Charge do Clayton (O Povo/CE)
Gustavo Côrtes
Estadão
Um conjunto de 30 entidades da sociedade civil enviaram à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) carta na qual pedem pressão sobre o Supremo Tribunal Federal (STF) para julgar decisão do ministro Dias Toffoli que anulou provas obtidas mediante acordo de leniência da Odebrecht.
A iniciativa foi liderada pela ONG Transparência Internacional e o documento, endereçado à presidente do Grupo de Trabalho sobre Suborno da OCDE, Kathleen Roussel.
TRÊS PROVIDÊNCIAS – No total, foram solicitadas três providências: o envio de uma carta ao STF com informações sobre os impactos negativos da decisão e com pedido para que a Segunda Turma julgue recursos contra o ato; uma consulta aos países membros do grupo contra suborno da OCDE para identificar impactos da decisão de Toffoli sobre processos contra empresários e autoridades processadas no exterior; e uma recomendação para que países estrangeiros mantenham os processos, apesar da decisão do Judiciário brasileiro.
Em setembro de 2023, Dias Toffoli anulou monocraticamente informações obtidas pela operação Lava Jato dos sistemas Drousys e MyWebDay, usados pela empreiteira para gerenciar o pagamento de propinas a agentes públicos.
A Transparência Internacional estima que, desde a decisão, mais de 100 réus no Brasil já foram beneficiados pela decisão e ao menos 28 pessoas e empresas em países estrangeiros já obtiveram decisões favoráveis no STF.
SEM RECURSOS – “Embora a decisão tenha sido tomada por um único ministro, amparada em fundamentos posteriormente desmentidos, nenhum dos três recursos apresentados contra ela — pelo Ministério Público de São Paulo, pela Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) e pela Procuradoria-Geral da República (PGR) — foi até hoje analisado pelo STF”, diz a entidade.
Também assinam a carta o Instituto Não Aceito Corrupção, do Brasil, a a Transparency International U.S., dos Estados Unidos, a Transparency International EU, da União Europeia, além de entidades de Portugal, Equador, Peru, Argentina, Angola, Moçambique, Panamá, Venezuela, Colômbia e Guatemala.
Alguns desses países foram afetados pela anulação promovida por Toffoli. É o caso do ex-presidente do Peru Ollanta Humala e de sua mulher, Nadine Heredia, que ganhou asilo diplomático do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ela foi condenada a 15 anos de prisão por lavagem de dinheiro depois de a justiça peruana entender que o casal recebeu US$ 3 milhões em contribuições ilícitas da Odebrecht.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Toffoli fez o Brasil virar piada no resto do mundo. A desmoralização chegou a tal ponto que foi filmada em Hollywood uma comédia sobre a impunidade da lavagem de dinheiro, citando especificamente a Odebrecht, e com atores muito famosos, Meryl Streep e Antonio Banderas. O título do filme é “The Laundromat” (A Lavandeira). Mas quem se interessa? (C.N.)
JUÍZES E DEUSES
Ditaduras são governos de poucos, portanto de menor número de corruptos e incompetentes; democracias, por sua vez, são governos de muitos e de maior quantidade de canalhas, corruptos e imprestáveis! Mandatos vitalícios no Supremo Tribunal Federal é transformar juízes em deuses! LUÍS CARLOS BALREIRA. PRESIDENTE MUNDIAL DA LEGIÃO CIENTÍFICA BRASILEIRA.
Impasse regimental e arrastamento do processo de Moraes
A decisão de Fachin de restringir a pauta do STF exclusivamente à análise da conduta de Moraes é avaliada como um equívoco estratégico que pode paralisar o julgamento.
Como a sessão focará apenas em Moraes, os ministros poderão adotar pedidos de vista sucessivos, prolongando indefinidamente a tramitação do caso.
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Fachin dá tiro no pé e caso Moraes pode ficar para “Dia de São Nunca”
Ministros devem recorrer a pedidos sucessivos de vista após Fachin decidir restringir sessão à análise da conduta de Moraes
Ao discordar do pedido para incluir na pauta de terça-feira, 15/9, análise sobre a conduta do ministro André Mendonça, Fachin deu um tiro no pé. Já que a sessão será apenas para analisar se o ministro Moraes deve ser investigado, ministros irão pedir vista inviabilizando a votação.
Os ministros podem pedir vista um atrás do outro. Quando um devolve para julgar, outro pede. Há julgamentos no Supremo que levam décadas nesse vai e vem.
Pelo Regimento Interno do Supremo, o ministro que pedir vista tem prazo de 90 dias para devolver o processo para julgamento.
Encerrado esse período, os autos são automaticamente liberados para que o julgamento prossiga. Na prática, porém, um novo pedido de vista pode ser feito por outro ministro, prolongando novamente a análise do caso.
Um acordo para evitar os sucessivos pedidos de vista passa por incluir numa mesma sessão os casos de Moraes (ele pode ser investigado por suas relações com Vorcaro?) e Mendonça (ele mandou investigar Moraes sem o aval da Corte? Se fez isso, as provas são inválidas?).
Fonte: Metrópoles, Opinião, 12/09/2026 13:05 Por Andreza Matais
Leitura extremamente relevante.
Andreza Matais se mostra um azougue em sua análise.
E nisso que dá colocar incomPTentes no stf