Acredite se quiser! Ramagem era inocente, jamais participou do golpe

Câmara suspende ação penal contra Alexandre Ramagem no STF

Fux foi o único a perceber que Ramagem era inocente

Carlos Newton

Com o passar dos dias, vai baixando a poeira do julgamento do núcleo duro de Bolsonaro e começam a surgir, com nitidez, erros primários e desclassificantes cometidos pelo ministro-relator Alexandre de Moraes, que passaram despercebidos pelos demais ministros, à exceção de Luiz Fux.

Antes do julgamento, aqui no bunker da Tribuna da Internet, trabalhando sob o signo da Liberdade, encontramos uma prova categórica de que o ex-chefe da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), delegado federal Alexandre Ramagem,  era inocente  e não participara de nenhuma das reuniões e iniciativas que levaram os réus a essas rigorosas condenações. Escrevemos a respeito, mas apenas Fux levou em consideração.

CINCO CRIMES – Os oito réus responderam individualmente por cinco graves crimes: 1) Organização criminosa armada; 2) Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito; 3) Golpe de Estado; 4) Dano qualificado pela violência e grave ameaça; e 5) Deterioração de patrimônio tombado.

Ramagem foi condenado por golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e organização criminosa. Só não foi punido por dano qualificado e deterioração do patrimônio tombado porque, em maio, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal decidiu suspender o julgamento desses crimes até o final de seu mandato de deputado.

CRIMES IMPOSSÍVEIS – O fato é que os quatro excelentíssimos ministros não perceberam que estavam condenando Ramagem por crimes impossíveis de terem sido cometidos por ele.

Não notaram que, em abril de 2022, muito antes dos fatos conspiratórios, Ramagem se demitiu do governo e se mudou para o Rio de Janeiro, com objetivo de fazer campanha e se eleger deputado federal.

Como poderia ter participado de uma tentativa de golpe que transcorrera a mil quilômetros de distância? Teria atuado por videoconferência, e-mail ou celular? Ora, nada disso está provado nos autos.

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P.S. 1 –
Assim, o mesmo Supremo que em 2021 anulou as condenações de Lula até terceira instância, alegando que ele tinha sido julgado na Vara do endereço errado, agora condena Ramagem, que morava na cidade errada e não participava de nada na cidade certa. Deu para entender? Não? Então nem se preocupe.  Os ministros do Supremo também não entendem nada, mas 50% dos brasileiros batem palmas para eles, segundo as pesquisas.

P.S. 2Como diz o ministro Luiz Fux, Ramagem não tinha – nem jamais teve – foro privilegiado nas datas de suposto cometimento dos crimes. Se tivesse sido julgado numa vara de primeira instância, o juiz federal certamente seria mais cuidadoso e não cometeria uma barbaridade dessas.  (C.N.)

Num país sem justiça, a imprensa exalta Moraes e tenta humilhar Fux

Grande Imprensa e Boa Imprensa por Luiz Flávio Maia

Charge do Latuff (Arquivo Google)

Carlos Newton

Foi uma semana dramática e desmoralizante para a Justiça e para a imprensa, também. Mas poderia ser pior, caso o ministro Luiz Fux não tivesse a coragem de proclamar que o Supremo estava se desviando do caminho da verdadeira Justiça e iria enveredar pela trilha da política partidária, na qual a lei e o direito nada valem.

Em condições ideais de democracia, o Supremo jamais poderia trafegar fora da lei, como vem acontecendo desde 2019, quando o ministro Alexandre de Moraes foi nomeado irregularmente para relator do inquérito das fake news, que acabaria sendo chamado de “Inquérito do Fim do Mundo” pelo ministro Marco Aurélio Mello, que nunca aceitou sua inconstitucionalidade.

MINISTRO PARCIAL – Foi Dias Toffoli, o mais petista de todos os ministros, que entregou a responsabilidade desse inquérito a Moraes, que desde o início fez os autos trafegarem fora da lei, diante a passiva complacência dos ministros, incluindo Luiz Fux, pois à época apenas Nunes Marques e André Mendonça protestavam.

De 2019 para cá, o Supremo libertou Lula da Silva de forma ardilosa e depois anulou as condenações dele em 2021, alegando problemas no CEP (endereço), digamos assim, para mostrar o surrealismo da situação que possibilitou a eleição do petista.

Há algumas semanas, no início do julgamento dos golpistas, Fux avisou que ia mudar o voto, mas já era tarde demais.

AS ILEGALIDADES – Na reta final, fez um esforço enorme, para mostrar as múltiplas ilegalidades do posicionamento do relator Alexandre de Moraes, mas não adiantou nada. No dia seguinte, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin ajudaram a sepultar a Justiça e deixaram Fux falando sozinho.

O mais incrível foi ver a imprensa se manifestando contrária a Fux. Os jornalistas nem chegaram a analisar a questão. Fizeram como o Supremo e foram logo se posicionaram politicamente.

O fato é que, em estado de pré-falência, a grande imprensa luta para sobreviver e vem defendendo com empenho total os interesses do governo, sem levar em conta os interesses do país.

BALANÇO DE AGOSTO – Como sempre fazemos, estamos divulgando as contribuições recebidas pelo Blog no mês de agosto, agradecendo muito aos amigos e amigas que lutam por um espaço livre na internet, algo realmente muito raro.

De início, os depósitos através da Caixa Econômica Federal.

DIA   REGISTRO   OPERAÇÃO             VALOR
04     041646        DEP DIN LOT……….100,00
09     091135        DEP DIN LOT……….100,00
13     131549        DEP DIN LOT……….100,00
19     191254       DEP DIN LOT………..100,00
25     073500       DEP DIN CAIXA…….500,00
26     261624       DEP DIN LOT………..100,00
29     291620       DEP DIN LOT………..230,00

Agora, os depósitos recebidos no banco Itaú/Unibanco:

01     PIX TRANS JOSE FR………………150,00
11     TED 001 5977 JAPJ……………….378,87
15     TED 001 4416 MAR. ACRO……300,00

OBS – Se o seu depósito não está registrado aqui, por favor nos informe. Desta vez, tive dificuldade para ler os extratos das caixas eletrônicas, que são quase ilegíveis.

Por fim, agradecemos mais mais uma vez as contribuições, e vamos em frente, sempre juntos e “enquanto deixarem”, porque o que mais essa gente teme é a imprensa realmente livre.  (C.N.)

Fux demorou a reagir e também é culpado pelos erros do Supremo

LUIZ FUX COMETEU O CRIME DE LESA-PÁTRIA – VISÃO PLURAL

Charge do Nando Motta (Arquivo Google)

Carlos Newton

A vingança é um tempero que não pode ser usado na Justiça. É preciso que os magistrados e operadores do Direito lutem com todas as suas forças para conduzir com imparcialidade todas as causas, não interessa quem esteja envolvido.

Num processo como o que julga o ex-presidente Jair Bolsonaro e sete aliados, a situação fica ainda pior, porque a vingança deixou de ser tempero para se transformar no prato de resistência da política brasileira.

SEM PERDÃO – Realmente, não há desculpa para juízes e operadores do Direito que se deixem levar pela revanche. Sempre que isso acontece, o quadro se torna sinistro e maldito. De uma forma ou de outra, o veneno da vingança acaba transbordando do cálice e termina por atingir quem o destilou.

No caso do processo de Bolsonaro, essa deformação jurídica começou devido à revolta dos ministros com a invasão da Praça dos Três Poderes por bolsonaristas em 8 de Janeiro de 2023.

Assim, quando se iniciaram os julgamentos do vandalismo, os ministros ainda estavam cheios de ódio e aceitaram prazerosamente inventar crimes e situações para justificar penas de 17 anos de prisão e multa partilhada de R$ 30 milhões, para todos os que invadiram os palácios, sem que houve prova de que participaram ou não do vandalismo. Aliás, uma simples foto selfie, enviada para a família, era considerada prova material.

NUNES E MENDONÇA – Essa posição antijurídica e ditatorial do relator Alexandre de Moraes foi partilhada por todos os ministros, exceto os dois bolsonaristas, Nunes Marques e André Mendonça. Até mesmo Luiz Fux, considerado o maior processualista brasileiro, apoiou essas penas teratológicas.

Na época, a Tribuna da Internet fez questão de criticar Fux, que até então tinha rejeitado participar de outras decisões errôneas do Supremo, como a libertação de Lula, em 2019, e a descondenação dele, em 2021, para que o petista pudesse se candidatar.

Após esse posicionamento jurídico, porém, Fux também se deixou levar pelo sentimento de vingança e apoiou os inconcebíveis 17 anos para os vândalos.

ALTA CRIATIVIDADE – Para chegar a esses 17 anos, o relator Moraes teve de explorar a criatividade, aatribuindo aos vândalos cinco crimes que só eram três: 1) Organização criminosa armada; 2) Abolição violenta do Estado Democrático; 3) Golpe de Estado; 4) Dano ao patrimônio público; e 5) Deterioração de patrimônio tombado.

O primeiro crime (Organização criminosa armada) não existia, por falta de armas. Os dois seguintes  (Abolição violenta do Estado Democrático e Golpe de Estado) são excludentes, pois o réu comete um ou o outro, jamais os dois. E os dois últimos (Dano ao patrimônio público e Deterioração de patrimônio tombado) também são excludentes, não podem ser cometidos conjuntamente.

Foi com essa aritmética antijurídica que Moraes acaba de conseguir 27 anos e três meses para condenar Jair Bolsonaro, um bocado de exagero.

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P.S. 1
Trata-se de um julgamento fora da lei. Luiz Fux é um dos culpados, porque ajudou a criar penas exageradas. Se tivesse apoiado Nunes Marques e André Mendonça lá no início, reduzindo as condenações do 8 de Janeiro, esse julgamento não seria tão vexaminoso. Fux demorou muito a acordar. Portanto, também é culpado e já passou a ser discriminado pelos demais ministros que apoiam Lula e o PT.

P.S. 2 – Falta agora a reação da matriz USA. Como a direção da filial Brazil decidiu desobedecer ordens lá da sede em Washington, agora estamos esperando o troco, em moeda forte. (C.N.)

Petistas querem condenar Bolsonaro à maior pena possível e imaginável

Do 'nunca serei preso' ao julgamento, a longa sombra do 7 de Setembro ofusca Bolsonaro – CartaCapital

A meta: 43 anos de prisão por um golpe que não existiu

Carlos Newton

Chega a ser constrangedor o grande número de reportagens, análises políticas e editoriais pregando a tese de que Jair Bolsonaro e os golpistas têm de ser condenados. É claro que, em condições ideais de temperatura e pressão, como se diz na Física, jamais poderia nem deveria haver penas brandas ou absolvição . Mas acontece que o Brasil está longe – mas muito longe mesmo – de viver em situação de normalidade jurídica.

Desde 2019, quando o presidiário Lula da Silva foi libertado ilegalmente pelo Supremo, o Brasil entrou na contramão da normalidade política, porque se tornou o único país da ONU que passou a não mais prender criminoso após condenação em segunda instância, quando se esgota a discussão do mérito.

TERCEIRA INSTÂNCIA – Aliás, no caso de Lula, ele já tinha condenação unânime em terceira instância (Superior Tribunal de Justiça). Quer dizer, o Supremo forçou a barra e sujou o nome do Brasil no cenário das nações, única e exclusivamente para beneficiar o detento Lula da Silva, condenado por corrupção e lavagem de dinheiro, com abundância de provas.

Mas ainda não era suficiente. Para permitir a candidatura de Lula, que à época já deveria até ter sido julgado no Supremo, os criativos ministros tiveram de inventar em 2021 uma exceção de “incompetência territorial absoluta”, algo que também não existe em nenhum outro país, emporcalhando ainda mais a imagem jurídica do Brasil no exterior.

Agora, quando se aproxima o julgamento do golpe, os petistas defendem o cumprimento mais rigoroso possível das leis, esquecidos do que o Supremo fez nos verões passados para favorecer um criminoso vulgar como Lula.

HORA DE ACORDO – Ora, meus amigos, é nesse ambiente juridicamente imundo que o Congresso agora quer defender um acordo, na esperança de pacificar o país, mas os petistas e a imprensa não aceitam de forma alguma. Não querem ceder um milímetro e buscam culpar os militares de agora como se fossem os torturadores de 1964.

O resultado é a polarização total, com posições cada vez mais radicalizadas. Vamos aguardar a desfaçatez do Supremo, que deveria reduzir as penas dos falsos terroristas do 8 de Janeiro, para ter condições mínimas de condenar Bolsonaro e seu  núcleo duro.

O problema é que o relator Alexandre de Moraes não aceita qualquer negociação, sem perceber que 43 anos para punir um golpe que não houve é um bocado de exagero.

Supremo vai condenar os golpistas sem provar os crimes de cada um

O recado que Bolsonaro quer dar a Lula na posse de Moraes no TSE

Os brasileiros mais amados e mais odiados deste país

Carlos Newton

Na discussão do processo de Jair Bolsonaro, o país continua dividido e o Supremo não consegue atrair o apoio da maioria da opinião pública, por mais que alegue e divulgue ter apresentado provas de que o ex-presidente e seu núcleo duro “tentaram” aplicar um golpe de estado. Como se sabe, nesse tipo de processo é preciso provar que se configurou uma “tentativa”, para que possa haver crime concretamente, com a devida punição.

Não há a menor dúvida de que os réus “planejaram” o golpe e alguns deles chegaram até a imaginá-lo de uma forma espetacular, com assassinato de alguns envolvidos.

Esse “planejamento” está mais do que provado nos autos, mas faltou comprovar que houve mesmo a “tentativa”, e essa lacuna jogaria tudo por terra, juridicamente, num país sério.

DOGMA JURÍDICO – A configuração da “tentativa” é tema importantíssimo, porque se trata de um dos principais dogmas jurídicos em vigor no mundo inteiro, inclusive no Brasil, mas agora o Supremo inventou de tentar desconhecê-lo, para inicialmente condenar os envolvidos no 8 de Janeiro.

As defesas, é claro, exigem obediência a essa doutrina jurídica, mas a acusação finge que nem existe polêmica, e o procurador Paulo Gonet, também passa por cima, ao concordar com a posição claramente equivocada do ministro relator Alexandre de Moraes.

Para a acusação, a “tentativa” de golpe teria ocorrido devido a três motivos – a manutenção dos acampamentos diante dos quartéis, o episódio de vandalismo de 12 de dezembro e o quebra-quebra de 8 de janeiro, como se existisse uma forte conexão de causalidade entre os três eventos, que então teriam sido liderados pessoalmente por Bolsonaro e o núcleo duro, embora o ex-presidente estivesse morando nos EUA desde 30 de dezembro de 2022.

FALSA CONEXÃO – Com a máxima vênia, a acusação não tem nenhuma prova desta falsa conexão, que fez o Supremo considerar como “terroristas armados” os cidadãos que invadiram os Três Poderes no domingo 8 de janeiro, absolutamente desarmados, para protestar contra a eleição e posse de um criminoso vulgar, extraído da cadeia pelo Supremo sem motivo rigorosamente legal, conforme todos sabem.

Pela invasão dos Três Poderes, cidadãos de bem foram para a cadeia cumprir indevidamente 17 anos de cadeia e pagar multa milionária.

Por isso, o Supremo tem agora dificuldade para julgar os supostos líderes, porque teriam de receber penas ainda mais graves.

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P.S. – Bolsonaro, Lula, Alexandre de Moraes, é tudo uma vergonheira só. São maus brasileiros, despreparados para servir ao público. Eu não entendo por que são tão odiados e amados ao mesmo tempo, mas talvez Freud explique. (C.N.)

Por trás da cortina do Banco Martes, surge a figura sinistra de Davi Alcolumbre

Como a família Alcolumbre enriqueceu com grilagem e devastação no Amapá

Davi Alcolumbre consegue se imiscuir em todas as jogadas

Carlos Newton

Em Brasília, a ópera política do empresário-banqueiro-especulador Daniel Vorcaro (Banco Master) tem nos bastidores um diretor de cena discreto, mas de eficiência notável – o senador Davi Alcolumbre, um amigo que não aparece nos créditos principais, mas cuja assinatura está em cada portão destrancado nos corredores do poder.

A sutileza dessa amizade é a marca de uma sobrevivência construída na diplomacia dos interstícios — essa mesma diplomacia que raramente chega às manchetes.

SAÍDA DA CVM – A última vítima do poder político de Vorcaro/Alcolumbre foi o ex-presidente da CVM, João Pedro do Nascimento, um dos melhores especialistas em Direito Financeiro, que pediu demissão do cargo em 18 de julho, após ter aberto investigação sobre a sinistra venda de parte do Banco Master para o estatal BRB, que o Banco Central acaba de anular, para desespero de Vorcaro. 

Mas espere, que o enredo flui com uma figura ainda mais intrigante: o advogado e especulador baiano Augusto Lima, cuja reputação pública já não tem unanimidade, mas a atuação privada parece alçar voos por entre sombras estratégicas.

SOLUÇÕES MILAGROSAS – Chega a ser curioso observar como, na hora em que um problema se torna espinhoso, Lima reaparece com “alternativas” quase milagrosas, como se manuseasse atalhos secretos no tabuleiro legislativo.

Um operador de precisão cirúrgica, ainda que seu diploma de advogado muitas vezes pareça pendurar-se sobre outra pele.

E se o palco já estava carregado de suspense, eis que surge o nome de João Carlos Mansur, essa velha raposa da crônica do mercado, sempre lembrado quando os métodos exigem uma probabilidade mais criativa. O público, aliás, espera ansioso para ver quem entra no elenco a seguir. Em Brasília, o espetáculo nunca decepciona —  e sempre reserva um figurante com talento para surpreender.

Perseguição a Bolsonaro não serve de justificativa à impunidade de Lula

Buscas por Lula superam Bolsonaro na Wikipédia pela 1ª vez desde 2018 |  Metrópoles

Realmente, é difícil identificar qual dos dois é o pior

Carlos Newton

Certas coisas são mal explicadas, propositadamente, para confundir os incautos. Nessa sociedade moderna em que vivemos, dizem que a mídia tradicional já está ultrapassada, mas na verdade ela é cada vez mais importante e faz muita falta quando não cumpre com esmero seu papel social e tenta esconder as razões dos problemas.

A crise que o Brasil vive é um exemplo candente desse péssimo serviço prestado pela mídia. Hoje, reclama-se das redes sociais, das fake news, das intrigas envolvendo gente famosa e das notícias que visam a tirar dinheiro dos desavisados, digamos assim. É bobagem reclamar, porque essa realidade é imutável.

SEM NOVIDADES – Aliás, nada disso é novidade no front ocidental. Essas deformações sempre existiram e continuarão se repetindo, não adianta o ministro Alexandre de Moraes sonhar com um mundo ideal e inventar leis a serem cumpridas em outros países, vejam a que ponto chegamos.

A única mudança verdadeira foi o aumento espantoso do número de participantes desse show da mídia, através da disseminação dos celulares para crianças, adolescentes e adultos de todas as classes sociais. O resto e as deformações sempre existiram

Nesta quarta-feira, por exemplo, o assunto dominante na mídia é o julgamento de Bolsonaro e dos militares envolvidos no golpe.

FALSA NOÇÃO – A cobertura do assunto é bisonha, porque tenta incutir no “mediata” (expressão criada por mim) a falsa noção de que após o julgamento ficará tudo bem, o país se pacificará, a polarização vai acabar e outras bobajadas.

Na verdade, nada mudará com a prisão de Bolsonaro e sua trupe. Ao contrário, a polarização se  radicalizará, pois cerca de 50% dos brasileiros não entendem por que Bolsonaro e seu grupo estarão presos, enquanto Lula, Dirceu, Palocci, Vaccari e tantos outros criminosos comuns estão sendo inocentados pelo Supremo, que inclusive começa a lhes devolver a fortuna roubada ao povo.

É certo que 50% dos brasileiros não entendem por que isso está acontecendo, com a mídia claramente  apoiando essas aberrações políticas e jurídicas.

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P.S
. – Não é por deficiência intelectual que os brasileiros não aceitam esse comportamento criminoso do Supremo. Ficam revoltados porque sabem que em nenhum outro país minimamente democrático existe lei, jurisprudência, doutrina, costume ou princípio jurídico que possa explicar uma situação desse tipo, com impunidade garantida ao grupo político que está no poder, enquanto o grupo rival sofre a mais rigorosa perseguição possível e imaginável. Por isso, às vezes me dá vergonha de ser brasileiro. (C.N.)

Apertem os cintos! A Lava Jato está renascendo em plena Av. Faria Lima

Reag acerta a compra da Bom Pra Crédito | Finanças | Valor Econômico

Mansur é um dos líderes dos bastidores da Faria Lima

Carlos Newton

A Faria Lima anda em polvorosa. No centro desse turbilhão está agora João Carlos Mansur, figura conhecida e respeitada nos bastidores do mercado, que há anos atua como verdadeiro maestro de grandes fortunas.

A Reag, gestora de fundos criada por Mansur, tornou-se referência para empresários e banqueiros que buscam alternativas de blindagem patrimonial em tempos de incerteza. O problema é que, quando o rastro do dinheiro começa a ser seguido, passam a surgir conexões incômodas.

SEM LIMITES – Não se trata apenas das ligações já noticiadas com Daniel Vorcaro, dono do Banco Marques, que continua buscando uma saída. O alcance de Mansur vai muito além, envolvendo banqueiros e bilionários da elite financeira paulista.

A cada fio puxado, revela-se um novelo que compromete não só indivíduos, mas práticas estruturais que caracterizam o próprio modus operandi da Faria Lima.

É o típico caso em que um único personagem pode funcionar como “bomba atômica” no sistema, não pela sua queda, mas pelo que expõe sobre os mecanismos ocultos de poder e riqueza.

E O GOVERNO? – Nesse tabuleiro, o governo Lula pode ganhar inesperado protagonismo. À frente do Ministério da Justiça, Ricardo Lewandowski tem nas mãos uma oportunidade rara de retomar o combate aos crimes do colarinho branco, área em que o país vinha colecionando frustrações.

Se o ministro apostar em investigações consistentes, com eventual cooperação penal internacional, a repercussão será inevitável. Afinal, as engrenagens da blindagem patrimonial são globais, e só podem ser compreendidas quando se conecta São Paulo a Nova York, Miami ou Luxemburgo.

Política, economia e justiça se encontram nesse ponto nevrálgico.

NOVA IMAGEM – O Brasil pode surpreender ao reverter a imagem de complacência com a corrupção, criando um contraponto direto ao estilo de Donald Trump, que não esconde a tolerância com desvios na elite empresarial.

Os desdobramentos são imprevisíveis, mas a simples perspectiva de vasculhar essas engrenagens já é suficiente para fazer a Faria Lima tremer.

È por isso que já afirmamos aqui na Tribuna da Internet, sempre com absoluta exclusividade, que o desdobramento dos casos do Banco Marques e do PCC pode funcionar como uma nova operação Lava Jato, centrada no mercado financeiro. Comprem pipocas, muitas pipocas.

 

A grande imprensa vai acabar? Talvez, não. Mas está correndo gravíssimo risco

Saiba como explorar imagens e charges na prova de redação do vestibular | Guia do Estudante

Charge do Laerte (Folha)

Carlos Newton

Há duas décadas, quando disseram que o jornal impresso estava perto de acabar, devido à concorrência da informação via celular, fiz questão de dizer que isso jamais ocorreria, porque há pessoas que transformaram num vício o prazer de ler jornais, saboreando as notícias de manhã cedo, quando estão na privada ou tomando o café da manhã.

Mas isso não existe mais. Os jornais são tão ruins e esquálidos que dá até pena. É triste imaginar que as crianças de hoje jamais saberão o que é de verdade um grande jornal, ou uma revista de primeira qualidade, porque elas são cada vez mais caras e menos rentáveis, tendem a desaparecer.

BIG CLOSE – No desespero tecnológico, os dirigentes dos grandes jornais sonham em transformá-los em emissoras de TV. Agora, no Estadão, além de digitar a matéria, o repórter tem obrigação de aparecer, num big close do celular, lendo o texto que escreveu.

É como se o jornal não acreditasse no texto e obrigasse o repórter a repeti-lo, para ver se há alguma informação disparatada. Fica tudo muito ridículo.

Em tradução simultânea, aos 150 anos, o Estadão sente-se velho e tenta rejuvenescer à força, através desses repórteres híbridos, que fazem jornal e televisão ao mesmo tempo, julgando que estão inventando uma imprensa nova, mas é apenas um simulacro grotesco.

MAIS ELITISTA – Para sobreviver, a imprensa escrita tem de conter o que há de melhor na internet, sendo menos informativa e mais analítica, com destaque à cultura. Ou seja, mais elitista, feita para quem ainda raciocina, como os participantes da Tribuna da Internet.

E como sempre fazemos, vamos divulgar o balanço dos mantenedores da Tribuna da Internet no mês passado. De início, através da Caixa Econômica Federal:

DIA   REGISTRO    OPERAÇÃO          VALOR
08     081157        DEP DIN LOT……..100,00

23     231248        DEP DIN LOT……..230,00
25     251843        DEP DIN LOT……..100,00
30     301235        DEP DIN LOT……..230,00
31     311641        DEP DIN LOT……..100,00

Veja agora as contribuições no Banco Itaú/Unibanco:
01     PIX TRANS JOSÉ FR……………..150,00
02     TED J.ANT.PJ……………………….302,07
14     CXE TRANSF 6142……………….100,00
15     TED 001 4416 M.ACRO………..300,00
31     PIX TRANS. PAULOROB………..100,00
31     TED 033-3591 ROBERSNA……200,00

Agradecendo muitíssimo aos que colaboram na manutenção deste espaço utópico,  vamos em frente, sempre juntos, movidos pelo signo da liberdade. (C.N.)

Brasil ficou sozinho no mundo, nenhum país aceita apoiar Lula contra Trump

Jornal - #charge de Thiago Lucas (@thiagochargista), para o Jornal do Commercio. #lula #trump #eua #usa #mundo #tarifas #economia #brasil #chargejc #chargejornaldocommercio #chargethiagojc #chargethiagolucas #chargethiagolucasjc | Facebook

Charge de Thiago Lucas (|Jornal do Commercio)

Carlos Newton

É uma situação jamais vista. Embora já esteja com a data de validade vencida, como o mais idoso governante de país tido como democrático, que realiza eleições consideradas livres, o presidente Lula continua empenhado em se reeleger no próximo ano e quer aproveitar a disputa com Donald Trump para conseguir votos. Só pensa nisso, tudo o que faz é motivado por essa obsessão, que a própria mulher incentiva.

Nesta segunda-feira, em Santiago do Chile, Lula faz mais uma tentativa de buscar que algum país apoie o Brasil nessa iniciativa, mas nenhum governante lhe estende a mão.

RESPOSTA CONJUNTA – Lula sonha (?) em  usar essa pequena reunião no Chile para articular uma resposta conjunta de governos democráticos contra os avanços da extrema direita. O presidente chileno, Gabriel Boric, será o anfitrião na reunião, que ainda contará com o uruguaio Yamandú Orsi, o colombiano Gustavo Petro e o espanhol Pedro Sánchez, além de Lula.

Segundo o excelente repórter Jamil Chade, do UOL, a iniciativa não tocará no nome de Donald Trump.  Mas é claro que Lula dará um jeito de fazê-lo. Mas não haverá o resultado pretendido.

Nenhum país pretende apoiar o Brasil nesta trapalhada. Lula tenta convencê-los de que o motivo são as tarifas, mas todos sabem que a perseguição movida pelo Supremo à extrema direita brasileira acabou atingindo as big techs americanas, com ordens nada democráticas, multas e aplicação de censura prévia por ordens do STF. E Trump está apenas revidando.

MÍDIA APOIA LULA – Em busca das verbas publicitárias, a quase falida grande mídia apoia Lula incondicionalmente. Depois de publicar candentes editoriais apontando as falhas grotescas do Supremo, a grande imprensa mudou de lado, agora tudo é defesa da soberania, o nacionalismo não é mais o último refúgio do canalha, deixem em paz o grande pensador inglês Samuel Jonhson.

Lula posa de grande herói nacional, o único a enfrentar Trump, como se o presidente americano não tivesse o dever de lutar em defesa dos interesses dos Estados Unidos. Aliás, esse direito de Trump aumentar ou diminuir tarifas é reconhecido internacionalmente, nenhum país o contesta.

Entre os países da ONU que mantêm relações comerciais com os Estados Unidos e realmente têm alguma importância, apenas o Brasil não conseguiu renegociar as novas tarifas fixadas. China, Vietnã e Rússia se apressaram em negociar.

P.S.Em tradução simultânea, Lula está completamente perdido. Depois de uma semana inteira de euforia, em que usou o nacionalismo piegas para ganhar apoio a um governo que inexiste, Lula enfim percebe que caiu numa armadilha. Quanto aos ministros do Supremo, passaram um fim de semana de tristeza. Deixaram Moraes descumprir leis importantíssimas, de âmbito internacional, e agora têm de aturar a humilhação. (C.N.)

Os 100 anos do Globo e a usurpação da TV Paulista por Roberto Marinho

Globo lucra mais e amplia domínio na TV paga - CTBCarlos Newton

Ao comentar a série produzida pela TV sobre o centenário do jornal O Globo, critiquei algumas impropriedades veiculadas, vez que conflitaram com os fatos de que fui testemunha. Na verdade, o roteiro da série foi um samba-exaltação, que só faltou colocar Marinho como opositor do regime militar, quando na verdade foi o grande beneficiário.

Nenhum general, político ou empresário soube faturar os 21 anos da ditadura como Marinho, que vendeu caro seu apoio aos militares, e as verbas governamentais o transformaram num dos maiores empresários do mundo.

ASSUNTOS-TABU – Muitos leitores da Tribuna de Internet têm me pedido para retomar aos 100 anos, e pretendo fazê-lo, tal a desfaçatez dos responsáveis pela suposta série de documentários. Afinal, há temas importantes que são vetados na Organização, mas precisam ser lembrados pela opinião pública.

O principal, a meu ver, é a usurpação do controle da TV Paulista, para que Marinho conseguisse fazer uma rede que enfrentasse os Diários Associados de Assis Chateaubriand.

Entrei no Google e fiz a seguinte indagação: “Roberto Marinho comprou a TV Paulista, hoje, TV Globo de São Paulo, da família do então deputado federal Oswaldo Junqueira Ortiz Monteiro?”.

SEM A MENOR DÚVIDA – A resposta do Google foi peremptória e aparentemente sem contestação: “Sim, Roberto Marinho adquiriu a TV Paulista, que posteriormente se tornou a TV Globo de São Paulo, da família do então deputado federal Oswaldo Junqueira Ortiz Monteiro. Essa aquisição ocorreu no contexto da expansão dos negócios do Grupo Globo, e a TV Paulista, na época, era a concessão do canal 5 em São Paulo. A compra foi um marco importante na história da emissora e no desenvolvimento da televisão brasileira.

Mas há controvérsias, diria o genial ator Francisco Milani. Os filhos de Roberto Marinho, no portal “Memória Globo”, como em diversos processos judiciais e administrativos, continuam afirmando que as ações do canal 5 de São Paulo foram adquiridas do jovem empresário Victor Costa Júnior, de apenas 24 anos, em 9 de novembro de 1964, mas ele não tinha nenhuma ação da emissora, segundo o Ministério das Comunicações.

OUTRA VERSÃO – Porém, para o Poder Judiciário, existe outra versão. A compra foi concretizada, em 5 de dezembro de 1964, entre Roberto Marinho e os Ortiz Monteiro, por Cr$ 60.396,00, sessenta mil, trezentos e noventa e seis cruzeiros (equivalente a trinta e cinco dólares, à época), o valor de uma bicicleta usada e mal conservada, como registrado em recibo que o próprio Roberto Marinho anexou a um processo movido pelos verdadeiros da TV Paulista.

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P.S. 1  – Fato ou Fake é um serviço de verificação de fatos do Grupo Globo, lançado em 30 de julho de 2018. Tem como objetivo esclarecer conteúdos duvidosos disseminados em redes sociais e aplicativos de mensagens instantâneas. Por favor, liguem para a equipe de Fato ou Fake do Grupo Globo. Basta adicionar o número de celular +55(21)97305-9827 e enviar a sua indagação: “É fato ou fake que o sr. Roberto Marinho comprou a TV Paulista (52% do seu capital) pertencente à família Ortiz Monteiro e outros 48% de 600 outros acionistas por Cr$60.396,00, equivalentes a meros 35 dólares?.

P.S. 2Esses 100 anos de O Globo são uma tremenda “Piada do Século”. Se amanhã eu estiver de bom humor, contarei a Piada da Censura que O Globo diz ter sofrido no AI-5. (C.N.) 

Irresponsabilidade de Lula faz Trump radicalizar contra o Brasil

Mauricio do Vôlei 🏐 | Lula ataca Trump e ameaça retaliação. Em vez de defender o Brasil, prefere bater de frente com quem já nos trouxe bons acordos. Diplomacia... | InstagramCarlos Newton

Em busca do quarto mandato e do Nobel da Paz, o presidente Lula da Silva comprou uma briga desnecessária com o governo dos Estados Unidos. Ao contrário do que fizeram os demais países atingidos pelo tarifaço, o governante brasileiro abandonou qualquer tipo de negociação com os Estados Unidos. E passou a fazer críticas diárias a Trump, inclusive em eventos internacionais, como as reuniões do Mercosul e do Brics.

O presidente americano avisou que iria radicalizar, mas Lula não deu importância, procedendo como se fosse fácil enfrentar os Estados Unidos. E o resultado é que a complicação está se agravando cada vez mais.

INVESTIGAÇÃO PESADA – Nesta terça-feira, Trump mandou abrir uma investigação comercial contra o Brasil,          que deve causar mais prejuízos do que as tarifas, que inicialmente haviam subido para apenas 10%, mas a agressividade de Lula fez Trump elevá-las para 50%, que até agora é o teto máximo.

A apuração, a cargo do USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA), vai avaliar práticas do país em áreas como comércio eletrônico e tecnologia, taxas de importação e desmatamento, segundo comunicado divulgado nesta terça-feira (15).

“Sob o comando do presidente Donald Trump, eu abri a investigação sobre os ataques do Brasil às empresas de rede social americanas e outras práticas comerciais injustas”, disse, em nota, Jamieson Greer, o representante dos EUA para o comércio.

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CONHEÇA OS SETORES A SERES INVESTIGADOS

Leia abaixo os itens que o USTR afirma que irá investigar, com os elementos apontados pelo governo americano, segundo os repórteres Lucas Marchesini e Ricardo Della Coletta
Folha.

COMÉRCIO DIGITAL e serviços de pagamento eletrônico: “O Brasil pode prejudicar a competitividade das empresas americanas desses setores, por exemplo, retaliando contra elas por não censurarem discursos políticos ou restringindo sua capacidade de prestar serviços no país.”

TARIFAS PREFERENCIAIS injustas: “O Brasil concede tarifas mais baixas e preferenciais às exportações de determinados parceiros comerciais globalmente competitivos, em detrimento das exportações dos EUA.”

MEDIDAS ANTICORRUPÇÃO: “A falta de aplicação, por parte do Brasil, de medidas anticorrupção e de transparência levanta preocupações em relação às normas para combate ao suborno e à corrupção.”

PROPRIEDADE INTELECTUAL: “O Brasil aparentemente nega proteção e aplicação adequadas e eficazes dos direitos de propriedade intelectual, prejudicando trabalhadores americanos cujos meios de subsistência dependem dos setores impulsionados pela inovação e criatividade dos EUA.”

ETANOL PROTEGIDO: “O Brasil deixou de lado sua disposição de conceder tratamento praticamente livre de tarifas ao etanol americano e, em vez disso, passou a aplicar uma tarifa substancialmente mais alta às exportações americanas de etanol.”

DESMATAMENTO ILEGAL: “O Brasil parece não aplicar de forma eficaz as leis e regulamentações destinadas a impedir o desmatamento ilegal, prejudicando a competitividade dos produtores americanos de madeira e produtos agrícolas.”

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P.S. – Os prejuízos que o Brasil pode tomar são incomensuráveis e Lula não está nem ligando. (C.N.)

Roberto Marinho nunca foi jornalista, mas sabia vender o jornal ao governo

Companhia das Letras tentou barrar biografia de Roberto Marinho escrita por jornalista | Jornalistas de Minas

Na mesa de Marinho não havia máquina de escrever

Carlos Newton

Exaltado nos 100 anos de O Globo, Roberto Marinho teria sido repórter e secretário de seu pai, Irineu Marinho, conforme consta no trabalho de seus supostos biógrafos, que transformaram a imagem dele num Frankenstein de múltiplos talentos ignorados. Ora, todos sabiam que ele não escrevia nada. Quando assinava algum texto, tinha sido preparado pelo editorialista, único funcionário do jornal que tinha saleta no gabinete dele.

Quando o pai Irineu Marinho morreu subitamente, um mês e três dias depois de lançar O Globo, Roberto tinha 26 anos e teve de assumir a administração do jornal, cuja redação era dirigida por Eurycles de Mattos, um grande jornalista baiano.

VENDER O JORNAL – Foi quando despontou a principal qualidade de Roberto Marinho, que garantiu a sobrevivência de O Globo. Ele sabia, como ninguém, vender o jornal… para quem estivesse no governo.

No decorrer da vida, Marinho foi desenvolvendo esse poder de adaptação à política, pagou todas as dívidas deixadas pelo pai e tornou-se cada vez mais importante, devido à qualidade do jornal, que sempre teve excelentes editores.

Em dezembro de 1944, Marinho deu um passo gigantesco e lançou a Rádio Globo para fortalecer seu apoio ao presidente Vargas e depois a Eurico Dutra, Arthur Bernardes, Washington Luís e novamente Vargas. Apoiou a todos.

LIGOU-SE A LACERDA – Em 1952, já era um homem muito rico e inaugurou a sensacional sede nova do jornal e da rádio, no Centro da Cidade, perto da Praça XI.

Dois anos depois, quando Vargas estava balançando, Marinho estrategicamente abriu os microfones da Rádio Globo para o deputado udenista Carlos Lacerda, que passou a demolir o presidente.

Foi a única vez que se viu O Globo na oposição, quando Vargas já não existia. E o jornal só voltaria a ser oposição recentemente, em 2019, quando Bolsonaro reduziu as verbas monstruosas da Organização

NOVA REALIDADE – Vida que segue, diria João Saldanha. Juscelino Kubitschek se elegeu em 1955 e Roberto Marinho soube conviver com a nova realidade. Imediatamente convidou Antônio Vianna de Lima, um dos maiores jornalistas mineiros, para ser editor de Política de O Globo.

Conforme contei aqui, Vianna era lendário por sua coragem. Em 1968, na véspera do AI-5, Marinho quis fazer uma cena na redação, mas Vianna o enfrentou, fazendo com que recuasse.

No entanto, o maior ato de coragem do jornalista ocorrera anos atrás, quando Juscelino estava no poder e sofria ataques incessantes e despropositados de Carlos Lacerda.

ATENTADO A LACERDA – No elevador da Câmara, que funcionava ainda no Rio de Janeiro, Vianna ouviu um deputado dizer que estava armado e iria atirar em Lacerda, caso ele continuasse a ofender JK. E não deu outra.

Lacerda assumiu a tribuna e o deputado, que era militar (capitão ou major, não lembro) posicionou-se diante do orador. Preocupado, Vianna chegou perto e ficou acompanhando a cena. Quando o parlamentar meteu a mão no paletó para apanhar a arma, o jornalista deu-lhe um soco e se atracou com ele. Imaginem a confusão que deu. Toda a imprensa cobriu o assunto, mas a melhor reportagem foi de Murilo Mello Filho na “Manchete”, que está disponível na web.

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P.S.
O que mais me impressionou, na comemoração dos 100 anos de O Globo foram os relatos dos supostos biógrafos de Roberto Marinho, sobre a censura imposta à redação em 1968. Dei belas gargalhadas. Censura em O Globo? Ha-ha-há! (C.N.)

Na véspera do AI-5, Roberto Marinho tentou humilhar o diretor de O Globo

Folha Online - Galeria de imagens

Marinho usou os militares para construir seu império

Carlos Newton

Muito interessante a comemoração dos 100 anos de O Globo, que serviu de base à formação de uma das maiores redes de comunicação social do mundo, que jamais poderia se formar em países verdadeiramente democráticos, porque neles a legislação não aceita que nenhum empresário possa deter tantas fatias de poder pessoalmente ou em sua relação com as autoridades dos três poderes.

Na festa dos 100 anos, é pena que os filhos não tenham a grandeza de traçar uma visão realista da organização e de seus criadores, preferindo exagerar na louvação a Roberto Marinho, cujos defeitos ultrapassavam em muito as possíveis qualidades.

AUTORITARISMO – Aliás, perscrutando em profundidade sua trajetória, a única qualidade que hoje consigo identificar em Marinho era a incontestável autoridade que exercia nas empresas e na vida pessoal.

Em sentido amplo, porém, essa qualidade pode ser também negativa, pois se transforma em autoritarismo, e realmente jamais conheci ninguém mais autoritário do que ele, pois os próprios filhos o chamavam de “Doutor Roberto”, embora não tivesse formação acadêmica.

Seu gabinete era colado na redação e havia uma porta, que ele raríssimamente usava. Em salas menores ficavam o diretor de redação e o editorialista, que eram os únicos que falavam diretamente com Marinho no dia-a-dia da Redação, além de Carlos Chagas, que escrevia a coluna de Política.

VÉSPERA DO AI-5 – Em 12 dezembro de 1968, uma quinta-feira de muito calor, o país estava fervendo com a tentativa de cassação do deputado Márcio Moreira Alves, devido a um pequeno discurso que pronunciara na Câmara, criticando o governo ditatorial e pedindo que as jovens não dançassem com os cadetes nos bailes de formatura das academias militares.

Era uma situação que começara ridícula e se tornava cada vez mais patética e perigosa. No início da noite, os editores se reuniam numa grande mesa, lá no final da Redação, para apresentar ao diretor Moacyr Padilha as matérias que mereciam sair na primeira página.

Abre-se a porta e Roberto Marinho entra na Redação. Faz-se um impressionante silêncio e só se ouvem os passos dele, que caminhava batendo os calcanhares no assoalho de madeira, e trazendo na mão um exemplar do jornal.

AUTORITARiSMO – Foi uma situação sinistra, a demonstrar o autoritarismo do dono de O Globo, que ostentava o título de diretor-redator-chefe, função que nunca exerceu. Ele não precisava fazer cena, bastava chamar a seu gabinete o diretor Padilha, um jornalista de vastíssima cultura e pessoa de finíssimo trato, filho do governador fluminense Raimundo Padilha. Mas o descontrolado Roberto Marinho queria humilhá-lo em plena Redação.

– Como é que vocês publicam essa entrevista do Djalma Marinho? – indagou bem alto, com aquela voz roufenha que o caracterizava.

Padilha, um homem muito educado, ficou lívido. Por acaso,  Roberto Marinho parara a meu lado, e vi que ele estava tão furioso que espumava pela boca, em meio ao silêncio constrangedor.

O QUE ESTÁ HAVENDO? – O editor de Política era o lendário Antonio Vianna, que tinha entrevistado o deputado Djalma Marinho, presidente da Comissão de Justiça, um jurista muito respeitado e que se manifestara contra a cassação de Moreira Alves.

– O que está havendo, Roberto? Nunca vi você assim. O assunto do momento é o caso Moreira Alves, e Djalma Marinho preside a Comissão que vai julgá-lo. Tínhamos de ouvi-lo.

Roberto Marinho caiu em si. Viu a bobagem que fizera ao humilhar Moacyr Padilha e não disse nada. Simplesmente virou as costas e voltou a seu gabinete, naquele caminhar de passos marcados, em meio ao silêncio dos jornalistas.

CORAGEM E MODÉSTIA – Quando a porta se fechou, todos os editores se levantaram das cadeiras e cercaram Vianna. O diretor Padilha estava impressionado e agradeceu. “Nunca vi ninguém tão corajoso quanto você. E ainda o chamou de Roberto!!!”

Modesto, Vianna tentou sair pela tangente: “Não tenho coragem, o que tenho é um cartório, que me dá uma situação financeira equilibrada. Assim, posso contestar nosso chefe e chamá-lo de Roberto, porque o conheço há 20 anos e somos amigos”.

Não era verdade. Vianna era tabelião do cartório mais furreca da cidade. O faturamento era tão pequeno que sua mulher e um de seus filhos tinham de trabalhar lá, para completar o orçamento familiar.

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P.S. 1
E assim o AI-5 foi baixado no dia seguinte, uma sexta-feira, 13. Em tradução simultânea, Roberto Marinho sabia que o AI-5 seria assinado. Se fosse mais jornalista do que empresário, teria dado a notícia como manchete do Globo, mas não teve coragem para tanto.

P.S. 2 – Quanto a Antonio Vianna de Lima, sua coragem era conhecida. Foi ele quem salvou a vida de Carlos Lacerda, quando um deputado do PSD tentou matar o líder da UDN, no plenário da Câmara, que ainda funcionava no Rio de Janeiro. Se amanhã eu estiver melhor da gripe, vou tentar contar essa história, que raríssimas pessoas conhecem. (C.N.)

Grande imprensa volta a apoiar Lula, mas vai cobrar caro pelas palavras elogiosas

Genial/Quaest mostra aprovação de Lula em alta, chegando a 54%

Lula já mandou contratar novas pesquisas de opinião

Carlos Newton

Para a grande imprensa brasileira, a disputa entre os presidentes Lula e Trump chegou na hora certa. Aqui debaixo do Equador, quando duas grandes lideranças entram numa briga, quem sai ganhando é a imprensa, que sabe se posicionar com habilidade.

Aproxima-se uma das mais importantes eleições no Brasil, e a imprensa não estava conseguindo chegar aos cofres de quem possui a chave-mestra dos cofres públicos.

GRANDE ALÍVIO – A briga entre Trump e Lula foi um alívio. Com a intermediação do ministro Sidônio Palmeira, marqueteiro de profissão, cuja principal atividade é justamente tirar o dinheiro de onde está e levá-lo para onde deveria estar, como diz Lula da Silva.

Assim, quando os barões da mídia já se sentiam desesperados e tudo o que Lula fazia era cometer um erro atrás do outro, de repente o presidente Trump abre a guarda e deixa Lula na condição de vítima de uma chantagem atômica de fazer inveja ao satânico Doutor No.

Numa velocidade impressionante, a imprensa colocou as cartas na mesa. Primeiro, o Estadão, ainda na quarta-feira, às 21h50, com “Coisa de mafiosos”; depois a Folha, já na quinta-feira, às 11h49, com “Chantagem rasteira de Trump não passará”; e depois O Globo, às 18h11, com “Independência da justiça e democracia são inegociáveis”.

BELO FIM DE SEMANA – Este é o melhor fim de semana de Lula desde a eleição em 2022. Estava completamente perdido, empenhado numa campanha difamando o Congresso para ver se melhorava um pouco a popularidade, mas que poderia minar ainda mais a base aliada, e de repente lá vem Trump com a boia de salvação.

O país inteiro se uniu em torno do presidente, era como um sonho, as estações de rádio e TV não falavam outra coisa, as redes sociais voltaram a prestigiar o PT, o Congresso está com Lula e não abre, os jornais se renderam a sua coragem e destemor…

Este apoio vai custar caro. Como o dinheiro é do povo, que agora voltou a apoiar Lula, não há problema, mas abrir os cofres, porque a hora é esta.

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P.S. 1 –
Recado aos hackers que tiraram do ar a Tribuna nessa madrugada, dando trabalho aos técnicos do UOL até quase meio-dia: não adianta perder tempo com isso, porque a gente sempre
voltará, sob o signo da liberdade

P.S. 2 – A seguir, publicaremos os editoriais do Estadão, da Folha e de O Globo, dando apoio irrestrito a Lula.(C.N.)

É apressado dizer que Lula pode ganhar eleitores devido às ameaças de Trump

Barroso e Lula logo combinaram como “enfrentar” Trump

Carlos Newton

Com todo respeito a quem pensa o contrário, é muito precipitado proclamar que a candidatura do petista Lula da Silva será fortalecida às custas do aumento de tarifas e das ameaças feitas pelo presidente Donald Trump em sua estranha correspondência pessoal e direta, que desmoraliza a diplomacia.

É claro que a atitude do governante americano foi precipitada e intempestiva, mas devemos reconhecer que acabou provocada pelo próprio Lula, de forma repetitiva e insultuosa, ao criticar seguidamente Trump nas reuniões do Mercosul e do Brics.

MERCOSUL E BRICS – Certamente, Trump e seu governo não têm preocupação com o Mercosul, um bloco comercial pequeno e em decadência, especialmente devido aos desentendimentos de Lula com o ditador venezuelano Nicolás Maduro e com o novo presidente argentino Javier Milei.

Mesmo assim, Trump não gostou nada ao ser ridicularizado por Lula de maneira nada diplomática. Mas o pior viria a seguir, na importantíssima reunião dos Brics, já com representação do Irã, seu novo membro.

Como presidente da mesa e gestor do encontro, Lula deitou e rolou nas críticas a Trump, certamente julgando (?) estar se fortalecendo para a conquista do Nobel, sua atual obsessão.

CARTA-BOMBA – Nessa conjuntura, a carta presidencial de Trump estourou como uma bomba nesta quarta-feira, porque o Brasil sempre se posicionou como terceira via na política internacional, com eventuais divergências aqui e ali, o que é comum na diplomacia.

Assim, é apressado dizer que Lula pode acabar se beneficiando com o fortalecimento do nacionalismo e da aversão dos brasileiros aos Estados Unidos.

Na verdade, Trump fez uma grande jogada, porque se baseia na fragilização da democracia no Brasil, devido ao promíscuo relacionamento entre governo e Supremo e às decisões fora da lei adotadas pelo ministro Alexandre de Moraes, com apoio e louvor da quase totalidade dos ministros.

IMPOR CENSURA – O Congresso americano tende a apoiar a posição de Trump, devido aos limites que Moraes coloca à liberdade de expressão, tentando impor sanções a empresas americanas que jamais desobedeceram à legislação brasileira do Marco Civil da Internet. Isso é inaceitável em qualquer país democrático, porque significa impor censura nacional e internacional.

Da mesma forma, são inaceitáveis as outras impropriedades jurídicas e políticas de Moraes, que chega ao ponto de julgar um presidente da República apenas numa Turma do Supremo, decisão estranhíssima, inexplicável, mas aprovada pelos ministros.

A médio e longo prazos, tudo isso será estudado e debatido aqui e nos Estados Unidos, onde o Congresso já conhece bem o perfil de Moraes. E o tão falado favorecimento eleitoral a Lula pode ser demolido com facilidade.

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P.S. –
Já ia esquecendo. O conluio de Supremo e Planalto está tão claro e transparente que nesta quarta-feira uma das primeiras atitudes de Lula foi telefonar para o presidente do Supremo e combinar uma linha comum de defesa contra Trump. Aliás, Lula e Barroso poderiam aproveitar para cantar “Evidências” (José Augusto e Paulo Sérgio Valle), porque hoje o que não falta são evidências quanto aos dois. (C.N.)

Acredite se quiser! Mais uma vez, a Tribuna está sob ataques de hackers

Memorial da Democracia - Nova lei criminaliza a livre expressão

Charge do Fortuna (O Pasquim)

Carlos Newton

Não é nenhuma novidade. Sempre que se aproximam as eleições — sejam municipais ou gerais, não interessa — aumenta a disputa de espaço na web e a Tribuna da Internet começa a sofrer ataques de hackers. De uma forma ou outra, esses bucaneiros cibernéticos sempre acabam nos tirando do ar.

Esse tipo de investida é recebido aqui na TI com naturalidade. Não nos interessa saber de onde partem os ataques e quais são os autores. Jamais nos preocupamos com isso. Pessoalmente, sou adepto da teoria budista da impermanência. Assim como o pessoal do clube de Esquina, sei que nada será como antes, amanhã, na belíssima composição de Milton Nascimento e Ronaldo Bastos.

É DESAGRADÁVEL – É claro que todo ataque de hackers é muito desagradável, porque esculhamba nosso trabalho, tira as informações do ar e os tribunários reclamam, sentem-se afrontados.

Já acostumado com censura de verdade desde os meus primeiros anos na antiga Tribuna da Imprensa de Helio Fernandes, não ligo e vou em frente. Apenas lamento o excesso de violência, como os ataques de alguns anos atrás, que corromperam e desformatizaram nossos arquivos.

Perdemos uma quantidade enorme de textos de Helio Fernandes, Carlos Chagas, Sebastião Nery, Pedro do Coutto, Vicente Limongi, José Carlos Werneck, Roberto Nascimento, Paulo Peres e tantos mais.

REVOLTA – Essa destruição dos arquivos realmente causa indignação. O mais revoltado é o jurista Jorge Béja, porque perdeu textos que eram únicos e contavam passagens de sua luta permanente pelos direitos humanos das classes mais pobres, incluindo seu esforço para criação das leis em defesa do consumidor, da criança e do idoso.

Agora, estamos novamente sob ataque de hackers. Nesta segunda-feira, levamos mais de quatro horas até ter acesso à edição do blog. 

O que nos anima é que somente nos tiram do ar episodicamente, pois os técnicos do servidor UOL acabam normalizando o acesso e a gente segue em frente.

BALANÇO DE JUNHO – Como sempre fazemos, vamos divulgar agora o balanço de junho, agradecendo muitíssimo a todos os que partilham conosco essa utopia de uma internet livre. De inicio, as contribuições recebidas na Caixa Econômica Federal:

DIA    REGISTRO   OPERAÇÃO         VALOR
02      0211648     DEP DIN LOT…… 100,00

10      101118       DEP DIN LOT…… 230,00
18      181648       DEP DIN LOT…….100,00

Agora, os depósitos no banco Itaú/Unibanco:

01      PIX TRANS JOSE F……………….150,00
02      TED 001.5977 JOSE ANT……..302,07
03      PIX TRANS PAULO ROBER……100,00
09      PIX TRANS JOAO NA……………..50,00
16      TED MARIO ACRO………………..300,00
30      PIX TRANS PAULO ROBER……100,00
30      TED 033.3591, ROBER SNA…200,00

Por fim, a contribuição no Bradesco:

06 TRANSF BDN JOSE DANTAS……….60,00

Agradecendo muitíssimo a todos, vamos enfrentar os hackers com serenidade, porque o maior mal que poderiam nos fazer eles já fizeram, que foi a corrupção dos arquivos. (C.N.)

Quando ninguém esperava mais, Trump sai em defesa de Bolsonaro, e Lula reage

Vaquinha para pagar passeio de submarino para Bolsonaro supera arrecadação da vaquinha oficial

Bolsonaro vibra com o apoio e a disposição de Trump

Carlos Newton

Nas redes sociais, o presidente americano Donald Trump afirmou nesta segunda-feira estar acompanhando o que classificou como uma “caça às bruxas” contra Jair Bolsonaro no Brasil e defendeu que “o julgamento dele deve ser nas urnas”.

Trump referia-se ao fato de o ex-presidente brasileiro já ter sido declarado inelegível em duas decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e atualmente responder a processos no Supremo Tribunal Federal (STF) por suposto envolvimento em uma tentativa de golpe de Estado.

GRANDE SURPRESA – Ninguém acreditava mais que Eduardo Bolsonaro conseguisse uma declaração de Trump sobre a política brasileira. Assim, a iniciativa de Trump foi uma grande surpresa na rede Truth Social.

Para Trump, o Brasil está fazendo uma “coisa terrível” no tratamento dado a Bolsonaro e afirmou que ele, “assim como o mundo”, está acompanhando “como eles (o STF) não fizeram nada além de ir atrás dele (Bolsonaro), dia após dia, noite após noite, mês após mês, ano após ano!”.

Em resposta, o ex-presidente Jair Bolsonaro afirmou que recebeu “com muita alegria” a manifestação de apoio do político americano, que disse estar acompanhando a “caça às bruxas” contra Bolsonaro e declarou que o julgamento do ex-presidente brasileiro “deve ser nas urnas”.

COMPARAÇÃO – Exultante, Bolsonaro comparou sua situação jurídica à enfrentada por Trump nas eleições americanas de 2020, quando o republicano perdeu para Joe Biden e, posteriormente, alegou fraude na votação — exatamente igual a Bolsonaro, que contestou o resultado das eleições presidenciais de 2022, vencidas por Luiz Inácio Lula da Silva.

Agora, o ex-presidente chega a chamar o processo sobre a tentativa de golpe, no qual é réu no STF, de “aberração jurídica”.

“Este processo ao qual respondo é uma aberração jurídica (lawfare), clara perseguição política, já percebida por todos de bom senso”, disse Bolsonaro. “Agradeço ao ilustre presidente e amigo. Vossa excelência passou por algo semelhante. Foi implacavelmente perseguido, mas venceu, para o bem dos Estados Unidos e de dezenas de outros países verdadeiramente democráticos”, destacou.

LULA PROTESTA – Conforme divulgado pelo Correio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reagiu à manifestação de Trump.

Por meio de nota oficial, distribuída à imprensa, o o presidente afirmou que “a defesa da democracia no Brasil é um tema que compete aos brasileiros”.

“Somos um país soberano. Não aceitamos interferência ou tutela de quem quer que seja. Possuímos instituições sólidas e independentes. Ninguém está acima da lei. Sobretudo os que atentam contra a liberdade e o Estado de Direito”, completou.

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P.S.Agora ficou mais provável que o governo e o Congresso dos Estados Unidos determinem sanções contra o ministro Alexandre de Moraes e outros membros do Supremo. Vamos aguardar. (C.N.)

Edson Fachin enfrenta Moraes e vota  contra responsabilização de big techs

Fachin diverge de maioria em julgamento sobre responsabilização de redes e  defende ordem judicial para remoção de posts

Fachin cai na real e desiste de apoiar os excessos de Moraes

Carlos Newton

Sabe-se que o Supremo Tribunal Federal, ao assumir as arbitrariedades do ministro Alexandre de Moraes, caiu na armadilha que todo corporativismo monta diante de qualquer pretensão verdadeiramente descabida. Moraes é ocriador de estranhas novidades, como o inquérito do fim do mundo, aquele que não acaba nunca, no dizer do ministro aposentado Marco Aurélio Mello.

Moraes comete erros primários, afronta as leis, porém os demais ministros nada fazem, para não criar mais problemas externos e internos, pois Moraes, por si só, já significa um problemaço.

DISSIDENTES – De vez em quando, um dos ministros resolve colocar ordem na verdadeira zona em que se transformou a Suprema Corte, mas acaba desistindo, como já aconteceu nos casos de Luiz Fux, André Mendonça e Nunes Marques, sempre esmagados pela maioria, que prefere não contrariar Alexandre de Moraes em suas psicodélicas viagens jurídicas, que seguem rotas e normas de alta criatividade e que pouco têm a ver com os rigorosos princípios que preservam a Ciência do Direito.

No importantíssimo processo das fake news, que tem implicações internas e externas, o primeiro a enfrentar Moraes foi novamente André Mendonça, cujo voto tornar-se-á uma bela aula de Direito.

E agora é o ministro Edson Fachin, que acompanha Mendonça e também votou para manter a constitucionalidade do Artigo 19 do Marco Civil da Internet, no julgamento da possibilidade de responsabilizar as big techs por conteúdos de terceiros.

DISSE FACHIN – “Vejo a necessidade de termos uma certa cautela ao arrostarmos a concentração de poder, que é inequívoca das plataformas e suas empresas”, ressaltou o ministro.

“Não creio que esse tema necessariamente será enfrentado, ou solvido, ou esgotado, com a remoção das plataformas. Por isso, a minha divergência em relação ao remédio que está sendo empregado”, disse Fachin.

O ministro ainda acrescentou que acredita que “há uma necessidade de uma regulação estruturada e sistêmica, e preferentemente não via Poder Judiciário”.

TRADUÇÃO SIMULTÂNEA – André Mendonça e Edson Fachin, em tradução simultânea, estão tentando uma saída honrosa para Alexandre de Moraes e também para o próprio Supremo. Mas o ministro-relator e seus seguidores mostram-se irredutíveis.

Insistem em pretender que o governo, o Congresso e a Justiça dos Estados Unidos joguem no lixo a fabulosa Primeira Emenda, destinada a garantir a inviolabilidade da democracia, antes que algum aventureiro lance mão, como disse Dom João VI, ao deixar o Brasil, sugerindo ao filho Pedro que colocasse a coroa sobre sua cabeça.

O Supremo pode fazer o que o sinistro Moraes bem entender. Mas  seus membros podem estar certos de que não conseguirão mudar a Primeira Emenda nem instituir a censura prévia em países que amem a democracia. É uma iniciativa vexaminosa. Alguém precisa parar Moraes.

No Dia dos Namorados, não esqueça de beijar aquela pessoa que embeleza sua vida

Tribuna da Internet | No colo da mãe natureza, Paulo Peres criou versos nas  nuvens do ateliê do ventoCarlos Newton

O advogado, jornalista, analista judiciário aposentado do Tribunal de Justiça (RJ), compositor, letrista e poeta carioca Paulo Roberto Peres homenageia o dia de hoje através deste “Soneto dos Namorados” e festeja seu amor à bela Cristina Peres.

SONETO DOS NAMORADOS
Paulo Peres

Dia dos Namorados.
Corações iluminados,
Beijos, abraços, amores,
Poemas, canções e flores.

Nos salões dos sentimentos
Sob luz de velas e violinos
Casais eternizam momentos,
Sonhos reais, cristalinos.

O namorar é o vital sabor
Da idade, descoberta e valor
Cuja beleza maior está na grandeza modesta.

Invoco à bênção futura
Cultivar do passado a ternura
Aos hoje namorados em festa.