Bolsonaro perdeu uma grande oportunidade e fez um discurso provinciano

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Charge do Paixão (Gazeta do Povo)

Vicente Limongi Netto

Não fiquei surpreso com a pobreza intelectual do discurso de Bolsonaro, na ONU. Texto recheado de repetidas e cansativas acusações, ressentimentos, clichês surrados sobre a Amazônia,  e ameaças descabidas. Seguramente a rispidez , o provincianismo e grosseria de Bolsonaro não agradaram aos mais de 140 chefes de Estado presentes ao plenário da ONU. Enfatizar que ninguém mete o bedelho na soberania do Brasil foi valentia óbvia e desnecessária.

Acusar parte da imprensa de sensacionalista, foi outra bobagem.  Na ONU, os presidentes devem enfocar detalhes da política externa de seus países. Anunciar avanços e contribuições de suas gestões. Medidas que  podem servir ao mundo. Não praguejar como se estivesse em palanque eleitoral. Travestido de vítima e salvador da Pátria.

MISSÃO DE HELENO – Excelente a matéria de Johanns Eller (O Globo- 22/9) destacando a vigilante e árdua missão do general Augusto Heleno como ministro do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República.

Heleno tem amplo currículo de bons serviços ao país. É respeitado por civis e militares. Patriota e competente.  Quem dera que o governo contasse com mais  expressivos e firmes Helenos auxiliando Bolsonaro. Aliás, causa espanto a informação de que Heleno foi um dos autores do provinciano discurso de Bolsonaro. Será mesmo?

Milton Nascimento e a atual MPB, Marco Maciel e a primavera em Brasília

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Milton é mais um que não aguenta mais ouvir o rádio

Vicente Limongi Neto

Concordo integralmente com o desabafo de Milton Nascimento, para a jornalista Mônica Bérgamo, na Folha de S. Paulo: “A música brasileira está uma merda”. É verdade, pois os “cantores” não cantam, berram. Haja algodão para preservar os ouvidos.  O mais inacreditável, todos eles estão ricos e têm até avião.  O programa da TV Globo “Só toca top” é de uma abissal pretensão.

O poeta e craque Milton Nascimento teria a definição mais adequada para aquela bobagem: “Só toca merda”.

MACIEL ESTÁ MAL – As leis de Deus são realmente implacáveis. Algumas doem na alma. Soam como injustas. Difíceis de admitir e compreender.  Sobretudo quando constata-se que marginais, vigaristas, patifes, ladrões, pedófilos, assassinos estão cheios de saúde. Soltos e faceiros. 

Enquanto figuras humanas notáveis e qualificadas, como Marco Maciel, que honrou e dignificou a vida e os importantes cargos que ocupou, aguarda, em casa, sem poder falar nem andar, com Alzheimer, o chamado do todo Poderoso.

Ironicamente, Marco Maciel também é imortal, membro da Academia Brasileira de Letras. 

É PRIMAVERA – No mais, é primavera em Brasília, uma das cidades mais lindas e arborizadas do mundo.

Mais respeito, são os ipês
Tornando Brasília mais alegre.
O ipê branco abranda a alma,
O amarelo encanta os corações,
O roxo alimenta a esperança,
O ipê lilás proclama a paz.
Os pés de ipês são recheados de dignidade
E pureza de sentimentos.
Embalam o cotidiano e embelezam o sol.
Quando as folhas começam a cair,
Os ipês partem para nova missão:
Juntam-se ao barro para arar e semear a vida eterna.

Deprimente espetáculo de sabujice nos 50 anos do Jornal Nacional

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João Roberto Marinho agradeceu o puxa-saquismo

Vicente Limongi Netto

Quem não viu, perdeu um fantástico show de subserviência explícita.  Os 50 anos do Jornal Nacional motivaram o singelo espetáculo de puxa-saquismo do Senado Federal.  No alto do plenário, o busto do ex-senador Rui Barbosa cobriu-se de vergonha. O verbo curvar, reiterado com notável satisfação pelo roliço presidente Davi Alcolumbre, ao colocar no céu o Jornal Nacional, foi repugnante e escandaloso.  Um primor de bajulação.

O Amapá sente-se orgulhoso com o folclórico rebento Alcolumbre, que é hoje a maior cara lambida do Congresso Nacional. Bajula poderosos sem nenhum constrangimento.

EMBALO NAUSEANTE – As palavras do áulico Davi foram acolhidas com fervor pelos dóceis e embevecidos corações dos políticos presentes. Senadores foram no embalo nauseante do medonho Davi. Discursaram no mesmo tom. De cócoras. Patéticos e melancolicamente. Duro saber qual foi o mais serviçal, constrangedor e deprimente.

Esqueceram, por conveniência, esperteza e medo, quantas vezes a TV-Globo e o arrogante e pretensioso Jornal Nacional, pisaram no Senado. Quantas reputações foram destruídas pelo policialesco Jornal Nacional. Quantas vezes o noticioso dono da verdade de meia pataca perseguiu e humilhou a instituição e homens públicos. Incluindo senadores, que jamais dobraram a espinha para o grupo Globo. Quem andam de cabeça erguida. 

CAIR EM DESGRAÇA – Quem não seguir a linha “verdadeira” e “jornalística” do impoluto Jornal Nacional, sem a menor dúvida, precisa ter determinação, caráter e firmeza para não cair em desgraça.  Jair Bolsonaro e Marina Silva, por exemplo, na campanha presidencial, foram vítimas dos algozes e petulantes carrascos, William  Bonner e Renata Vasconcelos.

ELOGIOS FÁCEIS – Na sexta-feira, a sessão arrastou-se por horas. Jornalistas da Globo presentes no plenário, alguns respeitados e expressivos, ouviam perplexos a enxurrada de elogios fáceis e de surrados clichês dos parlamentares diante dos diretores da Globo presentes. Um horror.

Mas a deprimente missão   dos lambe botas engravatados foi cumprida com louvor. Por alguns instantes foram premiados e focalizados pelo Jornal Nacional com migalhas do noticiário político, em uma longa e sonífera cobertura, no encerramento do programa. 

BALANÇANDO A PANÇA – Voltando ao saltitante Alcolumbre. Eis que ele foi balançar a pança na TV de Silvio Santos. Verdade? No Duro. O que os provincianos não fazem para aparecer… Duvido que ex-presidentes do Senado e do Congresso, como Nelson Carneiro, Paulo  Torres, José Sarney,  Jarbas Passarinho, Jader Barbalho,  Renan Calheiros e Mauro Benevides, se prestariam a esta triste  pantomima.

Alcolumbre participou do quadro de charadas. Perdeu feio para o Ratinho. Por 71 a 25. Foi convidado pelo apresentador, pai do governador do Paraná, para disputar troféu de calouro no programa dele. Davi aceitou, com uma condição: levar seu querido, conselheiro e mestre, Randolfe Rodrigues, igualmente catedrático em bajular a TV Globo.

A próxima aparição do macaco de auditório Davi, será como coroinha de missa ao vivo, na Record, celebrada pelo bispo Macedo. A seguir, na Band, sob o comando da Ana Paula Padrão, o trêfego Alcolumbre vai desafiar Eduardo Bolsonaro para ver quem melhor frita hambúrguer. Será a glória para a pavorosa dupla.

Sem Cintra e sem CPMF, o que será a reforma tributária sonhada por Guedes?

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Charge do Frank (Arquivo Google)

Alexandre Calais
Estadão

Com a reforma da Previdência encaminhada, e já dada como favas contadas, a reforma tributária passou a ser a transformação estrutural mais importante no horizonte de mudanças preconizadas pela equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes. Mas não tem sido fácil entender qual é de fato o projeto do governo para esse tema. E a demissão do secretário da Receita, Marcos Cintra, tornou a situação ainda um pouco mais nebulosa.

Cintra saiu, segundo o próprio presidente Jair Bolsonaro, por insistir na criação de um imposto nos moldes da antiga CPMF, necessário para cobrir a queda da arrecadação que viria com o fim da cobrança de contribuição previdenciária sobre a folha salarial das empresas. “A recriação da CPMF ou aumento da carga tributária está fora da reforma tributária por determinação do presidente”, escreveu Bolsonaro no Twitter.

GUEDES APOIAVA – Mas a nova CPMF não era, obviamente, uma ideia defendida apenas por Cintra. Fazia parte do projeto que vinha sendo elaborado pela equipe econômica, e contava com o apoio de Paulo Guedes. O ministro chegou a falar, depois de uma reunião com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que, se a alíquota do novo tributo fosse baixinha, não iria “distorcer tanto” a economia.

Na verdade, a nova CPMF era um pilar fundamental do projeto do governo, apesar de o presidente Jair Bolsonaro afirmar o tempo inteiro ser contra. E, após a saída de Cintra, será difícil para a equipe econômica continuar insistindo no tema. Em entrevista aqui para o Estadão após sua saída, o agora ex-secretário da Receita voltou a afirmar que a nova CPMF é a única alternativa para desonerar a folha de pagamento das empresas.

Mas a recriação de um imposto tão controverso, mesmo que com as melhores intenções possíveis, seria um desgaste político que provavelmente Bolsonaro não vai querer enfrentar.

 

REFORMA DISPUTADA – Enquanto isso, Câmara e Senado disputam o protagonismo da reforma tributária. Na Câmara, a proposta do deputado Baleia Rossi (MDB-SP), baseada no projeto do economista Bernard Appy, já está na Comissão Especial, na fase de recebimento de emendas. Mas Rodrigo Maia sinalizou que iria esperar o governo mandar a proposta dele, para tentar amarrar tudo num projeto só.

No Senado, um outro projeto,  baseado na proposta do ex-deputado Luiz Carlos Hauly, também está em tramitação. A expectativa era que fosse votado na Comissão de Constituição e Justiça da casa ainda este mês. Mas também havia a expectativa do envio da proposta do governo, o que agora parece um pouco mais distante.

A reforma tributária, tão importante, se transformou em uma grande incógnita. No final das contas, há projetos demais – empresários reunidos no grupo Brasil 200 têm uma proposta, os Estados levaram mais ideias esta semana a Rodrigo Maia – e, mais uma vez, há uma grande desarticulação do governo.

UM VESPEIRO – Já foi assim com a reforma da Previdência, que acabou saindo  muito mais graças à movimentação das lideranças partidárias no Congresso, que se deram conta de que era preciso fazer algo para tentar tirar o País do buraco em que se encontra. Mexer nos impostos, porém, parece ser um vespeiro ainda maior. Seria bom que o governo realmente se empenhasse nisso.

Mas, como disse o cientista político Fernando Limongi, em evento realizado esta semana pelo Estadão e pelo Ibre/FGV, os interesses do presidente parecem neste momento estarem restritos à agenda familiar: garantir a nomeação do filho Eduardo como embaixador em Washington e proteger outro filho, Flávio, das investigações da Polícia Federal e do Coaf.

General Heleno perde a linha ao defender o “embaixador” Eduardo Bolsonaro

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General Heleno perdeu a oportunidade de ficar calado

Vicente Limongi Netto

Perplexo, lamento a estranha corajosa e ácida atitude do  destemido ministro/general Augusto Heleno, meu amigo há 30 anos, ao insultar as memórias do presidente Itamar Franco e do general Lyra Tavares, ex-ministro do Exército e também ex-membro da Academia Brasileira de Letras, que não podem mais se defender das acusações do chefe militar, a pretexto de defender o categorizado fritador de hambúrguer para se tornar embaixador nos Estados Unidos.

Quanto ao ex-deputado federal Delfim Netto, também atacado por Heleno, creio que o escrivão licenciado da Polícia Federal Eduardo Bolsonaro não tem competência profissional nem currículo para ser comparado ao ex-ministro da Fazenda dos governos militares e professor emérito da Universidade de São Paulo.

SABATINA – Alquimistas palacianos insistem na abissal tolice: pensam (ôpa, foi mal!) que na sabatina conquistarão votos de senadores para o fritador de hambúrguer Eduardo Bolsonaro, pelo simples fato de o deputado ter ido de pingente do ministro Ernesto Araújo ao encontro com o presidente Donald Trump.

Tem foto do encontro do século. Pena que o erudito Eduardo Bolsonaro tenha se recusado a dar entrevista à imprensa norte-americana, deixando de exibir seu fulgurante inglês aos jornalistas.

Desfazendo um velho equívoco: a UnB foi criada por Juscelino e não por Darcy Ribeiro

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JK e Lúcio Costa, quando tudo era ainda apenas um sonho

Vicente Limongi Netto

Darcy Ribeiro não fundou a UnB coisíssima alguma. Inacreditável e deplorável que a monumental falácia seja alimentada por profissionais ilustres ou simplesmente desinformados e reféns de patrulhas ideológicas. Na Biblioteca Central da UnB tem fita gravada e a transcrição da conferência de Ciro dos Anjos, ex-secretário particular de JK, realizada no auditório da Reitoria, em que relatou, mais uma vez, os fatos que alguns pretendem negar.

Vitor Nunes Leal, ex-ministro do Supremo, que também confirmou a versão ao ex-reitor José Carlos Azevedo, havia pedido demissão da chefia da Casa Civil de Juscelino e sabia que o presidente queria a sua volta. Chamado por JK para procurá-lo, passou antes no escritório do também ex-ministro do STF, Osvaldo Trigueiro, que confirmou essa história, pois Vitor Nunes Leal lhe relatou sua preocupação de receber um convite irrecusável de Juscelino para voltar à Casa Civil.

SUGESTÃO – Trigueiro aconselhou-o a iniciar a conversa sugerindo a JK a criação de uma universidade em Brasília, achando que seria uma medida inaceitável para o presidente. Mas o erudito Leal então lembrou a JK que o epitáfio escolhido por Thomas Jefferson, terceiro presidente dos Estados Unidos, que está em sua sepultura em Montebello, diz o seguinte:

“Aqui jaz Thomas Jefferson, autor da Declaração da Independência Americana, do Estatuto da Liberdade Religiosa na Virgínia, e pai da Universidade de Virgínia”. Não menciona ter sido presidente dos EUA.

JK ACEITOU – O presidente Juscelino gostou da ideia, chamou Ciro dos Anjos e deu-lhe a missão de elaborar os atos da criação da UnB, cujo marco inicial foi o radiograma de JK ao ministro da Educação, Clóvis Salgado, datado de 2 de abril de 1960:

“Ministro Clóvis Salgado, a fim de completar panorama cultural nova capital não posso deixar de fundar a universidade de Brasília, portanto, peço estudar plano e redigir mensagem a ser enviada ao Congresso tendo em vista desse objetivo pt precisamos porém criar universidade em moldes rigorosamente modernos pt gostaria remeter mensagem congresso dia 21 abril pt sds JK”.

Portanto, não tem amparo nos fatos e é rigorosamente falso atribuir a Darcy Ribeiro a iniciativa de criação da UnB. Foi Juscelino quem a teve e determinou todas as providências para criá-la. E foi Clóvis Salgado que as levou a bom termo. Na comissão criada, em que Darcy era um dos participantes, seu papel foi secundário. 

PODEM PESQUISAR – Quem se interessar em detalhes, pode consultar, além do depoimento de Ciro dos Anjos, na biblioteca da UnB, os relatos de Clóvis Salgado e de historiadores da Universidade Federal de Minas Gerais, com perto de 10 horas de duração, que integram o projeto “História Viva” daquela universidade.

Em artigo na Folha de São Paulo de 15 de setembro de 1986, na sua costumeira vesânia, Darcy afirmou ser o fundador da Universidade Nacional da Costa Rica, que foi fundada em 1970, pelo padre Benjamin Nunes Gutierrez. Na verdade, Darcy apenas colaborou, como fez em universidades do Chile, Peru, Venezuela, México e Uruguai.

Em Brasília, Darcy Ribeiro, como ministro da Educação de João Goulart, concluiu a obra iniciada por Juscelino. O jornalista, professor e escritor Ciro dos Anjos, nascido na mesma cidade de Darcy, Montes Claros, em Minas Gerais, insinuou que lhe cabia a explicação por ter incluído Darcy na comissão e sugerido seu nome para reitor, quando não havia candidato a esse cargo e a UnB só existia no papel.

Governo achou um sabujo para exigir votos em favor de Eduardo Bolsonaro

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Charge do Son Salvador (Arquivo Google)

Vicente Limongi

O governo procura, urgente, um senador capacho para desempatar o jogo, e votar a favor para aprovar o nome do ex-escrivão da Polícia Federal e deputado Eduardo Bolsonaro, na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional, como embaixador brasileiros nos Estados Unidos. É este o quadro sombrio e medíocre do atual Senado Federal. 

O governo fez das tripas coração e emoção. Demorou, mas achou um graduado capacho, engravatado e ajoelhado, ansioso para satisfazer mais uma excrescência do chefe da nação.

UM DESLUMBRADO – O nome do sabujo é Davi Alcolumbre (DEM-AP). A missão do bajulador:  brigar como se estivesse atrás de um prato de migalhas políticas em busca de votos para a aprovação da indicação do ex-escrivão e fritador de hambúrguer, na Comissão de Relações Exteriores e no plenário.

Demagogo, medíocre e deslumbrado presidente do Senado, Alcolumbre foi eleito para o cargo em disputa confusa, tumultuada e estranha. Sua eleição patrocinada pelo Palácio do Planalto, através de outro indecoroso parvo, também do DEM, o gaúcho ministro que tem sobrenome de chuveiro, Lorenzoni de tal. Nesse sentido, revela Denise Rothenburg, no Correio Braziliense de hoje, dia 17, que o roliço Alcolumbre, sem nenhum constrangimento, “passou a trabalhar, dia e noite, pela aprovação do nome de Eduardo Bolsonaro”.

Triste, melancólico, vergonhoso e patético senado federal. O torpe, cretino e imundo argumento, prossegue a colunista do Correio, é que ainda estão longe as eleições de 2022. As convicções e esperanças dos eleitores que se danem.

VOTAÇÕES SECRETAS – Denise Rothenburg conclui a notícia, merecedora de charge do assombroso Alcolumbre, com outra inacreditável, cínica e covarde alegação: os ingênuos e ludibriados eleitores não saberão os nomes dos senadores que dobraram a espinha para Bolsonaro, porque as votações serão secretas. Tanto na sabatina da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional e, a seguir no plenário do senado, quando votarão os 81 senadores. Mesmo que a comissão rejeite o nome, quem decide é o plenário. 

Breve a nação estarrecida saberá quem sairá vencedor: o fanfarrão e grosseiro Bolsonaro, que se julga dono do Senado e do Universo, ao ponto de insistir em tornar embaixador um parlamentar desqualificado para a importante função, ou os senadores ainda vocacionados para o bem comum, que não aceitarão essa farsa, pois foram eleitos para honrar o mandato trabalhar, sem trégua, para melhorar a qualidade de vida da maioria esmagadora dos brasileiros. Sem cair no impaludismo da mediocridade de  ameaças, vinganças e leviandades dos arrogantes sacripantas, poderosos de plantão.

Indicação de Eduardo Bolsonaro para a Embaixada nos EUA é um atentado ao bom senso

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Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Vicente Limongi Netto

A indicação do presidente da República para o filho Eduardo Bolsonaro vir a ser embaixador do Brasil nos Estados Unidos, sob qualquer aspecto, é um atentado ao bom senso e um colossal desrespeito aos valorosos, experientes, estudiosos, respeitados e competentes diplomatas de carreira. Melancólica e profunda patetice. Mais absurdo ainda é que o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, não proteste contra a decisão insana do chefe da Nação e, pelo contrário, a apoie entusiasticamente.

O cientista politico Paulo Kramer tem razão: “O Brasil é invisível perante o mundo”. Só consegue sair da obscuridade quando seus governantes metem os pés pelas mãos com destemperos e sandices. 

MOTIVO DE CHACOTAS – Bolsonaro insiste em tornar o Brasil um país de galhofeiros e motivo de chacotas no exterior. Deveria completar a pantomima indicando o filho Carlos para ser embaixador na Itália e o filho Flávio para embaixador na França.  Apequenaria mais ainda o Brasil aos olhos do mundo, mas seria a glória dos deuses  para a família Bolsonaro. 

A sabatina no Senado para aprovar ou rejeitar o nome do poliglota deputado Eduardo Bolsonaro, suposto “amigo de infância” dos filhos de Trump, tem o dever de atuar com isenção, firmeza e independência. Os senadores não podem dobrar a espinha e engolir pela goela abaixo mais uma diatribe do chefe do governo que depõe contra o Brasil.

Degradada por sucessivos governadores, Brasília se tornou um triste retrato do Brasil

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Brasília cresceu, envelheceu e se degradou muito rapidamente

José Antonio Perez

O jornalista Vicente Limongi tem toda a razão quando diz que Brasília envelheceu muito rapidamente e hoje tem todos os problemas de uma grande cidade como as outras, com o agravamento de não haver indústrias por aqui (empregos de qualidade e em grande número). E Brasília não era para ser uma cidade qualquer… Sucessivos governantes estragaram a cidade “nas barbas” dos presidentes de plantão, que se omitiram sem nenhuma providência tendo sido efetivamente tomada!

Nenhum presidente depois de Juscelino Kubitschek teve amor pela cidade e por isso nenhum deles se importou com as atitudes absurdas que literalmente destruíram e inviabilizaram a capital. Na era FHC, por exemplo, transformaram a Esplanada dos Ministérios em atalho para cidades satélites, após a construção de uma nova ponte, e até os vidros do Palácio do Planalto tiveram que ser trocados em função disso.

EM FRENTE AO ALVORADA – FHC também assistiu ao surgimento de um condomínio irregular (ilegal, na verdade) em frente ao Palácio da Alvorada, o Village Alvorada, e nada fez, mesmo observando o triste espetáculo de camarote na outra margem do lago e bancando a cidade através do fundo constitucional do DF.

A maior tragédia nisso tudo é a total falta de noção do significado de “elencar prioridades”. São governadores medíocres, como ficou demonstrado na recente inundação da cidade. Não investiram um níquel no sistema de escoamento da água da chuva, orçado em algumas dezenas de milhões de reais, mas torraram 1,2 bilhão de reais numa “arena” que não serve para nada, apenas para dar despesas astronômicas aos contribuintes.

FALSOS GESTORES – São governadores de fantasia, “gestores” de seus próprios interesses. Onde andam os tais “operadores” de propina que ostentavam, levando vida de milionários, e foram soltos rapidamente por conta das leis frouxas e juízes bandidos? Onde andam? Onde se encontra aquele mal-encarado Fernando Baiano, que servia ao MDB? Cadê essa gente?

Foram soltos, trabalham ou levam vida de rei com dinheiro roubado curtindo um semiaberto? É uma vergonha o que aconteceu com o país e Brasília se tornou o retrato dos tempos atuais neste pobre país rico.

Adeus, Brasília, a “Capital da Esperança”. O sonho, infelizmente acabou!

No aniversário dos 59 anos, Brasília demonstrou que também é uma cidade despreparada

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Você acredita que está fotografia foi realmente tirada em Brasília?

Vicente Limongi Netto

A linda, maravilhosa, limpa, encantadora, singela, modelar, intocável, bela e moderna Brasília foi saudada pelos deuses com um colossal e transbordante aguaceiro. Ficou submersa. Depois do porre pelos 59 anos de vida, veio a ressaca para os brasilienses. A exuberante, agradável, sorridente, iluminada, segura e feliz capital de todos os brasileiros não resistiu aos ferimentos.

Reviveu o caos de uma antiga, massacrante e perigosa tragédia anunciada. Mostrou a cruel realidade: uma Brasília com os mesmos e graves problemas de outras capitais.

DEBAIXO D’ÁGUA – O temporal não colocou freios. Afundou a esbelta e jovial BrasÍlia. Deixou chorando no céu, Juscelino Kubitschek,Oscar Niemeyer, Lúcio Costa e outros amados pioneiros. As águas dos 59 anos de BrasÍlia invadiram prédios, garagens, lojas, bares, repartições, porões, restaurantes, salas de aulas, mansões, hospitais, prontos-socorros, centros esportivos, templos religiosos, ruas, avenidas, becos, passagens subterrâneas, tesourinhas, vielas, bancas de revistas, pontos de táxi, hotéis, cemitérios, delegacias e pensionatos.

Arrancou árvores, placas, telhas, casas e barracos. O asfalto ruim, virou lama. Atravancou a vida da população. Carros e motos boiando e levados pela força das águas. O brasiliense viu que aqui foi o contrário: depois da alegria e bonança pelos 59 anos, veio a impiedosa tempestade, a agonia, o lamento e o pranto.

Na impunidade de Brasília, quadrilha explode caixas eletrônicos próximo ao Alvorada

Caixas eletrônicos explodidos em hotel de Brasília — Foto: Reprodução/TV Globo

Os criminosos não respeitam mais nem área de segurança nacional

José Antonio Perez

O jornalista Vicente Limongi tem toda a razão ao dizer que Brasília envelheceu muito rapidamente e hoje tem todos os problemas de uma grande cidade qualquer, com o agravamento de não haver indústrias por aqui (empregos de qualidade e em grande número). Brasília não era para ser uma cidade qualquer! Governantes locais estragaram a capital “nas barbas” dos presidentes de plantão, que se omitiram sem nenhuma providência tendo sido efetivamente tomada! Nenhum presidente depois de JK teve amor pela cidade e por isso nenhum deles se importou com as atitudes absurdas que literalmente destruíram e inviabilizaram Brasília.

Na era FHC, por exemplo, transformaram a esplanada em caminho para cidades satélites, após a construção de uma nova ponte, e até os vidros do Palácio do Planalto tiveram que ser trocados em função disso.

ILEGALIDADES – FHC também assistiu ao surgimento de um condomínio irregular (ilegal, na verdade) em frente ao Palácio da Alvorada (Village Alvorada) e nada fez mesmo, observando o triste espetáculo de camarote na outra margem do lago e bancando a cidade através do fundo constitucional do DF.

Adeus Brasília, a “Capital da Esperança”, o sonho, infelizmente acabou! Para ilustrar o que virou Brasília, me chegou agora essa informação terrível; assalto ao Golden Tulip Hotel com explosões de caixas eletrônicos. Para quem não conhece Brasília, esse hotel (antigo Blue Tree) é o predileto dos políticos e autoridades estrangeiras e fica ao lado do Palácio da Alvorada, em área de segurança nacional.

Relatos de moradores do hotel: “Muito triste a situação do país de uma forma geral, mas estamos ao lado de uma área de segurança nacional…” ; “Realmente foi uma explosão , explodiram os caixas eletrônicos da garagem para assaltar”; “Os assaltantes se evadiram , a polícia e o esquadrão antibombas estão na área”: “Depois desse barulho, o problema foi a fumaça que entrou no ar condicionado…”.

https://g1.globo.com/df/distrito-federal/noticia/2019/03/28/ladroes-explodem-caixas-eletronicos-em-hotel-de-luxo-vizinho-ao-palacio-da-alvorada.ghtml

 

Abandonada, Brasília chega ao aniversário de 59 anos como uma cidade feia e velha  

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Brasília se tornou uma espécie de retrato da derrocada do país

Vicente Limongi Netto

Amo Brasília. Quem não gosta de Brasília são seus infelizes governantes. Perto de completar 59 anos, tornou-se uma cidade comum, igual às outras. Em alguns aspectos, até pior. Crimes, assaltos, feminicídios, roubos, sequestros, assassinatos são constantes. Em todo canto. Faz tempo que o brasiliense não tem mais sossego, paz nem tranquilidade. O desemprego aumenta. O transporte coletivo é tenebroso. Os hospitais e prontos-socorros humilham o cidadão. As escolas são medonhas. Verdadeiros pardieiros. Viadutos caindo e inseguros. As cidades satélites são sujas e esburacadas.

Segurança, só se for nas mansões dos ricos, que mesmo assim não escapam da fúria dos marginais.

SAUNA OU FORNO – Os Postos de Polícia que ainda restam mais parecem saunas ou fornos micro-ondas, com dois ou três guardinhas de plantão, sem viaturas nem armas apropriadas.

Portanto, a meu ver, é uma colossal balela, um escárnio, os tolos encherem a boca para falar do céu bonito de Brasília. Dos encardidos projetos de Lúcio Costa e de Oscar Niemeyer, como se os brasilienses comessem concreto e cimento com arroz e feijão.

Brasília chega aos 59 anos feia e velha. Seus administradores, cada vez mais insensíveis, demagogos e incompetentes, estão se lixando para os graves problemas da população, embora botem uma banca danada e tentam posar de operosos. Morro de rir. Sei quem eles são.

Será mesmo apropriado ter um general como porta-voz da Presidência da República?

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General Rego Barros jamais teve experiência nesta função

Vicente Limongi Netto

Todos falam e ninguém diz nada que se aproveite. Bolsonaro precisa urgente ter um habilidoso e competente porta-voz. Informações do governo precisam ser uniformizadas e filtradas. Presidente da República não tem que descer do carro, parar na esquina ou na saída do prédio, com o sol a pino, falar com repórteres em tumultuadas entrevistas. Ninguém se entende. A informação sai apressada e insegura. Bolsonaro pode e deve se manifestar nas redes sociais, mas o cotidiano da notícia é tarefa do porta-voz da presidência. Os repórteres credenciados no Planalto têm melhores condições de receber, trabalhar e valorizar a informação.

Todos os órgãos e entidades, civis, militares, incluindo judiciário e esporte, têm porta-voz, conhecido como assessor de imprensa. A tarefa da boa informação é árdua. Amadorismo em arte é um perigo. Tudo se destrambelha.

AMADORISMO – Opositores do governo são os que mais gostam das trombadas e trapalhadas. Onde já se viu uma ministra criticar, publicamente, ações de outro ministério, no caso o da Educação? O profissionalismo precisa entrar em campo. Logo, urgente e permanente. Mas com porta-voz palaciano que seja respeitado, tenha trânsito e seja ouvido pelo próprio presidente.

Não fica bem para o porta-voz acordar e, escovando os dentes, saber que Bolsonaro anunciou, pelo twitter, ou pela rádio A B ou C, decisão que teria que ser feita ao público, aos brasileiros, em coletiva no Planalto ou através de informações do porta-voz oficial.

Bolsonaro também não pode escolher apenas um veículo de imprensa para se comunicar com a população. Não é decisão inteligente. Estará criando arestas e descontentamento à toa.

COM SINTONIA – Porta-voz palaciano e assessores de imprensa de ministérios, autarquias e estatais, precisam manter razoável sintonia. Desmentidos são desgastantes.

Entre membros do governo e começa a soar mal entre a população. Sobretudo entre os eleitores de Bolsonaro. Tido por eles como presidente na terra e Deus no céu.

A meu ver, é completamente diferente comandar o Centro de comunicação social do Exército e ser porta-voz da presidência da República. Nada contra o general Rêgo Barros, do qual tenho boas referências pessoais e profissionais. Seguramente, na comunicação do Exército, o general passava dias sem fornecer informações à imprensa. Creio que lá não há nem repórteres credenciados. Assim é moleza.

FOGO CERRADO – Como porta-voz da Presidência da República, Rêgo Barros vai lidar com dezenas, talvez centenas, de repórteres. Viverá dias inesquecíveis e emocionantes. Terá que conviver com briosos repórteres credenciados que não vão se contentar com poucas notícias. Muito menos os veículos que representam.

Também precisará ficar atento aos horários. Porque informação fornecida à imprensa depois das 17 horas ou tarde da noite, perderá muito da validade e importância. Redações de jornais, televisões e revistas, brigam contra o tempo. Funcionam como pronto-socorro. A correria é total. É preciso agilidade para fornecer a notícia. Não sei se o general porta-voz receberá notícias mastigadas e prontas para passar aos credenciados, o que será lamentável, ou se terá autonomia para fornecer mais informações e detalhes que valorizem mais ainda a notícia. Boa sorte, general.

Lasier “espanca” a Constituição ao exigir voto aberto no Senado, diz Renan

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Charge do Son Salvador (Charge Online)

Vicente Limongi Netto

O senador Renan Calheiros afirmou , no Twitter, que o senador Lasier Martins (PSD-RS) “espanca” a Constituição ao entrar com mandado de segurança, no Supremo Tribunal Federal, pelo voto aberto na eleição de presidente da Casa. “É um parlamentar espancando a Constituição ao pedir intervenção de um Poder no seu próprio Poder para constranger colegas. É assim que a roda gira”, afirmou.

O relator do pedido de Lasier será o ministro Marco Aurélio Mello. Segundo Renan, “a independência, a separação e a harmonia dos Poderes, desenhadas por Montesquieu, aguardam com apreensão sua decisão”.

COAÇÕES – Renan disse também que setores da primeira e segunda instância da Justiça e do Ministério Público Federal “coagem” ministros e “usurpam competências” dos tribunais superiores. De acordo com ele,isso acontece porque foram aprovados no Senado projetos como o fim das aposentadorias como “prêmio” para juízes e promotores que cometem ilícitos; o fim dos supersalários; a Lei do Abuso de Autoridade e a nova Lei de Licitações. “Mas eles não deixam que nada disso ande na Câmara. Também coagem os deputados”.

“O próprio CNJ, que criamos para fazer o controle do Poder, enfrenta dificuldades para fazer sua parte. Agora, me anima o fato de termos na Corregedoria Nacional de Justiça um jovem ministro do STJ, Humberto Martins, que, se quiser, tem força para puxar a casaca dessa gente.

Meu comunista de estimação não enviou mais mensagens

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Djalma Limongi era uma notável presença na noite

Nelson Motta
O Globo

Conheci Djalma Limongi em 1971, com administrador da produção de “Apareceu a Margarida”, com Marilia Pêra, no Teatro Ipanema. No pior da ditadura, uma peça de teatro com uma professora tirânica, desbocada e anárquica dando uma aula furiosa para seus alunos – a plateia.

A peça de Roberto Athayde era uma “metáfora explicita do que vivíamos. O público era tratado como uma classe de idiotas e analfabetos e a interpretação de Marilia lhe rendeu todos os prêmios e um sucesso espetacular de público. Mas também muito medo da Censura, que tirou a peça de cartaz três vezes, e de ser chamada para explicações no DOPS. Tive que ir a Brasilia duas vezes para discutir com o general Antonio Bandeira, um cearense atarracado e brabo, que no ano seguinte comandaria o combate à guerrilha no Araguaia, e negociamos o corte de alguns palavrões e referencias sexuais, e a peça foi re-liberada. Ele não tinha idéia sobre o que estava falando.

Djalma era comunista, ligado a Paulo Pontes, Vianinha, Dias Gomes, Augusto Boal, o pessoal do Opinião, e outros comunas e simpatizantes secretos, e naturalmente adorava a “Margarida”. Mas tínhamos muito medo de reações violentas, várias pessoas se levantavam no meio da peça indignadas e saiam gritando impropérios. Uma dessas era a mulher de um general, e, no dia seguinte, a peça foi proibida.

Os dias eram assim. Djalma sempre do lado. Barbudinho, é claro, Djalma se vestia com despojamento, mas usava uma incrível piteira, que lhe dava um ar aristocrático em contraste com seu marxismo militante. Eu adorava discutir politica com ele. Teorias conspiratórias. Paranóias delirantes. As noites eram assim.

A vida nos levou pelos mesmos caminhos muitas vezes. Do teatro politico ele acabou comigo em festivais de rock, para me ajudar a administrar aquelas loucuras perigosas em 1975, com o “Hollywood Rock”, e o “Som, Sol e Surf” em Saquarema, no ano seguinte, e finalmente, virou administrador de uma impensável … discoteca. A Frenetic Dancin’Days Discotheque, no Shopping da Gávea, onde nasceram as Frenéticas e a inspiração de Gilberto Braga para a ambientação da sua novela Dancin’Days.

Foram só quatro meses, mas triunfais, e Djalma e sua piteira administrando aquele desvario de um bando de amigos doidões, o DJ Dom Pepe, o produtor Léo Netto e a jornalista Scarlet Moon. Nada mais improvável do que Djalma numa discoteca.

Mas ele foi fundamental, não só com o seu trabalho, mas com seu humor, sua ironia, e tambem no convivio, com uma falsa sisudez que escondia um homem amoroso e delicado. E culto e inteligente. E, sim, com seu charme de durão e sua conversa mole, sim, ele tambem tinha, sempre atraiu garotas bonitas à sua volta.

De lá fomos para o Morro da Urca, com o Noites Cariocas, durante a década de 80, Djalma administrando quatro mil jovens subindo de bondinho toda sexta e sabado para a ilha de liberdade e alegria que era o “Noites”. Era ele, sempre foi, o cara que cuidava do dinheiro, que dava limites e prudencia a meus desvarios com seu bom senso e lealdade.

Sempre gostamos de discutir politica. Na ditadura, com posições bem próximas, porque todos eram contra. Mas tambem depois na democratização, porque ele continuou comunista, mas na legalidade, e eu fui me tornando um liberal radical do tipo independente, com horror a partidos, seitas e torcidas organizadas.

Discutimos politica a vida inteira, com cortesia e respeito, ultimamente pelo WhatsApp. Quase todo dia quando acordava tinha uma mensagem provocativa do Djalma postada na alta madrugada quando ele ia dormir depois de mais uma noite recebendo amigos na Fiorentina, onde era muito mais do que um relações publicas, era a alma da casa.

A ultima foi: “Já comprei em doze prestações o terno que vou usar na posse do Lula.”

Eu respondi: “kkkkk”

Hoje não teve mensagem do Djalma, uma das melhores pessoas que conheci e uma das que mais amei.

Há risco de populismo no Brasil , mas não de ocorrer “venezuelização”

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Protestos não impedem o absolutismo na Venezuela

Marcus André Melo
Folha

O colapso da democracia na Venezuela, que ostentava a mais elevada renda per capita da América Latina, é anômalo. Não há golpes ou grande retrocesso democrático em países ricos. Embora a renda alta não engendre democracia, aumenta sua resiliência onde ela já se instalou, como Przeworski e Limongi demonstraram. Por outro lado, Robert Dahl nos ensina que os países que transitaram para a democracia via regimes oligárquicos competitivos (ex. Inglaterra no século 19) são menos propensos a sofrer reversões:  as elites políticas são socializadas em regras institucionais antes da extensão da participação política, via sufrágio universal.

Quando a participação se estende a toda a população, as instituições já estão enraizadas.  Não é o caso da Venezuela. Entre 1908 e 1935, o país foi controlado pelo caudilho Juan Gómez. Desde então, autoritarismo e nacionalismo se mesclaram de forma tóxica.

DÍVIDA EXTERNA – O nacionalismo foi alimentado pelo conflito com a Inglaterra — que chegou a bombardear Caracas —, devido ao não pagamento da dívida externa, e exacerbou-se após a descoberta do petróleo no país, em 1918, com as transações feitas por Gómez com a Standard Oil que o converteram no “homem mais rico da América Latina”.

“El Bagre” deixou 84 filhos e encarnou, como poucos na região, a “maldição dos recursos naturais”, inaugurando um ciclo de governos autoritários que durou até o pacto de Punto Fijo, em 1958. O país “pulou etapas”: não teve nem governos oligárquicos semicompetitivos (ex. República Velha) nem regimes populistas nacionalistas (Varguismo).

ALTERNÂNCIA – O Pacto funcionou bem durante três décadas. Os dois partidos principais concordaram em alternar-se no poder e estabelecer cotas partidárias na máquina pública.

O colapso das rendas petrolíferas, ao final dos anos 1980, e a insatisfação social com o que parecia ser um conluio oligárquico — em que pese o país ter o Gini mais baixo da região — minaram as bases do pacto. O boom de commodities reviveu o autoritarismo militarista com o coronel Chávez. Regressão à média?

CHANCES MÍNIMAS – Se Dahl estiver certo, as chances de venezuelização por aqui são mínimas devido ao nosso legado de pesos e contrapesos. Além do fato de que “é a tradição parlamentar, transmitida de geração a geração, desde 1823, e sempre subsistente apesar das poucas interrupções que faz o Brasil tão diferente dos vizinhos da América Latina” (Afonso Arinos).

Esse legado, é certo, não impediu o regime militar (mas explica o fato de que aqui o Congresso permaneceu ativo). Mas essa visão otimista perde força à luz da maré populista no mundo. Mesmo sem autoritarismo aberto, populistas podem fazer grandes estragos.

Esta não é a primeira greve de juízes para “legalização” de penduricalhos

Imagem relacionadaFrederico Vasconcelos
Folha

Em artigo intitulado “A casta de toga”, publicado em 28.2 no jornal Valor Econômico, Fernando Limongi, professor do Departamento de Ciência Política da USP e pesquisador do Cebrap, lembra que “não é a primeira vez que juízes pressionam o Supremo e ameaçam paralisar atividades”.

“Fizeram o mesmo em 2000, ano da aprovação da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e da imposição de tetos salariais. Cortes e austeridade fiscal para todos, menos para os magistrados”, diz o pesquisador.

Trechos do relato do professor Fernando Limongi:

Nelson Jobim, em seu depoimento à História Oral do Supremo, desce aos detalhes, narrando peripécias de fazer inveja a Pedro Malasartes. Jobim manipulou pauta do Supremo, blefou, ameaçou, fez acordos com líderes do movimento grevista e muito mais. Tudo para escapar dos limites impostos pelo teto constitucional sem parecer que o Supremo cedera ao ‘sindicato’. Para tanto, contou com a anuência do Presidente Fernando Henrique e fez tabelinha com o então ministro Chefe da Casa Civil, Pedro Parente –a quem define como um ‘craque’ — e com Gilmar Mendes, à época na Advocacia Geral da União.

Eis o resumo da ópera: “Aí você via as coisas mais malucas.(…) Tinha gratificação por… curso superior [risos]. Sabe disso? Tinha gratificação não sei do quê…,tinha o diabo de gratificação. (…) Eu absorvi tudo isso dentro do valor, então legalizei… E o Pedro Parente teve uma figura muito importante. (…) Todos aqueles penduricalhos que tinham, tudo ficou legalizado (…). Percebeu a lógica? Em vez de dizer que era ilegal, eu dizia que aquilo ali que tu recebeu passou a ser legalizado, porque passou a ser integrante do salário.”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGQuando se manifesta em pessoas que são profissionais em julgar o comportamento dos outros, este tipo de corporativismo é um sintoma de que a sociedade está apodrecida, apenas isso. Quanto ao comportamento de Nelson Jobim, nenhuma novidade. Ele é aquele político que confessou ter fraudado os trabalhos da Constituinte para garantir o pagamento aos bancos, lembram?. (C.N.)

Evolução dos votos brancos e nulos exibe a desilusão com a política brasileira

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Bruno Carazza
Folha

Três grandes temas dominaram as análises sobre os resultados das últimas eleições municipais no Brasil: o fraco desempenho do PT, o sucesso de candidatos que se apresentaram como não-políticos (Dória, Kalil etc.) e o elevado índice de abstenção nas principais cidades brasileiras. No calor dos resultados das urnas, esses três movimentos foram imediatamente relacionados com a descrença da população com o modo tradicional de fazer política, ainda mais diante das revelações da Operação Lava-Jato. Poucos dias depois, o então presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Gilmar Mendes, e alguns analistas começaram a desconstruir a tese de que a elevada abstenção seria um protesto “contra tudo o que está aí”.

Em artigo na Folha, o cientista político Fernando Limongi disse  que a causa para a sensação de que muita gente ter deixado de comparecer às urnas, segundo o pesquisador, estava relacionada a defasagens no cadastro eleitoral do TSE, que não contabilizava eleitores já falecidos ou que migraram para cidades distantes. A partir daí a discussão morreu, e aparentemente ninguém falou mais sobre isso.

NOS CÁLCULOS – Para dar uma dimensão mais exata desse fenômeno, calculei as taxas de votos em branco e nulos sobre o total dos eleitores que compareceram à votação (e não sobre o total do eleitorado, como normalmente se faz) nas últimas eleições brasileiras.

Na era da urna eletrônica, quem aparece para votar e quer protestar contra a “farsa das eleições” tem duas opções: ou aperta o botão “branco” ou digita um  número que não foi atribuído a nenhum candidato ou partido e depois “confirma”.

Há uma nítida tendência de crescimento dos índices de votos brancos e nulos a cada eleição no Brasil, atingindo todos os cargos em disputa. Esses percentuais são mais baixos para o cargo de Presidente da República – a disputa com maior repercussão na mídia e que polariza nosso posicionamento político –, mas já atingem níveis preocupantes nos outros cargos, como nas eleições para senador, em que quase um quarto de todos os que foram às urnas votaram em branco ou anularam o voto em 2014.

ERRO DO ELEITOR?  –  Há suspeitas de que tanto o voto em branco quanto o voto nulo estejam associados não ao protesto, mas a um erro do eleitor. Isso pode acontecer tanto com o cidadão que teve “um branco” e esqueceu o número do candidato, quanto com aquele que se enrolou todo com a urna e apertou qualquer coisa para se livrar logo daquela obrigação. Infelizmente, isso é mais comum do que se imagina no Brasil, dado o grande contingente da população com baixa escolaridade ou pessoas idosas com pouca habilidade em lidar com sistemas eletrônicos.

É importante lembrar que esses erros na votação, que podem na invalidação dos votos, são potencializados pela realização de várias eleições simultâneas no Brasil. Para você ter uma ideia, em 2018 cada eleitor vai votar 6 vezes de uma só vez: presidente, governador, dois senadores, deputado federal e deputado estadual/distrital. Nessas condições, não é impossível alguém se perder em meio a tantos nomes e números e acabar teclando “branco” ou confirmando um número errado.

ESCOLARIDADE – Para tentar elucidar se os votos brancos e nulos estão mais relacionados com erros do eleitor no momento da votação do que com algum tipo de protesto contra a política brasileira fiz um exercício simples. Minha hipótese é que nos locais em que há mais pessoas com baixa escolaridade é de se esperar que o percentual de votos inválidos seja maior. Ou seja, pessoas com pouca instrução teriam mais problemas com a urna, o que levaria a mais votos nulos e em branco.

Para isso, coletei os dados das votações de todas as zonas eleitorais brasileiras em todos os municípios de 2002 em diante – nesse período a votação já havia se tornado 100% eletrônica em todo o território nacional. Calculei então o percentual de votos brancos e nulos para cada cargo em disputa e correlacionei com o índice de baixa escolaridade dos eleitores naquela zona eleitoral. Como baixa escolaridade eu considerei o percentual de eleitores analfabetos ou com no máximo ensino fundamental incompleto.

Os gráficos mostram um fato interessantíssimo: para todos os cargos, a reta que indica a correlação entre os percentuais de baixa escolaridade e de votos brancos e nulos nas zonas eleitorais brasileiras vai de positivamente inclinada para negativamente inclinada do início da década de 2000 até as eleições de 2014 e 2016.

É PROTESTO, MESMO – Traduzindo para o português, isso significa que enquanto no passado zonas eleitorais com baixa escolaridade produziam mais votos em branco e nulos (o que comprova a tese do erro no uso da urna eletrônica), nas últimas eleições essa relação é negativa: os votos brancos e nulos aparecem com mais frequência nas regiões com escolaridade mais alta. Além disso, a inclinação da reta torna-se mais intensa, assim como os coeficientes de correlação – indicando que esse fenômeno tem se intensificado nos últimos anos.

Como essa tendência é observada para todos os cargos, acredito que temos elementos suficientes para desconfiar que esse movimento de crescimento de votos brancos e nulos não tem a ver com erros na votação, mas sim a um comportamento do eleitor, principalmente nas regiões de mais alta escolaridade (e, extrapolando, mais alta renda).

Essa tendência se adequa à narrativa de que, mesmo antes das manifestações de junho de 2013, a forma tradicional de fazer política vem sendo contestada nos principais núcleos urbanos brasileiros. O crescimento dos votos nulos e brancos seria, assim, uma medida do descompasso de partidos e candidatos em levarem em conta a pauta de ambições da sociedade, que a meu ver se tornou mais exigente de 2013 pra cá.

Palocci acusa Asfor Rocha. ex-ministro do STJ, de aceitar propina de R$ 5 milhões

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Asfor Rocha revida e diz que vai processar Palocci

Flávio Ferreira e Estelita Hass Carazzai
Folha

Em negociação de delação premiada, o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci afirmou que o ex-presidente do STJ (Superior Tribunal de Justiça) Cesar Asfor Rocha recebeu suborno no valor de pelo menos R$ 5 milhões da construtora Camargo Corrêa para barrar a Operação Castelo de Areia da Polícia Federal. Além da Camargo Corrêa, a operação deflagrada em 2009 tinha como alvos outras empreiteiras e políticos posteriormente investigados na Operação Lava Jato.

Palocci disse que o acerto com Rocha foi comandado pelo advogado Márcio Thomaz Bastos, morto em 2014, e incluía também a promessa de apoio para que o então magistrado fosse indicado para uma vaga no STF (Supremo Tribunal Federal) – o que acabou não acontecendo.

CONTA NO EXTERIOR – O repasse para Rocha foi depositado numa conta no exterior, segundo Palocci, que está preso em Curitiba e negocia um acordo de delação premiada.

Asfor Rocha, a Camargo Corrêa e a família de Bastos negam a acusação do ex-ministro. A Castelo de Areia foi interrompida por uma medida liminar concedida por Rocha, então presidente do STJ, em janeiro de 2010.

A alegação dos advogados da Camargo Corrêa, acolhida pelo à época ministro, foi a de que as interceptações telefônicas da operação, principal base das investigações, tiveram origem apenas em uma denúncia anônima, o que seria ilegal. Naquele ano, levantamento do STJ feito a pedido da Folha revelou que era inédita a decisão de Rocha.

CONTRADIÇÕES – A apuração mostrou também que, antes e depois da concessão da liminar, Rocha decidiu pela validade de investigações iniciadas com denúncias anônimas.

Em março de 2011, o julgamento final sobre a legalidade da operação começou a ser feito pela 6ª Turma do STJ, da qual Rocha não fazia parte.

Na ocasião, a ministra relatora do caso, Maria Thereza de Assis Moura, votou pela anulação da operação e o ministro Og Fernandes, pela regularidade das investigações da Polícia Federal.

Porém, após o empate, o julgador Celso Limongi pediu vista e a apreciação da causa foi interrompida.

VOTO DE LIMONGI – No mês seguinte, o caso foi retomado com voto de Limongi favorável à tese da Camargo Corrêa. O ministro Haroldo Rodrigues seguiu o mesmo entendimento e o resultado final foi de 3 a 1 pela ilegalidade dos grampos.

A decisão resultou na anulação total da operação e de todos os seus desdobramentos, que envolviam outras construtoras e políticos, inclusive obras da Petrobras posteriormente investigadas na Lava Jato – como as refinarias Abreu e Lima, em Pernambuco, e Getúlio Vargas, no Paraná. Palocci não mencionou nas tratativas de colaboração premiada repasses diretos aos ministros da 6ª Turma do STJ que julgaram a causa.

DOIS MINISTROS – Palocci e Bastos ocuparam ministérios no primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Bastos foi ministro da Justiça até março de 2007 e Palocci ministro da Fazenda até março de 2006, após assumirem em janeiro de 2003.

Depois de saírem dos cargos na administração de Lula, eles mantiveram relações comerciais. Quando Palocci abriu sua consultoria, a Projeto, Bastos se tornou o segundo maior cliente da empresa.

O escritório do advogado fez repasses de R$ 5,5 milhões à Projeto, entre 2008 e 2011, segundo dados registrados pela Receita Federal. À época, tanto Bastos quanto Palocci atribuíram os pagamentos ao grupo Pão de Açúcar, como resultado de assessoria nas negociações da fusão entre a companhia e as Casas Bahia.

APOSENTADORIA – Rocha obteve aposentadoria do tribunal superior em setembro de 2012 e passou a exercer a advocacia.

Uma auditoria do grupo concluída em 2015, porém, não encontrou evidências de prestação de serviços, tampouco contratos que justificassem os pagamentos. O Pão de Açúcar pertencia ao empresário Abilio Diniz, também próximo de Palocci, e passou a ser controlado pelo grupo francês Casino, no ano de 2013.

VAI PROCESSAR – O ex-presidente do STJ Cesar Asfor Rocha, a construtora Camargo Corrêa e a família do ex-ministro Márcio Thomaz Bastos negaram a prática de ilegalidades para barrar a Castelo de Areia.

Segundo Rocha, “se Antonio Palocci efetivamente produziu essa infâmia, eu o processarei e/ou a quem quer que a tenha difundido. A afirmação é uma mentira deslavada que só pode ser feita por bandido, safado e ladrão”.

O ex-magistrado e atual advogado disse que o autor da acusação agora está obrigado a revelar as circunstâncias do repasse que apontou. “Observo que Márcio Thomas Bastos é um saudoso e querido amigo. Todavia, toda classe jurídica sabe que Márcio, até por ter compromissos com outras pessoas, nunca me prometeu apoio (o que muito me honraria), nem eu jamais lhe pedi – para ser ministro do STF. Muito menos fiz tal pedido a qualquer picareta”, afirmou Rocha.

O decano do jornalismo político do país continua a ser Helio Fernandes

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Aos 96 anos, Helio está na ativa

Vicente Limongi Netto
Diário do Poder

Evidente que Villas-Bôas Corrêa merece ser exaltado e homenageado. Contudo, Villas, que morreu semana passada aos 93 anos de idade, não era o “analista político mais antigo em atividade no Brasil”. Na verdade, o mais antigo é o jornalista Helio Fernandes. Com 96 anos, Helio continua escrevendo diariamente. Com a lucidez e coragem habituais, no blog que leva o seu nome. Durante 50 anos, sem faltar um dia sequer, Helio manteve coluna política no jornal “Tribuna da Imprensa”.

Por mérito e justiça, Helio Fernandes pertence à galeria dos notáveis e respeitados jornalistas políticos do Brasil. Ontem, hoje e sempre. O obituário de O Globo sobre Villas-Bôas tem diversos equívocos. Incrível, é o primeiro obituário da imprensa mundial cheio de informações erradas.

O atento Cláudio Humberto salientou no Diário do Poder, com todas as letras: “o decano do jornalismo político é Helio Fernandes”.  O Globo e a Globonews erraram feio.  É de pasmar. A arrogante e covarde patrulha finge que não errou. Não admite que deu informação completamente errada. Se julgam gênios e sábios.

PAI DO RODOLFO – O mais grave, melancólico e patético: o saudoso Rodolfo Fernandes exerceu durante anos a Direção da Redação do Globo. No céu, Rodolfo ficou triste e decepcionado com a colossal barriga. Logo injustamente contra o pai dele.

Preso diversas, confinado em Fernando de Noronha, Helio lutou a vida toda pela democracia e pela liberdade de expressão. Viu o prédio da Tribuna da Imprensa ser destruído por bombas, mas jamais se intimidou diante da prepotência dos poderosos de plantão. Helio começou a trabalhar, cobrindo política, aos 21 anos de idade. Bem antes de Villas-Bôas e Castelinho. É repugnante, covarde e hipócrita a omissão ao nome de Helio Fernandes.