OAB cria comissão para “reformar” o Judiciário e “conter” o Supremo

Tribuna da Internet | Decisão do Supremo que derruba o marco temporal  desmoraliza missão do Congresso

Charge do Alpino (Yahoo Noticias)

Rayssa Motta
Estadão

A comissão de estudos criada pela seccional paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP) para debater uma reforma ampla do Poder Judiciário se reúne pela primeira vez nesta segunda-feira, 23, na sede da entidade, em São Paulo, para definir um cronograma de reuniões e trabalho.

A expectativa é que as propostas estejam prontas dentro de um ano para serem entregues ao Congresso e ao Supremo Tribunal Federal (STF). Estão no radar da comissão temas sensíveis, como o funcionamento do STF e a conduta de seus ministros, e questões relacionadas à administração da Justiça.

CRISE DE CREDIBILIDADE – Antes da reunião, na cerimônia de instalação do grupo de trabalho, no auditório da OAB de São Paulo, os membros da comissão endereçaram suas principais preocupações. A crise de credibilidade do Poder Judiciário foi mencionada em todos os discursos.

“O momento é exatamente adequado para que nós trabalhemos sobre esse tema porque o Judiciário se encontra sob crítica violenta de todos os lados. Não consegue agradar a ninguém”, afirmou a ministra Ellen Gracie, aposentada do STF, uma das integrantes do grupo de trabalho.

O ex-ministro da Justiça Miguel Reale Jr. também vai fazer parte da comissão. Ele defendeu que o STF é um dos objetos de “preocupação” do grupo de trabalho. “Seja com relação à sua competência, seja com relação ao seu regimento interno, seja com relação à sua imagem. Para a preservação de sua imagem como um órgão neutro, imparcial e íntegro”, afirmou o ex-ministro.

CORREÇÃO DE RUMOS – A ex-presidente da OAB de São Paulo, Patrícia Vanzolini, conselheira federal da Ordem dos Advogados, disse que a comissão vai propor “correções de rumos” para “fortalecer” o STF.

A cientista política Maria Tereza Sadek afirmou que as críticas ao Judiciário têm “muito fundamento” e mencionou como exemplo a atuação de ministros e juízes.

“Nós temos que reconhecer que vivemos difíceis, momentos de crise, em que o Judiciário tem sido atacado por vários setores da população”, afirmou. “É nosso dever tentar fazer uma reflexão séria e consistente sobre a situação atual.”

CÓDIGO DE CONDUTA – Uma das propostas em debate preliminar é a criação de um código de conduta para magistrados, inclusive ministros de tribunais superiores, com regras claras de imparcialidade.

Hoje, juízes, desembargadores e ministros seguem as normas previstas na Lei Orgânica da Magistratura (Loman), o estatuto dos magistrados, em vigor desde 1979 (Governo João Figueiredo, último general na Presidência durante o regime de exceção) – antes, portanto, da promulgação da Constituição.

Os membros da comissão consideram que é necessário atualizar as regras. O primeiro passo é traçar um diagnóstico dos problemas e definir prioridades.

SEM REVANCHISMO – A comissão nasce como um espaço para debater reformas no Judiciário, mas há uma preocupação interna em se contrapor a iniciativas consideradas revanchistas contra o STF, como projetos de lei de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para restringir prerrogativas dos ministros. “É uma comissão a favor da Justiça, não é uma comissão contra a Justiça, mas é uma comissão crítica”, afirmou o professor Oscar Vilhena, da FGV, que também compõe o grupo de trabalho.

O critério para escolha dos membros foi a pluralidade. Além de juristas, há ministros aposentados do STF e ex-ministros de Estado que participaram dos governos Lula, Dilma e FHC.

Outra proposta que começou a ser debatida envolve a restrição do televisionamento das sessões plenárias do STF. Estudos mostram que o tempo de voto dos ministros aumentou sensivelmente desde a criação da TV Justiça. A comissão avalia propor que apenas julgamentos de questões constitucionais continuem a ser transmitidos em tempo real. Nesse caso, ações criminais, por exemplo, como os processos da trama golpista, poderiam ser acompanhadas apenas presencialmente.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Antes tarde do que nunca. Outras ideias são a proposta de mandato para ministros do STF, como ocorre em países da Europa, como Itália, França, Alemanha, Espanha e Portugal, e a redução da competência criminal da Corte. A restrição do foro privilegiado, por exemplo, é quase consenso no grupo. O certo é que, como está não pode ficar. (C.N.)

Trump anuncia e comemora aceitação de um cessar-fogo entre Israel e Irã

Foto-montagem mostra Ali Khamenei, Donald Trump e Benjamin Netanyahu - Metrópoles

Foto-montagem de Khamenei, Donald Trump e Netanyahu

José Augusto Limão
Metrópoles

O presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, anunciou, na tarde desta segunda-feira (23/6), que foi acordado um cessar-fogo entre Israel e Irã. Os países envolvidos no conflito não confirmaram a informação. O republicano fez o anúncio em sua rede social, a Truth Social. Trump afirmou que o cessar-fogo se iniciaria no início da madrugada desta terça-feira.

O Irã seria o primeiro que encerraria os ataques, em seguida Israel também aceitaria o cessar-fogo. O presidente dos EUA também parabenizou Irã e Israel por terem “resistência, coragem e inteligência” para encerrar o que ele definiu como “a guerra de 12 dias”.

TRUMP FESTEJA – “O fim oficial da guerra de 12 dias será saudado pelo mundo. Durante cada cessar-fogo, o outro lado permanecerá pacífico e respeitoso”, disse Trump.

Apesar do anúncio de Trump, Israel voltou a lançar ataques aéreos contra o país, nesta segunda-feira (23/6), com “intensidade sem precedentes” ao “coração de Teerã”, capital do Irã, tendo como alvo a sede da Guarda Revolucionária do Irã (IRGC),

Segundo o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, os alvos incluiam o quartel-general de Basij; a Prisão de Evin, “para presos políticos e opositores do regime”; o relógio da Destruição de Israel, localizado na Praça Palestina; e o quartel-general de segurança interna da Guarda Revolucionária.

IRÃ LANÇA MÍSSEIS – Em resposta, o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) do Irã realizou, nesta segunda-feira (23/6), a 21ª operação com mísseis desde o início do conflito com Israel, no último dia 13 de junho. A ação adota nova tática ao lançar um ataque combinado de mísseis e drones contra múltiplos alvos em outras regiões de Israel.

Os iranianos também lançaram mísseis em direção a uma base americana no Catar, mas o Departamento de Defesa dos EUA afirmou que não houve feridos.

De acordo com um comunicado oficial do IRGC, foram usados mísseis de propulsão sólida e líquida, além de drones suicidas, para atingir áreas estratégicas espalhadas de norte a sul do território israelense.

EUA NA GUERRA – No sábado passado (21/6), os Estados Unidos entraram oficialmente na guerra, depois de bombardear três instalações nucleares do Irã.

O Iêmen anunciou a entrada no conflito “contra Israel e EUA”, ao lado do Irã, e diz estar de “prontidão para participar do ataque a navios de guerra norte-americanos no Mar Vermelho, caso o inimigo americano lance uma agressão em apoio ao inimigo israelense contra a República Islâmica do Irã”.

RESPOSTA MUITO FRACA -Mais cedo nesta segunda, Trump definiu os ataques do Irã a uma base militar norte-americana no Catar como uma “resposta muito fraca” à ofensiva norte-americana contra instalações militares e nucleares iranianas no último sábado.

Em retaliação aos ataques dos Estados Unidos no sábado (21/6), o Irã lançou mísseis em direção ao Catar. O alvo era Al Udeid, conhecida por ser a maior base militar dos EUA no Oriente Médio.

Em comunicado, um porta-voz do governo catari condenou os ataques.

DISSE O PORTA-VOZ – “O Irã respondeu oficialmente à nossa destruição de suas instalações nucleares com uma resposta muito fraca, o que esperávamos e que combatemos com muita eficácia. Foram disparados 14 mísseis – 13 foram derrubados e um foi “liberado” porque estava direcionado para onde não causaria danos. Tenho o prazer de informar que nenhum americano foi ferido e quase nenhum dano foi causado. Mais importante ainda, eles se livraram de tudo e, com sorte, não haverá mais ódio”, disse Trump.

Trump ainda agradeceu ao Irã por “avisar com antecedência” sobre os ataques, “o que possibilitou que nenhuma vida fosse perdida e ninguém ficasse ferido”.

O presidente dos EUA, em seguida, falou em paz. “Talvez o Irã possa agora prosseguir rumo à paz e harmonia na região, e eu encorajarei Israel com entusiasmo a fazer o mesmo.

Acareação de Cid e Braga Netto a portas fechadas é grave erro do STF

Acareação de Cid e Braga Netto a portas fechadas é erro do STF

Será que conseguiremos saber qual dos dois está mentindo?

Josias de Souza
do UOL

A imprensa acompanhou os depoimentos das testemunhas da tentativa de golpe em tempo real. Os interrogatórios de Bolsonaro e seus cúmplices foram ainda mais transparentes, com transmissão ao vivo da TV Justiça. Inexplicavelmente, Alexandre de Moraes decidiu fechar as portas da Primeira Turma do Supremo durante o tête-à-tête de Mauro Cid com o general Braga Netto, marcado para esta terça-feira.

A acareação destina-se a elucidar duas divergências cruciais entre as versões do ajudante de ordens e do vice de Bolsonaro. Delator seletivo, Cid fez duas revelações tardias sobre Braga Netto.

POUCA MEMÓRIA – Numa, contou que o plano Punhal Verde e Amarelo foi esmiuçado numa reunião na casa de Braga Netto, em novembro de 2022.

Noutra, Cid ajustou a delação original para revelar que o general lhe entregou, no Palácio da Alvorada, uma caixa de vinho com dinheiro para financiar os kids pretos que se encarregariam de monitorar e executar Moraes, Lula e Alckmin. Alegou não se lembrar de quanto havia na embalagem nem do dia em que recebeu os recursos.

Sabe-se que algum dinheiro circulou nas mãos dos kids pretos, pois a Polícia Federal documentou a aquisição de celulares usados por oficiais do Exército que monitoraram os movimentos de Moraes sob a camuflagem de codinomes frios. Em mensagem trocada com Cid, o tenente-coronel Rafael de Oliveira falou sobre dinheiro. Coisa de R$ 100 mil.

CID MENTE? – Braga Netto alega que Cid mente. Por isso pediu a acareação. Preso preventivamente há seis meses, o general foi autorizado a viajar a Brasília. Fez questão de confrontar o delator cara a cara.

Moraes proibiu a presença da imprensa também em outra acareação marcada para esta terça, do ex-ministro da Justiça Anderson Torres com o ex-comandante do Exército Freire Gomes.

Pior do que um erro, só dois equívocos. As acareações pedem luzes acesas, não portas fechadas.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Excelente análise de Josias de Souza. Em países democráticos, a Justiça e caracteriza pelas portas abertas e pela transparência de seus atos. Aqui no Brasil é ao contrária. O todo-poderoso Alexandre de Moraes permite a divulgação do julgamento, mas na hora H, quando o respeitável público saberá quem está mentindo, o ministro tem uma recaída e esconde debaixo do tapete. Francamente, não tem a menor vocação para ser juiz. Mas quem se interessa? (C.N.)

É preciso reequilibrar a composição de forças entre os três Poderes

Tribuna da Internet | Brasil hoje é governado com base no rancor e vingança  entre os Poderes

Charge do Duke (Arquivo Google)

Hélio Schwartsman
Folha

O governo levou outra surra no Congresso. Parlamentares derrubaram vários vetos que o presidente Lula apusera a projetos de lei. É sintoma de uma mudança tectônica na política nacional.

Nos ainda recentes e longínquos anos 1990, tínhamos uma Presidência imperial, com poderes até para legislar sozinha através da reedição ilimitada de medidas provisórias (MPs). Enquadrar parlamentares era ainda mais fácil, já que o Executivo tinha total discrição para definir se liberaria ou não o dinheiro para emendas individuais.

CONGRESSO FORTE – Hoje a situação é outra. Seria exagero falar em Presidência decorativa, mas o Parlamento se tornou bem mais poderoso. É a tal da faca de dois gumes. Se ficou mais difícil para governantes eleitos implementarem suas políticas, também ficou mais difícil para líderes autoritários ou ensandecidos imporem suas preferências.

Parte desse rearranjo de forças se deve a mudanças legislativas, como as que alteraram o trâmite de MPs e de emendas parlamentares. Outra parte, porém, pode ser descrita como o Congresso descobrindo um poder que sempre teve, mas não usava.

Um bom exemplo é justamente o das derrubadas de veto presidencial. Elas passaram de raríssimas nos anos 1990 a corriqueiras agora, mas a única mudança legislativa nesse mecanismo foi que as votações deixaram de ser secretas —o que em tese facilitaria a vida do governo.

HAVER CONSENSO – O Parlamento é um órgão multifacetado, que reúne gente com diferentes ideologias, agendas e prioridades. Isso significa que ele só consegue se impor quando há relativo consenso em torno da matéria. E isso só tende a ocorrer em pautas corporativistas ou no esquema “eu o ajudo com o seu projeto e você me ajuda com o meu”. Ambos os modelos favorecem o paroquialismo de curto prazo.

Não penso que seja possível — e talvez nem mesmo desejável — retornar ao “status quo” dos anos 1990. O caminho para encontrar um ponto de equilíbrio mais saudável passa por fazer os parlamentares responderem mais por suas decisões. Só não me perguntem como fazer isso.

Disputa das verbas públicas se acirra com o Supremo entrando em campo

Independência e harmonia entre os Poderes

Charge do Nani (nani.humor.com)

Marcus André Melo
Folha

Há aparentemente dois paradoxos no comportamento do Executivo e do Congresso em relação à política fiscal. O primeiro diz respeito à suposta inversão observada em relação ao padrão austeridade no início do mandato e expansão de gasto no fim. Seria o proverbial ciclo político na política fiscal. O segundo é que o Congresso seria conservador, e o Executivo, expansionista.

Um olhar atento revela que a questão é mais complexa. No início do mandato, o governo patrocinou uma expansão fiscal inédita. E isso ocorreu em virtude da natureza própria da eleição apertada e de seu caráter hiperminoritário.

PEC DA TRANSIÇÃO – Sua extrema vulnerabilidade levou-o a antecipar a expansão do gasto com a PEC da Transição. Ao mesmo tempo deflagrou ataques ao Bacen, como estratégia de deslocar responsabilidades. O aumento recente da Selic expõe a inconsistência do discurso e da prática.

A expansão do gasto no ano eleitoral tem sido a tônica no país. Em 2006, foi de 10,3%, alcançando impressionantes 15,3% em 2010, na eleição de Dilma. Foi elevada em 2014 (6,3%) e 2022 (6%), quando Bolsonaro recorreu inclusive aos precatórios para gerar caixa.

A exceção foi 2018 e tem explicação clara. Sob Temer o gasto cresceu meros 1.8%. Isso é o que acontece nos raros casos em que o presidente não é candidato e não mobiliza o gasto em prol de nenhuma candidatura.

ETERNA GASTANÇA – O conflito atual entre o Congresso e o Executivo é também fácil de explicar. O fato é que o governo nunca abdicou do gasto. O arcabouço fiscal foi uma autorização para sua expansão. Mas o governo não antecipou seus efeitos dinâmicos.

Daí a política seletiva de austeridade: mira os ministérios que estão à míngua sinalizando contenção. Ao mesmo tempo, surge o pacote oportunístico de bondades. Ele inclui programas de crédito subsidiado e iniciativas como o Minha Casa, Minha Vida e o Pé de Meia que não estão no orçamento. E medidas como isenção na conta de luz e distribuição de botijões de gás, dentre outras.

Somam-se a isso o uso importante de estímulos parafiscais e a antecipação de benefícios como o 13º salário, em clara contradição com a política monetária. A alternativa de maior custo político —reduzir subsídios e isenções— é abandonada.

PELA REELEIÇÃO – É a viabilização desses programas e medidas que está em disputa quando o Congresso —cujas principais lideranças estão alinhadas a candidaturas presidenciais rivais— impõe obstáculos ao aumento da receita. Ao mesmo tempo, a maioria congressual também busca a reeleição, o que transforma o orçamento em campo de disputa, num jogo de soma zero.

Pela sua composição, o Congresso tem imposto, ao longo da última década, uma forte restrição fiscal assimétrica aos governos: veto para aumento de receita, mas não para a despesa de interesse da maioria legislativa.

A socialização dos custos desta dinâmica de relações Executivo-Legislativo tem limites. A inflação é um deles. No entanto o que vemos já há décadas é um equilíbrio político perverso, ancorado na concessão de benefícios setoriais para grupos e setores com forte influência sobre o jogo. O Executivo é seu árbitro. Mas o jogo tornou-se mais complexo com a entrada do STF em cena. O resultado é que a capacidade de arbitragem pelo Executivo das perdas e dos ganhos envolvidos tem se exaurido.

Ataque dos EUA ao Irã aumenta importância da cúpula dos Brics 

O vice-presidente e o presidente dos Estados Unidos, JD Vance (à esquerda) e Donald Trump (à direita)

O vice JD Vance e Trump discutem o alcance do ataque

Beatriz Bulla
do UOL

A escalada do conflito no Oriente Médio, com o ataque dos Estados Unidos ao Irã na noite de sábado, tende a jogar luz sobre a próxima cúpula dos Brics, que acontecerá daqui a duas semanas no Brasil. Isso porque, diferentemente de outras cúpulas multilaterais, como o G-7, o Brics reúne o próprio Irã, dois de seus principais aliados, China e Rússia, e importantes aliados regionais dos Estados Unidos, como Arábia Saudita, Egito e Emirados Árabes.

Um comunicado do grupo, portanto, terá de balancear as nuances regionais do conflito e, na visão do governo brasileiro, terá maior legitimidade perante a comunidade internacional do que as manifestações de grupos de atores que estão distantes do conflito.

BLOCO IMPORTANTE – Concebido inicialmente para congregar Brasil, Rússia, Índia e China, o Brics se expandiu nos últimos anos e atualmente é formado por onze países membros. Além dos quatro primeiros, o grupo reúne África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã.

Se a cúpula fosse hoje, a tendência seria um comunicado com condenação aos ataques dos Estados Unidos e de Israel, com grande ênfase na contenção da escalada. A diplomacia brasileira avalia, no entanto, que daqui até a cúpula, prevista para os dias 6 e 7 de julho, muita coisa pode acontecer no enfrentamento entre EUA e Irã.

A avaliação atual do governo brasileiro é de que a posição do Irã dentro dos Brics tende a ser balanceada pelo posicionamento dos aliados dos EUA no Oriente Médio – Arábia Saudita, Egito e Emirados Árabes – e que China e Rússia tendem a apoiar a contenção da escalada.

MUITAS DÚVIDAS – Rússia e China têm se colocado ao lado do Irã, mas há dúvida entre analistas internacionais a respeito do quanto os dois países irão se envolver diretamente na guerra. Moscou, Pequim e Teerã tentam formar um eixo global que se contraponha ao dos americanos. Os russos, no entanto, enfrentam uma guerra contra a Ucrânia e os chineses não demonstram apetite para se envolver para além da retórica nos conflitos do Oriente Médio.

Há receio por parte de Pequim também sobre os efeitos do fechamento do estreito de Ormuz, já que uma parte significativa das importações chinesas de petróleo vem dos países do golfo pérsico.

A decisão de Donald Trump, presidente dos EUA, de atacar instalações nucleares do Irã não surpreendeu o governo brasileiro.

JUSTIFICATIVA FRÁGIL – Integrantes da diplomacia consideram que a justificativa do americano foi frágil e contradiz informações da própria inteligência americana que informou que não há evidências de que o Irã estivesse desenvolvendo uma arma nuclear. O ato, segundo diplomatas, foi ilegal e cabe ao Brasil condenar — o que o Itamaraty fez através de nota neste domingo.

Dentro do governo, a avaliação é de que o conflito pode fortalecer a linha dura no Irã e a guerra tende a escalar após a entrada dos Estados Unidos. Há uma segunda preocupação dentro do governo brasileiro, com o efeito da guerra nos preços do petróleo e dos alimentos ao redor do mundo.

Daí a importância do próximo encontro dos Brics.

Visitar Cristina Kirchner na Argentina será mais uma burrice política de Lula

Cristina Kirchner já esperava que seria presa e apoiadores reagem | Brasil 247

Condenada por corrupção, Cristina está em prisão domiciliar

Eliane Cantanhêde
Estadão

O presidente Lula está tentado, mas deveria pensar muito bem e ponderar prós e contras antes de visitar a ex-primeira dama e ex-presidente da Argentina Cristina Kirchner, que foi condenada pela Justiça e está em prisão domiciliar, de tornozeleira, em Buenos Aires. Os problemas diplomáticos são o de menos, o que pode complicar muito essa visitinha é a repercussão aqui no Brasil.

A desde sempre polêmica Cristina, que se apresenta como “de esquerda”, não está presa por “perseguição política” ou coisas do gênero, mas pela velha corrupção que grassa lá, na Argentina, como cá, no Brasil. Lula prestando solidariedade a uma – aliás, mais uma − condenada por corrupção? Não parece uma boa ideia.

REUNIÃO DO MERCOSUL – Pela primeira vez desde a posse de Javier Milei, Lula vai à Argentina nos dias 2 e 3 de julho, para a Cúpula de presidentes do Mercosul, quando vai assumir a presidência pró-tempore do bloco, e pensa aproveitar para confraternizar, se solidarizar e tirar fotos sorridentes com Cristina Kirchner, da varanda do apartamento dela, para uma multidão em Buenos Aires. Mas o maior sucesso dessas fotos será no Brasil.

A primeira lembrança que os bolsonaristas tratarão de alardear é que o próprio Lula também foi condenado e preso, no caso do triplex do Guarujá, depois apagado pelo STF.

A segunda é que Lula já apanhou muito nas redes sociais por mandar um avião da FAB resgatar a ex-primeira dama do Peru Nadine Herédia… que não só foi condenada pela Justiça por corrupção, mas por corrupção envolvendo a antiga Odebrecht da Lava Jato.

PENA POR CORRUPÇÃO – Outra questão delicada: visitar uma condenada por corrupção como se ela fosse vítima de “perseguição política” pode soar na Argentina e ressoar no Brasil como confrontação à Justiça e, portanto, ingerência em assuntos internos de outro País. Justamente quando o governo brasileiro reclama – com razão, aliás − que os Bolsonaro atiçam os EUA contra o Supremo e o ministro Alexandre de Moraes, e o próprio Milei considera Bolsonaro “perseguido judicial”.

Uma visita de Lula a Cristina também será assimilada como uma provocação a Milei e gerar muxoxos do lado argentino, mas isso já não faz sentido, porque, há exatamente um ano, Milei desdenhou e trocou a cúpula do Mercosul em Assunção, no Paraguai, por um fórum conservador em Santa Catarina com…. Jair Bolsonaro.

Um encontro de Lula com Cristina seria interpretado como uma vingança pessoal, mas Milei não pode reclamar. Elas por elas. Política da mesquinharia.

PÉSSIMAS RELAÇÕES – Nada disso, porém, muda a relação entre Lula e Milei, que já é ruim e vai continuar ruim, nem as relações diplomáticas e comerciais, que mantêm uma certa normalidade, porque os governos e as empresas privadas dos dois países fingem que não veem o azedume político e vão tocando a vida, os interesses, negócios e acordos comuns. Isso basta.

São Sidônio, que entrou no governo para salvar a Pátria e a lavoura, mas não faz milagres, deve prevenir Lula de que ninguém vai dar a menor bola para Mercosul, discursos e acordos. Só vai se falar, publicar e criticar o encontro com Cristina Kirchner.

Mais uma vez, Lula não ganha nada, mas pode perder muito com um erro de cálculo ou, pior, uma vingança boba. Detalhe: Kirchner jamais visitou Lula nos seus 580 dias preso.

Augusto dos Anjos, que morreu jovem, queria correr em busca do seu futuro

Se algum dia o amor vier me procurar,... Augusto dos Anjos - PensadorPaulo Peres
Poemas & Canções

O advogado, professor e poeta paraibano Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos (1884-1914) mergulha suas fantasias no soneto “Insânia” e parte em busca do passado para alcançar o futuro.

 INSÂNIA
Augusto dos Anjos

No mundo vago das idealidades
Afundei minha louca fantasia;
Cedo atraiu-me a auréola fulgidia
Da refulgência antiga das idades.

Mas ao esplendor das velhas majestades
Vacila a mente e o seu ardor esfria;
Busquei então na nebulosa fria
Das ilusões, sonhar novas idades.

Que desespero insano me apavora!
Aqui, chora um ocaso sepultado;
Ali, pompeia a luz da branca aurora.

E eu tremo entre um mistério escuro:
– Quero partir em busca do Passado,
– Quero correr em busca do Futuro.

Ação de R$ 100 bilhões contra Petrobras expõe fantasmas de Lula e do PT

Prestes a dar um calote bilionário, Sete Brasil esbanja em benefícios -  ÉPOCA | Tempo

Prejuízo da Sete Brasil será totalmente pago pela Petrobras

Caio Junqueira
da CNN

A petroleira estatal já tentou um acordo de cerca de R$ 1 bilhão com a Sete Brasil, mas a negociação não evoluiu, e a ação bilionária que a empresa move contra a Petrobras expõe todos os fantasmas do PT. Primeiro, o fantasma da má-gestão. A ação cobra os prejuízos pela Petrobras ter desistido de construir navios para explorar o pré-sal, uma boa ideia mal executada.

Segundo, o fantasma da corrupção. A suspensão do projeto ocorreu porque um delator da Lava Jato, ex-gerente da Petrobras, admitiu propinas nas negociações.

OUTRO FANTASMA – A Petrobras já tentou um acordo de cerca de R$ 1 bilhão com a Sete Brasil, mas ele não evoluiu. E agora é alvo de uma ação que pode fazer com que tenha que pagar mais de R$ 100 bilhões. Expondo o terceiro fantasma: o das decisões erradas.

Credores envolvidos diretamente na bilionária ação movida pela Sete Brasil contra a Petrobras relataram à CNN que os valores a serem despendidos pela estatal podem superar os R$ 100 bilhões e causar um rombo nas contas da estatal.

Na ação judicial distribuída em fevereiro deste ano, o valor da causa atribuído pela Sete Brasil é de R$ 36 bilhões decorrentes do que considera prejuízos gerados pela estatal no projeto de construção de 28 sondas para explorar o pré-sal. Nenhuma foi entregue.

VALOR DEFASADO – Mas os credores relataram à CNN que o valor está desatualizado e que em valores atualizados é pelo menos o triplo disso. O processo já é considerado no meio jurídico um dos maiores contenciosos empresariais em curso no país, levantando questionamentos entre quem acompanha a estatal.

Primeiro, se não seria o caso de tentar um acordo. Essa possibilidade já foi debatida na estatal na gestão do general Silva e Luna, durante o governo Jair Bolsonaro, e tinha o apoio da gestão de Jean Paul Prates, já no governo Lula.

Por mais de uma vez chegou-se a avaliar um acordo ao redor de US$ 190 milhões, mas houve reação de parte do Conselho de Administração.

R$ 25 BILHÕES – Hoje, segundo os credores, um acordo não sairia por menos de R$ 25 bilhões.

Segundo, se não seria o caso de incluir a possibilidade desse possível passivo judicial no balanço da Petrobras, algo que poderia afetar seu desempenho na distribuição de dividendos aos acionistas e seu desempenho na Bolsa. Afinal, muitos investidores estão comprando ações da Petrobras desconhecendo a existência desse vultoso passivo.

A CNN procurou a Petrobras e não teve resposta.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
A criação da Sete Brasil foi um escândalo. A empresa não conseguiu fabricar nenhuma broca de perfuração, obrigando a Petrobras a continuar importando essas peças, que seriam usadas justamente no pré-sal. A Petrobras tomou um baita prejuízo e agora tem de pagar a conta. É bonito isso? (C.N.)

O ataque dos EUA ao Irã e grande o risco de uma escalada global

Teologia da Prosperidade enfrentará nas urnas a Teologia da Libertação 

Voto evangélico

Charge do Helio Ribeiro (Arquivo Google)

Merval Pereira
O Globo

Se juntarmos a multidão de milhões de evangélicos reunida na Marcha para Jesus com a pesquisa DataFolha que mostra que a maioria dos brasileiros prefere o trabalho independente a ter carteira assinada, teremos um bom retrato da realidade brasileira.

A esquerda brasileira não entendeu ainda o que se passa na cabeça dos brasileiros de classe média, que procuram um sentido de prosperidade pessoal em seu trabalho e em sua religião.

BOLSONARISTAS – A maioria dos que preferem um trabalho autônomo para ganhar mais é de eleitores do PL, partido do ex-presidente Bolsonaro.

O último censo mostrou que os evangélicos continuam crescendo, e a Teologia da Prosperidade, vendida por pastores menos ortodoxos, encontra mentes ávidas por uma saída do cotidiano de precariedade.

A esquerda brasileira, especialmente o PT, nascida da Teoria da Libertação, não encontrou o respaldo permanente na Igreja Católica e, juntamente com ela, perdeu espaço no seio dos desvalidos.

POLITIZAÇÃO – Da mesma maneira que a Igreja Católica refreou a Teoria da Libertação por sua politização, a politização das igrejas evangélicas está chegando a tal ponto que provoca uma evasão de fiéis para igrejas mais tradicionais, que vendem a espiritualidade em vez da prosperidade inatingível.

A Marcha para Jesus é exemplar de um movimento religioso aparelhado por pastores políticos e políticos populistas que misturam a fé religiosa com objetivos eleitorais.

Defesa de Anderson Torres aposta em recuo do ex-comandante do Exército

Tribuna da Internet | Category | Geral

Freire Gomes “inventou” a presença de Torres em reuniões

Eduardo Barretto
Estadão

A defesa do ex-ministro da Justiça Anderson Torres, réu na ação do golpe que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), está confiante de que o general Marco Antônio Freire Gomes, ex-comandante do Exército, vai recuar nas acusações feitas contra Torres. A avaliação é que Freire Gomes não conseguirá detalhar as suspeitas contra Torres. A pedido do ex-ministro, os dois farão uma acareação no STF na próxima terça-feira, 24.

Nesse procedimento, pessoas que deram versões conflitantes em um processo judicial ficam frente a frente para esclarecer os fatos. Freire Gomes disse que Torres participou de reuniões de teor golpista, o que o ex-ministro rechaça. A principal aposta da defesa de Torres é porque o ex-comandante atenuou sua versão durante o depoimento ao STF.

SERÁ AO VIVO – Na terça-feira, 17, o ex-comandante do Exército solicitou ao STF que a acareação com Torres acontecesse por vídeo. Alegou que o deslocamento de Fortaleza, onde mora, até Brasília seria “excessivamente oneroso”. O general tem um salário de R$ 38 mil mensais. Um dia depois do pedido, contudo, Freire Gomes recuou: informou que irá à Corte.

A principal aposta da defesa de Torres se baseia no fato de que o ex-comandante atenuou sua versão durante o depoimento ao STF.

Em 2024, o general disse à Polícia Federal (PF) que Torres dava “suporte jurídico” à trama golpista no governo Bolsonaro. Também afirmou, na ocasião, que a “minuta golpista” discutida pelo então presidente e comandantes militares era a mesma apreendida pela PF na casa de Torres.

NÃO TEM CERTEZA – No entanto, Freire Gomes, em depoimento ao Supremo no mês passado, como testemunha de acusação, disse não ter certeza se a minuta era a mesma. O general também não detalhou quantas vezes Torres participou das reuniões de teor golpista.

Para mostrar que os documentos são diferentes, a defesa apresentará uma perícia ao STF. A medida foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, relator da ação penal.

“A perícia vai demonstrar que a minuta do Google, encontrada na residência do ex-ministro da Justiça, nada tem a ver com a minuta do golpe, supostamente discutida com os comandantes militares”, disse o advogado de Anderson Torres, Eumar Novacki, à Coluna do Estadão.

MINUTA DO GOOGLE – No interrogatório, Torres também se referiu ao documento encontrado em sua casa como “minuta do Google”, ressaltando que o material estava disponível na internet antes da apreensão.

A esse respeito, o ministro Moraes já determinou que o Google informe quem inseriu o ofício na internet.

“Não é a minuta do golpe. Eu brinco que é a minuta do Google, né? Porque está no Google até hoje. Isso foi uma fatalidade. Eu nunca trabalhei isso. O documento era muito mal escrito. Não sei quem fez, não sei quem mandou fazer e nunca discuti esse tipo de assunto”, disse o ex-ministro a Moraes.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– O advogado do general Estevam Theóphilo está de bobeira e não pediu acareação com Freire Gomes. A acusação é de que o general Estevam seria a favor do golpe, mas ninguém diz ter certeza a respeito nem há provas nos autos. A informação surgiu porque o general foi chamado por Bolsonaro para ir sozinho ao Palácio da Alvorada, sozinho. Estevam confirma ter ido à reunião e haver saído direto para a casa de Freire Gomes, onde teria relatado a conversa ao comandante. Ao depor, porém, Freire Gomes não confirmou. Disse que não se lembra de Estevam ter ido à sua casa, o que é uma grossa mentira. Como um chefe do Exército pode ter “esquecido” de reunião tão importante, em sua casa, à noite, sem agenda? O que se diz é que Freire Gomes teria ficado furioso por Estevam ter aceitado ir ao Palácio sem lhe pedir autorização. Se ficou melindrado ou não, Freire Gomes erra ao possibilitar a condenação de outro general que ele sabe ser inocente. É difícil acreditar que isso esteja acontecendo. (C.N.)

Acredite se quiser! Ainda há quem defenda a honra e a dignidade de Lula

Charge do Alecrim (Arquivo Google)

Vicente Limongi Netto

Fui citado pelo alegre e saltitante Roberto Dufrayer (O Globo – 22/06) porque no dia anterior destaquei no jornalão carioca nomes da chamada direita que, unidos em torno de um deles, poderão dar dor de cabeça ao patético e indecoroso candidato do PT, Lula da Silva, nas eleições de 2026. O gaiato Dufrayer debocha do nome do governador Ratinho. Humorista ruim.  O Brasil sabe que se trata de um ratinho competente e honesto.

Nunca se envolveu em maracutaias de apartamento triplex ou sítio “presenteado”. Muito menos foi condenado, como Lula, a 12 anos de cadeia. Mas foi solto, 580 dias depois, graças à cretina e hipócrita justiça brasileira.

O governador Ratinho. ao contrário de Lula, não é esmerado em viagens inúteis ao exterior e gastos exorbitantes, acompanhado de numerosa comitiva de parasitas engomados. Não tem esposa destrambelhada ao lado, muito menos irmão envolvido em roubos a aposentados. 

Lula vai de mal a pior nas pesquisas eleitorais. Colhe as barbaridades que planta. Defende ditadores como Nicolas Maduro e, próximo mês, vai a Argentina, visitar a ex-presidente Cristina Kirchner, condenada por corrupção.  Se encontra o presidente Javier Milei por lá, será mandado de volta, aos pontapés. Vai baixar no Sírio Libanês. Merecidamente. 

Análise certeira de Filipe Luís sobre times da Europa x América do Sul

Filipe Luís, técnico do Flamengo, durante jogo contra o Chelsea no Mundial

Filipe Luiz sabe tudo de futebol e demonstra muita clareza

Mauro Cezar Pereira
do UOL

Vitórias de Botafogo e Flamengo, respectivamente, sobre Paris Saint-Germain e Chelsea, mudaram a visão de muita gente com relação à força dos participantes do Mundial de Clubes. Após o triunfo de sexta-feira, na Filadélfia, o técnico rubro-negro, Filipe Luís, resumiu, com precisão, o cenário, com poderio da elite europeia diante dos mais fortes times sul-americanos.

A ótima resposta de Filipe Luís encerra essa tola discussão, a meu ver.

– É inegável que existe um grupo de times europeus, hoje, muito forte. E que superá-los, em campo, com as duas equipes jogando tudo o que podem, seria uma missão quase impossível. Algumas integrantes da atual elite, por sinal, não estão no torneio. Casos de Barcelona e Liverpool, por exemplo. Talvez pudéssemos incluir o Napoli na lista. Os três são campeões nacionais, por sinal, em ligas importantes.

LEVAR A SÉRIO – Quando dissemos que os europeus não levam tal competição a sério como nós, sul-americanos, por exemplo, não se está dando uma desculpa, justificando ou passando pano. É apenas uma informação. Há, claro, uma certa empáfia, principalmente se estivermos falando de times que sequer figuram no reduzido do bloco da elite europeia citada pelo técnico do Flamengo.

Sejamos diretos: Real Madrid, PSG, Manchester City, Liverpool, Barcelona, Bayern, por exemplo, em campo motivados, jogando à vera, deixando a cancha tudo que podem, seriam obstáculos perto de intransponíveis para equipes de fora da Europa. Motivo? Simples: eles têm mais dinheiro, consequentemente, contam com Vinícius Júnior, Dembélé, Haaland, Lamine Yamal?

Enquanto isso, o maior talento surgido no Brasil na última temporada, Estêvão, está praticamente de malas prontas para reforçar o Chelsea no próximo mês.

OUTRAS RAZÕES – Mas fora essas equipes da camada mais alta dos atuais times da Europa, há outros que não são tão poderosos. Seja por não terem o mesmo potencial de investimento, ou por uma política de contratações que fuja do padrão. É o caso da equipe que o Flamengo derrotou no sábado.

O Chelsea já investiu perto de 1,5 bilhão de euros no elenco, incluindo atletas emprestados. Mas são basicamente jovens que formam um time muito forte, mas ainda abaixo do grupo de elite

Podemos dizer que o quarto colocado da Premier League está no nível próximo das melhores equipes da América do Sul. Não por acaso o Flamengo venceu e se impôs sobre o Chelsea na Filadélfia. A distância entre eles, o campo mostrou, não é tão grande assim, talvez nem exista. Benfica, Porto, Borussia Dortmund não foram capazes de derrotar, respectivamente, Boca Juniors, Palmeiras e Fluminense. Pelo contrário, os três escaparam da derrota por pouco.

BOA TÁTICA – Já o histórico triunfo do Botafogo sobre o campeão europeu mostrou que, atuando de forma extremamente cautelosa, dando a posse de bola para o oponente, utilizando as armas que pareciam ao seu alcance, o time sul-americano foi capaz de vencer o Paris Saint-Germain.

 Não seria absurdo dizer que numa sequência de jogos, como nos playoffs das modalidades americanas, dificilmente a equipe francesa não sairia vencedora ante qualquer adversário não europeu. Mas em um jogo?

Como comentei sexta-feira, no UOL, a vitória alvinegra sobre o PSG deve mudar a maneira como os representantes da Europa irão encarar os próximos confrontos com não europeus, especialmente os da América do Sul.

FAZER HISTÓRIA – O triunfo do Flamengo sobre o Chelsea naturalmente ampliou esse sinal de alerta. Vejamos como reagirão, porque agora já sabem que, se não deixarem em campo tudo que podem, certamente sofrerão novas derrotas.

Cabe aos times do Brasil e seus vizinhos aproveitar e fazer história. Porque em caso de novos triunfos acontecerem, o que ficará registrado não é que fez calor, que os times europeus estão cansados ao final da temporada, que eles não se aplicaram como poderiam?

Ficará registrado que o time do Brasil, ou da Argentina, superou poderoso adversário, muito rico, da Europa. E isso será lembrado para sempre.

Para os idiotas da objetividade, Tarcísio de Freitas é um perigo para o futuro do PT

Tarcísio humilhou a comunidade árabe, diz ministro de Lula | O TEMPO

Tarcísio com a bandeira de Israel na festa dos evangélicos

Claudio Dantas

Tarcísio de Freitas postou um vídeo nas redes sociais comentando sobre sua política de industrialização de São Paulo, direcionada à vocação de cada região e integrada ao ensino médio profissionalizante.

“O desenvolvimento e progresso de São Paulo passa pela vocação industrial de cada região do estado. Em políticas e ações que fomentem toda uma cadeia de produção, inclusive na formação de mão de obra, em municípios vizinhos, para que todos saiam ganhando, cada vez mais fortes e contribuindo diretamente no crescimento do estado. É a força que move São Paulo na direção certa!”

BOLSA-ESTÁGIO – Enquanto Lula tenta comprar consciências da nossa juventude com o Pé-de-Meia, o governador de São Paulo implementa uma política de bolsa-estágio, remunerando o estudante que já deseja aprender uma profissão enquanto termina seus estudos.

A depender da área escolhida, o valor da bolsa pode ir de R$ 650 a R$ 1000. Caso se destaque, o estudante concluirá o ensino médio já com uma profissão. Associar ensino à mercado de trabalho é uma fórmula de sucesso, mas soa como crime na cabeça do esquerdista.

O vídeo de Tarcísio foi retuitado pelo economista Paulo Nogueira Batista Júnior, ligado às gestões Lula e Dilma, com a frase: “Vcs estão conscientes do perigo?”.

PERIGOS DE TARCÍSIO – Os comentários nas postagens revelam a mentalidade da turma e as conclusões a que chego são de que:

1) Periga Tarcísio estabelecer uma relação direta com a massa trabalhadora, que chutará a bunda dos sindicalistas pelegos que infestam São Paulo e a nação; 2) Periga os alunos conseguirem trabalho logo cedo, esvaziando as salas do ensino superior nas universidades públicas e institutos federais, laboratórios de doutrinação; 3) Periga o jovem entender rapidamente que o trabalho dignifica e que viver de auxílio do Estado é humilhante e uma ferramenta de controle social e compra de voto. 4) Periga o estudante enxergar o caminho da prosperidade, descobrir que o Estado é seu inimigo, pois rouba sua riqueza em impostos para bancar a vida de uma elite vagabunda.

De fato, Tarcísio representa um perigo para essa gente atrasada que, no fundo, odeia o Brasil.

NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Excelente artigo enviado por Mário Assis Causanilhas, extraído de claudiodantas.com.br. Mostra que Tarcísio está se consolidando como a grande esperança de libertar o Brasil do jugo de Lula e do PT, para ser administrado de uma forma mais técnica e planejada, que vise ao desenvolvimento do país e evite a perpetuação dos petistas no poder. (C.N.)

Renato analisa o Fluminense contra o Ulsan: ‘Não tem mais futebol fácil’

Renato Gaúcho e Fuentes durante vitória do Fluminense sobre o Ulsan no Mundial de Clubes.

Renato festeja com Fuentes o gol marcado pelo argentino

Deu no Estadão

O técnico do Fluminense, Renato Gaúcho, valorizou a maneira como sua equipe encarou o segundo tempo da partida contra o Ulsan, da Coreia do Sul, neste sábado, pelo Mundial de Clubes. Depois de abrir o placar, o time brasileiro terminou o primeiro tempo perdendo por 2 a 1, mas conseguiu marcar três gols na etapa final para garantir a vitória por 4 a 2 e a liderança do Grupo F.

“Começamos bem, depois demos uma caída, o adversário se aproveitou e virou”, afirmou Renato. “Conversamos no vestiário, organizamos o time novamente, empatamos, conseguimos o gol da vitória, depois fizemos o quarto, que nos deu tranquilidade. Acho que valeu, principalmente pela atitude do grupo no segundo tempo, de virar um jogo tão difícil”, completou.

FUTEBOL FÁCIL? – O técnico afirmou que “não tem mais futebol fácil para ninguém” e que é preciso ter concentração e foco durante os 90 minutos. “No momento que você desfoca, as coisas acontecem. Foi o que aconteceu no final do primeiro tempo. Não ficamos focados como deveríamos e tomamos a virada”, disse ele. “Voltamos com outra atitude no segundo tempo e conseguimos a vitória, que nos dá uma tranquilidade a mais.”

O Fluminense encerra sua participação na fase de grupos na quarta-feira, às 16h (de Brasília), contra o Mamelodi Sundowns, da África do Sul, em Miami. Um empate garante a classificação sem precisar de combinações de resultados.

“O importante era fazer nosso dever hoje, conseguir a vitória. A partir de amanhã começamos a pensar na próxima partida, o que a gente precisa, porque nosso objetivo é conseguir a classificação”, finalizou o técnico do Fluminense.

ARIAS ‘PREMIADO’ – Eleito o melhor em campo nos dois jogos do Fluminense no Mundial de Clubes, Jhon Arias disse que o gol que abriu o placar na vitória sobre o Ulsan por 4 a 2 neste sábado é resultado de hora extra após os treinos e que o Fluminense atingiu dois objetivos com o triunfo sobre os sul-coreanos.

“São muitas horas depois do treino para melhorar a batida de falta”, afirmou ele. “Fui premiado com um lindo gol que nos deixou na vantagem do jogo”, completou ele, dizendo que a virada sofrida pelo Fluminense no primeiro tempo aconteceu pois o time deixou de executar ações que tinha combinado.

“Neste nível de torneio, os erros são marcados com gols do adversário.”

FORÇA DA EQUIPE – Para ele, a atuação do Fluminense no segundo tempo, em que o time marcou três gols e virou o jogo, demonstrou a força da equipe, que é o primeiro colocado do Grupo F do Mundial.

“A gente sai com dois objetivos cumpridos: vencer e terminar a rodada na liderança do grupo.”

Arias afirmou que o time carioca tem deixado uma impressão muito boa no torneio nos Estados Unidos. “Fizemos dois jogos muito bons. Contra o Dortmund, não conseguimos marcar”, afirmou ele, lembrando a estreia no Mundial no empate contra o Borussia Dortmund. “Mas hoje conseguimos quatro gols”, completou.

Planalto condena ataque dos EUA e vê desafio para próxima Cúpula dos Brics

Imagens de satélite mostram as crateras das seis bombas

Caio Junqueira
da CNN

Autoridades brasileiras disseram à CNN condenar o ataque dos Estados Unidos ao Irã e veem na escalada do conflito um fator de maior projeção para a reunião da Cúpula dos Brics, que ocorrerá nos dias 6 e 7 de julho no Rio de Janeiro.

O Irã e outros países do Oriente Médio – como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos – e muçulmanos, como Egito e Indonésia, integram o grupo. Além deles e do Brasil, também fazem parte China, Rússia, África do Sul, Etiópia e Índia.

PROBLEMAS GRAVES – A avaliação no governo brasileiro é a de que o ataque tem dois problemas graves: fere a soberania do Irã e viola a recomendação internacional de que não haja bombardeios em bases nucleares.

O episódio, na visão de integrantes do Planalto, faz crescer ainda mais a relevância da Cúpula dos Brics no Rio de Janeiro. A explicação é que, por um lado, o Irã e países da região do conflito e muçulmanos integram o grupo e porque países não muçulmanos têm populações significativas da religião em seus países, como são os casos de China e Índia.

Por outro lado, há nuances que não necessariamente colocam todos esses países em ponto de convergência sobre o assunto. Isso porque Arábia Saudita, Emirados Árabes e Egito são, na visão do governo brasileiro, aliados dos americanos e também não desejam um Irã empoderado na região como potência nuclear.

CESSAR FOGO – A tendência é de que haja defesa de um cessar-fogo, embora não necessariamente se considere que possa haver uma condenação veemente ao ataque americano. No começo da tarde deste domingo, o Itamaraty divulgou nota condenando o ataque.

“O governo brasileiro expressa grave preocupação com a escalada militar no Oriente Médio e condena com veemência, nesse contexto, ataques militares de Israel e, mais recentemente, dos Estados Unidos, contra instalações nucleares, em violação da soberania do Irã e do direito internacional. Qualquer ataque armado a instalações nucleares representa flagrante transgressão da Carta das Nações Unidas e de normas da Agência Internacional de Energia Atômica. Ações armadas contra instalações nucleares representam uma grave ameaça à vida e à saúde de populações civis, ao expô-las ao risco de contaminação radioativa e a desastres ambientais de larga escala”, diz a nota.

FINS PACÍFICOS – O texto diz ainda que “o Governo brasileiro reitera sua posição histórica em favor do uso exclusivo da energia nuclear para fins pacíficos e rejeita com firmeza qualquer forma de proliferação nuclear, especialmente em regiões marcadas por instabilidade geopolítica, como o Oriente Médio”.

“O Brasil também repudia ataques recíprocos contra áreas densamente povoadas, os quais têm provocado crescente número de vítimas e danos a infraestrutura civis, incluindo instalações hospitalares, as quais são especialmente protegidas pelo direito internacional humanitário. Ao reiterar sua exortação ao exercício de máxima contenção por todas as partes envolvidas no conflito, o Brasil ressalta a urgente necessidade de solução diplomática que interrompa esse ciclo de violência e abra uma oportunidade para negociações de paz”.

“As consequências negativas da atual escalada militar podem gerar danos irreversíveis para a paz e a estabilidade na região e no mundo e para o regime de não proliferação e desarmamento nuclear”, complementa.

No Brasil de hoje parece ser mínimo o espaço para a inovação progressista

Tribuna da Internet | Três Poderes demonstram ao Brasil o que é  promiscuidade democrática

Charge do Luscar (Arquivo Google)

Maria Hermínia Tavares
Folha

Se o Brasil melhorou, o povo não percebeu. A mais recente pesquisa Datafolha, publicada por etapas a partir de 13/6, destaca dois fatos especialmente importantes para o governo. O primeiro é a dissociação entre os indicadores econômicos positivos — o crescimento do PIB e a expansão do emprego formal — e o sentimento ambíguo dos brasileiros em face da situação do país e de si próprios, agora e no futuro.

Aumentou o contingente dos que acreditam que, nos últimos meses, as coisas mudaram para pior no Brasil, entendendo embora que para eles tudo continuou igual. Por outro lado, são otimistas as expectativas em relação ao país e ao entrevistado, que vê sua vida melhorando, a despeito de prever que a inflação e o desemprego continuarão em alta e que o poder de compra dos salários encolherá em futuro próximo.

RUIM OU PÉSSIMO – Se avanço houve na macroeconomia, não parece que se tenha traduzido em inequívoca sensação de melhoria pessoal —muito menos em gratidão ao governo, reprovado pela metade dos entrevistados, ou ao presidente Lula, tido como ruim ou péssimo por 40%.

O segundo fato revelado pela sondagem é que o governo, quando comparado ao de Bolsonaro, não se sai muito bem em algumas áreas tradicionalmente valorizadas na agenda da esquerda.

De fato, a parcela dos que consideram que o ex-metalúrgico tem se saído melhor que o ex-capitão é a mesma dos que o consideram inferior a seu antecessor na defesa do meio ambiente, nas políticas de saúde e naquilo que foi o carro-chefe das administrações petistas: o combate à pobreza. À primeira vista, um disparate. Só que não é.

CONQUISTAS SOCIAIS – Entrevistado no programa Roda Viva, da TV Cultura, no dia 16, o pesquisador Felipe Nunes, diretor da Quaest e professor da Fundação Getulio Vargas, observou que os brasileiros já não receiam perder conquistas sociais quando mudam os governos. Para que a mudança ocorresse, foi decisiva a continuidade do Bolsa Família no governo Bolsonaro, rebatizado como Auxílio Brasil.

De certa forma, o êxito de um programa, que torna onerosa a sua reversão —e o transforma em política de Estado—, dilui sua paternidade. Poucos se lembram que o SUS começou no governo Sarney; ou que o Fundeb se originou no Fundef, criado pelo ministro Paulo Renato de Souza, na gestão tucana.

Assim, a pesquisa Datafolha lança luz sobre obstáculos reais enfrentados pelo governo atual e que não se originam apenas em possíveis problemas de comunicação com o público ou de uma real falta de marca própria.

PASSADO E PRESENTE – Realizações do passado não garantem apoio no presente. Já iniciativas de formas mais ousadas de redistribuição —como a proposta de isenção de Imposto de Renda até R$ 5.000, compensada pela tributação dos super-ricos —enfrentam a oposição de interesses entrincheirados no Congresso.

Políticas sociais para além daquelas estabelecidas, como o aumento da atenção especializada no SUS; a melhoria da qualidade da educação; ou o fortalecimento de eficazes sistemas de monitoramento contra a rapina ambiental, custam caro e esbarram em intransponíveis limitações fiscais.

Tudo somado, no Brasil de hoje parece ser mínimo o espaço para a inovação progressista.

“Só uma palavra me devora, aquela que meu coração não diz…”

Abel Silva – A Bel Prazer: Abel Silva – CD (Album), 2016 [r15196686] |  DiscogsPaulo Peres
Poemas & Canções

O professor, jornalista, escritor e compositor Abel Ferreira da Silva, nascido em Cabo Frio (RJ), em parceria com Sueli Costa, revela na letra de “Jura Secreta” que, enquanto durou certo romance, muita coisa deixou de ser feita.  A música foi gravada por Simone no LP Sou Eu, em 1993, Sony/CBS.

JURA SECRETA
Sueli Costa e Abel Silva

Só uma coisa me entristece
O beijo de amor que não roubei
A jura secreta que não fiz
A briga de amor que não causei

Nada do que posso me alucina
Tanto quanto o que não fiz
Nada do que eu quero me suprime
De que por não saber inda não quis

Só uma palavra me devora
Aquela que meu coração não diz
Só o que me cega, o que me faz infeliz
É o brilho do olhar que não sofri

Corrupção no INSS vai do silêncio à crise, com a formação da CPMI

Charge do Fred Ozanan (paraibaonline.com.br)

Pedro do Coutto

O Brasil acompanha com perplexidade o desenrolar de uma das maiores crises já registradas no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Com um rombo estimado em R$ 6 bilhões, fruto de esquemas de corrupção e fraudes previdenciárias em larga escala, o episódio já se desenha como um novo marco negativo da administração pública.

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instaurada para investigar os desvios promete trazer à luz o que os bastidores do poder vinham tentando silenciar: a continuidade de práticas ilícitas que, embora tenham raízes profundas no governo Bolsonaro, se mantiveram e floresceram durante a atual gestão de Lula da Silva.

ESTRUTURA – É verdade que boa parte do esquema parece ter se estruturado a partir de 2019, em plena vigência do discurso moralizante da antiga administração. Mas seria ingenuidade — ou má-fé — acreditar que a atual gestão possa lavar as mãos diante do escândalo.

O governo Lula, que assumiu com a promessa de restaurar as instituições e proteger os mais vulneráveis, falhou gravemente ao não conter a sangria no INSS. A demissão do presidente do órgão e do ministro da Previdência, Carlos Lupi, é uma tentativa tardia de resposta política, que mais evidencia a dimensão da omissão do que representa, de fato, uma ação corretiva eficaz.

O mais alarmante nesse episódio é que o desvio de recursos não atingiu apenas os cofres públicos em abstrato. Ele impactou diretamente aposentados e pensionistas — justamente o grupo mais vulnerável e que mais confia na rede de proteção do Estado. A promessa do governo de ressarcir as perdas é importante, mas está longe de acalmar os ânimos. Afinal, em um país historicamente marcado pela lentidão dos processos administrativos e judiciais, quem garante que a reparação será rápida, justa e completa?

BANALIZAÇÃO – Há, ainda, um aspecto simbólico perigoso nesse escândalo: o da banalização do crime institucionalizado. O fato de que uma rede criminosa tenha conseguido, ao longo de anos e sob diferentes gestões, operar livremente dentro de uma das maiores autarquias do país, evidencia um colapso dos mecanismos de controle interno. Onde estavam os órgãos de auditoria? Por que os alertas não foram levados a sério antes que os prejuízos alcançassem cifras bilionárias?

O Palácio do Planalto tenta agora adotar a estratégia do “culpado anterior”, concentrando fogo no governo Bolsonaro, cujas políticas de enfraquecimento institucional de fato favoreceram o terreno para práticas ilícitas. No entanto, a narrativa de herança maldita só se sustenta até o ponto em que o novo gestor tem a chance de intervir. E Lula já passou da metade do segundo ano de mandato. Tempo mais que suficiente para identificar irregularidades estruturais e agir com firmeza.

O caso do INSS expõe, mais uma vez, que o Brasil ainda carece de um modelo eficiente de governança pública. A cultura de aparelhamento político das autarquias e a ausência de critérios técnicos na ocupação de cargos estratégicos são terreno fértil para o desvio de conduta. O que deveria ser política pública se transforma, com frequência preocupante, em oportunidade de enriquecimento ilícito para grupos bem posicionados.

RESPONSABILIZAÇÃO – Enquanto isso, o contribuinte, o aposentado e o trabalhador seguem à mercê de um sistema que promete amparo, mas entrega frustração. A CPI pode — e deve — avançar em direção à responsabilização dos agentes públicos envolvidos, sejam eles do passado ou do presente. Mas mais do que isso: é preciso que o escândalo leve à reformulação estrutural do INSS, com mecanismos de controle efetivos, transparência ativa e participação da sociedade civil na fiscalização.

O desafio que se impõe, portanto, não é apenas de punir culpados — embora isso seja urgente. É também de reconstruir a confiança social em uma das instituições mais importantes do pacto civilizatório brasileiro. E, nesse processo, não cabem tergiversações nem desculpas palacianas. O combate à corrupção exige coragem, clareza e, sobretudo, compromisso com o interesse público. Qualquer coisa diferente disso será apenas mais um capítulo da longa novela da impunidade no Brasil.