Pressão de Trump sobre Brasil acende alerta
Luísa Marzullo
O Globo
A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) produziu um relatório no qual aponta risco de influência ou interferência dos Estados Unidos nas eleições deste ano e identifica uma escalada da pressão americana sobre o Brasil. O documento foi encaminhado no fim de agosto à Presidência da República, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Ministério da Justiça. A informação foi divulgada pela Folha de S.Paulo e confirmada pelo O Globo.
No documento, a Abin aponta um “nível de criticidade” em relação à possibilidade de interferência externa e afirma haver uma “tendência de escalada de pressão sobre o Brasil”. A avaliação é de que houve uma intensificação das ações dos Estados Unidos em relação ao país nos últimos meses.
ESTRATÉGIA DE TRUMP – A agência relaciona esse movimento à estratégia do governo de Donald Trump para a América Latina. Segundo o relatório, os Estados Unidos buscam reduzir a influência de potências rivais na região, sobretudo da China, e impedir o acesso desses países a ativos estratégicos, riquezas naturais e infraestrutura. A Abin também aponta uma estratégia de apoio à ascensão de governos conservadores alinhados ao Executivo norte-americano.
O relatório cita ainda as sanções impostas pelos Estados Unidos a brasileiros e empresas e avalia que as medidas representam uma mudança de fase na pressão americana sobre o país. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, também é citado no documento, que atribui à sua atuação um componente ideológico e o objetivo de influenciar a política externa dos países da região.
SEM SINAIS CONCRETOS – No TSE, porém, a avaliação até o momento é de que não foram identificados sinais concretos de influência externa sobre o processo eleitoral, segundo integrantes da Corte ouvidos reservadamente pelo O Globo. A leitura é que o alerta feito pela Abin deve ser acompanhado pelo tribunal, mas que, até agora, esse risco não se traduziu em episódios de interferência percebidos no andamento das eleições.
A Abin participa de dois grupos de trabalho no TSE e mantém interlocução com a Corte durante o período eleitoral. A presença da agência nesses colegiados faz parte da estrutura de acompanhamento do pleito e permite o compartilhamento de informações relacionadas a eventuais ameaças ao processo eleitoral.
Senadores dirão o que será o amanhã da Presidência e do STF
Embora não tenha centralidade na decisão da maioria dos eleitores, a crise do Supremo Tribunal Federal (STF) impactou a disputa pelo Senado, que tem o poder de homologar a indicção de seus magistrados e mesmo aprovar o impeachment.
Caso seja reeleito, o presidente Lula, por exemplo, terá a possibilidade de indicar mais quatro ministros; Flávio Bolsonaro, se vitorioso, já disse que pretende indicar seis, para essas quatro vagas, e mais duas que pretende abrir com os impeachments dos ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino.
Estão em disputa 54 das 81 cadeiras do Senado, duas por estado e pelo Distrito Federal. As pesquisas mostram vantagem da direita e da centro-direita em número expressivo de estados, mas também revelam disputas muito abertas pelas segundas vagas.
(…)
Os favoritos
1 – No Norte, candidatos do PL, PP, Republicanos e outros partidos conservadores aparecem com força no Acre, em Rondônia, Roraima e Tocantins.
No Pará, Helder Barbalho (MDB) lidera com folga, mas a segunda cadeira é disputada pelo delegado Éder Mauro (PL), Chicão (União Brasil), Zequinha Marinho (Podemos) e Celso Sabino (PDT).
No Amazonas, Eduardo Braga (MDB) e Plínio Valério (PSDB) representam uma composição mais próxima do centro político, enquanto, no Amapá, Raíssa Furlan (MDB) lidera, enquanto Randolfe Rodrigues (PT) enfrenta uma disputa apertada com Lucas Barreto (PSD).
2 – A situação é semelhante no Centro-Oeste. No Distrito Federal, Michelle Bolsonaro (PL) lidera, seguida por Leila do Vôlei (PDT), Bia Kicis (PL) e Erika Kokay (PT).
A eleição brasiliense concentra, em quatro candidaturas, as principais correntes da política nacional: o bolsonarismo, o centro independente e a esquerda.
Em Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, candidatos ligados ao agronegócio e aos partidos de centro-direita ocupam as posições mais competitivas.
3 – No Sul, a direita também parte em vantagem. No Rio Grande do Sul, Marcel van Hattem (Novo) lidera, mas Manuela D’Ávila (PSol), Sanderson (PL), Paulo Pimenta (PT) e Germano Rigotto (MDB) disputam a outra cadeira.
No Paraná, Deltan Dallagnol (Novo), Alexandre Curi (PSD), Filipe Barros (PL) e Gleisi Hoffmann (PT) formam o primeiro pelotão. Em Santa Catarina, o eleitorado conservador favorece os candidatos vinculados ao PL e ao PP.
4 – O Nordeste oferece o principal contraponto ao avanço da direita. Na Bahia, Rui Costa e Jaques Wagner, ambos do PT, lideram, embora João Roma (PL) e Angelo Coronel (Republicanos) permaneçam competitivos.
No Ceará, Cid Gomes (PSB) ocupa a primeira posição, enquanto Capitão Wagner (União Brasil) e Luizianne Lins (PT) disputam a segunda vaga.
Em Pernambuco, Marília Arraes (PDT) e Humberto Costa (PT) aparecem à frente, ameaçados por Mendonça Filho (PL). No Piauí, Ciro Nogueira (PP), Marcelo Castro (MDB) e Júlio César (PSD) estão praticamente empatados.
O Maranhão apresenta um dos quadros mais fragmentados: Roseana Sarney (MDB), André Fufuca (PP), Lahesio Bonfim (Novo), Weverton Rocha (PDT) e Eliziane Gama(PT) aparecem tecnicamente empatados.
No Rio Grande do Norte, Styvenson Valentim (Podemos) e Zenaide Maia (PSD) largaram em posição favorável. Em Sergipe, Alessandro Vieira (MDB) e Rogério Carvalho (PT) tentam a reeleição.
Em Alagoas, Renan Calheiros (MDB) lidera, mas enfrenta uma oposição fortalecida com Marina JHC (PSDB) e Arthur Lira (PP) na disputa.
5 – As maiores incertezas, porém, estão no Sudeste. Em São Paulo, Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) lideram numericamente, mas André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP) estão muito próximos.
Em Minas Gerais, Marília Campos (PT) aparece à frente, seguida por Carlos Viana (PSD), Aécio Neves (PSDB) e Domingos Sávio (PL).
No Rio de Janeiro, Benedita da Silva (PT) lidera, enquanto Carlos Jordy e Carlos Portinho, ambos do PL, disputam a segunda cadeira. No Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB) lidera — Sérgio Menegelli (PSD), Fabiano Contarato (PT) e Rose de Freitas (MDB) disputam a segunda vaga.
Fonte: Correio Braziliense, Nas Entrelinhas, 20/09/2026 – 07:58 Por Luiz Carlos Azedo