Um desesperado poema de amor, dedicado a Castro Alves por Adélia Prado

Frases diárias: “O sonho encheu a noite Extravasou pro meu dia Encheu minha  vida E é dele que eu vou viver Porque sonho não morre.” — Adélia PradoPaulo Peres
Poemas & Canções

A consagrada professora, escritora e poeta mineira Adélia Luzia Prado de Freitas, no poema “Bilhete em Papel Rosa”, faz uma bela declaração de amor à Castro Alves.

BILHETE EM PAPEL ROSA
Adélia Prado
(A meu amado secreto, Castro Alves)

Quantas loucuras fiz
por teu amor, Antônio.
Vê estas olheiras dramáticas,
este poema roubado:
“O cinamomo floresce
em frente ao teu postigo.
Cada flor murcha que desce,
morro de sonhar contigo”.

Ó bardo, eu estou tão fraca
e teu cabelo é tão  negro,
eu vivo tão perturbada,
pensando com tanta força
meu pensamento de amor,
que já nem sinto mais fome,
o sono fugiu de mim.

Me dão mingaus, caldos quentes,
me dão prudentes conselhos,
eu quero é a ponta sedosa
do teu bigode atrevido,
a tua boca de brasa, Antônio,
as nossas vias ligadas.

Antônio lindo, meu bem,
ó meu amor adorado,
Antônio, Antônio.
Para sempre tua.                          

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