Lula diz que secretário de estado dos EUA ‘odeia o Brasil’
Guilherme Queiroz
O Globo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a criticar nesta sexta-feira o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, após o anúncio de novas tarifas a produtos brasileiros. Em visita ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos (SP), Lula disse que Rubio “odeia o Brasil” e que é um “latino-americano frustrado”.
“Agora ele (Trump) tem um cidadão que não gosta do Brasil, que não gosta da América Latina e que é um bolsonarista, que é o secretário de Estado, que é o Marco Rubio. Ele não gosta, eu disse para o Trump, ele não gosta do Brasil. Não gosta, ele é um homem latino-americano, ou um latino-americano frustrado. Ele é um descendente cubano de Miami, odeia Cuba, odeia Colômbia, odeia o Brasil”, afirmou.
TELEFONEMA – Lula relembrava a reunião que teve com Donald Trump na Casa Branca quando falou de Marco Rubio. O presidente afirmou que durante o encontro entregou documentos sobre a balança comercial brasileira e depois o governo brasileiro ligou para a Casa Branca “toda semana”. “E aí, fiquei esperando, não teve telefonema, mas veio pela imprensa um tarifaço, aumentou mais 2,5% a tarifa contra nós”, completou.
O secretário de Estado americano usou as redes sociais no mês passado para criticar o presidente Lula, afirmando que as políticas econômicas adotadas por ele “são prejudiciais tanto para os americanos quanto para os brasileiros” e que ele “colocou seu próprio ego acima da realização de um acordo”.
CANAL DIRETO – Lula sinalizou a aliados que buscará conversar com o presidente Donald Trump, dos Estados Unidos, na próxima semana. A declaração foi feita num encontro do petista com parlamentares do PSOL e da Rede no Palácio da Alvorada nesta tarde. O encontro ocorreu para oficializar o apoio da federação à reeleição do presidente.
De acordo com relatos de dois participantes, o petista defendeu o fim da guerra na Ucrânia e criticou a atuação do Conselho de Segurança da ONU para conseguir encerrar o conflito. Nesse momento, Lula afirmou que conversou nos últimos dias com os presidentes da China, Xi JinPing, e da Rússia, Vladimir Putin, sobre o conflito e que, na próxima semana, buscaria falar com Trump também.
Segundo esses relatos, Lula não disse se também aproveitará a conversa para tratar de outros temas na relação do Brasil com Estados Unidos, que vive momento de tensão após nova imposição de taxas do governo Trump aos produtos brasileiros e sanções a autoridades, como a revogação do visto da atual embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, Maria Luiza Viotti.
Nada mais previsível. Como todos sabem, o narcotraficante CPX Luladrón, fundador do cartel narco-socialista do Foro de SP, odeia o Rubio pelo combate implacável ao PCC e CV, facções narco-terroristas protegidas pelo PT (partido dos traficantes).
Trump não se interessa pela América Latina, e decisões sobre a região ficam a cargo de Marco Rubio
No fim das contas, quem tem poder em temas sobre questões brasileiras é Rubio.
A maior parte das autoridades políticas dos EUA e mesmo dentro do jornalismo e da academia não se interessa pelo que os americanos costumam chamar de América Latina, que basicamente inclui todos os países do Rio Grande no México à Terra do Fogo na Argentina.
Independentemente de serem democratas ou republicanos, o tal establishment de Washington e aqui de Nova York prefere temas ligados a Europa, Oriente Médio e Leste Asiático.
América Latina e África? Nem passa pela cabeça deles.
Vou até usar como exemplo o jornal New York Times. Seus principais colunistas de política internacional, como Thomas Friedman e Nicholas Kristof, raramente escrevem sobre o que ocorre na região, com raras exceções como temas de imigração, México e eventualmente Cuba e Venezuela. Brasil não entra na lista.
O ex-secretário de Estado Anthony Blinken, assim como o então presidente Joe Biden, ignoravam completamente a América Latina e em especial a América do Sul. Mal sabiam dizer “buenos dias”, apesar de viverem em um país onde parcela expressiva da população fala espanhol.
Donald Trump não é diferente da maioria em Washington. O presidente americano (…) praticamente nunca fala o nome de Lula. Talvez não lembre. Simplesmente, o Brasil não está no radar dele.
Flavio Bolsonaro? Trump certamente conhece (…) a família, mas tampouco dá muita importância ao pai e aos filhos. Nada muito além de (…) uma relação de ídolo com fãs — similar à relação com o argentino Javier Milei.
No meio deste deserto de desinteresse pela América Latina, há uma figura que desde a infância demonstra enorme interesse pela região. Naturalmente, falo do secretário de Estado e assessor de Segurança Nacional, Marco Rubio.
Filho de cubanos, é fluente em espanhol, entende português, identifica-se como latino-americano, adora política externa, tendo sido presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, e estuda a política e a economia do continente.
Conhece a história, o contexto atual e sabe quem são os principais atores políticos nos principais países, incluindo o Brasil.
Trump (…) deve delegar a Rubio as decisões sobre questões ligadas a nações latino-americanas como o Brasil.
Conservador e republicano, Rubio tem uma agenda clara e pública de buscar ajudar a eleger figuras da direita nas eleições deste ano, como na Colômbia, no Peru e naturalmente no Brasil.
Nas eleições brasileiras, o candidato de Rubio é Flavio Bolsonaro por ser o representante da direita.
O próprio secretário de Estado deixou clara a sua insatisfação com o atual governo brasileiro em depoimento ao Congresso (…), quando pôs o Brasil no bloco de Nicarágua, Cuba e Venezuela — todas ditaduras.
No fim das contas, quem tem poder em temas sobre questões brasileiras é Rubio.
O secretário de Estados de Trump (…) sabe quando o assunto for Cuba, Brasil ou Colômbia, suas opiniões tendem a prevalecer. E ele quer Flávio Bolsonaro.
Fonte: O Globo, Política Internacional, Opinião, 04/06/2026 00h00 Por Guga Chacra — Nova York