O risco de uma eleição a ser decidida na delegacia, com medo e com raiva

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Charge do Sinfrônio (Arquivo Google)

Vinicius Torres Freire
Folha

A eleição presidencial de 2026 será decidida na delegacia, influenciada por rolos policiais e judiciais que afetam em maior ou menor grau as candidaturas principais? Até aqui, o grosso das preferências está definido pela aversão a Bolsonaros ou a Luiz Inácio Lula da Silva.

No grupo menor de eleitores oscilantes, o escândalo da vez parece levar uns três pontos percentuais de votos para lá ou para cá. A eleição vai ser isso, o balanço da aversão dos eleitores “nem-nem” (bolsonarista ou lulista) a imundícies ou à propaganda mais ou menos falsa da imundície adversária?

RECADO DAS URNAS – Quase sempre sabemos do sentido da eleição depois de encerradas as apurações, o clichê do “recado das urnas”. Isto é, sabemos de algo novo da opinião pública por meio dos tamanhos das votações. Parece obviedade, mas não prestamos atenção a essa afirmação acaciana enquanto tentamos prognosticar o que vai sair das urnas.

A ascensão de Jair Bolsonaro em 2018 tinha um tanto de surpresa, até mesmo para boa parte do establishment, embora o alerta de tsunami tocasse desde fins de 2017, quando o candidato começava a ser normalizado pela elite ou viralizava.

A surpresa foi grande, em especial nas reviravoltas no fim da campanha e no resultado parlamentar impressionante de direitas e “outsiders”. Viu-se derrota ainda mais dura da esquerda e o massacre do centro tucano ou atucanado.

POLARIZAÇÃO – Desde então, a desconexão entre o grosso das elites tecnocráticas e programáticas e partidos apenas aumenta. Haveria pistas de surpresa ou de elementos que possam moldar a eleição além da “polarização” e da delegacia?

Lula disputa a Presidência faz 37 anos, é vitorioso faz 24 anos e encruou nos últimos 4. O bolsonarismo, desde sempre reacionário, está na liça faz 9 anos. Nenhuma corrente apresenta nomes novos, marcas de governo vendáveis e plano diferente, que mexa com ânimos sociais ou represente forças sociais inovadoras.

Algumas candidaturas murcham ou crescem na campanha, que começa daqui a 10 dias; na TV e no rádio, no final do mês. Flávio é mais conhecido por ser Bolsonaro, não por ser Flávio. Vai crescer ou encolher quando seu jeito e sua ficha corrida forem mais expostos, em especial para o eleitor oscilante?

PT ENVELHECEU – Lula e o lulismo envelheceram. Os tantos programas eleitorais ou eleitoreiros de crédito e gasto que Lula 3 lançou podem ter mais repercussão se propagandeados na campanha?

Aquilo que se chama de “economia”, em particular emprego e benefícios sociais, não tem causado comoção ou mudado opiniões; não deve mudar de modo relevante até a eleição. Faz anos, de resto, a opinião sobre “economia” depende mais de preferência política, não o contrário.

Planos técnicos são incompreensíveis para o eleitorado. Mudanças econômicas, se é que há plano disso, serão escamoteadas pelas candidaturas.

ESTELIONATO – Haverá algum estelionato eleitoral ou inércia que causará crise. Não há mensagem nova de outra natureza. Difícil esperar conformação nova no Congresso.

Não há expectativa de mudança como em 1994 (FHC), 2002 (Lula) ou 2018 (Bolsonaro), mesmo que não se gostasse da mudança. Partidos não estão nem aí para mudança nem tem competência para tanto. Poderia ser “normal” em país mais “normal”, mais arrumado, menos pobre, desigual, violento etc. Não o somos.

Além de instrumentos de rejeição ao adversário, ou de rejeição ou de adesão ao golpismo, as candidaturas por ora não vendem nem ilusões novas. As mentiras são velhas.

 

6 thoughts on “O risco de uma eleição a ser decidida na delegacia, com medo e com raiva”

  1. Marcola é Lula

    Marcola não tem existência própria para explicar, sozinho, por que recebeu dinheiro de uma lobista

    Com a chave de acesso ao presidente, Marcola não tem existência própria para explicar, sozinho, por que recebeu dinheiro de uma lobista. Quem deve satisfação ao País é o chefe dele: o Lula

    O sr. Marco Aurélio Santana Ribeiro, vulgo “Marcola”, é um zé-ninguém que só existe como extensão de Lula, de quem foi o mais próximo assessor no Palácio do Planalto e a quem devota lealdade canina.

    Por isso, as suspeitas que recaem sobre ele não podem ser tratadas como um problema circunscrito à esfera privada de um assessor qualquer.

    Marcola admitiu ter recebido, a título de “empréstimo”, R$ 249 mil de Roberta Luchsinger, lobista com interesses diretos junto ao governo federal e que tem relações com um dos suspeitos de liderar o esquema de assalto aos aposentados do INSS, o empresário Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.

    Marcola é o segundo sujeito muito próximo de Lula a se ver envolvido em obscuros negócios com a sra. Luchsinger.

    O primeiro, como se sabe, é Fábio Luís Lula da Silva, vulgo “Lulinha”, o filho mais velho do presidente e que é amigão da lobista.

    Portanto, Lula não pode dizer simplesmente que não sabia de nada, terceirizando a responsabilidade a “aloprados” – termo que Lula usou na campanha eleitoral de 2006 ao se referir a petistas que tentaram comprar um dossiê contra seu adversário José Serra.

    Como chefe de gabinete de Lula até poucas semanas atrás, Marcola controlava pessoalmente o acesso – inclusive físico – ao presidente.

    Consta que Lula nem sequer possui celular próprio, valendo-se inúmeras vezes do aparelho de seu assessor pessoal para se comunicar ou ser alcançado por interlocutores.

    Nada do que diz respeito a Lula, nem mesmo sua relação com parentes, amigos e políticos, passava ao largo do crivo de Marcola.

    E é justamente esse guardião das chaves de acesso ao poder maior da República que aparece agora enredado em uma investigação da Polícia Federal sobre as fraudes no INSS.

    Convém explicar aos distintos leitores quem é essa figura. Formado em Ciências Sociais, Marcola passou por gabinetes na Assembleia Legislativa de São Paulo e na Câmara dos Deputados antes de se aproximar de Lula no Instituto Lula, há cerca de dez anos.

    Quando Lula foi preso, Marcola paralisou a própria vida para ir viver em Curitiba entre os apoiadores do petista que levantaram acampamento nos arredores da sede da Polícia Federal (PF) na capital paranaense.

    Foi ali que Marcola fortaleceu sua relação de intimidade com Lula na base da devoção religiosa.

    Para defender o sabujo, Lula saiu-se com esta: “Quem nunca pediu um empréstimo para um amigo?”. De fato, ninguém está livre de passar por um aperto financeiro na vida, mas por que não recorrer a uma instituição bancária, como faz a esmagadora maioria dos cidadãos em dificuldade?

    Se o objetivo era recorrer a uma pessoa física, entre todos os 200 milhões de brasileiros disponíveis, por que Marcola escolheu como mutuante justamente uma notória lobista com interesse direto em acessar autoridades do governo federal para defender negócios de seus clientes – acesso este que passava pelo crivo do próprio mutuário?

    Há boas razões para os cidadãos suspeitarem que o tal repasse não foi empréstimo coisa nenhuma.

    O jornal Valor revelou que a sra. Luchsinger chegou a pagar contas pessoais de Marcola como contrapartida à liberação de acesso da lobista ao ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde Swedenberger Barbosa.

    Onde já se viu empréstimo em que o credor banca a vida cotidiana do devedor?

    Fonte: O Estado de S. Paulo, Opinião, 7/08/2026 | 03h02 Por Editorial

    • Onde já se viu empréstimo em que o credor banca a vida cotidiana do devedor?

      eh!eh!eh!eh!eh!eh

      Demais da conta…..

      Já pensou eu pedir empréstimo no Banco e o próprio Banco pagar minhas despesas de todos os tipos.?

      Estou falando faz tempo, não querem acreditar, isso não é um partido político, e simplesmente uma Facção Criminosa…..que foi feita para roubar, apenas isso….

      aquele abraço

  2. II – Marcola é Lula

    Marcola não tem existência própria para explicar, sozinho, por que recebeu dinheiro de uma lobista

    (…)

    E mais: Marcola só devolveu o dinheiro depois de ser avisado, pasme o leitor, de que suas conversas com a lobista haviam sido descobertas pela PF, no âmbito da investigação que corre contra ela por suspeita de participação nas fraudes do INSS.

    Quem o avisou? Essa pergunta tem de ser respondida por Lula e Marcola urgentemente.

    Lula se jacta do fato de a PF ser independente em seu governo para investigar quem quer que seja, como se isso fosse concessão sua, não imperativo legal.

    Ora, que a PF investigue os fatos com absoluta isenção e rigor técnico é o mínimo que se espera.

    Mas Lula não pode se escudar nessa bravata, de resto ociosa, para se eximir da responsabilidade que lhe cabe nesse rolo por ter premiado a subserviência de um obscuro campista com a chave do Gabinete Pessoal da Presidência da República.

    Fonte: O Estado de S. Paulo, Opinião, 7/08/2026 | 03h02 Por Editorial

  3. As mentiras são velhas.

    Será que a picanha está caindo no prato dos “acadêmicos inteligentinhos” da Academia da Fumaça e Pó.??

    O pobre até agora não viu o cheiro da carne…..

    aquele abraço

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