mesmo diante de indícios claros de criminalidade.

ARGUMENTO – A desfaçatez da classe política que apoiou a PEC é evidente. O argumento de que a medida protegeria o exercício do mandato não se sustenta: não há evidências de que a atividade parlamentar tenha sido prejudicada pelo sistema atual de responsabilização.

O que se revela é um pacto de conveniência. Trata-se de corporativismo em sua forma mais crua, um esforço calculado para blindar parlamentares em meio a um cenário já marcado por denúncias de corrupção, irregularidades administrativas e condutas que beiram a criminalidade.

O processo de aprovação evidenciou a amplitude desse alinhamento. A decisão em dois turnos, mesmo sob intensa controvérsia, mostrou que a autopreservação foi colocada acima da ética e da responsabilidade institucional.

ESTADO DE DIREITO – As implicações para a democracia são profundas. Ao criar obstáculos artificiais à responsabilização penal, a PEC da Blindagem dilui o princípio da igualdade perante a lei e fragiliza o Estado de Direito. A percepção de que o Parlamento se protegeu de investigações alimenta o descrédito popular e reforça a ideia de que a política brasileira se converteu em um círculo fechado de privilégios, distante da sociedade que deveria representar.

Além disso, ao reduzir a capacidade de ação do Judiciário em situações urgentes, a proposta abre espaço para a infiltração de práticas ilícitas e a consolidação de redes de corrupção sistêmica, comprometendo a governabilidade e a transparência que deveriam sustentar uma democracia madura.

A reação da sociedade civil e da imprensa tem sido vigorosa. Ampla mobilização nas redes sociais denunciou a medida como um manto de irresponsabilidade institucional. Pesquisas e monitoramentos mostram que uma parcela expressiva da opinião pública percebe a PEC como gesto de autoproteção parlamentar — um recado de que, para muitos congressistas, preservar privilégios pessoais vale mais do que honrar responsabilidades perante a população.

ALERTA – Esse sentimento de frustração e revolta social é um alerta para os próximos passos do Senado, que agora tem a chance de restabelecer o equilíbrio entre os Poderes e proteger os fundamentos constitucionais.

A PEC da Blindagem não é apenas um retrocesso jurídico; é também uma afronta simbólica. Expõe um Legislativo disposto a sacrificar princípios republicanos em nome da autoproteção, desconsiderando o impacto devastador sobre a confiança pública nas instituições.

A sociedade, os tribunais e os órgãos de controle devem permanecer vigilantes, exigindo transparência, ética e responsabilização efetiva. Caso contrário, o Congresso corre o risco de se tornar um espaço autorregulado, imune à fiscalização e alheio às demandas por justiça e equidade — um golpe silencioso contra a legitimidade democrática.

MARCO PERIGOSO – Em última instância, a PEC da Blindagem representa um marco perigoso. Está em jogo se a política nacional continuará a servir ao interesse coletivo ou se será reduzida a um mecanismo de proteção corporativa.

O Senado e a sociedade civil carregam a responsabilidade de impedir que o Parlamento se converta em reduto de irresponsabilidade, reafirmando que, independentemente do cargo ocupado, todos devem responder perante a Justiça.

Se essa tendência não for revertida, consolidar-se-á um precedente corrosivo, capaz de afastar ainda mais a política brasileira dos princípios éticos e democráticos que deveriam norteá-la.

Anote aí: O relator Paulinho da Força apenas finge ser contrário à anistia

Paulinho da Força é escolhido relator do projeto da anistiaMateus Salomão e Emilly Behnke,
CNN Brasil

Após meses de impasse e pressões, o plenário da Câmara dos Deputados aprovou a urgência da anistia aos envolvidos em atos antidemocráticos.

Embora a urgência esteja atrelada a um projeto de lei apresentado por Marcelo Crivella (Republicanos-RJ), não há qualquer indicação de que será esse o texto apreciado pelo plenário.

INGLÊS VER… – Pelo contrário, a CNN apurou que internamento o projeto é “para inglês ver”, ou seja, não tem sido levado em conta nas articulações. Nesse momento, a discussão está concentrada na elaboração do relatório a ser apresentado por Paulinho da Força (Solidariedade-SP).

A atuação do relator, entretanto, mira a dosimetria das penas, ao invés do perdão dos condenados. Em entrevista à CNN, na sexta-feira (19), Paulinho da Força disse que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) será beneficiado com a redução de penas.

“Ele será beneficiado em alguns crimes que foram imputados a ele. Nós não vamos pegar todos os crimes, vamos pegar alguns crimes que foram imputados, e que não vai servir só para o Bolsonaro, mas para todos, e esses crimes serão beneficiados”, afirmou.

ANISTIA LIGHT – ntegrantes do centrão, em especial no Senado, defendem a ideia de uma anistia “light”, que module penas e não necessariamente beneficie Bolsonaro. A ideia inicial de retomar a elegibilidade do ex-presidente tem sido descartada por articuladores.

Na última quarta-feira (17), o plenário da Câmara dos Deputados aprovou o regime de urgência do projeto de anistia por 311 votos a 163 e sete abstenções.

Na prática, a urgência acelera a tramitação da matéria na Câmara. Apesar de ainda não haver acordo quanto à votação do mérito da matéria, a aprovação da urgência representa um avanço na articulação da oposição.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Todos sabiam que a “urgência urgentíssima” seria aprovada com facilidade na Câmara. Cansamos de escrever sobre isso aqui na TI. Agora só falta redigir o artigo que incluirá Bolsonaro e seu entorno. Como será o texto, ninguém sabe, mas é certo que incluirá Bolsonaro.  O relator Paulinho da Força (Solidariedade-SP) apenas finge que não é a favor da anistia. (C.N.)