Governo é humilhado no Congresso, com aliados votando contra o aumento do IOF

Congresso derruba a toque de caixa a mudança de Lula no IOF

Alcolumbre rapidamente colocou o decreto em votação

Deu no Correio Braziliense

Na noite desta quarta-feira, logo após aprovação na Câmara dos Deputados, o Senado Federal seguiu na mesma direção e derrubou o decreto presidencial que estabelecia alíquotas maiores do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para transações que envolvem câmbio, seguros e crédito para empresas.

O resultado representa mais uma derrota no Congresso Nacional do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da equipe econômica, liderada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

ÀS PRESSAS – A votação da pauta foi incluída às pressas pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que em comunicado, afirmou que a decisão de votar o Projeto de Decreto Legislativo 214/25 ainda nesta quarta-feira (25/6) teria como base o cumprimento a um “compromisso político e institucional” firmado com a Câmara, que havia aprovado o projeto na mesma noite.

Em votação simbólica, apenas o Partido dos Trabalhadores (PT) e do líder do Partido Democrático Trabalhista (PDT) no Senado, Weverton Rocha, foram contrários à medida. Esse posicionamento foi apenas para não humilhar ainda mais o governo.

Foi a primeira vez, desde 1992, no governo Collor, que um decreto presidencial é derrubado.

Na Justiça enlouquecida, o rei inglês estava doido, mas degolaram o francês

Tribuna da Internet | Justiça no Brasil, manipulada e dispendiosa, custa  três vezes mais que a média mundial

Charge do Kemp (humortadela.com.br)

Elio Gaspari
O Globo

O paralelo pode parecer exagerado, mas o caso é o seguinte. Em 1788, depois de ter perdido as colônias da América do Norte, George 3º, o rei da Inglaterra, ficou maluco. Um ano depois, deu-se uma Revolução na França. Luís 16 foi deposto, preso e guilhotinado. Degolaram também sua mulher e barbarizaram a vida de seu filho, uma criança.

A revolução aconteceu na França porque lá o andar de cima perdeu a cabeça na defesa de privilégios e honrarias absurdos, pouco se lixando para a defesa das instituições que lhes pareciam sólidas. A cegueira dos franceses foi tamanha que madame Du Barry, namorada do avô de Luís 16, fugiu para Londres e vivia bem, até que decidiu voltar à França. Presa, foi para a lâmina.

AUTOAVACALHAÇÃO – Dois séculos e um oceano separam o Brasil do 21 e a França do 18. Muitos são os males que afligem Pindorama, mas uma parte da magistratura e do Ministério Público foram para uma coreografia de penduricalhos y otras cositas más. Armou-se um sistema de autoavacalhação institucional.

Dentro de uma legalidade que é desenhada pela magistratura, o Código do Processo Civil permite que assessorias jurídicas “podem ser exercidas de modo verbal”, sem necessidade “de formalização por contrato de honorários”. Em 2016, 10 dos 33 ministros do Superior Tribunal de Justiça tinham parentes advogando na corte.

Anos depois esse número passou para cerca de 15. Vá lá, quem trabalha de graça é relógio. A questão acaba sendo a forma como se trabalha.

SUPERSALÁRIOS – Graças aos penduricalhos, uma desembargadora de São Paulo recebeu R$ 678 mil líquidos em dezembro passado. São os supersalários, disseminados pelo país e pelas diversas instâncias. No ano passado, os penduricalhos custaram à Viúva R$ 6,7 bilhões. Os supersalários transbordaram para o Ministério Público. Todos legais, diria o conde de Artois, irmão de Luís 16.

O ministro Gilmar Mendes, do STF, reclamou dos penduricalhos, dizendo que “estamos vivendo um quadro de verdadeira desordem”. Astuciosa desordem, pois sempre custa à Viúva, jamais a remunera.

Astuciosa e potente, pois a repórter Rosane Oliveira foi condenada a indenizar uma juíza que recebeu R$ 662 mil partindo de um vencimento de R$ 35 mil. Tudo legal. O malfeito da repórter foi ter dado cifras aos bois.

GRATIFICAÇÕES – Os penduricalhos estabeleceram-se disfarçando-se como gratificações que poderiam ser cobradas retroativamente. Em abril, tentou-se saber a quanto ia a conta. Nada feito. Novo pedido, nova negaça. Numa gracinha típica da espécie, o Ministério Público de São Paulo decidiu conceder um mimo que pode chegar a R$ 1 milhão, indenizando os promotores pelos serviços prestados há décadas, quando eram estagiários.

Magistrados e procuradores sonham com a planilha salarial de Polichinelo. Contratado por 30 liras mensais, ele queria receber uma lira por dia, sete por semana, 15 por quinzena e 30 ao fim do mês.

Estavam assim as coisas quando o repórter Arthur Guimarães de Oliveira revelou que os penduricalhos do Ministério Público de São Paulo formaram um passivo de R$ 6 bilhões, ervanário equivalente a uma vez e meia o orçamento anual da instituição. Esse dinheiro não existe, mas as excelências correrão atrás dele.

Trump contradiz agências de inteligência e diz que Irã desenvolvia armas nucleares

Donald Trump não tem provas e decide a seu bel prazer

Deu na Folha

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse em carta ao Congresso que as instalações nucleares iranianas atingidas no sábado (21) por um bombardeio americano abrigavam “um programa de desenvolvimento de armas nucleares” —contradizendo as agências de espionagem dos EUA, que dizem que esse programa não existe.

O documento, enviado na segunda (23) para o presidente da Casa, o republicano Mike Johnson, e publicado hoje pela Casa Branca, afirma que as Forças Armadas americanas “conduziram um ataque de precisão contra três instalações nucelares no Irã usadas pelo governo da República Islâmica em seu programa de desenvolvimento de armas nucleares”.

RELATÓRIO NEGA – Não está claro em quais informações Trump se apoia para fazer essa afirmação. Em um relatório apresentado ao Congresso em março, a diretora de Inteligência Nacional dos EUA, Tulsi Gabbard, disse que o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, ainda não havia tomado uma decisão sobre reiniciar o programa de armas nucleares do país persa, abandonado oficialmente em 2003.

O órgão nuclear da ONU afirma que o Irã vem enriquecendo urânio a um nível além do necessário para usos puramente civis. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) diz que Teerã possui cerca de 400 kg de urânio enriquecido a 60% de pureza.

A maioria dos reatores nucleares para produção de energia elétrica necessita de urânio enriquecido a apenas 5%, enquanto armas atômicas geralmente utilizam material com pureza de 90% ou mais. Segundo especialistas, o Irã poderia rapidamente enriquecer os 400 kg já existentes para níveis ainda maiores de material físsil.

SEM PROVAS – Entretanto, a diferença crucial é que não há provas de que o regime tenha optado por seguir esse curso. Tecnicamente, o Irã ainda é membro do Tratado de Não Proliferação Nuclear (NPT), que barra a produção de armas nucleares por países que não as possuem, e tem desde 2003 há um fatwa —isto é, uma opinião jurídica islâmica— emitida por Khamenei proibindo o desenvolvimento da bomba atômica por Teerã.

Oficialmente, o regime diz que seu programa nuclear tem fins pacíficos. A carta de Trump ao Congresso americano dá a entender que o presidente ignorou as informações que tinha à disposição das agências de inteligência dos EUA ao ordenar o ataque sem precedentes contra as instalações nucleares de Fordow, Natanz e Isfahan, no Irã.

O caso levou analistas a traçarem comparações com as afirmações feitas por George W. Bush em 2003, quando buscou justificar ao mundo sua invasão do Iraque dizendo que o país tinha armas de destruição em massa. Essas armas nunca foram encontradas.

TRUMP NÃO LIGA – Antes do ataque contra o Irã, Trump foi questionado por jornalistas sobre o relatório de Gabbard negando a existência de um programa de armas nucleares iraniano. Na ocasião, o presidente respondeu: “Eu não ligo para o que ela disse. Eu acho que eles estão muito próximo de conseguir uma [bomba atômica]”.

Gabbard, uma aliada próxima de Trump, tentou amenizar suas afirmações ao Congresso, dizendo que a espionagem americana aponta que o Irã poderia produzir uma bomba “em semanas ou meses” se assim desejasse —um argumento também apresentado por Israel e seu primeiro-ministro, Binyamin Netanyahu.

Trump e seu secretário de Defesa, Pete Hegseth, dizem que o ataque americano “obliterou completamente” o programa nuclear iraniano. Um relatório confidencial revelado pela imprensa americana nesta terça (24), entretanto, aponta que o bombardeio teve o efeito de atrasar o programa somente em alguns meses.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Diante desse impasse, quando não há solução para nada, a gente lembra o célebre poema “Sete Faces”, de Carlos Drummond de Andrade, em que ele diz: “Mundo, mundo, vasto mundo, se eu me chamasse Raimundo, seria uma rima, não seria uma solução”. (C.N.)

Guerra em Gaza divide israelenses, mas ataque ao Irã une todos eles

rbscidade, onde é possível ver uma densa camada de fumaça se elevando em meio a prédios iluminados. O céu está parcialmente nublado, e as luzes da cidade se espalham ao fundo, criando um contraste com a escuridão da noite. A fumaça parece estar concentrada em uma área específica, sugerindo um possível incêndio ou explosão.

Míssil israelense explode em zona urbana na ,pitalx

Demétrio Magnoli
Folha

O Irã não era um país de fanáticos. Foi palco da Revolução Constitucional de 1906, fonte do primeiro parlamento no mundo muçulmano, extinto pelo monarca com apoio de tropas russas. Teve um governo nacionalista e democrático, de Mossadegh, um dos jovens líderes daquela revolução, entre 1951 e 1953, deposto no golpe articulado pela CIA e pelo MI6.

O fanatismo islâmico emergiu com a revolução de 1979 — ou melhor, com o triunfo da facção dos aiatolás no turbulento período pós-revolucionário. Daí nasceu o objetivo de exterminar Israel.

CONTRA O XÁ – A queda do xá Reza Pahlevi, em janeiro de 1979, resultou de um amplo movimento popular conduzido por islamistas, nacionalistas, democratas e comunistas.

O primeiro presidente da nova república, Abolhassan Banisadr, representava aquela aliança antimonárquica. Seu impeachment, em junho de 1981, assinalou a dissolução da aliança e a instauração do poder absoluto do clero xiita sob Khomeini. Na república islâmica, o governo oficial habita a masmorra do regime teocrático: o aiatolá manda, o presidente administra.

Dois golpes sucessivos propiciaram o triunfo da facção clerical. O primeiro, interno: a invasão da embaixada americana em Teerã e a tomada de seus funcionários como reféns por uma organização estudantil controlada por Khomeini, em novembro de 1979. O segundo, externo: a invasão do país pelo Iraque, em setembro de 1980, que deflagrou uma guerra devastadora de oito anos. Sob as crises justapostas, cancelaram-se as liberdades públicas.

PAÍS PERSA – O Irã não é um país árabe, mas persa. O regime dos aiatolás engajou-se na missão de enterrar a tradição persa, enraizando sua legitimidade no solo do Islã. O fundamentalismo islâmico funcionou como ferramenta de projeção de influência no mundo árabe.

Por isso, o Estado clerical funda-se na hostilidade aos EUA (o “Grande Satã”) e a Israel (o “Pequeno Satã”). O antissemitismo e seu corolário, a negação do Holocausto, esculpe o discurso dos aiatolás. De nação, o Irã tornou-se uma cruzada.

Nessa moldura, a questão palestina, tema caro aos árabes mas não aos persas, surge como pretexto estratégico do regime. A invocação do direito nacional palestino nutriu a política externa do Irã, abrindo-lhe caminho para uma rede de alianças no mundo árabe: o “eixo da resistência” envolveu a Síria de Assad, o Hezbollah xiita no Líbano e o Hamas sunita nos territórios palestinos.

EXTERMINAR ISRAEL —Eis a meta geopolítica definida pelo Irã dos aiatolás. De fato, um Irã nuclear ameaçaria a sobrevivência do Estado judeu. Por isso, o ataque ao Irã exprime um consenso social em Israel e na diáspora judaica. A guerra em Gaza, brutal e criminosa, divide os israelenses, mesmo depois dos bárbaros atentados do Hamas.

Mas a deflagração de um confronto decisivo com o regime iraniano unifica todas as correntes políticas relevantes em Israel.

O objetivo oficial do ataque ao Irã, destruir o programa nuclear do país, depende das megabombas antibunker dos EUA. Contudo, pode-se atingi-lo por meio do objetivo oficioso: a queda do regime dos aiatolás. A antiga bandeira nacional iraniana, substituída após a revolução de 1979 mas ainda utilizada pelas comunidades iranianas no exílio, exibe o leão persa à frente do sol nascente. Israel batizou sua operação militar como Rising Lion, Leão Nascente.

“Os Três Reis Magros”, um soneto bem humorado de Olegário Mariano

OLEGÁRIO MARIANO (1889-1958) - POESIA DOS BRASIS – PERNAMBUCO -  www.antoniomiranda.com.br

Olegário, retratado por Portinari

Paulo Peres
Poemas & Canções

O diplomata, político e poeta pernambucano Olegário Mariano Carneiro da Cunha (1889-1958), num soneto bem-humorado, afirma conhecer uma mulher que amou “Os Três Reis Magros”, ou seja, três peraltas, cada qual pior, na opinião do poeta.

OS TRÊS REIS MAGROS
Olegário Mariano

Amas a três peraltas. Dividida
tua alma é deles. Cada qual pior.
Andam-se engalfinhando toda a vida…
Gaspar e Baltasar e Melchior.

Este joga foot-ball. É um rei do sport,
difícil de levar-se de vencida.
Aquele tem uma barata Ford.
E o outro é um bate-calçadas da Avenida.

Isso é um nunca acabar! De luta em luta,
de mentira em mentira, esperta e astuta,
vais a vida levando…Mas bem vês:

tornas teus dias cada vez mais agros
e, dando o coração aos três reis magros,
ficas mais magra do que todos os três.

Bolsonarista pede que EUA decidam logo as sanções para punir Moraes

A imagem mostra uma audiência em um comitê, com várias pessoas sentadas em cadeiras. No primeiro plano, há um homem de terno e uma mulher, ambos em uma mesa com garrafas de água. Ao fundo, há uma parede decorada com bandeiras e quadros, e várias pessoas, incluindo homens com turbantes, estão sentadas em fileiras. O ambiente é bem iluminado e possui um teto ornamentado.

Paulo Figueiredo depôs pela segunda vez no Congresso

Deu na Folha

O ex-comentarista da Jovem Pan Paulo Figueiredo pediu nesta terça-feira (24) à Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos que recomende sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), em 30 dias.

Figueiredo, que mora nos EUA há dez anos, repetiu o argumento de que Moraes extrapola suas funções e viola os direitos de cidadãos em solo americano, em nova investida contra o magistrado. Ele figurou como testemunha em sessão do colegiado que ouviu outras cinco pessoas de nacionalidades diferentes sobre o que seriam violações transnacionais cometidas por agentes de seus países.

LEI MAGNISTKY – “Os EUA têm ferramentas poderosas, como a Lei Magnistky. Eu urjo para recomendarem sanções a Moraes nos próximos 30 dias”, afirmou o ex-comentarista.

O depoimento foi prestado diante do copresidente da comissão, o democrata James P. McGovern, em uma sessão esvaziada de congressistas. Em determinados momentos, o deputado americano discordou do comunicador sobre uma alegada censura e perseguição a opositores de Moraes.

A oitiva de Figueiredo faz parte de movimento de aliados de Jair Bolsonaro (PL), incluindo Eduardo Bolsonaro (PL-SP), para que a Casa Branca puna o membro do Supremo. O filho do ex-presidente, inclusive, licenciou-se do mandato de deputado federal para morar nos EUA e negociar as sanções.

À ESPERA DE TRUMP – A expectativa dos bolsonaristas é que o presidente Donald Trump chancele punições econômicas ao ministro, o que ainda não foi concretizado.

O ex-comentarista da Jovem Pan chamou Moraes de “ditador disfarçado de juiz” e citou outras pessoas em território americano que foram alvos dele, como o bolsonarista Allan dos Santos, além de Elon Musk, dono do X (ex-Twitter), e Chris Pavlovski, CEO do Rumble.

“Hoje, Moraes me insulta me chamando de fugitivo. Ele alega que tem um mandado secreto contra mim, e eu não fui formalmente condenado, e nem sei se meu nome está na Interpol”, afirmou na comissão.

DISCORDÂNCIAS – James McGovern discordou de Figueiredo quando o comunicador abordou o inquérito das fake news e quando discutiu sobre a perseguição a jornalistas e políticos no Brasil e nos EUA.

Na primeira ocasião, Figueiredo afirmou que a investigação do Supremo é usada pela corte como instrumento de perseguição e repressão a conservadores. Nesse ponto, o copresidente afirmou que eles “concordariam em discordar” sobre a finalidade das apurações, sem se aprofundar na questão.

No segundo momento, McGovern afirmou, após Figueiredo dizer se sentir seguro em terras americanas, se sentir feliz pelo ex-comentarista, mas que ele próprio não se sentia seguro como legislador, citando casos recentes de violência policial. O brasileiro o questionou, então, se há políticos presos nos Estados Unidos, e o democrata respondeu que sim.

SENADOR ALGEMADO – Há duas semanas, o senador democrata Alex Padilla foi empurrado para fora de uma sala, jogado no chão e algemado por agentes de segurança. Ele tentava fazer uma pergunta durante uma entrevista coletiva da secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, sobre os protestos na Califórnia.

Figueiredo foi denunciado pela PGR (Procuradoria-Geral da República) acusado de participar na trama golpista que impediria a posse do presidente Lula (PT). Antes, já investigado, teve seu passaporte cancelado por Moraes.

O ex-comentarista prestou depoimento na comissão pela primeira vez no ano passado. Desta vez, disse que se os EUA não tomarem uma atitude contra Moraes, o Brasil pode virar “uma Venezuela”, se referindo a um governo autoritário, diferente da democracia que prevalece no país.

O avanço unilateral dos EUA e o silêncio da ordem mundial

Trump aproveita o vácuo de autoridade internacional

Pedro do Coutto

A mais recente ofensiva americana contra bases iranianas marca um novo e perigoso capítulo na já conturbada geopolítica do Oriente Médio. Utilizando bombas de penetração capazes de atingir até 90 metros no subsolo, os Estados Unidos demonstram não apenas seu poderio militar, mas sua disposição em liderar uma reconfiguração unilateral da ordem global.

O ataque, realizado sob a justificativa de dissuadir avanços iranianos e em apoio tácito a Israel, provocou resposta imediata de Teerã, que lançou mísseis contra bases americanas no Catar.  A movimentação ocorre em meio a um vácuo de autoridade internacional.

SEM VOZ ATIVA – As Nações Unidas, fragilizadas por anos de ineficácia e politização, assistem sem voz ativa. O embaixador brasileiro Celso Amorim, em recente entrevista, reconheceu esse descompasso institucional, apontando que a ordem mundial vigente está sendo gradualmente superada por ações unilaterais, à revelia de qualquer consenso multilateral. O Conselho de Segurança permanece paralisado, refém dos interesses dos membros permanentes.

Donald Trump, em um movimento político calculado, anunciou que Israel e Irã teriam aceitado um cessar-fogo. A declaração teve impacto imediato nos mercados: o preço do petróleo caiu e os índices de Wall Street subiram. Trump tenta se posicionar como figura central na diplomacia internacional, mesmo que por meio da força. Ao se apresentar como árbitro supremo de um conflito complexo, ele redefine a lógica da mediação: não mais pela construção de pontes, mas pela imposição de limites.

A resposta iraniana, embora ruidosa, foi cuidadosamente calibrada. Teerã optou por uma retaliação simbólica, preservando o equilíbrio entre firmeza e prudência. O regime dos aiatolás sabe que, apesar do discurso inflamado, um confronto direto com os Estados Unidos seria desastroso. A ameaça do Parlamento iraniano de fechar o Estreito de Hormuz – rota por onde passa 20% do petróleo mundial – é reveladora: trata-se de uma carta geopolítica de alto risco, mas cujo simples anúncio já serve como instrumento de pressão internacional.

DISTÂNCIA – Enquanto isso, a China permanece distante. O governo de Pequim, embora preocupado com a estabilidade regional – especialmente por suas relações comerciais com o Irã e o Golfo –, evitou se envolver diretamente. A prioridade da liderança chinesa continua sendo a estabilidade interna e a contenção dos conflitos periféricos.

A Rússia, por sua vez, enfraquecida por uma guerra prolongada e inconclusiva na Ucrânia, não dispõe de recursos militares ou diplomáticos para interferir de forma eficaz no Oriente Médio. O desequilíbrio é evidente: a hegemonia norte-americana avança sem antagonistas à altura.

Essa configuração global aproxima o mundo de uma arquitetura baseada no poder e não no diálogo. A centralização das decisões em torno de Washington reaviva um modelo unipolar que parecia superado após o fim da Guerra Fria. Ao contrário do multilateralismo proposto por diversas nações – inclusive o Brasil –, a atual dinâmica privilegia ações rápidas, pouco transparentes e marcadas por interesses nacionais imediatos. O risco maior reside na normalização do uso da força como ferramenta primária de resolução de conflitos.

COMPROMISSO – O presidente Lula da Silva, ao condenar a ofensiva norte-americana, reafirma o compromisso do Brasil com a paz e o direito internacional. Sua postura dialoga com uma tradição diplomática brasileira que privilegia o respeito à soberania dos povos e a busca por soluções negociadas. No entanto, diante da atual correlação de forças, a influência de vozes moderadas é limitada. A diplomacia precisa ser acompanhada de reformas institucionais, que fortaleçam organismos multilaterais e inibam ações unilaterais de potências armadas.

A população civil, como sempre, paga o preço mais alto. A cada explosão, cresce o número de deslocados, mutilados e mortos. A guerra, com sua estética de poder e domínio, esconde o drama humanitário que se alastra por Gaza, Teerã, Beirute e outras cidades vulneráveis da região. A ideia de que se pode impor a paz por meio da violência continua sendo uma falácia perigosa, que apenas posterga as soluções reais e perpetua o sofrimento coletivo. A consciência internacional deve se reerguer diante desse ciclo de brutalidade.

OPINIÃO PÚBLICA – O papel da opinião pública global, embora fragmentado, ainda pode ser determinante. Organizações civis, movimentos pela paz e setores acadêmicos têm o dever de iluminar os bastidores da geopolítica e exigir responsabilidade dos líderes mundiais. A paz não é um ideal utópico, mas uma necessidade urgente num mundo interconectado e ambientalmente frágil. Cada conflito regional tem potencial para se tornar um incêndio planetário. A contenção deve ser priorizada, e não a revanche.

O que está em jogo é a própria capacidade da humanidade de superar sua lógica de destruição. A ofensiva americana e a reação iraniana são apenas expressões de um sistema internacional desequilibrado, onde a força predomina sobre a razão. Enquanto isso, a guerra segue como ameaça constante, travestida de solução. Resta à diplomacia – ainda que enfraquecida – lembrar que o mundo não precisa de reis ou impérios, mas de líderes que respeitem a dignidade humana e o direito à vida em paz.

Ex-comandante do Exército muda versão e defende Anderson Torres

Ex-comandante Freire Gomes afirma que Bolsonaro discutiu minuta golpista  semelhante à encontrada na casa de

Freire Gomes acusou e agora defende Anderson Torres

Eduardo Barretto
Estadão

O advogado Eumar Novacki, que defende o ex-ministro da Justiça Anderson Torres, afirmou nesta terça-feira, 24, que Torres não participou de reuniões de teor golpista com o ex-presidente Jair Bolsonaro e ex-comandantes militares. Mais cedo, Torres e o general Marco Antônio Freire Gomes, ex-comandante do Exército, fizeram uma acareação no Supremo Tribunal Federal (STF).

Nesse procedimento, pessoas que deram versões conflitantes em um processo judicial ficam frente a frente para tentar esclarecer os fatos.

GENERAL MENTIU – “A acareação foi importante para esclarecer fatos que a defesa vinha sustentando: o ex-ministro da Justiça não participou de reunião com o ex-presidente e os ex-comandantes das Forças Armadas para discutir qualquer medida antidemocrática e tampouco assessorou o ex-presidente em medidas dessa natureza”, afirmou Novacki à Coluna do Estadão.

Durante a acareação, Freire Gomes mudou sua versão e disse que Torres “jamais opinou no sentido da quebra do Estado de Direito”, e que o ex-ministro “jamais incentivou qualquer ato fora da legalidade”.

O general afirmou não se lembrar de quais reuniões participou com Torres. Genericamente, citou reuniões ministeriais, ressaltando que podem ter acontecido antes da eleição de 2022.

ACUSAÇÃO FORTE – Anderson Torres é réu na ação penal do golpe. Foi acusado pela Procuradoria-Geral da República como uma espécie de assessor jurídico do golpe. A defesa nega que ele tenha escrito a minuta golpista para anular o resultado da eleição de 2022 e decretar intervenção no Tribunal Superior Eleitoral.

O documento foi apreendido pela Polícia Federal na casa de Torres. O advogado afirma que foi dado um “peso descomunal” a um arquivo “absurdo e apócrifo”, acrescentando que o material já circulava na internet.

O ex-ministro da Justiça de Jair Bolsonaro ficou preso preventivamente entre janeiro e maio de 2024, por supostos crimes no 8 de Janeiro. Ele era secretário de Segurança Pública do Distrito Federal no dia do ataque golpista aos três Poderes. Desde maio do ano passado, Torres continua usando tornozeleira eletrônica e cumprindo medidas cautelares, como restrições de horário para sair de casa.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Não se pode confiar na memória de Mauro Cid ou de Freire Gomes. Ambos são capazes de dar informações gravíssimas que depois são plenamente desmentidas, algo que não condiz com a missão de membros das Forças Armadas. Tenho vergonha dessa gente. (C.N.)

‘Cid não retrucou ao ser chamado de mentiroso’, diz advogado de Braga Netto

Braga Netto diz que delator Mauro Cid mentiu em depoimentoMateus Coutinho
do UOL

O ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL), o tenente-coronel Mauro Cid, não saudou o general Walter Braga Netto na acareação hoje no STF (Supremo Tribunal Federal), apesar de ser seu superior militar. “Cid permaneceu com a cabeça baixa”, descreveu o advogado José Luís de Oliveira Lima.  

O advogado afirmou que Cid ficou cabisbaixo e não retrucou quando foi chamado de mentiroso por Braga Netto. “Uma pena que não tenha sido gravada a cena”, por imposição do relator Alexandre de Moraes.

PONTOS DE VISTA  – A defesa de Cid rebate advogado de general, nega o episódio e diz que em nenhum momento Braga Netto se dirigiu diretamente a Cid nem o chamou de mentiroso. Segundo o advogado de Cid, Braga Netto teria se dirigido a Moraes e afirmado que era mentira a alegação de que ele teria entregado dinheiro a Cid.

Não há registro dessa cena nos autos. A descrição da reunião não registra esse episódio especificamente, apenas aponta que os dois mantiveram versões diferentes sobre os episódios citados na delação premiada.

Na acareação, não foram feitos registros em imagem nem foi permitido o uso de celulares. Somente foi redigida uma ata após o término da sessão, seguindo decisão de Moraes. O encontro foi feito para esclarecer divergências no que falaram sobre a tentativa de golpe de Estado.

MANTIVERAM AS VERSÕES – Ata da acareação não detalha a versão relatada pela defesa de Braga Netto. Documento traz registros dos depoimentos dos dois durante os interrogatórios e aponta apenas que, frente a frente, eles mantiveram as versões apresentadas antes e que as contradições entre os dois relatos w

Assim, a contradições são as mesmas de interrogatórios. O delator e o general apresentaram versões diferentes sobre reunião de miltares na residência de Braga Netto em novembro de 2022 e sobre entrega de dinheiro em espécie para Mauro Cid. Fatos já haviam sido mencionados antes na investigação e durante os interrogatórios dos réus acusados se integrarem o “núcleo crucial” da tentativa de golpe de Estado.

Os dois militares ficaram frente a frente pela primeira vez desde que Braga Netto foi preso. O general foi o primeiro a chegar, por volta das 9h30. Eles se reuniram, por cerca de uma hora e meia, em uma sala de audiências do STF (Supremo Tribunal Federal), em sessão conduzida presencialmente pelo ministro Alexandre de Moraes. O ministro Luiz Fux também esteve presente e fez duas perguntas.

SEM GRAVAÇÃO – A defesa de Braga Netto reclamou de violação do processo por não poder ter gravação. Oliveira Lima disse que vai recorrer no processo e à OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) porque foi negada essa importante prerrogativa de o advogado gravar a acareação da qual seu cliente participa.

Questionado se vai pedir anulação da delação, ele disse que “evidentemente que sim”. Novamente, criticou a delação e disse que Cid não tem provas “de nada”.

“Mente muito”, insistiu Oliveira. Ele disse que Cid mencionou um terceiro local onde teria recebido o dinheiro de Braga Netto. Entre as possibilidades, estariam duas garagens e uma sala no Alvorada. Ele ainda rebate detalhes da entrega, como que, se a caixa estava lacrada, Cid não teria como saber se havia dinheiro lá dentro.

DESMORALIZAÇÃO – Celso Vilardi, advogado de Jair Bolsonaro, considerou “lamentável a sessão não ter sido transmitida”. “O delator fez o que tem feito reiteradamente. Ele mentiu e, no meu modo de ver, foi desmoralizado.”

A defesa de Bolsonaro criticou Cid e elogiou Braga Netto. Sobre Cid, disse que “contradições são o que ele apresenta cotidianamente”.

“Ele não consegue sanar [as contradições]. Quando aperta, ele não lembra”, disse Vilardi. Já sobre as falas do general, ele considerou que “mais uma vez ratificou que, após a reunião do dia 7 [de dezembro de 2022], o presidente Bolsonaro não fez mais nada”. “Ele concordou e desistiu de tudo.”

DELAÇÃO CONTESTADA – A delação de Cid foi decisiva para a denúncia da PGR contra o “núcleo crucial”. Foram acusados Bolsonaro, Braga Netto e outras seis pessoas por tentativa de golpe. As defesas do ex-presidente e do ex-ministro tentam anular o acordo e colocar em xeque a credibilidade dos relatos de Cid.

Advogado do general Mário Fernandes foi barrado ao tentar entrar no STF. Marcus Vinicius Figueiredo ficou cerca de 20 minutos na portaria e depois foi embora. Fernandes, que teria elaborado o “Punhal Verde e Amarelo”, foi denunciado em outro núcleo e, por isso, a participação de seu advogado não estava autorizada na acareação de hoje.

Defesas apontam duas principais divergências nas versões de Cid e Braga Netto. Eles questionam as declarações de Cid sobre a reunião na residência do general para supostamente discutir um plano para monitorar e matar autoridades. O segundo ponto é o suposto repasse de dinheiro para financiar a ação.

DINHEIRO VIVO – Em sua delação, Cid afirmou ter recebido dinheiro vivo de Braga Netto em uma caixa de vinho. Em seguida, o montante teria sido entregue para o major Rafael de Oliveira, um dos envolvidos no “Punhal Verde e Amarelo”, suposto plano para matar o presidente Lula (PT), o vice Geraldo Alckmin (PSB) e o ministro Alexandre de Moraes.

Braga Netto nega. Ele confirma o pedido, mas diz que nunca entregou dinheiro a Cid e que tomou conhecimento do plano “Punhal Verde e Amarelo” pela imprensa.

Moraes também autorizou acareação entre o ex-ministro Anderson Torres e o ex-comandante do Exército Freire Gomes. Os dois falaram após a sessão de Cid e Braga Netto.

ANULAÇÃO IMPROVÁVEL– Como mostrou o UOL, porém, a anulação dos termos de Cid pelo STF é improvável. Histórico da Corte mostra que, mesmo em casos em que delatores mentiram, as provas e relatos apresentados por eles foram mantidos após a PGR (Procuradoria-Geral da República) renegociar os termos do acordo.

O STF nunca anulou um acordo da própria Corte. Essa medida é vista como improvável de acontecer, pois significaria para o tribunal reconhecer que eles cometeram os mesmos equívocos cometidos pela Operação Lava Jato, em Curitiba, que teve várias condenações anuladas justamente pelo STF.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Fica cada vez mais claro que Moraes age no sentido de preservar Mauro Cid, cuja delação chega a ser patética, pois não apresenta as provas. Assim, pode-se dizer que no Brasil já não há mais militares e juízes como antigamente. A nação está comprometida, sem a menor dúvida. (C.N.)

Governo terá de fazer “gatos” para evitar apagões precoces no gasto público

Como você pode associar a charge abaixo ao Absolutismo antigo sistema?​ -  brainly.com.br

Charge do Junião (Arquivo Google)

Vinicius Torres Freire
Folha

O que vai sair do pacote de medidas “estruturantes” e do catadão de dinheiros para cobrir o buraco das contas do governo em 2025 e 2026? Um troço desestruturado.

O governo declara que não quer conter o aumento de despesa. O Congresso, com cara-de-pau cínica, apenas cobra a contenção do gasto que frequentemente aumenta. Vão sobrar gambiarras a fim de manter a luz acesa em 2025. Para 2026, continua o risco de apagão, antes previsto para 2027.

PODIA SER PIOR – A revolta contra impostos, falta de pagamento de emendas parlamentares e a pré-campanha eleitoral vão depenar os planos do governo de aumentar impostos. Poderia ser pior.

Graças a Donald Trump, diminuiu o risco de a situação macroeconômica degringolar no Brasil, no curto prazo. O dólar ficou mais fraco pelo mundo e por aqui. A economia mundial em marcha mais lenta contém o preço de commodities como o petróleo.

A China, de resto praticamente em deflação, desova mais produtos baratos no mercado internacional. A grande safra no Brasil deve contribuir para a conter a carestia dos alimentos.

INFLAÇÃO – A inflação deste 2025 pode embicar na direção de 5%, muito acima da meta, mas desacelerando mais do que o previsto —poderia ser pior, com contaminação maior da inflação de 2026. As taxas de juros no atacadão do mercado de dinheiro estão mais contidas em seu nível ainda horrível.

Como a biruta do comportamento de Trump varia de acordo com os ventos de seus oportunismos e necessidades circunstanciais de seu projeto tirânico, não conviria contar com essa sorte provisória.

Por aqui, o problema crítico de 2027 nas contas públicas começou a brotar antes do que se esperava. Haddad diz que oposição faz ‘molecagem’, e bate-boca encerra comissão na Câmara.

COM GAMBIARRAS – Sem aumento de imposto, o governo apenas cumprirá as metas relaxadas do arcabouço fiscal por meio de gambiarras piores ou também de um arrocho agônico no que resta do dinheiro que já não está destinado a despesas obrigatórias.

A lambança do IOF não deve render mais do que um terço da receita prevista. O buraco seria compensado por um catatau de dinheiros a cobrar neste ano e por medidas “estruturantes”.

Já o risco de que passe apenas parte até do catado de dinheiros, composto de mais imposto sobre “bets”, sobre fintechs, juros sobre capital próprio e um boato sobre tributação de criptoativos, por exemplo, dinheiros que poderiam ser cobrados neste ano.

ALTERNATIVA VÃ – A medida “estruturante” que sobrou, que taparia o buracão fiscal de 2026, pode cair inteiramente. Trata-se da cobrança de IR sobre o ganho com aplicações financeiras ora isentas, tais como aquelas que financiam o agro, o setor imobiliário e, talvez, infraestrutura. Em si, essa tributação faz sentido. Mas serve agora apenas para cobrir contas no vermelho; quem a ela se opõe, em geral quer apenas manter o privilégio de sua isenção tributária.

No que resta, o governo deve bater na porta de estatais, pegando mais dividendos, aqueles que no início do Lula 3 seriam cortados de modo a haver mais investimento de “empresas estratégicas”.

PETRÓLEO – O governo deve tentar aumentar a arrecadação com o setor de petróleo, que por prevenção já reclama de quebra de contratos. A ideia seria antecipar receitas, um tipo de gambiarra histórica em desarranjos fiscais.

Mesmo assim, talvez falte ainda algum, sendo então necessário contingenciamento (contenção) extra de despesa.

Em resumo, o governo terá de fazer “gatos” fiscais a fim de evitar apagões na máquina pública e no investimento.

Jornalismo de memória bisonha esquece papel de Bernardo Cabral na Constituinte

USS (Univassouras) 2019/1 Na charge, Henfil (1944-1988) representa algumas das - Estuda.com ENEM

Charge do Henfil sobre a Constituinte (Arquivo Google)

Vicente Limongi Netto

Inacreditável, página inteira do Correio Braziliense (23/06) sobre a Constituição, sem registrar nenhuma referência ao relator-geral da Constituinte, o então deputado Bernardo Cabral. Jornalismo capenga e incompleto.  É o fim da picada. O texto também chama Nelson Jobim de ex-ministro do STF. Na verdade, Jobim é ministro aposentado da Suprema Corte. 

 Muita conversa fiada nas letrinhas. Diversos personagens citados. ânsia danada de aparecerem. Bernardo Cabral foi eleito relator-geral, em eleição pelo voto, disputando a função com os constituintes Pimenta da Veiga e Fernando Henrique Cardoso.

José Fogaça, ex-senador e ex-deputado federal, trabalhou com Cabral como relator adjunto, juntamente com Antônio Carlos Konder Reis e Adolfo Oliveira. Ambos no céu.  Fogaça testemunhou, diária e noturnamente, os esforços de Bernardo Cabral para o bom êxito dos trabalhos. Seria correto se o jornalista Vanilson Oliveira, autor da matéria, procurasse ouvir Bernardo Cabral, faz muito tempo morando no Rio de Janeiro. Certamente o depoimento de Cabral enriqueceria o trabalho do repórter. 

PIOR DA COPA – As televisões estão repletas de pavorosas chatices. Torturam a alma e a paciência. Como desgraça é pouca, apareceu agora outra porcaria chamada “Central da Copa”, na Globo. Canal que adora ter o monopólio de tudo que não presta. Ainda ganha prêmios. Incrivelmente ruim. Com um bando de cavalinhos medonhos e intragáveis, emprestados do Fantástico.

Tadeu Schmidt tenta ser engraçado. Não consegue. Faz caras e bocas, as mesmas que costuma fazer na série BBB. Há quem goste. Embrulha para servir com pipocas.  Com ele, um obscuro Paulo Nunes, ex-jogador destalentado. Analista pior ainda. Forma boa dupla de horror com Tadeu.

Completando o fiasco de apelações, enfiaram no ar um mágico. Deus do céu! Ninguém merece. Poderia fazer algo de bom no tal programa de última, já que se diz mágico, e fazer desaparecer os deploráveis cavalinhos. Quem sabe, com mais um pouco de esforço, sumir também com Paulo Nunes e Tadeu Schmidt.

COMÉRCIO EM ALTA – Pesquisa realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o índice da Intenção de Consumo das Famílias apresentou crescimento de 0,5% em junho, já descontando os efeitos sazonais.

O percentual representa o melhor resultado mensal registrado desde maio de 2024, embora na comparação anual permaneça a trajetória de queda. Com o nono mês consecutivo de retração, a variação atingiu o patamar de -1,3% no comparativo com o mesmo período no ano passado.

O maior destaque positivo no mês foi o aumento de 2,5% no componente Acesso ao Crédito, que avançou 2,2% na variação anual. Esta é a quinta alta mensal consecutiva desse indicador, impulsionada por medidas que ampliaram a liquidez no mercado financeiro. De acordo com o estudo, 32,6% dos consumidores percebem maior facilidade para obter crédito, o maior pico desde abril de 2020.

Se for eleito presidente, Tarcísio pretende dar indulto a Bolsonaro?

Tarcísio diz que trabalho da Infraestrutura é 'técnico' e com 'tolerância  zero à corrupção' | Jovem Pan

Tarcísio trabalha para ter forte apoio do eleitor evangélico

Geovani Bucci
(Broadcast)

A declaração do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), primogênito do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), de que o candidato à Presidência apoiado pelo pai deve fazer “uso de força” com o Supremo Tribunal Federal (STF) e conceder indulto ao capitão reformado, deu voz a uma expectativa já embutida no cálculo político de líderes estaduais com ambições ao Planalto.

Cotado como o nome favorito do mercado financeiro para 2026, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) — que mantém boa relação com ministros do STF —, terá de “beber desse cálice” se quiser herdar o espólio bolsonarista e viabilizar sua candidatura.

COMO ESCOLHER? – Bolsonaro vai escolher quem apoiar não tanto pela lógica eleitoral — ou seja, quem tem mais chances de vencer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na reeleição —, mas, sim, por quem conseguir preservar seu poder político e, de alguma forma, amenizar seus problemas jurídicos, especialmente no caso de uma eventual condenação que o leve à prisão.

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), já declarou que, caso seja eleito presidente, seu primeiro ato será livrar o capitão de responsabilizações criminais e conceder anistia aos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.

A mesma tentativa de conquistar o eleitorado fiel ao ex-presidente foi adotada pelo governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), que se disse “totalmente favorável” ao indulto. Embora não tenha se pronunciado especificamente sobre Bolsonaro, o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), já endossou com veemência a pauta da anistia.

DISCRETAMENTE – Tarcísio também evita posicionamentos diretos sobre o tema — assim como ainda não afirmou que pretende disputar a Presidência. No entanto, uma reportagem do Estadão revelou que Tarcísio já recebeu um sinal de apoio do ex-presidente, em uma eventual chapa encabeçada pelo governador com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) como vice.

Apesar de defender Bolsonaro, o governador DE São Paulo adota uma postura cautelosa de aplicar rigorosamente a agenda bolsonarista, mas com concessões ao centro — como ao recuar da retirada das câmeras nos uniformes policiais, gesto que evidenciou seu diálogo com o STF, o que rendeu elogios públicos do presidente da Corte, Luís Roberto Barroso, na época.

Nesse sentido, há uma percepção dentro do próprio bolsonarismo de que a candidatura de Tarcísio representaria, na verdade, o mainstream — incluindo eventualmente o apoio do mercado financeiro e da elite política tradicional.

PRECISA SUPERAR – Essa desconfiança é algo que o governador de São Paulo precisa superar, de acordo com o cientista político e sócio da Tendências Consultoria, Rafael Cortez.

“A percepção de que Tarcísio é uma versão mais moderada do bolsonarismo me parece muito mais ligada ao estilo — ao jeito de discursar, de se apresentar em público — do que a qualquer diferença real de conteúdo programático”, diz Cortez.

A chave de 2026 está em saber se a candidatura de Tarcísio conseguirá oferecer a Bolsonaro e ao seu núcleo a segurança de algum prestígio político no pós-eleição — caso ele esteja condenado —, ao mesmo tempo em que se sustenta como um projeto da centro-direita com respaldo do establishment.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Excelente análise de Geovani Bucci, mas o futuro é duvidoso, já dizia Cazuza. Há outras variáveis importantíssimas, como a saúde de Bolsonaro, que continua batendo pino, e a idade avançada de Lula, com prazo de validade totalmente vencido. Se Lula não disputar, haverá muitos candidatos de direita, favorecendo seu substituto na chapa petista, que deve ir ao segundo turno junto com o direitista mais forte, que parece ser mesmo Tarcísio de Freitas, que está trabalhando para ter expressivo apoio evangélico.  (C.N.)

Israel e Irã respeitaram o cessar-fogo, mas Gaza e Ucrânia seguem em guerra

Guerra na Ucrânia: Veja mapas e fotos das batalhas mais importantes do 1º  ano do conflito | Mundo | Valor Econômico

Enquanto isso, na Ucrânia, nada de novo no front ocidental

Jamil Chade
do UOL

O presidente dos EUA, Donald Trump, acusou nesta terça-feira Israel e Irã de violarem o acordo de cessar-fogo. Segundo a Casa Branca, ele teria ligado do Air Force One, nave que o transportava para a cúpula da OTAN, ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, dando uma mensagem “direta” sobre a necessidade de suspender os ataques.

“O primeiro-ministro entendeu a gravidade da situação e as preocupações expressas pelo presidente Trump”, disse a Casa Branca. Em seguida, Netanyahu anunciou que seu país se abstém “de novos ataques”.

EXPECTATIVAS – “Na ligação, o presidente Trump expressou seu profundo apreço por Israel, dizendo que o país havia alcançado todos os objetivos da guerra. Ele também expressou confiança na estabilidade do cessar-fogo”, disse o comunicado do governo dos EUA.

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que respeitará o acordo de trégua se Israel também o fizer. ”Se o regime sionista não violar o cessar-fogo, o Irã também não o violará”, afirmou durante uma conversa telefônica com o primeiro-ministro malaio, Anwar Ibrahim, de acordo com o site da presidência.

Fontes diplomáticas confirmaram ao UOL, entretanto, que o status do cessar-fogo “é uma grande incógnita”. A esperança de negociadores é de que as acusações e disparos da madrugada desta segunda-feira sejam apenas um esforço político de ambos os lados para ter “a última palavra” antes de os canhões silenciarem.

TRAGA SEUS PILOTOS – Diante das acusações mútuas entre Israel e Irã, Trump foi às redes sociais e ordenou que Israel parasse os ataques. “Israel, não jogue essas bombas. Se vocês fizerem isso, será uma grande violação. Traga seus pilotos para casa agora”, disse. Minutos depois, o presidente afirmou que Israel não atacaria o Irã. “Todos os aviões vão fazer a volta e ir para casa”, afirmou, reassegurando a validade do cessar-fogo.

Na segunda-feira, para a surpresa da comunidade internacional, Trump afirmou que tanto Israel como o Irã tinham aceitado o acordo e que ele iria entrar em vigor seis horas depois daquela declaração, à meia-noite do horário de Washington.

Os dois países, porém, se mantiveram em silêncio e houve dúvida se o acordo existia de fato. Mas, no horário estabelecido, o governo israelense confirmou que concordou com a proposta, 12 dias após dar início ao conflito militar direto com o Irã.

CONFIRMAÇÃO – “Israel agradece ao presidente Trump e aos EUA por seu apoio na defesa e sua participação na eliminação da ameaça nuclear iraniana”, disse o governo.

“Em vista da realização dos objetivos da operação e em total coordenação com o presidente Trump, Israel concordou com a proposta do presidente para um cessar-fogo bilateral”.

O acordo, porém, foi atingido depois de Israel ter “alcançado todos os objetivos da operação, removendo a dupla ameaça existencial imediata de si mesmo – tanto no campo nuclear quanto no de mísseis balísticos”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Temos uma oportuna e fugaz esperança de paz, até porque Israel e Irã já estavam ficando sem munição. Infelizmente, porém, seguem os ataques em Gaza, porque Israel não recua do sonho da usurpação de todo aquele litoral. E neste eterno mundo cão, nada de novo no front ocidental. (C.N.)

Ao pretender regular redes sociais, STF acabou caindo numa armadilha 

Polarização política é armadilha para STF ao regular as redes sociais, diz professor da ESPM | WWDeu na CNN

O Supremo Tribunal Federal (STF) se colocou em uma situação complexa ao direcionar o debate sobre a regulação das plataformas digitais para questões que polarizam a sociedade. Esta é a avaliação do advogado Marcelo Crespo, professor e coordenador do curso de Direito da ESPM, durante sua participação no programa WW Especial, da CNN.

O programa, apresentado pelo William Waack, abordou a responsabilização de plataformas digitais por conteúdos postados por usuários. O assunto é tema de julgamento no Supremo, que deverá retomá-lo nesta quinta-feira, dia 25.

POLARIZAÇÃO – Segundo Crespo, o debate no STF acabou se concentrando em aspectos que pressionam a sociedade de forma midiática, resultando em uma polarização entre esquerda e direita.

“É bastante comum a gente ver pessoas discutindo esse tema, dizendo que se você defende o Supremo você está defendendo a esquerda, e se você defende a liberdade de expressão você está defendendo a direita”, explica o professor.

O especialista destaca que o STF acabou amplificando o debate sobre o artigo 19 do Marco Civil da Internet, que estabelece a necessidade de decisão judicial para remoção de conteúdo. “É uma tese muito ingrata você discutir se um dispositivo legal criado por meio do Congresso Nacional, debatido na sociedade, e que demanda uma decisão judicial para a remoção de conteúdo, estabelecer que isso é inconstitucional”, pondera Crespo.

EM OUTRO CONTEXTO – Na visão do professor, se esse debate ocorresse em outro contexto, fora da polarização entre Lula (PT) e Bolsonaro (PL) e dos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, o Supremo poderia ter adotado uma postura mais cautelosa.

“Me parece que eles entraram numa espécie de armadilha, estão amplificando a aplicação do que eles vão ter que modular para algo muito mais amplo do que seria o ideal num debate sobre a constitucionalidade do artigo 19”, afirma.

Crespo ressalta que o modelo que será colocado à prova não tem paradigmas, o que dificulta a previsão das principais consequências. O professor conclui que o STF terá que modelar sua decisão, mas questiona como fazê-lo, se esse debate está acontecendo nos bastidores e como o ministro Barroso está buscando alinhar os votos para alcançar um consenso sobre a liberdade de expressão.

A homenagem de Luiz Gonzaga que anima todo ano a Festa de São João

Os Grandes Momentos de Luiz Gonzaga

Luiz Gonzaga, o rei do Baião

Paulo Peres
Poemas & Canções

A festa de São João (24 de junho), ápice dos festejos juninos, com a trezena de Santo Antônio (13 de junho) e São Pedro (29 de junho), inspirou o sanfoneiro, cantor e compositor pernambucano Luiz Gonzaga do Nascimento (1912-1989), o popular Rei do Baião, a compor em parceria com José Fernandes a música “Olha Pro Céu Meu Amor”, cuja letra retrata uma estória de amor numa noite de São João.

Essa “marcha joanina” foi gravada por Luiz Gonzaga em 1951, pela RCA Victor.

OLHA PRO CÉU MEU AMOR
José Fernandes e Luiz Gonzaga

Olha pro céu, meu amor
Vê como ele está lindo
Olha praquele balão multicor
Como no céu vai sumindo

Foi numa noite, igual a esta
Que tu me deste o coração
O céu estava, assim em festa
Pois era noite de São João

Havia balões no ar
Xote, baião no salão
E no terreiro
O teu olhar,
que incendiou
Meu coração!

Tarcísio acha possível ser um político de direita sem agir como bolsonarista

O governador de São Paulo tenta mostrar que é possível ser um político bolsonarista sem agir como uma bolsonarista. O resultado é uma espécie de agente duplo às claras.

Tarcísio ganha força e sabe que não pode perder Bolsonaro

Diogo Schelp
Estadão

O presidente Lula está em seu pior momento político. Pior até do que quando esteve na cadeia — ao menos entrou e saiu de lá nos braços do povo, bem ao gosto de qualquer populista. Seu governo, neste terceiro mandato, não chega a ser odiado. É mais grave do que isso: é alvo de decepção ou de indiferença. Lula 3 não consegue empolgar nem a própria militância.

A quase um ano do início da campanha presidencial em que poderá buscar a reeleição, Lula empata nas pesquisas com um monte de gente à direita do PT. Ou seja, há um amplo leque de opções viáveis no centro, na centro-direita e na direita radical para derrotar Lula. Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo, é um dos mais citados para concorrer, apesar de fingir que não está interessado.

NÃO PODE TRAIR – Visto como cria política do ex-presidente Jair Bolsonaro, a quem deve a eleição em São Paulo, Tarcísio provavelmente enterraria sua carreira pública se resolvesse alçar voo solo. Por mais que venda a imagem de gestor eficiente, de tocador de obras, dificilmente sobreviveria à pecha de traidor do bolsonarismo.

É diferente de outros nomes da direita, como Ronaldo Caiado (União Brasil) e Ratinho Jr. (PSD), respectivamente governadores de Goiás e do Paraná. Esses ganhariam votos se tivessem o apoio de Bolsonaro, mas não devem fidelidade a ele como ocorre com Tarcísio.

O governador de São Paulo tenta mostrar que é possível ser um político bolsonarista sem agir como uma bolsonarista. O resultado é uma espécie de agente duplo às claras. Tarcísio posa e troca elogios com Lula em um momento e, no seguinte, sobe em carro de som com meia dúzia de pessoas que conspiraram ou torceram pela derrubada de Lula.

NÃO É BOLSONARETE – Orgulha-se de construir pontes com o Supremo Tribunal Federal, mas faz do Palácio dos Bandeirantes hospedagem do réu Jair Bolsonaro, que lá se prepara para depor no STF em seu julgamento por tentativa de golpe de Estado. Quando está ao lado do padrinho, o bajula o quanto pode, porque sabe o quanto ele gosta disso, mas quando está longe procura adotar um estilo sóbrio de governar. Não o imita, ao contrário de outros bolsonaretes.

Há pragmatismo na dança do apadrinhamento de Tarcísio com Bolsonaro. Sabe que não poderá concorrer sem estar atrelado a ele — se o ex-presidente não puder subir no seu palanque fisicamente, colocará um parente do seu lado (fala-se na ex-primeira-dama Michelle como possível vice).

O senador Flávio Bolsonaro andou avisando que qualquer candidato que venha a receber o apoio de seu pai terá que prometer um indulto a ele. Mais do que isso, precisará estar disposto a enfrentar o STF, com o uso da força, se necessário, caso o Supremo derrube medida que leve à extinção de uma eventual pena recebida pelo ex-presidente.

REFÉM DOS RADICAIS – Por isso, Tarcísio ao lado de Bolsonaro jamais será uma opção moderada. Ele será refém dos radicais do PL e da gangue familiar, mais do que Lula jamais foi dos radicais do PT ou de movimentos sociais de extrema esquerda. Não só porque precisará passar pano para golpistas e uma borracha em seus crimes, mas porque em tudo o que fizer sofrerá a pressão para radicalizar. Não vai ser suficiente colocar um Guilherme Derrite da vida no Ministério da Justiça e Segurança Pública para posar de durão com os bandidos.

Terá de oferecer apoio tácito a um Senado, possivelmente controlado pelo PL, em campanha para promover o impeachment de ministros do STF, a começar por Alexandre de Moraes. Terá de transformar a própria presidência em plataforma de relançamento do projeto de poder da família do padrinho — senão do próprio.

Os Bolsonaros vão ver Tarcísio como uma escada para voltar ao Palácio do Planalto como cabeça de chapa na eleição seguinte. Uma imitação com escalas da trajetória traçada por Donald Trump, no Estados Unidos, de um retorno “heroico” para terminar o serviço que o “sistema” emperrou da primeira vez. Sabemos o que isso significa.

Missão Impossível! Gleisi tenta atrair líderes evangélicos para apoiar Lula

Lula diz ser “mais factível” que STF regule redes, e não o Congresso |  Metrópoles

Lula rejeitado por 61% dos evangélico, dizem as pesquisas

Jeniffer Gularte
O Globo

Em nova ofensiva do governo para se aproximar do público evangélico, a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, passou a liderar a estratégia do Palácio do Planalto para dialogar com o setor.

Principal articuladora política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a ministra tem promovido encontros com lideranças religiosas e elabora um cronograma de reuniões com ministros do governo e pastores.

ALTA REJEIÇÃO – Lula tem rejeição de 61% nesse público, de acordo com Datafolha de 14 de junho. O mesmo levantamento mostra que 25% rejeitam o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Em uma das conversas, Gleisi recebeu um documento de pastores considerados “progressistas” com uma série de demandas e sugestões de conduta para o governo. O objetivo é tentar quebrar resistências e diminuir a rejeição do presidente até o pleito de 2026, quando pretende disputar a reeleição.

Esses religiosos têm insistido na importância de um encontro de Lula com lideranças evangélicas. Também defendem que a gestão petista deve apostar em anúncios de ações do governo voltados à família e ter uma assessoria especializada em evangélicos. A ideia é ter uma espécie de secretaria para assuntos religiosos, que pudesse, inclusive, avaliar riscos na comunicação do governo.

SEM DEFINIÇÃO – O Palácio do Planalto ainda não se comprometeu com esses pedidos, mas as lideranças consideram que as demandas estão na mesa para serem aprofundadas. Procurada, Gleisi não quis se manifestar.

Outro ponto considerado chave para o governo conseguir avançar nessa aproximação, segundo as conversas, é não se envolver em disputas políticas com pastores considerados adversários do governo. Isso porque é preciso reconhecer a autonomia do público e tentar uma abordagem direta com os fiéis.

A coordenadora da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, Nilza Valéria Zacharias, que participou da conversa com a ministra, afirma que é um equívoco achar que há uma figura hierárquica central que represente um campo tão diverso. “É importante que o diálogo seja feito a partir da massa evangélica e não apenas com seus líderes”.

EM CRESCIMENTO – O Censo Demográfico de 2022 revelou que a população evangélica no Brasil atingiu 26,9% da população, o que equivale a mais de 47 milhões de pessoas. Este número representa um crescimento em relação ao censo anterior, mas com um ritmo menor em comparação com os censos anteriores.

O calendário de encontro dos ministros de Lula com pastores está sendo montado pela equipe de Gleisi. Evangélico, o ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, é um dos principais interlocutores de governo com esse segmento e já tem sido escalado para as cerimônias mais importantes e receber pessoas ligada às igrejas. Messias representou o governo, na quinta-feira, na edição paulista da Marcha para Jesus. Lula divulgou uma carta enaltecendo o evento.

Na quinta-feira, na edição paulista da Marcha Para Jesus, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), cotado para disputar a eleição presidencial de 2026, foi um dos protagonistas. O ex-ministro de Bolsonaro chegou a posar para fotos com a bandeira de Israel, país em guerra com o Irã e na Faixa de Gaza, e a cantar um louvor ao lado de pastores.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Aproximar Lula dos evangélicos é missão impossível sem Tom Cruise. (C.N.)

OAB cria comissão para “reformar” o Judiciário e “conter” o Supremo

Tribuna da Internet | Decisão do Supremo que derruba o marco temporal  desmoraliza missão do Congresso

Charge do Alpino (Yahoo Noticias)

Rayssa Motta
Estadão

A comissão de estudos criada pela seccional paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP) para debater uma reforma ampla do Poder Judiciário se reúne pela primeira vez nesta segunda-feira, 23, na sede da entidade, em São Paulo, para definir um cronograma de reuniões e trabalho.

A expectativa é que as propostas estejam prontas dentro de um ano para serem entregues ao Congresso e ao Supremo Tribunal Federal (STF). Estão no radar da comissão temas sensíveis, como o funcionamento do STF e a conduta de seus ministros, e questões relacionadas à administração da Justiça.

CRISE DE CREDIBILIDADE – Antes da reunião, na cerimônia de instalação do grupo de trabalho, no auditório da OAB de São Paulo, os membros da comissão endereçaram suas principais preocupações. A crise de credibilidade do Poder Judiciário foi mencionada em todos os discursos.

“O momento é exatamente adequado para que nós trabalhemos sobre esse tema porque o Judiciário se encontra sob crítica violenta de todos os lados. Não consegue agradar a ninguém”, afirmou a ministra Ellen Gracie, aposentada do STF, uma das integrantes do grupo de trabalho.

O ex-ministro da Justiça Miguel Reale Jr. também vai fazer parte da comissão. Ele defendeu que o STF é um dos objetos de “preocupação” do grupo de trabalho. “Seja com relação à sua competência, seja com relação ao seu regimento interno, seja com relação à sua imagem. Para a preservação de sua imagem como um órgão neutro, imparcial e íntegro”, afirmou o ex-ministro.

CORREÇÃO DE RUMOS – A ex-presidente da OAB de São Paulo, Patrícia Vanzolini, conselheira federal da Ordem dos Advogados, disse que a comissão vai propor “correções de rumos” para “fortalecer” o STF.

A cientista política Maria Tereza Sadek afirmou que as críticas ao Judiciário têm “muito fundamento” e mencionou como exemplo a atuação de ministros e juízes.

“Nós temos que reconhecer que vivemos difíceis, momentos de crise, em que o Judiciário tem sido atacado por vários setores da população”, afirmou. “É nosso dever tentar fazer uma reflexão séria e consistente sobre a situação atual.”

CÓDIGO DE CONDUTA – Uma das propostas em debate preliminar é a criação de um código de conduta para magistrados, inclusive ministros de tribunais superiores, com regras claras de imparcialidade.

Hoje, juízes, desembargadores e ministros seguem as normas previstas na Lei Orgânica da Magistratura (Loman), o estatuto dos magistrados, em vigor desde 1979 (Governo João Figueiredo, último general na Presidência durante o regime de exceção) – antes, portanto, da promulgação da Constituição.

Os membros da comissão consideram que é necessário atualizar as regras. O primeiro passo é traçar um diagnóstico dos problemas e definir prioridades.

SEM REVANCHISMO – A comissão nasce como um espaço para debater reformas no Judiciário, mas há uma preocupação interna em se contrapor a iniciativas consideradas revanchistas contra o STF, como projetos de lei de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para restringir prerrogativas dos ministros. “É uma comissão a favor da Justiça, não é uma comissão contra a Justiça, mas é uma comissão crítica”, afirmou o professor Oscar Vilhena, da FGV, que também compõe o grupo de trabalho.

O critério para escolha dos membros foi a pluralidade. Além de juristas, há ministros aposentados do STF e ex-ministros de Estado que participaram dos governos Lula, Dilma e FHC.

Outra proposta que começou a ser debatida envolve a restrição do televisionamento das sessões plenárias do STF. Estudos mostram que o tempo de voto dos ministros aumentou sensivelmente desde a criação da TV Justiça. A comissão avalia propor que apenas julgamentos de questões constitucionais continuem a ser transmitidos em tempo real. Nesse caso, ações criminais, por exemplo, como os processos da trama golpista, poderiam ser acompanhadas apenas presencialmente.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Antes tarde do que nunca. Outras ideias são a proposta de mandato para ministros do STF, como ocorre em países da Europa, como Itália, França, Alemanha, Espanha e Portugal, e a redução da competência criminal da Corte. A restrição do foro privilegiado, por exemplo, é quase consenso no grupo. O certo é que, como está não pode ficar. (C.N.)

Trump anuncia e comemora aceitação de um cessar-fogo entre Israel e Irã

Foto-montagem mostra Ali Khamenei, Donald Trump e Benjamin Netanyahu - Metrópoles

Foto-montagem de Khamenei, Donald Trump e Netanyahu

José Augusto Limão
Metrópoles

O presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, anunciou, na tarde desta segunda-feira (23/6), que foi acordado um cessar-fogo entre Israel e Irã. Os países envolvidos no conflito não confirmaram a informação. O republicano fez o anúncio em sua rede social, a Truth Social. Trump afirmou que o cessar-fogo se iniciaria no início da madrugada desta terça-feira.

O Irã seria o primeiro que encerraria os ataques, em seguida Israel também aceitaria o cessar-fogo. O presidente dos EUA também parabenizou Irã e Israel por terem “resistência, coragem e inteligência” para encerrar o que ele definiu como “a guerra de 12 dias”.

TRUMP FESTEJA – “O fim oficial da guerra de 12 dias será saudado pelo mundo. Durante cada cessar-fogo, o outro lado permanecerá pacífico e respeitoso”, disse Trump.

Apesar do anúncio de Trump, Israel voltou a lançar ataques aéreos contra o país, nesta segunda-feira (23/6), com “intensidade sem precedentes” ao “coração de Teerã”, capital do Irã, tendo como alvo a sede da Guarda Revolucionária do Irã (IRGC),

Segundo o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, os alvos incluiam o quartel-general de Basij; a Prisão de Evin, “para presos políticos e opositores do regime”; o relógio da Destruição de Israel, localizado na Praça Palestina; e o quartel-general de segurança interna da Guarda Revolucionária.

IRÃ LANÇA MÍSSEIS – Em resposta, o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) do Irã realizou, nesta segunda-feira (23/6), a 21ª operação com mísseis desde o início do conflito com Israel, no último dia 13 de junho. A ação adota nova tática ao lançar um ataque combinado de mísseis e drones contra múltiplos alvos em outras regiões de Israel.

Os iranianos também lançaram mísseis em direção a uma base americana no Catar, mas o Departamento de Defesa dos EUA afirmou que não houve feridos.

De acordo com um comunicado oficial do IRGC, foram usados mísseis de propulsão sólida e líquida, além de drones suicidas, para atingir áreas estratégicas espalhadas de norte a sul do território israelense.

EUA NA GUERRA – No sábado passado (21/6), os Estados Unidos entraram oficialmente na guerra, depois de bombardear três instalações nucleares do Irã.

O Iêmen anunciou a entrada no conflito “contra Israel e EUA”, ao lado do Irã, e diz estar de “prontidão para participar do ataque a navios de guerra norte-americanos no Mar Vermelho, caso o inimigo americano lance uma agressão em apoio ao inimigo israelense contra a República Islâmica do Irã”.

RESPOSTA MUITO FRACA -Mais cedo nesta segunda, Trump definiu os ataques do Irã a uma base militar norte-americana no Catar como uma “resposta muito fraca” à ofensiva norte-americana contra instalações militares e nucleares iranianas no último sábado.

Em retaliação aos ataques dos Estados Unidos no sábado (21/6), o Irã lançou mísseis em direção ao Catar. O alvo era Al Udeid, conhecida por ser a maior base militar dos EUA no Oriente Médio.

Em comunicado, um porta-voz do governo catari condenou os ataques.

DISSE O PORTA-VOZ – “O Irã respondeu oficialmente à nossa destruição de suas instalações nucleares com uma resposta muito fraca, o que esperávamos e que combatemos com muita eficácia. Foram disparados 14 mísseis – 13 foram derrubados e um foi “liberado” porque estava direcionado para onde não causaria danos. Tenho o prazer de informar que nenhum americano foi ferido e quase nenhum dano foi causado. Mais importante ainda, eles se livraram de tudo e, com sorte, não haverá mais ódio”, disse Trump.

Trump ainda agradeceu ao Irã por “avisar com antecedência” sobre os ataques, “o que possibilitou que nenhuma vida fosse perdida e ninguém ficasse ferido”.

O presidente dos EUA, em seguida, falou em paz. “Talvez o Irã possa agora prosseguir rumo à paz e harmonia na região, e eu encorajarei Israel com entusiasmo a fazer o mesmo.

Acareação de Cid e Braga Netto a portas fechadas é grave erro do STF

Acareação de Cid e Braga Netto a portas fechadas é erro do STF

Será que conseguiremos saber qual dos dois está mentindo?

Josias de Souza
do UOL

A imprensa acompanhou os depoimentos das testemunhas da tentativa de golpe em tempo real. Os interrogatórios de Bolsonaro e seus cúmplices foram ainda mais transparentes, com transmissão ao vivo da TV Justiça. Inexplicavelmente, Alexandre de Moraes decidiu fechar as portas da Primeira Turma do Supremo durante o tête-à-tête de Mauro Cid com o general Braga Netto, marcado para esta terça-feira.

A acareação destina-se a elucidar duas divergências cruciais entre as versões do ajudante de ordens e do vice de Bolsonaro. Delator seletivo, Cid fez duas revelações tardias sobre Braga Netto.

POUCA MEMÓRIA – Numa, contou que o plano Punhal Verde e Amarelo foi esmiuçado numa reunião na casa de Braga Netto, em novembro de 2022.

Noutra, Cid ajustou a delação original para revelar que o general lhe entregou, no Palácio da Alvorada, uma caixa de vinho com dinheiro para financiar os kids pretos que se encarregariam de monitorar e executar Moraes, Lula e Alckmin. Alegou não se lembrar de quanto havia na embalagem nem do dia em que recebeu os recursos.

Sabe-se que algum dinheiro circulou nas mãos dos kids pretos, pois a Polícia Federal documentou a aquisição de celulares usados por oficiais do Exército que monitoraram os movimentos de Moraes sob a camuflagem de codinomes frios. Em mensagem trocada com Cid, o tenente-coronel Rafael de Oliveira falou sobre dinheiro. Coisa de R$ 100 mil.

CID MENTE? – Braga Netto alega que Cid mente. Por isso pediu a acareação. Preso preventivamente há seis meses, o general foi autorizado a viajar a Brasília. Fez questão de confrontar o delator cara a cara.

Moraes proibiu a presença da imprensa também em outra acareação marcada para esta terça, do ex-ministro da Justiça Anderson Torres com o ex-comandante do Exército Freire Gomes.

Pior do que um erro, só dois equívocos. As acareações pedem luzes acesas, não portas fechadas.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Excelente análise de Josias de Souza. Em países democráticos, a Justiça e caracteriza pelas portas abertas e pela transparência de seus atos. Aqui no Brasil é ao contrária. O todo-poderoso Alexandre de Moraes permite a divulgação do julgamento, mas na hora H, quando o respeitável público saberá quem está mentindo, o ministro tem uma recaída e esconde debaixo do tapete. Francamente, não tem a menor vocação para ser juiz. Mas quem se interessa? (C.N.)