Lula pode jogar parado, porque o maior rival de Flávio Bolsonaro é ele mesmo

PRI-2307-ENTRELINHAS - (crédito: maurenilson)

Charge do Maurenilson (Correio Braziliense)

Luiz Carlos Azevedo
Correio Braziliense

“Jamais interrompa o seu adversário quando ele estiver cometendo um erro.” A máxima atribuída a Napoleão Bonaparte, inspirada em suas reflexões sobre O príncipe, de Nicolau Maquiavel, parece ter sido escrita sob medida para Flávio Bolsonaro (PL), principal adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições presidenciais.

O petista enfrenta dificuldades na economia, elevada rejeição e desgastes naturais do longo exercício do poder, porém seu principal adversário insiste em criar problemas para a própria candidatura.

TIROS NO PÉ – Em vez de explorar as fragilidades do governo, Flávio oferece a Lula oportunidades para recuperar a iniciativa política, mobilizar a esquerda e conquistar eleitores moderados. A lista de erros é extensa.

Flávio se envolveu com Daniel Vorcaro, protagonista do escândalo do Banco Master; entrou em conflito com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que se queixa do tratamento recebido do enteado e se afastou da campanha; apostou que o tarifaço de Donald Trump contra as exportações brasileiras seria atribuído a Lula, mas a medida acabou despertando um sentimento de defesa dos interesses nacionais.

Agora, retoma as suspeitas infundadas contra as urnas eletrônicas, repetindo a estratégia que contribuiu para tornar seu pai inelegível e que esteve no centro da tentativa de golpe de Estado de 8 de janeiro de 2023.

ESTRATÉGIA ERRADA – Nenhum desses episódios, isoladamente, liquidaria uma candidatura competitiva. Somados, no entanto, revelam um problema de estratégia, comando e temperamento.

Flávio parece incapaz de perceber que uma eleição presidencial não se ganha apenas consolidando a base bolsonarista. Para derrotar Lula, precisa conquistar uma parcela do eleitorado de centro, reduzir sua rejeição e transmitir segurança às forças econômicas e partidárias que não desejam a continuidade do PT, mas também não querem uma nova crise institucional.

Ao radicalizar o discurso, aproximar-se de personagens controversos e abandonar aliados quando enfrentam dificuldades, o candidato do PL faz exatamente o contrário.

MAIOR EXEMPLO – O caso das urnas é exemplar. Diante de representantes de dezenas de países, Flávio poderia ter apresentado um programa econômico, defendido a abertura de mercados, discutido investimentos e demonstrado capacidade de representar o Brasil no exterior.

Preferiu ressuscitar uma acusação falsa sobre a participação da empresa venezuelana Smartmatic no sistema de votação brasileiro. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em resposta, carimbou a declaração como fake news. Esclareceu que a Smartmatic não fornece urnas nem programas utilizados no Brasil e que o sistema é concebido e administrado pela própria Justiça Eleitoral.

 O candidato a presidente do PSD, Ronaldo Caiado, de olho numa vaga de segundo turno das eleições, resumiu a patacoada: “42 embaixadores numa sala: dava para vender soja. Dava para abrir mercado para indústria. Dava para atrair investimento. Escolheram falar de urna eletrônica!”.

ERRO REPETIDO – Flávio reproduziu o comportamento que levou Jair Bolsonaro à condenação pelo TSE após a reunião com embaixadores de julho de 2022. Mesmo integrantes do bolsonarismo passaram a admitir, reservadamente, que o senador repete o erro do pai.

A fala pode entusiasmar os eleitores mais fiéis, mas não acrescenta um único voto ao campo da direita. Ao contrário, devolve a Lula a bandeira da defesa da democracia, reabre a memória do 8 de Janeiro e ajuda o PT a enquadrar o adversário como representante de uma ameaça institucional.

APOIO DE TRUMP – Flávio também calculou mal os efeitos da política de Donald Trump para o Brasil. Sua aproximação com o presidente norte-americano poderia ser apresentada como um ativo diplomático, desde que servisse para defender empresas, empregos e exportações brasileiras.

Entretanto, sua tentativa de responsabilizar Lula pelas tarifas não convenceu a maioria. A associação com Trump, que deveria fortalecê-lo, passou a alimentar a narrativa governista da defesa da soberania nacional.

O escândalo do Banco Master produziu estragos ainda maiores porque atingiu o discurso antissistema do candidato. Flávio reconheceu ter procurado Vorcaro para obter financiamento privado destinado a um filme sobre Jair Bolsonaro e admitiu que voltou a se encontrar com o banqueiro depois de sua primeira prisão.

QUESTÃO MORAL – O senador nega qualquer ilegalidade, mas as mensagens e gravações divulgadas mostraram pedidos milionários. Politicamente, a proximidade com um banqueiro situado no centro de uma investigação bilionária enfraquece o discurso moralizador do bolsonarismo e dá munição ao PT.

Esse episódio também deteriorou a relação com Ciro Nogueira, presidente do PP e antigo ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro. Quando Ciro foi atingido por uma operação relacionada às investigações do Master, dirigentes do Progressistas esperavam uma manifestação de solidariedade de Flávio. Ela não veio. O silêncio foi interpretado como abandono.

Nesta quarta-feira, Ciro comunicou a Flávio Bolsonaro, pessoalmente, que a federação União Progressista, formada pelo PP e pelo União Brasil, pretende ficar neutra na eleição presidencial no primeiro turno. Além da insatisfação com o comportamento de Flávio, pesaram os interesses regionais e o receio de novas revelações sobre suas relações com Vorcaro. Os dois partidos não estão dispostos a amarrar seu destino a Flávio.

14 thoughts on “Lula pode jogar parado, porque o maior rival de Flávio Bolsonaro é ele mesmo

  1. Sr. Newton

    Veja como é bom fazer parte do enriquecimento iliticito..

    Os corruPTos sabem das coisas…

    Os corruPTos tem as informações privilegiadas…

    O Pelegão Baiano bem que poderia ser o Ministro da Economia, já pensou como ficaria o Brasil nas mãos desse bandido, ops, errei, economista….

    Terreno de Jaques Wagner valorizou 115 vezes após rodovia projetada no governo dele

    OUTRO LADO: senador foi procurado desde segunda-feira, mas não se manifestou
    Imóvel teve valorização de 11.400% em 25 anos e foi vendido por R$ 15 milhões; negócio foi suspenso pelo ministro André Mendonça, do STF

    https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/07/terreno-de-jaques-wagner-valorizou-115-vezes-apos-rodovia-projetada-no-governo-dele.shtml

  2. Por outro lados os maiores rivais do “embreado” Agente Barba e Legião, é o povo brasileiro consciente dos danos generalizados por eles, provocativa e irresponsavelmente causados, quer física e acusatóriamente(Ap.10:12), moral, ética, financeira, industrial, espiritual, material e patrióticanente, em nível de conhecimento e repercussão mundial, diria Nhô Vitor, meu saudoso avô materno!

  3. Desesperado, Flávio se arrasta aos pés de Micheque implorando por perdão

    Flávio procurou se retratar publicamente com Michelle, pediu desculpas e suplicou o apoio dela para fortalecer sua candidatura, que não decola.

    Resta saber se Michelle cairá nessa conversa de Rachadinha, sabendo que o caráter dele é mais falso do que uma nota de três dólares.

    • A retratação de Rachadinha apenas como jogo de cena

      Sendo o que de fato são:

      – O pedido público de desculpas e apoio a Micheque parece mais um teatro político para tentar ludibriar bolsotários mais radicais.

      – Nos bastidores, contudo, é provável que tenha ocorrido efetivamente uma negociação com proposta ($) e promessas de vantagens em troca do ‘valiosíssimo’ apoio eleitoral dela.

      Acorda, Brasil! Presta Atenção!

  4. Estive contando durante a semana a quantidade de matérias de O Globo pastas aqui, apenas atirando no Flávio Bolsonaro. Caramba! Já não assisto à TV nem leio nada desse conglomerado mas…aqui parece que ” globalizou”.;Nenhuma matéria sobre o roubo do INSS, o irmão e filho do nine fingers, da visita do Vorcaro as o Palácio, O Jaques Wagner, o Mantega, os amigos do Vorcaro no STF e etc. Tudo caiu no esquecimento. Foi dada a largada pra detonar apenas o candidato da oposição.Nostros bologs e sites tem diversas oportunidades afirmações/ manchetes sobre o governo de turno e seus apaniguados mas, nada de replicar aqui. Lamentável!

  5. Há que se ter em mente o efeito do esforço reverso, é tanta pedrada na Geni do Zepelim e ripadas no judas de quaresma amarrado no poste que o feitiço pode virar contra o feiticeiro.

  6. Temos 129 milhões de motivos para afirmar que isso não se trata de jornalismo. É torcida organizada rumo aos cofres públicos. Ninguém solta a mãos de ninguém…

    Curtinhas

    PS.: “Relatório da CPI diz que testemunha citou pagamentos de R$ 300 mil de “Careca do INSS” a Lulinha e sugere prisão de filho do presidente”.
    (O Globo, 27.03.2026)

    PS. 02: “Filho de Lewanddowski recbeu contrato milionário do Master”. R$ 6,5 milhões.
    (Revista Oeste, 28.01.2026)

    PS. 03: “Grupo Globo recebeu R$ 267 mi de publicidade em 3,5 anos de Lula Empresa da família Marinho teve 25,6% do total investido em propaganda pelo Palácio do Planalto desde janeiro de 2023”.
    (Poder360, 28.06.2026)

    PS. 04: “O ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), está no meio de uma polêmica sobre um resort ligado aos seus parentes enquanto julga o escândalo do Banco Master.”
    (CNN, Brasil. 23.01.2026)

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