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Governador não acredita em uma nova indicação de Lula
Sérgio Quintella
Bruna Barboza
O Globo
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta quinta-feira (30) que a rejeição pelo nome de Jorge Messias para uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF) é sinal de “fragilidade do governo”.
No dia anterior, o Senado barrou o nome do advogado-geral da União para o tribunal e impôs uma derrota histórica ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Messias teve 34 votos a favor da indicação, sete a menos que o necessário. Foram 42 votos contrários.
ENCERRAMENTO DE UM CICLO – “A derrota do governo é reveladora, a gente não está falando da reprovação de um nome, a gente está falando da reprovação de um governo. Essa derrota escancara a fragilidade do governo que não teve condição de articular, não teve condição de aprovar um nome para o Supremo Tribunal Federal, algo que não acontecia há 132 anos. A última reprovação foi no governo Floriano Peixoto, então é um sinal de fragilidade, é um sinal que o Congresso enxergou, esse governo não tem mais nada para oferecer, não consegue conduzir um projeto estruturante para o Brasil, é um sinal de final dos tempos, é um sinal de encerramento de um ciclo”, afirmou Tarcísio.
A fala do governador ocorreu em Santos, no litoral, cidade em que Tarcísio passará o dia em agenda externa. Para ele, a questão pode impactar nas eleições deste ano, pois o Congresso, segundo sua avaliação, é um “termômetro político”.
RECADO – “A partir do momento que o presidente da República não consegue fazer um ministro supremo, o que está ficando claro é o seguinte: ele não tem mais força, é um projeto superado e o Congresso, que é um grande termômetro político, sentiu para onde o vento está soprando. Então, dê um recado, olha, a gente não quer mais isso aí, a gente precisa de um projeto estruturante, não são vocês que vão ter mais condição de oferecer as reformas, as soluções que o Brasil merece e precisa” completou Tarcísio, que afirmou também não acreditar em uma nova indicação de Lula para a cadeira vaga do STF, embora o presidente esteja empenhado em apresentar outro postulante.
“E eu acho também que não vai haver mais espaço para o governo apresentar outro nome e a escolha do próximo nome, do próximo ministro deverá, e parece que o Presidente do Senado já tem se manifestado sobre isso, deverá ficar sob responsabilidade do novo presidente da República”, afirmou Tarcísio de Freitas.
Lula e perda de expectativa de poder
Ao barrar Messias, o Senado envia um recado ao governo Lula, de que não aceitará indicações automáticas, e ao Supremo, de que sua composição passou a ser objeto de disputa política aberta.
Lula tenta assimilar a derrota como um revés parlamentar e não uma ruptura definitiva. A seus auxiliares, disse que tinha o direito de indicar Messias e o Senado, de rejeitar.
Mas não é essa a leitura da oposição e dos aliados do Centrão que traíram o governo. O episódio é raro. Há mais de um século não se registrava uma rejeição dessa natureza com impacto político comparável.
Isso confere à derrota de Lula um caráter simbólico poderoso: ela representa não apenas um revés e quebra de um padrão institucional que atravessou diferentes regimes e conjunturas, mas fragilidade do projeto de reeleição, ou seja, perda de expectativa de poder.
Politicamente, o impacto é profundo. Lula construiu seu terceiro mandato com base em uma estratégia de recomposição de alianças amplas com o Centrão, buscando apoio nos estados para garantir governabilidade.
A derrota expõe os limites dessa estratégia. Mostra que o chamado “centrão ampliado” não opera como base orgânica, mas como um conjunto de forças voláteis, que respondem a incentivos específicos e a correlações de força momentâneas.
Além disso, a articulação que levou à rejeição fortalece a oposição liderada por Flávio, que passa a demonstrar capacidade de influenciar decisões estratégicas mesmo sem maioria formal.
Isso já é resultado da expectativa de poder gerada pelos reiterados empates técnicos com Lula nas pesquisas de intenção de votos.
Esse dado tem implicações diretas para o cenário eleitoral de 2026, pois indica que a oposição não apenas resiste, mas consegue impor derrotas relevantes ao governo no terreno institucional. Ou seja, passou à ofensiva no Congresso.
Outro aspecto é o enfraquecimento da autoridade de Lula. O resultado da votação abala a liturgia da Presidência e tem impacto na autoridade presidencial.
Em sistemas presidencialistas, a capacidade de nomear ministros de cortes superiores é um dos instrumentos mais relevantes de poder.
Ao ver sua indicação rejeitada, Lula sofre um desgaste que transcende o episódio específico e atinge sua imagem de liderança política de forma irremediável neste mandato.
Fonte: Correio Braziliense, Nas Entrelinhas, 30/04/2026 – 06:05 Por Luiz Carlos Azedo
Texto relevante.
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“Não adianta agora chorar sobre o leite derramado.”