Degradada por sucessivos governadores, Brasília se tornou um triste retrato do Brasil

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Brasília cresceu, envelheceu e se degradou muito rapidamente

José Antonio Perez

O jornalista Vicente Limongi tem toda a razão quando diz que Brasília envelheceu muito rapidamente e hoje tem todos os problemas de uma grande cidade como as outras, com o agravamento de não haver indústrias por aqui (empregos de qualidade e em grande número). E Brasília não era para ser uma cidade qualquer… Sucessivos governantes estragaram a cidade “nas barbas” dos presidentes de plantão, que se omitiram sem nenhuma providência tendo sido efetivamente tomada!

Nenhum presidente depois de Juscelino Kubitschek teve amor pela cidade e por isso nenhum deles se importou com as atitudes absurdas que literalmente destruíram e inviabilizaram a capital. Na era FHC, por exemplo, transformaram a Esplanada dos Ministérios em atalho para cidades satélites, após a construção de uma nova ponte, e até os vidros do Palácio do Planalto tiveram que ser trocados em função disso.

EM FRENTE AO ALVORADA – FHC também assistiu ao surgimento de um condomínio irregular (ilegal, na verdade) em frente ao Palácio da Alvorada, o Village Alvorada, e nada fez, mesmo observando o triste espetáculo de camarote na outra margem do lago e bancando a cidade através do fundo constitucional do DF.

A maior tragédia nisso tudo é a total falta de noção do significado de “elencar prioridades”. São governadores medíocres, como ficou demonstrado na recente inundação da cidade. Não investiram um níquel no sistema de escoamento da água da chuva, orçado em algumas dezenas de milhões de reais, mas torraram 1,2 bilhão de reais numa “arena” que não serve para nada, apenas para dar despesas astronômicas aos contribuintes.

FALSOS GESTORES – São governadores de fantasia, “gestores” de seus próprios interesses. Onde andam os tais “operadores” de propina que ostentavam, levando vida de milionários, e foram soltos rapidamente por conta das leis frouxas e juízes bandidos? Onde andam? Onde se encontra aquele mal-encarado Fernando Baiano, que servia ao MDB? Cadê essa gente?

Foram soltos, trabalham ou levam vida de rei com dinheiro roubado curtindo um semiaberto? É uma vergonha o que aconteceu com o país e Brasília se tornou o retrato dos tempos atuais neste pobre país rico.

Adeus, Brasília, a “Capital da Esperança”. O sonho, infelizmente acabou!

No aniversário dos 59 anos, Brasília demonstrou que também é uma cidade despreparada

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Você acredita que está fotografia foi realmente tirada em Brasília?

Vicente Limongi Netto

A linda, maravilhosa, limpa, encantadora, singela, modelar, intocável, bela e moderna Brasília foi saudada pelos deuses com um colossal e transbordante aguaceiro. Ficou submersa. Depois do porre pelos 59 anos de vida, veio a ressaca para os brasilienses. A exuberante, agradável, sorridente, iluminada, segura e feliz capital de todos os brasileiros não resistiu aos ferimentos.

Reviveu o caos de uma antiga, massacrante e perigosa tragédia anunciada. Mostrou a cruel realidade: uma Brasília com os mesmos e graves problemas de outras capitais.

DEBAIXO D’ÁGUA – O temporal não colocou freios. Afundou a esbelta e jovial BrasÍlia. Deixou chorando no céu, Juscelino Kubitschek,Oscar Niemeyer, Lúcio Costa e outros amados pioneiros. As águas dos 59 anos de BrasÍlia invadiram prédios, garagens, lojas, bares, repartições, porões, restaurantes, salas de aulas, mansões, hospitais, prontos-socorros, centros esportivos, templos religiosos, ruas, avenidas, becos, passagens subterrâneas, tesourinhas, vielas, bancas de revistas, pontos de táxi, hotéis, cemitérios, delegacias e pensionatos.

Arrancou árvores, placas, telhas, casas e barracos. O asfalto ruim, virou lama. Atravancou a vida da população. Carros e motos boiando e levados pela força das águas. O brasiliense viu que aqui foi o contrário: depois da alegria e bonança pelos 59 anos, veio a impiedosa tempestade, a agonia, o lamento e o pranto.

Na impunidade de Brasília, quadrilha explode caixas eletrônicos próximo ao Alvorada

Caixas eletrônicos explodidos em hotel de Brasília — Foto: Reprodução/TV Globo

Os criminosos não respeitam mais nem área de segurança nacional

José Antonio Perez

O jornalista Vicente Limongi tem toda a razão ao dizer que Brasília envelheceu muito rapidamente e hoje tem todos os problemas de uma grande cidade qualquer, com o agravamento de não haver indústrias por aqui (empregos de qualidade e em grande número). Brasília não era para ser uma cidade qualquer! Governantes locais estragaram a capital “nas barbas” dos presidentes de plantão, que se omitiram sem nenhuma providência tendo sido efetivamente tomada! Nenhum presidente depois de JK teve amor pela cidade e por isso nenhum deles se importou com as atitudes absurdas que literalmente destruíram e inviabilizaram Brasília.

Na era FHC, por exemplo, transformaram a esplanada em caminho para cidades satélites, após a construção de uma nova ponte, e até os vidros do Palácio do Planalto tiveram que ser trocados em função disso.

ILEGALIDADES – FHC também assistiu ao surgimento de um condomínio irregular (ilegal, na verdade) em frente ao Palácio da Alvorada (Village Alvorada) e nada fez mesmo, observando o triste espetáculo de camarote na outra margem do lago e bancando a cidade através do fundo constitucional do DF.

Adeus Brasília, a “Capital da Esperança”, o sonho, infelizmente acabou! Para ilustrar o que virou Brasília, me chegou agora essa informação terrível; assalto ao Golden Tulip Hotel com explosões de caixas eletrônicos. Para quem não conhece Brasília, esse hotel (antigo Blue Tree) é o predileto dos políticos e autoridades estrangeiras e fica ao lado do Palácio da Alvorada, em área de segurança nacional.

Relatos de moradores do hotel: “Muito triste a situação do país de uma forma geral, mas estamos ao lado de uma área de segurança nacional…” ; “Realmente foi uma explosão , explodiram os caixas eletrônicos da garagem para assaltar”; “Os assaltantes se evadiram , a polícia e o esquadrão antibombas estão na área”: “Depois desse barulho, o problema foi a fumaça que entrou no ar condicionado…”.

https://g1.globo.com/df/distrito-federal/noticia/2019/03/28/ladroes-explodem-caixas-eletronicos-em-hotel-de-luxo-vizinho-ao-palacio-da-alvorada.ghtml

 

Abandonada, Brasília chega ao aniversário de 59 anos como uma cidade feia e velha  

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Brasília se tornou uma espécie de retrato da derrocada do país

Vicente Limongi Netto

Amo Brasília. Quem não gosta de Brasília são seus infelizes governantes. Perto de completar 59 anos, tornou-se uma cidade comum, igual às outras. Em alguns aspectos, até pior. Crimes, assaltos, feminicídios, roubos, sequestros, assassinatos são constantes. Em todo canto. Faz tempo que o brasiliense não tem mais sossego, paz nem tranquilidade. O desemprego aumenta. O transporte coletivo é tenebroso. Os hospitais e prontos-socorros humilham o cidadão. As escolas são medonhas. Verdadeiros pardieiros. Viadutos caindo e inseguros. As cidades satélites são sujas e esburacadas.

Segurança, só se for nas mansões dos ricos, que mesmo assim não escapam da fúria dos marginais.

SAUNA OU FORNO – Os Postos de Polícia que ainda restam mais parecem saunas ou fornos micro-ondas, com dois ou três guardinhas de plantão, sem viaturas nem armas apropriadas.

Portanto, a meu ver, é uma colossal balela, um escárnio, os tolos encherem a boca para falar do céu bonito de Brasília. Dos encardidos projetos de Lúcio Costa e de Oscar Niemeyer, como se os brasilienses comessem concreto e cimento com arroz e feijão.

Brasília chega aos 59 anos feia e velha. Seus administradores, cada vez mais insensíveis, demagogos e incompetentes, estão se lixando para os graves problemas da população, embora botem uma banca danada e tentam posar de operosos. Morro de rir. Sei quem eles são.

Será mesmo apropriado ter um general como porta-voz da Presidência da República?

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General Rego Barros jamais teve experiência nesta função

Vicente Limongi Netto

Todos falam e ninguém diz nada que se aproveite. Bolsonaro precisa urgente ter um habilidoso e competente porta-voz. Informações do governo precisam ser uniformizadas e filtradas. Presidente da República não tem que descer do carro, parar na esquina ou na saída do prédio, com o sol a pino, falar com repórteres em tumultuadas entrevistas. Ninguém se entende. A informação sai apressada e insegura. Bolsonaro pode e deve se manifestar nas redes sociais, mas o cotidiano da notícia é tarefa do porta-voz da presidência. Os repórteres credenciados no Planalto têm melhores condições de receber, trabalhar e valorizar a informação.

Todos os órgãos e entidades, civis, militares, incluindo judiciário e esporte, têm porta-voz, conhecido como assessor de imprensa. A tarefa da boa informação é árdua. Amadorismo em arte é um perigo. Tudo se destrambelha.

AMADORISMO – Opositores do governo são os que mais gostam das trombadas e trapalhadas. Onde já se viu uma ministra criticar, publicamente, ações de outro ministério, no caso o da Educação? O profissionalismo precisa entrar em campo. Logo, urgente e permanente. Mas com porta-voz palaciano que seja respeitado, tenha trânsito e seja ouvido pelo próprio presidente.

Não fica bem para o porta-voz acordar e, escovando os dentes, saber que Bolsonaro anunciou, pelo twitter, ou pela rádio A B ou C, decisão que teria que ser feita ao público, aos brasileiros, em coletiva no Planalto ou através de informações do porta-voz oficial.

Bolsonaro também não pode escolher apenas um veículo de imprensa para se comunicar com a população. Não é decisão inteligente. Estará criando arestas e descontentamento à toa.

COM SINTONIA – Porta-voz palaciano e assessores de imprensa de ministérios, autarquias e estatais, precisam manter razoável sintonia. Desmentidos são desgastantes.

Entre membros do governo e começa a soar mal entre a população. Sobretudo entre os eleitores de Bolsonaro. Tido por eles como presidente na terra e Deus no céu.

A meu ver, é completamente diferente comandar o Centro de comunicação social do Exército e ser porta-voz da presidência da República. Nada contra o general Rêgo Barros, do qual tenho boas referências pessoais e profissionais. Seguramente, na comunicação do Exército, o general passava dias sem fornecer informações à imprensa. Creio que lá não há nem repórteres credenciados. Assim é moleza.

FOGO CERRADO – Como porta-voz da Presidência da República, Rêgo Barros vai lidar com dezenas, talvez centenas, de repórteres. Viverá dias inesquecíveis e emocionantes. Terá que conviver com briosos repórteres credenciados que não vão se contentar com poucas notícias. Muito menos os veículos que representam.

Também precisará ficar atento aos horários. Porque informação fornecida à imprensa depois das 17 horas ou tarde da noite, perderá muito da validade e importância. Redações de jornais, televisões e revistas, brigam contra o tempo. Funcionam como pronto-socorro. A correria é total. É preciso agilidade para fornecer a notícia. Não sei se o general porta-voz receberá notícias mastigadas e prontas para passar aos credenciados, o que será lamentável, ou se terá autonomia para fornecer mais informações e detalhes que valorizem mais ainda a notícia. Boa sorte, general.

Lasier “espanca” a Constituição ao exigir voto aberto no Senado, diz Renan

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Charge do Son Salvador (Charge Online)

Vicente Limongi Netto

O senador Renan Calheiros afirmou , no Twitter, que o senador Lasier Martins (PSD-RS) “espanca” a Constituição ao entrar com mandado de segurança, no Supremo Tribunal Federal, pelo voto aberto na eleição de presidente da Casa. “É um parlamentar espancando a Constituição ao pedir intervenção de um Poder no seu próprio Poder para constranger colegas. É assim que a roda gira”, afirmou.

O relator do pedido de Lasier será o ministro Marco Aurélio Mello. Segundo Renan, “a independência, a separação e a harmonia dos Poderes, desenhadas por Montesquieu, aguardam com apreensão sua decisão”.

COAÇÕES – Renan disse também que setores da primeira e segunda instância da Justiça e do Ministério Público Federal “coagem” ministros e “usurpam competências” dos tribunais superiores. De acordo com ele,isso acontece porque foram aprovados no Senado projetos como o fim das aposentadorias como “prêmio” para juízes e promotores que cometem ilícitos; o fim dos supersalários; a Lei do Abuso de Autoridade e a nova Lei de Licitações. “Mas eles não deixam que nada disso ande na Câmara. Também coagem os deputados”.

“O próprio CNJ, que criamos para fazer o controle do Poder, enfrenta dificuldades para fazer sua parte. Agora, me anima o fato de termos na Corregedoria Nacional de Justiça um jovem ministro do STJ, Humberto Martins, que, se quiser, tem força para puxar a casaca dessa gente.

Meu comunista de estimação não enviou mais mensagens

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Djalma Limongi era uma notável presença na noite

Nelson Motta
O Globo

Conheci Djalma Limongi em 1971, com administrador da produção de “Apareceu a Margarida”, com Marilia Pêra, no Teatro Ipanema. No pior da ditadura, uma peça de teatro com uma professora tirânica, desbocada e anárquica dando uma aula furiosa para seus alunos – a plateia.

A peça de Roberto Athayde era uma “metáfora explicita do que vivíamos. O público era tratado como uma classe de idiotas e analfabetos e a interpretação de Marilia lhe rendeu todos os prêmios e um sucesso espetacular de público. Mas também muito medo da Censura, que tirou a peça de cartaz três vezes, e de ser chamada para explicações no DOPS. Tive que ir a Brasilia duas vezes para discutir com o general Antonio Bandeira, um cearense atarracado e brabo, que no ano seguinte comandaria o combate à guerrilha no Araguaia, e negociamos o corte de alguns palavrões e referencias sexuais, e a peça foi re-liberada. Ele não tinha idéia sobre o que estava falando.

Djalma era comunista, ligado a Paulo Pontes, Vianinha, Dias Gomes, Augusto Boal, o pessoal do Opinião, e outros comunas e simpatizantes secretos, e naturalmente adorava a “Margarida”. Mas tínhamos muito medo de reações violentas, várias pessoas se levantavam no meio da peça indignadas e saiam gritando impropérios. Uma dessas era a mulher de um general, e, no dia seguinte, a peça foi proibida.

Os dias eram assim. Djalma sempre do lado. Barbudinho, é claro, Djalma se vestia com despojamento, mas usava uma incrível piteira, que lhe dava um ar aristocrático em contraste com seu marxismo militante. Eu adorava discutir politica com ele. Teorias conspiratórias. Paranóias delirantes. As noites eram assim.

A vida nos levou pelos mesmos caminhos muitas vezes. Do teatro politico ele acabou comigo em festivais de rock, para me ajudar a administrar aquelas loucuras perigosas em 1975, com o “Hollywood Rock”, e o “Som, Sol e Surf” em Saquarema, no ano seguinte, e finalmente, virou administrador de uma impensável … discoteca. A Frenetic Dancin’Days Discotheque, no Shopping da Gávea, onde nasceram as Frenéticas e a inspiração de Gilberto Braga para a ambientação da sua novela Dancin’Days.

Foram só quatro meses, mas triunfais, e Djalma e sua piteira administrando aquele desvario de um bando de amigos doidões, o DJ Dom Pepe, o produtor Léo Netto e a jornalista Scarlet Moon. Nada mais improvável do que Djalma numa discoteca.

Mas ele foi fundamental, não só com o seu trabalho, mas com seu humor, sua ironia, e tambem no convivio, com uma falsa sisudez que escondia um homem amoroso e delicado. E culto e inteligente. E, sim, com seu charme de durão e sua conversa mole, sim, ele tambem tinha, sempre atraiu garotas bonitas à sua volta.

De lá fomos para o Morro da Urca, com o Noites Cariocas, durante a década de 80, Djalma administrando quatro mil jovens subindo de bondinho toda sexta e sabado para a ilha de liberdade e alegria que era o “Noites”. Era ele, sempre foi, o cara que cuidava do dinheiro, que dava limites e prudencia a meus desvarios com seu bom senso e lealdade.

Sempre gostamos de discutir politica. Na ditadura, com posições bem próximas, porque todos eram contra. Mas tambem depois na democratização, porque ele continuou comunista, mas na legalidade, e eu fui me tornando um liberal radical do tipo independente, com horror a partidos, seitas e torcidas organizadas.

Discutimos politica a vida inteira, com cortesia e respeito, ultimamente pelo WhatsApp. Quase todo dia quando acordava tinha uma mensagem provocativa do Djalma postada na alta madrugada quando ele ia dormir depois de mais uma noite recebendo amigos na Fiorentina, onde era muito mais do que um relações publicas, era a alma da casa.

A ultima foi: “Já comprei em doze prestações o terno que vou usar na posse do Lula.”

Eu respondi: “kkkkk”

Hoje não teve mensagem do Djalma, uma das melhores pessoas que conheci e uma das que mais amei.

Há risco de populismo no Brasil , mas não de ocorrer “venezuelização”

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Protestos não impedem o absolutismo na Venezuela

Marcus André Melo
Folha

O colapso da democracia na Venezuela, que ostentava a mais elevada renda per capita da América Latina, é anômalo. Não há golpes ou grande retrocesso democrático em países ricos. Embora a renda alta não engendre democracia, aumenta sua resiliência onde ela já se instalou, como Przeworski e Limongi demonstraram. Por outro lado, Robert Dahl nos ensina que os países que transitaram para a democracia via regimes oligárquicos competitivos (ex. Inglaterra no século 19) são menos propensos a sofrer reversões:  as elites políticas são socializadas em regras institucionais antes da extensão da participação política, via sufrágio universal.

Quando a participação se estende a toda a população, as instituições já estão enraizadas.  Não é o caso da Venezuela. Entre 1908 e 1935, o país foi controlado pelo caudilho Juan Gómez. Desde então, autoritarismo e nacionalismo se mesclaram de forma tóxica.

DÍVIDA EXTERNA – O nacionalismo foi alimentado pelo conflito com a Inglaterra — que chegou a bombardear Caracas —, devido ao não pagamento da dívida externa, e exacerbou-se após a descoberta do petróleo no país, em 1918, com as transações feitas por Gómez com a Standard Oil que o converteram no “homem mais rico da América Latina”.

“El Bagre” deixou 84 filhos e encarnou, como poucos na região, a “maldição dos recursos naturais”, inaugurando um ciclo de governos autoritários que durou até o pacto de Punto Fijo, em 1958. O país “pulou etapas”: não teve nem governos oligárquicos semicompetitivos (ex. República Velha) nem regimes populistas nacionalistas (Varguismo).

ALTERNÂNCIA – O Pacto funcionou bem durante três décadas. Os dois partidos principais concordaram em alternar-se no poder e estabelecer cotas partidárias na máquina pública.

O colapso das rendas petrolíferas, ao final dos anos 1980, e a insatisfação social com o que parecia ser um conluio oligárquico — em que pese o país ter o Gini mais baixo da região — minaram as bases do pacto. O boom de commodities reviveu o autoritarismo militarista com o coronel Chávez. Regressão à média?

CHANCES MÍNIMAS – Se Dahl estiver certo, as chances de venezuelização por aqui são mínimas devido ao nosso legado de pesos e contrapesos. Além do fato de que “é a tradição parlamentar, transmitida de geração a geração, desde 1823, e sempre subsistente apesar das poucas interrupções que faz o Brasil tão diferente dos vizinhos da América Latina” (Afonso Arinos).

Esse legado, é certo, não impediu o regime militar (mas explica o fato de que aqui o Congresso permaneceu ativo). Mas essa visão otimista perde força à luz da maré populista no mundo. Mesmo sem autoritarismo aberto, populistas podem fazer grandes estragos.

Esta não é a primeira greve de juízes para “legalização” de penduricalhos

Imagem relacionadaFrederico Vasconcelos
Folha

Em artigo intitulado “A casta de toga”, publicado em 28.2 no jornal Valor Econômico, Fernando Limongi, professor do Departamento de Ciência Política da USP e pesquisador do Cebrap, lembra que “não é a primeira vez que juízes pressionam o Supremo e ameaçam paralisar atividades”.

“Fizeram o mesmo em 2000, ano da aprovação da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e da imposição de tetos salariais. Cortes e austeridade fiscal para todos, menos para os magistrados”, diz o pesquisador.

Trechos do relato do professor Fernando Limongi:

Nelson Jobim, em seu depoimento à História Oral do Supremo, desce aos detalhes, narrando peripécias de fazer inveja a Pedro Malasartes. Jobim manipulou pauta do Supremo, blefou, ameaçou, fez acordos com líderes do movimento grevista e muito mais. Tudo para escapar dos limites impostos pelo teto constitucional sem parecer que o Supremo cedera ao ‘sindicato’. Para tanto, contou com a anuência do Presidente Fernando Henrique e fez tabelinha com o então ministro Chefe da Casa Civil, Pedro Parente –a quem define como um ‘craque’ — e com Gilmar Mendes, à época na Advocacia Geral da União.

Eis o resumo da ópera: “Aí você via as coisas mais malucas.(…) Tinha gratificação por… curso superior [risos]. Sabe disso? Tinha gratificação não sei do quê…,tinha o diabo de gratificação. (…) Eu absorvi tudo isso dentro do valor, então legalizei… E o Pedro Parente teve uma figura muito importante. (…) Todos aqueles penduricalhos que tinham, tudo ficou legalizado (…). Percebeu a lógica? Em vez de dizer que era ilegal, eu dizia que aquilo ali que tu recebeu passou a ser legalizado, porque passou a ser integrante do salário.”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGQuando se manifesta em pessoas que são profissionais em julgar o comportamento dos outros, este tipo de corporativismo é um sintoma de que a sociedade está apodrecida, apenas isso. Quanto ao comportamento de Nelson Jobim, nenhuma novidade. Ele é aquele político que confessou ter fraudado os trabalhos da Constituinte para garantir o pagamento aos bancos, lembram?. (C.N.)

Evolução dos votos brancos e nulos exibe a desilusão com a política brasileira

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Bruno Carazza
Folha

Três grandes temas dominaram as análises sobre os resultados das últimas eleições municipais no Brasil: o fraco desempenho do PT, o sucesso de candidatos que se apresentaram como não-políticos (Dória, Kalil etc.) e o elevado índice de abstenção nas principais cidades brasileiras. No calor dos resultados das urnas, esses três movimentos foram imediatamente relacionados com a descrença da população com o modo tradicional de fazer política, ainda mais diante das revelações da Operação Lava-Jato. Poucos dias depois, o então presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Gilmar Mendes, e alguns analistas começaram a desconstruir a tese de que a elevada abstenção seria um protesto “contra tudo o que está aí”.

Em artigo na Folha, o cientista político Fernando Limongi disse  que a causa para a sensação de que muita gente ter deixado de comparecer às urnas, segundo o pesquisador, estava relacionada a defasagens no cadastro eleitoral do TSE, que não contabilizava eleitores já falecidos ou que migraram para cidades distantes. A partir daí a discussão morreu, e aparentemente ninguém falou mais sobre isso.

NOS CÁLCULOS – Para dar uma dimensão mais exata desse fenômeno, calculei as taxas de votos em branco e nulos sobre o total dos eleitores que compareceram à votação (e não sobre o total do eleitorado, como normalmente se faz) nas últimas eleições brasileiras.

Na era da urna eletrônica, quem aparece para votar e quer protestar contra a “farsa das eleições” tem duas opções: ou aperta o botão “branco” ou digita um  número que não foi atribuído a nenhum candidato ou partido e depois “confirma”.

Há uma nítida tendência de crescimento dos índices de votos brancos e nulos a cada eleição no Brasil, atingindo todos os cargos em disputa. Esses percentuais são mais baixos para o cargo de Presidente da República – a disputa com maior repercussão na mídia e que polariza nosso posicionamento político –, mas já atingem níveis preocupantes nos outros cargos, como nas eleições para senador, em que quase um quarto de todos os que foram às urnas votaram em branco ou anularam o voto em 2014.

ERRO DO ELEITOR?  –  Há suspeitas de que tanto o voto em branco quanto o voto nulo estejam associados não ao protesto, mas a um erro do eleitor. Isso pode acontecer tanto com o cidadão que teve “um branco” e esqueceu o número do candidato, quanto com aquele que se enrolou todo com a urna e apertou qualquer coisa para se livrar logo daquela obrigação. Infelizmente, isso é mais comum do que se imagina no Brasil, dado o grande contingente da população com baixa escolaridade ou pessoas idosas com pouca habilidade em lidar com sistemas eletrônicos.

É importante lembrar que esses erros na votação, que podem na invalidação dos votos, são potencializados pela realização de várias eleições simultâneas no Brasil. Para você ter uma ideia, em 2018 cada eleitor vai votar 6 vezes de uma só vez: presidente, governador, dois senadores, deputado federal e deputado estadual/distrital. Nessas condições, não é impossível alguém se perder em meio a tantos nomes e números e acabar teclando “branco” ou confirmando um número errado.

ESCOLARIDADE – Para tentar elucidar se os votos brancos e nulos estão mais relacionados com erros do eleitor no momento da votação do que com algum tipo de protesto contra a política brasileira fiz um exercício simples. Minha hipótese é que nos locais em que há mais pessoas com baixa escolaridade é de se esperar que o percentual de votos inválidos seja maior. Ou seja, pessoas com pouca instrução teriam mais problemas com a urna, o que levaria a mais votos nulos e em branco.

Para isso, coletei os dados das votações de todas as zonas eleitorais brasileiras em todos os municípios de 2002 em diante – nesse período a votação já havia se tornado 100% eletrônica em todo o território nacional. Calculei então o percentual de votos brancos e nulos para cada cargo em disputa e correlacionei com o índice de baixa escolaridade dos eleitores naquela zona eleitoral. Como baixa escolaridade eu considerei o percentual de eleitores analfabetos ou com no máximo ensino fundamental incompleto.

Os gráficos mostram um fato interessantíssimo: para todos os cargos, a reta que indica a correlação entre os percentuais de baixa escolaridade e de votos brancos e nulos nas zonas eleitorais brasileiras vai de positivamente inclinada para negativamente inclinada do início da década de 2000 até as eleições de 2014 e 2016.

É PROTESTO, MESMO – Traduzindo para o português, isso significa que enquanto no passado zonas eleitorais com baixa escolaridade produziam mais votos em branco e nulos (o que comprova a tese do erro no uso da urna eletrônica), nas últimas eleições essa relação é negativa: os votos brancos e nulos aparecem com mais frequência nas regiões com escolaridade mais alta. Além disso, a inclinação da reta torna-se mais intensa, assim como os coeficientes de correlação – indicando que esse fenômeno tem se intensificado nos últimos anos.

Como essa tendência é observada para todos os cargos, acredito que temos elementos suficientes para desconfiar que esse movimento de crescimento de votos brancos e nulos não tem a ver com erros na votação, mas sim a um comportamento do eleitor, principalmente nas regiões de mais alta escolaridade (e, extrapolando, mais alta renda).

Essa tendência se adequa à narrativa de que, mesmo antes das manifestações de junho de 2013, a forma tradicional de fazer política vem sendo contestada nos principais núcleos urbanos brasileiros. O crescimento dos votos nulos e brancos seria, assim, uma medida do descompasso de partidos e candidatos em levarem em conta a pauta de ambições da sociedade, que a meu ver se tornou mais exigente de 2013 pra cá.

Palocci acusa Asfor Rocha. ex-ministro do STJ, de aceitar propina de R$ 5 milhões

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Asfor Rocha revida e diz que vai processar Palocci

Flávio Ferreira e Estelita Hass Carazzai
Folha

Em negociação de delação premiada, o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci afirmou que o ex-presidente do STJ (Superior Tribunal de Justiça) Cesar Asfor Rocha recebeu suborno no valor de pelo menos R$ 5 milhões da construtora Camargo Corrêa para barrar a Operação Castelo de Areia da Polícia Federal. Além da Camargo Corrêa, a operação deflagrada em 2009 tinha como alvos outras empreiteiras e políticos posteriormente investigados na Operação Lava Jato.

Palocci disse que o acerto com Rocha foi comandado pelo advogado Márcio Thomaz Bastos, morto em 2014, e incluía também a promessa de apoio para que o então magistrado fosse indicado para uma vaga no STF (Supremo Tribunal Federal) – o que acabou não acontecendo.

CONTA NO EXTERIOR – O repasse para Rocha foi depositado numa conta no exterior, segundo Palocci, que está preso em Curitiba e negocia um acordo de delação premiada.

Asfor Rocha, a Camargo Corrêa e a família de Bastos negam a acusação do ex-ministro. A Castelo de Areia foi interrompida por uma medida liminar concedida por Rocha, então presidente do STJ, em janeiro de 2010.

A alegação dos advogados da Camargo Corrêa, acolhida pelo à época ministro, foi a de que as interceptações telefônicas da operação, principal base das investigações, tiveram origem apenas em uma denúncia anônima, o que seria ilegal. Naquele ano, levantamento do STJ feito a pedido da Folha revelou que era inédita a decisão de Rocha.

CONTRADIÇÕES – A apuração mostrou também que, antes e depois da concessão da liminar, Rocha decidiu pela validade de investigações iniciadas com denúncias anônimas.

Em março de 2011, o julgamento final sobre a legalidade da operação começou a ser feito pela 6ª Turma do STJ, da qual Rocha não fazia parte.

Na ocasião, a ministra relatora do caso, Maria Thereza de Assis Moura, votou pela anulação da operação e o ministro Og Fernandes, pela regularidade das investigações da Polícia Federal.

Porém, após o empate, o julgador Celso Limongi pediu vista e a apreciação da causa foi interrompida.

VOTO DE LIMONGI – No mês seguinte, o caso foi retomado com voto de Limongi favorável à tese da Camargo Corrêa. O ministro Haroldo Rodrigues seguiu o mesmo entendimento e o resultado final foi de 3 a 1 pela ilegalidade dos grampos.

A decisão resultou na anulação total da operação e de todos os seus desdobramentos, que envolviam outras construtoras e políticos, inclusive obras da Petrobras posteriormente investigadas na Lava Jato – como as refinarias Abreu e Lima, em Pernambuco, e Getúlio Vargas, no Paraná. Palocci não mencionou nas tratativas de colaboração premiada repasses diretos aos ministros da 6ª Turma do STJ que julgaram a causa.

DOIS MINISTROS – Palocci e Bastos ocuparam ministérios no primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Bastos foi ministro da Justiça até março de 2007 e Palocci ministro da Fazenda até março de 2006, após assumirem em janeiro de 2003.

Depois de saírem dos cargos na administração de Lula, eles mantiveram relações comerciais. Quando Palocci abriu sua consultoria, a Projeto, Bastos se tornou o segundo maior cliente da empresa.

O escritório do advogado fez repasses de R$ 5,5 milhões à Projeto, entre 2008 e 2011, segundo dados registrados pela Receita Federal. À época, tanto Bastos quanto Palocci atribuíram os pagamentos ao grupo Pão de Açúcar, como resultado de assessoria nas negociações da fusão entre a companhia e as Casas Bahia.

APOSENTADORIA – Rocha obteve aposentadoria do tribunal superior em setembro de 2012 e passou a exercer a advocacia.

Uma auditoria do grupo concluída em 2015, porém, não encontrou evidências de prestação de serviços, tampouco contratos que justificassem os pagamentos. O Pão de Açúcar pertencia ao empresário Abilio Diniz, também próximo de Palocci, e passou a ser controlado pelo grupo francês Casino, no ano de 2013.

VAI PROCESSAR – O ex-presidente do STJ Cesar Asfor Rocha, a construtora Camargo Corrêa e a família do ex-ministro Márcio Thomaz Bastos negaram a prática de ilegalidades para barrar a Castelo de Areia.

Segundo Rocha, “se Antonio Palocci efetivamente produziu essa infâmia, eu o processarei e/ou a quem quer que a tenha difundido. A afirmação é uma mentira deslavada que só pode ser feita por bandido, safado e ladrão”.

O ex-magistrado e atual advogado disse que o autor da acusação agora está obrigado a revelar as circunstâncias do repasse que apontou. “Observo que Márcio Thomas Bastos é um saudoso e querido amigo. Todavia, toda classe jurídica sabe que Márcio, até por ter compromissos com outras pessoas, nunca me prometeu apoio (o que muito me honraria), nem eu jamais lhe pedi – para ser ministro do STF. Muito menos fiz tal pedido a qualquer picareta”, afirmou Rocha.

O decano do jornalismo político do país continua a ser Helio Fernandes

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Aos 96 anos, Helio está na ativa

Vicente Limongi Netto
Diário do Poder

Evidente que Villas-Bôas Corrêa merece ser exaltado e homenageado. Contudo, Villas, que morreu semana passada aos 93 anos de idade, não era o “analista político mais antigo em atividade no Brasil”. Na verdade, o mais antigo é o jornalista Helio Fernandes. Com 96 anos, Helio continua escrevendo diariamente. Com a lucidez e coragem habituais, no blog que leva o seu nome. Durante 50 anos, sem faltar um dia sequer, Helio manteve coluna política no jornal “Tribuna da Imprensa”.

Por mérito e justiça, Helio Fernandes pertence à galeria dos notáveis e respeitados jornalistas políticos do Brasil. Ontem, hoje e sempre. O obituário de O Globo sobre Villas-Bôas tem diversos equívocos. Incrível, é o primeiro obituário da imprensa mundial cheio de informações erradas.

O atento Cláudio Humberto salientou no Diário do Poder, com todas as letras: “o decano do jornalismo político é Helio Fernandes”.  O Globo e a Globonews erraram feio.  É de pasmar. A arrogante e covarde patrulha finge que não errou. Não admite que deu informação completamente errada. Se julgam gênios e sábios.

PAI DO RODOLFO – O mais grave, melancólico e patético: o saudoso Rodolfo Fernandes exerceu durante anos a Direção da Redação do Globo. No céu, Rodolfo ficou triste e decepcionado com a colossal barriga. Logo injustamente contra o pai dele.

Preso diversas, confinado em Fernando de Noronha, Helio lutou a vida toda pela democracia e pela liberdade de expressão. Viu o prédio da Tribuna da Imprensa ser destruído por bombas, mas jamais se intimidou diante da prepotência dos poderosos de plantão. Helio começou a trabalhar, cobrindo política, aos 21 anos de idade. Bem antes de Villas-Bôas e Castelinho. É repugnante, covarde e hipócrita a omissão ao nome de Helio Fernandes.

Dilma e Temer conseguiram desmoralizar o espírito do Natal  

 

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Charge de Kleber (reprodução Tribuna do Acre)

Vicente Limongi

A presidente Dilma Rousseff telefonou para o vice-presidente Michel Temer no Natal. Com isso, banalizaram e mandaram para o inferno o espírito natalino. Um deboche. Rangendo os dentes, elevaram aos céus as armas da hipocrisia e do cinismo. Até as pedras das ruas sabem que os dois não se toleram. Querem se ver pelas costas. Mortinhos da silva.

Estão em times contrários. Tudo não passou de farsa e conversa fiada. Trégua de araque. Constrangeram inclusive as renas do Papai Noel. Depois do cretino diálogo, não se sabe quem vomitou primeiro.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Pior do que a falsidade do telefonema foi o Planalto distribuir a grande notícia aos jornalistas, dizendo que os dois prometeram esforços conjuntos pelo bem do Brasil. Francamente… (C.N.)

Filha de Gérson critica Galvão Bueno e o programa “Bem, Amigos”

Gérson inaugura mais um núcleo do projeto

Vicente Limongi

O programeco “Bem, Amigos!”, no SporTV, citou diversos projetos sociais-educativos dirigidos por ex-jogadores. Lamentavelmente omitiu um dos mais importante, o projeto do Gerson, o Instituto Canhotinha de Ouro, em Niterói. Nem mesmo no programeco seguinte , Galvão e seguidores tiveram a grandeza e sensibilidade de registrar a iniciativa do Gerson. Um escárnio e péssimo jornalismo.

Daí, a justa revolta e indignação da advogada Patricia Nunes, filha do magistral Gerson, que registro abaixo:

Boa noite, amigo!

Mais uma vez agradeço o carinho conosco, e com o Instituto Canhotinha de Ouro.

NUNCA assisti ao “Bem, Amigos!”. Não tenho paciência de OUVIR nem a voz do Galvão Bueno, que dirá, as suas sandices.

O Instituto Canhotinha de Ouro modifica a vida de milhares de crianças e jovens. As pessoas que conhecem o nosso trabalho, que visitam os nossos núcleos, se encantam com as mudanças que o esporte, o carinho, o amor e a dedicação diária de profissionais muito sérios (ex-jogadores de Futebol, Profissionais da Educação Física, Nutricionistas, Psicólogos, Assistentes Sociais, Pedagogos, Médicos e Dentistas) podem trazer para a vida dos alunos e seus familiares.

Conheço várias entidades filantrópicas que trabalham com esportes e crianças (inclusive o futebol), que são apenas marketing. Os seus fundadores “tiram onda” de politicamente corretos, e usam as Instituições em benefício próprio. É lamentável!

No mais, meu pai tem um enorme orgulho dos seus filhos (as), e se emociona (chora muito, acredita?) todas as vezes que visita seus núcleos.

Somos uma imensa FAMÍLIA!

Abraços em todos!

Patricia Nunes

A livre expressão no Blog e a falta de respeito entre comentaristas

Carlos Newton

Este Blog foi criado em busca da utopia da livre expressão e do respeito entre os comentaristas. Suas regras são simples, ninguém está proibido de participar, basta não ofender aos outros. Caminhamos bem durante anos, mas pouco a pouco o Blog foi se modificando. Hoje as ofensas prevalecem, não se sabe mais para que serve este espaço.

Recordar é viver. Esta mudança de rumo começou quando o comentarista Vicente Limongi Netto apoioi aqui o senador Collor de Mello, para o qual então trabalhava e tinha até obrigação profissional de defendê-lo. Foi o que bastou. A partir daí, não teve mais sossego. Sempre que escrevia um artigo ou fazia um simples comentário, era um festival de ofensas, sempre ligadas a Collor. Sem a menor dúvida, Limongi passou a ser perseguido de forma implacável, mas não pelo que escrevia, apenas por ter defendido Collor.

Este sábado, publicamos um artigo dele sobre o gravíssimo problema da insegurança em Brasília, tema que vem sendo abordado aqui também pelo comentarista Francisco Vieira. Praticamente não houve comentários sobre o assunto, apenas ofensas e mais ofensas a Limongi e a Collor.

É como se o jornalista Vicente Limongi Netto estivesse proibido de aqui escrever. Enquanto viver, não poderá publicar um só artigo nem comentar nenhum assunto, porque imediatamente outros comentaristas passarão a ofendê-lo, e ele não pode sequer replicar, vejam bem que condenação ampla, geral e irrestrita.

Este tipo de comportamento coletivo, sectário e irracional, é conhecido também pelo nome de censura. Pensem nisso, porque censura é um procedimento covarde e inaceitável. Aqui na Tribuna da Internet, que um dia sonhou em ser um espaço aberto e verdadeiramente democrático, nenhum tipo de censura pode ser aceitável, especialmente quando a censura se confunde com linchamento moral.

Nota-se este procedimento também em relação a Leonardo Boff e Mauro Santayana, dois homens de bem, dignos de respeito e que merecem ter espaço para apresentar suas ideias. Afinal, se é para este Blog se tornar um espaço de pensamento único, é melhor acabar logo com ele.

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PS1- Por fim, ao escrever esse texto, me veio à cabeça o trabalho incansável de dois grandes juristas: Sobral Pinto e Jorge Béja, que se notabilizaram por defender os despossuídos e os perseguidos, sem nada lhes cobrar. Toda pessoa tem direito de defesa, não importa o que tenha feito. Lembro que Dr. Sobral tinha horror do comunismo, era católico praticante, ia todo dia à missa, mas defendeu com uma garra impressionante o direito de Luiz Carlos Prestes ser comunista. Que lição de vida, hein?

PS2 – Li, há pouco, que Francisco Bendl quer parar de escrever. Espero que pense melhor e não nos deixe. As disputas e divergências passam, o importante é o que fica.

O pavor e o medo tomaram conta de Brasília

Vicente Limongi Netto

A verdade precisa ser dita. Bobagem tentar esconder o sol com a peneira. Basta de conversa fiada. O brasiliense não suporta mais viver com tantos problemas. A ex-capital da esperança tornou-se um caos. Triste constatação. Em todo lugar predomina a avassaladora insegurança.

O  atendimento nos hospitais e prontos-socorros é medonho, humilhante e desrespeitoso. O transporte público, um horror. Uma vergonha.  Diariamente as notícias ruins, tristes e assustadoras tomam conta da televisão, rádio e jornais. O medo tomou conta da rotina do cidadão. O lero-lero das autoridades chega a ser cínico. Alunos não têm mais segurança nem dentro das salas de aula.

Punição severa e cadeia para estes marginais. Moleques, desajustados, bandidos e pedófilos têm que ser enjaulados. A meu ver, esta escória deveria ser perseguida. Chega. A população exige enérgicas providências. Pagamos impostos caros e não temos o devido, merecido e justo retorno. Assaltantes, traficantes, drogados e mendigos tomaram conta das ruas, das esquinas e dos estacionamentos.

O pânico e o medo dominam Brasília. Dói dizer: o governo está perdendo de goleada a guerra contra a bandidagem. Falta firmeza, união, coragem e determinação para coibir a ação dos criminosos. Até quando, Santo Deus, continuaremos reféns de tantas atrocidades?

PSDB não pede impeachment porque não será o “beneficiário”

Catia Seabra e Natuza Nery
Folha

O PSDB desistiu de bancar, neste momento, um pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Após receber parecer sobre sua viabilidade jurídica, o presidente do partido, senador Aécio Neves (MG), admitiu nesta quarta-feira (20) que outras medidas devem ser adotadas antes que o partido apresente um pedido de afastamento de Dilma.

Nesta quinta-feira, Aécio apresentará aos demais partidos de oposição um relatório do jurista Miguel Reale Júnior. O parecer não traz elementos que sustentem um pedido de impeachment agora.

Na avaliação do PSDB, é melhor esperar o avanço da Operação Lava Jato, que investiga o esquema de corrupção na Petrobras, e buscar outros elementos que sustentem um processo contra Dilma.

Em vez de impeachment, Aécio vai sugerir que a oposição entre com uma ação penal contra a presidente por causa das manobras fiscais usadas para fechar as contas do governo no seu primeiro mandato, que viraram alvo de questionamentos no TCU (Tribunal de Contas da União). ” Embora afirme que existem indícios fortes contra a petista, este “não é o momento para o movimento de impeachment”.

A mudança de tom no discurso de Aécio é significativa. Em abril, o tucano disse que já via “motivo extremamente forte” para impeachment nas denúncias de corrupção na Petrobras. Dias depois, o líder da bancada tucana na Câmara, Carlos Sampaio (SP), afirmou que apresentaria um pedido de impeachment em uma semana.

Acabou prevalecendo no partido a tese de que é preferível desgastar a presidente do que propor uma ação de resultado incerto agora. Os tucanos reconhecem que não há adesão popular significativa à causa do impeachment, e que não há consenso sobre o tema nem mesmo no PSDB.

BENEFICIÁRIO

O senador José Serra (SP) e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, por exemplo, não estão certos de que o PSDB será o beneficiário direto de um eventual afastamento da presidente.

Tucanos lembram que o PMDB, partido alinhado ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, assumiria o poder em qualquer circunstância, fosse com a posse do vice Michel Temer ou com a convocação de uma nova eleição, processo que seria conduzido pelos peemedebistas que hoje controlam o Congresso.

Parte da cúpula do PSDB, incluindo Fernando Henrique, acha que, apesar dos arranhões em sua imagem, Lula poderia voltar ao jogo eleitoral. Por isso, a estratégia preferida agora é explorar a atual vulnerabilidade do PT para atingir o líder do partido.

“Em 2016 [ano das eleições municipais], o PT estará nas cordas”, afirmou Aécio. “Até 2018, Dilma não vai recuperar a economia. O crescimento médio [do PIB] será de 1%”, disse o senador tucano.

GOVERNADORES

Na quarta, durante reunião em Brasília, governadores de oposição se mostraram resistentes às propostas de impeachment, porque temem os reflexos de um agravamento da crise político na economia de seus Estados.

Antes de entrar na reunião, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), disse que “o país enfrenta uma recessão maior do que se imagina”. Segundo ele, a gravidade da crise é perceptível na economia de São Paulo.

Os tucanos acham que, com o PMDB à frente do Congresso, há mais chances de os Estados verem suas reivindicações atendidas. “Nunca tivemos um ambiente tão favorável”, afirmou o governador Marconi Perillo (GO).

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGAo enviar esta matéria ao blog, o jornalista Vicente Limongi Netto fez a seguinte pergunta: “Até onde irá a canalhice dos tucanos?”. Realmente, é impressionante, e parece que eles não têm limites. (C.N.)

Um hino em louvor às mães, por Herivelto Martins e David Nasser

O jornalista, escritor e letrista, nascido em Jaú (SP), David Nasser (1917-1980), é autor de diversos clássicos do nosso cancioneiro popular, entre os quais “Mamãe” (em parceria com Herivelto Martins), que passou a ser considerada como o hino do Dia das Mães. A música foi gravada por Ângela Maria, em 1956, pela Copacabana.

MAMÃE
Herivelto Martins e David Nassser

Ela é a dona de tudo
Ela é a rainha do lar
Ela vale mais para mim
Que o céu, que a terra, que o mar

Ela é a palavra mais linda
Que um dia o poeta escreveu
Ela é o tesouro que o pobre
Das mãos do Senhor recebeu

Mamãe, mamãe, mamãe
Tu és a razão dos meus dias
Tu és feita de amor e de esperança

Ai, ai, ai, mamãe
Eu cresci, o caminho perdi
Volto a ti e me sinto criança

Mamãe, mamãe, mamãe
Eu te lembro o chinelo na mão
O avental todo sujo de ovo

Se eu pudesse
Eu queria, outra vez, mamãe
Começar tudo, tudo de novo

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MÃE, O BEM MAIS PRECIOSO

Vicente Limongi Netto

Falar da minha mãe é exaltar o belo, é comemorar a competência, é salientar a firmeza de caráter, é cantar o amor, a solidariedade, a ternura e a beleza da vida. Recordar traços marcantes da minha amada irretocável e insuperável mãe, Alcy, é  sublinhar a determinação de viver. É participar de momentos inesquecíveis de lições de fé, de otimismo, de perseverança, de incentivo aos bons sentimentos.

Seguramente,  lembrando da minha mãe,  também homenageio com emoção e prazer, todas  as amadas e dedicadas mães, queridas e amigas, neste domingo especial.
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DIA DAS MÃES
Paulo Peres

Entre a razão e a emoção
Existe um ponto de interrogação
Chamado Humana Renovação:
Ventre bendito – coração MÃE,
Obra Suprema do Criador.

MÃE.
Neste dia dedicado a VOCÊ,
Quero parabenizá-la e pedir-lhe
Que continue a ser esta MÃE
MARAVILHOSA!

               (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

Bernardo Cabral bem que avisou sobre a questão da água

A escassez de água tornou-se um problema cada vez mais grave

Vicente Limongi Netto

Hoje, quando a escassez de água tornou-se um tormento para governantes e população, vale recordar que há 18 anos, como senador, palestrante e escritor, Bernardo Cabral já ponderava e alertava sobre o assunto. Dizia ele: “É preciso colocar-se na agenda da humanidade, como questão central, a falta de planejamento e racionalidade no uso dos recursos hídricos, uma constante que começa a ameaçar o abastecimento adequado”.

Como senador, Bernardo Cabral foi relator, em 1997, da lei que criou a politica Nacional dos Recursos Hidricos. Em 2000, foi também relator no Senado da lei que criou a Agência Nacional de Águas. Em 2004, Cabral continuava na sua pregação, no Brasil e no exterior, chamando a atenção para a crise hídrica.  O ex-ministro da Justiça e ex-senador antevia que o Brasil teria imensas dificuldades para lidar com o tema:

“A falta de planejamento e racionalidade no uso de recursos hídricos não é, por certo, uma característica isolada das grandes cidades, mas, sim, uma constante em todo o Brasil, que começa a ameaçar o abastecimento adequado dos vários aglomerados urbanos”, salientava Bernardo, destacando que “a mãe de toda a vida na terra é a água. Dela surgiu a vida. Dela a vida se nutre”.

Cabral tem diversos livros tratando de recursos hídricos , todos com edições esgotadas.

O poder sem limites de um empreiteiro espertalhão

Vicente Limongi Netto

O ciclo de corrupção que se abate sobre o país tem tentáculos espalhados pelos estados e municípios. Um exemplo marcante é a situação de Jaú, uma progressista cidade de São Paulo, onde atua o empreiteiro e empresário imobiliário Ailton Caseiro, que conseguiu influenciar até mesmo o Plano Diretor elaborado pela Câmara Municipal.

A situação chegou a tal ponto que em março de 2012 o juiz federal José Maurício Lourenço atendeu pedido do Ministério Público Federal em Jaú e determinou a indisponibilidade dos bens e a quebra do sigilo telefônico do então prefeito de Jaú, João Sanzovo Neto, de Ailton Caseiro, que é primo dele, e do ouvidor municipal Antonio Dias de Jesus. A liminar foi pedida pelo procurador da República Marcos Salati, em ação civil pública que apurou atos de improbidade administrativa na condução do novo Plano Diretor do município.

O MPF em Jaú investigava as ilegalidades na elaboração do novo Plano Diretor de Jaú desde 2006. O plano foi elaborado, votado e publicado em apenas três meses e, segundo o MPF, beneficiou Ailton Caseiro, o primo do prefeito, que foi favorecido com autorização para construir 12 dos 22 loteamentos previstos pelo Plano Diretor.

FESTIVAL DE IRREGULARIDADES

Para a elaboração do anteprojeto do Plano foi contratada sem licitação a Fundação para a Pesquisa Ambiental (Fupam), presidida por Francisco Segnini Júnior, que por sua vez, contratou o escritório do arquiteto Jorge Wilheim para realizar o anteprojeto. A subcontratação, afirmou o Ministério Público Federal, por si só já é ilegal.

O fato é que o empreiteiro Ailton Caseiro, ao longo dos anos, construiu um patrimônio milionário debaixo do manto da suspeita, pois são notórias as irregularidades cometidas no âmbito dos leilões judiciais, na maior parte das vezes por erros grosseiros da Justiça e conivência criminosa de magistrados. E ainda reforçou sua fortuna no rastro de obras superfaturadas na seara da Prefeitura municipal.

Sendo representante legal de suas empresas, Ailton Caseiro é réu em grande número de ações na Justiça do Trabalho, mas ao mesmo tempo, em leilões judiciais, arremata bens imóveis arrolados em processos também trabalhistas. Em Jaú, ele conseguiu a proeza de arrematar um imóvel após encerrada a hasta pública, num acordo criminoso selado às escuras e longe dos olhos de outros interessados, dentro do gabinete do magistrado.

Esse exemplo de Jaú demonstra que a organização criminosa que derrete o Estado brasileiro sofre de metástase, conforme se comprova pela impunidade do empreiteiro Ailton Caseiro.