
Wagner e Costa enriqueceram, enquanto empobreciam a Bahia
Rodrigo Constantino
Gazeta do Povo
O baiano foi às urnas neste domingo e renovou o contrato. Jerônimo Rodrigues, do PT, foi reeleito governador no primeiro turno com 55,8% dos votos válidos, 4,62 milhões, contra 43,7% de ACM Neto, 3,62 milhões. Rui Costa e Jaques Wagner levaram as duas vagas do Senado. Na disputa presidencial, Lula fez 66,2% na Bahia, 5,66 milhões de votos, contra 28,5% de Flávio Bolsonaro, 2,44 milhões. A diferença passou de 3,2 milhões. Em 2022, Lula já havia levado 69,7% no estado. O mapa não mudou muito.
O PT governa a Bahia desde 2007, ciclo aberto por Wagner, continuado por Rui e agora esticado até 2030 com Jerônimo Rodrigues. São seis mandatos seguidos. Vinte anos de um mesmo projeto. E o estado anda para trás. A desculpa costumeira é a herança, o coronelismo, o sol. A desculpa caducou. Duas décadas são tempo de sobra para inverter uma trajetória, se a trajetória fosse o problema e não o método.
RECUANDO… – A Bahia tem a quarta maior população do país e, ainda assim, perdeu posição. Em 2006, antes de o PT sentar em Ondina, era o sexto maior PIB estadual. Hoje é o sétimo. A fatia do estado na economia brasileira encolheu sob os governos petistas.
Não se trata de crescer devagar. Trata-se de crescer menos do que os outros e entregar participação. Um estado que encolhe no ranking nacional enquanto o partido no poder se reelege no primeiro turno não está sendo punido. Está tendo o que deseja.
O IBGE registra um dado interessante: Salvador passou de 2.675.656 habitantes em 2010 para 2.417.678 em 2022. Foram 257.978 moradores a menos, queda de 9,64%, a maior entre as capitais brasileiras. Mais de 20 mil baianos mudaram para Santa Catarina.
DESABAFO -Um baiano me mandou a seguinte mensagem de desabafo: “Os jovens talentos estão indo embora. O capital intelectual que poderia gerar riqueza está se formando fora daqui e não volta mais. Vejo esse movimento entre famílias próximas. Meu filho é um bom exemplo, formou-se em Engenharia Aeroespacial na UFMG e trabalha na Embraer há um ano e meio”. E acrescentou:
“Pelo menos dois clientes meus, mineradores tradicionais, disseram que precisarão vender suas empresas porque os filhos construíram a vida fora e não querem assumir os negócios. Neste ano, ouvi o presidente da Ademi-BA manifestar preocupação com a necessidade de reter talentos em Salvador e na Bahia”.
E acentua, em tom fatalista: “Daniela Mercury e outros artistas adoram propagar a frase ‘baiano não nasce, estreia’. E assim, muita gente aqui, sem talento algum, pensa que é artista. Garotos pobres, da favela, ficam batucando e achando que estão fazendo algo importante… Mas o povo tem esse DNA de preguiça, de miséria, de mendicância, que não vai mudar nunca. A grande maioria aqui é ‘PTzão’ mesmo, a Bahia é a joia da coroa do PT. Existem muitos exemplos extraordinários de empreendedores, juristas, diplomatas e políticos baianos, mas hoje são muito poucos”.
ALTO DESEMPREGO – O mercado de trabalho acusa o golpe. A taxa de desemprego baiana só não é pior do que a do Piauí, outro estado governado pelo PT. No rendimento médio do trabalho, o baiano supera apenas o maranhense. Em 2025, 52,8% dos ocupados na Bahia estavam na informalidade, a terceira pior marca do país. Em São Paulo, a informalidade era de 29%. Em Santa Catarina, estado mais conservador, 26,3%.
Mais da metade de quem trabalha na Bahia vive sem carteira, sem proteção e sem horizonte. Isso não é acidente estatístico. É o resultado de uma economia que não cria emprego formal porque o custo de criar emprego formal é alto, o ambiente é hostil e o governo prefere distribuir o que arrecada a deixar o cidadão produzir.
O desenvolvimento humano confirma o diagnóstico. No primeiro registro do IDHM durante os governos do PT, em 2012, a Bahia estava em 22º entre os estados. Hoje está em 23º. Vinte anos de “inclusão” e o estado desceu um degrau no fundo da tabela. Na saúde, a expectativa de vida ao nascer saiu da 14ª para a 18ª posição entre as unidades da Federação. O discurso oficial fala em hospitais inaugurados e escolas de tempo integral. O dado frio fala em gente que vive menos, relativamente aos outros estados, do que vivia quando o PT chegou.
INSEGURANÇA – A violência fecha o quadro. A Bahia tem a segunda maior taxa de mortes violentas intencionais do país, 36,8 por 100 mil habitantes, mais que o dobro da média brasileira. Das dez cidades com as maiores taxas, metade fica na Bahia. Jequié, município baiano, é a cidade mais violenta do Brasil. Não é um surto. É uma política de segurança que tratou o crime como fenômeno social a ser compreendido, enquanto o cidadão enterrava filho. O eleitor que reconduz esse governo não está mal informado sobre o homicídio. Mora ao lado dele.
A pergunta incômoda é porque o recibo eleitoral nega a realidade. A resposta não está na alma do baiano. Está no desenho do incentivo. O PT construiu na Bahia uma máquina de transferência, prefeitura alinhada, programa social e cabresto moderno. A migalha chega com logo, com data de pagamento e com cabos eleitorais que lembram de quem é o padrinho.
RETROCESSO – A prosperidade não chega com logo. Ela exige regra estável, imposto que não sufoque, segurança que permita abrir o comércio à noite e um Estado que saia da frente de quem produz. Nada disso rende palanque em ano eleitoral. O Bolsa Família rende. A nomeação rende. A obra inaugurada três semanas antes do voto rende.
O custo dessa troca é pago por quem não aparece no comício. O trabalhador informal que ganharia mais com carteira assinada num estado que crescesse acima da média. O jovem que emigra porque a oportunidade ficou em Santa Catarina ou no interior de São Paulo. A família que perde um parente numa cidade que lidera o ranking de morte violenta e, no domingo seguinte, recoloca no poder o mesmo grupo.
Não é falta de alternativa. ACM Neto chegou a 43,7%. Havia voto de oposição. Faltou maioria. A maioria preferiu a continuidade do arranjo que a mantém dependente.
CONDENAÇÃO – Liberais gostam de tratar o Nordeste como exceção cultural, quase uma fatalidade. Talvez seja. Mas não há nada escrito em pedra que deva ser assim para sempre.
A Bahia não está condenada à pobreza relativa. Está condenada, por enquanto, a um cálculo eleitoral racional e perverso: o voto premia quem distribui o presente e pune quem promete o futuro. Enquanto a urna pagar melhor a migalha do que a prosperidade, o PT terá sexto, sétimo, oitavo mandato.
Assim, o principal Estado do Nordeste continuará caindo no PIB, na longevidade e na segurança. E o resto do país continuará financiando, via União, o modelo que a Bahia acaba de reeleger. Precisamos falar sobre a Bahia porque a Bahia, neste domingo, falou sobre o Brasil.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Impressionante matéria, enviada pelo comentarista Mário Assis Causanilhas, mostrando que a Bahia entrou em grave retrocesso nas mãos de corruptos como Jaques Wagner e Rui Costa, ambos enriquecidos ilicitamente. (C.N.)
Por que será que a Bahia, em 2006 tinha im PIB de 90 bi e era governada até então, pelo PFL. Desde quando oo PT assumiu o governo em 2007, houve um crecimento robusto do PIB, interrompido em 2014 (crescimento do PIB acima de 100%) e perdurando até 2022. De 2023 até agora houve retomada do crescimento econômico da Bahia, que hoje tem um PIB acima de 500 bi.
Portanto, analisando em quais governos cresceu e em quais caiu, é natural que a tendência majoritária de votos seja para quem a ajudou a crescer.
Narrativas são desmentidas por fatos..
https://blogdoibre.fgv.br/posts/economia-do-nordeste-analise-estrutural-e-estimativas-para-o-crescimento-do-pib-ate-o-2o
Falar bem feito para os baixamos de um modo geral está errado. Pois nem todos votam na esquerda. Mas no fundo essa turma que vota na esquerda não só na Bahia, mas mo restante do nordeste merecem