Provas contra a lobista e Lulinha são tantas que nem é preciso ter delação

Mariosan | O Popular

Charge do Mariosan (O Popuoar)

Aguirre Talento, Gustavo Côrtes e Vinícius Valfré
Estadão

A lobista Roberta Luchsinger afirmou em mensagens encontradas no celular dela pela Polícia Federal que Fábio Luís Lula da Silva, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foi responsável por marcar uma reunião no Palácio do Planalto para o governador do Maranhão, Carlos Brandão, e que Lula ia “prosseguir com liberação da obra dele” no Estado.

A investigação sobre suspeitas de tráfico de influência de Roberta Luchsinger e Lulinha, como o filho do presidente é conhecido, detectou que a lobista intermediou a contratação, por órgãos vinculados ao governo do Maranhão, de uma empresa de informática do empresário Cléber Ribas. Ela também atuava em favor dele junto ao governo federal.

COM O GOVERNADOR – A PF também apontou, a partir da quebra de sigilos, que Roberta mantinha diálogos sobre negócios com o governador Carlos Brandão.

Em 22 de maio de 2024, a lobista enviou uma mensagem de áudio a Lulinha informando que seria realizada naquele dia uma reunião do governador do Maranhão com o então chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola.

“Ó, só pro cê saber. Brandão hoje vai lá no palácio, que seu pai falou que vai prosseguir com aquela liberação da obra dele. Aí o Marcola vai receber ele 16 horas. Eu já avisei o Brandão que você conseguiu a agenda, então se quiser falar com o governador, tá confirmado às 16h, fazer uma moral, tá?”, disse ela na mensagem, conforme transcrição da PF.

“MIM FALAR”… – Em seguida, ela afirmou a Lulinha: “E eu vou me encontrar com ele pra mim (sic) falar os outros assuntos”. No diálogo, Lulinha sugere que seria melhor se concentrarem nos “outros assuntos” durante as tratativas com Carlos Brandão.

Procurado, Carlos Brandão negou relação com Roberta Luchsinger e disse que sua agenda “não depende da articulação de terceiros”. Ele disse que Lula “é um grande aliado do Maranhão, onde grandes obras estão sendo executadas a partir da parceria com o Governo Federal, em diversas áreas”.

A defesa de Cleber Ribas informou que ele contratou Roberta Luchsinger para “serviços de assessoria em questões de captação de clientes e identificação de oportunidades de negócio no ramo de tecnologia, atividade absolutamente lícita e comum no mercado”.

O Palácio do Planalto foi procurado e não se manifestou. A defesa de Lulinha criticou o que chamou de vazamentos seletivos que visam interferir no processo eleitoral.

TUDO VERDADE – A reunião de Brandão no Planalto, citada por Roberta em mensagem de áudio a Lulinha, efetivamente ocorreu. A agenda de Marco Aurélio Santana Ribeiro registra, às 17h40 daquele dia, um encontro com o governador, com a presença de dois outros assessores presidenciais. O tema da reunião é descrito apenas como “Reunião Executiva”.

Em 21 de junho de 2024, um mês depois da reunião citada por Roberta, o presidente Lula foi a São Luís (MA) e anunciou um pacote de R$ 59 bilhões em obras para o Maranhão dentro do Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

Entre as medidas anunciadas, a renovação da concessão do Porto do Itaqui, a construção de um novo berço do terminal e a implantação de um novo corredor de transporte na Avenida Litorânea, uma das principais da capital maranhense.

GRANDES NEGÓCIOS – A 3Structure, empresa de Ribas, fechou contratos de R$ 5,8 milhões com o governo do Maranhão em 2024. Os negócios foram firmados junto ao Porto de Itaqui e à Secretaria de Fazenda.

A PF identificou que Cléber Ribas firmou contrato com Roberta Luchsinger para defesa dos seus interesses e pagou ao menos R$ 2,5 milhões à lobista entre março de 2024 e dezembro de 2025.

Como mostrou o Estadão, Roberta também defendia interesses de Cleber Ribas junto ao Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) e outros órgãos do governo federal, conforme ela expôs em mensagem trocada com ele em junho de 2023. Em dezembro de 2023 e abril de 2024, a 3Structure obteve dois contratos de R$ 14,4 milhões e R$ 19,2 milhões com a pasta do governo Lula.

ATÉ HOSPITAL – No Maranhão, Roberta Luchsinger também recebeu outros R$ 4,4 milhões da HSLZ Ltda, empresa contratada pelo governo do Maranhão para manter o Hospital dos Servidores Públicos do Maranhão, com recursos públicos do Estado. Os dados foram obtidos pela investigação por meio de um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Questionado sobre esse pagamento, o governo do Maranhão afirmou que “não possui ingerência sobre quaisquer empresas privadas”.

A reportagem perguntou ao diretor-geral do hospital, Plinio Tuzzolo, o motivo do repasse para a lobista. Ele se recusou a dar explicações.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Em matéria de faro empresarial, Lulinha é realmente um fenômeno, seu pai tem toda razão em demonstrar orgulho pelo feitos do filho mais velho, eu Zero Um, digamos assim. Sua dobradinha com a lobista Roberta Luchsinger realmente opera com grande sucesso na Praça do Três Poderes e na Esplanada dos Ministérios.  As gravações que estão em poder da Polícia Federal e do Supremo nem precisam de delação, porque já contam tudo. Mas a Justiça não está num de seus melhores momento e tudo ainda pode acabar em pizza… (C.N.)

7 thoughts on “Provas contra a lobista e Lulinha são tantas que nem é preciso ter delação”

  1. CartaCapital

    Ucranianos desertam durante treinamento militar na Alemanha
    Desde 2022, 29 mil ucranianos foram à Alemanha para receber treinamento militar. Vários estão aproveitando oportunidade para desertar. Alguns alegam recrutamento forçado ou rejeitam participar da guerra .

  2. Lulinha pode derrotar Lula, daí o desespero

    Lulinha pode derrotar Lula, mas como mandar o caso para a 1ª instância, se o presidente teria sido citado em mensagem da lobista Roberta?

    Lulinha pode derrotar Lula, e as instituições que não param de funcionar se movimentam para tentar conter a sangria. O desespero é evidente.

    Depois do corpo mole e das manobras processuais da PF nas investigações sobre o suposto tráfico de influência do filho do presidente, André Mendonça agora tem de enfrentar a presteza da PGR, que quer tirar Lulinha da alçada do ministro e mandar o seu caso para a primeira instância, alegando que ele não tem foro privilegiado.

    Por que Paulo Gonet não fez o mesmo com os condenados de 8 de janeiro, todos eles cidadãos bem mais comuns do que o filho do presidente?

    Porque a letra da lei, no Brasil, tornou-se instrumento de ocasião, assim como a jurisprudência do STF. A razão jurídica depende de quem julga e de quem é julgado.

    É de se perguntar — retoricamente — se a PGR pediria para mandar Lulinha para a primeira instância, se o relator do caso do INSS fosse Alexandre de Moraes, Flávio Dino ou Gilmar Mendes.

    Lulinha virou problema urgentíssimo para Lula, porque os vazamentos para a imprensa se avolumaram e apontam, na razão inversa à presunção de inocência, que o rapaz está mais enredado do que se pensava com o bando que roubou de aposentados e pensionistas e que, sabe-se agora, enxergava o governo do chefão petista como mina de ouro em outros negócios para o bem da humanidade.

    Escrevi em dezembro do ano passado que é sempre uma alegria ouvir falar em Lulinha. Por que não seria? Ele é o filho mais honesto do mundo do pai mais honesto do mundo, e, como tal, só atrai gente exemplar.

    Como o amigão do peito Fernando Bittar, sócio do filho do presidente na Gamecorp, a produtora que recebeu um caminhão de dinheiro da Oi, dono formal do sítio de Lula que não era de Lula — e que reaparece agora como suposto sócio da lobista Roberta Luchsinger e do filho do presidente.

    Os jornalistas Laryssa Borges e Ricardo Chapola, que tiveram acesso à íntegra do material de investigação da PF, publicaram que Lulinha, Bittar e Roberta mantinham um grupo de WhatsApp batizado de “Musaranhos”, no qual eles eram os “Musos” e ela, a “Musa”. Discutiam negócios em andamento com o governo, projetavam ganhar uma bolada, a Suíça era o futuro de todos.

    Roberta Luchsinger é gente boa: alugou por meio de um laranja uma mansão para Lulinha usar quando ia a Brasília. Pagava contas para o chefe de gabinete de Lula, o Marcola, que a pôs em contato com um petista histórico então alojado no Ministério da Saúde, o Berger, nome ideal para abrir portas para um contrato de fornecimento de remédios à base de canabidiol no qual o Careca do INSS apostava pesado.

    No grupo Musaranhos, há a seguinte troca de mensagens, segundo os jornalistas:

    Roberta: “Pousei. Vou lá no Berge”.

    Lulinha: “Que ótimo. Vai com tudo. Manda bjo pro Berge e fala que não fui pq vc não chamou”.

    Roberta: “Precisamos 100% do Berger”.

    A lobista se jactava de ter proximidade com Lula, sim com o presidente da República. De acordo com os jornalistas, em 2024, em mensagem enviada a certo Gustavo Gaspar, Roberta afirma:

    “Sabe, fui das poucas pessoas que o Lula chamou e perguntou: escolhe onde vc quer ficar. Eu disse: onde eu tô. Na minha sociedade com Fábio (Lulinha) e Fernando (Bittar).”

    Ela também disse em mensagem ao interlocutor que “tô em cargo nenhum e ando onde eu quero”. E declarou: “Fabio e eu somos uma coisa só. Se um fala, todos vão. A gente é mesmo irmão sabe”.

    Segundo a revista, há ainda outra mensagem na qual ela diz: “Fábio não faz nada. Ele só entra em campo qdo precisa. Tem q se preservar.”

    Faço perguntas que costumavam ser feitas pela imprensa d’antanho:

    -Lula convidou, de fato, Roberta Luchsinger para integrar o governo?

    -A lobista era mesmo sócia oculta de Lulinha (e de Bittar) em negócios nos quais ele fazia de tudo para “se preservar”?

    -O presidente da República sabia dessa sociedade oculta, como afirmou a lobista?

    Com Lula citado em mensagem de Roberta Luchsinger, imagino que fica difícil mandar o caso de Lulinha para a primeira instância.

    Fonte: Metrópoles, Opinião, 21/08/2026 16:42 Por Mario Sabino

  3. Cerco se fecha contra Lula, após PF apontar que Lulinha faturava no governo

    A crise que assombra Lula (PT) se agrava com a devastadora revelação, desta sexta (21), de que seu filho Lulinha é “destinatário de pagamentos” originados de contrato milionário que uma empresa de tecnologia obteve no governo do seu pai graças à sua interferência direta.

    Diálogos recuperados pela Polícia Federal da lobista Roberta Luchsinger apontam que os pagamentos eram de Cléber Ribas de Oliveira, da 3Structure, dona de contratos com Dataprev e Ministério do Desenvolvimento Social.

    Mensagens mostram Roberta pedindo dinheiro para “despesas de Lulinha” e cobrando pagamentos citando o filho do presidente.

    Tem mensagem de Lulinha também: “Emite a NF pro Cleber”, que pagou ao menos R$ 2,5 milhões a lobista. Em troca ela abria portas no governo.

    Lulinha reconhecia que a lobista “cuidava” de suas finanças e discutia viagens caras sem “dim dim nem origem”.

    Indícios de sociedade oculta e tráfico de influência investigados pela PF fragilizam mortalmente o governo Lula. E reforça pressão pela CPI do Lulinha.

    Diário do Poder, Opinião, 22/08/2026 7:40 Por Cláudio Humberto

  4. Não entendo todo esse celeuma em torno da ” lobista ou traficante de influência ” Roberta Luchsinger , por exercer sua atividade legalmente reconhecida , de influenciar parlamentares em prol dos interesses de sua empresa , conforme previsto em leis que regem a matéria .

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