Advogado diz que Cid não deve explicações sobre a família e manda PGR se danar

Advogado de Mauro Cid criticou prisão “ilegal” de Lula e “asseclas de  Bolsonaro” pelo 8 de janeiro | CNN Brasil

Cezar Bitencourt falou grosso com relação ao procurador

Cézar Feitoza e Mariana Brasil
Folha

Chefe da equipe de defesa de Mauro Cid, o advogado Cezar Bitencourt afirmou que o tenente-coronel não deve explicações sobre a viagem de sua família aos Estados Unidos e disparou contra o procurador-geral da República, Paulo Gonet. “Dane-se o PGR. A vida do Cid segue indiferente à existência do processo”, escreveu Bitencourt à Folha.

O comentário foi feito depois de Gonet pedir a prisão do militar por suspeitar que o ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL) planejava sua fuga do Brasil.

DEPOIS, SE RETRATOU – Após a publicação da reportagem, o advogado se retratou pela declaração. “Peço desculpas pela expressão equivocada”, disse.

Na petição enviada ao STF (Supremo Tribunal Federal), o PGR afirmou que as viagens dos familiares de Cid associada às suspeitas de que o ex-ministro do Turismo Gilson Machado —do governo de Jair Bolsonaro (PL)— tentava conseguir um passaporte português para o militar indicaram possibilidade de o réu tentar fugir do país.

Machado foi preso pela Polícia Federal no Recife, mas teve a prisão preventiva revogada na noite de sexta-feira (13). Contra Cid, por sua vez, foi iniciada uma operação para investigar um possível plano de fuga, suspeita desencadeada após a viagem da família dele aos Estados Unidos.

MANDATO DE PRISÃO – Segundo a defesa de Cid, os policiais chegaram à casa do militar com um mandado de prisão, mas foram informados, já na residência do oficial, que a detenção havia sido revogada pelo ministro Alexandre de Moraes, responsável por autorizar a operação.

A assessoria do STF confirmou que o militar não foi preso, sem dar detalhes. Cid chegou à sede da PF em Brasília por volta das 11h de sexta para prestar depoimento.

A família de Mauro Cid viajou aos Estados Unidos no dia 30 de maio para as comemorações do aniversário de 15 anos da sobrinha do militar. Os pais, a esposa e uma das filhas de Cid pegaram um voo da Copa Airlines de Brasília (DF) rumo a Los Angeles, com escala na Cidade do Panamá.

SE JUSTIFICAR? – Para o advogado, a família do tenente-coronel não tem “nada a ver” com o processo que Cid enfrenta no Brasil e não precisa se justificar.

Ele afirma ainda que os familiares não têm previsão de retorno ao Brasil, contradizendo as compras de passagens de volta para o dia 20 de junho, conforme mostrou a Folha.

“[A família] está nos EUA SEM DATA PREVISTA PARA RETORNAR. Ela não tem nada a ver com o processo do Cid e não deve explicação a ninguém! O Cid não pode viajar há mais de ano! E ninguém morre por não poder viajar! Ele está bem e cumprindo as condições processuais!”, escreveu Bitencourt em mensagem.

CID FAMILY TRUST – Parte da família de Cid mora nos Estados Unidos. Daniel, irmão do militar, mora na Califórnia e abriga uma das filhas do tenente-coronel há pelo menos três anos. O pai de Cid também morou nos EUA durante o governo Bolsonaro, nomeado para comandar o escritório da Apex em Miami de 2019 a 2022. 

Pai e filhos são donos da empresa Cid Family Trust, que tem uma mansão cinematográfica em Los Angeles e outro imóvel em Miami.

Mauro Cid deu entrada em 11 de fevereiro de 2023 em um pedido de reconhecimento de sua cidadania portuguesa. A mãe do militar é cidadã de Portugal, o que dá ao tenente-coronel o direito de ter a carteira de cidadão do país. O processo junto à Embaixada de Portugal foi concluído em 2024, e o militar recebeu uma carteira de identidade com validade até 3 de janeiro de 2035.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Moraes está cada vez mais patético. A ordem de prisão era um recado a Cid, com o ministro avisando que o prende quando bem entender. A resposta do advogado mostra que ele já está de saco cheio com as sandices de Moraes. Cid não é flor que se cheire, mas o ministro e o procurador não podem se servir dele da forma que mais lhes aprouver. (C.N.)

Aliados de Bolsonaro criticam perseguição de Moraes a futuros candidatos

'Sóstenes denuncia que Moraes quer atrapalhar os bolsonaristas

Sóstenes denuncia que Moraes quer atrapalhar os bolsonaristas

Letícia Casado
do UOL

Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) veem perseguição do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), na decretação da prisão do ex-ministro do Turismo Gilson Machado.

Machado foi detido por suspeita de obstrução de justiça em uma investigação que apura se ele atuou para tentar tirar o tenente-coronel Mauro Cid — delator no processo que investiga a trama golpista — do Brasil.

NOMES NA LISTA – O líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), diz que todos os pré-candidatos do bolsonarismo ao Senado em 2026 serão alvo de ações do ministro. Machado é o nome da legenda para concorrer a uma vaga em Pernambuco. “Todo e qualquer candidato ao Senado vai ser alvo do Moraes”, afirma.

De acordo com a investigação, Machado trabalhou pela emissão de passaporte português para Mauro Cid no consulado de Portugal no Recife.

À coluna, Cid disse desconhecer a iniciativa de Machado e afirmou que tentou obter a cidadania, não passaporte, de Portugal.

PASSAPORTE? – “Desde quando Gilson virou embaixador de Portugal, com capacidade de emitir passaporte?”, questiona Sóstenes. Ele disse, ainda, que a decisão de prender o ex-ministro era uma “cortina de fumaça” para tirar o foco da revista Veja, cuja reportagem de capa nesta semana acusa Mauro Cid de ter mentido no interrogatório no Supremo Tribunal Federal.

Uma das figuras mais próximas de Bolsonaro, o pastor Silas Malafaia afirma que “o inquérito do golpe tem que ser anulado, Alexandre de Moraes joga uma cortina de fumaça, prendendo o ex-ministro de Bolsonaro”.

Em caráter reservado, outro aliado do ex-presidente diz que a consequência sobre a prisão é “imprevisível”. No meio da confusão, o inesperado – Moraes soltou Machado, que nem chegou realmente a ir para a cela da PF.

Em comerciais com Tarcísio, PSD de Kassab reforça a “aliança sólida”

Kassab se decola de Lula para apoiar Tarcísio em 2026

Fernanda Tavares
da CNN

O PSD vai exibir, a partir desta segunda-feira (16), cinco vídeos de 30 segundos na TV aberta de São Paulo. O material publicitário, que vai ao ar até dia 27 de junho, conta com imagens que reforçam a aliança estratégica do partido de Gilberto Kassab, atual secretário de Governo e Relações Institucionais de São Paulo, com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).

As imagens mostram Tarcísio inaugurando obras, participando de eventos públicos, abraçando eleitores. A edição conta com o logotipo e número do PSD ao lado do governador. Em um dos vídeos, a narração afirma que os dois formam “uma parceria que leva São Paulo para frente”.

QUALIDADE DA GESTÃO – À CNN, Gilberto Kassab, mesmo integrando a base do presidente Lula (PT), no comando de 3 ministérios, diz que o movimento de aproximação é “mais do que natural” e fruto da “qualidade da gestão” de Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Em uma eventual disputa à Presidência em 2026, Kassab também reforça apoio ao governador de São Paulo como um “aceno espontâneo”.

Kassab tem forte influência como uma espécie de conselheiro na gestão de Tarcísio. O cacique do PSD também marcou presença na indicação do atual vice-governador, Felício Ramuth (PSD).

E RATINHO? – Kassab não descarta lançar candidatura própria à Presidência em 2026. Nos bastidores, o nome mais cotado dentro da sigla, é o do governador do Paraná, Ratinho Jr., que chegou a empatar com Lula em uma simulação de segundo turno divulgada pela Quaest no início deste mês.

Duas semanas atrás, em um jantar em São Paulo e na véspera da filiação do economista Paulo Hartung ao PSD, Tarcísio esteve em jantar promovido pelo partido com diversas lideranças da sigla, como governadores, prefeitos e congressistas.

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), estava no evento e brincou: “Vem para o PSD, Tarcísio”.

A genial e eterna aquarela de Ary Barroso, amada no mundo inteiro

Ary Barroso: álbuns, músicas, shows | Deezer

Ary começou a carreira como pianista de jazz

Paulo Peres
Poemas & Canções

O radialista, músico e compositor mineiro Ary de Resende Barroso (1903-1964), na letra de “Aquarela do Brasil”, escrita em 1932, exalta a beleza, a grandeza, a miscigenação e seu amor pelo Brasil.

Historicamente, como foi gravada durante o governo Getúlio Vargas, a música sofreu críticas por iniciar o movimento samba-exaltação, que tinha meios ufanistas de enaltecer o potencial brasileiro, suas belezas naturais, riqueza e povo.

Vele ressaltar que, na época, o patriotismo que os brasileiros tinham pelo país não pode ser comparado com o atual. Era um sentimento de amor pelo país, que mesmo não concordando com o governo que tinha poder no Brasil, o compositor consegue esquecer todos os problemas e ainda assim, presta um tributo ao povo e a sua terra. É a segunda música brasileira mais gravada no mundo, superada apenas por Garota de Ipanema.

AQUARELA DO BRASIL
Ary Barroso

Brasil!
Meu Brasil brasileiro
Meu mulato inzoneiro
Vou cantar-te nos meus versos
O Brasil, samba que dá
Bamboleio, que faz gingar
O Brasil, do meu amor
Terra de Nosso Senhor
Brasil! Prá mim! Pra mim, pra mim

Ah! abre a cortina do passado
Tira a mãe preta do cerrado
Bota o rei congo no congado
Brasil! Prá mim! Pra mim, pra mim!

Deixa cantar de novo o trovador
A merencória luz da lua
Toda canção do meu amor
Quero ver a sá dona caminhando
Pelos salões arrastando
O seu vestido rendado
Brasil! Pra mim, pra mim, Brasil!
Brasil!

Terra boa e gostosa
Da morena sestrosa
De olhar indiferente
O Brasil, samba que dá
bamboleio que faz gingar
O Brasil, do meu amor
Terra de Nosso Senhor
Brasil!, Pra mim, pra mim, pra mim

Oh!, esse coqueiro que dá coco
Onde eu amarro a minha rede
Nas noites claras de luar
Brasil!, Pra mim, pra mim, pra mim.

Ah!, e estas fontes murmurantes
Aonde eu mato a minha sede
E onde a lua vem brincar
Ah! esse Brasil lindo e trigueiro
É o meu Brasil brasileiro
Terra de samba e pandeiro
Brasil! Pra mim, pra mim! Brasil!
Brasil! Pra mim, Brasil!, Brasil!

Desejo e cobiça, quando reprimidos, sempre têm uma vida mais longa

A imagem apresenta uma composição abstrata com figuras humanas estilizadas, onde duas faces se entrelaçam. As figuras têm olhos grandes e expressivos, e estão cercadas por linhas que sugerem movimento e conexão. As cores predominantes são tons de rosa, vermelho, amarelo e azul, criando um contraste vibrante. O fundo é de um tom avermelhado, que destaca as formas e as expressões das figuras.

Ilustração de Ricardo Cammarota (Folha)

Luiz Felipe Pondé
Folha

Suspeito que o desejo, sexual ou qualquer outro, quando reprimido, tem vida mais longa e consistente do que quando é liberado de forma geral. A máxima “é proibido proibir”, como aliás quase tudo que é fruto da contracultura, é infantil. A contracultura foi um surto de regressão cognitiva e afetiva erguida em comportamento de consumo.

Um comportamento antissocial oculto, praticado por adultos interessados em sexo fácil e no direito de serem preguiçosos sem culpa.

POBREZA DE ESPÍRITO – O desejo respira melhor quando acossado. Entendo que o que acaba de ser dito, provavelmente, será compreendido pelos inteligentinhos digitais como uma defesa da repressão contra uma sexualidade livre.

Inteligentinhos digitais são um perfil específico dentro da comunidade inteligentinha que se constitui a partir da semântica miserável das redes. Pobreza de espírito sob uma chuva colorida de purpurina.

Falar de desejo e repressão como pares necessários à vida do desejo é assunto, exclusivamente, para adultos. Adolescentes biológicos, psicológicos ou morais nada têm a dizer aqui.

REVOLUÇÃO SEXUAL – A conhecida “revolução sexual” foi um dos primeiros grandes produtos de comportamento de consumo. Muitas mulheres sempre fizeram sexo antes de se casar, às vezes com aquele que viria a ser o próprio marido, ou não. Quer ver? Pergunte às suas avós.

A simples ideia de que as mulheres passaram a fazer sexo com a “revolução sexual” é parte da commmodity do comportamento contracultural. Os anos 1960 marcaram o nascimento do marketing de comportamento.

E se as “meninas de família” não faziam sexo papai e mamãe, faziam sexo oral e anal adoidado. A contracultura é responsável por muitas das baboseiras que hoje viraram mainstream na cultura, no mercado, na política e no mundo jurídico no século 21. A infantilidade do século 21, até agora, é fruto direto da vagabundagem contracultural e seus produtos.

DESEJO CIDADÃO – A melhor forma de matar o desejo é “oficializá-lo como cidadão”. Existe ideia mais brocha do que desejo cidadão? As “políticas do desejo” são um modo ou de querer legitimar suas próprias taras ou de tornar o desejo inofensivo. A proibição do desejo é um estímulo profundo do desejo.

Voltemos à concupiscência. A palavra é usualmente entendida como cobiça ou busca de prazer descontrolado. O cristianismo entendeu isso muito bem. Paulo, falando em Gálatas 5 e santo Agostinho, falando das três concupiscências —carne, espírito e vontade—, depois de Paulo, fundaram a reflexão sobre a concupiscência.

Em Gálatas 5, as “obras da carne” descrevem exemplos dos frutos da concupiscência da carne. Aqui ele extrapola claramente o entendimento mais comum de concupiscência da carne como desejo sexual. Vai de lascívia a inveja, de prostituição a idolatria, vai de heresias a homicídio.

REPRIMIR É INTENSIFICAR – O desejo descontrolado pelo sexo é a forma mais comum de se entender a concupiscência da carne. Nada como reprimir o desejo sexual por alguém para que esse desejo se torne mais intenso.

“Sem querer”, o cristianismo deu a rota para a intensificação do imaginário sexual. Ao contrário do que a dita revolução sexual que nos levou ao estado de inanição sexual em que vive o mundo contemporâneo, principalmente entre os jovens, muito limpinhos, livres e corretinhos —mas quando se olha as redes vemos a violência babando pelos lábios.

Mas o melhor significado de concupiscência é cobiça. Por exemplo, como nos dez mandamentos se fala “não cobiçarás a mulher do próximo”. Entretanto, cobiça pode ter toda uma gama de objetos variados do desejo.

COBIÇA-SE TUDO – Vivemos num mundo organizado ao redor da cobiça. Ela move o mundo. Poderíamos nos referir ao nosso contrato social como um contrato de concupiscência. Todo o esforço social, político e econômico que fazem as sociedades para não mergulharem no mundo hobbesiano pré-Estado, na barbárie absoluta, é um esforço para equilibrar as concupiscências entre as pessoas, instituições, empresas, nações.

Santo Agostinho estava coberto de razão quando pensava numa espécie de contrato de concupiscência como modelo da vida em sociedade. A cobiça pelo dinheiro, pelo sucesso, por seguidores, por uma melhor versão de si mesmo, pelo poder político, pelo sexo, pela corrupção, pela melhor mentira, enfim, a cobiça é o motor da sociedade.

O capitalismo não sobreviveria sem a cobiça. O socialismo histórico, ao contrário do que pensou Karl Marx, tampouco eliminou a cobiça. Vivemos numa luta contínua contra a hegemonia da cobiça, apesar de todas as mentiras que se contam hoje sobre os seres humanos.

A resiliência de Lula e a emergência de Michelle: lições do último Datafolha

Levantamento divulgou intenções de voto para 2026

Pedro do Coutto

Por mais que a política brasileira tenha se acostumado com reviravoltas dramáticas e imprevisíveis, os dados da mais recente pesquisa Datafolha sobre a corrida presidencial de 2026 reiteram uma constante quase inescapável: a polarização segue firme como eixo central do debate nacional. O levantamento mostra que, se as eleições fossem hoje, Lula da Silva teria 43% das intenções de voto contra 42% de Tarcísio de Freitas. No cenário com Michelle Bolsonaro, a vantagem do presidente é ligeiramente maior: 46% a 42%.

A princípio, esses números podem parecer apenas mais uma fotografia momentânea do eleitorado. Mas, sob um olhar atento, revelam movimentos significativos – tanto no campo do lulismo quanto na seara bolsonarista. Primeiro, é preciso reconhecer a resiliência de Lula. Mesmo enfrentando críticas recorrentes sobre a condução administrativa e tendo de gerir uma base parlamentar muitas vezes hostil, o presidente mantém-se competitivo. Não há, neste momento, um desgaste fatal à sua imagem que o impeça de disputar em pé de igualdade uma reeleição.

SEM ALTERNATIVAS – A força de Lula parece residir não em uma aprovação exuberante de seu governo, mas na ausência de alternativas robustas no centro político e na capacidade de sustentar sua narrativa histórica – aquela que associa seu nome à superação, inclusão social e resistência democrática. A memória coletiva do lulismo ainda funciona como lastro emocional para boa parte do eleitorado, sobretudo diante de adversários que representam uma guinada conservadora com traços autoritários.

No campo oposto, o avanço de Michelle Bolsonaro é, sem dúvida, o dado mais surpreendente da pesquisa. A ex-primeira-dama, que jamais disputou uma eleição, desponta com 42% das intenções de voto – um desempenho expressivo para quem não possui trajetória político-eleitoral própria. Isso revela duas coisas: a força simbólica do sobrenome Bolsonaro e o desejo do eleitorado bolsonarista por uma alternativa mais “palatável” à figura do ex-presidente, cuja rejeição ainda é considerável fora de sua base fiel.

Michelle é a personificação da tentativa de ressignificar o bolsonarismo. Sua imagem de mulher religiosa, discreta e sem os escândalos diretos que rondaram o marido pode ser uma aposta estratégica do grupo para furar o teto de rejeição que Jair Bolsonaro enfrenta. Ainda é cedo para dizer se ela conseguirá sustentar uma candidatura presidencial, mas o recado do Datafolha é claro: ela tem potencial competitivo.

PEÇA IMPORTANTE – Tarcísio de Freitas, por sua vez, surge como uma peça importante no tabuleiro, mas que ainda não mobiliza paixões fora de São Paulo. Seu desempenho está no limite do empate técnico com Lula, o que é notável, mas talvez ainda insuficiente para consolidar-se como líder incontestável da direita no pós-Bolsonaro. A depender do grau de apoio que receba do ex-presidente e da disposição em nacionalizar seu discurso, pode se tornar o nome viável do campo conservador. Mas enfrenta o desafio de ser reconhecido para além de sua base estadual e de não ser engolido pelo peso simbólico do bolsonarismo de raiz.

No fundo, o retrato desenhado pelo Datafolha sugere uma eleição que pode repetir a lógica das últimas disputas: um país dividido entre dois polos, com os nomes mais conhecidos à frente, mesmo que cercados de críticas e controvérsias. O centro político, mais uma vez, parece órfão de lideranças que encantem ou mobilizem o eleitorado de forma contundente. Isso, por si só, fortalece a polarização, que continua sendo o motor do debate público nacional.

A disputa de 2026 ainda está longe, e muitas águas vão correr debaixo da ponte. Mas o que já se pode afirmar é que Lula permanece como um competidor formidável, mesmo sob o peso do governo. E que o bolsonarismo, longe de ter desaparecido, busca novos rostos para reviver sua narrativa – seja pela via de Michelle ou de Tarcísio. O Brasil segue, portanto, em sua encruzilhada cívica, entre a repetição e o reinício.

Zambelli deve se apresentar na Itália, não quer ficar escondida, diz advogado

Constituição da Itália e acordos de cooperação permitem extradição de  Zambelli - Diário do Pará

Carla Zambelli está em Roma, aguardando seu recurso

Luis Felipe Azevedo
O Globo

Advogado da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), Fabio Pagnozzi afirmou neste sábado que a parlamentar deseja se apresentar às autoridades italianas na semana que vem, após a entrega de uma manifestação da defesa ao Ministério da Justiça do país. Zambelli foi condenada em maio a dez anos de prisão e à perda de mandato por invasão a dispositivo informático e falsidade ideológica, devido à invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

— A deputada é procurada pela Interpol para uma prisão para fins de extradição. Ela não é procurada pela polícia italiana por um crime no país em que ela está. Existe a possibilidade dela ser presa na Itália, mas para isso acontecer cabe ao país aceitar. Não apenas o Ministério da Justiça do Brasil pedir — diz Pagnozzi.

PROCESSO ITALIANO – O defensor cita o devido processo legal italiano:

“Existe um devido processo legal a ser cumprido antes de uma extradição. O acordo bilateral brasileiro com a Itália não é para todos os crimes, por exemplo. A deputada não quer ficar foragida. Tem a vontade de se apresentar às autoridades italianas na semana que vem, depois que protocolado o recurso. Ela não quer ficar escondida” — completou.

MOBILIZAÇÃO – Na sexta-feira, o embaixador do Brasil em Roma, Renato Mosca, afirmou que há uma “mobilização” da polícia italiana para prender a deputada, que fugiu para o país após ela ser condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Em entrevista ao GLOBO, o diplomata brasileiro disse que o país europeu tem um “compromisso com a Interpol de efetuar a prisão”.

— A polícia italiana já se empenha não somente por reciprocidade diplomática, mas porque ela tem um compromisso com a Interpol de efetuar a prisão, de acordo com a solicitação de inclusão do nome da deputada na difusão vermelha. Isso é realizado em todos os casos, com todos os países — afirmou o diplomata.

Zambelli também tem cidadania italiana e declarou antes de ir ao país acreditar que não poderia ser presa por esse motivo. Mosca afirmou haver indícios de que ela não saiu da região metropolitana de Roma, capital italiana, mas disse que a polícia do país ainda não sabe o paradeiro da deputada.

SEM REJEIÇÃO – O embaixador brasileiro disse que, nos contatos que tem tido com autoridades italianas, não viu qualquer rejeição sobre o pedido de extradição feito pelo Brasil. Mosca enfatizou que, neste primeiro momento há um processo sendo examinado sob o ponto de vista técnico, que será submetido à Justiça.

— Não vejo nenhum tipo de movimento no sentido de que uma pessoa que está foragida, condenada com amplo direito de defesa, condenada por um crime comum, seja protegida pela nacionalidade. Não tenho essa preocupação. Nossa cooperação é profunda, histórica. Temos uma tradição de cooperação, o nosso tratado de extradição data do início dos anos 1990, são mais de 30 anos. Não é algo que nós vamos começar com a deputada — disse o embaixador.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– O embaixador Renato Mosca, que pelo nome não se perca, deveria dizer a verdade: não há “rejeição” da Itália a prender Carla Zambelli nem “mobilização” para fazê-lo. Os italianos simplesmente estão pouco ligando para a deputada brasileira e têm mais o que fazer. Primeiro, vão analisar o recurso que seus advogados já apresentaram, depois a decisão. Aliás, os italianos não esquecem que Lula, em 2011, evitou a extradição do terrorista Cesare Battisti, réu confesso de quatro assassinatos. Como se sabe, o mundo dá voltas. (C.N.)

Era só o que faltava! Já se fala até em anular a delação de Mauro Cid…

Defesa de Mauro Cid diz que mensagens não são verdadeiras e deve ir ao STF | CNN Brasil

Mauro Cid já depôs onze vezes e foi preso duas vezes

Malu Gaspar e Rafael Moraes Moura
O Globo

Aliados de Jair Bolsonaro avaliam pedir a realização de diligências e a anulação do acordo de colaboração premiada firmado entre a Polícia Federal e o tenente-coronel Mauro Cid, após a revista “Veja” publicar mensagens que sugerem que o ex-ajudante de ordens mentiu no depoimento prestado ao Supremo Tribunal Federal (STF) e usou, sim, um perfil no Instagram para se comunicar com um aliado do ex-presidente sobre o conteúdo de sua delação premiada.

Mas, embora não admita publicamente, o entorno de Bolsonaro não acredita que qualquer iniciativa nesse sentido tenha qualquer chance de êxito – pelo menos a curto prazo.

FUTURA NULIDADE – A aposta, no entanto, é a de que o pedido sirva para “envergonhar o processo” e estabelecer bases para alguma futura nulidade no âmbito das investigações da intentona golpista que culminou com a invasão e a depredação da sede dos três poderes, em Brasília.

“Numa turma que tem o Alexandre de Moraes, o ex-advogado do Lula (Cristiano Zanin Martins) e um ex-ministro do governo Lula (o ex-ministro da Justiça Flávio Dino), nós sabemos que não temos a menor chance”, diz um interlocutor de Bolsonaro envolvido nas discussões nos bastidores, em referência a três dos cinco magistrados que integram a Primeira Turma do STF. O colegiado vai decidir se absolve ou condena o ex-presidente até setembro deste ano.

A estratégia, portanto, mira não o presente, mas o médio e longo prazo, quando os aliados de Bolsonaro avaliam que o jogo pode virar a favor do ex-presidente com uma mudança da conjuntura política que incluiria uma eventual vitória de um candidato de direita nas próximas eleições e uma nova correlação de forças no STF, com a chegada de ministros indicados pelo próximo chefe do Executivo.

JOGO É SUJO – Nas mensagens reveladas pela revista “Veja”, Cid reclama da atuação de Alexandre de Moraes, diz que o “jogo é sujo” e acusa o ministro de já ter “sentença pronta” para condenar a ele, Bolsonaro, e os ex-ministros Walter Braga Netto e Augusto Heleno.

“Uma hora lá na frente isso tem que cair”, diz esse interlocutor de Bolsonaro, apostando na “teoria Zanin” para insistir numa tese que leve ao esvaziamento ou até à anulação das investigações que miram o ex-presidente e outras 31 pessoas.

A “teoria Zanin”, como foi batizada pelos próprios defensores, consiste em copiar a estratégia adotada pelo ex-advogado do presidente Lula e hoje ministro do Supremo contra a Operação Lava-Jato, de contestar até o final a investigação, as provas colhidas e a condução do julgamento no STF.

APOIO DE FACHIN – Lula acumulou uma série de reveses na Justiça, até o relator da Lava-Jato no STF, ministro Edson Fachin, decidir em março de 2021 que a 13ª Vara Federal de Curitiba (PR) não era competente para cuidar das investigações contra o ex-presidente da República

Integrantes da cúpula da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República (PGR), no entanto, avaliam que uma eventual anulação do acordo de colaboração premiada de Mauro Cid não comprometeria as provas colhidas na investigação, mas ameaça a manutenção dos benefícios acertados com o delator.

“Mantém o processo íntegro, mas perde os benefícios da colaboração”, diz uma fonte da PF que acompanha de perto os desdobramentos do caso.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– A notícia tem procedência, devido à fragilidade da acusação, que é inteiramente montada nos onze depoimentos de Mauro Cid, com base em “fulano teria”, “consta que”, “há informações de que”, “comenta-se que” e outras ilações. Como disse o ministro Luiz Fux, semana passada, se houve nove depoimentos, isso significa que não houve nenhum. E depois disso, Cid depôs mais duas vezes, para compor uma delação à la carte, digamos assim, até a acusação se sentir satisfeita para iniciar o julgamento. O fato concreto é que a delação de Cid está totalmente desmoralizada, chega a ser vergonhoso o esforço do ministro Alexandre de Moraes para manter de pé o castelo de cartas montado com a “compreensão” do tenente-coronel, que não tem a menor vocação militar, chega a chorar e até desmaia ao receber ordem de prisão. Com militares desse tipo, o Brasil não consegue enfrentar nem mesmo a Costa Rica, que não tem Exército. (C.N.)

Barroso quer regular as redes sociais para evitar “abismo de incivilidade”

“Viramos um país de ofensas”, diz Barroso após ser interrompido em Oxford

Em nenhum momento Barroso falou a palavra “censura”

João Rosa
da CNN

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, defendeu neste sábado (14) a regulação das plataformas digitais e alertou para os riscos da desinformação e da incivilidade no ambiente virtual.

“Agora o mundo inteiro discute a regulação de conteúdo, e isso é muito delicado, porque é preciso proteger a liberdade de expressão. Mas o mundo ficou tão polarizado que nem o senso comum consegue, hoje em dia, alcançar consenso. Não importa se é liberal, conservador ou progressista: não pode haver pornografia infantil, terrorismo, venda de armas ou instigação ao suicídio nas redes”, afirmou o presidente.

COM CAUTELA – As declarações foram feitas durante a abertura do Brazil Forum UK 2025, realizado na Universidade de Oxford.

O ministro ressaltou que a regulação deve ser feita com cautela, para preservar a liberdade de expressão, mas sem permitir que o ambiente digital faça a proliferação para discursos de ódio, teorias conspiratórias e ataques à democracia.

“É preciso regular com muito cuidado, porque a liberdade de expressão é um valor essencial para a democracia, mas precisamos impedir que o mundo desabe em um abismo de incivilidade”, complementou o ministro.

AVANÇOS E RECUOS – Barroso reconheceu os avanços trazidos pelas redes sociais, mas alertou para os efeitos colaterais da comunicação digital sem controle.

“A internet revolucionou o acesso ao conhecimento e à informação. Com ela vieram as redes sociais que facilitaram a comunicação no mundo, mas da mesma maneira abriram as avenidas para a desinformação, para discurso de ódio e para as teorias conspiratórias”, complementou o presidente.

O presidente do STF também destacou que a mentira deliberada tem se tornado uma estratégia política e ameaça os pilares da convivência democrática.

SEM IDEOLOGIA – “A verdade não tem ideologia e a democracia tem lugar para liberal, conservador, progressista. Mas a mentira deliberada é uma coisa muito ruim que passou a dominar o mundo como estratégia política. Portanto é muito importante fazer com que mentir volte a ser errado”, declarou o presidente.

As falas do ministro acontecem em meio ao julgamento que acontece no STF e pode redefinir a forma como as plataformas digitais e empresas de tecnologia são responsabilizadas por conteúdos ilícitos publicados por seus usuários.

Na última quarta-feira (11), a Corte formou maioria a favor da responsabilização das plataformas por publicações feitas por terceiros. No entanto, os ministros ainda precisam definir a tese do julgamento — um resumo que orientará a aplicação prática da decisão.

MAIORIA ABSOLUTA – O placar está em 6 a 1 no sentido de responsabilizar as plataformas. Votaram nesse sentido os ministros: Dias Toffoli, Luiz Fux, Flávio Dino, Cristiano Zanin, Gilmar Mendes, Roberto Barroso e Alexandre de Moraes. O ministro André Mendonça foi o único que divergiu até o momento.

Atualmente, a atuação das redes no Brasil é regida pelo Marco Civil da Internet, em vigor desde 2014, cujo artigo 19 só permite responsabilização jurídica das empresas em caso de descumprimento de ordem judicial para remoção de conteúdo.

A análise gira em torno da constitucionalidade do artigo 19. Os ministros analisam dois recursos sobre a validade do artigo. O julgamento tem repercussão geral, ou seja, torna o entendimento da Corte obrigatório para todas as instâncias do Judiciário em processos semelhantes.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Podem dar o nome que quiserem às restrições que pretendem criar, podem criticar o abismo de incivilidade, o discurso do ódio e tudo o mais. Porém, o verdadeiro tema da discussão é a censura, que as redes sociais jamais aceitarão. Acho que as medidas deviam ser gradativas e a mais importante é o fim do anonimato. Quando não houver mais anonimato, o ar imediatamente ficará menos poluído nas redes sociais. Mas quem se interessa?
(C.N.)

Trump: se Irã atacar, os Estados Unidos revidarão “em níveis nunca vistos antes”

Por que Israel desafiou Trump - e arriscou uma grande guerra - atacando o Irã agora? E o que acontecerá em seguida?

Israel segue a mesma estratégia e destrói populações civis

Mariana Andrade
Metrópoles

Após o governo iraniano ter alertado vários países sobre o risco de ajudar Israel na crise no Oriente Médio, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que, no caso de qualquer ataque do país contra os EUA, as forças armadas norte-americanas vão revidar “em níveis nunca antes vistos”. A declaração foi feita neste domingo (15/6).

“Se formos atacados de qualquer forma pelo Irã, toda a força e poder das Forças Armadas dos EUA recairão sobre vocês em níveis nunca antes vistos”, disse o presidente norte-americano.

NADA A VER – A declaração de Trump foi compartilhada nas redes sociais. Na publicação, o chefe da Casa Branca reforçou que os Estados Unidos “não tiveram nada a ver” com o ataque ao Irã na noite de sábado (14/6).

Ainda de acordo com o republicano, os EUA podem “facilmente” firmar um acordo entre Irã e Israel — que tinham começado a debater questões relacionadas a um pacto nuclear — e pôr fim ao que ele considerou um “conflito sangrento”.

Houve novos ataques neste domingo e o número de mortos sobe para 128 no Irã. Segundo autoridades de Saúde, outras 900 pessoas ficaram feridas devido aos ataques de Israel contra o país. Em Israel, há 14 mortos, sendo três crianças.

A base desabou, e o Centrão não quer discutir sua relação com o governo

À sombra do Estado - Blog do Ari Cunha

Charge reproduzida do Correio Braziliense

Dora Kramer
Folha

Em meio a ultimatos, confrontos e rebeldias, o que a fortaleza do centrão está dizendo ao governo é que não existe mais base aliada. O conceito está superado na forma e no conteúdo. Por base, entende-se o que dá sustentação, e por aliada compreende-se uma associação na defesa de objetivos comuns.

Nada disso se faz presente no relacionamento entre o Palácio do Planalto e os partidos com assento no ministério. Não há alicerce nem aliados de fé no campo dos políticos costumeiramente incluídos naquela expressão já obsoleta.

ANTAGONISMO – Não há oficialização de rompimento, por interesse de parte a parte. Mas em ambas as partes reside a percepção do antagonismo entre os respectivos propósitos: o PT quer se manter na cadeira presidencial e o centrão quer tirá-lo de lá na próxima eleição.

Embora seja esse o resumo da história, há um passo a passo na trajetória que adia o desfecho para o início de 2026. E quanto mais se aproxima a data do mais que provável desenlace, mais fortes e frequentes os atritos.

 O confronto da vez deu-se de novo em decorrência de uma barbeiragem governamental, na edição de um decreto de aumento das alíquotas do IOF ao arrepio das consequências. A coisa transbordou para um embate acerca de quem deveria ter a iniciativa de propostas por cortes de gastos.

IMPASSE SEM SOLUÇÃO – O Executivo joga a bomba para o Legislativo que devolve o artefato ao colo do vizinho. Fica, assim, posto um impasse sem solução porque, de fato, nenhum dos dois quer, na véspera do ano eleitoral, pôr as mãos na cumbuca do corte de benefícios, isenções fiscais, programas sociais, privilégios previdenciários e emendas parlamentares, dentre outras premências orçamentárias.

A votação da urgência do projeto que pode derrubar o decreto do IOF é um gesto político que tem a ver com as eleições, mas pode ter a ver também com a liberação de emendas.

Se forem pagas e o clima hostil arrefecer, restará evidente que no momento pesam mais a ganância por recursos do Orçamento que as futuras ambições eleitorais.

Datafolha: 36% acham que Janja atrapalha Lula, enquanto 14% acham que ela ajuda

Internautas fazem meme com "acrobacia" de Lula em Paris

Lula e Janja fizeram um papel ridículo na visita a Paris

Rafaela Gama
O Globo

Dados da pesquisa Datafolha divulgados nesta sexta-feira mostram que, para 36% dos brasileiros, as ações da primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, mais atrapalham que ajudam o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, enquanto 14% têm a percepção oposta: de que as atitudes de Janja mais ajudam a gestão do petista.

Outros 40% afirmam que o comportamento dela não faz diferença, ou seja, nem ajuda nem atrapalha, enquanto 10% dos entrevistados dizem não ter opinião formada sobre o assunto.

INCONVENIENTE – Ao longo do terceiro mandato de Lula, a primeira-dama já foi criticada tanto por aliados quanto por adversários de Lula por sua participação no governo, mesmo sem ter cargo ou mandato.

Um dos episódios mais recentes ocorreu após Janja pedir a palavra durante um jantar da comitiva brasileira com o presidente chinês, Xi Jinping, no mês passado, para abordar a atuação do TikTok.

O caso teria provocado desconforto entre aliados do governo presentes na ocasião e despertou uma nova alta de menções negativas ao nome dela nas redes sociais, puxada pela oposição.

PERCEPÇÃO NEGATIVA – A pesquisa Datafolha também indica que o impacto da atuação da primeira-dama é visto de forma negativa por 40% dos homens. Já entre as mulheres, o índice é de 36%.

A percepção mais negativa sobre a atuação de Janja foi registrada entre eleitores com curso superior, grupo no qual 49% acham que a primeira-dama atrapalha mais o governo que o ajuda. O índice, no entanto, diminuiu para 34% entre quem tem ensino médio completo e para 26% entre os que completaram somente o fundamental.

O Datafolha fez 2.004 entrevistas presenciais entre 10 e 11 junho. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

EPISÓDIOS SEGUIDOS – Como mostrou o GLOBO, a percepção negativa sobre Janja tem sido puxada por episódios como o de Xi Jinping. De acordo com uma pesquisa realizada pela consultoria Palver, o comentário crítico ao TikTok feito por ela na ocasião resultou em 456 menções ao nome dela a cada 100 mil mensagens trocadas em grupos de WhatsApp monitorados, das quais 60% foram negativas.

Em resposta à má repercussão do caso, a primeira-dama disse “não há protocolo” que a faça ficar calada.

Um segundo pico de citações ao nome dela, no entanto, foi registrado após ela defender a regulação das redes sociais com base no modelo chinês.

CAMPANHA DO PT – Em participação no podcast “Se ela não sabe, quem sabe”, do jornal “Folha de S. Paulo”, Janja afirmou que naquele país existe prisão em caso de descumprimento das normas.

No mesmo dia, foram contabilizadas pela Palver 154 citações ao nome da primeira-dama a cada 100 mil mensagens trocadas, das quais 35% negativas, 51,4% neutras e 13,6% positivas.

A data coincidiu com o lançamento de uma campanha de apoio a ela pelo PT, com o slogan #EstouComJanja. Na data, foram contabilizadas pela Palver 154 citações ao nome da primeira-dama a cada 100 mil publicações, das quais 51,4% foram neutras, 35% negativas e 13,6% positivas.

PAPA E MUSK – Ainda segundo a Palver, as reações chegaram mais próximas ao equilíbrio somente em 12 de fevereiro, quando ela se encontrou com o Papa Francisco. Na ocasião, 37,8% de menções foram positivas.

O mesmo percentual foi registrado para referências neutras, enquanto as negativas foram 24,4%. O número total de menções a ela, no entanto, foi menor (111).

A nível de comparação, o maior pico de menções a Janja (1 mil a cada 100 mil menções) aconteceu após a primeira-dama atacar o empresário Elon Musk, dono do X, durante o G20 Social, em novembro do ano passado. “Musk, fuck You!”, disse ela (Musk, foda-se!).

 

Bolsonaro já aceitaria apoiar Tarcísio a presidente se Michelle sair de vice

Tarcísio sai em defesa de Bolsonaro e diz que ex-presidente provará  inocência | Band

Bolsonaro começa a entender que Tarcísio vence Lula

Pedro Augusto Figueiredo
Estadão

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) sinalizou ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) que está disposto a apoiá-lo como candidato a presidente na eleição de 2026 em uma chapa que teria como vice a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL).

A informação circula entre membros do primeiro-escalão do governo paulista e parlamentares de direita. Pelo menos dois interlocutores de Tarcísio confirmaram a informação. Outro reforçou ao Estadão que a possibilidade da chapa Tarcísio-Michelle “esquentou” nos últimos dias.

ASSESSORIA NEGA – A assessoria de imprensa do governador negou que tenha havido sinalização de Bolsonaro e disse que Tarcísio é candidato à reeleição. Procurada, a assessoria de imprensa do ex-presidente não se posicionou. O espaço segue aberto.

O advogado Fabio Wajngarten, que faz a intermediação de Bolsonaro com a imprensa, disse que está focado no caso do ex-ministro Gilson Machado (PL), preso preventivamente nesta sexta-feira, 13, sob a suspeita de ajudar o tenente-coronel Mauro Cid a planejar uma fuga do Brasil.

Segundo pessoas com trânsito entre ambos, o plano traçado é que Bolsonaro dê à bênção pública ao governador somente na reta final do prazo de desincompatibilização, em abril de 2026, para não perder força política em meio ao processo que enfrenta no Supremo Tribunal Federal (STF).

MENOS DESGASTE -Na outra ponta, a estratégia também beneficiaria Tarcísio, evitando o desgaste de se colocar como candidato cedo demais.

Um interlocutor que conversa com o governador periodicamente disse ao Estadão que o tom dele mudou. Há alguns meses, segundo essa fonte, Tarcísio era taxativo de que não iria disputar o Palácio do Planalto, possibilidade que passou a admitir recentemente.

Um dos argumentos utilizados por Tarcísio no final de abril para rechaçar a candidatura a Presidência era a falta de garantia de que teria o apoio de Bolsonaro.

NO PALÁCIO – Bolsonaro ficou hospedado no final de semana anterior na ala residencial do Palácio dos Bandeirantes, onde mora Tarcísio, para se preparar para o depoimento à Primeira Turma do STF na ação da tentativa de golpe.

O ex-presidente e o governador estarão juntos novamente na próxima terça-feira, 17, quando participam de uma feira agropecuária em Presidente Prudente (SP).

Tarcísio tem repetido publicamente que não é candidato, mas tem dado sinalizações que pode embarcar na disputa presidencial.

PROGRAMAS SOCIAIS – Ele lançou recentemente um programa de combate à pobreza que classificou como “mais amplo” do que o Bolsa Família, marca associada ao PT, tem feito críticas à política econômica do governo Lula e há 20 dias afirmou ao lado de diversos caciques do Centrão que o “grupo estará unido, tem projeto para o Brasil e vai fazer a diferença”.

Na mesma ocasião, a filiação de Guilherme Derrite ao PP, o presidente do partido, Ciro Nogueira (PP), declarou que o País chamará Tarcísio de presidente “muito em breve, ou agora ou em 2030″.

O dirigente disse que defenderá Derrite como candidato a governador se essa hipótese se concretizar no ano que vem — o evento de filiação foi lido por bolsonaristas como lançamento da pré-campanha de Derrite ao governo de São Paulo.

NÃO HÁ DÚVIDA -Embora ainda não haja uma sinalização pública do governador, nos bastidores a avaliação de parte dos aliados é que que a dúvida não é mais se Tarcísio é candidato a presidente, mas quem disputará a eleição paulista como seu sucessor.

O presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), André do Prado (PL), o prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB) e o secretário de Governo, Gilberto Kassab (PSD), também estão no páreo.

Essa avaliação, porém, não é unânime, já que outra ala de aliados ainda enxerga o cenário como indefinido diante da possibilidade de Michelle encabeçar a chapa ou o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro(PL), que tem manifestado intenção de representar o pai na eleição presidencial.

Conflito de Israel e Irã reacende temores geopolíticos e pressiona mercados globais

Irã contra Iraque: a guerra de mártires que levou 2 países à devastação - Patria Latina

O primeiro efeito é sempre o aumento do petróleo bruto

Celso Ming
Estadão

O acirramento das hostilidades entre Israel e Irã impõe desdobramentos não apenas sobre a geopolítica local, mas, também, sobre a economia global.

As questões geopolíticas ainda dependem de como o conflito evoluirá e isso, por sua vez, dependerá do tempo e de como os objetivos militares e políticos das partes direta e indiretamente envolvidas forem atingidos.

QUESTÃO NUCLEAR – O Irã é signatário do Tratado de Não Proliferação Nuclear, ou seja, está sujeito a inspeções da Organização das Nações Unidas, que o governo iraniano vem sabotando por negar transparência em seus programas de desenvolvimento nuclear.

Uma das leituras do que começou a acontecer é a de que Israel dedica-se, agora, a prestar novo serviço aos Estados Unidos, que é o de forçar o Irã a assinar o acordo nuclear proposto pelo presidente Trump.

Essa prestação de serviço por Israel pode ter outra contrapartida: a de garantir a continuidade dos ataques em Gaza e, dessa maneira, a manutenção do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu no poder – apesar do aumento da oposição a ele no Knesset, o parlamento de Israel, e na sociedade civil.

TRUMP PRESSIONADO – Cisões na base de apoio de Trump o pressionam contra envolvimento em conflito no Oriente Médio. Israel destruiu parte das principais centrais nucleares do Irã, mas programa atômico segue de pé. Por que Israel atacou o Irã — e o que pode acontecer agora?

O maior risco geopolítico é o de que esse novo foco de conflagração acabe por envolver diretamente os demais países do Oriente Médio e, assim, estender as hostilidades para o campo regional, com amplo impacto internacional.

O desdobramento econômico imediato pode ater-se à área de energia, uma vez que o Oriente Médio continua sendo um dos mais importantes centros de produção e de exportação de petróleo e de gás. Na última sexta-feira, o barril (156 litros) do petróleo tipo Brent, negociado para agosto, fechou com alta de 7%, a US$ 74,23. No acumulado do mês, o preço do Brent disparou 18,9%.

ESTOQUES BAIXOS – O bombardeio do Irã por Israel pegou o mercado global de petróleo com estoques relativamente baixos, dado o aparentemente bom andamento das conversações comerciais entre Estados Unidos e China.

A evolução futura das cotações dependerá da disposição do cartel da Opep de continuar a aumentar a produção e as vendas. Não está claro quanto esse aumento do custo dos combustíveis e da energia elétrica acabará por aumentar a inflação no mundo e no Brasil.

De todo modo, os grandes bancos centrais terão de levar esse fator em conta na definição das suas políticas de juros.

INDÚSTRIA BÉLICA – Outro desdobramento está na indústria e comércio de armas e equipamentos militares. A Europa e o Japão já vinham sendo empurrados pelos Estados Unidos ao aumento dos seus orçamentos para a Defesa.

A Guerra na Ucrânia atiçou o desenvolvimento de novas armas, como os drones, que agora vêm sendo mais amplamente testados e passaram a exigir novas tecnologias de detecção e destruição pelas potências atacadas.

Se já eram muitas, agora as incertezas na economia global ganham novo impulso, especialmente no curto prazo, quando não se conhecem a extensão e a duração desse novo conflito.

Drummond um dia descobriu que Deus é triste e vive em permanente solidão

Ser feliz sem motivo é a mais... Carlos Drummond de Andrade - PensadorPaulo Peres
Poemas & Canções

O Bacharel em Farmácia, funcionário público, escritor e poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), um dos mestres da poesia brasileira, no poema “Deus é Triste”, expõe a sua visão sobre a tristeza divina.

DEUS É TRISTE
Carlos Drummond de Andrade

Domingo descobri que Deus é triste
pela semana afora e além do tempo.

A solidão de Deus é incomparável.
Deus não está diante de Deus.
Está sempre em si mesmo e cobre tudo
tristinfinitamente.

A tristeza de Deus é como Deus: eterna.

Deus criou triste.
Outra fonte não tem a tristeza do homem.

“É um jogo muito sujo, muito difícil”, desabafa o advogado do delator Mauro Cid

Advogado diz que Cid "assumiu tudo" e não responsabilizou Bolsonaro

Cesar Bitencourt conseguiu soltar Cid depois do depoimento

Basília Rodrigues
da CNN

A defesa do ex-ajudante de ordens da Presidência Mauro Cid avalia que o delator da tentativa de golpe passou a ser alvo de uma série de acusações infundadas após o depoimento desta semana, no qual confirmou as informações prestadas em seu acordo de delação premiada.

“É um jogo muito sujo, muito difícil. Toda hora, temos que nos defender de acusações absurdas, como aquelas mensagens veiculadas pela mídia na quinta-feira, claramente montadas de um suposto perfil fake que o tenente-coronel Cid teria se utilizado, que são claramente uma montagem grotesca. Imediatamente, pedimos providências ao STF para que isso seja averiguado e os responsáveis punidos por isso”, disse à CNN.

DIZ A VEJA – Nesta quinta-feira (12), reportagem da revista Veja revelou prints de um perfil supostamente utilizado por Mauro Cid para se comunicar com integrantes do núcleo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), apesar de uma ordem contrária do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Segundo a publicação, Cid fazia um jogo duplo e apresentava versões distintas à acusação e aos aliados de Bolsonaro.

Agora, Mauro Cid também é suspeito de planejar uma fuga do Brasil para Portugal com o apoio do ex-ministro do Turismo, Gilson Machado. Mais uma vez, o tenente-coronel teve celulares apreendidos, nesta sexta-feira (13).

De homem de confiança, Mauro Cid passou a ser tratado como inimigo por integrantes do antigo governo Bolsonaro.

ONZE DEPOIMENTOS – O tenente-coronel já tinha prestado dez depoimentos à Polícia Federal desde 2023, abordando temas que vão desde a suposta fraude no cartão de vacina ao desvio de joias sauditas — sendo as revelações mais relevantes relacionadas à tentativa de golpe de Estado.

E nesta sexta-feira prestou o décimo-primeiro depoimento, desta vez sobre as afirmações da revista Veja. Além da busca e apreensão, o ministro Alexandre de Moraes chegou a mandar prender Mauro Cid mas uma vez, porém depois voltou atrás, prendendo apenas o ex-ministro do Turismo da gestão Bolsonaro, Gilson Machado, que teria tentado liberar um passaporte para Cid fugir do país.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Como disse Luiz Fux nesta semana, quem teve de prestar nove depoimentos, na verdade não prestou nenhum. Ou seja, seus depoimentos são imprestáveis. E depois dessa frase de Fux, o El Cid da Suprema Corte teve de prestar mais dois, para esclarecer o que dissera antes, nesse processo kafkiano. (C.N.)

Tempestade global, com o mundo em rota de colisão

Enfim, temos algo a festejar: os baixos índices de aprovação do governo Lula

Lula diz não descartar medida 'mais drástica' para baixar o preço dos alimentos | Política | G1Duarte Bertolini

Impressionante a autoimolação absorvida, praticada com denodo e afinco pelo brasileiro. O conceito universal de abismo, deverá ser revisto, pois o brasileiro o desmoralizou.

Quando pensamos que estamos num nível de fundo do poço, lá vem mais uma ação e descobrimos que o fundo é bem mais embaixo.

PALAVRA DE ORDEM -Se pudéssemos fazer um plebiscito pela palavra de ordem, ditado ou verdade popular que melhor represente o Brasil, eu, certamente votaria em: “Nada está tão ruim que não possa piorar”.

Durante 40 anos cuidamos com carinho, dedicação e relevância dos pecados de uma frágil flor nascida dos meios sofridos dos trabalhadores, das elevadas crenças cristãs e das cicatrizes de uma ditadura, que com sua pureza e exuberância poderia nos redimir de séculos de opressão e descaminhos, o nascituro Partido dos Trabalhadores e seus líderes.

Mas como desde sempre dizem os mais velhos, nada como um dia após o outro.

PROSTITUIÇÃO – A virgindade das vestais petistas foi se maculando e a legenda se prostituía, à medida que ultrapassava os degraus de poder. O PT foi se tornando um partido cada vez mais corrompido.

As máscaras das ações utópicas e a pura bravata do bem contra o mal ocultaram por décadas a verdadeira face destes falsos arautos da igualdade e da justiça social.

Os mais velhos dizem também que um dia verdade aparece, e quando surgiu foi de forma avassaladora, que estabeleceu em grande parte da população dois sentimentos distintos mas complementares.

CAINDO NA REAL – Alguns lembravam as advertências, dizendo terem avisado que o PT era “um grupo de vagabundos picaretas, vestidos de vermelho e com lábia aguçada”, enquanto outros exibiam um desencanto profundo, um arrependimento dilacerante e a busca quase impossível de alternativas ao desastre e fim das esperanças e ilusões.

Eis que a junção dessas duas posições produziu a aceitação de um novo personagem, muito mais meteórico e sem quaisquer embasamentos, mas parecia ser a única alternativa. E assim o folclórico candidato transformou-se em esperança e rapidamente em pesadelo.

Diante dessa nova armadilha, o que fazer? Imperioso era evitar a consolidação desta face obscura e medieval que havíamos consciente ou ingenuamente despertado.

EM RETROCESSO – De repente, todos os sapos poderiam ser engolidos e aí… voltamos ao detento barbudo, atropelando os mais básicos princípios de justiça e moralidade.

Alguns talvez não tenham se apercebido no momento, mas certamente muitos o sentiram depois. Estávamos baixando perigosamente e talvez irresponsavelmente a régua de moralidade e capacidade dos homens e grupos que escolhíamos para nos conduzir.

Ora, se Lula foi preso e para se contrapor buscamos Bolsonaro e depois para se contrapor a este buscamos aquele que havia sido destituído e preso, obvio que estávamos nos rebaixando e aceitando o buraco como moradia de nosso futuro.

SENSO COMUM – Mas agora, quando a tragédia anunciada se concretiza, o que o senso comum (entendido como ruidosa maioria) quer fazer? Colocar no trono aquele mesmo que tiramos há pouco como sendo uma trágica opção? E que futuro poderá nos dar?

Uma concessionária de pedágios aqui do Sul usava como jargão comercial o seguinte: “Se seguirmos sempre os mesmos caminhos, chegaremos, no máximo, onde sempre chegamos”.

Então, senhores, têm razão os biólogos e zoólogos quando dizem que “o homem é o único animal que cai duas vezes na mesma armadilha”.

ESCOLHAS TRÁGICAS – As pesquisas nos mostram a tragédia de nossas escolhas sabidamente equivocadas.

Repetir o erro faria o Brasil desmoralizar não só o conceito de abismo, mas também os de ignorância e imbecilidade generalizada.

Então, vamos comemorar os baixos índices de aprovação de Lula, por indicar que podemos evitar nova constatação trágica e ainda nutrir esperanças de encontrar uma saneadora terceira via.

Kakay, amigo dos ministros, prevê que Bolsonaro pode pegar 30 anos de prisão

Bolsonaro depõe agora a tarde no STF | Portal 96fm

Bolsonaro pediu desculpas e se humilhou perante Moraes

Carlos Newton 

Faz sucesso na web o artigo do advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, o mais conhecido advogado de Brasília, que ficou famoso pela amizade e intimidade com ministros de tribunais superiores, especialmente o STJ e o STF. Ninguém circula na noite da capital quanto Kakay, que faz o circuito dos restaurantes da moda. Quando o ministro pede a conta do jantar, o maître responde que já está paga. Todos conhecem a generosidade de Kakay, que sabe trabalhar a justiça como ninguém.

Conhecido defensor do PT, embora se diga apolítico, Kakay é amigo íntimo de Lula e de José Dirceu. Assim, está apoiando o Supremo incondicionalmente. E prevê que Bolsonaro e outros líderes devem pegar entre 28 e 30 anos de prisão. Confira o artigo que publicou no Poder360 nesta sexta-feira, treze.

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BOLSONARO: DA ARROGÂNCIA E VALENTIA À SUBSERVIÊNCIA E PUSILANIMIDADE

Kakay
(Poder360)

O interrogatório do Bolsonaro não surpreendeu ninguém. Sem maiores atributos intelectuais, ele se desnudou. Foi evasivo, foi inseguro, foi pusilânime, menosprezou os seus apoiadores mais fanáticos, desdenhou de muitos fatos comprovados e tentou até fazer ‘gracinha’.

Referiu-se ao ministro relator que o interrogava, em claro desespero, de uma maneira subserviente e covarde. Ele, que agrediu fortemente o ministro em diversas circunstâncias, que aprovou um plano para matá-lo e que, ao alterar o decreto do golpe, manteve uma absurda e inconstitucional hipótese de prisão do ministro Alexandre, rebaixou-se, humilhou-se e rastejou durante o embate cara a cara.

FALTA DE DIGNIDADE – Não deu pena, deu asco da falta de atitude minimamente digna de alguém que já foi presidente. Bolsonaro rastejou e se humilhou, certamente massacrado pelo peso da certeza dos seus atos criminosos.

A fraqueza de Bolsonaro foi creditou a sua agressividade verbal –ao atacar ministros, instituições e a própria democracia – a um “temperamento” que sempre o caracterizou.

Chegou a afirmar que foi esse jeito tosco, ignorante, vulgar e bruto que o levou a ser vereador, deputado federal por 28 anos e presidente.

BOLSONARO DESNUDADO – Ou seja, para que mudar, evoluir e ser educado se tem milhões de eleitores que gostam do fato de ele ser misógino, racista, fascista, agressivo, dado a palavrões e a agressões diversas? Essa defesa pessoal desnudou quem é Bolsonaro.

Demonstrou que, ao mesmo tempo em que hoje despreza quem o apoiou, quando falou dos seus seguidores que ficavam na porta dos quartéis e que contribuíram financeiramente e como massa de manobra, também usou e abusou da ignorância e desinformação das pessoas para alimentar seus intentos golpistas.

Esse talvez seja o ponto que mais impressionou no interrogatório. Ele confessou o crime em diversas afirmações, talvez sem perceber que estava confessando. Ele se colocou na coordenação da organização criminosa durante os atos golpistas.

CONDENAÇÃO VIGOROSA – O que o Bolsonaro confessou extrapola a autoria dos fatos criminosos. Tudo isso servirá para sustentar uma condenação vigorosa e técnica.

Ele expôs, de maneira cruel e que provocou certo asco, quem realmente ele é. A punição o levará à cadeia. A exposição da personalidade dele, que ele próprio fez, vai levá-lo ao lixo da história.

O processo penal – do grupo chamado crucial – Deverá ser julgado em setembro. E a condenação é inexorável, com penas que devem ser fixadas de 28 a 30 anos de cadeia.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
Ninguém conhece os ministros do Supremo melhor do que Kakay. Se a sua previsão estiver correta, este país vai viver uma crise horrível. Espero que Kakay esteja errado. (C.N.)                             

Piada do Ano! STF acha que vai regular big techs sem estabelecer a censura

Charge: Redes Sociais foram fundamentais para invasões - Blog do AFTMMíriam Leitão
O Globo

O ministro André Mendonça ficou sozinho, até agora, na defesa da constitucionalidade do artigo 19 do Marco Civil da Internet, que tira das redes sociais qualquer responsabilização sobre o que é postado. No julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), o placar até agora é de 7 a 1 a favor da responsabilização das redes sociais pela publicação dos conteúdos considerados ilegais.

Mas há muitas nuances e detalhes nos votos dos ministros. Por isso, após encerrada a votação, será preciso fazer uma modulação para saber como executar o que foi decidido. O importante é que haja uma regulamentação.

PAPEL DO LEGISLATIVO – O Congresso é que deveria fazer uma regulamentação, mas ele preferiu engavetar o projeto, fugindo das suas prerrogativas. E isso foi maravilhoso para as grandes empresas de tecnologia que hoje não têm obrigação de nada, nem de fazer uma moderação do conteúdo para combater crimes postados em suas redes.

Há muitos crimes sendo cometidos nessas plataformas, entre eles, pedofilia, racismo, antissemitismo, ataques de ódio, disseminação de informações sabidamente mentirosas.

E hoje as vítimas desses crimes têm que contratar um advogado, entrar na Justiça, esperar a tramitação da ação para que alguém seja eventualmente responsabilizado ou o conteúdo retirado do ar.

SEM MODERAÇÃO – Enquanto os crimes e as mentiras proliferam nas redes, as empresas adotam uma estratégia contrária a qualquer bom senso ao reduzir os investimentos na moderação de conteúdo. Outro movimento feito pelas plataformas foi a redução de representantes no Brasil, o que dificulta o contato e a responsabilização.

É importante destacar que a discussão de um regramento das redes sociais, que as responsabilize pelos conteúdos postados, não acontece só no Brasil, há discussões nesse sentido em vários países, o maior avanço foi registrado na União Europeia.

Ao estabelecer uma comparação entre as redes sociais e outros veículos de comunicação tradicionais e a imprensa, fica clara a disparidade de regras.

RESPONSABILIDADE – A imprensa tem que responder por crimes cometidos, mas as redes sociais não. Uma fala do ministro Alexandre de Moraes sintetiza essa questão: “se você monetiza, ou seja, está ganhando dinheiro com isso, deve sim assumir a responsabilidade”.

Os votos dos ministros do STF, excetuando André Mendonça, estão todos na mesma direção, mas apresentam maneiras diferentes de atingir o mesmo objetivo. Ainda há muito a ser discutido. Mas o fato de ter um 7 a 1, consolidado com o voto do Alexandre de Moraes, dá vitória à ideia de que é preciso uma responsabilização e isso é um começo do caminho.

Falta a presença do Executivo e do Legislativo nessa conversa. Esse debate não pode ser feito apenas pelo Supremo Tribunal Federal.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Nenhum país do mundo conseguiu fazer essa regulamentação, que funciona como censura nas nações autocráticas, como China, Rússia, Cuba, Venezuela, Nicarágua etc.  Porém, o ministro Moraes quer fazer no peito e na raça, apenas passando a chamar de “moderação”, o que antes era chamado de “censura”. Simples assim. A genialidade de Moraes às vezes assusta a gente. Ele tem um perfil mussolínico, não é mesmo? (C.N.)