Ataque do Planalto ao Congresso e ao Supremo é inaceitável em democracia plena

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Charge do Duke (dukechargista.com)

Vicente Limongi Netto

As gloriosas cores verde-oliva ensaiam golpe contra as instituições. Nada é feito de afogadilho. O plano sempre foi este. Torpedear o bom senso. Insultar o direito alheio. Governo que não sabe conviver com críticas é estarrecedor e fraco. No devido tempo, expondo pretextos espúrios, resolveram solapar o Congresso e o Supremo Tribunal Federal. O destempero caiu na cabeça de quem foi eleito democraticamente.

Afronta-se a legitimidade das urnas. Violenta-se o direito do cidadão. Fica evidente, diante do plano sórdido de Bolsonaro e capachos da torpeza e do mal, que o vídeo vazado do ministro Augusto Heleno insultando o Congresso foi proposital. Serviu como senha nefasta e ditatorial para desacreditar o Brasil no cenário internacional.

FARSA PALACIANA – O povo e a imprensa não admitirão servir de pasto para o estapafúrdio cenário antidemocrático que se desenha. Lutarão até o fim para não voltar a serem penalizados por prepotentes de plantão. Deputados, senadores, vereadores, prefeitos, ministros e governadores saberão repudiar a farsa palaciana.  O Brasil não se transformará em rios de sangue para satisfazer os apetites doentios daqueles que foram consagrados pelas urnas.E agora, melancolicamente, voltam-se contra elas. 

Os abutres e hienas dos conchavos sorrateiros estão nus. Conduzidos e humilhados pela colossal fraqueza de gestos, atitudes, pobreza de espírito, covardia e hipocrisia. Que tomaram conta de suas almas. 

MORO NO CEARÁ – Para dizer bobagens, sangrando ainda mais os corações da amedrontada e afrontada população, o ministro da Justiça, Sérgio Moro, não precisava ir flanar no Ceará.  A síntese da percepção de Moro diante do quadro da violenta onda de 147 assassinatos no Estado cearense foi estarrecedora: “Está tudo sob controle. Não há uma situação de absoluta desordem nas ruas”.

Coisa feia, ministro. Ponha os pés no chão. Na mesma linha ridícula de Moro, outra declaração inacreditável partiu da ministra Damares Alves. Atropelando e desafiando a Constituição, Damares defendeu, em Genebra, o direito de greve dos militares encapuzados no Ceará. Depois, alertada pela barbaridade proferida, a falastrona Damares recuou. Virou hábito a autoridade falar o que não deve, pelos cotovelos, pagando, a seguir, pela língua sem freios.

Um até breve para Tarcísio Holanda, um dos maiores jornalistas de política deste país

Resultado de imagem para tarcisio holanda jornalistaVicente Limongi Netto

A partida do valoroso e ético Tarcísio Holanda entristece a alma e o coração de todos nós, que tivemos a honra e o prazer de conviver com ele. O legítimo jornalismo político fica ainda mais pobre, repetitivo, enfadonho, presunçoso e medíocre.

O brilhante TH, como era conhecido, sempre teve trânsito livre nas duas Casas do Congresso e era muito respeitado pelos militares nos tempos da ditadura militar, embora não pactuasse com o regime de exceção.

MUDANÇA PARA BRASÍLIA – Foi um dos primeiros jornalistas de política a enfrentar o desafio de ir morar em Brasília, naqueles anos áridos e poeirentos, junto com Ari Cunha, Carlos Chagas, Oliveira Bastos, Carlos Castello Branco, Toninho Drummond, Evandro Carlos de Andrade, Gilberto Amaral , Murilo Melo Filho, Paulo Cabral, Alberto Homsi, Wilson Queirós Garcia, Cleber Praxedes e seu irmão Haroldo Holanda, que tem um filho jornalista, chamado Ricardo Holanda.

Sempre pronto a ajudar os colegas mais jovens.  Fulgurante inteligência. Repórter atilado. Agitado e completo. Careca privilegiada, que antes era apelidado de “Diabo Louro”. Magistral cearense.  Mestre na informação segura. Fôlego de profissional exemplar.

Tinha programas no rádio e na televisão. Escrevia para impressos de vários Estados. Marcou época no Jornal do Brasil. Com Castelinho, João Emilio Falcão, Wilson Figueiredo, Marcos Sá Correa e o pai, Villas-Boas. A então equipe da Política do Jornal do Brasil era sensacional. 

PRIMEIRO TIME – Respeitado por chefes de Estado e homens públicos expressivos. Fontes de Tarcísio eram iluminadas. Craques do primeiro time da política. Textos de Tarcísio, sobretudo políticos, eram saboreados com satisfação. Jorravam informações seguras e exclusivas.  Ágil no teclado. Já marcava presença antes dos computadores. 

Assumiu a presidência da Associação Brasileira de Imprensa quando a instituição enfrentou sua maior crise, e conseguiu conciliar as brigas internas ideológicas e sem sentido. 

Jornalistas da estirpe de Tarcísio Holanda estão acabando. Imagino a tristeza de Helio Fernandes, mestre dos mestres, têmpera forte., ao saber da notícia da partida do TH. As Leis de Deus são implacáveis e severas. Costuma levar os melhores para perto de Si. Até breve, TH!

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NOTA DA REDAÇAO DO BLOGMais um querido amigo que se vai para o outro lado da cerca, onde o grande jornalista cearense Hamilton Alcantara certamente o aguarda, para recepcioná-lo com todas as honras. (C.N.)   

Desta vez, Bolsonaro ultrapassou todos os limites da grosseira e da falta de educação

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Jair Bolsonaro ofendeu a honra da repórter sem o menor motivo

Vicente Limongi Netto

Perto dos 76 anos de idade, dos quais 50 como jornalista, posso assegurar que o Brasil jamais teve um presidente da República com a boca mais suja, grosseira, venal, leviana, moleque, desprezível e irresponsável do que Jair Bolsonaro. A forma destemperada, covarde, desequilibrada, indigna e debochada como Bolsonaro  se referiu a repórter da Folha de São Paulo ultrapassa todos os limites do bom senso, do respeito e da educação.

Minha mãe ponderava que quem tem mãe, irmã, mulher, filha, neta, cunhada e nora, e preza por elas, jamais, em sã consciência, pode agir com maldade e maledicência, atirando  pedras em outras mulheres. Sob pena de ser tragado pelas leis de Deus e pela justiça dos homens. 

COM EDUCAÇÃO – Sou da direita. Isento, justo e convicto. Respeito quem pense diferente. Contanto que reflita o que quiser, com educação e argumentos que possa vir a considerá-los válidos e discutíveis.

Como diz o comentarista Nelson Souza, jamais vimos Lula tratar mal repórteres mulheres. E olha, sabemos, que o cabra sofreu e sofre nas mãos de parte da imprensa.

Por fim , continuam abertas as apostas do bolão republicano para ver quanto tempo Regina Duarte vai aguentar Bolsonaro, os filhotes dele, parte da mídia doente, galera do PT e artistas.

Servidora do Itamaraty repudia os insultos de Paulo Guedes: “Parasita, senhor ministro?”

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Rose Marie Romariz Maasri

Apresento-me: sou Oficial de Chancelaria, uma das duas carreiras de nível superior, típicas de Estado, que compõem o quadro do Ministério das Relações Exteriores. Aposentei-me há pouco mais de três anos, após servir ao Ministério por mais de 45. Tenho Bacharelado em Arquitetura e Urbanismo, Licenciatura em Desenho e Artes Plásticas -ambos pela Universidade de Brasília – UnB, e estou em fase de conclusão de uma tese de Mestrado em Arte Sacra Oriental, em conceituada Universidade libanesa.

Ensinei em algumas Universidades brasileiras e, concluída a tese, pretendo voltar a ensinar.  Falo bem três idiomas, dois outros razoavelmente. Este texto tem um pouco de minha estória.  Espero que outros colegas lhe façam conhecer a deles. Quem sabe, conhecendo as funções que desempenhamos e os riscos que corremos, tente entender que não somos parasitas.

UMA LONGA CARREIRA -Dos muitos anos de carreira, vivi 28 no exterior, em Missões provisórias ou permanentes:  Finlândia,  Grécia, Itália, Reino Unido, França, Alemanha, Estados Unidos, Argentina,  Chile, Líbano, Síria, Líbia, Moçambique. Como a grande maioria de meus colegas, no trabalho fiz um pouco de tudo: Administração, Pessoal, Contabilidade, Comercial, Comunicações, Consular, Cultural.

Em todos os setores aprendi e me desdobrei para desenvolver um bom trabalho, mas o Consular e o Cultural foram os que mais me marcaram.

Enquanto Vice-Cônsul visitei prisões e hospitais, atendi mulheres e crianças abusadas, raptadas, maltratadas, abandonadas; pessoas enganadas por falsos contratos de trabalho; enfrentei – pagando caro por isso, o submundo dos documentos brasileiros falsificados;  e muitas vezes chorei por não poder fazer mais por quem necessitava.  Parasita, senhor ministro ?

IMAGEM DO BRASIL – No setor Cultural, esforcei-me por divulgar a imagem do Brasil, ministrando  aulas  e conferências em  escolas e Universidades dos países onde atuei, além do trabalho desenvolvido na Embaixada.  Participei da equipe que organizou e fundou o Centro Cultural Brasil-Líbano e fui sua Diretora.  Em alguns dos Postos em que servi usei meus conhecimentos de arquiteta para propor reformas ou novos lay-outs dos escritórios.

Por haver trabalhado diretamente com o Arquiteto Olavo Redig de Campos, e conhecer bem seu projeto para a residência do Brasil no Líbano,  propus ao então Chefe do Serviço Cultural da Embaixada em Beirute a inclusão,  no Programa Cultural do Posto,  de uma publicação sobre a Residência, enquanto Próprio Nacional.

O projeto não apenas foi aceito pelo Itamaraty como, ampliado, deu vida a uma coleção que abrange todos os próprios nacionais do MRE.  A administração da preparação do livro sobre a Residência em Beirute ficou sob minha responsabilidade. O texto do livro que explica o projeto, embora não leve meu nome, foi escrito por mim.  Parasita, senhor ministro ?

EM PLENA GUERRA – Servi em país em guerra. Manter a Embaixada funcionando era um desafio diário.  Meus colegas e eu íamos para o trabalho com o rádio do carro ligado, buscando caminhos fora dos locais onde, naquele dia, caiam as bombas.  Por vezes dormia-se na própria Embaixada, porque as estradas não apresentavam condições de segurança.

Certa vez passamos um dia e uma noite no porão do prédio, ouvindo os bombardeios incessantes e inalando os vapores que saíam dos aquecedores a querosene com quem dividíamos o espaço. Tarde da noite, um cessar fogo foi estabelecido e  pude voltar para casa, onde estavam minhas filhas com a empregada. As ruas desertas tornaram a viagem curta.

Ao entrar no prédio em que morava as bombas voltaram a cair.  Passamos a noite no hall de entrada, local mais protegido.  Sentadas no cháo, as crianças dormiram com a cabeça em minha perna. Eu não pude dormir, pensando no marido que não havia conseguido deixar o  local de trabalho, e com o sentimento ilógico de que, enquanto mantivesse os olhos abertos,  protegeria melhor  minha família.

MAIS UM ABORTO – Pela manhã, novo cessar-fogo.  Ao me arrumar para voltar ao trabalho senti as primeiras dores do aborto que interrompeu minha gravidez de quatro meses.  Não foi a única. Dois anos mais tarde, grávida de seis meses e meio decidi viajar ao Brasil para que o bebê nascesse em paz, porque a guerra continuava a devastar o país em que eu servia.  Segui para o aeroporto com as duas crianças. Iamos no banco de trás, elas deitadas com as cabecas no meu colo, eu curvada sobre elas, escondendo-as dos franco-atiradores que ficavam nas ruas onde deveriamos passar.

As três sobrevivemos; a bebê, não. Após a chegada ao Brasil comecei  a sentir contrações.  Levada às pressas para o hospital, ocorreu o parto prematuro.  Irina não conseguiu sobreviver: deixou-nos poucas horas depois que nasceu. Um dos momentos mais tristes de minha vida, gerou uma depressão que levou muito tempo para ser curada.  Se é que o foi… Parasita, senhor ministro ?

FORA DA GREVE – Em 2012 eu servia na Embaixada em Damasco. A carreira a que pertenço decidiu iniciar uma greve por reinvindicações trabalhistas.  Embora concordasse e apoiasse cada uma das reinvindicações, não aderi fisicamente à paralisação.  E não o fiz porque o Posto em que estava lotada, diariamente confrontado com as sequelas da guerra na Síria, vivia em constante prontidão.

Não foi decisão fácil e espero que os colegas a tenham entendido. É que, para mim, interesses pessoais – mesmo os da classe a que pertencemos –, não podem se sobrepor ao daqueles que, vivendo em situaçõese emergência, necessitem da assistência que os funcionários públicos do Posto, como eu e os colegas, lhes podem  proporcionar.  Isto é, para mim, consciência profissional. Parasita, senhor ministro?

QUESTÃO SALARIAL – Quando entrei no Itamaraty, o salário de um Ofchan aposentado equivalia ao de um Conselheiro da Carreira de Diplomata.  Com o tempo essa relação foi-se deteriorando e hoje meu salário é menor do que o de um Terceiro Secretario em início de Carreira. Obviamente não gosto disso. É injusto.  Mas em nenhum momento deixei que tal injustiça prejudicasse o nível de trabalho que me propus a realizar.  Parasita, senhor ministro ?

De uma autoridade de seu calibre, que se propõe a resgatar o Brasil do caos,  espera-se um conhecimento detalhado do tecido administrativo do país.  Sua afirmação, desqualificando-nos, demonstra não ser este o caso.  O senhor pode ser um excelente economista – e o é; mas acaba de demonstrar que não entende nada de pessoas.  Quer encontrar parasitas dos recursos brasileiros?  Porque eles existem e são inúmeros.

Olhe na direçao certa: volte-se para os altos escalões dos Poderes da República;  para aqueles que recebem salários de marajás, complementados por seguro creche, educação e outros; veículo oficial com motorista, auxílio moradia, reformas principescas dos apartamentos funcionais; e uma miríade de possibilidades de exploração da máquina pública, como o uso de aviões da FAB para deslocamentos pessoais.  É contra esses, senhor Ministro, que o senhor deve voltar sua artilharia. Nós,  os funcionários públicos,  ofendidos  por sua declaração,  esperamos desculpas. Porque, entenda: não somos parasitas, senhor ministro.

(artigo enviado por Vicente Limongi Netto)

Canais esportivos estão assolados por uma praga de falsos comentaristas de futebol

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Narradores e comentaristas tiram o prazer de assistir ao jogo

Vicente Limongi Netto

Hoje é domingo, tem jogo de futebol e sofrimento. É assombrosa, medíocre, irritante e avassaladora a praga de analistas de meia pataca e de pretensiosos apresentadores.  Encastelados nos canais Sportv, Fox e ESPN. O controle remoto nos salva. A maioria esmagadora dos sábios de araque nunca jogou bola de gude, pedra em mangueira e jamais calçou uma chuteira. Nunca ganhou nem torneio de futebol de botão.

É um time ruim, recalcado, presunçoso e arrogante. De quinta categoria. Fazem caras e bocas e pose de inteligentes. O esporte predileto dessa corja de boçais é tripudiar e fazer pilhérias com erros dos jogadores.

SÃO PROFISSIONAIS – Nenhum jogador entra em campo para errar. São profissionais e chefes de família. Merecem respeito e consideração. Nessa linha, o mais grave e desolador é que alguns “analistas” ex-jogadores começaram também a proceder de forma indigna, estúpida e debochada. Inacreditável. Não argumentam, insultam.

Nessa linha, um idiota e bisonho chamado Roger, do Sportv, resolveu fazer marcação com Paulo Henrique Ganso. Coitado do asno. Não tem, nunca teve, futebol nem competência para amarrar os cadarços das chuteiras do armador do Fluminense. Roger, bem comparado, poderia ser personagem de Nelson Rodrigues, “bonitinho, mas ordinário”.

Como o metido Roger, existem outros “analistas” da mesma laia. Citando todos, vou poluir meu texto de dengue e quem sabe, de coronavírus. Bom não arriscar.

Um drama que não termina – os bombeiros ainda procuram 11 corpos em Brumadinho

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Bombeiros de Brumadinho são lembrados para o Nobel da Paz

Vicente Limongi Netto

O amor inquebrantável virou pó, barro e lama. A insistência pela vida permanece. Os prantos se transformaram em preces. O sonho de encontrar amados soterrados não esmorece. A dor insiste em tornar-se invisível.

Almas e corações andam juntos com a eterna expectativa. São familiares na vigília para finalmente encontrar corpos vitimados na tragédia de Brumadinho.

UMA SÓ FAMÍLIA – Pais, mães, irmãos, noras, sogras, netos, maridos e esposas, acompanham de perto o trabalho incessante e incansável dos bombeiros em busca dos 11 corpos ainda desaparecidos.

Parentes das vítimas e bombeiros tornaram-se uma família só. Respiram solidariedade e fé. A agonia é permanente.

Uma luz forte do céu passa fagulhas de esperanças que possam servir de bálsamo para doídos seres humanos. Desejosos, à esta altura, em oferecer somente uma última morada confortadora aos mortos amados. Abrandando, finalmente, a angústia do sofrimento. Do desespero e da perda infinita.

Dos projetos votados na Câmara em 2019, apenas 21% tiveram como autor o Poder Executivo

Maia diz que baixo índice pode ser resultado da “desorganização”

Daniel Bramatti
Rodrigo Menegat
Estadão

A tese de que o Brasil vive uma fase de “semiparlamentarismo” encontra respaldo nos dados da Câmara dos Deputados no primeiro ano do governo Jair Bolsonaro. Dos projetos votados em 2019, apenas 21% tiveram como autor o Poder Executivo – a menor parcela, no primeiro ano de mandato, desde o começo do governo Lula, em 2003.

Analistas políticos começaram a falar em semiparlamentarismo quando, diante da falta de articulação política do governo no Legislativo, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), passou a definir a pauta de votações à revelia do Executivo.

AUTONOMIA – Em tese, o presidente da Câmara e os líderes partidários têm autonomia para escolher o que é ou não votado. Na prática, porém, o Poder Executivo costuma impor sua agenda. No ano inaugural do primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, por exemplo, 68% dos projetos votados eram de autoria do Executivo. No segundo ano, a taxa foi ainda maior: 86%.

O predomínio do governo se manteve no primeiro ano de Dilma Rousseff: 59% dos projetos votados eram de autoria do Executivo. No segundo mandato, porém, a então presidente perdeu o comando da Câmara: apenas 26% das propostas votadas vieram do Palácio do Planalto.

“PAUTAS BOMBA” – Foi nessa época que Eduardo Cunha (MDB-RJ), então presidente da Casa, se aliou à oposição para aprovar as chamadas “pautas bomba” – projetos que ampliaram gastos e que ajudaram a desestabilizar o governo.

Michel Temer, que tomou posse após o impeachment de Dilma, formou uma ampla base de apoio na Câmara, mas em seu primeiro ano o Executivo não dominou a pauta de votações: apenas 34% das propostas que passaram pelo crivo do plenário vieram do Planalto.

MAIOR PARTICIPAÇÃO – Mesmo em condições atípicas, porém, tanto no segundo mandato de Dilma quanto no “mandato-tampão” de Temer o Executivo teve participação maior na agenda da Câmara em comparação com Bolsonaro.

Poucos projetos do Executivo foram a voto no ano passado porque Bolsonaro nunca priorizou a formação de uma base parlamentar ampla, e também por ter resistências a negociar com os partidos. Atualmente, o presidente não está filiado a nenhuma legenda, e sua base formal tem cerca de 30 deputados, de um total de 513.

ARTICULAÇÃO – “Bolsonaro não tem condições de tocar uma agenda de governo no Legislativo”, disse o cientista político Guilherme Jardim Duarte, doutorando na Universidade Princeton, nos EUA, referindo-se à falta de articulação do presidente na Câmara e no Senado. “É o que o cientista político Fernando Limongi chama de ‘presidencialismo de desleixo’.

Em qualquer lugar do mundo, quem toca a agenda legislativa é, sobretudo, o Executivo, tanto em regimes parlamentaristas quanto em presidencialistas. A agenda legislativa do presidente tem problemas, basta verificar os números de rejeição de medidas provisórias e como os vetos do presidente são derrubados.”

“MINORITÁRIO” –  Para cientistas políticos ouvidos pelo Estado, a queda da proporção de projetos de autoria do Executivo votados pelos deputados pode ser considerada “normal” para um governo que não procurou ter uma maioria no Congresso. “O patamar atingido na era Bolsonaro é reflexo de um presidente que levou ao limite essa opção por construir um governo minoritário”, afirmou o cientista político Rafael Cortez, da Tendências Consultoria.

Diretor da consultoria Pulso Público, Vítor Oliveira avaliou que o Planalto tem muitas “ferramentas” para intervir na produção legislativa, como o poder de veto, o pedido de urgência, a possibilidade de editar medidas provisórias e a liberação de emendas parlamentares.

Para Oliveira, no entanto, essa queda da “taxa de dominância” do Executivo no Parlamento – registrada a partir do segundo mandato de Dilma – é resultado da dificuldade de articulação com a maioria do Congresso.

PRIORIDADE –  O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou ao Estado que sua gestão dá prioridade a projetos da própria Casa, mesmo quando há convergência com o Executivo. “Muitos projetos de deputados foram utilizados porque tinham convergência, e nós priorizamos o projeto da Casa”, disse Maia. “Alguns, inclusive, já existiam antes dos projetos do governo.”

Cabe ao presidente da Câmara pautar as votações. Questionado sobre o fato de que o Executivo é autor de apenas 21% dos projetos votados na Câmara em 2019, Maia avaliou que esse baixo índice pode ser resultado da “desorganização” do governo Jair Bolsonaro. “A gente organiza (a agenda do Congresso) com as propostas existentes dos deputados”, afirmou.

BASE FIEL – Quem analisa apenas as taxas de governismo na Câmara em 2019 e no primeiro ano dos mandatos presidenciais anteriores pode concluir que Bolsonaro teve uma base parlamentar tão fiel quanto os antecessores.

Em 2019, cerca de 75% dos votos dos deputados coincidiram com a orientação emitida pelo líder do governo na Câmara. A taxa não é distante da que foi observada no segundo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (78%) ou na gestão de Michel Temer (77%).

PERFIL CONSERVADOR – Na verdade, como a maioria da Câmara tem perfil conservador, os projetos votados não contrariam o governo, que acaba orientando voto favorável. É o que explica a alta taxa de governismo de Bolsonaro, apesar de ele não ter construído uma base ampla de apoio e de não negociar a aprovação de projetos de seu interesse.

Na prática, o governo passou a “pegar carona” na agenda da Câmara dos Deputados. Sob a gestão Bolsonaro, a influência do Executivo na pauta legislativa tem sido mais tímida – o que, por enquanto, não se traduziu em mais derrotas para o Planalto

Surge mais uma tentativa para enfraquecer e inviabilizar a Zona Franca de Manaus

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A Zona Franca é um polo de indústrias limpas e sem chaminés

Vicente Limongi Netto

O Amazonas reage, integralmente, repudiando ações nefastas de pregoeiros do caos do governo federal, empenhados em solapar a zona franca de Manaus. Desta feita, o alvo sorrateiro é o polo de concentrados de refrigerantes. A ordem é liquidar com o segmento. Nessa linha, Bolsonaro garantiu que a alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados( IPI) será de 8% . Em 3 anos, frisou, deve retornar a 4%.

A medida paliativa não agradou políticos do Amazonas nem dirigentes empresariais. De acordo com o vice-presidente da Federação das Indústrias, Nelson Azevedo, o anúncio presidencial coloca a zona franca no “corredor da morte”.

MORTE LENTA – No entender de Azevedo, na prática é uma forma “de acabar, lentamente, com o modelo zona franca”. O polo de concentrados não cria somente empregos, diretos e indiretos no polo industrial de Manaus. Mas, também, no interior do Amazonas. Segundo Azevedo, o setor ajuda a desenvolver a cultura do plantio do guaraná, da cana de açúcar, entre outros insumos necessários para a produção de refrigerantes.

Nesse sentido, o presidente do Centro da Indústria do Amazonas, Wilson Périco, lembra a importância da arrecadação.

RENÚNCIA FISCAL – Wilson Périco salienta que a Constituição autoriza renúncia fiscal para aplicações  no crescimento do Amazonas.

“O Amazonas comparece no bolo da arrecadação fiscal do Norte com 50% de todos os impostos federais”, diz o líder empresarial, ironizando: “As empresas do polo de Manaus podem ilustrar seus acertos e denunciar que o poder público  confisca para outros fins a riqueza gerada e que deveria ser aplicada no Amazonas”.

Realmente, é uma verdade que precisa ser conhecida.

Neste Ano Novo, seria excelente se todos aprendessem a ser cidadãos por inteiro em 2020

Resultado de imagem para frases de pessoas famosas sobre ano novoVicente Limongi Netto

As retrospectivas das televisões e dos jornais mostram que a banalização da vida e do amor atingiram índices alarmantes em 2019. Precisamos, no Ano Novo, lutar para respirar o ar do amor, da solidariedade e da perseverança. Os corações precisam fluir para bons atos e atitudes nobres. Com igualdade de disputa pela melhoria de vida para todos.

Que as crianças ganhem carinho e cresçam felizes. Pessoas de bem precisam continuar repelindo baixarias e canalhices dos pobres de espírito. Covardes que ceivam as vidas de mulheres, filhos, negros, idosos e homossexuais. Intolerantes, frustrados, recalcados e retrógrados que não respeitam a opinião alheia.

ALEGRIA E SAÚDE – É fundamental que tenhamos alegria e saúde para viver. Que a paz e a cordialidade vençam o ódio e a estupidez. Que venha um 2020 iluminado. O Brasil precisa ampliar o leque do diálogo. Sem esperanças e determinação vamos nos aproximando do fosso do desapontamento e da discórdia.

Tarefas corriqueiras e diárias. Valiosas e saudáveis. Que a maioria esmagadora continuou desconhecendo, empurrando com a barriga no ano que termina: recolher o cocô dos animais de estimação deixados pelos gramados, jardins e calçadas; parar de queimar lixo no quintal; dar a seta quando for mudar de faixa; respeitar vagas de idosos e deficientes; não dirigir falando no celular nem digitando; colocar focinheira nos cachorros brabos.

CIDADÃOS POR INTEIRO – Seria conveniente não dirigir lanchando, com o braço para fora nem jogando lixo na rua; jamais deixar de colocar crianças na cadeirinha; deplorável e irresponsável a mania de dirigir com cachorro no colo.

Seria excelente se todos aprendessem a ser cidadãos por inteiro em 2020. Procurando ser educados, prudentes e responsáveis.  Não custa tentar.

Vamos unir forças. De cabeça erguida. Contra fariseus. toscos, venais, hipócritas e paladinos de meia pataca. Que a luz de Deus brilhe em nós.

Bolsonaro cai na armadilha de Lula, cuja estratégia atual é se fingir de “vítima”

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Charge do Luiz Gê (Arquivo Google)

Vicente Limongi Netto

O ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva saiu da cadeia atirando e sem medir palavras. Disposto a brigar com todo mundo. Provocando e jurando ser vítima. Lula, solto, é tema para reflexões políticas isentas e frias. Com a libertação dele, o Brasil viverá um novo momento político. O hotel 5 estrelas chamado de salinha (de 5 metros X 3 metros), onde Lula passou um ano e meio na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, não esmoreceu o seu ânimo para a luta.

É um direito dele lutar e se defender, porque ainda é alvo de diversos processos criminais. Pode ser condenado novamente e até voltar para a sala 5 estrelas de Curitiba, considerado reincidente específico, pelos mesmos crimes da primeira pena – corrupção e lavagem de dinheiro.

MAIS VÍTIMA – Se for condenado outra vez, então se tornará, a meu ver, ainda mais vítima aos olhos daqueles que consideram o ex-presidente um enviado de Deus. Solto, falante, aliviado, com novo amor e língua afiada, é tolice subestimar o arsenal de Lula.

Como se não bastasse, Bolsonaro passa recibo diante das cascas de banana da “ideia” que foi solta, no sentido de enquadrar Lula na Lei de Segurança Nacional, e ainda manda subalternos trilharem a mesma linha tola da insensatez. É exatamente o jogo que Lula e o PT querem.

JOGAR O JOGO – O que Lula e seu partido pretendem é atrair holofotes e simpatizantes decepcionados com decisões e atitudes de um irado Bolsonaro que não aceita críticas.

O correto seria o chefe do governo seguir em frente . Procurar ser altivo. Respeitar a liturgia do cargo. Cuidar dos graves problemas do país. Anunciar medidas que melhorem a qualidade de vida da população mais sofrida.  Diminuir a desigualdade social. E deixar Lula estrebuchar.

O jogo não é para amadores. Nem parece que Bolsonaro viveu 28 anos anos dentro do liquidificador da política, o Congresso Nacional…

Mensagem ao indomável guerreiro do jornalismo, Helio Fernandes que completa 99 anos

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Helio Fernandes, o maior jornalista brasileiro

Vicente Limongi Netto

Ele jamais se omitiu. Sua palavra vigorosa, suas verdades, suas denúncias, suas campanhas incomodam e intranquilizam maus brasileiros até hoje. Sempre pensou mais na coletividade. Combateu os erros de todos os governos. Nunca pleiteou nada pessoal. Foi cassado. Sem dúvida seria deputado federal, senador, governador e Presidente da República. Dedicou-se então ao jornalismo por inteiro. Sempre à frente do bom combate, das boas e legítimas causas nacionais. Tenho prazer e orgulho de ser amigo de Helio Fernandes.

Sua pena firme e fulgurante visa os interesses do Brasil. Durante mais de 70 anos, façanha dos verdadeiros guerreiros, escreve coluna diária e ainda faz artigos, que podem ser lidos em seu blog http://heliofernandesonline.blogspot.com/ e em sites que reproduzem seus textos.

UMA VASTA OBRA – Lançou no jornalismo grandes profissionais. Criou revistas, editou colunas, trabalhou com dezenas de outros mestres. Conhece todos os assuntos. Escreve bem sobre todos eles. Profundo conhecedor também de esportes, cobriu de perto muitas copas do mundo. Seus textos correm escolas e universidades.

Sempre gostou de conversar, trocar ideias, debater, com os jovens. Sua vasta obra precisa virar livros. Encanta gerações. Tem leitores e admiradores em todos os setores de atividade.

Fazia grande sucesso na TV, falando ao vivo, mas foi proibido pelo então presidente Juscelino Kubitschek de continuar trabalhando na televisão. Suas verdades incomodam poderosos e oportunistas. Foi e é amigo de políticos e homens públicos importantes e famosos.

RELAÇÕES PÚBLICAS – Desde sempre, Helio Fernandes dizia o que muitos dizem hoje, com banca de descobridores do ar: “Jornalismo não é relações públicas”. É o repórter brasileiro mais preso e confinado da História. Ia e logo voltava, altaneiro.

O tempo trouxe-lhe adversidades familiares. Encarou todas elas com galhardia e fé, a exemplo do que fizera quando penalizaram o leitor, a imprensa, o bom senso e a democracia, com censores na redação e depois destruindo o jornal Tribuna da Imprensa com bombas.

Ama a família, tem adoração pelos netos, tem imensas saudades dos filhos Helinho e Rodolfo, talentosos e queridos. Sofre pelo irmão Millôr e pela mulher, D. Rosinha, também já levados pelo dedo implacável das leis de Deus.

CENSURADO – Desde a década de 70 escrevo sob seu comando. Muitos artigos foram cruelmente cortados pelos censores, alguns publicados apenas com o título e o meu nome, o resto do espaço em  branco. Ou seja, o jornal saía parcialmente em branco, mutilado. Outro grande veículo igualmente penalizado pela burrice da repressão, o Estado de S. Paulo, colocava versos ou receitas nos espaços vetados. Mas Helio Fernandes preferia deixar em branco, para mostrar, enfatizar, aos leitores, a brutalidade da censura.

Tenho ainda muito a dizer sobre ele. Faria com prazer. Deixo apenas estas linhas, como depoimento pessoal a um homem por quem tenho o maior carinho e amizade. Fico emocionado quando falo ou escrevo sobre ele. Estou com ele em todas as horas e circunstâncias.

ELE E FERNANDA – Ontem, dia 16, o país comemorou os 90 anos de Fernanda Montenegro, nossa maior atriz. Grande amiga de Helio Fernandes, durante quase 20 anos almoçavam juntos todos os sábados, no restaurante Antiquarius, na mesa liderada por Millôr Fernandes e sua turma de amigos.

Hoje, dia 17, devemos comemorar os 99 anos de idade de nosso maior repóeter, que depois da ida do amigo Barbosa Lima Sobrinho se tornou o decano dos jornalistas do mundo. Escrevendo diariamente. Com o entusiasmo e lucidez de sempre.  Forte abraço e um beijo para você, amigo. Que Deus continue lhe dando forças.

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A PARTIR DO CRIMINOSO FHC, A TRAJETÓRIA DESPERDIÇADORA DA DÍVIDA EXTERNA PARA DÍVIDA INTERNA

Helio Fernandes, em 17/10/2019

Como dívida externa, o Brasil só podia tomar empréstimos no exterior. Mudando para dívida ativa (interna), podem concorrer com os Fundos de investimento, poupança, qualquer que seja a organização. Mesmo antes da mudança, FHC praticou o que chamei, (com ele no poder) de” crime de lesa pátria”, que não prescreve.

Estrangeiros “emprestavam” a juros de 42 por cento ao ano, inacreditável. Passou a Lula em 25%, Lula entregou a Dilma a 14%, ela reduziu para 7%. Veio a “conspiração parlamentar” de Temer, o presidente corrupto e usurpador, Dilma voltou para os 14%, e ainda perdeu o cargo.

(Lula deixou para o pais, como reservas vivas e utilizáveis a qualquer momento, mais de 400 BILHÕES DE DÓLARES. Esqueceram).

DESDE VARGAS – Com o “Estado Novo” de Vargas, a dÍvida externa bateu recordes. Mas com a Segunda Guerra Mundial, as potências só fabricavam material militar, todo o resto compravam a crédito, “para pagar depois”. O Brasil vendeu tanto que quando a ditadura acabou, 5 anos, (e a guerra também) tínhamos um saldo fantástico.

O marechal Dutra, oito anos como ministro da Guerra da ditadura, assumiu a Presidência e, com todo aquele potencial financeiro, poderia ter construído “o país do futuro”. Mas com a leviandade de vender ouro a preço de banana, e comprar banana pagando como se fosse ouro, voltamos a ser DEVEDORES.

Depois dele veio JK, que aumentou ainda mais a dívida, já alucinante. Com a obsessão arquitetônica de construir uma capital lindíssima, portentosa, onerosa, ruinosa, colocou a dívida numa altura sempre chamada de astronômica, dilacerante, destruidora.

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P.S. 1
– Tiveram então a ideia, logo concretizada. Ou seja, permitir que brasileiros comprassem títulos da dívida, mudando nome para DIVIDA INTERNA (ATIVA).

P.S. 2 – Mesmo não confiando nos presidentes, compravam, a recompensa passou a ser maravilhosa.

P.S. 3 – Até o Tesouro fazia propaganda, “vendia diretamente a quem quisesse comprar”.

P.S. 4– Com isso, a chamada DIVIDA INTERNA já ultrapassava os QUATRO TRILHÕES DE REAIS.

P.S. 5 – Jamais em tempo algum, a divida do país chegou a essa altura.

P.S. 6 – E a maioria dos CREDORES são os cidadãos que nasceram, viveram e moram no Brasil.

P.S. 7 – CALOTE? Nem pensar. PAGAR? De de que maneira?

MERCADO FINANCEIRO – Está difícil encontrar coerência. Ações e moedas deviam ter o mesmo comportamento. Quando a Bovespa sobe, o dólar deve cair. Ou vice versa, como nas placas dos ônibus. Ontem, no Brasil: jogaram 8 BI, negociando OPÇÕES de AÇÕES, esqueceram do resto.

Não são investidores e sim jogadores. Antes do pregão começar, já combinaram as apostas.

ULTIMA NOTA – Ontem á noite, bem tarde, o STF informou: “O julgamento da prisão em segunda instância” começa hoje, quinta, mas somente só acontecerá no plenário da próxima quarta”.

Hoje falará o novo Procurador-Geral da República, e muitas providencias terão que ser concretizadas. Não sobraria tempo para o voto de 11 ministros.

Aprovação do “embaixador” Eduardo Bolsonaro é dada como certa no Senado

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Vicente Limongi Netto

Ninguém de bom senso pode admitir nem aceitar que o Senado Federal (“Parece que foi uma coisa arquitetada“, Correio Braziliense de 29/09, Denise Rothenburg) vá se apequenar e se violentar a mais uma imposição desvairada do presidente Bolsonaro, ao fazer negociatas para aprovar o nome do filho dele, Eduardo Bolsonaro, para embaixador do Brasil nos Estados Unidos. Não tem cabimento.

Pesquisas isentas e recentes avaliam que a maioria dos brasileiros é contrária ao oceânico absurdo. Mas no Senado já se dá a aprovação do nome de Eduardo Bolsonaro como líquida e certa.

SEM QUALIFICAÇÕES – O candidato, emérito fritador de hambúrguer, não tem qualificações profissionais para a função. Caso os senadores aprovem a monumental e extravagante excrescência, estarão afrontando os cultos, estudiosos, preparados e experientes diplomatas de carreira, além de outras marcantes figuras da vida nacional que exerceram o cargo com desenvoltura.

Bolsonaro bate na tecla que deseja a felicidade do filho. Mas não precisa exagerar, presenteando o rebento com o posto mais importante da diplomacia brasileira. A escolha humilha e desmoraliza mais ainda a combalida política externa do país. O ultrajante e perigoso plano avança. 

VELHA POLÍTICA – Sem nenhum pudor, Bolsonaro utiliza os conhecidos caminhos da “velha política”, que jurou combater na campanha presidencial. Oferece cargos para apaniguados de senadores, nos diversos escalões da República. 

O mais patético e inacreditável é que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, se presta ao melancólico e ridículo papel de recadeiro oficial do governo para cativar votos para Eduardo Bolsonaro. É assustador o servilismo de Alcolumbre. Quer agradecer pelo resto da vida ao Palácio do Planalto pelo empenho e esforço de torná-lo presidente do Senado e do Congresso, em eleição estranha, pouco republicana e abusiva.

SANTOS CRUZ – Também no Correio Braziliense deste domingo (29/09) a coluna “Eixo Capital” publica, com foto, pitacos do general Santos Cruz. Aquele que chegou com tudo na chefia da Secretaria-Geral da Presidência da República e, não demorou, foi tirado do cargo por Bolsonaro de maneira estranha, porque a justificativa foi uma mensagem que o general teria postado criticando o governo, mas no momento da transmissão ele estava a bordo de um avião na Amazônia, sem acesso à internet…

Agora, na tentativa de sair do ostracismo, o carrancudo Santos Cruz aparece no Twitter para dar lições aos ministros do Supremo  Tribunal Federal. Escreveu o seguinte: “O STF precisa colocar seu trabalho e experiência a serviço do Brasil. O próprio STF não pode ser gerador de insegurança, inquietude e desilusão do povo brasileiro.  Os ministros precisam exercer suas funções com maturidade e sensibilidade”.

Tuitando, o general pede “maturidade e sensibilidade” aos ministros da Suprema Corte. Pergunto: quem pediu a opinião do general? Estaria Santos Cruz se posicionando contra Gilmar Mendes e a favor do destrambelhado Rodrigo Janot? Ou estaria Santos Cruz com saudades de 64? 

Bolsonaro perdeu uma grande oportunidade e fez um discurso provinciano

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Charge do Paixão (Gazeta do Povo)

Vicente Limongi Netto

Não fiquei surpreso com a pobreza intelectual do discurso de Bolsonaro, na ONU. Texto recheado de repetidas e cansativas acusações, ressentimentos, clichês surrados sobre a Amazônia,  e ameaças descabidas. Seguramente a rispidez , o provincianismo e grosseria de Bolsonaro não agradaram aos mais de 140 chefes de Estado presentes ao plenário da ONU. Enfatizar que ninguém mete o bedelho na soberania do Brasil foi valentia óbvia e desnecessária.

Acusar parte da imprensa de sensacionalista, foi outra bobagem.  Na ONU, os presidentes devem enfocar detalhes da política externa de seus países. Anunciar avanços e contribuições de suas gestões. Medidas que  podem servir ao mundo. Não praguejar como se estivesse em palanque eleitoral. Travestido de vítima e salvador da Pátria.

MISSÃO DE HELENO – Excelente a matéria de Johanns Eller (O Globo- 22/9) destacando a vigilante e árdua missão do general Augusto Heleno como ministro do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República.

Heleno tem amplo currículo de bons serviços ao país. É respeitado por civis e militares. Patriota e competente.  Quem dera que o governo contasse com mais  expressivos e firmes Helenos auxiliando Bolsonaro. Aliás, causa espanto a informação de que Heleno foi um dos autores do provinciano discurso de Bolsonaro. Será mesmo?

Milton Nascimento e a atual MPB, Marco Maciel e a primavera em Brasília

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Milton é mais um que não aguenta mais ouvir o rádio

Vicente Limongi Neto

Concordo integralmente com o desabafo de Milton Nascimento, para a jornalista Mônica Bérgamo, na Folha de S. Paulo: “A música brasileira está uma merda”. É verdade, pois os “cantores” não cantam, berram. Haja algodão para preservar os ouvidos.  O mais inacreditável, todos eles estão ricos e têm até avião.  O programa da TV Globo “Só toca top” é de uma abissal pretensão.

O poeta e craque Milton Nascimento teria a definição mais adequada para aquela bobagem: “Só toca merda”.

MACIEL ESTÁ MAL – As leis de Deus são realmente implacáveis. Algumas doem na alma. Soam como injustas. Difíceis de admitir e compreender.  Sobretudo quando constata-se que marginais, vigaristas, patifes, ladrões, pedófilos, assassinos estão cheios de saúde. Soltos e faceiros. 

Enquanto figuras humanas notáveis e qualificadas, como Marco Maciel, que honrou e dignificou a vida e os importantes cargos que ocupou, aguarda, em casa, sem poder falar nem andar, com Alzheimer, o chamado do todo Poderoso.

Ironicamente, Marco Maciel também é imortal, membro da Academia Brasileira de Letras. 

É PRIMAVERA – No mais, é primavera em Brasília, uma das cidades mais lindas e arborizadas do mundo.

Mais respeito, são os ipês
Tornando Brasília mais alegre.
O ipê branco abranda a alma,
O amarelo encanta os corações,
O roxo alimenta a esperança,
O ipê lilás proclama a paz.
Os pés de ipês são recheados de dignidade
E pureza de sentimentos.
Embalam o cotidiano e embelezam o sol.
Quando as folhas começam a cair,
Os ipês partem para nova missão:
Juntam-se ao barro para arar e semear a vida eterna.

Deprimente espetáculo de sabujice nos 50 anos do Jornal Nacional

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João Roberto Marinho agradeceu o puxa-saquismo

Vicente Limongi Netto

Quem não viu, perdeu um fantástico show de subserviência explícita.  Os 50 anos do Jornal Nacional motivaram o singelo espetáculo de puxa-saquismo do Senado Federal.  No alto do plenário, o busto do ex-senador Rui Barbosa cobriu-se de vergonha. O verbo curvar, reiterado com notável satisfação pelo roliço presidente Davi Alcolumbre, ao colocar no céu o Jornal Nacional, foi repugnante e escandaloso.  Um primor de bajulação.

O Amapá sente-se orgulhoso com o folclórico rebento Alcolumbre, que é hoje a maior cara lambida do Congresso Nacional. Bajula poderosos sem nenhum constrangimento.

EMBALO NAUSEANTE – As palavras do áulico Davi foram acolhidas com fervor pelos dóceis e embevecidos corações dos políticos presentes. Senadores foram no embalo nauseante do medonho Davi. Discursaram no mesmo tom. De cócoras. Patéticos e melancolicamente. Duro saber qual foi o mais serviçal, constrangedor e deprimente.

Esqueceram, por conveniência, esperteza e medo, quantas vezes a TV-Globo e o arrogante e pretensioso Jornal Nacional, pisaram no Senado. Quantas reputações foram destruídas pelo policialesco Jornal Nacional. Quantas vezes o noticioso dono da verdade de meia pataca perseguiu e humilhou a instituição e homens públicos. Incluindo senadores, que jamais dobraram a espinha para o grupo Globo. Quem andam de cabeça erguida. 

CAIR EM DESGRAÇA – Quem não seguir a linha “verdadeira” e “jornalística” do impoluto Jornal Nacional, sem a menor dúvida, precisa ter determinação, caráter e firmeza para não cair em desgraça.  Jair Bolsonaro e Marina Silva, por exemplo, na campanha presidencial, foram vítimas dos algozes e petulantes carrascos, William  Bonner e Renata Vasconcelos.

ELOGIOS FÁCEIS – Na sexta-feira, a sessão arrastou-se por horas. Jornalistas da Globo presentes no plenário, alguns respeitados e expressivos, ouviam perplexos a enxurrada de elogios fáceis e de surrados clichês dos parlamentares diante dos diretores da Globo presentes. Um horror.

Mas a deprimente missão   dos lambe botas engravatados foi cumprida com louvor. Por alguns instantes foram premiados e focalizados pelo Jornal Nacional com migalhas do noticiário político, em uma longa e sonífera cobertura, no encerramento do programa. 

BALANÇANDO A PANÇA – Voltando ao saltitante Alcolumbre. Eis que ele foi balançar a pança na TV de Silvio Santos. Verdade? No Duro. O que os provincianos não fazem para aparecer… Duvido que ex-presidentes do Senado e do Congresso, como Nelson Carneiro, Paulo  Torres, José Sarney,  Jarbas Passarinho, Jader Barbalho,  Renan Calheiros e Mauro Benevides, se prestariam a esta triste  pantomima.

Alcolumbre participou do quadro de charadas. Perdeu feio para o Ratinho. Por 71 a 25. Foi convidado pelo apresentador, pai do governador do Paraná, para disputar troféu de calouro no programa dele. Davi aceitou, com uma condição: levar seu querido, conselheiro e mestre, Randolfe Rodrigues, igualmente catedrático em bajular a TV Globo.

A próxima aparição do macaco de auditório Davi, será como coroinha de missa ao vivo, na Record, celebrada pelo bispo Macedo. A seguir, na Band, sob o comando da Ana Paula Padrão, o trêfego Alcolumbre vai desafiar Eduardo Bolsonaro para ver quem melhor frita hambúrguer. Será a glória para a pavorosa dupla.

Sem Cintra e sem CPMF, o que será a reforma tributária sonhada por Guedes?

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Charge do Frank (Arquivo Google)

Alexandre Calais
Estadão

Com a reforma da Previdência encaminhada, e já dada como favas contadas, a reforma tributária passou a ser a transformação estrutural mais importante no horizonte de mudanças preconizadas pela equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes. Mas não tem sido fácil entender qual é de fato o projeto do governo para esse tema. E a demissão do secretário da Receita, Marcos Cintra, tornou a situação ainda um pouco mais nebulosa.

Cintra saiu, segundo o próprio presidente Jair Bolsonaro, por insistir na criação de um imposto nos moldes da antiga CPMF, necessário para cobrir a queda da arrecadação que viria com o fim da cobrança de contribuição previdenciária sobre a folha salarial das empresas. “A recriação da CPMF ou aumento da carga tributária está fora da reforma tributária por determinação do presidente”, escreveu Bolsonaro no Twitter.

GUEDES APOIAVA – Mas a nova CPMF não era, obviamente, uma ideia defendida apenas por Cintra. Fazia parte do projeto que vinha sendo elaborado pela equipe econômica, e contava com o apoio de Paulo Guedes. O ministro chegou a falar, depois de uma reunião com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que, se a alíquota do novo tributo fosse baixinha, não iria “distorcer tanto” a economia.

Na verdade, a nova CPMF era um pilar fundamental do projeto do governo, apesar de o presidente Jair Bolsonaro afirmar o tempo inteiro ser contra. E, após a saída de Cintra, será difícil para a equipe econômica continuar insistindo no tema. Em entrevista aqui para o Estadão após sua saída, o agora ex-secretário da Receita voltou a afirmar que a nova CPMF é a única alternativa para desonerar a folha de pagamento das empresas.

Mas a recriação de um imposto tão controverso, mesmo que com as melhores intenções possíveis, seria um desgaste político que provavelmente Bolsonaro não vai querer enfrentar.

 

REFORMA DISPUTADA – Enquanto isso, Câmara e Senado disputam o protagonismo da reforma tributária. Na Câmara, a proposta do deputado Baleia Rossi (MDB-SP), baseada no projeto do economista Bernard Appy, já está na Comissão Especial, na fase de recebimento de emendas. Mas Rodrigo Maia sinalizou que iria esperar o governo mandar a proposta dele, para tentar amarrar tudo num projeto só.

No Senado, um outro projeto,  baseado na proposta do ex-deputado Luiz Carlos Hauly, também está em tramitação. A expectativa era que fosse votado na Comissão de Constituição e Justiça da casa ainda este mês. Mas também havia a expectativa do envio da proposta do governo, o que agora parece um pouco mais distante.

A reforma tributária, tão importante, se transformou em uma grande incógnita. No final das contas, há projetos demais – empresários reunidos no grupo Brasil 200 têm uma proposta, os Estados levaram mais ideias esta semana a Rodrigo Maia – e, mais uma vez, há uma grande desarticulação do governo.

UM VESPEIRO – Já foi assim com a reforma da Previdência, que acabou saindo  muito mais graças à movimentação das lideranças partidárias no Congresso, que se deram conta de que era preciso fazer algo para tentar tirar o País do buraco em que se encontra. Mexer nos impostos, porém, parece ser um vespeiro ainda maior. Seria bom que o governo realmente se empenhasse nisso.

Mas, como disse o cientista político Fernando Limongi, em evento realizado esta semana pelo Estadão e pelo Ibre/FGV, os interesses do presidente parecem neste momento estarem restritos à agenda familiar: garantir a nomeação do filho Eduardo como embaixador em Washington e proteger outro filho, Flávio, das investigações da Polícia Federal e do Coaf.

General Heleno perde a linha ao defender o “embaixador” Eduardo Bolsonaro

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General Heleno perdeu a oportunidade de ficar calado

Vicente Limongi Netto

Perplexo, lamento a estranha corajosa e ácida atitude do  destemido ministro/general Augusto Heleno, meu amigo há 30 anos, ao insultar as memórias do presidente Itamar Franco e do general Lyra Tavares, ex-ministro do Exército e também ex-membro da Academia Brasileira de Letras, que não podem mais se defender das acusações do chefe militar, a pretexto de defender o categorizado fritador de hambúrguer para se tornar embaixador nos Estados Unidos.

Quanto ao ex-deputado federal Delfim Netto, também atacado por Heleno, creio que o escrivão licenciado da Polícia Federal Eduardo Bolsonaro não tem competência profissional nem currículo para ser comparado ao ex-ministro da Fazenda dos governos militares e professor emérito da Universidade de São Paulo.

SABATINA – Alquimistas palacianos insistem na abissal tolice: pensam (ôpa, foi mal!) que na sabatina conquistarão votos de senadores para o fritador de hambúrguer Eduardo Bolsonaro, pelo simples fato de o deputado ter ido de pingente do ministro Ernesto Araújo ao encontro com o presidente Donald Trump.

Tem foto do encontro do século. Pena que o erudito Eduardo Bolsonaro tenha se recusado a dar entrevista à imprensa norte-americana, deixando de exibir seu fulgurante inglês aos jornalistas.

Desfazendo um velho equívoco: a UnB foi criada por Juscelino e não por Darcy Ribeiro

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JK e Lúcio Costa, quando tudo era ainda apenas um sonho

Vicente Limongi Netto

Darcy Ribeiro não fundou a UnB coisíssima alguma. Inacreditável e deplorável que a monumental falácia seja alimentada por profissionais ilustres ou simplesmente desinformados e reféns de patrulhas ideológicas. Na Biblioteca Central da UnB tem fita gravada e a transcrição da conferência de Ciro dos Anjos, ex-secretário particular de JK, realizada no auditório da Reitoria, em que relatou, mais uma vez, os fatos que alguns pretendem negar.

Vitor Nunes Leal, ex-ministro do Supremo, que também confirmou a versão ao ex-reitor José Carlos Azevedo, havia pedido demissão da chefia da Casa Civil de Juscelino e sabia que o presidente queria a sua volta. Chamado por JK para procurá-lo, passou antes no escritório do também ex-ministro do STF, Osvaldo Trigueiro, que confirmou essa história, pois Vitor Nunes Leal lhe relatou sua preocupação de receber um convite irrecusável de Juscelino para voltar à Casa Civil.

SUGESTÃO – Trigueiro aconselhou-o a iniciar a conversa sugerindo a JK a criação de uma universidade em Brasília, achando que seria uma medida inaceitável para o presidente. Mas o erudito Leal então lembrou a JK que o epitáfio escolhido por Thomas Jefferson, terceiro presidente dos Estados Unidos, que está em sua sepultura em Montebello, diz o seguinte:

“Aqui jaz Thomas Jefferson, autor da Declaração da Independência Americana, do Estatuto da Liberdade Religiosa na Virgínia, e pai da Universidade de Virgínia”. Não menciona ter sido presidente dos EUA.

JK ACEITOU – O presidente Juscelino gostou da ideia, chamou Ciro dos Anjos e deu-lhe a missão de elaborar os atos da criação da UnB, cujo marco inicial foi o radiograma de JK ao ministro da Educação, Clóvis Salgado, datado de 2 de abril de 1960:

“Ministro Clóvis Salgado, a fim de completar panorama cultural nova capital não posso deixar de fundar a universidade de Brasília, portanto, peço estudar plano e redigir mensagem a ser enviada ao Congresso tendo em vista desse objetivo pt precisamos porém criar universidade em moldes rigorosamente modernos pt gostaria remeter mensagem congresso dia 21 abril pt sds JK”.

Portanto, não tem amparo nos fatos e é rigorosamente falso atribuir a Darcy Ribeiro a iniciativa de criação da UnB. Foi Juscelino quem a teve e determinou todas as providências para criá-la. E foi Clóvis Salgado que as levou a bom termo. Na comissão criada, em que Darcy era um dos participantes, seu papel foi secundário. 

PODEM PESQUISAR – Quem se interessar em detalhes, pode consultar, além do depoimento de Ciro dos Anjos, na biblioteca da UnB, os relatos de Clóvis Salgado e de historiadores da Universidade Federal de Minas Gerais, com perto de 10 horas de duração, que integram o projeto “História Viva” daquela universidade.

Em artigo na Folha de São Paulo de 15 de setembro de 1986, na sua costumeira vesânia, Darcy afirmou ser o fundador da Universidade Nacional da Costa Rica, que foi fundada em 1970, pelo padre Benjamin Nunes Gutierrez. Na verdade, Darcy apenas colaborou, como fez em universidades do Chile, Peru, Venezuela, México e Uruguai.

Em Brasília, Darcy Ribeiro, como ministro da Educação de João Goulart, concluiu a obra iniciada por Juscelino. O jornalista, professor e escritor Ciro dos Anjos, nascido na mesma cidade de Darcy, Montes Claros, em Minas Gerais, insinuou que lhe cabia a explicação por ter incluído Darcy na comissão e sugerido seu nome para reitor, quando não havia candidato a esse cargo e a UnB só existia no papel.

Governo achou um sabujo para exigir votos em favor de Eduardo Bolsonaro

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Charge do Son Salvador (Arquivo Google)

Vicente Limongi

O governo procura, urgente, um senador capacho para desempatar o jogo, e votar a favor para aprovar o nome do ex-escrivão da Polícia Federal e deputado Eduardo Bolsonaro, na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional, como embaixador brasileiros nos Estados Unidos. É este o quadro sombrio e medíocre do atual Senado Federal. 

O governo fez das tripas coração e emoção. Demorou, mas achou um graduado capacho, engravatado e ajoelhado, ansioso para satisfazer mais uma excrescência do chefe da nação.

UM DESLUMBRADO – O nome do sabujo é Davi Alcolumbre (DEM-AP). A missão do bajulador:  brigar como se estivesse atrás de um prato de migalhas políticas em busca de votos para a aprovação da indicação do ex-escrivão e fritador de hambúrguer, na Comissão de Relações Exteriores e no plenário.

Demagogo, medíocre e deslumbrado presidente do Senado, Alcolumbre foi eleito para o cargo em disputa confusa, tumultuada e estranha. Sua eleição patrocinada pelo Palácio do Planalto, através de outro indecoroso parvo, também do DEM, o gaúcho ministro que tem sobrenome de chuveiro, Lorenzoni de tal. Nesse sentido, revela Denise Rothenburg, no Correio Braziliense de hoje, dia 17, que o roliço Alcolumbre, sem nenhum constrangimento, “passou a trabalhar, dia e noite, pela aprovação do nome de Eduardo Bolsonaro”.

Triste, melancólico, vergonhoso e patético senado federal. O torpe, cretino e imundo argumento, prossegue a colunista do Correio, é que ainda estão longe as eleições de 2022. As convicções e esperanças dos eleitores que se danem.

VOTAÇÕES SECRETAS – Denise Rothenburg conclui a notícia, merecedora de charge do assombroso Alcolumbre, com outra inacreditável, cínica e covarde alegação: os ingênuos e ludibriados eleitores não saberão os nomes dos senadores que dobraram a espinha para Bolsonaro, porque as votações serão secretas. Tanto na sabatina da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional e, a seguir no plenário do senado, quando votarão os 81 senadores. Mesmo que a comissão rejeite o nome, quem decide é o plenário. 

Breve a nação estarrecida saberá quem sairá vencedor: o fanfarrão e grosseiro Bolsonaro, que se julga dono do Senado e do Universo, ao ponto de insistir em tornar embaixador um parlamentar desqualificado para a importante função, ou os senadores ainda vocacionados para o bem comum, que não aceitarão essa farsa, pois foram eleitos para honrar o mandato trabalhar, sem trégua, para melhorar a qualidade de vida da maioria esmagadora dos brasileiros. Sem cair no impaludismo da mediocridade de  ameaças, vinganças e leviandades dos arrogantes sacripantas, poderosos de plantão.

Indicação de Eduardo Bolsonaro para a Embaixada nos EUA é um atentado ao bom senso

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Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Vicente Limongi Netto

A indicação do presidente da República para o filho Eduardo Bolsonaro vir a ser embaixador do Brasil nos Estados Unidos, sob qualquer aspecto, é um atentado ao bom senso e um colossal desrespeito aos valorosos, experientes, estudiosos, respeitados e competentes diplomatas de carreira. Melancólica e profunda patetice. Mais absurdo ainda é que o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, não proteste contra a decisão insana do chefe da Nação e, pelo contrário, a apoie entusiasticamente.

O cientista politico Paulo Kramer tem razão: “O Brasil é invisível perante o mundo”. Só consegue sair da obscuridade quando seus governantes metem os pés pelas mãos com destemperos e sandices. 

MOTIVO DE CHACOTAS – Bolsonaro insiste em tornar o Brasil um país de galhofeiros e motivo de chacotas no exterior. Deveria completar a pantomima indicando o filho Carlos para ser embaixador na Itália e o filho Flávio para embaixador na França.  Apequenaria mais ainda o Brasil aos olhos do mundo, mas seria a glória dos deuses  para a família Bolsonaro. 

A sabatina no Senado para aprovar ou rejeitar o nome do poliglota deputado Eduardo Bolsonaro, suposto “amigo de infância” dos filhos de Trump, tem o dever de atuar com isenção, firmeza e independência. Os senadores não podem dobrar a espinha e engolir pela goela abaixo mais uma diatribe do chefe do governo que depõe contra o Brasil.