Atuação deEduardo em eventual gestão preocupa aliados
Letícia Pille
Luísa Marzullo
O Globo
A movimentação do deputado cassado Eduardo Bolsonaro para assumir protagonismo na política externa em eventual governo do irmão causa preocupação em aliados de Flávio Bolsonaro, que tenta se esquivar do tema sem causar incômodo na ala ideológica do bolsonarismo.
Apesar de o presidenciável do PL ter indicado internamente que vai limitar a participação de familiares na gestão, integrantes do Centrão e do núcleo mais pragmático do PL acreditam que dificilmente a montagem da equipe acontecerá sem a influência de Eduardo e Carlos Bolsonaro, eleito senador.
CONSELHEIRO – O objetivo de Flávio, segundo auxiliares, é ter o ex-presidente Jair Bolsonaro como principal conselheiro político e destinar um papel mais discreto aos irmãos. Em entrevista à TV Globo anteontem, o candidato do PL negou a hipótese de Eduardo assumir o posto de chanceler. Ao ser questionado sobre uma possível nomeação de seu pai, atualmente em prisão domiciliar, o senador disse que o tema “não está no radar”.
“Jair deve ter uma participação importante, como conselheiro. Ele tem experiência”, diz Renato Bolsonaro, tio de Flávio e irmão mais novo do ex-presidente.
PERFIL DE AUXILIARES – A interlocutores, Flávio tem sinalizado a intenção de montar uma gestão menos ideológica, com quadros técnicos e indicações de partidos. O maior desafio, de acordo com aliados, é justamente Eduardo, que mantém articulações próprias no exterior e já antecipa posições. Procurados, o ex-parlamentar e a campanha de Flávio não se manifestaram.
No início do mês, Eduardo mencionou a possibilidade de virar chanceler, o que causou temor entre diplomatas, disse ser a favor da transferência da embaixada brasileira em Israel para Jerusalém, promessa que Bolsonaro fez e não cumpriu, e defendeu uma “faxina” entre integrantes do Itamaraty que considera alinhados ao governo Lula.
“Já deu para perceber que poder é diferente de diploma na parede. Eu consigo falar com diversas autoridades e me mexer”, disse Eduardo em vídeo nas redes sociais, acrescentando que pode deixar o irmão na “cara do gol na Casa Branca para falar com (Donald) Trump”.
DESDOBRAMENTO – Aliados do ex-deputado tratam a possível presença no governo como um desdobramento natural da participação dele na construção da candidatura presidencial. O empresário Paulo Figueiredo, um dos principais aliados de Eduardo, afirma que o grupo que defende o distanciamento entre os irmãos é o mesmo que preferia o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como candidato à Presidência.
— Caso eleito, Flávio será o presidente. Mas deve a eleição ao pai e ao irmão em uma medida muito grande. O Jair deu o legado e o nome. O Eduardo idealizou e viabilizou a candidatura, se sacrificando pelo irmão quando todos queriam Tarcísio. É natural, então, que ambos tenham uma voz muito grande — afirmou.
A eventual presença de Eduardo no governo esbarra, por ora, em um impedimento jurídico. O ex-deputado teve os direitos políticos suspensos após o trânsito em julgado da condenação no Supremo Tribunal Federal (STF) a quatro anos e dois meses de prisão por coação no curso do processo, o que o impede de ocupar um ministério, de acordo com a Constituição. O grupo próximo ao ex-parlamentar aposta que uma possível vitória de Flávio altere o ambiente político e abra caminho para a reversão da condenação.
DIPLOMACIA PARALELA – Enquanto isso, Eduardo segue se movimentando. Na semana passada, encontrou-se com o presidente argentino Javier Milei, em Washington, e afirmou que o ministro Alexandre de Moraes não permaneceria no STF caso Flávio fosse eleito, ao mesmo tempo em que interlocutores do candidato buscavam reforçar canais com ministros da Corte.
O episódio reforçou a preocupação de auxiliares do candidato com a possibilidade de Eduardo manter articulações próprias no exterior, mesmo sem ocupar um cargo. O receio é que assuma compromissos ou dê declarações que entrem em conflito com a posição oficial do governo. Para esse grupo, as decisões de política externa deveriam ficar concentradas no presidente e no chanceler escolhido, evitando a formação de uma espécie de diplomacia paralela.
A discussão ocorre em meio à ampliação das alianças de Flávio com partidos do Centrão, que buscam espaço na gestão. Representantes desse grupo querem que nomes com experiência administrativa e capacidade de articulação no Congresso ocupem cargos estratégicos. Líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), tenta esfriar a discussão: “Não está na hora de falar de Ministério. Agora é hora de trabalhar muito para ganhar a eleição”.
O problemas esta aqui, conforme:
“Este Poder do Dinheiro do Bairro do Dinheiro de Londres é o único grande imperialismo preeminente existente na terra.”
Imperialismo do Capital Judaico
a partir de setembro de 2022
https://www.henrymakow.com/