Quatro décadas depois, Brasil ainda busca o caminho para amadurecer a democracia

Charge do Gilmar Fraga (Zero Hora)

Fabiano Lana
Estadão

Pela décima vez desde o fim da ditadura militar, teremos eleição direta no Brasil este ano. Apesar dos percalços, das crises econômicas, dos impeachments, ou mesmo da tentativa de golpear o processo, a mera realização de pleitos formais regulares significa que nossa democracia, em certo sentido, pode ser considerada robusta. Elegemos direitistas, centristas, esquerdistas, reformadores, reacionários, privatistas e estatistas. Não podemos dizer que não tentamos (quase) de tudo. Mas encontramos o caminho correto? Amadurecemos?

A verdade é que colocar o País no prumo, desde que recuperamos a democracia, já tem levado mais de quatro décadas. Duas vezes o tempo em que o herói Odisseu levou para ganhar a guerra de Troia e voltar para casa. Nossa Odisseia tem sido muito mais complexa porque ainda não encontramos a saída.

QUADRATURA DO CÍRCULO – Com relação à discussão de qual o rumo do País, o debate, em tese, deveria ser de como conseguiremos manter baixas taxas de desemprego, aumento na renda, crescimento do PIB, manutenção de programas sociais, realização de obras estruturantes, sem aumento da dívida pública, da inflação, ou com uma taxa de juros escorchante. Colocar as nossas necessidades no orçamento tem sido como descobrir a quadratura do círculo. Porém, não são a pauta dos candidatos mais bem colocados nas pesquisas.

Parece não haver solução fora reformas duras, como a da previdência (após menos de 10 anos) e administrativa. Existe outro caminho? Parece que, se nada for feito, o País irá para uma trajetória lenta, segura e gradual rumo à paralisia. Se não houver, esperemos que não, alguma crise de confiança aguda no meio do caminho.

Temos também uma discussão, da mesma dimensão de importância, que é em relação ao papel das instituições. O Congresso usurpou do Executivo um naco das despesas discricionárias, por meio de emendas, sem uma responsabilização devida? Afinal, as emendas estão deturpando o nosso desenvolvimento ou são recursos que chegam na ponta, em locais antes esquecidos pelos burocratas de Brasília?

SOBREPESO – Nos afundamos, também, num debate hoje quase incendiário em relação ao Judiciário. A acusação é que o Poder tem se sobreposto aos demais Poderes, com intervenções muitas vezes por razões políticas ou mesmo de cunho pessoal. Ontem mesmo, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, pode ter atacado uma salvaguarda constitucional, ao quebrar a fonte de um jornalista do Maranhão que divulgava informações indesejadas sobre outro ministro, Flávio Dino.

Também pesam contra o Supremo questões éticas pesadas, como a relação indevida de parte de seus ministros com o banqueiro e escroque Daniel Vorcaro, com ganhos financeiros pessoais envolvidos. Estamos, de um lado, entre uma cúpula da Justiça desmoralizada e, de outro, radicais que buscam destruir a institucionalidade na totalidade. Reformistas e moderados, no meio do caminho, ou acovardaram-se ou parecem não ser mais ouvidos em meio aos ruídos das redes sociais, que dão mais atenção para o grito do que ao argumento.

ORDEM DO DIA – Aliás, a corrupção segue como ordem do dia, assim como na primeira eleição desde a Nova República, em 1989. Hoje, chegamos ao ponto de que militantes políticos fazem contabilidade de corrupção para concluírem quem é menos desonesto. De um lado, um presidente condenado por corrupção, mas que teve o processo anulado. De outro lado, um candidato com suspeitas de enriquecimento ilícito, ligações com milícia e pertencente a um clã que nunca valorizou o processo democrático, ao contrário. Em geral, quem torce para um só vê os problemas do outro lado.

Ainda há questões como meio ambiente, desindustrialização, direito das minorias, desigualdade, produtividade, déficits na educação, na saúde, no saneamento, na segurança pública que não conseguimos ainda equacionar, numa lista quase infinita. Nessa quantidade extravagante de desafios, o mais incrível é que a base das nossas escolhas seja ter a rejeição a um nome como um dos principais critérios de escolha no próximo outubro.

5 thoughts on “Quatro décadas depois, Brasil ainda busca o caminho para amadurecer a democracia

  1. “Coitado do Flávio Dino

    Constituição Federal diz que é ‘resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional’. Pode ser um exagero, mas está lá”

    Elio Gaspari
    16/08/2026

  2. Porta dos Fundos e Zorra Total são fichinha perto desse humorista acadeirado pelo Datena:

    “Pablo Marçal, candidato do PRTB à Presidência da República, registrou candidatura no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) neste sábado (15) e declarou patrimônio de R$ 7,4 bilhões à Justiça Eleitoral.

    Do total apresentado, a maior parte — R$ 6,7 bilhões — corresponde a aplicação de renda fixa. Marçal declarou ainda um terreno em Santana de Parnaíba (SP) no valor de R$ 490 milhões.

    No entanto, Marçal está inelegível até 2032. No dia 5 de agosto, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) rejeitou, por unanimidade, os embargos de declaração apresentados pela defesa do empresário e manteve a condenação que o tornou inelegível por oito anos por uso indevido dos meios de comunicação durante a campanha eleitoral de 2024.”

  3. Posição INTERNACIONAL em renda per capita em 2025:
    Como se vê abaixo, continuamos os mais pobres!

    Uruguai: 66
    Argentina: 93
    Brasil: 99

    No entanto, não por encanto, mas por roubo, o recanto mais rico do Brasil é o Distrito Federal (que não faz nada que preste para o povo).

  4. O FATO é que sem projeto próprio que mostra o novo caminho a seguirmos, alternativo a tudo isso que aí está há séculos e até milênios, não chegaremos a lugar novo e alvissareiro nenhum para o ser humano e para a Humanidade, nunca, jamais em tempo nenhum, nem mesmo com a volta de Jesus Cristo, infelizmente. THE PRAYER, A Oração, para iniciarmos uma nova semana abençoada, com cabeças, corpos, almas e corações desintoxicados das alienações politiqueiras impostas pela imprensa falada, escrita e televisionada, certo de que, na verdade, o primeiro passo para descortinarmos o possível e necessário novo mundo mais humano, mais civilizado e mais verdadeiro, compatível com os desígnios de Deus para com espécie humana racional, que não deve ser apenas o da procriação, repleto de paz, amor, fraternidade, prosperidade consciente, Justiça e Esperança consiste em nos libertarmos da loucura por dinheiro, poder, vantagens e privilégios, sem limite$, mãe da bandidagem generalizada, imposta pelo velho mundo, libertação essa que não se conquista com blá-blá-blá, gogó e nem trololó politiqueiros, enganosos, mas isto sim com projeto próprio, quer mostra o novo caminho alternativo a tudo isso que aí está, há séculos, projeto esse a ser posto em execução com a participação ativa, altiva, entusiasmada e corajosa de todos os interessados no descortino dos novos horizontes possíveis e necessários. https://www.facebook.com/reel/1232996591167519

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