PL leva guerra contra Lula ao TSE e tenta transformar eleição em batalha judicial

PT pede inelegibilidade de Nikolas e leva à Justiça o caso de suposto documento falso

“Supremo e os 9” é uma crise pode derrubar Moraes ou Mendonça, diz pesquisador

Charge do Miguel Paiva (Brasil 247)

Deu na CNN

A crise no STF (Supremo Tribunal Federal) atingiu um nível tão grave que o debate já não é mais sobre os desdobramentos das acusações, mas sim sobre quem conseguirá sobreviver politicamente ao conflito. A avaliação é de Felipe Recondo, jornalista e pesquisador do STF, ao WW.

Segundo Recondo, diante do volume e da gravidade das suspeitas que pesam sobre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, torna-se cada vez mais difícil imaginar que ambos permaneçam no Tribunal ao final desse processo. “Começo a apostar no Supremo e os 9”, afirmou, em referência à possibilidade de que um dos ministros não sobreviva à crise.

ACUSAÇÕES – Recondo destacou que é preciso separar dois conjuntos distintos de suspeitas. De um lado, estão as acusações contra Alexandre de Moraes, que envolvem seu suposto relacionamento com Daniel Vorcaro, o contrato da esposa do ministro, além de ligações, mensagens e uso de cartão de crédito. Do outro, há a acusação de que André Mendonça teria utilizado a Polícia Federal para direcionar investigações contra colegas.

O pesquisador ressaltou que essa segunda acusação tem origem em um relatório produzido por uma parte da Polícia Federal que, segundo ele, estaria “em guerra” com Mendonça. Ainda assim, Recondo foi enfático: “Sendo isso verdade, é também grave.”

Para ele, se fosse estabelecido como prática que um ministro pode usar delegados para conduzir investigações direcionadas contra colegas, as consequências seriam “extremamente graves” para o funcionamento das instituições.

NOVOS RUMOS –  Recondo também apontou que o desfecho da crise pode estar atrelado ao processo eleitoral. “A depender do processo eleitoral e do Senado no ano que vem, nós tenhamos algum tipo de consequência para essa ruptura que existe hoje dentro do Supremo”, disse.

Para ele, a situação é “sem precedentes” e ainda aguarda respostas formais dos envolvidos, além de eventuais medidas adicionais para tentar contornar o impasse.

“Nós estamos diante de acusações e suspeitas de lado a lado, que talvez nos levem a pensar quem é que sobrevive ao final desse processo, ou Alexandre de Moraes ou André Mendonça”, concluiu Recondo, reforçando que suas análises foram feitas no calor dos acontecimentos, sem que as respostas definitivas dos ministros envolvidos ainda tivessem sido apresentadas.

Setembro pode ser decisivo para a crise que tomou conta do STF

No 7 de Setembro, Tarcísio deixa desfile militar e vai ao culto com Flávio Bolsonaro

Um lamento sertanejo muito realista, na inspiração de Gil e Dominguinhos

Tribuna da Internet | O comovente lamento do sertanejo, na visão de Gil e  Dominguinhos

Dominguinhos e Gil, parceiros e grandes amigos

Paulo Peres
Poemas & Canções

O cantor, compositor, político e escritor baiano Gilberto Passos Gil Moreira, o famoso Gilberto Gil, e seu parceiro Dominguinhos (1941-2013) fizeram a letra de “Lamento Sertanejo” de uma maneira bem realista. Eles se inspiraram na vida de tantos que partem do interior do país à procura de oportunidades melhores e, ao chegarem na cidade grande, deparam-se com uma realidade bem diferente daquela conhecida em suas vidas.

A música foi gravada por Gilberto Gil no LP Refazenda, em 1975, pela Warner, e fez enorme sucesso.

LAMENTO SERTANEJO
Dominguinhos e Gilberto Gil

Por ser de lá
Do sertão, lá do cerrado,
Lá do interior do mato,
Da caatinga e do roçado,
Eu quase não saio,
Eu quase não tenho amigo.
Eu quase que não consigo
Ficar na cidade
Sem viver contrariado.

Por ser de lá,
Na certa, por isso mesmo,
Não gosto de cama mole
Não sei comer sem torresmo.
Eu quase não falo
Eu quase não sei de nada
Sou como rês desgarrada
Nessa multidão, boiada
Caminhando a esmo…

Lula e Flávio disputam o voto do trabalhador com projetos diferentes de país

Eleição promete ser decidida no confronto

Míriam Leitão
O Globo

Os eleitores dizem que o mais importante para decidir seu voto são as propostas: 45% apontam esse fator como decisivo à pesquisa Quaest. A ideologia do candidato é determinante para apenas 17% dos entrevistados, enquanto 14% avaliam o desempenho na televisão.

A questão é que esta campanha presidencial não deverá ser marcada pelas propostas, mas por uma disputa de ideias e, sobretudo, por um embate entre os candidatos.

REDUÇÃO DE JORNADA – No caso do trabalho, por exemplo, a proposta de Lula é a redução da jornada, com tudo o que isso significa em termos de aumento de conforto e qualidade de vida para os trabalhadores. Essa medida, no entanto, beneficia diretamente quem tem carteira assinada, que é apenas um segmento do mercado de trabalho.

Flávio Bolsonaro tem defendido o trabalho por hora, o que, a rigor, não representa uma novidade, pois essa modalidade já foi prevista na Reforma Trabalhista aprovada durante o governo Michel Temer. O candidato do PL, porém, insiste nesse ponto numa tentativa de captar e consolidar o voto entre trabalhadores de aplicativos, que em muitos casos são remunerados por hora, além de uma parcela da juventude e dos trabalhadores por conta própria.

Como o mercado de trabalho brasileiro é muito heterogêneo e a redução da jornada é um benefício garantido principalmente aos trabalhadores formais, os informais, que representam uma parcela expressiva da força de trabalho, não seriam diretamente beneficiados pela medida.

No Brasil, a República já está à venda, sob o olhar perplexo de sua população

Tribuna da Internet | Brasil, o inverso de Singapura, exalta a democracia,  mas tolera a corrupção

Charge do Nani (nanihumor.com)

Marcus André Melo
Folha

“Urbem venalem et mature perituram, si emptorem invenerit’ (uma cidade à venda e condenada a perecer rapidamente, caso encontrasse um comprador). A frase, atribuída por Salústio a Jugurta, rei da Numídia, depois de ter corrompido senadores, diplomatas e tribunos da plebe, tornou-se a expressão máxima da corrupção política. Evoca não apenas a compra de autoridades, mas o colapso de uma República.

Jugurta concluiu que Roma estava à venda. No Brasil, a pergunta já não é apenas quem tentou comprar a República, mas quem se dispôs a negociar com o comprador — e quem utiliza o poder de julgar para impedir que saibamos a resposta. E é com isso que estamos nos deparando nos contra-ataques diversionistas disparados a toque de caixa.

FALSAS EQUIVALÊNCIAS – A estratégia parece clara: criar falsas equivalências. A que ponto chegamos? E como chegamos a esse ponto?

Crises de corrupção em cortes supremas são eventos raros. Quando alcançam a cúpula do Judiciário, abalam justamente a instituição encarregada de arbitrar os conflitos e impor limites aos demais Poderes. A crise é gravíssima.

Há, nesta crise, duas questões entrelaçadas. De um lado, a defesa da democracia e os abusos cometidos em seu nome. De outro, os desvios de conduta de ministros e a preservação do Supremo como instituição. No primeiro caso, a defesa da democracia converteu-se também em manto protetor dos abusos. No segundo, a defesa da corte passou a ser confundida com a blindagem de seus integrantes. A reconstrução institucional exige necessariamente separar essas duas ordens de questões.

TUMULTO PROPOSITAL – A estratégia defensiva dos envolvidos consiste justamente no contrário: reforçar deliberadamente sua confusão, como se investigar abusos significasse atacar a democracia e responsabilizar ministros significasse destruir o Supremo.

Problemas de desenho institucional pioram o quadro, mas os desvios são de ministros. A jurisdição criminal do Supremo, decisões monocráticas e estratégias processuais ativistas de seus ministros (processos colocados ou retirados da gaveta, acelerados ou paralisados com propósitos negociais e políticos) criam incentivos perversos.

Mas os desvios são individuais. A reforma da corte não os elimina. O ativismo processual voltado para autopreservação e autoblindagem confere ao caso uma gravidade sem paralelo. Contra-atacar com base no inquérito do fim do mundo assume contornos de escárnio e o clamor público que gerou é alvissareiro.

ESTAVA ESCRITO – A crise já estava escrita na pedra havia meses. Sabia-se que o protagonista do maior escândalo financeiro brasileiro que ameaçou com sicários jornalistas investigativos — manteve contatos nas horas que antecederam sua prisão com seu “consigliere”. Como no caso do ministro Toffoli, o procurador-geral da Repúblicatoma decisões de autoproteção. O problema, portanto, não nasce nesta semana nem depende das intenções do relator. O que emergiu foi a dimensão documental de relações cuja simples existência já deveria ter provocado respostas institucionais urgentes.

Uma República à venda. É isto que a sociedade observa perplexa. Mas o que está também sob escrutínio público é a resposta institucional da corte a sua degradação em virtude de ilícitos individuais.

Após campanha desencontrada, Flávio volta às origens e mira a direita bolsonarista

Corrupção e democracia ganham maior destaque na decisão dos eleitores em 2026

Charge do Duke (Instagram)

Pedro do Coutto

A eleição presidencial de 2026 começa a revelar, para além da disputa entre nomes e partidos, quais serão os critérios capazes de definir o voto de uma parcela decisiva do eleitorado. Pesquisa Quaest divulgada neste domingo (6) mostra que a ausência de envolvimento em casos de corrupção e o compromisso com a defesa da democracia estão entre os fatores de maior peso na escolha do próximo presidente da República. ,

O resultado ajuda a explicar por que a campanha que se aproxima tende a ser travada não apenas no terreno tradicional da economia, da segurança pública e dos programas sociais, mas também em torno de uma questão mais profunda: em quem o eleitor acredita ser possível confiar para exercer o poder.

LUGAR CENTRAL – A corrupção volta, assim, a ocupar um lugar central no imaginário político brasileiro. Não se trata de uma novidade absoluta. Poucos temas foram tão decisivos nas últimas décadas para destruir reputações, impulsionar candidaturas e reorganizar forças políticas. A diferença é que, depois de anos de polarização extrema, o tema reaparece num ambiente em que praticamente todos os grandes campos políticos carregam desgastes, contradições ou questionamentos.

Isso torna a exigência do eleitor potencialmente mais ampla: não basta denunciar a corrupção do adversário; será preciso convencer que se está disposto a submeter o próprio grupo aos mesmos critérios de investigação, transparência e responsabilização.

É nesse ponto que a pesquisa contém uma advertência importante para a política brasileira. O combate à corrupção pode ser uma bandeira democrática, mas também pode ser transformado em instrumento de manipulação. A experiência recente do país mostrou como denúncias legítimas podem coexistir com espetacularização, seletividade e exploração eleitoral da indignação pública. Para o eleitor de 2026, portanto, a diferença poderá estar menos no político que simplesmente grita mais alto contra a corrupção e mais naquele que apresenta coerência entre discurso e comportamento.

SEQUÊNCIA DE CRISES – A defesa da democracia, outro fator que aparece com grande peso, acrescenta uma dimensão ainda mais significativa à eleição. O Brasil chega a 2026 depois de uma sequência de crises institucionais que colocou no centro do debate a relação entre eleições, respeito ao resultado das urnas, funcionamento das instituições e limites da ação política. Não por acaso, pesquisas anteriores já vinham identificando o crescimento da preocupação com ameaças à democracia como critério de avaliação e rejeição de lideranças políticas.

Esse dado é particularmente relevante porque desmonta uma leitura simplista segundo a qual a democracia seria uma preocupação restrita a especialistas, instituições ou setores politicamente engajados. Quando a preservação democrática entra na conta do eleitor, ela passa a ser uma questão eleitoral concreta. O candidato não será avaliado apenas pelo que promete fazer com o poder, mas também pela forma como demonstra que pretende exercê-lo e, sobretudo, pelos limites que aceita respeitar quando contrariado.

Há, naturalmente, uma contradição que desafia os candidatos. A polarização produz um eleitorado disposto a defender valores democráticos, mas também alimenta a tentação de relativizar esses mesmos valores quando a ameaça vem do próprio campo político. A democracia, porém, não se prova apenas quando protege aliados. Ela se prova justamente na disposição de aceitar regras, instituições e direitos mesmo quando beneficiam adversários. Esse será um dos testes mais difíceis para os discursos de 2026.

DISPUTA ACIRRADA – O cenário eleitoral recente torna essa discussão ainda mais relevante. A disputa pela Presidência permanece acirrada, com diferentes levantamentos indicando forte polarização e, em alguns cenários, margens muito estreitas entre os principais concorrentes. A própria Quaest divulgada nos últimos dias mostrou uma corrida competitiva, com grande contingente de eleitores ainda sujeito à influência dos acontecimentos e do desempenho das campanhas.

É justamente nesse espaço que corrupção e democracia podem ganhar importância decisiva. Em eleições altamente polarizadas, os candidatos normalmente preservam núcleos fiéis de apoio, mas precisam disputar o eleitor menos ideológico, aquele que não se identifica integralmente com nenhum dos polos e que tende a fazer uma avaliação mais pragmática e moral dos concorrentes. Para esse segmento, uma nova denúncia, uma investigação mal explicada, uma contradição ou um comportamento considerado autoritário pode custar votos suficientes para alterar o resultado.

A pesquisa também deve ser lida como um recado às campanhas que apostam exclusivamente na guerra cultural e na mobilização das paixões políticas. O eleitor pode continuar preocupado com emprego, inflação, saúde, segurança e renda — temas que não desaparecem de uma eleição presidencial —, mas está sinalizando que deseja respostas para outra questão: quem merece receber poder sem representar um risco para o patrimônio público e para as regras do jogo democrático?

DESCONFIANÇA – Não existe resposta fácil. A desconfiança nas instituições e nos políticos não será resolvida por slogans sobre honestidade nem por declarações genéricas em defesa da democracia. O combate à corrupção exige mecanismos concretos de transparência, prevenção e investigação. A defesa democrática exige respeito efetivo à Constituição, às eleições, à liberdade de expressão, ao devido processo legal e à separação dos Poderes. Organizações dedicadas ao acompanhamento da corrupção, como a Transparência Internacional – Brasil, têm insistido justamente na importância de transformar compromissos genéricos em medidas verificáveis e políticas públicas concretas.

A eleição de 2026, portanto, poderá ser decidida também por uma disputa de credibilidade. O eleitor parece menos disposto a conceder um cheque em branco e mais interessado em saber o que cada candidato representa quando a propaganda termina e o poder começa. Corrupção e democracia não são temas abstratos: a primeira trata do uso privado de recursos e estruturas que deveriam servir ao interesse público; a segunda estabelece os limites para que ninguém se considere acima das regras.

Quem compreender essa mudança terá uma vantagem importante na campanha. Quem imaginar que bastará acusar o adversário de corrupto ou inimigo da democracia, sem responder às próprias contradições, poderá descobrir tarde demais que o eleitor está cobrando algo mais difícil: coerência. E, numa eleição em que a confiança se torna um dos principais ativos políticos, talvez seja justamente ela, muito mais do que uma promessa de campanha, que venha a decidir quem terá a chave do Palácio do Planalto.

Mendonça se adianta e pede julgamento do parecer da PF que envolve Moraes com Vorcaro

Entenda o avanço da crise entre Moraes e Mendonça no STF dia a dia

Mendonça larga na frente e coloca logo as cartas na mesa…

Luísa Martins e Guilherme Pimenta
Folha

O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), liberou para julgamento o relatório da Polícia Federal que aponta elo entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, preso devido às investigações de fraude à frente do Banco Master. Agora, caberá ao presidente do STF, Edson Fachin, decidir quando o pedido de investigação será analisado.

A decisão de Mendonça de liberar o processo para julgamento foi publicada neste domingo (6), às 15h04. Não há um pedido de data para que o relatório vá a julgamento.

SEM SIGILO – Na terça-feira (1º), André Mendonça, que é relator do caso Master, retirou o sigilo do relatório da PF que mostrava diálogos de Alexandre de Moraes e o banqueiro, incluindo uma mensagem na qual o banqueiro pergunta se deveria deixar o país, às vésperas de ser preso, em 2025. Não há informações sobre qual foi a resposta do ministro do Supremo.

O relatório contra Moraes deflagrou uma crise interna no STF. O ministro contra-atacou e pediu uma investigação contra Mendonça no âmbito do inquérito das fake news, alegando que houve abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade por parte de Mendonça no pedido de investigação.

No entanto, Fachin não somente retirou do inquérito das fake news o pedido de abertura de investigação feito por Alexandre de Moraes contra André Mendonça, como também defendeu o fim desse inquérito, aberto ainda em 2019 por determinação do então presidente Dias Toffoli.

INFORMAÇÕES – Na quinta-feira, Fachin na última semana determinou que Mendonça, Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, prestem informações sobre o relatório da Polícia Federal a respeito dos diálogos com Vorcaro. O prazo acaba sexta-feira, dia 11.

As informações coletadas pela PF sob posse de Mendonça mostraram também que Moraes fez edições no contrato de R$ 131 milhões firmado entre o escritório de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, e o Banco Master, antes de o documento ser assinado.

Apesar de já ter se manifestado pela nulidade do relatório das conversas entre Vorcaro e Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, também ganhou prazo da confirmar se acha mesmo que Mendonça “se valeu da polícia” para “impor a investigação” do ministro, exercendo “atividades que não lhe foram assinaladas”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – A situação não está nada boa também para Gonet, que é citado pela PF como íntimo de Vorcaro, a quem pedia favores. No sábado, a ADPF (Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal) requereu que Paulo Gonet se declare impedido de atuar nos procedimentos relacionados ao Banco Master, já que ele também é citado nos diálogos entre Vorcaro, Moraes e interlocutores. Esse posicionamento mostra que a Polícia Federal constatou mesmo que Gonet está envolvido com Vorcado. (C.N.)

Presidenciáveis fazem promessas irrealizáveis, sem indicar como pretendem fechar as contas

Desesperado, Moraes tem “chance zero” de escapar do pedido de impeachment

Troca de relator no caso Master é positiva, diz presidente da ADPF à CNN |  CNN Brasil

Felix de Paiva, da ADPF, preocupa-se com a investigação

Carlos Newton

As provas vão surgindo e se acumulando contra o ministro Alexandre de Moraes, que a cada dia vai ficando em pior situação e já passou a ter “chance zero” de evitar o pedido de impeachment, porque até mesmo seus maiores aliados no Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, não têm a menor condição de defendê-lo.

Atingido por acusações de corrupção tão graves quanto os crimes de Moraes, o amigo Toffoli está impedido pelo plenário de opinar sobre o caso Marques, por ser um dos investigados. Seu futuro é igual ao de Moraes – o impeachment, e a única dúvida é saber quem vai primeiro.

GILMAR FRACASSOU – O experiente ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo, é o maior aliado de Moraes, e até tentou protege-lo, alegando que o ministro André Mendonça estaria infringindo as regras do STF, uma prática que tem o próprio Gilmar como maior especialista, mas a manobra fracassou.

Essa tentativa de tumultuar a questão e salvar Moraes esbarrou na posição firme do presidente Édson Fachin, que insistiu em levar a questão ao plenário, e Gilmar também ficou sem ação.

Para não demonstrar ter desistido de apoiar Moraes, o decano Gilmar então apresentou uma proposta para proibir a atuação de policiais federais nos gabinetes dos ministros, mas isso não resolve nada para Moraes. Pelo contrário, serve apenas para demonstrar à Polícia Federal que é preciso moralizar o Supremo, a qualquer custo.

REVOLTA DOS DELEGADOS – A situação de Moraes se agravou muito no sábado, devido ao posicionamento firme da Associação dos Delegados da Polícia Federal, que enviou ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, uma interpelação para que ele se declare impedido de participar com caso do Banco Master, por ter-se envolvido com o banqueiro Daniel Vorcaro.

No mesmo documento, a ADPF, que reúne quase 2 mil delegados federais, exige “que os fatos que vieram à tona pela operação Compliance Zero sejam apurados em toda a sua extensão, sem seletividade quanto às autoridades envolvidas“.

Acho que o episódio pode ser chamado de “A Revolta dos Delegados”, um fato inusitado e auspicioso, a demonstrar que ainda há autoridades no Brasil que não compactuam com o crime e a corrupção.

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P.S. 1
– Em tradução simultânea, os policiais federais sabem a extensão do envolvimento de autoridades como Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Paulo Gonet e Andrei Rodrigues, atual diretor da PT, cuja namorada, a jornalista e lobista Renata Varandas, também está sendo investigado por sua ligação com Vorcaro.  

P.S. 2 – Assim, de antemão, os policiais federais já sabem muito bem quais foram as autoridades que agiram como milicianos e venderam proteção ao banqueiro Vorcaro. Se os ministros do Supremo tiverem juízo, vão enquadrar todos os envolvidos. Se não o fizerem, poderão agravar ainda mais a crise que emporcalha as instituições. (C.N.)

Flávio acusa Alcolumbre de engavetar o impeachment de Moraes e querer impichar Mendonça

Com R$ 3,4 milhões do PL, Michelle lidera corrida por recursos ao Senado no DF

Michelle lidera pesquisas de intenção de voto

Felipe Gelani
O Globo

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) recebeu R$ 3,448 milhões do Partido Liberal para sua campanha ao Senado pelo Distrito Federal, segundo dados da prestação de contas apresentados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Com o repasse, ela passou a ter a maior receita entre os 13 candidatos que disputam as duas vagas disponíveis no DF.

O valor corresponde à primeira transferência registrada pela direção nacional do PL para a campanha de Michelle e representa cerca de 90% do limite de gastos estabelecido pela Justiça Eleitoral para cada candidatura ao Senado no Distrito Federal, de R$ 3,81 milhões.

SEGUNDO LUGAR – A segunda maior receita é da senadora Leila do Vôlei (PDT), que busca a reeleição. Ela declarou R$ 3,05 milhões, sendo R$ 3 milhões repassados pelo próprio partido e R$ 50 mil provenientes do PSOL.

Na terceira posição aparece a deputada federal Bia Kicis (PL), que recebeu R$ 2,048 milhões do partido para a campanha ao Senado. As duas integram a mesma chapa do PL na disputa pelas cadeiras do Distrito Federal.

VALORES MENORES – Os demais candidatos que já declararam receitas têm valores significativamente menores. Sebastião Coelho (Novo) informou R$ 201,2 mil, Marley (Avante), R$ 125 mil, e Zanata (PSTU), R$ 10 mil. Os outros concorrentes ainda não haviam registrado arrecadação no sistema da Justiça Eleitoral.

Até o início desta semana, não havia despesas registradas nas campanhas de Michelle e Bia Kicis no sistema do TSE. O volume de recursos destinado a Michelle ocorre em meio à liderança da ex-primeira-dama nas pesquisas de intenção de voto. Levantamento da Quaest divulgado em 28 de agosto mostra Michelle com 25% das preferências para o Senado, à frente de Leila, com 17%, e da deputada federal Erika Kokay (PT), com 12%. Bia Kicis aparece com 9%.

Sem alternativa ao centro, eleição de 2026 se torna a “escolha do menos ruim”

Homem moderno não tem tempo para se espantar com os mistérios do mundo 

Essa frase de Sócrates é quase um alerta para os nossos tempos. A gente vive correndo com trabalho, compromissos, redes sociais, tarefas, obrigações que se acumulam. A agenda está sempre cheia, masLuiz Felipe Pondé
Folha

Sócrates, no Teeteto, diálogo escrito por Platão, afirma “Esta é a paixão do filósofo: o espanto. Não há outra origem da filosofia senão esta”. A palavra para espanto é “thaumazein”. Nela, ainda podemos entender “admiração profunda” ou algo similar. Repito: ainda é possível sentirmos tal espanto diante do mundo? A resposta deve ser cuidadosa. Temo que não — por razões históricas, econômicas, sociais, políticas e técnicas, além do surgimento da ciência moderna.

Ao falar em espanto ou admiração profunda não devemos pensar em coisas como “sinto espanto diante da política miserável do Brasil” ou “tenho uma admiração profunda pela obra de Dostoiévski”.

FRENTE AO MISTÉRIO – Esse espanto do qual fala Sócrates é uma experiência estética radical —no sentido da sensação profunda que nos acomete diante do que não conhecemos, do infinito do universo, do puro mistério do Ser a nossa volta— que estabelece todo um modo de pensar.

Dito de outra forma: o espanto socrático determina a cognição do mundo, ou seja, o modo como conhecemos o mundo, a forma como nos movemos nele e o sentido que atribuímos a ele. Esse espanto é o oposto da banalidade do cotidiano.

Hoje, talvez, só um astronauta vendo a Terra de fora, pequenina, mas tão essencial para nós, contra o universo escuro, indiferente e misterioso, pode nos aproximar do que diz o filósofo grego.

INSIGNIFICÂNCIA – Estamos aqui, perto do conceito de sublime definido por Kant, que é a nossa capacidade moral de compreender o infinito diante de poderes e grandezas que nos esmagam, mas que podemos, em nossa insignificância — talvez por causa dela — contemplá-las por causa de seu significado infinito, poderoso e misterioso.

De novo: ainda somos capazes hoje, sem sair do planeta e ir para o espaço, de ter essa experiência do espanto? Temo que não. A razão dessa impossibilidade é o fato de o mundo estar desencantado, segundo o sociólogo Weber.

O que seria esse desencantamento? O encanto aqui, em oposição ao desencantamento, teria algo a ver com a experiência religiosa? Por que o desencantamento implicaria a impossibilidade do espanto do qual fala a filosofia?

DIZIA HESCHEL – Aprofundemos essa questão. Vejamos outro filósofo, esse contemporâneo, que também constrói toda uma filosofia a partir da ideia de espanto, admiração, maravilhamento.

Refiro-me ao filósofo judeu do século 20, Abraham Joshua Heschel. Logo sairá uma nova edição do seu clássico “Deus em Busca do Homem”, em nova tradução feita por Andrea Kogan, pela Companhia das Letras.

Heschel chega mesmo a propor uma pedagogia de admiração e maravilhamento com o mundo. Por exemplo, o lugar do shabat — o sábado sagrado que começa na sexta com a primeira estrela — no judaísmo, como dia em que não se trabalha e nos dedicamos a Deus, indo à sinagoga, estando com a família, é um momento em que o tempo se abre a uma dimensão não centrada na labuta, no cálculo do sucesso.

TRANSFORMAÇÃO – Nesse sentido, “constrói-se um castelo no tempo”, segundo Heschel, via sensações e a percepção de uma vida que não é esmagada por obrigações cotidianas de sobrevivência.

Uma interrupção no tempo contínuo profano, como diria o historiador Mircea Eliade, em oposição ao tempo sagrado, o shabat, que se abre a Deus, transformaria nosso modo de estar no mundo. Essa transformação, em tese, nos levaria ao encanto, ao espanto, à admiração diante da pura existência das coisas. Aqui adentramos o solo da realidade como “um santuário”, como diria o próprio Heschel. 

Um dos efeitos colaterais do tempo cotidiano repetitivo é a banalização do próprio tempo contado em minutos a serviço da demanda por resultados. Heschel estabelece, assim, uma crítica da vida moderna como asfixia do maravilhamento com as coisas. Quem está ocupado o tempo todo torna-se cego para com o mistério do mundo.

DESENCANTAMENTO – A proposta de Heschel se choca até com o desencantamento do mundo, levado a cabo pela percepção deste como apenas um conjunto de causas e efeitos calculados matematicamente que destroem o mistério, reduzindo tudo a nossa volta a objetos da engenharia de resultados.

 Daí emerge nossa questão aqui. O mundo antigo, talvez pela sua própria ignorância com relação à cadeia de causas que regem as coisas, estaria mais aberto a uma percepção do mistério dessas mesmas coisas? Tendo vivido quase toda a sua existência imersa no mistério, como ficaria nossa espécie, agora, que só vê à sua volta recursos e métodos para transformar o mundo na sua própria imagem?

Nas eleições, é preciso apoiar sempre quem defende os interesses coletivos

Melhor charge da semana em ANO ELEITORAL. Em 2026 é bem isso que teremos  pela frente. O humor político, quando é bom, captura em segundos o que um  artigo leva páginas pra

Charge reproduzida do Instagram

Vicente Limongi Netto

O hábito ruim e deplorável do ser humano de pensar mais nos interesses pessoais do que nos interesses coletivos é uma praga que insiste em torpedear a democracia no mundo inteiro. Sobre a brutal aberração debruça-se a jornalista e diretora de redação do Correio Braziliense, Ana Dubeux, no artigo denominado “Entre grito e sussurros: o teste da democracia”, edição deste domingo,  dia 6.

Ana Dubeux sustenta que o clima rasteiro e vergonhoso no Supremo Tribunal Federal (STF), manchando a dignidade do Poder Judiciário e das instituições significa forte alerta para o cidadão pensar duas vezes na hora de votar.

CONSELHO AO ELEITOR – Para a diretora do mais importante órgão de comunicação da capital, é preciso, dentro deste quadro de decepções, “ter cautela, atenção e controle”.   

Ela aconselha que nas urnas de outubro, o eleitor leve no bolso, junto com a tradicional colinha, as normas e os deveres que precisam servir de apoio para a caminhada diária da vida, como lições para os candidatos eleitos e os brasileiros em geral, devotos da família e da democracia.

“Que a moral, ética, cidadania, honestidade, respeito ao próximo e os direitos fundamentais para a vida humana voltem a ser preceitos importantíssimos para decidir o voto”, completa Ana Dubeux. 

PERGUNTAS INCÔMODAS – Grato ao craque Ignácio Loyola Brandão, jornalista e escritor que honra a Academia Brasileira de Letras, pelas observações sobre meu artigo do dia 3, aqui na Tribuna da Internet, tratando de Alexandre de Moraes e André Mendonça:

Vicente,

Você é sempre preciso em suas questões e avaliações. Quantos fazem às autoridades essas perguntas incômodas e justas?

Gostaria de um dia chegar a este ponto de avaliação.

Abraços.

Ignácio

Polarização avança no Senado, mas direita e esquerda ficam longe de uma maioria

Defesa de Lulinha avalia usar relatório da PF para tentar arquivar investigação

Advogados dizem que dados “confirmam a pesca probatória”

Bela Megale
O Globo

A defesa de Fábio Luís Lula da Silva estuda renovar o pedido de arquivamento das investigações que envolvem o filho do presidente Lula. O novo pedido deve ser baseado no relatório da Polícia Federal usado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes para pedir a investigação do colega de corte André Mendonça.

— O relatório da PF confirma tudo o que a defesa vem dizendo desde o início das investigações. Não há nos autos nada que relacione Fábio ou a (lobista) Roberta Luchsinger, direta ou indiretamente, aos desvios do INSS — afirmou Marco Aurélio Carvalho, advogado de Fábio Luís. Ele disse ainda que os dados “confirmam a pesca probatória denunciada pela defesa desde o início do processo”.

MAIOR RIGOR – O documento da PF apontou um possível tratamento mais rigoroso de Mendonça, que é relator dos casos de desvios do INSS que geraram os inquéritos envolvendo Fábio Luís, do que em ações contra outros investigados.

O relatório da PF ainda cita que membros da corporação vinculados à investigação registraram que as conclusões de Mendonça envolvendo Lulinha e Roberta não teriam “lastro probatório”.

Diz ainda que não haveria como comprovar que Roberta Luchsinger teria conhecimento de que recursos recebidos de investigados pelos desvios do INSS provinham da fraude. O filho do presidente é acusado de tráfico de influência para favorecer a lobista junto a órgãos do governo federal. O documento que deve ser usado pela defesa de Lulinha, no entanto, é descrito pela própria PF como “sem valor probatório”.