Entre STF e TSE, uma decisão a quatro mãos
Bela Megale
O Globo
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, referendou a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Cristiano Zanin, sobre prorrogar a votação até às 19h apenas nos locais em que as urnas ainda estavam abertas no momento do seu despacho.
Ambos tiveram uma conversa telefônica após Zanin proferir a primeira decisão, mais ampla, que estendeu a votação em todo o país até as 19h. O presidente do STF, Edson Fachin, fez parte do telefonema e foi testemunha da conversa.
REAJUSTE – Na ligação, Nunes Marques afirmou que não havia possibilidade de reabrir os trabalhos das urnas que já estavam fechadas e que a decisão só poderia valer para as zonas eleitorais que não haviam encerrado os trabalhos. Zanin disse que reajustaria seu despacho neste sentido e Nunes Marques concordou com a decisão, fazendo com que a medida fosse tomada a quatro mãos.
O presidente do TSE havia recebido o pedido da campanha de Lula e também da campanha de Flávio Bolsonaro para estender o tempo de votação, que se encerraria às 17h, para às 19h, devido a problemas no transporte de eleitores, especialmente de periferias.
ENCAMINHADO PARA ZANIN – Nunes Marques, presidente do TSE, foi o primeiro a receber o pedido, por volta das 13h30, mas não proferiu decisão alguma. Depois, Fachin recebeu a demanda às 15h46, mas não decidiu e encaminhou o pedido para Zanin, após sorteio eletrônico do TSE.
Diante da falta de decisão de Nunes Marques e Fachin, que eram os responsáveis por despachar a demanda, Zanin proferiu a decisão em cerca de dez minutos, ampliando o tempo de votação. No momento, porém, o sistema do STF estava inoperante, ou seja, não atendia aos comandos do gabinete. Neste cenário, a equipe de Zanin passou a atuar para que o presidente do TSE e do STF tivessem ciência da decisão.
Se o natimorto bolsonarismo (trampolim para muitos, mas disfuncional na prática) minguasse, haveria algo de proveitoso nessas caóticas eleições. Foi uma armadilha improdutiva que abocanhou uma geração.
Uma arapuca das “provetas” do “laboratório”, usando, identificando e marcando expostas “cobaias”!
Sem imunidade, Flávio terá que se preocupar com investigações da PF
A partir de 1º de fevereiro de 2027, Flávio Rachadinha vai ficar sem mandato pela vez desde 2003, quando assumiu uma cadeira de deputado estadual no Rio de Janeiro.
Vai, portanto, perder sua imunidade parlamentar num momento em que é investigado em dois inquéritos que correm no STF.
Um deles, relatado por André Mendonça, é relativo ao mal explicado financiamento do filme Dark Horse. A PF apura repasses de cerca de R$ 64 milhões feitos por Daniel Vorcaro. O outro é o que investiga o seu amigo Willer Tomaz.
Sem imunidade, o ainda senador deve se preocupar.
As investigações sobre os negócios do advogado estão avançadas. A PF suspeita que Flávio possui algum tipo de sociedade camuflada com Willer. Ambos negam a parceria.
No inquérito que tramita no STF, relatado por Alexandre de Moraes, se investiga um esquema bilionário de lavagem de dinheiro, ocultação de bens e evasão de divisas.
Também é suspeito de ser “usuário master” de uma conta bancária de uma das empresas de Willer.
O Globo, Opinião, 26/10/2026 05h53 Por Lauro Jardim
Derrotado, sem mandato, Rachadinha passará a valer uma nota de três reais.
O que?
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Missão dada, missão cumprida para dinâmica e incontestada parceria!
Como professor de matemática, discordo da condução descrita nessa reportagem. Uma comparação exige critérios consistentes. Numa eleição, isso significa garantir condições equivalentes para que os cidadãos possam votar.
Se a prorrogação beneficia apenas os locais que ainda estavam abertos, enquanto outros já encerraram a votação, cria-se uma diferença de oportunidade que precisa ser explicada com transparência. A impossibilidade técnica de reabrir urnas pode justificar um limite operacional, mas não elimina o problema da desigualdade.
Se os pedidos chegaram horas antes do encerramento, por que a definição ficou para tão tarde? Independentemente do candidato beneficiado, regras claras, decisões tempestivas e igualdade de acesso ao voto são fundamentais. Na matemática, o critério não pode mudar conforme o resultado desejado. Na democracia, também não deveria.