Eleição histórica foi maracada por intensa polarização
Pedro do Coutto
O Brasil chegou ontem ao segundo turno das eleições presidenciais diante de uma das disputas mais apertadas e carregadas de significado político de sua história recente. Lula e Flávio Bolsonaro encerraram a campanha separados por uma diferença que, à luz das pesquisas, não permitia antecipar o resultado.
O Datafolha divulgado na véspera da votação apontou 51% dos votos válidos para Flávio Bolsonaro e 49% para Lula, configurando empate técnico dentro da margem de erro. Nos votos totais, a diferença também era estreita: 48% a 47%. Outros levantamentos divulgados no mesmo período confirmavam a dimensão da incerteza.
ESTRATÉGIAS – A fotografia das pesquisas ajuda a explicar a intensidade do último dia de campanha. De um lado, Lula buscou mobilizar o eleitorado que ainda poderia decidir a eleição pelo comparecimento às urnas, sobretudo diante da abstenção elevada registrada no primeiro turno.
De outro, Flávio Bolsonaro tentou transformar a vantagem conquistada na primeira etapa da disputa em vitória definitiva. As manifestações realizadas no sábado, com grandes concentrações de apoiadores dos dois candidatos, traduziram nas ruas uma divisão que as pesquisas já vinham revelando nas semanas anteriores. A presença de multidões, entretanto, não permitia no momento em que escrevo esse artigo medir o resultado eleitoral: milhões de eleitores que não participaram dos atos também estavam diante da decisão que definiria o próximo presidente.
A natureza dessa eleição ultrapassa, portanto, a disputa convencional entre dois candidatos. Lula representou a tentativa de continuidade de um projeto político que voltou ao Palácio do Planalto e agora buscava um novo mandato; Flávio Bolsonaro, por sua vez, disputava a Presidência como herdeiro direto de uma corrente política que permanece altamente mobilizada e que procura transformar a força eleitoral do bolsonarismo em uma nova maioria nacional.
RELATÓRIO DO COAF – A reta final ainda foi atravessada por um episódio que acrescentou pressão à candidatura de Flávio Bolsonaro. Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontou movimentações financeiras consideradas atípicas, totalizando cerca de R$ 1,3 milhão em determinado período, além de operações anteriores que o órgão avaliou como incompatíveis com a capacidade econômica declarada.
O caso ganhou dimensão política às vésperas da votação, mas é importante separar a existência de movimentações classificadas como atípicas de qualquer conclusão definitiva sobre sua legalidade. Cabe às autoridades responsáveis pela investigação esclarecer a origem, a finalidade e a eventual existência de irregularidades.
DISPUTAS POLÍTICAS – O episódio, contudo, mostra como a eleição chegou ao último momento: não apenas apertada, mas cercada por disputas políticas, acusações, controvérsias institucionais e forte mobilização dos dois lados. A campanha de Flávio apostou na mudança e na força de uma oposição que conseguiu chegar ao segundo turno em vantagem. Lula procurou apresentar a escolha como uma decisão sobre os rumos do país e mobilizar o eleitorado que ainda poderia alterar a correlação de forças.
É justamente essa combinação que tornou o desfecho tão difícil de antecipar. Em uma eleição decidida por poucos pontos, a diferença entre vencer e perder pode estar menos na capacidade de reunir multidões do que na disposição do eleitor silencioso de sair de casa, na distribuição regional dos votos e na conversão das últimas intenções em votos efetivamente depositados nas urnas.
NOVA CONFIGURAÇÃO – O primeiro turno já havia mostrado que a disputa poderia mudar de configuração rapidamente. A reta final confirmou que nenhum dos dois campos tinha razões suficientes para considerar a vitória assegurada.
Quando este texto for lido, as urnas já responderam à pergunta que dominou a campanha: Lula permanecerá no poder ou Flávio Bolsonaro conduzirá o país a uma mudança de comando? Até que a apuração termine, qualquer afirmação categórica sobre o vencedor será apenas uma aposta. O dado politicamente mais relevante, antes do resultado, é outro: o Brasil chega à decisão profundamente dividido, com dois projetos de poder capazes de mobilizar parcelas expressivas da sociedade e com uma margem estreita o suficiente para transformar cada voto em fator decisivo.
Independentemente de quem vencer, a eleição deixará uma consequência que não desaparecerá com a divulgação do resultado. O próximo presidente terá diante de si um país politicamente polarizado, uma oposição numerosa e um eleitorado que demonstrou estar disposto a participar intensamente da disputa pelo futuro nacional. A vitória eleitoral encerrará a contagem dos votos. Não encerrará, porém, o confronto político que levou o Brasil até aqui.
Se o natimorto bolsonarismo (trampolim para muitos, mas disfuncional na prática) minguasse, haveria algo de proveitoso nessas caóticas eleições.
Foi uma armadilha improdutiva que abocanhou uma geração.
Lula (com seu grupelho da corja de mesma facção do rechadinha) é esperto, mas não imbatível.
Ganha no patrocínio global, no poder da máquina, no fantasma de Trump e nos erros do idêntico “oponente”.
A maior parte da “direita” é Centrão, enriquece, faz o povo de massa de manobra, cobra caro para ser base do desgoverno.
A negociata pode ficar ainda mais cara.
A repercussão desse boleto sempre recai nas costas dos brasileiros.
As distorções desse pleito eleitoral mostram um povo mais perdido do que surdo-cego em tiroteio.
Esse grupo está há 30 anos enrolando.
São de falar (sem detalhar), mas não são de fazer.
Por isso quase perderam para o sócio Flávio rachadinha.
Micheque x Tábata em 2030?
Treinando direitinho no Senado, Micheque aprende até a falar.
Batman das orelhas enormes Douglas Ruas.
Faça o Sinal.
Tarcísio, Moro, Ratinho.
Façam o sinal.
Tem uma galera de olho em 2030.
Não para mudar, mas para crescer nos espaços que vão se abrindo.
Sem Empíricus, comprada e diluída no BTG, para alertar o óbvio, alguém mais enxerga 2015 na próxima esquina?
https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/10/26/dolar-ibovespa.ghtml
Enquanto eles ganham fácil.
Só resta ao caixa lucrar o pouco que lhe sobra…