Senadora disse que o Centrão perdeu força nas eleições
Deu no G1
A senadora Simone Tebet afirmou em entrevista ao Estúdio i, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entendeu o “recado das ruas” após a mobilização popular no segundo turno das eleições e deve adotar uma postura mais aberta a aliados de outros partidos em seu quarto mandato.
“Eu acredito que vai ser um governo diferente em todos os aspectos. Difícil, nós não teremos maioria, com todas as dificuldades, dificuldades econômicas, mas acho que virá um Lula 4 com uma frente ampla valorizando os companheiros, independentemente de serem do Partido dos Trabalhadores ou não”, afirmou.
SURPRESA – Ela relatou que esteve com Lula durante a reta final da campanha e que o presidente se surpreendeu com a dimensão da mobilização popular. “O presidente estava absolutamente impactado. Ele estava tão impactado que, no dia seguinte, quando nós fomos votar, eu fui votar com ele, ele chegou e disse exatamente isso: ‘As ruas falaram'”, contou.
Para a senadora, o novo mandato também deve trazer mudanças na relação com o Congresso Nacional. Ela avaliou que o modelo de articulação política baseado na distribuição de ministérios para partidos aliados já não garante o apoio das bancadas nas votações. “Fechar com partido não significa levar também o apoio individual dos parlamentares desse mesmo partido”, disse.
A senadora também avaliou que o enfraquecimento do Centrão nas eleições pode abrir espaço para uma nova relação entre esses partidos e o governo. Segundo ela, embora Lula enfrente um Congresso com maior presença da oposição, partidos de centro também precisarão do governo para recuperar espaço político.
GOVERNABILIDADE – Na avaliação de Tebet, uma aproximação pode atender tanto à necessidade de governabilidade de Lula quanto ao fortalecimento de partidos de centro e de direita democrática.
“A forma de nós realmente enterrarmos o bolsonarismo e a extrema-direita no país é voltando a fortalecer e dando força aos partidos de centro, seja o MDB, o PSDB, o PSD, seja aqueles que a gente inclui como Centrão”, declarou.
REVISÃO DE GASTOS – Durante a entrevista, Tebet também defendeu uma revisão das despesas públicas, mas ressaltou que o ajuste fiscal não deve comprometer direitos sociais. “Eu sempre digo que o Brasil cabe no orçamento brasileiro”, afirmou.
Para a senadora, o governo precisa combater desperdícios, privilégios e corrupção, além de rever prioridades para ampliar os investimentos em áreas consideradas essenciais pela população.
Tebet também criticou o volume de recursos destinados às emendas parlamentares, que, segundo ela, chegam a R$ 60 bilhões. “O problema é que a gente tem que lidar, além dos problemas reais da vida das pessoas, com desperdícios, com privilégios, com corrupção e com emendas parlamentares bilionárias”, disse.
CALCANHAR DE AQUILES – Tebet avaliou que a nova composição do Senado Federal será um dos principais desafios para a governabilidade de Lula, diante do crescimento da oposição na Casa. “O Senado é hoje […] o calcanhar de Aquiles do governo, porque nós não temos maioria absoluta, aliás, estamos longe de ter sequer maioria”, afirmou.
A senadora disse que a composição mais conservadora do Congresso exigirá maior articulação política e atuação dos ministros para evitar retrocessos em direitos sociais. Apesar das dificuldades, Tebet afirmou que o Senado terá a responsabilidade de conduzir reformas estruturais, especialmente a reforma política.
Segundo ela, essa discussão deve incluir mudanças no próprio Legislativo e no Judiciário, como a possibilidade de estabelecer mandatos para ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), com regras de entrada e saída e idade mínima.
ARROGÂNCIA – Ao comentar a derrota de Flávio Bolsonaro nas eleições presidenciais, Tebet atribuiu o resultado à postura do candidato e de sua equipe durante a campanha. Segundo a senadora, o desempenho no primeiro turno teria levado a campanha a adotar uma postura de excesso de confiança, enquanto os eleitores contrários ao candidato se mobilizaram na reta final da disputa. “A arrogância, ela precedeu a derrota”, afirmou.
Tebet também acusou o grupo político de Flávio Bolsonaro de apresentar características fascistas. “A arrogância não só levou o Flávio e a sua equipe à inércia, mas a mostrar o verdadeiro DNA fascista daquela turma”, declarou.
DECLARAÇÕES – Tebet citou ainda declarações de Flávio Bolsonaro que considerou discriminatórias, incluindo referências à deficiência física de Lula e comentários sobre a idade do presidente. Na avaliação dela, essas falas contribuíram para afastar eleitores do candidato.
Para Tebet, a mobilização de jovens e idosos no segundo turno foi decisiva para o resultado da eleição. Ela destacou que diferentes gerações se uniram em torno de preocupações com o futuro do país e com a preservação de direitos.
Revista IstoÉ: Vitória de Lula frustra estratégia de Trump para ampliar influência na América Latina.
A decisão de abrigar Flávio desgasta Trump
Análise detalha como a imprensa dos EUA cobra o acolhimento do foragido em momento delicado para Trump
A intervenção direta de Donald Trump para viabilizar a fuga e o abrigo de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos transformou-se em um foco imediato de crise política em Washington.
Cobrado pelas principais redes de televisão norte-americanas e pelo Partido Democrata, Trump viu a decisão de abrigar Flávio ser exposta como um escândalo no noticiário local:
-A imprensa dos EUA não comprou a versão de refúgio humanitário e as reportagens trataram o candidato derrotado abertamente como um foragido da Justiça que desobedeceu a ordens do STF (Supremo Tribunal Federal).
O tiro de acolher o aliado saiu pela culatra no momento mais delicado para a Casa Branca.
A bancada pontuou que o desgaste estourou às vésperas das eleições de meio de mandato, cenário em que a perda da maioria no Congresso ameaça paralisar Trump como um clássico “pato manco”.
Metrópoles, Opinião, 31/10/2026 08:00 Por Ricardo Noblat