Lula usa Petrobras para inflar agenda de investimentos
Caio Spechoto
Mariana Brasil
Folha
O presidente Lula (PT) usou a Petrobras ao longo do atual mandato para inflar sua agenda de inaugurações e anúncios de investimentos, em cerimônias onde promoveu o próprio governo. O chefe do Executivo buscou se associar a medidas bancadas com recursos da empresa em eventos públicos de divulgações e outras cerimônias que constam em sua agenda na atual gestão.
Só no primeiro semestre deste ano, o petista, que disputará a reeleição, participou de anúncios de investimentos de R$ 120 bilhões bancados pela Petrobras ou subsidiárias. As participações de Lula nesses eventos ficaram mais frequentes conforme as eleições se aproximavam.
LEVANTAMENTO – Dos 14 compromissos públicos de Lula que envolveram a Petrobras no atual mandato, seis foram nos primeiros seis meses de 2026. O levantamento foi feito pela Folha com base nos dados da agenda do presidente compilados pela agência Fiquem Sabendo, especializada em transparência pública.
Não houve compromissos desse tipo em 2023. Os anos de 2024 e 2025 tiveram quatro cada um. Reuniões privadas com os presidentes da Petrobras no atual governo –primeiro Jean Paul Prates, depois Magda Chambriard– e outros eventos fechados não foram considerados no levantamento.
A Secom (Secretaria de Comunicação da Presidência) afirmou que a participação de Lula nos eventos “decorre da relevância estratégica dessas iniciativas e de seu impacto sobre o desenvolvimento econômico, a geração de empregos e o fortalecimento da capacidade produtiva com o Brasil”.
RETOMADA DE INVESTIMENTOS – O Planalto também afirmou que o petista participa de compromissos nas mais diversas áreas desde o início de seu mandato, e que os anúncios da Petrobras estão em um contexto de retomada de investimentos. “As agendas realizadas em parceria com a empresa respeitam integralmente todos os processos de governança e os critérios técnicos internos para a divulgação de investimentos e projetos”, afirmou o governo em nota.
A Petrobras declarou que seus projetos só são colocados em prática depois de atenderem aos procedimentos de governança cabíveis, e que a presença do presidente em eventos ajuda a dar publicidade às ações da empresa. “Dados de repercussão na mídia dos eventos realizados recentemente comprovam que a visibilidade na imprensa e em redes sociais é multiplicada quando há a presença de autoridades”, afirmou a estatal.
A participação de Lula em eventos da Petrobras é maior do que era a de seu antecessor e adversário político Jair Bolsonaro (PL). No primeiro semestre de 2022, meses antes de disputar a reeleição, Bolsonaro participou de um evento público diretamente ligado à Petrobras, mas não houve anúncio de investimentos. O compromisso foi uma visita a unidade de processamento de gás em Itaboraí (RJ), em janeiro daquele ano.
PLANOS OPOSTOS – Lula e Bolsonaro tinham planos opostos para a petroleira. O petista promove investimentos e defende que a empresa continue sendo estatal. O ex-presidente, por sua vez, falava em privatizá-la e, em seu governo, a companhia vendeu diversos ativos.
Embora Lula não tenha sido criticado por exploração da Petrobras como vitrine eleitoral, o uso político da empresa por governos é uma controvérsia recorrente. Os custos dos combustíveis vendidos pela estatal, por exemplo, são um assunto politicamente sensível que costuma causar desgastes a presidentes da República.
No início de seu governo, Lula mudou a política de preços. Os reajustes passaram a ser menos frequentes. É comum especialistas apontarem defasagens nos valores praticados pela estatal em comparação com o mercado internacional. Em 2022, Bolsonaro trocou a direção da Petrobras por causa de aumentos nos preços dos combustíveis, que causavam desgaste político às vésperas da eleição.
RECADOS POLÍTICOS – O maior anúncio da Petrobras com a participação de Lula em 2026 foi de R$ 72,5 bilhões em investimentos em Sergipe. Os recursos são para projetos de extração de petróleo e gás em águas profundas e retomada da produção de uma fábrica de fertilizantes da empresa –o desembolso total não é imediato. O petista deu recados políticos, criticou adversários e promoveu a própria gestão no discurso proferido na solenidade, realizada em 29 de maio.
Ele também se referiu ao principal adversário na campanha, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ainda que sem citar o nome. Disse que o rival “não tem vergonha na cara de trair a nossa pátria e ir para os Estados Unidos pedir intervenção americana”, em alusão ao tarifaço e a medidas como a classificação de facções criminosas brasileiras como terroristas.
O segundo anúncio mais volumoso foi o de R$ 37 bilhões em investimentos da Petrobras em São Paulo. O evento foi realizado em 18 de maio na refinaria de Paulínia (SP), destino de R$ 6 bilhões do total de recursos.
PRIVATIZAÇÃO – Na ocasião, ele criticou a privatização da BR Distribuidora no governo anterior. Em seus discursos sobre a Petrobras, Lula costuma se referir em tom crítico à Operação Lava Jato, que investigou desvios na estatal e acabou por levá-lo à prisão em sentença posteriormente anulada. “Eles fizeram para prejudicar a imagem da empresa. Mas a Petrobras é brasileira, e brasileiro não desiste nunca”, afirmou, em Paulínia.
Além desse evento, foram anunciados R$ 5 bilhões em investimentos em Mato Grosso do Sul em 25 de junho; R$ 2,8 bilhões no Amazonas em 27 de maio; R$ 2,8 bilhões no Rio Grande do Sul em 20 de janeiro e R$ 100 milhões na Bahia em 14 de maio.
A Petrobras tem R$ 323 bilhões em investimentos previstos no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), o pacote de obras do atual mandato de Lula. As verbas são anunciadas para períodos de mais de um ano.
ACIONISTA – O governo federal controla a estatal por deter a maioria das ações com direito a voto, mas tem apenas 36,26% do total de ações da empresa, contando as ordinárias e as preferenciais. Outros 47,64% do capital são de investidores de fora do Brasil, e 16,1% de brasileiros.
Os compromissos públicos foram antes de 4 de julho, quando foi iniciado o período conhecido como defeso eleitoral. As regras eleitorais limitam atividades do presidente da República como anúncios e inaugurações. A regra visa evitar que governantes usem a máquina pública a seu favor ou de outros candidatos nas eleições. Lula disputará a reeleição em outubro.
Tarcísio faz de conta que joga a favor de Rachadinha, mas faz corpo mole e torce para que Lula seja eleito, para não ter que enfrentar o Flávio candidato à reeleição em 2030.
Mas, então, quem vai carregar o “mala sem alça” do Flávio Rachadinha?
Talvez só mesmo os bolsotários, que não passam de massa de manobra e são muitos.
Conquistar o poder não é jogo para amadores ou principiantes.
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Na verdade, ao preterir Tarcísio e indicar Flávio para ser candidato, o ex-mito transformou Rachadinha num desafeto do governador de SP, que tinha a expectativa de ser ele o indicado e acabou, portanto, profundamente decepcionado.
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Tarcísio disse que ‘ama’ o Jair Bolsonaro, na convenção de Flávio Rachadinha.
Mas não disse que ‘ama’ Rachadinha, que concorre à Presidência na vaga para a qual ele (Tarcísio esperava ser indicado.
Na verdade, ao preterir Tarcísio e indicar Flávio para ser candidato, o ex-mito transformou Rachadinha num desafeto do governador de SP, que tinha a expectativa de ser ele (Tarcísio) o indicado e acabou, portanto, profundamente decepcionado.
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Tarcísio disse que ‘ama’ o Jair Bolsonaro, na convenção de Flávio Rachadinha.
Mas não disse que ‘ama’ Rachadinha, que concorre à Presidência na vaga para a qual ele (Tarcísio) esperava ser indicado.
A mesma palhaçada de sempre. Só falta fazer a Dilma sua vice-presidente.
Quem dá mais ($), Lula ou Flávio? ‘Neutralidade’ do Centrão custa caro
O maior mistério desta eleição é o que, afinal, acertaram Lula e Ciro Nogueira. Boa coisa não foi, mas interfere na campanha
Andreazza: “Ciro Nogueira negociou neutralidade com governo em causa própria”
Toda eleição tem lá seus mistérios e o maior de todos em 2026 é o encontro (ou encontros) do presidente Lula com o senador Ciro Nogueira, que deu uma cambalhota, tirou o PP e o próprio Centrão da candidatura de Flávio e empurrou para o que chamam de “neutralidade”.
Depois da reaproximação de Lula e Nogueira, a eleição nunca mais foi a mesma.
Ciro Nogueira, do Piauí, é um duplo recordista. Apoiou FHC, Lula, Dilma e Temer, até chefiar o que o próprio Jair Bolsonaro chamava de “coração” do seu governo, a Casa Civil.
E esteve, de alguma forma, envolvido nos mais variados escândalos, desde a Lava Jato até o Banco Master. Detalhe: foram sete esquemas de corrupção, cinco inquéritos e quatro denúncias formais, nenhuma condenação.
Soa ingênuo dizer que o novo acerto entre Lula e Nogueira foi só por conveniências políticas no Piauí, onde ele disputa a reeleição ao Senado.
E é muito pouco definir como “pragmático” o “reencontro” entre eles, que se conhecem de outros carnavais e vivem entre amor e ódio.
Nos três primeiros anos do terceiro mandato, o senador foi o mais ácido crítico de Lula. De repente, ficou mudo.
Entre os motivos do silêncio estão as fotos, trocas de mensagens, viagens carregadas de luxo e mesadas que somaram R$ 6 milhões do amigão Daniel Vorcaro para Nogueira.
Certamente, porém, o toma-lá-dá-cá com Lula pesa. E os efeitos políticos e eleitorais já emergem à luz do dia e nas campanhas.
Ciro Nogueira não estava apenas por trás, mas comandou com mão de ferro a decisão do PP de impedir que a também senadora Tereza Cristina fosse candidata a vice na chapa de Flávio .
Uma decisão rápida e incomum: sem a executiva, sem reunião, sem debate e não se fala mais nisso.
Bastaram alguns telefonemas e o anúncio de Nogueira para eliminar um baita troféu de Flávio e uma assombração de Lula.
Mulher, líder do agro, ex-ministra da Agricultura e com grande credibilidade, Tereza Cristina é “sonho de consumo” do candidato do PL e de qualquer candidato, mas, em sintonia com o PP, quer mesmo é ser a primeira mulher a presidir o Senado.
“Neutralidade”, no caso do Centrão, ou direitão, tem um significado claro no dicionário da política: não se comprometer com Flávio, deixar as portas abertas para o favorito Lula, liberar partidos nos Estados para fazerem o que bem quiserem e aguardar as urnas para negociar ($), bem e caro, o apoio ao eleito no Congresso.
O princípio que rege o bloco e a carreira política de Ciro Nogueira: não importa quem, nem o passado e o presente, só o futuro e a perspectiva de “retorno” – principalmente financeiro. Em bom português: quem dá mais ($). Lula ou Flávio?
Fonte: O Estado de S. Paulo, Política, Opinião, 01/08/2026 | 15h23 Por Eliane Cantanhêde
Texto relevante politicamente.
Para Ciro Nogueira o que importa é a perspectiva de “retorno” ($), seja negociando com Lula ou com Tarcísio
Também é graças ao Centrão que outro trunfo para Flávio e assombração para Lula está ruindo em Minas, onde o Republicanos e o senador Cleitinho, um curioso campeão de votos, vivem uma história de gato e rato que tem impacto na candidatura de Flávio num estado-chave e, portanto, reflexos na própria eleição presidencial
O partido correu atrás do senador durante meses, para que fosse candidato ao governo do estado e dar palanque para Flávio, mas ele sempre rejeitou. Quando mudou de ideia e correu atrás do partido, aí foi o Republicanos que desdenhou. A birra pesou mais do que a campanha de Flávio?
Se o Centrão pulou fora do barco de Flávio, pulou inteiro no de Tarcísio de Freitas em São Paulo, congestionado com doze siglas.
O princípio é o mesmo que rege o bloco e a carreira política de Ciro Nogueira: não importa quem, nem o passado e o presente, só o futuro e a perspectiva de “retorno” – principalmente financeiro. Em bom português: quem dá mais ($). Lula ou Flávio?
Fonte: O Estado de S. Paulo, Política, Opinião, 01/08/2026 | 15h23 Por Eliane Cantanhêde
Texto relevante politicamente (II).
Petroláo de novo ? Ladrão™ ! Ladrão™ ! Ladrão™ ! Ladrão™ ! Ladrão™ ! Ladrão™ ! Ladrão™ ! Ladrão™ ! Ladrão™ ! Ladrão™ ! Ladrão™ ! Ladrão™ ! Ladrão™ ! Ladrão™ ! Ladrão™ ! Ladrão™ ! Ladrão™ ! Ladrão™ ! Ladrão™ ! Ladrão™ ! Ladrão™ !
Certamente a Petrobras tem que investir. O refino não é monopólio, mas nenhuma empresa vem aqui construir uma refinaria, pois é mais barato comprar a coisa pronta quando “patriotas” assumem.
Em fertilizantes, a Petrobras retomou a produção e obras para diminuir a dependência de importação desses insumos essenciais ao agronegócio.
Em recente passado, todo o lucro da empresa era repassado aos acionistas, com pouquíssimo investimento. Ao contrário, a venda de ativos entrava na conta da distribuição de lucros, então era desinvestimento. É claro que essa política não é sustentável ao longo do tempo. Quem perde é o país.
Faz bem o presidente Lula prestigiar essas conquistas nacionais.