No Brasil, a República já está à venda, sob o olhar perplexo de sua população

Tribuna da Internet | Brasil, o inverso de Singapura, exalta a democracia,  mas tolera a corrupção

Charge do Nani (nanihumor.com)

Marcus André Melo
Folha

“Urbem venalem et mature perituram, si emptorem invenerit’ (uma cidade à venda e condenada a perecer rapidamente, caso encontrasse um comprador). A frase, atribuída por Salústio a Jugurta, rei da Numídia, depois de ter corrompido senadores, diplomatas e tribunos da plebe, tornou-se a expressão máxima da corrupção política. Evoca não apenas a compra de autoridades, mas o colapso de uma República.

Jugurta concluiu que Roma estava à venda. No Brasil, a pergunta já não é apenas quem tentou comprar a República, mas quem se dispôs a negociar com o comprador — e quem utiliza o poder de julgar para impedir que saibamos a resposta. E é com isso que estamos nos deparando nos contra-ataques diversionistas disparados a toque de caixa.

FALSAS EQUIVALÊNCIAS – A estratégia parece clara: criar falsas equivalências. A que ponto chegamos? E como chegamos a esse ponto?

Crises de corrupção em cortes supremas são eventos raros. Quando alcançam a cúpula do Judiciário, abalam justamente a instituição encarregada de arbitrar os conflitos e impor limites aos demais Poderes. A crise é gravíssima.

Há, nesta crise, duas questões entrelaçadas. De um lado, a defesa da democracia e os abusos cometidos em seu nome. De outro, os desvios de conduta de ministros e a preservação do Supremo como instituição. No primeiro caso, a defesa da democracia converteu-se também em manto protetor dos abusos. No segundo, a defesa da corte passou a ser confundida com a blindagem de seus integrantes. A reconstrução institucional exige necessariamente separar essas duas ordens de questões.

TUMULTO PROPOSITAL – A estratégia defensiva dos envolvidos consiste justamente no contrário: reforçar deliberadamente sua confusão, como se investigar abusos significasse atacar a democracia e responsabilizar ministros significasse destruir o Supremo.

Problemas de desenho institucional pioram o quadro, mas os desvios são de ministros. A jurisdição criminal do Supremo, decisões monocráticas e estratégias processuais ativistas de seus ministros (processos colocados ou retirados da gaveta, acelerados ou paralisados com propósitos negociais e políticos) criam incentivos perversos.

Mas os desvios são individuais. A reforma da corte não os elimina. O ativismo processual voltado para autopreservação e autoblindagem confere ao caso uma gravidade sem paralelo. Contra-atacar com base no inquérito do fim do mundo assume contornos de escárnio e o clamor público que gerou é alvissareiro.

ESTAVA ESCRITO – A crise já estava escrita na pedra havia meses. Sabia-se que o protagonista do maior escândalo financeiro brasileiro que ameaçou com sicários jornalistas investigativos — manteve contatos nas horas que antecederam sua prisão com seu “consigliere”. Como no caso do ministro Toffoli, o procurador-geral da Repúblicatoma decisões de autoproteção. O problema, portanto, não nasce nesta semana nem depende das intenções do relator. O que emergiu foi a dimensão documental de relações cuja simples existência já deveria ter provocado respostas institucionais urgentes.

Uma República à venda. É isto que a sociedade observa perplexa. Mas o que está também sob escrutínio público é a resposta institucional da corte a sua degradação em virtude de ilícitos individuais.

2 thoughts on “No Brasil, a República já está à venda, sob o olhar perplexo de sua população

  1. Perplexo significa estar sem reação, espantado ou indeciso diante de algo inesperado ou difícil de entender.

    O Brasil está paralisado há décadas, sem ação nenhuma contra aqueles que o corroem por dentro.

    “Aqui não tem terremoto;

    Aqui não tem vulcão;

    Aqui não tem geleiras;

    Aqui não tem furacão…”

    Por que será que é um país de alto risco?

    Mas COMO TEM LADRÃO!!!!

    Guerra Civil

    Alta letalidade

    Fatiado

    Entregue à facção

    Neste dia dos 204 anos da Independência, NÃO HÁ SOBERANIA.

    Não há sequer supremacia interna.

    Um país largado à morte e às moscas por um Estado lotado de bandidos da pior espécie.

    O CRIME É QUEM GOVERNA

    SEJA EM BRASÍLIA OU AQUI.

    O Brasil possui hoje mais de 68 milhões de pessoas vivendo em áreas sob o domínio, sob o governo, sob a tirania de facções criminosas e milícias, o que representa cerca de 41% da população do país.

    O fenômeno da “governança criminal” — quando esses grupos substituem o Estado, controlando territórios, impondo leis próprias, taxas e o monopólio de serviços básicos — atinge diversas regiões do território nacional.

    O cenário do domínio territorial varia conforme a região e o tipo de organização:

    Rio de Janeiro

    (O epicentro das Milícias e do Tráfico)

    A Região Metropolitana do Rio de Janeiro é o caso mais emblemático de controle territorial compartilhado e disputado:

    Milícias: Controlam extensas áreas urbanas, especialmente a Zona Oeste (como Campo Grande, Jacarepaguá e Santa Cruz) e partes da Baixada Fluminense.

    As milícias expandiram severamente seu domínio territorial nas últimas décadas vendendo ilegalmente serviços como gás, internet, segurança forçada e transporte.

    Tráfico de Drogas:

    Facções como o Comando Vermelho (CV) e o Terceiro Comando Puro (TCP) governam centenas de complexos de favelas nas Zonas Norte e Central do Rio e em municípios periféricos, exercendo controle armado estrito sobre o ir e vir dos moradores.

    São Paulo e a Hegemonia Prisional e Urbana

    Primeiro Comando da Capital (PCC):

    Ao contrário do Rio de Janeiro, o estado de São Paulo não possui grandes divisões territoriais visíveis com barreiras armadas ou milícias tradicionais.

    O grupo exerce um monopólio quase exclusivo em bairros periféricos da capital, na Baixada Santista e em presídios.

    A governança se dá de forma mais silenciosa, por meio de tribunais do crime internos e forte inserção na economia formal e transporte

    Regiões Norte e Nordeste

    (Expansão e Conflitos Sangrentos)

    A disputa por rotas internacionais de drogas fez explodir o número de territórios controlados por facções nessas regiões:

    Norte (Amazônia):

    Cidades fronteiriças em estados como Amazonas, Acre e Roraima sofrem com o domínio de facções nacionais e locais que controlam as rotas dos rios.

    Na região, o crime organizado também governa áreas de garimpo ilegal (como na Terra Indígena Yanomami e Sararé), onde ditam as regras econômicas e sociais locais.

    Nordeste:

    Estados como Bahia, Ceará e Pernambuco registram bairros inteiros e comunidades litorâneas controladas pelo poder paralelo.

    Facções expulsam moradores de suas casas, monopolizam o comércio local e impõem toques de recolher.

    Fronteiras do Centro-Oeste e Sul

    Cidades de fronteira em estados como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná funcionam como centros logísticos integrados.

    Nessas faixas divisórias com o Paraguai e a Bolívia, o crime organizado dita o ritmo de economias locais inteiras, corrompendo e coagindo a estrutura pública.

  2. Estamos detonando o robô Jaco, porque não sabe dialogar sem ofender os outros

    Carlos Newton

    Na vida tudo tem limites, inclusive minha paciência para aturar desaforos. Aqui no Blog, temos poucas regras. Não aceitamos palavrões nem ofensas a ninguém, inclusive aos articulistas e comentaristas. Assim, é fácil conviver por aqui.

    Mas há quem não aceite opiniões contrárias e ofenda os demais participantes que não comunguem as mesmas ideias e teses.

    DISSE JACO – O comentarista que se assina Jaco é um robô do PT que passou os limites e ofendeu justamente o editor do blog, na seguinte postagem:

    Qualquer pessoa com o mínimo de informação,sabe quem são os aliados do Flávio Bolsonaro. Nem vou perder meu tempo.

    O CN, no RJ, apoia essa rapaziada….gente de bem…que paga em dinheiro e faz o bem protegendo as pessoas… mediante a pagamento é claro. Ninguém é de ferro.

    CN é um pessoa de bem,temente a Deus e desapegado.
    Quase uma Madre Teresa de Calcutá.

    DESCARTÁVEL – Essas coisas as pessoas como Jaco falam de longe, fica fácil. Não ligo a mínima para idiotas como ele, que não me conhece e não sabe que sou mais perverso do que Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, somados.

    Então, com um prazer quase sexual, estou deletando do blog esse imbecil, que é um robô pago pelo PT para passar o dia inteiro lendo a Tribuna, é um reles viciado em opinar e vai ter de arranjar outro espaço para vomitar suas depressões.

    E vamos em frente, sempre respeitando a opinião dos outros.

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