Charge do Clayton (Instagram)
Pedro do Coutto
A decisão de Flávio Bolsonaro de deixar o Brasil após a derrota nas eleições presidenciais e divulgar, já nos Estados Unidos, uma carta na qual questiona a legitimidade do resultado abriu uma nova etapa na disputa política brasileira. Em vez de apresentar provas de fraude pelos canais institucionais e organizar a oposição a partir do país, o senador escolheu uma estratégia que volta a colocar em causa a sua relação com as regras democráticas.
Na primeira versão da carta, divulgada em 28 de outubro, Flávio apresentou-se como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Pouco depois, alterou o documento e passou a definir-se como “líder do Brasil”. A mudança de linguagem não eliminou o ponto central da mensagem: a contestação da vitória de Lula da Silva, sem a apresentação de provas que sustentem a acusação de fraude.
LIDERANÇA DO EXTERIOR – Segundo a Reuters e a Folha de S.Paulo, o senador também anunciou que pretende liderar a oposição brasileira a partir do exterior. O episódio merece atenção não apenas pelo conteúdo da declaração, mas também pelo momento em que foi divulgada.
Depois de uma campanha presidencial que mobilizou milhões de eleitores, a expectativa natural seria que o candidato derrotado apresentasse um balanço da votação, reconhecesse o resultado ou recorresse aos mecanismos legais caso dispusesse de elementos concretos para questioná-lo. Flávio, porém, optou por uma declaração de grande impacto político, na qual procura substituir o reconhecimento institucional do resultado por uma reivindicação própria de legitimidade.
A principal alegação apresentada pelo senador diz respeito à ampliação do horário de votação em duas horas. No entanto, a existência de uma alteração operacional não constitui, por si só, prova de fraude. Para sustentar uma acusação dessa gravidade, seria necessário demonstrar de que forma a medida comprometeu a apuração ou alterou o resultado. Sem essa demonstração, a contestação permanece no terreno das alegações, sem fundamento suficiente para deslegitimar a escolha dos eleitores.
“PERSEGUIÇÃO” – A viagem para os Estados Unidos acrescenta outra dimensão ao episódio. Flávio afirmou que deixou o Brasil por considerar que era alvo de perseguição política e agradeceu publicamente aos presidentes Donald Trump e Javier Milei. A decisão de conduzir a sua atuação política a partir do exterior, associada à contestação das urnas, levanta dúvidas sobre a estratégia que pretende seguir e sobre a capacidade de manter uma oposição efetivamente ligada às preocupações dos eleitores brasileiros.
O comportamento do senador também expõe uma dificuldade mais ampla do bolsonarismo: a de transformar uma derrota eleitoral numa nova estratégia política sem recorrer à desconfiança permanente em relação às instituições. A oposição democrática tem legitimidade para fiscalizar o governo, criticar decisões judiciais, denunciar irregularidades e apresentar propostas alternativas. O que distingue essa atuação de uma contestação sem fundamento é a disposição de submeter as acusações a critérios verificáveis e de respeitar os procedimentos constitucionais.
A reação de outros dirigentes da direita demonstra que essa questão não é consensual nem mesmo dentro do campo conservador. Rogério Marinho, que coordenou a campanha de Flávio, afirmou que não havia provas que permitissem sustentar uma acusação de fraude eleitoral. Tarcísio de Freitas, por sua vez, defendeu o respeito ao resultado das urnas. As posições revelam uma diferença importante entre contestar politicamente o adversário e colocar em causa a legitimidade de uma eleição sem apresentar evidências.
DIÁLOGO – A tentativa de Flávio de assumir a liderança da oposição a partir dos Estados Unidos também levanta uma questão política elementar: como construir uma alternativa nacional sem estar presente no país e sem demonstrar que se aceita o resultado da disputa que se pretende continuar? A liderança de uma oposição depende da capacidade de dialogar com a sociedade, compreender as suas necessidades e apresentar respostas concretas para problemas como o emprego, a segurança, a saúde e o custo de vida. Declarações dirigidas ao próprio campo político podem mobilizar apoiantes, mas não substituem esse trabalho.
O episódio recorda ainda o percurso de Jair Bolsonaro, cuja relação conflituosa com o sistema eleitoral e as instituições marcou a política brasileira. A continuidade desse padrão na atuação do filho pode preservar a mobilização de uma parte da base bolsonarista, mas também dificulta a construção de uma oposição capaz de ultrapassar os limites do seu próprio eleitorado. A contestação permanente do resultado eleitoral corre o risco de ocupar o espaço que deveria ser dedicado à renovação de propostas e à avaliação das razões que levaram à derrota.
ACUSAÇÕES – Flávio Bolsonaro terá de demonstrar se pretende exercer uma liderança política duradoura ou prolongar a disputa eleitoral por outros meios. Para isso, será decisivo esclarecer as acusações que apresentou, respeitar os procedimentos legais e mostrar como pretende participar da vida política brasileira nos próximos meses. A derrota nas urnas não retira ao senador o direito de fazer oposição; tampouco lhe confere o direito de substituir, por uma declaração própria, o resultado reconhecido pelas instituições responsáveis pela eleição.
A democracia não exige que os derrotados abandonem as suas convicções. Exige que aceitem as regras que tornam possível disputar o poder e que apresentem provas quando questionam a legitimidade de uma decisão coletiva. É nesse terreno, e não na autoproclamação de uma liderança, que Flávio Bolsonaro terá de definir o seu lugar na política brasileira.
Valdemar é só alegria com a derrota de Flávio
O ‘Boy’ de Mogi temia que, se eleito, Flávio Rachadinha pudesse lhe tomar o PL, mega partido do qual se acha dono; por isso, está tão exultante.
Além disso, Michelle, Tarcísio, Malafaia e outros bolsonaristas também não conseguem conter a alegria com a derrota do preposto do ex-mito.
Obviamente, correram para não chegar na campanha eleitoral de Rachadinha.
Acorda, Brasil! Presta atenção!
Derrotado na eleição, Flávio não deve esperar muita coisa de Trump
Quando Jair Bolsonaro, também derrotado por Lula, fugiu para os Estados Unidos, no final de 2022, ele imaginava que Trump o abrigaria em seu resort Mar-a-Lago, em Palm Beach.
No entanto, Trump nem tomou conhecimento da presença de Bolsonaro em solo americano.
Diante disso, o ex-mito teve que se hospedar em Orlando, na casa de um ex-lutador de MMA, onde permaneceu por três meses e depois voltou, talvez por já não o suportarem mais por lá.
Durante esse período, ele não recebeu nenhum telefonema, nem mesmo do motorista de Trump, segundo o jornalista Wilson Moherdaui, comentarista do Jornal da Cultura (TV Cultura).
Flávio, portanto, talvez não deva ter grande expectativa quanto à sua estada e recepção de Trump nos EUA.
Contato dos Bolsonaro nos EUA é o sub do sub Jason Miller, e não Trump ou Rubio, como tentam fazer parecer
Ao contrário do que se poderia pensar, descobriu-se que o contato direto da família Bolsonaro nos Estados Unidos não é Donald Trump nem Marco Rubio, mas sim o ajudante de Trump, Jason Miller, que viabilizou o avião no episódio da fuga de Flávio Bolsonaro do Brasil para os EUA no início da semana.
Trump e Rubio têm mais o que fazer e não dispõem de tempo para perder com candidatos derrotados em eleições presidenciais, como Jair e Flávio, que não lhes trazem perspectivas de futuro.
Por isso, delegaram o contato com os dois a um subalterno como Jason Miller.
Acorda, Brasil! Presta atenção!