A direita em três atos exibe um discurso que desaba diante da realidade

Oposição obstrui e fim da escala 6×1 não vai a plenário

Marcelo Copelli
Revista Fórum

Há uma contradição no centro do debate político desta semana: uma parcela importante da direita brasileira que constrói seu discurso em torno da defesa do trabalhador atuou, de formas diferentes, para resistir à proposta de redução da jornada e ao fim da escala 6×1. Houve voto contrário, ausência no momento da deliberação e, por fim, uma articulação política que terminou sem a votação em plenário.

A sequência oferece um teste particularmente revelador da distância entre discurso e prática. Quando a defesa do trabalhador deixou o terreno das palavras e chegou ao voto, à presença e à deliberação, as escolhas feitas por esse campo político abriram uma contradição que merece ser examinada.

DISCUSSÃO ANTIGA – O primeiro ato se passou na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Ali, na quarta-feira, tramitou a Proposta de Emenda à Constituição que extingue a escala 6×1 e reduz a jornada semanal máxima de 44 para 40 horas, sem corte salarial, com período de transição de 14 meses. A discussão tampouco é nova. A redução da jornada de trabalho integra há décadas o debate internacional sobre direitos trabalhistas, produtividade e qualidade de vida.

A votação foi simbólica, sem contagem nominal, mas quatro senadores fizeram questão de registrar em ata seu voto contrário: Rogério Marinho, Hamilton Mourão, Tereza Cristina e Jaime Bagattoli, todos ligados a partidos que integram ou gravitam em torno do campo bolsonarista no Congresso.

Marinho, líder da oposição, não se limitou a votar contra. Apresentou uma proposta alternativa que mantém as 44 horas semanais e a escala 6×1, permitindo jornadas negociadas diretamente entre patrão e empregado, com remuneração calculada por hora trabalhada. O discurso fala em liberdade e valorização de quem trabalha; diante da necessidade de apresentar uma alternativa concreta, a proposta foi preservar a jornada mais longa.

AUSÊNCIA – O segundo ato ocorreu na mesma sessão da CCJ e teve como protagonista Flávio Bolsonaro. Pré-candidato à Presidência pelo PL e integrante suplente da comissão, o senador esteve ausente no momento em que a PEC foi aprovada. Em seguida, evitou declarar publicamente como votaria no plenário, embora Daniella Marques, coordenadora econômica de sua campanha, tenha classificado o debate como populista e defendido que o trabalhador pudesse ampliar livremente a própria jornada.

Era possível construir uma posição sobre o tema fora da sala de votação; na deliberação da comissão, porém, a cadeira permaneceu vazia. A ausência não permite atribuir uma intenção específica. Permite, no entanto, registrar um fato político: numa das primeiras decisões relevantes sobre a proposta, o pré-candidato que pretende disputar a Presidência não participou da votação.

ADIAMENTO DA VOTAÇÃO – O terceiro ato levou a disputa da comissão ao plenário e terminou com o adiamento da votação para depois do primeiro turno das eleições de outubro. Na noite de quarta-feira, o núcleo governista desistiu de submeter a PEC ao plenário diante da redução do quórum e da falta de segurança de que estariam assegurados os 49 votos favoráveis exigidos em cada um dos dois turnos.

O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues, atribuiu a falta de quórum a uma ação coordenada da oposição. Citou nominalmente Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência, e Rogério Marinho, coordenador de sua campanha, como articuladores de um movimento para desestimular a presença de parlamentares governistas. A consequência política foi objetiva: a votação não ocorreu, e a proposta ficou para depois do primeiro turno das eleições de outubro.

SEQUÊNCIA – Três atos, uma só disputa. O voto contrário na comissão, a ausência no momento da deliberação e a articulação atribuída pelo líder do governo à atuação direta de Flávio Bolsonaro e Rogério Marinho não são fatos equivalentes. Mas ajudam a compor o retrato de uma resistência à proposta que assumiu formas diferentes ao longo da mesma semana.

Primeiro, houve a oposição declarada. Depois, a ausência. Por fim, uma disputa em torno das condições políticas para que a votação pudesse sequer ocorrer. Em comum, um dado difícil de ignorar: a pauta avançou na comissão, mas encontrou resistência organizada antes de chegar ao plenário.

DISCURSO E PRÁTICA – Isso não é peculiaridade de um partido nem generalização sobre toda a direita brasileira, que é plural e inclui correntes liberais, conservadoras e de centro que não se reconhecem nos episódios descritos aqui. Trata-se de um recorte sobre o campo radical que se consolidou na política nacional nos últimos anos e sobre a distância que, neste caso, se estabeleceu entre a retórica em defesa de quem vive do próprio trabalho e as posições adotadas diante de uma proposta concreta.

Discursa-se em nome do trabalhador. Na comissão, quatro senadores ligados a esse campo registraram voto contrário. Rogério Marinho, líder da oposição, apresentou uma alternativa que preserva a jornada de 44 horas e a escala 6×1. E, antes que a proposta chegasse ao plenário, a sessão terminou sem a votação, em meio a uma disputa política cuja falta de quórum foi atribuída pelo líder do governo a adversários da medida.

A pergunta que este debate deixa, portanto, não é quem falou mais alto. Discursos sempre encontram espaço. A questão é o que permanece quando a política exige voto, presença e deliberação. Do voto contrário à ausência, passando pela disputa que impediu a votação em plenário, diferentes formas de resistência marcaram uma mesma sequência.   E fica uma pergunta que nenhuma campanha responde apenas com bandeiras: quando chega o momento de transformar discurso em decisão, o que prevalece — a promessa feita ao trabalhador ou as escolhas reveladas na prática?

Fachin deu uma gargalhada falsa e vai trabalhar para excluir Alexandre de Moraes do STF

Fachin deixou claro: cargo no STF não pode servir de escudo. Agora, André Mendonça pretende levar o caso de Alexandre de Moraes ao plenário, e o voto de Cármen Lúcia poderá ser decisivo. A batata está ...

Charge reproduzida do Instagram

Carlos Newton

A frase famosa – “Uma imagem vale mais do que mil palavras” – é atribuída erradamente ao filósofo chinês Confúcio, que viveu lá atrás, há 2,5 mil anos. O verdadeiro criador da expressão foi o jornalista americano Arthur Brisbane (1864/1936), ao afirmar: “Use a picture. It’s worth a thousand words” (Use uma imagem. Ela vale por mil palavras), num evento para publicitários em 1911, quando o uso da fotografia, com a invenção do clichê, estava revolucionando a imprensa.

Na quinta-feira, a foto feita por Brenno Carvalho para O Globo tornou-se o assunto do momento, por mostrar a falta de seriedade dos ministros do Supremo diante da maior crise já vivida pela instituição. No flagrante, o presidente do Supremo, Edson Fachin, está rindo tanto que chegou a se entortar. Parece até ser cúmplice de Moraes.

APARÊNCIAS ENGANAM – No entanto, outro ditado imortal nos lembra que as aparências enganam. No STF, está acontecendo justamente isso, porque Fachin parece estar se divertindo junto com Moraes, mas sua gargalhada é falsa e na verdade ele está empenhado em facilitar que haja impeachment.

Outros ministros compartilham as gargalhadas, como demonstra a foto de Brenno Carvalho, um flagrante que faz lembrar a cena do então presidente Jânio Quadros todo entortado, na célebre foto do Correio da Manhã, que deu o Prêmio Esso de Fotojornalismo a nosso amigo Erno Schneider.

Depois da cena grotesca de quarta-feira, Fachin agiu com firmeza, ao dar cinco dias para a Polícia Federal, a Procuradoria-Geral da República e o relator André Mendonça para confirmarem suas posições sobre o pedido para abrir investigação contra Alexandre de Moraes no caso do Bando Master.

ESFRIOU O CLIMA – Assim, com maestria, Fachin esfriou o clima e deu também a Moraes o mesmo prazo de cinco para se explicar. Mas o ministro está de pavio curto, não quis nem saber e na manhã seguinte já pedia a destituição de Moraes por “abuso de poder”, através do Inquérito do Fim do Mundo, aquele que não acaba nunca e serve para tudo.

No entanto, foi um tiro no pé, porque Moraes se baseou num documento da Polícia Federal que é considerado sem valor probatório pela própria PF, não tem assinatura e foi entregue a Moraes pelo diretor da PF, Andrei Rodrigues, que está envolvido no caso Vorcaro junto com a namorada, a jornalista  e lobista Renata Varandas, e o presidente Fachin imediatamente retirou do inquérito interminável a falsa acusação contra Mendonça. 

Na próxima semana, passados os cinco dias,  na sexta-feira Fachin já terá recebido os relatórios dos ministros e das instituições que receberam intimação, vai distribuir cópias aos demais membros do STF e pode marcar para a outra semana a sessão que decidirá investigar e afastar Moraes por advocacia administrativa e outros crimes conexos, com base nas mensagens existentes nos celulares de Daniel Vorcaro.

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P.S.
– Tudo isso significa que a decisão inicial contra Moraes poderá sair antes da eleição, que será dia 4 de outubro, com resultados devastadores para o candidato Lula, que cometeu o maior erro estratégico de sua vida pública, ao aceitar um jantar na casa de Moraes, um ministro que já se encontrava em putrefação e mesmo assim conduziu esse encontro comes e bebes para celebrar conluio de Lula com os presidentes da Câmara e do Senado, os nada recomendáveis Hugo Motta e Davi Alcolumbre, e tudo isso com a cumplicidade de outro ministro, Cristiano Zanin, que se comportou infantilmente, pois não tinha motivos para participar desse tipo de relacionamento vicioso. (C.N.)

O medo de falar: mais da metade dos trabalhadores evita expor opinião política

Aliados de Fachin defendem punição a Moraes e Mendonça para encerrar crise no STF

Interlocutores rejeitam “varrer para debaixo do tapete”

Andréia Sadi
G1

Aliados do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Edson Fachin, defendem que ele leve ao plenário uma proposta que dê respostas aos dois protagonistas da “crise Master” na Corte. E não descartam nem mesmo a discussão de uma punição aos dois colegas. Tanto para André Mendonça como para Alexandre de Moraes.

Mendonça deve ser advertido pelo que foi considerado uma invasão de prerrogativas da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República quando o magistrado avançou sobre dados envolvendo o colega. Moraes porque precisa explicar sua ligação com Daniel Vorcaro e esclarecer se tomou alguma medida para beneficiar o ex-banqueiro.

CRISE INÉDITA – Segundo esses interlocutores de Edson Fachin, a crise atingiu um ponto nunca antes visto dentro do tribunal, com uma guerra aberta entre dois ministros, e que isso demanda algum tipo de decisão para mostrar que o Supremo não fica defendendo seus ministros e atuando de forma corporativista.

“Não será possível varrer tudo isso para debaixo do tapete, tal como aconteceu no caso de Toffoli. É preciso mostrar para a sociedade que o tribunal não poupa seus pares”, disse reservadamente um aliado de Edson Fachin.

O presidente do STF já adotou nesta sexta-feira (4) uma medida importante, retirando o pedido de Alexandre de Moraes contra André Mendonça do âmbito do inquérito das fake news e levando o pleito para o seu gabinete.

EXPLICAÇÕES – Fachin juntou o pedido de Moraes ao de André Mendonça e determinou que todos os envolvidos na “crise Master” enviem, num prazo de cinco dias, explicações para que o presidente do STF tome a decisão do que será discutido no plenário. Segundo a equipe de Fachin, o caso será submetido ao plenário físico. A expectativa é que a temperatura, que nesta quinta-feira (3) atingiu um ponto explosivo, baixe nos próximos dias.

Depois, o presidente do STF vai aguardar as respostas de todos os lados para definir o que deve propor ao plenário do tribunal. Nos bastidores, ministros das duas alas avaliam que teria faltado pulso a Fachin na condução da crise, o que ampliou o embate entre Moraes e Mendonça.

Integrantes da Corte ouvidos sob a condição de reserva apontam que o presidente do STF deveria ter sido mais enfático nas conversas na tentativa de costurar algum entendimento ou até mesmo estabelecer um protocolo entre os colegas para evitar os ataques públicos, o que é visto como uma forma até mesmo de deslegitimar o Supremo e reforçar ataques externos.

PRESERVAÇÃO – Interlocutores de Fachin, no entanto, afirmam que o presidente tem atuado de forma firme e intensa para preservar a Corte diante da escalada da crise e ainda para evitar a guerra pública entre os dois colegas.

Esses auxiliares citam que o presidente tem feito intensas reuniões não só com Moraes e Mendonça, mas também com interlocutores deles e conversado individualmente com todos os ministros para construir uma solução conjunta.

PF explica como recuperou mensagens que Vorcaro tentou apagar antes de enviá-las a Moraes

“Não tem condições”, diz Ronaldo Caiado, defendendo o imediato afastamento de Moraes

Caiado defende renúncia de Alexandre de Moraes

Deu no G1

O candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD), defendeu nesta quinta-feira (3), em entrevista ao jornal “O Estado de S. Paulo”, que o ministro Alexandre de Moraes deixe o Supremo Tribunal Federal (STF) diante das suspeitas que recaem sobre o magistrado.

Nesta segunda-feira (1), uma troca de mensagens entre Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro sinaliza que o ministro discutia com o ex-dono do Banco Master a possibilidade de a Polícia Federal (PF) deflagrar uma operação que teria o ex-banqueiro como alvo.

RELATÓRIO – Os diálogos estão em um relatório enviado pela Polícia Federal (PF) ao STF, que teve o sigilo retirado pelo ministro André Mendonça. O material também foi enviado para manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Caiado defendeu que a permanência de Moraes na Corte poderia levar cidadãos a contestar a legitimidade de decisões tomadas pelo ministro, o que, na avaliação do governador, colocaria em risco a ordem democrática. “Para você estar naquela condição de ministro do Supremo, qualquer posição que coloque em xeque, em dúvida, o comportamento dele […] ele mesmo deveria fazer o seu próprio afastamento, ele mesmo renunciar àquela função, ao cargo”, disse Caiado.

Segundo o candidato, a não renúncia provoca tensão muito grande e desestabiliza a democracia brasileira. “Se o ministro Alexandre Moraes renunciasse à condição de ministro Supremo e respondesse por esses atos fora da condição de ministro, você não teria essa crise instalada”, afirmou.

“INSURGÊNCIA” – Questionado sobre uma declaração anterior na qual havia defendido o afastamento de Moraes sob o argumento de que o país poderia enfrentar uma “insurgência” contra decisões do Supremo, Caiado disse que a contestação poderia ocorrer caso uma pessoa submetida a uma decisão do ministro passasse a questionar sua legitimidade para julgá-la.

“Se amanhã alguém vem, diante de uma decisão dele, o cidadão diz: ‘Não, mas ele não está capaz para me julgar, ele não tem essas credenciais para me julgar’, aí você coloca em risco esta ordem democrática que você tem no país”, disse Caiado

Caiado afirmou que ministros do STF têm responsabilidades adicionais por integrarem a última instância do Judiciário e por caber à Corte a defesa da Constituição. “Quando sobre aquela pessoa [ministro do STF] recaem tantas suspeitas, denúncias, quanto essas que vieram à tona, ele não tem mais as condições mínimas necessárias para poder estar ali respondendo pelo cargo. Isso é independente de quem quer que seja”, declarou.

“DARK HORSE” – Caiado também citou as investigações relacionadas ao filme “Dark Horse”, a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, que está sendo investigado por também ter recebido dinheiro de Vorcaro.

O candidato afirmou que o episódio não poderia ser considerado encerrado enquanto houvesse fatos sob investigação. “Não existe essa história de ‘página virada’ como querem colocar”, disse, em referência ao que tem dito o candidato Flávio Bolsonaro (PL).

Caiado ainda defendeu que o STF retire o sigilo de todas as investigações relacionadas ao Banco Master e a fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Nesse caso, as investigações implicam Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Lula (PT), candidato à reeleição.

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Gilmar muda estratégia e agora quer afastar os delegados da PF que assessoram o Supremo

Gilmar e Fachin conversaram sobre a crise no tribunal

Mariana Muniz
O Globo

O ministro Gilmar Mendes defendeu ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, a retirada de delegados da Polícia Federal que atualmente trabalham nos gabinetes de integrantes da Corte. A proposta será discutida em meio à crise interna provocada pelos desdobramentos das investigações sobre o Banco Master e pela escalada da tensão entre o ministro André Mendonça e integrantes da cúpula da PF. A informação foi revelada pela Folha de S. Paulo e confirmada pelo O Globo.

Gilmar e Fachin conversaram nesta quinta-feira sobre a crise que se instalou no tribunal após a Polícia Federal identificar Alexandre de Moraes como interlocutor do ex-banqueiro Daniel Vorcaro em mensagens apreendidas durante as investigações.

O decano já vinha discutindo a presença de delegados nos gabinetes antes do episódio, mas a controvérsia ganhou novo peso diante dos questionamentos sobre a atuação de policiais que auxiliam diretamente Mendonça nas investigações sob sua relatoria.

RELAÇÃO INADEQUADA – A avaliação de Gilmar é que a presença de integrantes da PF nos gabinetes pode criar uma relação inadequada entre investigadores e ministros responsáveis pela condução dos inquéritos. Nos bastidores, um dos questionamentos levantados durante a atual crise é sobre o grau de influência que policiais cedidos podem exercer sobre a condução das apurações.

Atualmente, seis delegados da Polícia Federal estão cedidos ao Supremo. Quatro trabalham diretamente em gabinetes de ministros e um atua na área de segurança da Corte. André Mendonça conta com dois policiais: Graziela Machado e Thiago Marcantonio. Fábio Shor trabalha com Alexandre de Moraes, assim como Anderson Antonio Ferreira de Souza, enquanto Fábio Lucena está no gabinete de Luiz Fux. Po fim, Raphael de Mello Batista atua na Polícia Judicial.

A eventual adoção da medida, portanto, não atingiria apenas Mendonça, que está no centro do atual embate com a Polícia Federal. Também alcançaria o gabinete do próprio Moraes, pivô da crise desencadeada pelas mensagens de Vorcaro, e o de Fux. Dados divulgados anteriormente pelo Supremo apontam a presença desses cinco delegados na Corte.

TENSÃO – O tema já havia provocado tensão entre o STF, a Polícia Federal e o governo nos últimos meses. Em junho, o Ministério da Justiça enviou ofícios a mais de 50 órgãos públicos solicitando a devolução de policiais federais cedidos para reforçar o efetivo da corporação no combate ao crime organizado. O Supremo, porém, ficou fora da lista. À época, a justificativa apresentada por integrantes do governo foi evitar prejuízos a investigações em andamento.

A possibilidade de retirada dos delegados já havia causado preocupação especialmente no gabinete de Mendonça. Thiago Marcantonio atua como assessor do ministro desde 2025 e auxilia o magistrado em processos relacionados tanto às fraudes no Banco Master quanto às investigações sobre desvios no INSS. A movimentação do governo para recuperar policiais cedidos chegou a ser interpretada por integrantes da PF e do STF como uma tentativa de atingir a estrutura montada pelo relator para conduzir essas apurações.

A discussão ressurge agora em um contexto mais delicado. Mendonça e a cúpula da Polícia Federal vêm acumulando divergências sobre a condução das investigações, que se aprofundaram depois que o ministro determinou à corporação que identificasse interlocutores de Vorcaro mencionados no material apreendido.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Parece que Gilmar Mendes acordou do delírio de organizar uma intervenção no Supremo para impedir André Mendonça de cumprir sua obrigação de investigar Vorcaro, Moraes e quem mais estiver na reta. Conforme denunciamos aqui na Tribuna, seria uma nova versão de golpe de estado. Agora, mudou a estratégia e quer culpar a Polícia Federal por ter feito o contrato de R$ 131,2 milhões com Vorcaro, numa tremenda Piada do Ano, que não tem a menor graça. Será que Gilmar Mendes está com problemas e precisa de atendimento, como parece ser o caso de Moraes, que anda completamente desatinado. (C.N.) 

Os riscos do ciúme extremado, na poesia surrealista de Murilo Mendes

Murilo Mendes (@murilomendespoeta) • Facebook

Mendes morava em Roma, onde criou sua obra

Paulo Peres
Poemas  & Canções 

O tabelião e poeta mineiro Murilo Monteiro Mendes (1901-1975), da Academia Brasileira de Letras, foi um escritor e crítico de artes plásticas e literatura,  expoente do surrealismo e do segunda fase do modernismo na literatura brasileira. Neste poema, Mendes reflete sobre o sofrimento que o ciúme extremado pode acarretar. 

POESIA DO CIÚME
Murilo Mendes

Eu nunca poderia aplacar
Esta ânsia absoluta,
Esta gana que tenho de ti.
– Mesmo se te possuísse.

Eu tenho ciúme
Do teu pai e da tua mãe,
Eu tenho ciúme
Daquele que te desvirginou.

Eu tenho ciúme de Deus,
Que fundiu o molde
Da tua alma rebelada,
De Deus, que me matando
Poderia extinguir
Enfim meu ciúme
Na noite total
Sem pensamento e sem sexo.

Caso Master: Fachin exige informações de Moraes, Mendonça, Gonet e diretor da PF

Mensagens de Vorcaro colocam STF sob tensão

Ana Pompeu
Luísa Martins
Folha

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Luiz Edson Fachin, determinou que os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, prestem informações em até cinco dias sobre o relatório da Polícia Federal a respeito das mensagens enviadas por Daniel Vorcaro e que apontam Moraes como interlocutor.

A decisão desta quinta-feira (3) foi divulgada minutos depois de Moraes pedir a Fachin a investigação de Mendonça por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade na condução do caso Master e INSS (Institutos Nacional do Seguro Social). Ele foi assinado, no entanto, antes do ato de Moraes e se relaciona apenas ao material da PF enviado a Mendonça e que cita Moraes.

CIRCUNSTÂNCIAS – Fachin pede informações sobre as circunstâncias nas quais Mendonça determinou a identificação das pessoas com as quais Vorcaro conversava e as medidas tomadas para que as regras de investigação sobre autoridades fossem cumpridas.

O ministro também determinou que o gabinete do relator dos casos Master e INSS envie a cópia integral dos autos do processo no qual o relatório que cita Moraes foi acrescentado. Ele incluiu, também, a nota divulgada por Moraes em 6 de março deste ano, quando negou ser o destinatário das mensagens de Vorcaro.

Na ocasião, o magistrado afirmou que uma análise técnica feita nos dados das mensagens de Vorcaro constatou que as mensagens de visualização única enviadas por ele no dia 17 de novembro de 2025, data da primeira prisão do ex-banqueiro, não correspondem aos contatos do ministro Alexandre de Moraes nos arquivos apreendidos.

OUTROS CONTATOS – “A verificação apontou que as capturas de tela e o respectivo contato estão vinculados a outras pastas de arquivos e listas telefônicas no computador do próprio emissor, demonstrando que as mensagens estavam direcionadas a outros contatos e não ao ministro”, disse, no texto.

Essas mesmas mensagens constam no relatório apresentado a Mendonça pela PF, com a indicação de que o interlocutor de Vorcaro era Moraes. O despacho do presidente questiona, então, entre outros pontos, o cumprimento da Lei Orgânica da Magistratura pela PF, eventual acesso a documento particular e informações sob sigilo e as circunstâncias de uma diligência.

“Cabe à presidência do tribunal zelar para que a possível apreciação colegiada seja feita, a tempo e modo, com o elevado senso de responsabilidade que os fatos reclamam, sempre assegurando o respeito às garantias constitucionais do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório”, diz Fachin.

ATUAÇÃO DA PRESIDÊNCIA  – Segundo o ministro, ainda que a PGR tenha apresentado dúvidas, no pedido de anulação do relatório, as informações do material demandam atuação da presidência da corte caso sejam reconhecidas.

Fachin questiona, no documento, o cumprimento, pela PF, dos procedimentos quando autoridades com foro especial são identificadas nas investigações. O presidente também quer informações sobre acessos indevidos a documentos particulares por meio de credenciais institucionais ou sobre o vazamento de dados sob sigilo a investigados.

A medida de Moraes foi tomada no âmbito do inquérito das fake news. Moraes afirma que Mendonça agiu para direcionar as investigações, “com quebra da imparcialidade judicial e favorecimento a determinados grupos políticos”.

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Supremo enfrenta uma grave crise que coloca sua própria credibilidade à prova

Impedimento de Moraes e Mendonça pode obrigar o STF a libertar Vorcaro

'Cargo não confere privilégio', diz Fachin após PF mostrar elo entre Moraes  e Vorcaro

Fachin não conhece o Regimento e cometeu grave erro

Jorge Béja

Após o litígio que Alexandre de Moraes pediu que fosse instaurado contra André Mendonça, o caso “Master-Vorcaro” e outros mais que lhe sejam conexos, todos ficam, obrigatoriamente, paralisados no Supremo Tribunal Federal.

Nada pode seguir adiante, seja investigação, inquérito criminal, ação penal, ou qualquer outro procedimento, nominado e inominado.

EFEITOS LEGAIS – Na forma da lei,essa suspensão do curso dos procedimentos — e enquanto estes durarem —implicará, necessariamente, na libertação de quem estiver preso e no desfazimento de qualquer outra medida coercitiva contra pessoas ou coisas que tenham sido alvos de medidas determinadas pela Corte e/ou um de seus membros no inquérito de Master-Vorcaro.

Não é um detalhe. É consequência de quem conhece e está atento ao que acontece. Isto porque, composto por 11 ministros, o STF desde a aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso, passou a ter apenas 10 ministros. E assim, incompleta na sua plenitude, a Corte tem funcionado.

Mas nem todos os 10 ministros estão aptos, livres e desimpedidos para decidirem a respeito do caso “Master-Vorcaro” e as investigações que lhe são conexas.

TRÊS IMPEDIDOS – Vejamos: Dias Toffoli se afastou ou foi rigorosamente afastado. E agora, caso não bastasse o impedimento naturalíssimo e gritante de Moraes, em razão dos contatos e contratos de Vorcaro com ele próprio e do Banco Master com o escritório de advocacia da esposa do ministro, conforme noticiado e nunca contestado, Moraes decidiu pedir abertura de litígio contra o ministro Mendonça.

E tanto é o suficiente, também, para o afastamento de ambos — Moraes e Mendonça — de qualquer investigação relacionada ao caso “Master-Vorcaro” e outros conexos.

DIZ O REGIMENTO – Assim, com o impedimento de mais dois ministros (Moraes e Mendonça) somado ao afastamento de Toffoli, o plenário da Corte passa a ser composta de sete ministros.

E com apenas sete ministros, o STF fica impossibilitado de se reunir para decidir o que for a respeito do referido caso. Está determinado no Regimento Interno do STF que é exigida a presença de pelo menos 8 (oito) ministros (dois terços de seus membros) para iniciar julgamento de matéria constitucional. Ao passo que no tocante às Turmas, cada uma composta de 5 ministros, o quórum mínimo exigido é de 3 ministros.

Aí está o que não é detalhe, mas fato de suma relevância que certamente os advogados saberão sustentar em benefício de seus constituintes.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Nenhum magistrado ou professor de Advocacia pode se vangloriar e dizer que conhece todas as leis. É mentira. Ninguém sabe tudo, embora exista a máxima latina de que “iura novit curia” (o juiz conhece a lei). Para realmente saber, o operador de Direito tem de estudar e ser um eterno aprendiz. É isso que Jorge Béja faz, a ponto de surpreender até os ministros do Supremo. Esta aula que Béja nos oferece vai causar espanto aos membros do STF, especialmente ao presidente Fachin, que deveria ter recusado liminarmente a denúncia descabida de Moraes contra Mendonça. (C.N.)

Após a indecorosa foto de ministros dando gargalhadas, STF cerceia ação da imprensa

Quatro homens vestidos com ternos escuros conversam e sorriem em um ambiente interno com parede clara ao fundo. Três deles estão de frente para a câmera, enquanto um tem as costas voltadas. A iluminação destaca os rostos e expressões de interação entre eles.

Supremo vive sua maior crise, mas o clima de festa continua

Deu na Folha

O STF (Supremo Tribunal Federal) limitou nesta quinta-feira (3) o acesso de fotógrafos à marquise do edifício-sede da corte. O bloqueio ocorre após o flagrante de ministros conversando e rindo às gargalhadas em meio à crise decorrente da revelação de mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, envolvendo Alexandre de Moraes.

O fotógrafo Brenno Carvalho, do jornal O Globo, registrou o momento ao final da sessão plenária de quarta (2) pela fresta da cortina. O STF foi procurado pela Folha na noite desta quinta, mas não se manifestou. A imagem incluiu Moraes, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin, de frente, rindo. De costas, o presidente da corte, Luiz Edson Fachin, quase caindo para trás.

BLOQUEIO TOTAL – Durante a tarde desta quinta, seguranças da corte impediram a aproximação de repórteres fotográficos das vidraças, pedindo explicitamente para que não mirassem por meio delas e que se afastassem….

O clima ruim entre os integrantes da corte atingiu o auge nesta quinta-feira, porque Moraes pediu que o ministro André Mendonça seja investigado por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade na condução do caso do Banco Master e do INSS (Institutos Nacional do Seguro Social).

E o presidente Fachin determinou que Mendonça, Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, prestem informações em até cinco dias sobre o relatório da Polícia Federal a respeito das mensagens enviadas por Vorcaro e que apontam Moraes como interlocutor.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Como dizia o historiador Capistrano de Abreu em sua Constituição de apenas dois artigos, “todo brasileiro deve ter vergonha na cara” e “revogam-se as disposições em contrário”. Afinal, dar gargalhadas num momento de crise tão grave equivale a fazer o mesmo em velório de sumo pontífice. A cena demonstra a que ponto chegou a desfaçatez da Suprema Corte brasileira. (C.N.)

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Charge do Cláudio Aleixo (Arquivo Google)

Carlos Newton

A avalanche sobre Brasília é pior do que as neves que desabaram sobre o Nepal, porque o fenômeno que arrasa os três Poderes no Brasil está apenas começando e ainda vai durar muito tempo, até ocorrer uma limpeza das instituições. Justamente por isso, já se esperava que, nesta quarta-feira, a reunião do plenário fosse como um velório de madre-superiora, com todos os ministros sofridamente compungidos, sem arriscar comentários sobre a tragédia da corrupção generalizada.

O ainda ministro Alexandre de Moraes não derramou uma só lágrima. Pelo contrário, deu gargalhada na hora do cafezinho, ao conversar com Gilmar, Zanin e Fachin, vejam como essa gente é solidária na impunidade. Na sessão, o presidente Édson Fachin nem tocou no assunto. Ficou quieto, respeitando a estratégia de Moraes, que não aceitou tocar no assunto antes de passar ao ataque, com uma desfaçatez extraordinária, acusando Mendonça de “abuso de autoridade”.

PORCARIADA – A embromação vai continuar. Cedo ou tarde, porém, Fachin terá de colocar em votação o pedido do relator André Mendonça, para abrir investigação sobre Moraes e quem estiver próximo a ele na banca de negócios aberta para atender o banqueiro fraudador Daniel Vorcaro, que emporcalhou os três Poderes, fazendo jus a seu sobrenome.

Em italiano, Vorcaro é uma derivação de Porcaro, que deriva do latim “porcus” com o sufixo “aro”, que indica ocupação, significando “porqueiro” em português.

Assim, cabe ao Supremo limpar inicialmente sua porcariada corporativa, para depois ter condições de conduzir a lavagem do Legislativo e do Executivo, que não ficam a dever em matéria de corrupção e leniência administrativa, nesta deprimente fase da vida pública, que se confunde com a privada.

RÁPÍDO NO GATILHO – O ministro Gilmar Mendes (ele, sempre ele) não conseguiu se conter. Antes mesmo de Moraes revidar, Gilmar foi rápido no gatilho e procurou o presidente Lula da Silva para fazer uma sugestão de caráter emergencial, que a seu ver seria capaz de limpar a barra suja dos três Poderes.

Para começar, disse que a culpa desse chiqueiro é do ministro André Mendonça, que estaria conduzindo o inquérito do Banco Master de tal forma que caberia até impetrar um mandado de segurança contra as decisões dele.

Alegou que Mendonça errara ao colher depoimento de Vorcaro sem a presença da Polícia Federal. Além disso, o relator nem poderia dar prosseguimento ao caso, porque os novos relatórios da PF foram rejeitados pelo procuradoria-geral Paulo Gonet.

PROPOSTA INDECENTE – Segundo a jornalista Rossean Kennedy, do Estadão, a quem Gilmar mandou vazar a notícia, Lula perguntou o que fazer e Gilmar então propôs uma ação institucional conjunta, a ser orquestrada pelo ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva. com o presidente do STF, Edson Fachin, tendo participação do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e também do procurador Paulo Gonet, é claro, que nem chegou a ser citado, mas está dentro do esquema, porque chegou à PGR por indicação de Gilmar, de quem foi colega e sócio na Faculdade de Direito que os dois criaram.

Trata-se, é claro, de uma solução ditatorial, que simplesmente afronta o Estado de Direito, num golpe pior do que aquele que Jair Bolsonaro planejou fazer, mas acabou desistindo, e mesmo assim foi condenado a 27 anos e três meses de prisão.

Bem, amigos,  quando nem mesmo Gilmar Mendes consegue uma solução cabível, é porque essa possibilidade não existe, está sendo criada no momento, inteiramente ao arrepio da lei.

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P.S.
– O fato concreto é que o ministro André Mendonça tornou-se uma espécie de Davi enfrentando Golias. Terrivelmente religioso, formado em Teologia e atuando como ministro presbiteriano, sem receber pagamentos, ele demonstra impressionante coragem e está enfrentando a corja dos três Poderes, para passar o país a limpo. Mas precisará ter o apoio dos homens de boa vontade, para conseguir vencer os cavaleiros do Apocalipse, que se apoderaram do Brasil. Depois voltaremos ao assunto, para analisar como Mendonça está atuando. (C.N.)