Direita está dividida, mas ainda é cedo para considerar Lula reeleito

Tribuna da Internet | Tendência da política é caminhar para centro-direita em 2026

Charge do Zé Dassilva (Arquivo Google)

Merval Pereira
O Globo

Temos cerca de dois meses e meio para entender o que a direita nacional levará para a campanha presidencial contra a reeleição de Lula. As pesquisas mostram que a soma dos diversos candidatos da direita é maior que os votos prometidos a Lula, sugerindo que, se houvesse um candidato único desse espectro político, a disputa seria acirrada.

Só que não. Quando se vai para o segundo turno, Lula hoje venceria qualquer deles. Está garantida a vitória? Nada disso.

A rejeição a Lula continua alta, mas a de Flávio Bolsonaro é de igual magnitude. Teremos então, como em 2022, uma disputa entre rejeitados? Só se Flávio mantiver sua candidatura até 4 de abril.

TARCÍSIO É OPÇÃO – Ainda há pesquisas pela frente. Se nelas o candidato oficial do bolsonarismo não conseguir se manter estável, é provável que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, volte a surgir como candidato possível.

O que é preciso saber é se a teimosia do ex-presidente Bolsonaro o impedirá de mudar de ideia, mesmo com uma derrota provável prevista pelas pesquisas. Perder com Flávio seria melhor que vencer com Tarcísio, como ele parece pensar agora, ou a vontade de ser libertado falará mais alto?

Com Lula reeleito, não haverá indulto, ou graça, ou outra medida qualquer que o beneficie. Com Tarcísio, mesmo com toda a desconfiança, é provável que saia alguma coisa, embora a liderança da direita no Brasil passe de mãos.

EM DECLÍNIO – Com a possibilidade de Tarcísio ficar oito anos à frente do governo, dificilmente os Bolsonaros terão papel relevante no jogo político. Prosseguindo candidato, Flávio poderá unir a centro-direita num segundo turno contra Lula?

Primeiro, tem de chegar ao segundo turno, o que pode ser dificultado por uma candidatura do PSD como a do governador Ratinho Junior, do Paraná. Se o candidato for Tarcísio, a direita estará unida desde o primeiro turno. Se for Flávio, estará dividida. A divisão dos dois ajudará Lula, mas dificilmente o presidente atual venceria no primeiro turno.

Qualquer dos dois que chegue ao segundo turno unirá a direita, mas um sobrenome desses não levará o apoio do centro. Podem aumentar os votos nulos e em branco, mas pode ocorrer novamente o mesmo que na eleição mais recente: os votos do centro elegerão Lula, ainda que com pequena vantagem. Talvez a vantagem se amplie, depois do que aconteceu no governo Bolsonaro.

HAVERÁ MUDANÇAS – As placas tectônicas da política estão se movimentando, alguns dos governadores que se lançaram candidato não se apresentarão. Ronaldo Caiado, de Goiás, deverá disputar o Senado; Romeu Zema deverá ser candidato a vice de Ratinho, enquanto o Centrão tenta emplacar a vice de Flávio Bolsonaro.

Para garantir um Bolsonaro na chapa, Tarcísio se aproxima da ex-primeira-dama Michelle, que aparentemente tem mais votos que Flávio. O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, não disputará contra Tarcísio nem Ratinho, que é de seu partido.

A esquerda, aparentemente hegemônica na eleição presidencial, tem dificuldades para montar seus palanques nos principais estados. Tirando o Rio, onde apoiará o prefeito Eduardo Paes, o PT não tem candidaturas fortes em São Paulo ou em Minas — são os três estados que costumam indicar a vitória presidencial. Especialmente em Minas. Nunca nos tempos recentes foi eleito um presidente que perdeu lá.

DESESPERO DO PT – A invenção de uma candidatura da ministra do Planejamento, Simone Tebet, para o governo de São Paulo não passa de desespero político do PT, num estado em que o atual governador é candidato favorito à reeleição e pode ainda ser o candidato da direita à Presidência.

Em Minas, Zema é a maior força política, e o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco não parece ter fôlego político suficiente para alavancar Lula.

As peças começam a ser movidas no tabuleiro. A partir de 4 de abril começa o jogo para valer.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Belíssima análise de Merval Pereira, que aborda as diversas hipóteses de candidaturas. Se Flávio Bolsonaro insistir na pretensão, as chances de Lula ser reeleito aumentam bastante. (C.N.)

3 thoughts on “Direita está dividida, mas ainda é cedo para considerar Lula reeleito”

  1. Clã bolsonarista ameaça Tarcínico e acena com Derrite ao governo paulista

    O clima beligerante entre os Bolsonaro e Tarcínico, que é acusado de não se engajar na campanha de Flávio Rachadinha, pode ser traduzido por essa ameaça feita recentemente por um integrante do clã:

    “Se Tarcísio mijar fora do penico, vamos lançar o (deputado e ex-secretário de Segurança Guilherme) Derrite ao governo de São Paulo”.

    O Globo, Política, 25/01/2026 06h20 Por Lauro Jardim

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    Filhos do ex-mito se distanciam de Micheque, na disputa política de 2026

    Fonte: O Globo, Política, 25/01/2026 03h30 Por Luísa Marzullo — Brasília

  2. EXCETO a gastança, a comilança, a impostança e a enxurrada de boletos e contas a pagar que não param de chegar, sob as penas da lei, o resto continua tudo parado com o país, a política e a vida da população girando apenas em torno de eleições, golpes, ditaduras e estelionatos eleitorais, que não levam o país, a política e nem a vida da população a lugar novo e alvissareiro nenhum… https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2026/01/25/manifestacao-direita.htm

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