
Charge do Fernandão (Arquivo do Google)
Pedro do Coutto
O Brasil convive, mais uma vez, com um velho conhecido: o endividamento crônico das famílias. Não se trata apenas de um dado estatístico frio — embora ele já seja alarmante por si só —, mas de um fenômeno que atravessa o cotidiano, molda o consumo, limita escolhas e, sobretudo, revela fragilidades estruturais da economia. Diante desse cenário, o governo federal prepara uma nova rodada de renegociação de dívidas, uma espécie de continuação ampliada do programa “Desenrola”, com promessa de descontos que podem chegar a até 90% dos débitos.
À primeira vista, a iniciativa parece irresistível. Em um país onde as dívidas de cartão de crédito chegam a patamares próximos de 400% ao ano, qualquer proposta de abatimento soa como um respiro necessário. O problema é que, ao observar com mais cuidado, surgem dúvidas legítimas sobre a eficácia de longo prazo da medida.
METADE DA RENDA ANUAL – O ponto de partida é preocupante: o endividamento das famílias brasileiras já se aproxima de metade da renda anual, um nível que compromete não apenas o consumo, mas a própria estabilidade financeira dos lares. Em resposta, o governo articula, sob a coordenação do Ministério da Fazenda, um programa que busca reorganizar essas dívidas por meio de renegociações com bancos, operadoras de cartão de crédito e instituições financeiras em geral.
A lógica é relativamente simples: substituir dívidas caras — como cartão de crédito e cheque especial — por linhas mais baratas, como crédito consignado ou operações com garantia. Na prática, isso significa trocar um passivo quase impagável por outro, teoricamente mais administrável. Mas é justamente aí que mora a complexidade.
Embora o desconto de até 90% seja um elemento politicamente poderoso, ele não elimina o custo estrutural do crédito no Brasil. Mesmo após a renegociação, os juros previstos giram em torno de 1,9% ao mês — algo próximo de 30% ao ano. Em um ambiente em que os salários crescem abaixo da inflação ou permanecem estagnados, essa equação continua desfavorável. Em outras palavras: o alívio pode ser imediato, mas a sustentabilidade permanece incerta.
FATOR COMPORTAMENTAL – Há ainda um fator comportamental que raramente entra no discurso oficial, mas que é central para entender o problema. Historicamente, programas de renegociação tendem a gerar um efeito colateral previsível: ao aliviar o estoque de dívidas, liberam espaço psicológico e financeiro para novo endividamento. Sem educação financeira consistente e sem aumento real de renda, o ciclo se repete — às vezes com ainda mais intensidade.
Do ponto de vista do sistema financeiro, o programa também carrega ambiguidades. De um lado, há o interesse em recuperar créditos considerados perdidos ou de difícil execução. De outro, existe o risco de compressão das margens, especialmente se o governo conseguir impor taxas mais baixas nas novas operações. Instituições como Itaú, Bradesco, Santander, Nubank e outras devem participar ativamente desse processo, ao lado de bancos públicos como Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil. A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) também entra como articuladora desse esforço coletivo.
Politicamente, o timing da medida não é coincidência. O anúncio previsto para o entorno do Dia do Trabalhador carrega simbolismo e estratégia. Programas que aliviam diretamente o bolso do cidadão tendem a produzir efeitos rápidos na percepção popular — algo especialmente relevante em um contexto pré-eleitoral. Há, portanto, um claro componente de capital político embutido na iniciativa.
DILEMA – Mas reduzir a discussão a uma leitura eleitoral seria simplificar demais o problema. A verdade é que o Brasil enfrenta um dilema mais profundo: como conciliar inclusão financeira com sustentabilidade econômica? O crédito, quando bem utilizado, é uma ferramenta de mobilidade social. Quando mal estruturado, torna-se uma armadilha silenciosa.
O sucesso — ou fracasso — do novo programa dependerá menos do volume de descontos e mais da capacidade de alterar essa dinâmica estrutural. Isso passa por três frentes essenciais: redução consistente das taxas de juros, aumento real da renda e fortalecimento da educação financeira. Sem esses pilares, qualquer iniciativa tende a funcionar como um paliativo, e não como solução.
Enquanto isso, milhões de brasileiros seguem diante de uma escolha difícil: renegociar e tentar recomeçar — ou continuar presos a uma espiral de dívidas que parece não ter fim. O governo oferece uma saída. Resta saber se ela é, de fato, uma porta de saída ou apenas mais um corredor dentro do mesmo labirinto.
O que resolverá é o “Jubileu”(Perdão das Dívidas=”A palavra está ligada a “trazer de volta” ou libertar, marcando o perdão de dívidas e a devolução de terras (Levítico 25). ), ”
PS. Dádiva libertadora atualmente só concedida favoravelmente a confessos corruptos!
O novo programa Desenrola 2.0, previsto para ser anunciado pelo governo em abril de 2026, permitirá o uso do saldo do FGTS para quitar dívidas e eu sou TOTALMENTE CONTRA isso porque na primeira crise que houver teremos demissões e o trabalhador desempregado não poderá contar com o FGTS para tentar sobreviver até que consiga nova vaga de emprego. O FGTS é um fundo contra cíclico justamente para esses momentos. pois Injeta dinheiro na economia via bolso do trabalhador para tentar reaquecer a economia em situações de crise. Falta a população educação financeira e ao governo contenção nos gastos públicos para que o BC possa baixar a taxa de juros. Com essa expansão monetária os juros permanecerão nas alturas fazendo com que os endividados não consigam quitar seus débitos e a inflação continue corroendo o poder de compra da nossa moeda. O governo dá com uma mão e tira com a outra.
Viu como o Belzebu sabe “administrar” o Páis
Usa o dinheiro do povo, para dar os banqueiros….
O povão não vai nem sentir os ‘corinhos de rato” no bolso, vãi direto para a conta dos “amigos”….
Não se preocupe com o Desenrola 2.0
Depois vai seguir com Desenrola 3.0, 4.0, 5.0, 6.0, 7.0……..
Com juros de 400%, 500% nos cartões não tem preto, branco, pobre e favelado que consegue pagar as faturas dos bancos…..
E tudo com a benção do Pai da Mentira, Belzebu de Nove Dedos…
o resto a história conta…..
aquele abraço
PS.
Por que o Belzebu não briga com os banqueiros amigos para baixar os juros nos niveis do Japão , Estado Unidos, 15% á 20% ao ano…???
À primeira vista, a iniciativa parece irresistível. Em um país onde as dívidas de cartão de crédito chegam a patamares próximos de 400% ao ano, qualquer proposta de abatimento soa como um respiro necessário. O problema é que, ao observar com mais cuidado, surgem dúvidas legítimas sobre a eficácia de longo prazo da medida.
Sr. Pedro
Com 5 mandatos o Belzebu de Nove Dedos não conseguiu ‘desenrolar” os juros dos cartões de crédito com os banqueiros…
Por que não brigou com os banqueiros durante esses 20 anos para baixar os juros de 600%,500%400% a taxas menores para não endividar o povão.??
Qual o motivo??
Sem contar os rombos no fundo e a PÉSSIMA remuneração que recebe. O trabalhador deveria poder investir esse dinheiro onde tivesse a melhor rentabilidade.
o dinheiro é do trabalhador e não do Belzebu de Nove Dedos e sua Maga Patológica.
simples assim….
Sr. Pedro,
O assunto é apaixonante, sei também alguns jumentos amestrados comedores de capim-gordura e eleitores do Belzebu de Nove Dedos não gostam dos fatos e da realidade , mas, fatos são fatos e temos de postar….
Veja como o Belzebu “vai cuidar do pobre”…
Bancos lucraram 8 vezes mais no governo de Lula do que no de FHC
Segundo levantamento do jornal Valor Econômico, retorno sobre patrimônio líquido das instituições financeiras subiu com Lula, mas caiu …
https://veja.abril.com.br/economia/bancos-lucraram-8-vezes-mais-no-governo-de-lula-do-que-no-de-fhc/
Em 2023, no primeiro ano do governo Lula, o lucro líquido dos bancos brasileiros somou cerca de R$ 144 bilhões, o equivalente a pouco mais de 4% sobre a quantia obtida no ano anterior, de R$ 139 bilhões. O número, além disso, representou um novo recorde histórico para o setor. Os dados fazem parte do último Relatório de Economia Bancária, preparado pelo Banco Central (BC).
PS
Sr. Pedro
Eu não invento nada, são dados do próprio Regime Soviético….
aquele abraço
“”O Itaú Unibanco registrou lucro líquido recorrente de R$ 46,8 bilhões em 2025, marcando o maior resultado da história de um banco brasileiro.””
Sr. Pedro
Acho que já entendi por que o Narcola não quer brigar com os banqueiros para baixar os 400% de juros dos cartões…..
Sabe quem, é um dos sócios do Banco Itaú.???
Desenrolando…..
A Vida é Bela e a Girafa é Amarela….
“Queria que morresse”: veja detalhes da briga do dono do Itaú com a ex
Roberto Setubal fez boletins de ocorrência contra Daniela Fagundes depois que o casal se separou. Ele a acusa de ameaça, injúria e agressões
https://www.metropoles.com/sao-paulo/queria-que-morresse-veja-detalhes-da-briga-do-dono-do-itau-com-a-ex
Sr. Pedro
Como diz nosso Editor-Chefe, o assunto é apaixonante.
Banco, nióbio, laranjas e Havaianas: de onde vem a fortuna da família de Walter Salles, diretor de ‘Ainda Estou Aqui’?
https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2025/02/27/banco-niobio-laranjas-e-havaianas-de-onde-vem-a-fortuna-da-familia-de-walter-salles-diretor-de-ainda-estou-aqui.ghtml
“”Com fortuna estimada em R$ 26,4 bilhões, Walter Salles é o 11º homem mais rico do Brasil, empatado com o irmão João Moreira Salles
Ele também é atualmente o terceiro diretor de cinema mais rico do mundo, segundo a revista Forbes””
PS.
Sr. Pedro
O Sr acha que o Burguês-Soça-Comuna Multi-Bilionário está preocupado com os juros de 400% nos cartões de crédito do preto, branco, pobre e favelado.??