
Legendas evitam compromisso com o senador
Marcelo Copelli
Revista Fórum
A indicação de Flávio Bolsonaro para disputar a Presidência não resultou na formação de uma frente partidária capaz de sustentá-lo. As principais legendas que poderiam ampliar seu espaço político preferem preservar suas alternativas e não assumem compromisso nacional com o senador.
O dado concreto é que a definição do nome não se converteu em adesão partidária. União Brasil e Progressistas, reunidos na federação União Progressista, optam pela neutralidade na disputa presidencial, enquanto mantêm negociações e alianças nos estados. O Republicanos também evita, por enquanto, uma definição sobre a corrida presidencial. As legendas não precisam declarar oposição para sinalizar que não pretendem aderir ao projeto. A decisão de não avançar já é reveladora.
ATRAÇÃO DE FORÇAS – Para Flávio, essa falta de respaldo representa mais do que um problema de montagem de chapa. Expõe a dificuldade de transformar uma candidatura anunciada pelo principal líder de seu campo político em um polo capaz de atrair outras forças. Uma disputa presidencial depende de partidos, estruturas regionais e articulações. Quando as siglas que poderiam ampliar esse campo preferem esperar, o candidato permanece confinado ao grupo que já o apoia.
A diferença de interesses ajuda a explicar o movimento. Flávio tenta consolidar sua candidatura em 2026. Os partidos, por sua vez, preservam sua força para negociar com o próximo governo e manter influência nos estados. Enquanto o senador depende de definições antecipadas, as legendas podem aguardar o amadurecimento do cenário eleitoral.
Essa assimetria expõe uma fragilidade que vai além da falta de alianças. Flávio não conseguiu, até aqui, fazer com que sua candidatura se tornasse uma escolha natural para as legendas que poderiam acompanhá-lo. Jair Bolsonaro pode apontar um nome, mas não controla as decisões de partidos com interesses próprios, bancadas e projetos independentes.
PROPAGANDA NO RÁDIO E TV – A consequência aparece também na estrutura eleitoral. Se permanecer apenas com o PL, Flávio poderá ter cerca de 20% menos tempo de propaganda no rádio e na televisão do que Lula. O número traduz em termos concretos o custo da dificuldade de ampliar sua coalizão.
O mesmo problema aparece na composição da chapa. Tereza Cristina recusou a possibilidade de ser vice, enquanto uma eventual alternativa ligada ao Republicanos depende de uma legenda que ainda não assumiu compromisso nacional com o senador. A questão, portanto, não está apenas em encontrar um nome para completar a chapa, mas em encontrar quem esteja disposto a dividir com ele o risco político da candidatura.
É nesse ponto que o desgaste de Flávio se torna mais evidente. O senador dispõe de um sobrenome de peso eleitoral e de uma base bolsonarista fiel, mas esses ativos não foram suficientes para produzir uma articulação política mais ampla. O que está em dúvida não é apenas quem estará ao seu lado, mas a capacidade de sua candidatura de atrair quem ainda não está.
DEPENDÊNCIA – A comparação com a trajetória do pai ajuda a dimensionar o problema. Jair Bolsonaro conseguiu, em diferentes momentos, aproximar setores distintos e estabelecer relações com partidos que não pertenciam originalmente ao núcleo ideológico do bolsonarismo. Flávio, até aqui, permanece mais dependente da identidade política construída pelo pai do que de uma liderança própria capaz de ampliar seu campo de interlocução.
A recente retomada da narrativa falsa sobre as urnas eletrônicas reforçou essa dificuldade. Em encontro com diplomatas, Flávio voltou a associar o sistema brasileiro à empresa venezuelana Smartmatic, afirmação já desmentida pela Justiça Eleitoral. Integrantes do Centrão avaliaram a fala como prejudicial à tentativa de construir uma imagem mais moderada do senador.
O episódio expõe uma contradição central. Para preservar o eleitorado mais fiel, Flávio permanece vinculado ao repertório tradicional do bolsonarismo. Mas essa mesma identificação dificulta sua aproximação com setores políticos que estão fora desse núcleo e que poderiam ampliar seu campo de apoio.
CONCILIAÇÃO – A crise com Michelle Bolsonaro acrescentou outro desgaste. Flávio publicou um vídeo pedindo desculpas e solicitando sua ajuda na campanha, e Michelle respondeu de forma conciliatória. A trégua reduziu a tensão pública, mas não resolveu a questão de fundo.
Enquanto enfrenta dificuldades para reunir partidos, o senador também precisou administrar uma crise dentro do próprio grupo familiar que sustenta sua candidatura. Por isso, o isolamento de Flávio não deve ser medido apenas pelas legendas que formalmente se afastaram. Ele aparece, sobretudo, na postura daqueles que poderiam se aproximar e preferem não fazê-lo.
União Brasil, Progressistas e Republicanos não precisam rejeitar o senador. Basta não assumir compromisso. Para essas legendas, a cautela preserva liberdade de negociação. Para Flávio, o efeito é outro: sua candidatura permanece circunscrita ao núcleo que já lhe é fiel e não demonstra capacidade de atrair forças políticas além dele.
LIMITE – O sobrenome que lhe garante visibilidade também evidencia o limite de sua liderança. A base eleitoral pode ser parcialmente herdada, mas a capacidade de negociação, as relações políticas e a autoridade para reunir diferentes interesses precisam ser construídas pelo próprio candidato. É justamente essa construção que parece não ter avançado. A candidatura possui um ponto de partida definido, mas não conseguiu, até aqui, produzir uma rede de alianças proporcional ao desafio que pretende enfrentar.
O isolamento, portanto, não está na ausência absoluta de apoio. Está no fato de que os partidos que poderiam ampliar seu espaço político não demonstram disposição para assumir o custo de acompanhá-lo.
Flávio tem uma candidatura, mas não conseguiu transformá-la em liderança política própria. Sem partidos dispostos a apostar antecipadamente em seu projeto, sem uma coalizão capaz de ampliar seu alcance e ainda fortemente dependente da identidade construída pelo bolsonarismo, o senador chega a este momento da disputa sem demonstrar capacidade de ocupar um espaço que vá além daquele que já lhe foi entregue.
CONDICIONAMENTO – Esse é o problema que ultrapassa a eleição de 2026. Se Flávio não conseguir construir uma força política própria, sua trajetória continuará condicionada ao tamanho e à sobrevivência do capital político que recebeu. Poderá permanecer como herdeiro de um movimento, mas não necessariamente se tornar seu líder. A diferença é decisiva.
A política partidária não se move apenas por lealdade ou por sucessão. Move-se pela expectativa de poder. Quando as principais legendas preferem manter suas opções abertas em vez de comprometer-se com determinado nome, o sinal político é claro: aquele candidato ainda não se consolidou como uma força capaz de organizar, em torno de si, os interesses que disputam o futuro do campo que pretende representar.
CONVERSÃO – É esse espaço que Flávio não conseguiu ocupar. O pai lhe transferiu um eleitorado, um sobrenome e uma posição privilegiada dentro do bolsonarismo. O que permanece sem demonstração é a capacidade de converter esse patrimônio em autoridade política própria.
O isolamento partidário é apenas a manifestação mais visível de um problema maior. Flávio pode ter recebido o lugar de candidato, mas não será capaz de conquistar o lugar de liderança. E, sem essa transformação, seu futuro político continuará dependente de uma força que não construiu e de um legado que, por definição, pertence a outro.
Caiado e Zema registram baixíssima intenção de voto
Na pesquisa estimulada do Datafolha, Ronaldo Caiado apareceu com meros 4% e Romeu Zema com insignificantes 3%.
No cenário espontâneo, os números tendem a ser ainda muito menores, praticamente traços.
Caiado e Zema são, portanto, figurantes compondo o cenário da eleição presidencial.
Flávio Bolsonaro emitiu 41 notas fiscais e quer ser candidato sem dizer quanto recebeu e quem pagou
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) está, de novo, às voltas com o Banco Master. Dessa vez, não é áudio, vídeo ou conversa com o banqueiro Daniel Vorcaro. São notas fiscais. Quem emitiu? O próprio senador.
A história começa há cinco anos. Eleito em 2018 para oito anos de mandato no Senado, o filho mais velho de Jair Bolsonaro entendeu que era possível ter atuação parlamentar e, ao mesmo tempo, abrir um escritório de advocacia. Fez isso em abril de 2021.
O endereço da empresa individual tem quatro consoantes: SMDB. Em Brasília é a sigla para o Setor de Mansões Dom Bosco, localidade onde está a casa de Flávio Bolsonaro. Ou seja, o senador teoricamente tem um home office.
A existência do tal escritório veio a público quando o próprio político disse que essa era uma das suas fontes de renda. Fazia parte da explicação da origem de recursos para quitar a mansão comprada com financiamento do Banco Regional de Brasília.
Agora, sabe-se que a Flávio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia emitiu, entre 2021 e 2025 pelo menos 41 notas fiscais. Três delas vieram a público. Uma, no valor de R$ 500 mil, seria fruto de uma consultoria jurídica. Outras duas, de mesmo valor, foram emitidas, mas canceladas na sequência.
O que tem de relevante nisso? As notas foram emitidas para empresas que estão vinculadas ao caso Master.
Uma nota oficial, um vídeo e uma live em rede social. Neles pragueja contra quem quer criminalizar sua atividade como advogado, fala em perseguição para afastar a família Bolsonaro da presidência. Mas o que realmente interessa Flávio não conta.
O senador prestou consultoria a empresas e recebeu por isso durante o governo de Jair Bolsonaro?
Os serviços tinham relação com a gestão do pai?
Quem são os clientes para quem o senador emitiu notas fiscais?
Que tipo de serviço prestou?
Deu consultoria de verdade ou apenas aconselhamentos de boca por R$ 500 mil?
Onde estão as provas de que o serviço existiu e foi prestado?
Até agora só se conhecem três notas fiscais. E as outras 38? Há novas notas neste ano de campanha eleitoral?
A lista de perguntas é longa. As respostas ainda não apareceram.
Se voltasse no tempo, nos idos de 2011, Flávio Bolsonaro iria se deparar com um político que se comportou como ele faz agora. Naquele ano, o então ministro da Casa Civil do governo Dilma, Antonio Palocci, tinha uma empresa, a Projeto.
E quando seu negócio veio a público alegou sigilos e confidencialidades para não dar detalhes das consultorias que fez. Palocci virou ex-ministro e mais tarde caiu na Lava Jato.
Flávio Bolsonaro também se esconde na sombra do segredo da atividade de advogado. Mas quem quer ser presidente da República precisa ter tudo aberto e passível de escrutínio do eleitor. Do contrário, a dúvida vira suspeita e o voto pode não vir.
O Estado de S. Paulo, Política, Opinião, 24/07/2026 | 09h30 Por Francisco Leali
https://www.estadao.com.br/politica/francisco-leali/flavio-bolsonaro-emitiu-41-notas-fiscais-e-quer-ser-candidato-sem-dizer-quanto-recebeu-e-quem-pagou/
Flávio errou, caiu, acabou, mas continua na cola de Lula
Pesquisa eleitoral a essa altura vale menos ainda que promessa de candidato na campanha presidencial. Dito isso, não vai se falar aqui sobre pesquisas.
Algumas delas deram Lula finalmente com algum respiro, recuperando-se à frente de Flávio.
Esse é o ponto: não é sobre Flávio, nem sobre taxas, mas sobre Lula, um personagem histórico que pleiteia um inédito (dentre tantos ineditismos que já conquistou) 4º mandato pelo voto popular.
Os analistas, colunistas e comentaristas já vaticinaram os múltiplos fins de Flávio (Vorcaro/“Dark Horse”, Michelle/vídeo, Alexandre de Moraes/Carta de Jair, Trump/tarifas), mas esse funeral na prática não ocorreu. Ainda.
De um lado, só maus agouros, de outro todas as proteções possíveis. Ainda assim, nenhum abalo sísmico por ora.
E isso tem muito mais a ver com Lula do que com Flávio. Para todos os efeitos práticos, Flávio continua na cola de Lula. O que importa para efeito de análise é observar Lula e o que pode estar ocorrendo. Até agora.
As profecias midiáticas tenebrosas não vêm se confirmando sobre o candidato da oposição e tampouco os coelhos da cartola do governismo vêm produzindo mágicas imediatas para a plateia.
A saraivada de acusações, prisões, denúncias e o festival de criminalização da política com a coincidência notável de atingir mais um lado do que outro nesta quadra política, nem alteraram profundamente os sismógrafos do humor popular.
E aí resta a pergunta: e Lula, sim, ele, o cara? Lula tem a faixa nos ombros.
Lula é a lenda. Lula é uma era que se desafia mais do que é desafiado por Flávio, a rigor. Desafia-se a um tetramandato depois de realizar um governo que não precisa ser comparado a nenhum outro para ser julgado no máximo regular –basta comparar-se a si mesmo.
Flávio é o termômetro de Lula. Se Lula não consegue cristalizar uma dianteira folgada com tudo que se fala contra Flávio, não é sobre a força de Flávio. Mas sobre os limites de Lula.
Lula disputa com ele mesmo, antes de disputar com Flávio. Disputa com o que foi e com o que pode não vir a ser, baseado no que não foi no atual governo.
Apesar de todo o apedrejamento que sofre (Flávio) por ser “genocida, frouxo, covarde, mentiroso, maluco, aloprado, ignorante, imbecil, traidor da Pátria, golpista e fujão” – termos que o “pacifista” Lula usou contra o “belicoso” pai Jair ao longo dos últimos anos e que, por herança, a militância e uma parte da crítica lhe devota.
Flávio e sua eventual ou suposta resiliência significam mais do que o avanço do extremismo ou de satanismos ideológicos. São um sinal evidente da fadiga de material do fenômeno histórico e sociológico chamado “lulismo”. Flávio é o reflexo de um lulismo fadigado.
A eleição vai acabar. O Brasil não. Vai haver um dia seguinte. Para ser mais exato, 1.464 dias de mandato presidencial.
Os que menosprezam tanto Flávio deviam olhar a questão pelo avesso: se até Flávio representa um risco para Lula, isso engrandece Flávio ou apequena Lula? Não o Lula histórico, mas o atual Lula?
Na lógica da polarização, uma das duas hipóteses necessariamente teria de estar correta. Ou os 2 são grandes. Ou pequenos neste momento.
Lula joga com as brancas. É o incumbente. As engrenagens da reeleição sempre favoreceram o postulante que já ocupa o cargo. A reeleição é na verdade um plebiscito no meio de um mandato de 8 anos: o atual deve continuar?
É aí que a situação de Lula se complica e, ao mesmo tempo, reside sua chance. Complica-se porque pela lógica estrita da reeleição, seu Lula 3 não foi e não é arrebatador. O Brasil não está eufórico com o Lula de 2026.
Mas sua chance reside no fato de que acumulou, mais do que ninguém, justamente por ser o que lhe prejudica mais –ser o epítome da política– todos os atributos de um gigante lutando sua última batalha, capaz de utilizar todos os meios possíveis e de contar com uma retaguarda de apoio na mídia e no chamado sistema, como só ele seria capaz de se beneficiar.
A Presidência é pesada e se ao mesmo tempo imobiliza, tem a inércia de seu peso que desloca seu ocupante algumas centenas de metros a mais que o concorrente por pura força da função.
Numa dessas, Lula ganha numa disputa apertada, ainda mais com a mídia e muitos setores das instituições saindo da arquibancada e entrando em campo para “salvar” o Brasil da “extrema” direita, de “Trump”, de “Elon Musk”, dos “algoritmos” e agora também das “bets”.
E quanto ao roubo de celulares, a miséria, a fome, a educação e a saúde? Calma, um inimigo de cada vez…
Resumo: praguejam tanto contra Flávio e ele sobrevive. Sua sobrevivência é só a face de que há uma ferida profunda não no mito de Lula como personagem histórico, mas como gladiador político na arena eleitoral.
O Flávio que sobrevive a todos os oráculos tenebrosos é o espelho de um Lula que está no limite entre o possível e o impossível.
Fonte: Poder360, Política, Opinião, 23.jul.2026 – 5h58 Por Mario Rosa
Uff! Até que enfim esses caras enxergaram a realidade: o garoto Bolsonaro não tá com nada.
Deixem-no pastar sozinho com os seus afins.
Esta família Bolsonaro é uma dádiva dos céus para Lula.
É gostar de desgraças!
“15 palavras que os satanistas usam para nos manipular.”
24 de julho de 2026.
“Assim como o termo distorcido “isolacionista” foi aplicado aos americanos que se opunham à participação dos EUA no segundo genocídio branco dos banqueiros cabalistas (a Segunda Guerra Mundial), uma série de novos termos força a humanidade a entrar na Nova Ordem Mundial orwelliana.
Os termos “supremacista branco” e “nacionalista branco” são aplicados a pessoas de ascendência cristã europeia que não desejam se tornar minorias em seus próprios países. Elas são caluniadas e difamadas, acusadas de “ódio” pelo crime de defender sua herança cultural.
A linguagem é controle mental, parte da ordem satânica globalista.
” Haters” são as pessoas que o judaísmo organizado odeia. “Extrema-direita” é qualquer pessoa que defenda os valores que nos foram corretamente ensinados: liberdade individual, propriedade privada, livre iniciativa e concorrência. “Extrema-direita” é qualquer pessoa que se oponha ao comunismo, que é o monopólio tirânico dos banqueiros sobre TUDO — intelectual ou material. A mídia nos induz à complacência, mas as guerras mundiais são apenas um pretexto para destruir a civilização cristã e matar patriotas. A sociedade está sob um ataque oculto e cruel do judaísmo organizado, que usa seus maçons como capangas. Eles precisam recorrer à calúnia e à intimidação porque estão errados e sabem disso.”
Continua, em: https://www.henrymakow.com/
O principal motivo da “neutralidade” do centrão no 1º turno é conhecido por todos: os caciques destes partidos tem o rabo preso e sabem que qualquer declaração de apoio ao candidato anti-sistema pode desencadear uma série de investigações pela PF, MPF e STF, os braços policialescos do PT (partido dos traficantes).
Para o Flávio, manter-se afastado desses caciques é positivo: são tóxicos e podem ser cooptados pelo narco-Luladrão para sabotar a campanha oposicionista.
Senhor Panorama , ambos Ronaldo Caiado e Romeu Zema pretendentes a presidência da república respectivamente , são farinha do mesmo saco , maus elementos , de má índole e lesa-pátria .
Mas, pela baixa intenção de votos que têm, os eleitores parecem saber bem de quem se tratam, Senhor José Carlos. Ainda bem. Abraços.