
Charge do Baggi (Jornal de Brasília)
Carlos Newton
Já abordamos diversas vezes aqui na Tribuna da Internet o surrealismo da política brasileira, que hoje sofre essa inacreditável e inaceitável polarização entre dois políticos demagogos de baixíssimo nível, ambos sem o menor preparo intelectual para administrar um país problemático como o Brasil.
A realidade brasileira mostra que a política é uma ciência social estranha, porque sua prática é tumultuada e não segue a menor lógica, tornando-se um desafio sua análise por filósofos, antropólogos e cientistas sociais. Tanto Lula quanto Bolsonaro são exemplos dessas inexplicáveis contradições.
VÃS IDOLATRIAS – Vejam o caso específico de Lula. Seria até normal que os beneficiados pelo Bolsa Família o idolatrassem, embora o programa tenha sido criado pela mulher de Fernando Henrique Cardoso, a antropóloga e cientista social Ruth Cardoso. Mas Lula se apropriou da autoria, a imprensa amestrada o aplaude pelo programa, e estamos conversados.
No entanto, não existem explicações para a idolatria que o petista conquistou em outras camadas sociais de maior preparo, que têm conhecimento do escabroso painel de corrupção e baixarias nos governos do PT, iniciado no mensalão e parece não ter mais fim, porque seguiu na Lava Jato e agora se encadeou ao Banco Master e outros casos envolvendo os petistas Dias Toffoli, Alexandre de Moraes, Jaques Wagner, Rui Costa e até o velho mochileiro João Vaccari, sem falar nas performances pessoais dos filho de Lula, verdadeiros fenômenos que orgulham demais esse ramo da família Silva.
E BOLSONARO? – Do outro lado da moeda, a efígie de Jair Bolsonaro mereceria idêntico desprezo. Ele se tornou famoso quando era capitão e publicou um artigo na Veja, no final da ditadura militar, reivindicando maiores salários para as Forças Armadas. Depois, planejou atentados a bomba.
A esse respeito, o presidente Ernesto Geisel disse ao jornalista Elio Gaspari que Bolsonaro era “um mau militar”. Mesmo assim, ele não foi punido, pediu licença para se candidatar a vereador em 1988, foi eleito e reformado, ganhando de presente a aposentadoria como capitão aos 33 anos de idade, que maravilha viver, como dizia Vinicius de Moraes.
Seus sucessivos mandatos políticos foram decepcionantes. Bolsonaro não discursava, não apresentava projetos e colocou um capitão como chefe de gabinete, para organizar a rachadinha dos funcionários, que passou a ser tradição política do enriquecimento de sua família, ao lado da compra de imóveis em dinheiro vivo.
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P.S. – Como se vê, as vidas públicas de Lula e de Bolsonaro não podem servir de exemplo para ninguém. Mas o fato concreto é que eles são idolatrados pela ampla maioria dos eleitores brasileiros, de forma incondicional. A meu ver, essa situação é insustentável e perigosa, porque estimula uma radicalização política cada vez maior, dividindo parentes e amigos, que deveriam raciocinar sobre o que está acontecendo na política brasileira, com graves efeitos nas relações sociais e familiares. Pensem sobre isso. (C.N.)