Ações coordenadas, pressão internacional e o risco da normalização do absurdo

Bolsonaristas tentaram fazer um cerco à democracia

Pedro do Coutto

A recente tentativa de bolsonaristas de ocupar o plenário da Câmara dos Deputados não é um episódio isolado ou casual. Trata-se de mais uma peça de um enredo articulado e cuidadosamente montado para desestabilizar o governo Lula, enfraquecer instituições democráticas e criar um ambiente de pressão contra o ministro Alexandre de Moraes, símbolo da resistência judicial à escalada autoritária do bolsonarismo.

A entrevista de Eduardo Bolsonaro ao jornal O Globo, na qual o deputado licenciado admite atuar diretamente junto ao governo dos Estados Unidos contra decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), expõe de forma cristalina a extensão dessa cruzada antidemocrática. Não se trata apenas de retórica política – há, sim, uma ação coordenada no tabuleiro institucional e internacional.

OBSTRUÇÃO – A articulação vista no Congresso reflete uma tentativa de obstrução total do funcionamento da Câmara dos Deputados, liderada por um grupo que não reconhece os limites da legalidade e que opera pela chantagem política. A ocupação do plenário, que se estendeu pela madrugada, ultrapassou os limites da oposição parlamentar legítima.

Diferente da obstrução regimental – ferramenta democrática do jogo legislativo –, o objetivo claro era travar qualquer votação, inclusive a de uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que poderia anistiar Jair Bolsonaro e restituir-lhe a elegibilidade. A ironia perversa é que os mesmos que insuflam o caos institucional são os que se beneficiariam diretamente de um projeto que ignora a gravidade dos ataques à democracia de 8 de janeiro.

Esse tipo de conduta abre um precedente perigoso: a transformação do Parlamento em campo de batalha para interesses pessoais e antirrepublicanos. O Congresso deixa de ser o espaço do diálogo para se tornar um refém de agendas radicais.

EXTREMA-DIREITA –  Não se pode ignorar o pano de fundo internacional. Eduardo Bolsonaro, com seu histórico de aproximação com a extrema-direita global, tenta novamente instrumentalizar atores externos – no caso, a gestão Donald Trump – para legitimar sua narrativa interna de perseguição. O recente “tarifaço” decretado por Trump confere ainda mais instabilidade ao cenário, embaralhando o xadrez geopolítico e alimentando a retórica conspiratória da direita brasileira.

O que se viu na Câmara não foi um ato espontâneo de indignação política. Foi uma investida calculada, sem a devida lógica jurídica ou institucional. E é justamente essa ausência de lógica, esse desprezo pelas regras do jogo, que torna tudo ainda mais perigoso. Uma democracia não se sustenta apenas pelo rito formal das eleições, mas pelo respeito contínuo às instituições, aos princípios constitucionais e à ordem pública.

É hora de reconhecer os sinais. A tentativa de ocupação do Congresso, o lobby internacional contra o STF e a sabotagem legislativa não são eventos desconexos. São parte de uma estratégia de erosão institucional que precisa ser enfrentada com firmeza, sob pena de nos acostumarmos com o absurdo. A democracia, para continuar sendo mais do que uma formalidade, exige vigilância constante. E coragem.

17 thoughts on “Ações coordenadas, pressão internacional e o risco da normalização do absurdo

  1. “No presente caso”!
    CAPÍTULO XII
    “Os órgãos de caráter oficial virão em primeiro plano.Velarão sempre pelos nossos interesses e por isso sua influência será quase nula.
    No segundo plano, virão os oficiosos, cujo papel será atrair os indiferentes e amorfos.

    No terceiro plano, poremos a pretensa oposição. Um órgão pelo menos deve ser sempre o antípoda de nossas idéias(8).

    Nossos adversários tomarão esse falso opositor como seu aliado e nos mostrarão seu jogo.

    Nossos jornais serão de todas as tendências: uns aristocráticos; outros, republicanos, revolucionários, ou mesmo anarquistas, enquanto existir a constituição, bem entendido.

    Terão, como o deus hindú Vichnú, cem mãos, cada uma das quais acelerará a mudança da sociedade(9); essas mãos conduzirão a opinião no sentido conveniente aos nossos fins, porque um homem muito agitado perde a faculdade de raciocinar e facilmente se abandona à sugestão. Os imbecis que pensarem que repetem a opinião de seu partido repetirão a nossa opinião ou a que nos convier. Imaginarão que seguem o órgão de seu partido e seguirão, na realidade, a bandeira que arvorarmos por ele.

    Para dirigir nesse rumo nosso exército de jornalistas, deveremos organizar essa obra com cuidado muito especial.Sob o nome de escritório central de imprensa, organizaremos reuniões literárias, nas quais nossos agentes dirão, sem que ninguém desconfie, a palavra de ordem e os sinais. Discutindo e contradizendo nossa iniciativa de modo superficial, sem penetrar no âmago das questões, nossos órgãos entreterão vaga polêmica com os jornais oficiais, a fim de nos dar os meios de nos pronunciarmos mais claramente do que o poderíamos fazer nas nossas primeiras declarações oficiais.

    Esses ataques desempenharão ainda o papel de fazer com que nossos súditos se julguem garantidos de falar livremente; isso dará, demais, a nossos agentes motivo para dizerem e afirmarem que os órgãos que se declaram contra nós nada mais fazem do que falar a toa, pois que não podem achar verdadeiras razões para refutar seriamente nossas medidas.

    Tais processos, despercebidos da opinião pública, porém seguros, certamente atrairão para nós a atenção e a confiança pública.Graças a eles, excitaremos e acalmaremos, conforme for preciso, os espíritos, nas questões políticas, persuadindo-os ou desanimando-os, imprimindo ora a verdade, ora a mentira, confirmando os fatos, ou contestando, segundo a impressão que fizerem no público, apalpando sempre prudentemente o terreno antes de dar um passo…Venceremos infalivelmente nossos adversários, porque eles não terão à sua disposição órgãos em que se possam pronunciar até o fim, devido as medidas a que já aludimos. Não teremos necessidade de refutá-los profundamente…

    Refutaremos enérgicamente em nossos órgãos oficiosos os balões de ensaio lançados por nós na terceira categoria de nossa imprensa, em caso de necessidade.

    Já agora, nas formas do jornalismo francês, pelo menos existe uma solidariedade franco-maçônica. Todos os órgãos da imprensa estão ligados entre si pelo segredo profissional; semelhantes aos antigos augures, nenhum de seus membros revelará o segredo de suas informações, se não receber ordem para isso. Nenhum jornalista ousará trair esse segredo, porque nenhum deles será admitido na órbita da literatura, se não tiver uma mancha em seu passado; essa mancha seria imediatamente revelada. Enquanto tais manchas forem conhecidas somente por alguns, a auréola do jornalista atrairá a opinião da maioria do país e ele será seguido com entusiasmo. (10).

    Nossos cálculos se estendem sobretudo para a província. É necessário que nela excitemos esperanças e aspirações opostas às da capital que faremos passar como espontâneas. é claro que a fonte será sempre a mesma: elas partirão de nós. Enquanto não desfrutarmos o poder de modo completo, teremos a necessidade de envolver as capitais pelas opiniões dos povos da província, isto é, pelas opiniões da maioria manobrada por nossos agentes. É necessário que as capitais, no momento psicológico, não discutam o fato consumado, por isso é que já foi aceito pela opinião provincial.
    Quando entrarmos no novo regime que preparará nosso reinado, não poderemos tolerar a revelação da desonestidade pública pela imprensa; será necessário que se creia que o novo regime satisfez tão bem toda a gente que os próprios crimes desapareceam… Os casos de manifestação da criminalidade não deverão ser conhecidos de suas vítimas e de suas testemunhas acidentais (11).”

    • “O NOVO AMANHECER.”

      “O sol nasce cedo em Washington. Nesta manhã, seus primeiros raios atingiram as colunas clássicas do prédio do Tesouro, lançando longas sombras nas ruas ainda silenciosas. Mas lá dentro, sob o mármore e o granito, as telas ainda brilhavam em azul. Os algoritmos do DOGE nunca dormem.
      “O estado administrativo foi construído ao longo de décadas”, explicou um consultor sênior, observando novos padrões surgirem nas telas. “Construído para resistir à mudança. Construído para sobreviver aos presidentes. Construído para preservar o poder.”
      Ele fez uma pausa, rastreando um fluxo de dados particularmente interessante. “Mas eles nunca imaginaram isso. Eles construíram muros contra ataques políticos. Defesas contra exposição da mídia. Escudos contra supervisão do Congresso.”
      “Eles nunca se prepararam para algoritmos que pudessem mapear tudo. Para pessoal pré-posicionado em todos os lugares. Para um presidente que conta cada semana como se fosse a última.”
      Os números contam a história: No Tesouro – redes mapeadas, desperdício exposto, sistemas reconectados Na USAID – décadas de fluxos ocultos revelados, estruturas de poder desmanteladas Em todas as agências – redundâncias eliminadas, autoridades realinhadas, missões reorientadas
      Mas os números não são toda a história.” PS. Continua, em: Vale a pena ver essa história do arrombamento da USAID. A seguir uma tradução livre do texto.
      Longo mas mostra que não sabemos de nada e os caras vieram preparados… em nível intergalactico.

      https://eko.substack.com/p/override

  2. Mais um “defensor da Democracia”.

    Apoia Irã, Cuba e admira o regime chinês também?

    A esquizofrenia impede está gente de ter qualquer percepção dos acontecimentos do mundo real.

    Sei que é difícil reconhecer que louvar o farsante Lula é imbecilidade.

    Fi-lo muito tarde. Em 2009.

    • São tão a encarnação da Democracia, que se dispensa qualquer outra opção ideológica.

      Infelizmente só mesmo os B2s do Trump pra fazer acordar nossos “democratas”, como fizera com o padrão de Democracia da Organização, o Irã dos atolados aiatolás.

  3. Esses ” arruaceiros , baderneiros e subversivos ” , continuam a usarem a panacada já presas para os seus propósitos de obtenção da impunidade , que nada tem a ver com diferenças ” filosóficas ou ideológicas ” , com o agravante de que escancaram de vez seus intentos desestabilizarem as instituições Brasileiras e tomarem-na de assalto , aliado a governos estrangeiros , expondo a integridade territorial Brasileira em troca de apoio político de governos estrangeiros .

  4. Nossos “defensores da Democracias”, esquizoides, alienados da realidade entraram numa sinuca de bico de uma forma tão irreversível, que só lhes resta cair na caçapa, digo, buraco negro.

    Estes “democratas” deveriam saber e conscientizarem-se de que na realidade democrática concreta, real, não há espaço para a imposição do pensamento único e de que o tempo não para.

    • O maior risco da Organização Petista na destruição da nossa Democracia, é que o fazem dizendo a defender.

      Mas é espantoso como conseguiram tal nível de alienação da Sociedade.

  5. A ocupação da cadeira do presidente da Câmara é uma segunda tentativa de Golpe de Estado.
    Tratou-se de um MOTIM liderado pelo líder do PL, deputado Sóstenes Cavalcante.
    Impediram na base da força, o funcionamento da casa legislativa.
    O objetivo primeiro, lógico, é a Anistia para Jair Bolsonaro. Portanto, um movimento da bancada reacionária da Câmara, todos defensores dos golpistas tiranos. A máscara dos deputados favoráveis ao Golpe de Estado caiu. Eles ficaram consternados da boca para fora, quando houve o vandalismo contra o Congresso, a cada em que esses cidadãos trabalham, em oito de janeiro de 2023.
    Na prática, esses deputados, que se amotinaram na Câmara para exigir do presidente da Câmara, deputado Hugo Motta, que pautasse o Projeto da Anistia para Bolsonaro.

    Sóstenes Cavalcante, o deputado líder do Motim, traiu o presidente da Câmara, porque o líder do deputado pastor e Jair Bolsonaro, de quem é vassalo e o segue com obediência canina.

  6. As cenas, são dantescas, piores do que as brigas de rua, quando as gangues criminosas, se digladiam pela defesa dos territórios do crime.

    O deputado Sóstenes, líder do PL, delegou para o deputado Zé Trovão, o papel de cão de guarda, capitão do mato, gângster nas escadas de acesso ao plenário, impedindo Hugo Motta, o presidente da Câmara de subir até sua mesa. Situação inusitada, para não dizer de desobediência apartada do Regimento.

    Quando Sóstenes deu a ordem para Trovão tirar a perna e deixar Hogo Motta subir para a cadeira da presidência, três deputados impediram o presidente de sentar nela. Nikolas Ferreira, Von Hatem abraçaram a cadeira e um terceiro sentado nela, provocaram um constrangimento abissal para o Presidente da Câmara.

    Além da Anistia para Bolsonaro, os deputados amotinados e baderneiros, querem o fim do Foro Privilegiado. Por que? Temem serem julgados pelo STF. Preferem a Primeira Instância, porque acham que no Primeiro Grão da Justiça, eles podem interferir no juiz singular e caso sejam condenados podem recorrer ao Segundo Grau, ao STJ e por fim ao STF. Na prática, nunca serão condenados. Eles querem o salvo conduto para roubar a vontade, os recursos públicos das emendas parlamentares.

    Agora, se os deputados e senadores, estão livres para cometer todos os tipos de abusos, sem serem responsabilizados civil e criminalmente, então, que se abram todas as portas das cadeias do Brasil, cumprindo a Constituição Cidadã, com base na Isonomia e na Igualdade perante as Leis.

  7. No Senado, o buraco foi mais embaixo. Quando Davi Alcolumbre gritou, todos os amotinados, lembrando Prometeu Acorrentado, com os braços acorrentados na cadeira do presidente da casa dos Seniors, saíram todos de cabeça baixa. O mais exaltado, o ridículo senador pelo Espírito Santo, cantor de música gospel, Magno Malta, envergonhado, pediu desculpas ao Davi Alcolumbre, docemente constrangido. Esse Motim, tanto no Senado quanto na Câmara, não vai dar em nada.
    Essa turma baderneira e amotinada, de deputados e senadores reacionários, que desejam impor suas pautas na marra, para livrar Bolsonaro da cadeia e acabarem com o Foro Privilegiado, para continuarem usando verbas públicas das emendas parlamentares, para enriquecer e usar nos seus currais eleitorais para se elegerem indefinidamente.

    O Brasil está uma loucura.

  8. Não estou sozinho na ideia de erguer uma estátua para Alexandre de Morais. Sou o único que defendo uma estátua para o ministro do STF, aqui, neste espaço da Democracia.
    Agora, leio com certa emoção, que a genial cronista do O Globo, Cora Ronai, em artigo de quinta-feira, no Segundo Caderno, pag.6, sob o título: O BEDEL E O CAPITÃO OFFLINE, também defende uma estátua para Alexandre de Morais.

    In verbis, o que disse Cora Ronai:
    ” O Brasil deveria erguer uma estátua para o ministro Alexandre de Morais; na verdade, várias. O ministro é uma figura polêmica, tem o péssimo hábito de usar maiúsculas no texto….”

    Continuando, in verbis:
    ” Mas, SE NAO FOSSE POR ELE, nós teríamos afundado num período de trevas, em vez de estarmos apenas mergulhados no caos – o que, considerado o cabuloso panorama mundial, é lucro e felicidade.”

    Mais um pouco, in verbis:

    “O ministro tem sido o provérbios adulto na sala. É um adulto autoritário e irredutível, mas é o que temos, e que bom que temos.”

    O ministro Alexandre de Morais certamente não é santo, e está longe de ser irrepreensível. Mas, neste momento da nossa história, tem sido a muralha que nos separa da barbárie. Diante da alternativa, sobretudo depois de ver a palhaçada dos senadores da quinta série, ainda prefiro um bedel implacável a um porteiro distraído.”

    O PREÇO DA LIBERDADE É A ETERNA VIGILÂNCIA

    Prezada Cora Ronai,, bem vinda ao clube. Tô contigo e não abro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *