
Fachin disse ser necessário cobrar ação dos parlamentares
Paulo Assad
O Globo
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, afirmou na útima semana que é fundamental “exigir responsabilidade das plataformas digitais” ao discorrer sobre os impactos dos avanços tecnológicos, como a inteligência artificial, no debate público. A declaração foi dada durante o evento Justiça do Amanhã, que acontece ao longo do dia no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro.
O ministro do STF disse também ser necessário cobrar ação legislativa dos parlamentares e o “compromisso do Poder Judiciário” com as liberdades democráticas. Segundo o ministro, o desafio é equilibrar a liberdade de expressão e a integridade do debate público. Ele afirma que “a velocidade de circulação da informação frequentemente supera a velocidade da reflexão”, fazendo com que “questões complexas” sejam condensadas.
RESPONSABILIDADE – “Essa redução simplificadora da complexidade nos coloca diante de escolhas plebiscitárias toda hora”, disse Fachin, que acrescentou “Hoje, a informação está à mão. A pergunta é saber se ela gera esta reflexão, se está bem acolhida e bem sistematizada. É fundamental exigir responsabilidade das plataformas digitais, exigir ação legislativa, exigir compromisso do Poder Judiciário com as liberdades democráticas, exigir participação da academia e o fundamental envolvimento da sociedade civil e a permanente atenção, porque estamos diante de valores igualmente preciosos. De um lado, a liberdade de expressão. De outro, a integridade do debate público. A tarefa desafiadora consiste em proteger a ambos sem sacrificar um em nome do outro”, acrescentou.
No evento, Fachin falou ainda sobre o grupo de trabalho montado para discutir a remuneração dos magistrados no país. Segundo ele, a expectativa é que até novembro um anteprojeto para padronizar o tema nacionalmente esteja pronto. Fachin afirmou ainda que o STF deve concluir ainda em junho o julgamento que definirá as regras de transição.
“Nós iremos apreciar os embargos de declaração e depois desta apreciação dos embargos de declaração, nós iremos certificar o trânsito em julgado para que isso seja de fato praticado e obedecido pelos tribunais e fiscalizado pela Corregedoria Nacional de Justiça”, disse o presidente do STF.
PREVISIBILIDADE – Fachin afirma ainda que o anteprojeto deverá dar previsibilidade aos que ingressarem na carreira:”Antes de tudo, a magistratura há de fazer um chamamento para o ingresso na carreira das pessoas que, de fato, querem servir à sociedade e não servir-se dela”.
Outro tópico abordado no evento é o código de ética do STF, uma iniciativa de Fachin após assumir a presidência da Corte. No momento, a ministra Carmen Lúcia é a relatora do projeto, que será posteriormente debatido pelos ministros. Ela já declarou que pretende entregar a primeira versão do conjunto de regras antes do fim do ano.
“Nós temos deveres de transparência mais elevados do que as demais pessoas e, portanto, temos o dever também de dar o exemplo”, disse Fachin, que completou em seguida:”Assim que vier (o projeto da ministra Carmen Lúcia), iniciaremos a etapa subsequente que será a discussão no colegiado e o passo seguinte será a adoção do código de ética, que eu espero que não tarde”.
REFORMA – Segundo Fachin, em 2024, o Poder Judiciário brasileiro tinha em seu acervo mais de 80 milhões de processos em tramitação. Ao final do ano de 2025, eram 75 milhões. Diante dos números, o presidente do STF avaliou que é necessário pensar sobre como transformar o sistema de Justiça. Ele lembrou que a última reforma do Poder Judiciário data de 2004. Fachin disse que o grupo de trabalho constituído para tratar da questão deverá entregar até o final do ano um primeiro relatório.
“É necessário reconhecer os avanços que dali derivaram. Mas esses avanços não foram suficientes para enfrentar alguns gargalos”, disse Fachin. O ministro do STF citou como exemplos as “excessivas demandas na área previdenciária” e um “acervo excessivo” no qual o Poder Público consta como parte:”Chegou a hora de pensar numa transformação não apenas do poder judiciário, mas do sistema de justiça que compreenda a magistratura, Ministério Público, advocacia pública, a própria advocacia privada e também as defensorias”.
Organizado pelo República.org e o IDG, o evento reúne integrantes do sistema de Justiça, especialistas e representantes da sociedade civil para conversas sobre o futuro do sistema judiciário. Além de Fachin, presidentes de outros tribunais superiores irão participar do encontro.
Gilmar Mendes dá a senha para anular o Caso Master
Gilmar Mendes costuma medir cuidadosamente as palavras e os silêncios. Por isso, quem acompanhou sua entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, percebeu que havia algo além de uma observação casual sobre a condução, por André Mendonça, das investigações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro no Tribunal. Nas entrelinhas, o decano da Corte pareceu enviar um recado de alcance mais amplo.
“Na conversa que nós tivemos, por exemplo, André Mendonça disse que tinha recebido um advogado fazendo proposta de delação seletiva. E aqui já há uma impropriedade. Por quê? A lei não permite que o relator participe ou o juiz participe da delação. O acordo é entre Ministério Público ou Polícia Federal e o delator. Então aqui já há algo de erro crasso. Se está participando de conversas ou se está expulsando advogados do processo, isso tem algo de errado”, declarou Gilmar aos jornalistas na noite desta segunda-feira.
A fala chamou a atenção porque toca em um terreno já conhecido do Supremo: o debate sobre os limites da atuação do magistrado e a eventual contaminação da imparcialidade do julgador. Em tese, argumentos dessa natureza podem ser explorados por advogados para questionar procedimentos ou decisões judiciais, como ocorreu em outros casos de grande repercussão.
A Lei 12.850 de 2013 (a denominada Lei das Organizações Criminosas) é bem clara quando fala que um magistrado não pode participar das tratativas de acordo de delação. Isso para preservar a imparcialidade do magistrado.
Além disso, Gilmar é, há anos, um dos mais duros críticos dos métodos empregados pela Operação Lava Jato. Foi justamente a tese da parcialidade do julgador que embasou decisões do STF que anularam condenações do presidente Lula, do ex-ministro chefe da Casa Civil José Dirceu, entre outros.
Algumas perguntas, no entanto, são necessárias. Mendonça pode ser considerado imparcial ao simplesmente ser recebido por um advogado que propôs um acordo de delação? Mendonça pode ser considerado impedido por se manifestar sobre esse ‘acordo parcial’, o qual sequer foi analisado por ele e sim pela Polícia Federal (PF) e Procuradoria-Geral da República (PGR)? Data máxima vênia ao ministro Gilmar, não parece aqui o caso de se evocar a parcialidade de um magistrado.
Na semana passada, o ministro demonstrou incômodo com as manifestações de André Mendonça e com a condução do caso Master na Segunda Turma do Supremo. Gilmar ficou vencido ao defender medidas cautelares mais brandas para o pai de Daniel Vorcaro e assistiu a uma reação firme do relator em defesa de seus procedimentos.
Depois do incômodo público, Gilmar foi homenageado pelos demais colegas no plenário, em uma sessão de bajulação pública sem precedentes até mesmo para os padrões conhecidos de Brasília. A impressão que ficou após esse episódio é que a ala mais pragmática do Supremo tentou empoderar o decano após sua derrota em uma turma.
Esses fatos sugerem que a divergência entre os dois não é pontual. Sugere uma disputa de narrativa, sugere uma disputa de poder, sugere uma disputa sobre dois grupos em relação à condução do Caso Master no Supremo. A questão que fica agora é: o STF vai se dobrar aos caprichos de Gilmar ou, ao menos dessa vez, o decano será voto vencido?
O Antagonista, Opinião, 23.06.2026 10:17 Por Wilson Lima
Interessante. Moro (juiz) e Dallagnol (procurador) não podiam nem conversar. Gonô (uma doença) conversa, ouve opiniões, confabula, coaxa etc com quase todos os sinistros do Supremo Tayayá Federal. Sapo já pensou nisso ?
E aqueles que são doutores em fazer dossiê. E um cara que deu um curso para petistas, para enganar eleitores. Isso pode? Essa turma também falou no ano passado que vão fazer o diabo
Ao procurar em estabelecer a censura seletiva os das mais altas privilegiaturas se esmeram em piruetas vernaculares em linguagem empoladas como detentores das mais altas erudições.
Se eu fosse o Conselheiro Acácio diria que nosso Gilmar é o nosso Herculano.