Corrupção no INSS vai do silêncio à crise, com a formação da CPMI

Charge do Fred Ozanan (paraibaonline.com.br)

Pedro do Coutto

O Brasil acompanha com perplexidade o desenrolar de uma das maiores crises já registradas no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Com um rombo estimado em R$ 6 bilhões, fruto de esquemas de corrupção e fraudes previdenciárias em larga escala, o episódio já se desenha como um novo marco negativo da administração pública.

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instaurada para investigar os desvios promete trazer à luz o que os bastidores do poder vinham tentando silenciar: a continuidade de práticas ilícitas que, embora tenham raízes profundas no governo Bolsonaro, se mantiveram e floresceram durante a atual gestão de Lula da Silva.

ESTRUTURA – É verdade que boa parte do esquema parece ter se estruturado a partir de 2019, em plena vigência do discurso moralizante da antiga administração. Mas seria ingenuidade — ou má-fé — acreditar que a atual gestão possa lavar as mãos diante do escândalo.

O governo Lula, que assumiu com a promessa de restaurar as instituições e proteger os mais vulneráveis, falhou gravemente ao não conter a sangria no INSS. A demissão do presidente do órgão e do ministro da Previdência, Carlos Lupi, é uma tentativa tardia de resposta política, que mais evidencia a dimensão da omissão do que representa, de fato, uma ação corretiva eficaz.

O mais alarmante nesse episódio é que o desvio de recursos não atingiu apenas os cofres públicos em abstrato. Ele impactou diretamente aposentados e pensionistas — justamente o grupo mais vulnerável e que mais confia na rede de proteção do Estado. A promessa do governo de ressarcir as perdas é importante, mas está longe de acalmar os ânimos. Afinal, em um país historicamente marcado pela lentidão dos processos administrativos e judiciais, quem garante que a reparação será rápida, justa e completa?

BANALIZAÇÃO – Há, ainda, um aspecto simbólico perigoso nesse escândalo: o da banalização do crime institucionalizado. O fato de que uma rede criminosa tenha conseguido, ao longo de anos e sob diferentes gestões, operar livremente dentro de uma das maiores autarquias do país, evidencia um colapso dos mecanismos de controle interno. Onde estavam os órgãos de auditoria? Por que os alertas não foram levados a sério antes que os prejuízos alcançassem cifras bilionárias?

O Palácio do Planalto tenta agora adotar a estratégia do “culpado anterior”, concentrando fogo no governo Bolsonaro, cujas políticas de enfraquecimento institucional de fato favoreceram o terreno para práticas ilícitas. No entanto, a narrativa de herança maldita só se sustenta até o ponto em que o novo gestor tem a chance de intervir. E Lula já passou da metade do segundo ano de mandato. Tempo mais que suficiente para identificar irregularidades estruturais e agir com firmeza.

O caso do INSS expõe, mais uma vez, que o Brasil ainda carece de um modelo eficiente de governança pública. A cultura de aparelhamento político das autarquias e a ausência de critérios técnicos na ocupação de cargos estratégicos são terreno fértil para o desvio de conduta. O que deveria ser política pública se transforma, com frequência preocupante, em oportunidade de enriquecimento ilícito para grupos bem posicionados.

RESPONSABILIZAÇÃO – Enquanto isso, o contribuinte, o aposentado e o trabalhador seguem à mercê de um sistema que promete amparo, mas entrega frustração. A CPI pode — e deve — avançar em direção à responsabilização dos agentes públicos envolvidos, sejam eles do passado ou do presente. Mas mais do que isso: é preciso que o escândalo leve à reformulação estrutural do INSS, com mecanismos de controle efetivos, transparência ativa e participação da sociedade civil na fiscalização.

O desafio que se impõe, portanto, não é apenas de punir culpados — embora isso seja urgente. É também de reconstruir a confiança social em uma das instituições mais importantes do pacto civilizatório brasileiro. E, nesse processo, não cabem tergiversações nem desculpas palacianas. O combate à corrupção exige coragem, clareza e, sobretudo, compromisso com o interesse público. Qualquer coisa diferente disso será apenas mais um capítulo da longa novela da impunidade no Brasil.

Trump garante que as instalações nucleares do Irã já foram destruídas

CRÉDITO: STEVE SACK_CAGLE CARTOONS

Charge do Steve Sack (Revista Piauí)

Wálter Maierovitch
do UOL

O mercurial e contraditório presidente americano Donald Trump vivia um dilema: colocar ou não os EUA no conflito entre Israel e Irã. Trump estaria envolto, como dizem os criminalistas, numa camisa de sete varas. O dilema devia-se ao fato de o líder supremo da teocracia iraniana, Ali Khamenei (86 anos de vida e 36 de poder), ter dado, como se diz no popular, “uma banana” ao ultimato de Trump.

O líder iraniano não jogou a toalha e prometeu promover danos irreparáveis caso o Irã fosse atacado pelos EUA. Trump imediatamente reuniu o Conselho de Defesa, para autorizar o bombadeio.

PROMETEU PAZ – A lembrar: Trump elegeu-se prometendo a paz e dizendo que atuaria na solução rápida dos conflitos em curso — Ucrânia x Rússia e Israel x Hamas.

Trump, politicamente, sabe da divisão que enfrenta. O movimento trumpista conhecido pela abreviatura MAGA (Make America Great Again), atuante dentro do Partido Republicano, está rachado.

Nesse racha, há os que ainda pregam o belicismo — a apelidada doutrina Neon de intromissões, como aconteceu no Iraque, Afeganistão e Líbia. Do lado oposto, com vozes de respeito interno como as de Steve Bannon e Tucker Carlson, estão os que não querem guerra de jeito algum, mantida a posição ao tempo das eleições.

ELE E NETANYAHU – Trump, nessa sinuca de bico que se metera, logo se posicionou para . Ele é sabedor, pelo menos, de poder manobrar o ególatra Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro que se insinua, modéstia de lado, o maior estrategista da história de Israel e do povo hebreu.

Não é bem assim, pois Israel precisa do apoio americano. Caso contrário, não resistirá à guerra com o Irã, sem ignorar que possui frentes de combate abertas na faixa geográfica de Gaza e na fronteira com o Líbano — onde o Hezbollah continua, com bombas, a colocar em risco os agricultores israelenses.

Para se ter ideia da dependência, e como informaram as agências internacionais de notícias, o estoque israelenses de mísseis de modelo Arrow, utilizados para interceptar os mísseis iranianos, já está baixo. Somente 5% dos mísseis iranianos conseguem furar o sistema de escudo de Israel, que emprega os mísseis Arrow. Isso significa uma necessidade de manutenção do escudo protetor.

GUERRA DE MENTIRAS – Atenção: para tentar furar o “escudo” usado por Israel, o Irã anunciou, como propaganda de guerra e pelas suas mídias, o uso de mísseis hipersônicos.

Aliás, pelo que noticiam as mídias internas controlados pela ditadura teocrática, o cidadão iraniano imagina que o Irã está vencendo a guerra com facilidade e os líderes mortos caíram em combate. Quanto à rede televisiva, acabou atingida por uma mera distração.

Tem mais: a central nuclear de Fordow — que funcionaria para enriquecimento de urânio igual ou acima de 60% de potência — é subterrânea, com 90 metros de profundidade. Ou seja, apenas bombas penetrantes e pesadas conseguiriam chegar ao coração da Fordow, e só os americanos produzem bombas de tonelagem.

NEGOCIAÇÕES? – Quando do início do conflito, na sexta-feira (13), Trump foi logo avisando da não participação americana na ofensiva de Israel. Deixou claro que o aliado Estado da estrela de Davi seria protegido apenas defensivamente.

Na ocasião, Trump estava engasgado com o insucesso do acordo nuclear, por não ter o Irã aceitado a proposta de encerrar o enriquecimento do urânio e estar a transformá-lo em combustível para armamentos de guerra, como artefatos e bombas nucleares. Trump deu o prazo de 61 dias para a volta às negociações.

Terminado sem resposta o prazo, Israel realizou o primeiro ataque no dia seguinte.

DIVIDIR A GLÓRIA – Trump, a partir daí e da vantagem inicial de Israel, começou a tomar partido e querer dividir as vitórias com o sanguinário premiê israelense, Benjamin Netanyahu.

Ouviu e ficou agradado com o pronunciamento incendiário do ministro da Defesa israelense, Israel Katz. Tal ministro prometeu “queimar Teerã”, como num surto de Nero, que incendiou Roma.

Para o reverendo Mike Huckabee, embaixador dos EUA em Israel, Trump é um enviado de Deus para resolver o problema nuclear criado pelo Irã. O presidente americano, então, surfou nas propagandas de guerra.

PALAVRAS DE TRUMP – Confira as declarações de Trump sobre mais esse conflito:

1) Que a intervenção americana só ocorreria se o Irã atacasse as bases americanas. Também se atingisse os interesses americanos, numa referência a interesses comerciais. Pelo jeito, mencionava o fechamento do estreito de Ormuz (entre Omã e Irã), por onde passa um quarto do petróleo produzido no mundo.

2) “É possível que sejamos envolvidos no conflito”. A frase é do último domingo e anuncia uma provável entrada dos EUA no conflito.

3) Na segunda-feira, aconselhou a evacuação de Teerã, com urgência. Esqueceu-se que é uma cidade de 10 milhões de habitantes. Com isso, criou confusão, pois muitos tentaram sair de Teerã em direção à periferia ou ao interior, com filas nas estradas e espera de mais de cinco horas para abastecer os carros.

4) Na terça, Trump tentou assustar Ali Khamenei: “Sabemos onde se esconde, mas, no momento, não queremos eliminá-lo”. Disse, também, ter o controle do espaço aéreo de Teerã.

5) Na quarta, ressaltou que Irã suplicava a volta às negociações, mas a condição é uma só, ou seja, o fim do enriquecimento do urânio.

Palavras, o vento leva. O que no final valeu foram os superbombardeiros B-2.

Os deuses do futebol deram uma ajuda e o Fluminense soube aproveitá-la

Keno comemora o quarto gol do Fluminense sobre o Ulsan HD

Keno jogou muito e levou o Fluminense ao ataque e à vitória

Vicente Limongi Netto 

Fluminense começou fulminante. Parecia que iria massacrar o adversário. Mas foi pecando, ao exagerar na troca de passes. Laterais erraram no gol de empate do time sul-coreano. Quando o Ulsan igualou o placar, o quadro mudou e o jogo ficou equilibrado. Com o segundo gol dos sul-coreanos, o Fluminense perdeu a personalidade.

Os apoiadores passaram a errar passes no meio de campo. É suicídio errar no meio. Cano lutando, mas fora de forma. Evidente que o adversário soube tirar proveito dos erros do Fluminense. Ganso foi sacrificado no intervalo. Estava jogando bem. Objetivo e cerebral como sempre. Mas hoje o jogo é correria.

SUBSTITUIÇÕES – No intervalo, Renato tentou fortalecer o ataque, e o jogo continuava muito corrido. O Ulsan perdeu alguns gols. A gente torcia para que o Fluminense pelo menos empatasse. Se perdesse, voltava para casa. Futebol é assim.

Mas a bola não perdoa a incompetência. As substituições feitas por Renato funcionaram. O Fluminense a respirar no jogo. Dominou novamente o time adversário e empatou. Daí até o final, domínio do tricolor.

Qualquer que viesse a ser o placar o jogo, a verdade é que o Fluminense precisa melhorar bastante, se quiser prosseguir na competição. Viva! Saiu o gol esperado. Os sul-coreanos entraram em desespero e facilitaram os contra-ataque do tricolor. Saiu o quarto gol. Caramba! Vencer sofrendo é mais doce. O quarto gol da vitória garantiu a equipe de Renato na competição e na liderança da chave. Ufa!

Há ministros que querem discutir no Supremo a validade de delação de Cid 

Quem é quem no gabinete de Alexandre de Moraes, relator do inquérito que  mira Bolsonaro no STF? - Estadão

Moraes prendeu ilegalmente Câmara, assessor de Bolsonaro

Cézar Feitoza
Folha

O STF (Supremo Tribunal Federal) só deve discutir a validade do acordo de colaboração premiada do tenente-coronel Mauro Cid com a Polícia Federal no julgamento dos réus da trama golpista, previsto para o segundo semestre.

A avaliação feita por dois ministros do tribunal ouvidos pela Folha é que a revelação de novas conversas de Cid com um dos advogados do processo, em que o tenente-coronel fala da investigação da Polícia Federal, deve ser analisada com cuidado.

PRESSIONADO – A leitura inicial feita pelos ministros é que o conteúdo das mensagens não é exatamente uma novidade. Em março de 2024, Cid foi preso após a revista Veja revelar gravações em que o militar se dizia pressionado pela PF a delatar o que não sabia e em que fazia críticas ao ministro Alexandre de Moraes.

Depois disso, em três oportunidades, Cid renovou ao STF seus votos de voluntariedade e negou ter sido pressionado. Esse cenário tornaria remota a possibilidade de anulação do testemunho de Cid como prova do processo, ainda que os benefícios do acordo pudessem ser revistos.

O interlocutor de Cid na troca de mensagens revelada nos últimos dias era o advogado Luiz Eduardo Kuntz, defensor do coronel da reserva Marcelo Câmara, ex-assessor de Jair Bolsonaro (PL) e também réu sob acusação de envolvimento na tentativa de golpe.

PRISÃO DE CÂMARA – Moraes determinou na quarta-feira (18) a prisão de Câmara sob a suspeita de tentativa de obstrução de investigação. Segundo o ministro, as mensagens mostram indícios de que Kuntz teria tentado conseguir detalhes dos depoimentos de Cid para interferir no trabalho da Polícia Federal.

“São gravíssimas as condutas noticiadas nos autos, indicando, neste momento, a possível tentativa de obstrução da investigação, por Marcelo Costa Câmara e por seu advogado Luiz Eduardo de Almeida Santos Kuntz, que transbordou ilicitamente das obrigações legais de advogado”, afirmou Moraes.

Kuntz disse ao STF ter sido procurado por Cid para conversar. Os dois mantêm relação de proximidade há anos por praticarem equitação.

TUDO REGISTRADO – O advogado registrou todas as conversas que manteve com Cid nos primeiros meses de 2024 em um documento chamado Auto de Investigação Defensiva Criminal —instrumento regulamentado pela OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) em 2018 para a obtenção de provas que defendam os interesses do cliente.

Ele afirmou à Folha que iniciou o procedimento em setembro de 2023 porque recebia informações fracionadas sobre a investigação. “Quando o Cid começa a falar comigo, eu aproveito que já estou com a investigação instaurada e registro todas as conversas”, disse.

“Esse auto não é muito comum, mas é totalmente previsto e não tem nada de irregular. É previsto, lícito, legítimo, tudo dentro do combinado”, afirmou Kuntz na quarta.

CAUSOU ESTRANHEZA – O advogado também destacou que considera “tudo muito atípico”. “Um delator procurar um advogado para desabafar. Eu até achei que podia ser alvo de uma ação controlada dele, com a Polícia Federal, para produzir provas contra o meu cliente”, completou.

Kuntz disse que estava com todo o material pronto desde março de 2024. Ele afirmou que esperou mais de um ano para divulgá-lo porque aguardava um momento oportuno.

“Eu quase juntei isso na [investigação do cartão de] vacina, porque tinha discrepância. Mas eu não queria queimar essa carta na fase de inquérito, não sabia se ia ter denúncia ou não. O momento de apresentar as provas é na acusação formal”, disse.

DENÚNCIA ANTERIOR – Integrantes do Supremo suspeitam que Kuntz também tenha sido o interlocutor de Cid nos áudios revelados pela revista Veja em março de 2024. As gravações mostram o militar, em desabafo, acusando a PF de pressioná-lo nos depoimentos e Moraes de já ter pronta a condenação pela trama golpista.

O teor do áudio é semelhante às mensagens trocadas entre Cid e Kuntz. A coincidência das datas também é mencionada por integrantes do STF.

A avaliação interna é que o Supremo já decidiu manter válida a delação de Cid após o militar se retratar sobre a voluntariedade de sua colaboração e negar ter sido pressionado pelos investigadores. É preciso analisar o contexto da conversa para confirmar a validade do acordo, segundo um ministro.

NA CORDA BAMBA – A situação jurídica de Cid é considerada delicada no STF. Uma demonstração foi dada quando Moraes decretou a prisão do militar na madrugada (à 1h) da última sexta-feira (13) e revogou a medida horas depois.

A suspeita levantada pela PGR (Procuradoria-Geral da República) era de que Cid planejava sua fuga do país, com o auxílio do ex-ministro Gilson Machado, para evitar o cumprimento de sua possível pena pela trama golpista.

Moraes recuou da prisão pouco depois das 4h. Os policiais federais só souberam da nova ordem quando já estavam na casa de Cid, no Setor Militar Urbano, em Brasília. O tenente-coronel foi alvo de buscas e prestou depoimento à PF.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Excelente matéria de Cézar Feitosa. Mostra que os métodos tão criticados da Lava Jato agora voltam a ser utilizados no cerco a Bolsonaro, mostrando que a Justiça brasileira “se adapta” a qualquer situação. Repita-se que a prisão de Marcelo Câmara foi totalmente ilegal. Como prender o réu por um ato de seu advogado? E a justificativa foi patética: “São gravíssimas as condutas noticiadas nos autos, indicando, neste momento, a possível tentativa de obstrução da investigação”. Ora, ninguém pode ser preso por “possível tentativa”. Moraes continua inventando leis que não existem. Fico envergonhado com essas “decisões judiciais”. E a OAB e o IAB, que representam os advogados, nada fazem. O Conselho Nacional de Justiça e o próprio Supremo ficam inertes, totalmente dominados por Moraes. É inacreditável e vexatória essa situação. (C.N.)

EUA entraram na guerra e Trump manda bombardear instalações nucleares do Irã

Avião em forma de asa voadora visto de frente durante pouso. Ele é cinza, o céu está cinzento e o solo, marrom

As superbombas foram lançadas pelos bombardeiros B-2

Igor Gielow
Folha

Os Estados Unidos entraram na guerra de Israel contra o Irã. Segundo o presidente Donald Trump, bombardeiros americanos atacaram instalações do programa nuclear da teocracia neste sábado (21) e estão a salvo.

“Nós completamos nosso muito bem-sucedido ataque. Um complemento inteiro de bombas foi lançado no alvo primário, Fordow”, escreveu o americano na rede Truth Social. “Nenhuma outra força armada do mundo poderia fazer isso. AGORA É TEMPO PARA A PAZ”, escreveu, com as usuais maiúsculas.

FORDOW JÁ ERA – Mais cedo, monitores haviam identificado a decolagem de dois a seis bombardeiros B-2 da base de Whiteman, no Missouri (EUA). A informação extra-oficial era de que eles iriam para Guam, base americana no Pacífico. Acompanhados por aviões-tanques, cumpriram a missão. Depois, Trump escreveu: “Fordow já era”.

O ataque vinha sendo especulado desde o meio da semana, quando Trump deixou o distanciamento da ação israelense, inédita em seu escopo em 46 anos de rusgas com a República Islâmica. O americano chegou a ameaçar de morte o líder do Irã, aiatolá Ali Khamenei.

Na quinta (19), disse que iria tomar sua decisão em duas semanas. Há pressão doméstica, de sua base política, que é contrária ao engajamento dos EUA naquilo que Trump chamava de “guerras inúteis”. Mas o prazo, como se viu, era uma cortina de fumaça.

DIPLOMACIA FALHOU – O esforço de França, Alemanha e Reino Unido de se encontrar com a diplomacia iraniana, supostamente para abrir um canal com Trump, foi jogado fora. Neste sábado, o chanceler do Irã, Abbas Araghchi, disse que o envolvimento americano seria “perigoso para todos”.

Enquanto ele falava em Istambul, já estavam no ar bombardeios B-2 furtivos ao radar, que haviam levantado voo da base aérea de Whiteman, no Missouri (EUA). Esses aviões são os únicos capazes de lançar a superbomba GBU-57, citada por especialistas como única capaz de destruir os bunkers profundos do programa nuclear do Irã.1

Um mundo com Trump tem mais guerras e potências desembestadas

CRÉDITO: DAVE WHAMOND_CAGLE CARTOONS

Charge do Dave Whamond (Arquivo Google)

Vinicius Torres Freire
Folha

Guerra no Oriente Médio suscita discussões estereotipadas a respeito do preço do petróleo, além de especulações sobre a “escalada do conflito”, hipótese debatida, no entanto, sob a perspectiva do impacto econômico. É fácil perceber que uma carestia grande e persistente de combustíveis causa dano econômico imediato.

É mais difícil discutir esta situação mundial em que há muito menos meios de contenção do risco de novas guerras muito perigosas — e logo. Torna-se frequente a menção ao uso de armamento nuclear, como voltou a fazer a Rússia, a respeito das consequências de um ataque americano contra o Irã. Trump agrava um estado de coisas degradado faz década e meia.

ISOLACIONISMOS – Pelo menos no núcleo ideológico ou na propaganda, o trumpismo e o MAGA seriam “isolacionistas”. Isto é, a favor do corte do financiamento militar de aliados, enxugamento de bases militares no exterior e indiferença a guerras que não envolvam o interesse direto dos EUA.

O “isolacionismo”, porém, não é empecilho para novos tipos de intervenções americanas (a anexação da Groenlândia apenas parece piada).

Isto posto, em menos de uma semana de guerra, Trump passou a insinuar que poderia atacar o Irã e matar o dito “líder supremo”, Ali Khamenei. Nesta quinta, disse que pensaria melhor no assunto.

HÁ CONTROVÉRSIAS – Boa parte do trumpismo continua a se opor a um ataque. Segundo pesquisa YouGov/Economist, 60% dos americanos e 53% dos republicanos também.

Um conflito descontrolado pode colocar (mais) areia na economia americana e na popularidade presidencial. São esses os riscos ponderados por Trump? De fora, vemos apenas o “reality show” a serviço do projeto de tirania e nenhuma estratégia de estabilização política do mundo —ao contrário.

O que sabemos faz mais tempo é que os limites do jogo de poder internacional se esfarelaram. Trump espalha essa farofa de maneira mais assustadora.

ARMAS ECONÔMICAS – O conflito sino-americano intensificou o uso de armas econômicas na política: nacionalismo e política industrial nos EUA, restrições a exportações e a investimentos na China e outras sanções, o que não é novo, mas foi escancarado sob Trump.

A China ataca e contra-ataca nos mesmos termos. Mais: nos comunicados em que relata negociações comerciais com os EUA, manda que não se metam em Taiwan.

A epidemia havia suscitado reações autárquicas (segurança de abastecimento e produção de bens ditos essenciais ou estratégicos). O ataque da Rússia contra Ucrânia reforçou a preocupação com segurança energética, mas não só (vide o medo brasileiro com o risco de ficar sem fertilizantes).

EUROPA SE REARMA – A Europa começa a se rearmar. O confisco das reservas russas pelo dito Ocidente (entre outras sanções) colocou mais barbas de molho. Para dar um exemplo rápido, a China passou a diminuir as reservas que mantém nos EUA. Trump arruinou o sistema de regulação comercial mundial, que já vinha sendo detonado desde Barack Obama. Ameaça países recalcitrantes de boicotes econômicos e militares.

O salve-se quem puder na economia tem sido radicalizado (nunca deixou de ser assim). A ideia de ter mais autonomia militar ou de se juntar a um bloco bem armado é assunto forte outra vez. O rearmamento agrava problemas fiscais e, pois, prejudica crescimento e políticas sociais.

Dizer que as instituições multilaterais foram à breca é pouco. Não há concerto de países poderosos, acordo para colocar ordem no mundo, nem segundo os interesses deles.

Ótimos resultados contra os europeus trazem uma sensação de grandeza

Fluminense enfrenta Galo antes de jogo com Aparecidense em Brasília | Metrópoles

Arias fez o primeiro gol, numa perfeita cobrança de falta

Tostão
Folha

A reportagem do jornalista Lúcio de Castro no site ICL Notícias, citada por Juca Kfouri na sua coluna, conta que os contratos de transmissões da Copa do Mundo de Clubes têm sete artigos que proíbem críticas à Fifa e ao mundial pelos que têm os direitos. Isso é bastante preocupante.

Nelson Rodrigues criou a famosa expressão “complexo de vira-latas”, para descrever de uma maneira irônica o sentimento de inferioridade no comportamento dos brasileiros no futebol e em todas as áreas. Após os ótimos resultados contra os europeus neste inicio de Copa do Mundo, especialmente a vitória do Botafogo por 1 a 0 contra o PSG, campeão da Europa, ocorre neste início de mundial o inverso, a exaltação, a sensação de grandeza dos brasileiros diante dos europeus.

FINAL DE TEMPORADA – As atuações e resultados dos times brasileiros merecem bastantes elogios, mas é preciso lembrar que os europeus estão no final de temporada e as equipes passam por reconstruções com a contratação de vários jogadores e alguns novos treinadores.

O PSG escalou vários reservas contra o Botafogo e quando colocou os titulares, não conseguiu reagir. Guardiola disse antes da estreia que o Manchester City enxerga a Copa do Mundo de Clubes como uma pré-temporada.

O excessivo calor prejudica muito mais os europeus do que os brasileiros. Eles têm atuado com muito menos intensidade no mundial do que fazem nos campeonatos europeus.

MUITA RAÇA – O técnico do Botafogo, Renato Paiva, organizou um excelente sistema defensivo contra o PSG, com nove jogadores muito próximos da área. O time jogou com muita raça e não permitiu ao PSG criar chances de gols. Em um raro contra-ataque, o centroavante Igor Jesus fez o belo gol da vitória. A estratégia do Botafogo foi a correta para esta partida. O campo parecia pequeno pela falta de espaços que tinham os atacantes do PSG.

O Palmeiras jogou bem e venceu por 2 a 0 o Al Ahly. Abel Ferreira usou a estratégia correta de acordo com o fortíssimo calor, sem pressionar na marcação para não se desgastar.

Estêvão voltou a jogar bem, da direita para o centro, como gosta e sabe. Flaco López mostrou novamente que é superior a Vitor Roque, pelo alto e também pelo chão.

PAULINHO E MESSI – Abel, antes do jogo, confirmou que só pôde escalar Paulinho durante uns 20 a 30 minutos, motivo de colocá-lo somente no meio do segundo tempo.

Os médicos e preparadores físicos do Palmeiras deveriam explicar ao público as reais condições do jogador. Penso, se ele só pode jogar por pouco tempo, não deveria nem ser relacionado até terminar sua total recuperação.

Na vitória do Inter Miami por 2 a 1 sobre o Porto, Messi fez um golaço de falta. Ele continua andando em campo, cada vez menos. Mas é tão genial que executa sempre alguns lances espetaculares.

COPA DO MUNDO – Estará Messi presente na Copa do Mundo de seleções em 2026? A vitória da Argentina contra o Brasil por 4 a 1 sem Messi deu mais confiança ao técnico caso não conte com o jogador.

Por fim, mais uma vitória dos brasileiros sobre os europeus, a do Flamengo sobre o Chelsea por 3 a 1, de virada. Foi uma excelente atuação do Flamengo. E o Fluminense fez uma grande apresentação e assume a liderança de seu grupo, fazendo o Brasil ser o maior destaque da Copa, com os quatro times liderando seus grupos.

Quando começarem os jogos mata-mata, o futebol vai ficar ainda melhor e mais emocionante. Já imaginou a euforia e o orgulho se um time brasileiro for campeão?

Centrão sonha em apoiar Tarcísio e passa a fazer oposição a Lula

Com Ciro e Rueda, União e Progressistas oficializam federação nesta terça | CNN Brasil

Rueda e Ciro unem seus partidos para comandar a sucessão

Vera Rosa
Estadão

Partidos de centro-direita que ocupam ministérios e outros cargos de destaque no primeiro escalão articulam uma estratégia para deixar o governo Lula “sangrando” até as eleições.

Empenhados em construir uma candidatura única ao Palácio do Planalto, dirigentes do Centrão flertam com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e se movimentam para montar um bloco de atuação no Congresso que sinalize para a disputa de 2026.

PP E UNIÃO BRASIL – A iniciativa é liderada pelos presidentes do PP, senador Ciro Nogueira (PI), e do União Brasil, Antônio Rueda. No fim de abril, os dois partidos se uniram numa federação e, com o casamento, formaram uma bancada de 109 deputados – a maior da Câmara – e 14 senadores.

Nesta segunda-feira, 16, mesmo dia em que o presidente Lula sofreu uma derrota na Câmara ao ver aprovado o requerimento de urgência contra decreto que aumenta o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), Ciro procurou os presidentes do Republicanos, Marcos Pereira, e do MDB, Baleia Rossi, para uma conversa reservada.

Ex-ministro da Casa Civil na gestão de Jair Bolsonaro (PL), Ciro está costurando um acordo para que partidos da base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) combinem os próximos passos como se estivessem na oposição.

DECRETO DO IOF – Na prática, o sinal de insatisfação dado pela Câmara ao decidir acelerar a votação destinada a barrar o decreto de Lula que aumenta alíquotas do IOF não foi apenas por causa do atraso na liberação das emendas parlamentares.

O movimento político capitaneado pelo Centrão é para mostrar ao Planalto que o processo de divórcio litigioso está em curso e deve ser assinado ainda no primeiro semestre do ano que vem.

É a sucessão presidencial, irrefreável, que já está nas ruas.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– É o começo do fim. Com esse movimento, a direita isola Lula e Bolsonaro, ao mesmo tempo, para enfraquecer a polarização e compor um grupo parlamentar altamente majoritário e capaz de enfrentar o Supremo, que está levando pancada aqui e lá fora, com participação direta de Donald Trump, e vai ter de refluir dessa posição de hegemonia que julga ter. (C.N.)             

Exames mostram que Bolsonaro está com pneumonia, ainda em fase inicial

 dez vezes por dia'

Bolsonaro cancelou a agenda e fez uma bateria de exames

Deu no Diário do Nordeste

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi diagnosticado com princípio de pneumonia viral após passar por bateria de exames na manhã deste sábado (21). A informação é do médico Cláudio Birolini, que acompanha a saúde do ex-presidente. 

Bolsonaro passou mal na sexta-feira (20), quando estava no segundo dia de agenda política em Goiás. Ele cancelou os compromissos e retornou a Brasília. Antes disso, contudo, ele já tinha relatado sintomas. 

SINTOMAS – Segundo o próprio ex-presidente, ele estava com soluços, havia sentido enjoos e tinha vomitado diversas vezes. As informações são do g1.

Segundo Birolini, os exames a que Bolsonaro foi submetido já estavam agendados, mas foram adiantados devido ao estado de saúde do ex-presidente. 

“Tá tudo bem, exceto pelo achado, que provavelmente é uma pneumonia viral em resolução”, afirmou. O ex-presidente deve ser medicado para a doença ainda neste sábado. A

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
O diagnóstico de pneumonia mostra que a última cirurgia deu certo. Desde a facada, em 2018, a saúde de Bolsonaro é precária. Eles jamais deveria andar a cavalo, de motocicleta ou jet-ski, porque são práticas que forçam o abdômen. Até a transa sexual tem de buscar posição mais adequada. Mas o pior mesmo é Bolsonaro permitir que os eleitores o carreguem nos ombros. Agindo dessa forma, o quadro da saúde dele vai se complicar cada vez mais. Lembrem que a última cirurgia foi delicadíssima, o intestino demorou quase um mês para voltar a funcionar. Dizem que ele está fingindo para ficar em prisão domiciliar, igual ao Maluf e ao Collor. Mas é certo que, ao invés de “imbrochável”, ele logo deve passar a ser “inservível”. (C.N.)

Evangélicos têm grande importância na política brasileira, afirma Cardozo 

José Eduardo Cardozo: "Ficha Limpa não pode ter viés político"

Substituir Bolsonaro é problema do PL, afirma Cardoso

Deu na CNN

“Como Jair Bolsonaro não poderá ser candidato em 2026, por ter sido condenado duas vezes pelo Tribunal Superior Eleitoral, que o declarou inelegível, muitos pré-candidatos disputam a herança do bolsonarismo”, diz José Eduardo Cardozo, ex-ministro da Justiça e um dos mais importantes políticos do PT.

“Uma das correntes políticas mais cobiçadas é o voto dos evangélicos, que têm uma importância muito grande na política brasileira, como também têm os católicos”, afirmou o comentarista

Esse é um terreno que está colocado para a disputa política que se dará no ano que vem”, opinou.

ATO EVANGÉLICO – No domingo, a Marcha para Jesus de 2025 reuniu o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e parte dos seus aliados, além do advogado-geral da União (AGU), Jorge Messias, que representou o governo Lula no encontro.

“O governador Tarcísio tem uma estratégia de ser um candidato da extrema direita e da direita para a Presidência da República. A primeira delas será consolidar o seu apoio no bloco bolsonarista”, disse

“Nós sabemos que Jair Bolsonaro não poderá ser candidato e, nessa perspectiva, está hoje posta a disputa entre todos aqueles que querem receber a herança do bolsonarismo. Tarcísio é um deles, então ele precisa consolidar a sua presença neste bloco”, prosseguiu.

Um mar de sombras e vida, na poesia de Augusto Frederico Schmidt

Nenhuma descrição de foto disponível.Paulo Peres
Poemas & Canções

O poeta carioca Augusto Frederico Schmidt (1906-1965) sentia viver um mar de sombras, rico de vida e de harmonia, mas ao mesmo tempo  inquieto e desconhecido, que fazia nascer a misteriosa música de seus versos.

MAR DESCONHECIDO
Augusto Frederico Schimidt

Sinto viver em mim um mar ignoto,
E ouço, nas horas calmas e serenas,
As águas que murmuram, como em prece,
Estranhas orações intraduzíveis.

Ouço também, do mar desconhecido,
Nos instantes inquietos e terríveis,
Dos ventos o guaiar desesperado
E os soluços das ondas agoniadas.

Sinto viver em mim um mar de sombras,
Mas tão rico de vida e de harmonias,
Que dele sei nascer a misteriosa

Musica, que se espalha nos meus versos,
Essa música errante como os ventos,
Cujas asas no mar geram tormentas.

Zambelli intimada a apresentar defesa por escrito contra perda de mandato

A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) chegou a afirmar, em entrevista, ser “intocável” na Itália por ter cidadania italiana

Na Itália, Zambelli citou Pizzolato, um petista que fugiu

Deu na CNN

Os advogados da deputada licenciada Carla Zambelli (PL-SP) apresentarão, por escrito, a defesa da parlamentar contra a perda de mandato.

Foragida na Itália, Zambelli foi notificada nesta semana. Ela tem um prazo de cinco sessões na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para apresentar a sua defesa.

CONFIRMOU RECEBIMENTO – A parlamentar licenciada foi notificada por e-mail na última terça-feira (17). Ela já deu ciência do recebimento da notificação. O caso será relatado pelo deputado federal Diego Garcia (Republicanos-PR). Após a apresentação da defesa, o relator terá cinco sessões para apresentar um parecer.

Pelos prazos regimentais, o processo pode ficar apenas para agosto, após o recesso parlamentar. Após a Comissão, o caso segue para o plenário da Câmara dos Deputados.

Em maio, Zambelli foi condenada a 10 anos de prisão, perda de mandato na Câmara dos Deputados e o pagamento de indenização de R$ 2 milhões por invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A parlamentar recorreu, mas foi derrotada por unanimidade em julgamento da Primeira Turma da Suprema Corte.

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NOTA DA REDAÇÕ DO BLOG –
A deputada está foragida na Itália. A intimação é mera formalidade. Quanto à modesta multa de R$ 2 milhões, faz parte da bizarrice atual do Supremo, que vive num mundo do faz de conta. É a chamada multa de São Tadeu: de ele não pagar, nem eu. (C.N.)

Trump, o Oriente Médio e os riscos de um novo abismo geopolítico

Trump decidirá “em até duas semanas” se osEUA ingressarão na guerra

Pedro do Coutto

Num cenário global cada vez mais instável e complexo, a recente declaração do presidente norte-americano Donald Trump de que decidirá, “em até duas semanas”, se os Estados Unidos ingressarão na guerra entre Israel e Irã, é mais do que uma provocação: é um alerta.

Um aviso de que o tabuleiro geopolítico do século XXI segue sendo manuseado com a mesma ousadia — ou imprudência — que caracterizou os momentos mais tensos da Guerra Fria. O mundo assiste, atônito, enquanto o líder da maior potência militar do planeta transforma a diplomacia em espetáculo e o equilíbrio internacional em aposta.

CONFRONTO – Não é a primeira vez que Trump — em seu segundo mandato, cada vez mais moldado por impulsos e retórica nacionalista — flerta com decisões de alto risco em política externa. Mas nunca, desde a crise dos mísseis de 1962, a possibilidade de um confronto direto envolvendo múltiplas potências nucleares pareceu tão presente.

O conflito entre Israel e Irã, com raízes profundas e implicações regionais de larga escala, já tem sido motivo de preocupação da ONU e de líderes europeus. A entrada dos EUA no campo de batalha, ainda que sob justificativas de “apoio a um aliado estratégico”, representaria uma escalada imprevisível.

A interrogação que paira sobre analistas e chanceleres ao redor do mundo, no entanto, não se limita à decisão americana. A reação de Rússia e China será determinante para o desfecho desse impasse. Ambas as potências têm interesses concretos na estabilidade — ou instabilidade — do Oriente Médio.

INFLUÊNCIA AMERICANA – Moscou mantém laços militares e diplomáticos com Teerã, além de ver em qualquer enfraquecimento da influência americana na região uma oportunidade geopolítica. Pequim, por sua vez, aposta em parcerias comerciais e na segurança energética que passa, inevitavelmente, pela estabilidade do Golfo Pérsico.

Ao insinuar uma decisão tão drástica em prazo tão curto, Trump parece apostar novamente na imprevisibilidade como arma estratégica. É seu estilo. Um estilo que já balançou alianças históricas, rompeu com acordos multilaterais e impôs sanções econômicas à revelia de instituições globais. Mas o palco atual é diferente. O risco não é apenas diplomático: é humanitário, é militar, é civilizacional.

Em uma era em que redes sociais transformam discursos em faíscas e algoritmos amplificam tensões, a ausência de mediação ponderada entre líderes mundiais torna-se ainda mais perigosa. A política internacional não é mais conduzida apenas por tratados e embaixadores, mas por declarações intempestivas e vídeos virais. Nesse ambiente, uma frase mal colocada ou um míssil mal interpretado podem ser o estopim de um desastre.

O pano de fundo dessa ameaça também revela o quanto o mundo mudou — e o quanto permanece o mesmo. As rivalidades entre potências, os conflitos por influência regional e o uso da guerra como instrumento político continuam ativos, mesmo sob novas roupagens. A diferença é que, agora, tudo se dá em tempo real, com bilhões de olhos atentos e pouca margem para correções.

DIPLOMACIA  – A pergunta essencial, portanto, não é apenas se os EUA vão entrar em guerra. Mas se ainda existe espaço, no atual sistema internacional, para que a diplomacia, a racionalidade e o senso de responsabilidade global prevaleçam sobre o ego dos líderes. O destino de milhões pode depender disso.

Enquanto o presidente Trump ensaia mais um ato de sua diplomacia performática, o mundo gira — mas não gira em paz. Gira em torno do medo, da incerteza e da urgência de que a política volte a ser um instrumento de equilíbrio, não de provocação. Porque se as potências decidirem trocar palavras por bombas, não haverá vencedor. Apenas sobreviventes. E, talvez, nem isso.

Lula vai arrombar os cofres públicos para tentar vencer a última eleição

Lula não quer desagradar aliados no corte de gastos | Charges | O Liberal

Charge do J.Bosco (O Liberal)

Vicente Limongi Netto

Lula da Silva falando grosso, desafiando adversários. Garante que é o melhor de todos eles. Podem fazer fila. Lula incendeia a rinha. Quem não conhece, que compre o traste.  O quase oitentão jura que permanece vigoroso. Já com sebo nas canelas. Provocador até nas vírgulas. É o perfil do maratonista Luiz Inácio da Silva. 

Palavras duras de Lula podem soar, para alguns, como desespero. Lula pisa na chamada direita, sem dó nem piedade. Permanece com a caneta cheia de tinta. Experiente em disputas eleitorais, sabe que em eleição vale tudo, menos perder. Usando a caneta mágica, vai arrombar os cofres públicos.

NO ATAQUE – Lula lançou flechas nos possíveis adversários. Ratinho, Tarcísio, Caiado e Zema. O trunfo de Lula é acreditar na polarização. Diluindo a força dos eventuais concorrentes.

Mas a “virulenta direita”, na definição de Lula, pode vestir-se de grandeza e desprendimento e lutar unida em torno de um nome, consagrando Ratinho, Tarcísio, Caiado ou Zema.

A briga pelo poder ficaria, então, mais fascinante. Deixando Lula, o PT e seguidores mais atentos e com os pés no chão, porque ele dificilmente sairá vitorioso.

Votos dos evangélicos garantem a vitória da direita em 2026, diz Coppolla

DCaio Coppolla: Ainda ha quem defenda o PTeu na CNN

Os evangélicos terão um impacto decisivo na vitória da direita em 2026, afirmou o comentarista Caio Coppolla no programa O Grande Debate desta quinta-feira, na CNN Brasil.

“O censo estima que 1/4 dos eleitores professem a fé evangélica, mas há projeções que já chegam à casa de 30% do eleitorado brasileiro composto por evangélicos”, disse.

MARCHA PARA JESUS – No domingo passado, a Marcha para Jesus de 2025 reuniu o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e parte dos seus aliados, além do advogado-geral da União (AGU), Jorge Messias, que representou o governo Lula no encontro.

“É natural que os evangélicos repudiem aqueles que eles identifiquem como grandes corruptos, mentirosos inveterados, pecadores impenitentes e votem de acordo com a sua consciência e filosofia moral”, opinou Coppolla.

“A Bíblia repudia aquele que tira dos necessitados: ‘não explorem os pobres por serem pobres’, alerta o livro de Provérbios (22:22)”, disse o cientista político.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Coppolla tem toda razão. Depois da hegemonia da esquerda, iniciada em 2002, vem aí o predomínio da direita, com apoio maciço dos eleitores evangélicos. É a alternância no poder, uma das características do regime democrático. (C.N.)

Partidos também devem ser responsáveis pela melhor gestão das contas públicas

Pec Kamikaze estoura contas públicas | Charges | O Liberal

Charge do J.Bosco (O Liberal)

Carlos Pereira
Estadão

Faz sentido esperar comportamento responsável de partidos políticos em regimes presidencialistas? Como consequência da iminente derrota no Legislativo do decreto presidencial que aumenta o IOF, os partidos políticos brasileiros têm sido convocados pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e por alguns analistas políticos, a compartilhar a responsabilidade pelo equilíbrio fiscal diante da resistência do Congresso em aprovar o aumento de impostos.

Assim, a existência de partidos ideologicamente opacos e não envolvidos nas “grandes questões nacionais” seria uma consequência estrutural do presidencialismo

INTERFERÊNCIAS – No livro “Presidents, Parties, and Prime Ministers: How the Separation of Powers Affects Party Organization and Behavior”, os cientistas políticos David Samuels e Matthew Shugart argumentam que o sistema de governo interfere diretamente na forma de organização dos partidos e no próprio sistema partidário.

Para os autores, a separação de poderes — característica dos regimes presidencialistas — tende a gerar partidos nacionais, porém programaticamente frágeis e ideologicamente difusos.

Ou seja, a existência de partidos ideologicamente opacos e não responsivos a “grandes questões nacionais” e de perfil universal, como o equilíbrio fiscal, não é uma “anomalia” exclusivamente brasileira, mas sim uma consequência estrutural do presidencialismo.

NO PRESIDENCIALISMO – Destaque-se que, nos regimes presidencialistas, a responsabilidade por políticas universais nunca recai sobre os partidos ou sobre o Legislativo. Ela sempre será atribuída ao presidente.

Apesar de o presidencialismo não favorecer naturalmente partidos coesos e responsáveis, isso não significa que reformas institucionais não possam produzir efeitos virtuosos.

 As mudanças aprovadas em 2017 — especialmente a cláusula de desempenho, o fim das coligações proporcionais e o financiamento público de campanha — alteraram profundamente os incentivos do sistema partidário.

MAIS RESPONSABILIDADE – Legisladores antes conhecidos por seu comportamento errático e descolado das diretrizes partidárias passaram a se alinhar mais frequentemente às orientações de suas lideranças.

Esse realinhamento não foi resultado de um súbito despertar ideológico, de um compromisso renovado com o bem comum ou de maior clareza programática. Foi sobrevivência! A reforma encurtou o espaço de manobra dos chamados “indisciplinados”, forçando sua migração para partidos maiores e mais disciplinados.

Líderes partidários, por sua vez, ganharam mais poder para impor disciplina ao condicionar a alocação de recursos de campanha e de posições de poder dentro do legislativo ao comportamento leal.

SOBREVIVÊNCIA – A lealdade partidária se tornou uma estratégia racional de sobrevivência eleitoral — e não uma manifestação de responsabilidade programática.

Portanto, embora ainda seja prematuro falar em partidos plenamente “responsáveis” no sentido parlamentarista do termo, os partidos brasileiros demonstraram uma capacidade rara: a de se autorreformar para preservar sua relevância institucional.

A estabilidade recente do sistema político brasileiro não foi conquistada nas urnas ou nas ruas — mas sim no silêncio das reformas aprovadas pelo próprio Congresso. A mudança veio menos do clamor popular e mais da engenharia institucional dos próprios partidos.

Futebol brasileiro desperta do marasmo e dá show na Copa do Mundo de Clubes

Flamengo domina o Chelsea e vence de virada no Mundial

Bruno Henrique dá muita velocidade ao time do Flamengo

Vicente Limongi Netto

Times brasileiros na Copa do Mundo de Clubes estão mostrando, na prática, que também sabem jogar com adversários até mais fortes. Palmeiras, Fluminense, Botafogo e Flamengo estão derrubando previsões pessimistas e desabonadoras. Calando a boca inclusive daqueles chamados analistas que arrotam conhecimento, sem nunca terem jogado nem pedra em vidraça. Agora estão com o rabinho entre as pernas também os berradores fantasiados de narradores.

No Flamengo, o meia Gerson foi um monstro em campo. Bom para Ancelotti e para a seleção. Nossos jogadores estão nos cascos. Antes do jogo do Botafogo com o PSG, os afro-franceses mostravam os dentes com sorrisos marotos, não levando fé no querido alvinegro carioca.

FAZENDO BONITO – O Botafogo foi gigante. Não se importou com a grandeza e fama do PSG, que vinha de três goleadas sem tomar nenhum gol. O alvinegro venceu com personalidade. O fato é que os times brasileiros estão fazendo bonito na Copa do Mundo de Clubes. Botafogo jogou com brio e raça. Espelhou-se no Fluminense, que também estreou encarando poderoso clube alemão.

 O céu vibrou, com a torcida de eternos gênios que honraram a camisa alvinegra, Nilton Santos, Manga, Amarildo, Didi, Zagalo, Gerson e Garrincha. Amigos de fé, mais antigos e atentos, como o general Agenor Francisco Homem de Carvalho, também lembram, destacam e homenageiam o botafoguense Heleno de Freitas.  

Flamengo colocou em campo atletas mais jovens, fazendo da força física um valioso instrumento para a vitória. Espera-se que o Fluminense também faça bom jogo amanhã.  Moral do Flamengo passa energia boa aos atletas de Renato Gaúcho.

Lula ultrapassado por um futuro condenado por golpe é muita humilhação

Eleições 2022: quais são as propostas de Lula e Bolsonaro? - BBC News Brasil

Qualquer candidato que Bolsonaro indicar consegue vencer Lula?

Fabiano Lana
Estadão

Expectativa: Consagrado internamente, o presidente Lula chega ao encontro do G7 esta semana no Canadá como um grande jogador capaz de influenciar os rumos do atual conflito no Oriente Médio entre Israel e Irã. Realidade: Com baixa popularidade, o presidente fará mais uma viagem internacional como um líder café-com-leite, sem grande importância estratégica para os demais, acuado por um Congresso que não quer aprovar seu pacote fiscal, e ameaçado nas pesquisas por qualquer um que seu maior adversário político – um notório golpista, prestes a ser preso – queira apoiar.

Uma teoria é que Lula não ganhou em 2022, mas Bolsonaro perdeu para si mesmo. Agora podemos inverter. Se a tendência continuar, qualquer político – mesmo pouco conhecido – que apareça nas cartelas de pesquisa, pode vencer o atual presidente.

É CONSTRANGEDOR – Isso deve ser bastante constrangedor para os ocupantes do Palácio do Planalto. E nem dizer que não se acredita mais em pesquisas tem sido possível – pois esse tipo de comportamento avestruz ficou ligado ao bolsonarismo.

Essa situação de fato humilhante ainda possui um tempero que intriga: os índices da economia brasileira não estão de mal a pior, ao contrário. A taxa de desemprego está entre as melhores da história. A renda das famílias encontra-se em elevação. A inflação deu um suspiro. O PIB cresceu mais de 3%. O déficit público segue a ameaçar todas as conquistas citadas, mas não é algo que a população sinta neste momento.

Nesta conjuntura, querem apontar o dedo em direção ao culpado para o principal suspeito de sempre: a comunicação. O ministro responsável pela área, Sidônio Palmeira, poderia alegar que algumas intercorrências, como a crise do INSS ou o problema da taxação do Pix, interromperam uma recuperação virtuosa. Que o governo é vítima das fake news, dos algoritmos manipulados das grandes empresas de tecnologia.

POVO MANIPULADO? – Daí que a resposta para o baixo apoio é tão simples? Ou seja, o brasileiro, que se beneficia da melhora dos índices, não consegue aprovar o governo devido à enxurrada de mentiras que recebe no celular? Será que, como povo, somos tão manipuláveis? A depender de certas pessoas que apoiam o petismo, sim.

Um Congresso autônomo, com forte controle sobre suas emendas e com ideologia diversa da praticada pelo governo, é de fato um agravante. Mesmo assim não é possível apostar em análises ingênuas e superficiais.

Não seria melhor imaginar que, de alguma maneira, Lula e o petismo estão se tornando um produto político anacrônico, pouco aderente às demandas da sociedade atual?

DISCURSOS ANACRÔNICOS – Ou que o discurso de um Estado forte a auxiliar diretamente um gigantesco contingente que não consegue arrumar emprego ficou de alguma maneira anacrônico?

É possível que, pouco a pouco, o brasileiro tenha se tornado mais liberal no sentido de que o que vale precisa ser conquistado como fruto de seu próprio trabalho, e não de eventuais bolsas e auxílios? Valeria a pena estudar a hipótese antes de culpar big techs, a “extrema-direita” ou o setor financeiro pela má-fase.

Do ponto de vista da imagem, é evidente que o “produto” Lula cansou. Os longos discursos nos quais o presidente anda de um lado para outro, em geral, se elogiando, se dizendo predestinado, atacando os adversários, parece que cansaram a plateia.  

COMENDO POEIRA – Disso só vai sobrar um corte feito por algum não simpatizante com alguma sequência de frases comprometedoras. Esse vídeo que prejudica Lula irá rodar nos grupos de WhatsApp com uma repercussão que vai deixar a comunicação oficial comendo poeira.

Um efeito das redes sociais foi o fim de certa hegemonia discursiva da esquerda no Brasil. Antes, o apoio do PT nas universidades, entre os intelectuais, entre os artistas de elite, eram bastante decisivos. Hoje, esse pessoal pode ser eclipsado por um “reaça”, antes anônimo das redes, com mais seguidores do que todos somados a reagir com agressividade contra qualquer ação do petismo. Controlar as redes não vai solucionar a questão.

Lula pode se recuperar? Sim. Já saiu de situações muito mais difíceis na vida. Mas a diferença é que a cada dia ele próprio e seu grupo político parecem se encontrar desadaptados com os valores da sociedade. Não serão apenas mudanças cosméticas que farão o jogo virar.

Lula não reage à irresponsabilidade do Congresso nem tenta se defender 

Charge publicada em GZH e Zero Hora. #charge #desenhodeimprensa  #fragadesenhos #humor #popularidade #governo #lula #lula3 #governolula

Charge do Fraga (Gaúcha/Zero Hora)

Dora Kramer
Folha

A situação anda tão disfuncional que o presidente Lula (PT) perde até quando tem razão. No caso dos vetos derrubados e outros postos em negociação pelo Congresso que em poucos dias impôs duas vezes prazos ao governo, a boa prática recomendava a manutenção dos atos presidenciais.

Venceram, contudo, os lobbies ligados ao setor de energia aliados à sanha de infligir derrotas em série ao Planalto. Isso ao custo de prejuízos aos consumidores e a poder de completa irresponsabilidade social.

DIVIDENDOS POLÍTICOS – As contas de luz ficarão mais caras, o fundo eleitoral cresce em milhões de reais, mas aos parlamentares só importou a ideia de que daquela demonstração de força poderiam extrair dividendos políticos decorrentes de mais uma evidência da fragilidade do Executivo frente ao Legislativo.

O desequilíbrio, de fato, é patente, mas o mau passo do Congresso seria uma oportunidade de o governo tentar reequilibrar a balança expondo à sociedade a falsidade contida na cobrança por austeridade na condução de políticas públicas.

A chance parece perdida por falta de reação imediata. O presidente da República estava em reunião do G7 onde sua presença era dispensável, o ministro da Fazenda em férias e os líderes no Parlamento desnorteados.

RUI E GLEISI – Tivemos também os ministros da Casa Civil, Rui Costa, e das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, acorrendo a Davi Alcolumbre para, acuados, rezar mais uma vez no altar do presidente do Senado.

Como resposta, o governo apresenta a possibilidade de correção em futura medida provisória, cujo destino, contudo, estará da mesma forma submetido à dinâmica do vale tudo por um nocaute.

A incapacidade de agir para tentar conquistar o apoio da população decorre da seguinte realidade: Lula não tem força para se indispor com o Congresso nem cacife para enfrentar os grupos de interesse ali representados. Ademais, falta ao presidente disposição para corrigir o que anda errado no seu rumo e sobra-lhe a equivocada convicção de que está no caminho certo.

A democracia sob escuta: os riscos revelados pela Abin paralela