Charge do Thiago (Diário do Commercio)
Sérgio Quintella
O Globo
Um relatório da Polícia Federal (PF), enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) em 8 de julho, que apura os crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção, entre outros, aponta que a projeção de bilheteria para o filme “Dark Horse”, que conta a história de Jair Bolsonaro, é um dos indícios que levaram os policiais a investigarem a obra.
Segundo um documento chamado “Plano de Negócios Capitão do Povo V5”, apreendido no celular de Daniel Vorcaro, do Banco Master, o cenário mais otimista dos produtores do filme é que a renda de exibição poderia chegar a US$ 100 milhões. Em outros cenários, mais conservador (US$ 70 milhões) e pessimista (US$ 45 milhões), as dimensões apresentadas ao banqueiro também chamam a atenção.
DESCOMPASSO – “O aparente descompasso entre o valor previsto para a produção de Dark Horse e os parâmetros usualmente praticados no mercado audiovisual brasileiro constitui circunstância objetiva que, embora não caracterize por si só qualquer ilícito penal, reforça a necessidade de aprofundamento da investigação acerca da efetiva destinação dos recursos e da compatibilidade econômica da operação financeira identificada”, diz o trecho do documento da Polícia Federal, obtido pelo O Globo.
Na noite de quinta-feira (10), o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou o sigilo de algumas investigações relacionadas ao Banco Master, após solicitação do presidente da corte, Edson Fachin, com exceção da apuração específica sobre o Dark Horse. O relatório citado nesta reportagem consta de outro inquérito, também sobre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
No relatório, a PF pede que o senador Flávio Bolsonaro, candidato a presidente pelo PL, e seu irmão Eduardo Bolsonaro sejam formalmente investigados. O meio de campo entre Flávio e Vorcaro, segundo os investigadores, foi feito pelo empresário Thiago Miranda e pelo deputado federal Mário Frias (PL-SP). Ao todo, Vorcaro desembolsou US$ 12,2 milhões para o filme, valores muito acima do praticados no mercado cinematográfico.
AUDITORIA – Desde que as conversas entre o presidenciável e Daniel Vorcaro vieram a público, em maio, Flávio Bolsonaro primeiro falou que apresentaria uma auditoria sobre o filme, mas depois passou a evitar o assunto e a desconversar quando questionado sobre a engenharia financeira com o Master. Uma das provas citadas pela PF seria a conversa de Flávio com Vorcaro ocorrida um dia antes do banqueiro ser preso pela primeira vez na Operação Compliance Zero, que investiga fraudes praticadas pelo Banco Master.
“Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”, escreveu o senador ao dono do banco, em 16 de novembro de 2025. No dia seguinte, Vorcaro seria preso ao tentar embarcar em um jato particular com destino a Dubai. Procurado, Flávio Bolsonaro não comentou sobre o relatório. Em 5 de agosto, a defesa de Flávio enviou uma petição ao ministro André Mendonça, relator do caso no STF, pedindo acesso integral aos autos.
FLUXO FINANCEIRO – Ainda segundo o relatório da PF, os investigadores identificaram a existência de fluxo financeiro envolvendo a pessoa jurídica Entre Investimentos e Participações Ltda., vinculada a Antonio Carlos Freixo Junior, o Mineiro, também investigado no processo.
Nesta semana, ele assinou um acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal, o que foi corroborado por Mendonça. A ligação do Entre Investimentos ocorreu com o fundo Havengate Development Fund LP, registrado nos Estados Unidos. Segundo os investigadores, há suspeita de que o dinheiro de Vorcaro para o Master tenha sido desviado justamente pelo Havengate, pertencente a um advogado ligado a Eduardo Bolsonaro.
APORTES – “A coincidência entre os valores previstos no contrato de financiamento e as remessas internacionais identificadas, somada às comunicações extraídas do aparelho celular de Daniel Vorcaro, constitui indício relevante de que a estrutura Entre Investimentos → Havangate teria sido utilizada para operacionalizar aportes destinados ao filme. Esse vínculo é reforçado pelas mensagens trocadas entre Vorcaro e Fabiano Campos Zettel. Em 05/02/2025, diante de dificuldades para realização da transferência destinada ao “filme”, Vorcaro orientou que o pagamento fosse feito “via entre”, provável referência à Entre Investimentos. Na mesma sequência, Fabiano Zettel informa que o pagamento seria destinado a um fundo”, diz o relatório.
Ainda segundo o documento, Flávio Bolsonaro, ao contrário do que vem dizendo, não foi apenas um intermediador do negócio. “Tais elementos indicam que o Senador Flávio Nantes Bolsonaro não aparece apenas como terceiro mencionado em comunicações de outras pessoas, mas como interlocutor direto de Daniel Vorcaro em tratativas relacionadas ao financiamento da produção, inclusive com cobranças de pagamentos, reuniões presenciais e acompanhamento do andamento das gravações”, diz o documento da PF.
Último parágrafo: um primor de ilações. Já disse: vão tentar até o final tornar pessoas inelegíveis. Caiado poderia ter sido a pessoa atacada. Infelizmente, não foi.
Enquanto isso o caso dos velhinhos do INSS, fica deitado em berço esplêndido. Será que foi decretado 100 anos de segredo
Único candidato a pedir dinheiro para Vorcaro sobe nas pesquisas
O escândalo do Banco Master pode dar votos ao único candidato que tomou dinheiro de Vorcaro? É o que parece acontecer na eleição presidencial, a julgar pelas pesquisas divulgadas nos últimos dias.
Dos 12 concorrentes, só Flávio Rachadinha figura como beneficiário direto do esquema. Ele é investigado pela PF por suspeita de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Foi flagrado pedindo R$ 134 milhões a Vorcaro, a quem chamava de “irmão”.
Ao ser questionado sobre o rolo, o senador simulou indignação: “É mentira! De onde você tirou isso?”. Quando ficou claro que o mentiroso não era o repórter, ele mudou de tom e alegou ter pedido patrocínio para o que descreveu como uma “obra-prima”.
Flávio nunca apresentou a prestação de contas que prometeu. Tampouco explicou como uma fita capenga, produzida pelo astro de “Floribella”, poderia se tornar o filme mais caro da história do cinema brasileiro.
Poupado das operações policiais que atingiram outros políticos da lista de Vorcaro, o senador conseguiu recuperar os pontos que perdeu em maio, quando o “Dark horse” saiu da cocheira. Agora aparece em empate técnico com Lula nas simulações de segundo turno.
Há algumas explicações na praça para o paradoxo do Master. A principal, aceita pelas duas campanhas, sustenta que Flávio é o maior beneficiário da crise no Supremo.
A percepção de que até a cúpula do Judiciário se envolveu em corrupção tende a favorecer políticos que apostam no discurso antissistema. O ex-mito já surfou essa onda em 2018, no auge da Lava-Jato.
O fato de Moraes estar no centro das suspeitas também impulsiona o candidato do PL. O ministro foi indicado por um presidente de direita, mas se notabilizou como o homem que prendeu o ex-mito.
Seu derretimento respinga na imagem de Lula, ainda que o presidente tente se distanciar do caso.
Por fim, é difícil não notar a mão amiga de André Mendonça em favor de Flávio.
O ministro ocultou por quase dois meses a informação de que o presidenciável era investigado pela PF. E ainda protegeu três colegas citados no celular de Vorcaro enquanto lançava Moraes sozinho na fogueira.
O Globo, Opinião, 18/09/2026 00h00 Por Bernardo Mello Franco
Todos pegaram dinheiro com o banqueiro até o Luciano Hulck,
Irônico , a família Bolsonaro acharam pouco roubarem os dinheiros dos ” aposentados e pensionistas ” do INSS , através do dono do Banco Master , Daniel Vorcare e seus comparsas congressistas e leva-los para os EUA , resolveram também roubarem os dinheiros dos norte – americanos que os acolheram , através de superfaturamento do tal filme .