Após crise com Milei, aliados aconselham Flávio a reduzir agenda externa

Discurso de Milei desencadeou crise diplomática

Luísa Marzullo
O Globo

A repercussão do discurso do presidente argentino Javier Milei na convenção que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Palácio do Planalto levou aliados a aconselhar o senador a deixar, ao menos por enquanto, a agenda internacional em segundo plano.

Na visão de integrantes da coordenação da campanha, após a crise diplomática provocada pelos ataques do argentino ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), o foco deve permanecer nas articulações políticas em Brasília e na consolidação dos palanques estaduais.

REFLEXOS – A orientação já começou a produzir efeitos. Apesar de ter sido convidado para acompanhar, nesta terça-feira, a posse da presidente eleita do Peru, Keiko Fujimori, Flávio decidiu permanecer em Brasília para participar das negociações sobre a escolha da candidata a vice e da reta final das convenções partidárias. Segundo integrantes da campanha ouvidos pelo O Globo não há, neste momento, novas viagens internacionais previstas para o presidenciável.

Reservadamente, aliados afirmam que a presença de Milei na convenção cumpriu parte de seus objetivos ao demonstrar que Flávio mantém interlocução com uma das principais lideranças da direita latino-americana e reforçar sua identificação com o eleitorado bolsonarista.

Ao mesmo tempo, integrantes da cúpula do PL avaliam que o episódio produziu um efeito colateral indesejado ao transformar a campanha em parte de uma crise diplomática entre Brasil e Argentina, justamente quando a estratégia é ampliar o diálogo com eleitores para além da base mais fiel do ex-presidente Jair Bolsonaro.

REDUÇÃO DE RESISTÊNCIAS – Nos bastidores, auxiliares afirmam que o senador já consolidou sua imagem junto ao eleitorado bolsonarista e que, nesta fase da campanha, o desafio é reduzir resistências entre eleitores moderados. Nesse contexto, a leitura é que novos episódios envolvendo líderes estrangeiros podem produzir mais desgaste do que ganhos eleitorais, razão pela qual a orientação passou a ser concentrar a agenda em temas domésticos.

Durante o evento no último sábado, Milei atacou Lula, chamou Alexandre de Moraes de “lixo careca” e voltou a defender Jair Bolsonaro, preso desde o ano passado. As declarações levaram o Itamaraty a convocar o embaixador da Argentina para prestar esclarecimentos e fizeram o governo brasileiro chamar de volta, para consultas, o embaixador do Brasil em Buenos Aires, em uma das maiores crises diplomáticas recentes entre os dois países.

PRIORIDADES –  A prioridade imediata é concluir a montagem da chapa presidencial antes do prazo final das convenções, em 5 de agosto. O PL ainda tenta viabilizar uma composição com a federação União Progressista ou com o Republicanos para a indicação da vice de Flávio, embora, nos bastidores, cresça a percepção de que uma chapa formada exclusivamente por filiados do partido se tornou o cenário mais provável.

Além da definição da vice, a campanha concentra esforços na consolidação dos palanques estaduais. No próximo fim de semana, Flávio participará de convenções em Santa Catarina, Paraíba e Distrito Federal.

A mudança de foco representa uma inflexão em relação aos últimos meses. Desde o início do ano, Flávio vinha investindo na aproximação com lideranças conservadoras como forma de reforçar sua imagem internacional. Esteve nos Estados Unidos em diversas ocasiões e chegou a se reunir com o presidente Donald Trump na Casa Branca. Em março, viajou ao Chile para acompanhar a posse de José Antonio Kast. No último sábado, recebeu Milei na convenção nacional do PL e explorou politicamente a presença do argentino como símbolo do avanço da direita no continente.

7 thoughts on “Após crise com Milei, aliados aconselham Flávio a reduzir agenda externa

  1. Flávio Rachadinha é um candidato fraco e sem carisma

    Para viabilizar seu nome, Rachadinha depende do apoio de figuras como Jair Bolsonaro, Rubio, Trump, Michelle, Tarcísio e Milei, mas ainda assim enfrenta enormes dificuldades para se sustentar politicamente.

    Com isso e as besteiras que faz diariamente, Flávio está desnorteado e pode-se dizer que ‘pedindo’ para não votar nele.

  2. Flávio é pessoalmente um candidato fraquíssimo

    Mesmo com o desgaste de 80 anos de idade e três passagens pela Presidência, Lula sobra politicamente diante de Flávio, um adversário inexpressivo e que ainda depende da tutela paterna e do apoio da madrasta para se sustentar eleitoralmente.

  3. Na mídia Flavio está em evidencia, Dom Curro só aparece de passagem.
    Estão garimpando tudo que possa prejudicar o candidato, querem fazer parecer que ele é o homem mau que precisa ser abatido. Com isso toda a máquina de sujar reputações trabalha a todo vapor.
    Desgraçar com Flavio é a epifania da manjada esquerda limpinha, aquela que acha que ninguém mais se lembra de toda lambança e roubalheira descarada de passado recente.
    Um ladrão velho continua sendo um ladrão.
    (Mas sabe um diablo viejo que por diablo).
    Exorcizar um espírito maligno, um diabo, provoca muito pranto ranger de dentes e desespero.

  4. Diante do exposto me veio a lembrança o estábulo do Rei Augias e o hercúleo trabalho.
    Um dos doze trabalhos de Hercules era limpar esse estábulo, ele desviou o curso de dois rios e os fez passar pelo estábulo limpando tudo.

    “Os estábulos de Áugias fazem parte da mitologia grega e representam o quinto dos doze trabalhos de Hércules: desviar os rios para limpar em um único dia um local gigantesco e sujo há décadas. A expressão hoje é usada como metáfora para resolver um problema de sujeira extrema ou corrupção pesada.” Google.

  5. Milei ficou revoltado porque Moraes não permitiu que ele visitasse ex-mito.

    E ficou mais puto por ter que aturar o discurso intragável do Rachadinha.

    É isso.

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