Acusações apontam operação de organização trumpista
Bela Megale
O Globo
O PT protocolou no Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido de abertura de inquérito policial que investigue o suposto financiamento ilegal da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro pela Rockbridge Network, organização norte-americana fundada pelo atual vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance.
As acusações se baseiam nas afirmações do também candidato à Presidência Renan Santos (Missão) e falam de uma possível operação clandestina de apoio financeiro associada a interesses estratégicos no setor de terras raras no Brasil.
PROIBIÇÃO – O documento ressalta que a legislação brasileira impede o financiamento de campanhas por recursos estrangeiros e que eventuais comprovações dessas denúncias poderiam configurar graves crimes eleitorais e de corrupção.
Além da abertura do inquérito, o pedido inclui medidas severas como quebras de sigilo bancário, fiscal e telemático, busca e apreensão, e cooperação internacional para aprofundar o esclarecimento dos fatos, destacando a relevância e a gravidade do caso para a integridade do processo eleitoral brasileiro e a soberania nacional. O mesmo pedido será protocolado no Tribunal Superior Eleitoral, na Polícia Federal e na Procuradoria-Geral da República.
INTERMEDIAÇÃO – Empresários como Tallis Gomes e Pedro Sang foram citados como possíveis intermediários entre a organização trumpista dos Estados Unidos e a campanha de Flávio devido suas ligações com a Rockbridge.
“O financiamento noticiado representaria burla às normas contábeis de campanha e/ou à obrigação de declarar receitas e despesas à Justiça Eleitoral, bem como possível interferência estrangeira organizada na eleição presidencial brasileira. A gravidade é ainda maior diante da afirmação de que o apoio estaria relacionado a interesses na exploração de terras raras. Caso demonstrada alguma contrapartida, estar-se-á diante da possível instrumentalização de uma candidatura presidencial em benefício de interesses econômicos”, diz o PT na peça.
Mais uma narrativa …
Único candidato a pedir dinheiro para Vorcaro sobe nas pesquisas
O escândalo do Banco Master pode dar votos ao único candidato que tomou dinheiro de Vorcaro? É o que parece acontecer na eleição presidencial, a julgar pelas pesquisas divulgadas nos últimos dias.
Dos 12 concorrentes, só Flávio Rachadinha figura como beneficiário direto do esquema. Ele é investigado pela PF por suspeita de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Foi flagrado pedindo R$ 134 milhões a Vorcaro, a quem chamava de “irmão”.
Ao ser questionado sobre o rolo, o senador simulou indignação: “É mentira! De onde você tirou isso?”. Quando ficou claro que o mentiroso não era o repórter, ele mudou de tom e alegou ter pedido patrocínio para o que descreveu como uma “obra-prima”.
Flávio nunca apresentou a prestação de contas que prometeu. Tampouco explicou como uma fita capenga, produzida pelo astro de “Floribella”, poderia se tornar o filme mais caro da história do cinema brasileiro.
Poupado das operações policiais que atingiram outros políticos da lista de Vorcaro, o senador conseguiu recuperar os pontos que perdeu em maio, quando o “Dark horse” saiu da cocheira. Agora aparece em empate técnico com Lula nas simulações de segundo turno.
Há algumas explicações na praça para o paradoxo do Master. A principal, aceita pelas duas campanhas, sustenta que Flávio é o maior beneficiário da crise no Supremo.
A percepção de que até a cúpula do Judiciário se envolveu em corrupção tende a favorecer políticos que apostam no discurso antissistema. O ex-mito já surfou essa onda em 2018, no auge da Lava-Jato.
O fato de Moraes estar no centro das suspeitas também impulsiona o candidato do PL. O ministro foi indicado por um presidente de direita, mas se notabilizou como o homem que prendeu o ex-mito.
Seu derretimento respinga na imagem de Lula, ainda que o presidente tente se distanciar do caso.
Por fim, é difícil não notar a mão amiga de André Mendonça em favor de Flávio.
O ministro ocultou por quase dois meses a informação de que o presidenciável era investigado pela PF. E ainda protegeu três colegas citados no celular de Vorcaro enquanto lançava Moraes sozinho na fogueira.
O Globo, Opinião, 18/09/2026 00h00 Por Bernardo Mello Franco