Interferência externa divide a opinião pública
Maria Hermínia Tavares
Folha
Uma enorme bandeira dos EUA, estendida na horizontal, cobria parte do minguado público presente no comício de lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro, na praia de Copacabana. Impossível adivinhar os motivos de quem teve a iniciativa.
Nas atuais circunstâncias, não deixa de parecer um gesto de júbilo pelas manifestações explícitas de apoio do governo Trump ao candidato da extrema direita —e, talvez, do desejo de que elas prossigam sob outras formas, mais diretas e continuadas.
INTERFERÊNCIA – A interferência da Casa Branca nas eleições presidenciais brasileiras é uma possibilidade real. O uso político das tarifas, a tentativa de enviar funcionários para verificar a integridade do sistema eletrônico de votação e a crescente crispação nas relações diplomáticas parecem anunciar a intenção de influir no resultado das urnas e de criar um clima favorável à sua contestação, caso o PT leve a melhor.
O que se viu até agora não tem paralelo na história recente das relações EUA-Brasil, baseadas no pragmatismo e na negociação das diferenças. Guarda semelhança com a atuação americana nas nossas eleições parlamentares de 1962, em plena Guerra Fria. Foi quando jorraram dólares para que organizações de direita financiassem candidatos ao Congresso.
A interferência externa é uma possibilidade também considerada pela opinião pública —e a divide. Segundo pesquisa do Datafolha publicada no domingo (23), metade dos eleitores acredita que há chance de países estrangeiros se intrometerem na disputa brasileira. E quase 1/5 (18%) não vê problema nisso.
OPÇÃO POLÍTICA – A aceitação da ingerência externa varia muito conforme a opção política do entrevistado. Entre os que dizem preferir o filho de Jair Bolsonaro, essa porcentagem é 3,5 vezes a dos tendentes a votar em Lula.
Da mesma forma, a porcentagem de bolsonaristas declarados que não se incomodam com que outros países tentem influir no pleito é o triplo da dos petistas e pouco menos do que a dos declarados independentes. Por outro ângulo, os dados confirmam que a radicalização de posições, impulsionada pela ascensão da extrema direita, colocou a política internacional na agenda eleitoral.
POPULISMO – Até a segunda década deste século, questões de política externa não faziam parte do rol de temas que diferenciavam os candidatos majoritários e vertebravam a competição por votos. Foi o populismo de direita que as transformou em divisores de opinião e em indicadores de identidade política —mesmo quando não eram questões centrais na política exterior brasileira. Assim, o relacionamento com a Venezuela ou com Cuba ganhou, nas críticas aos governos petistas, dimensão —e espaço— que nunca teve na agenda do Itamaraty.
A retórica perante os Estados Unidos variou conforme o ocupante da Casa Branca. Foi de alegre subserviência com Trump-1, desapareceu do discurso durante o governo Biden e agora volta a ocupar lugar central na agenda bolsonarista. Mais uma vez, não se trata de desenhar uma política bilateral que contemple o respeito e os ganhos mútuos. O que se busca, como sempre, é o interesse da família Bolsonaro acima de tudo e a qualquer preço.
Ataques de Trump ao Irã fortalece a união de nações euro-asiáticas
Os líderes da China, Rússia, Índia e Irã reuniram-se hoje (31 de agosto de 2026) em Bisqueque, capital do Quirguistão, durante a cúpula de chefes de Estado da Organização de Cooperação de Xangai (OCX).
Participantes principais: Estão presentes Xi Jinping (China), Vladimir Putin (Rússia), Narendra Modi (Índia), Recep Tayyip Erdoğan (Turquia), Shehbaz Sharif (Paquistão) e Masoud Pezeshkian (Irã).
Índia: 1.478.760.000 habitantes (atualmente o país mais populoso do mundo).
China: 1.412.330.000 habitantes (segundo país mais populoso).
Paquistão: 259.750.000 habitantes.
Rússia: 143.030.000 habitantes.
Irã: 93.390.000 habitantes.
Turquia: 87.930.000 habitantes.
Foco do evento: O encontro marca o aniversário de 25 anos da OCX e discute segurança regional, comércio e cooperação energética na Eurásia.
Parcerias tecnológicas: Putin e Xi Jinping anunciaram planos de ampliar a cooperação bilateral em áreas como inteligência artificial e inovação digital.
Cenário geopolítico: A cúpula serve como plataforma para fortalecer laços entre países não ocidentais e discutir os impactos de crises globais, como os conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio.
Indefinição na guerra com o Irã deixa porta-aviões no mar além do tempo previsto
O USS Abraham Lincoln (CVN-72) está voltando da região do Oriente Médio após um dos desdobramentos mais desgastantes da história recente da Marinha dos EUA.
O navio passou mais de 250 dias ininterruptos no mar, sofrendo severos problemas de logística e desgaste de sua tripulação.
O tempo ideal e padrão de desdobramento para um porta-aviões da Marinha dos Estados Unidos é de 180 dias, com paradas programadas em portos a cada 30 dias para reabastecimento logístico e descanso da tripulação.
Crise interna de suprimentos: A tripulação enfrentou condições extremamente duras.
Devido ao bloqueio naval e problemas em bases de apoio, o navio sofreu com a escassez de itens básicos de higiene (como desodorantes e sabonetes) e alimentos, além de relatos severos de esgotamento e problemas de saúde mental entre os cerca de 5 mil militares a bordo.
O USS Abraham Lincoln é um super-porta-aviões de propulsão nuclear da Marinha dos Estados Unidos. Pertence à classe Nimitz, o que o torna um dos maiores navios de guerra do mundo.
Usa dois reatores nucleares para navegar sem precisar reabastecer por muitos anos. Leva cerca de 5 mil militares a bordo. Pode transportar cerca de 90 aeronaves, incluindo caças e helicópteros.
Localização atual: No final de agosto de 2026, o grupo de combate cruzou o Estreito de Singapura e está a caminho de uma parada de descanso na Tailândia antes de retornar definitivamente para sua base nos Estados Unidos.
A realidade do minúsculo El Salvador não serve como de modelo de segurança para o Brasil
O Estado brasileiro precisa planejar, implantar e executar um sistema próprio de segurança nacional, evitando replicar a ‘política’ de Nayib Bukele.
A começar pela dimensão territorial:
1 – O território de El Salvador é 99,75% menor que o do Brasil:
-El Salvador conta com apenas 21.041 km², extensão que não se compara à escala continental do Brasil, com seus 8.510.346 km².
2 – A população de El Salvador é 97,01% menor do que a população do Brasil:
A disparidade é igualmente gritante, visto que a população salvadorenha é de aproximadamente 6,4 milhões de pessoas, enquanto a brasileira supera os 214 milhões de habitantes.
3 – Um outro exemplo para dimensionar definitivamente o disparate entre os dois Países:
Com cerca de 21.040 km², o território de El Salvador é menor que o de Sergipe, que possui 21.938 km² e é o menor estado brasileiro.
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Esse tal Rachadinha é um grande toupeira.