
Centrão acena a Lula e tentará manter cargos em novo governo
Elisa Clavery
G1
O resultado das eleições, com a vitória do presidente Lula (PT) com mais de 4 milhões de votos à frente de Flávio Bolsonaro (PL), surpreendeu a maior parte do Centrão. Na campanha de segundo turno, quase todos os partidos apoiaram o senador do PL, mas já recalculam rota menos de 24 horas após a abertura das urnas e admitem compor com o governo Lula.
O discurso é de que será preciso fazer um governo de coalizão, com a participação de outros partidos além da esquerda na Esplanada. Como pano de fundo, há também o instinto de sobrevivência desses partidos, que temem perder espaço no Congresso diante do crescimento da bancada do PL. As cúpulas de partidos como Republicanos, MDB e PSD já conversam para tentar unificar a atuação do grupo após a eleição.
NOVOS CAMINHOS – “Precisamos encontrar um caminho menos traumático para o país. O novo governo vai ter um cenário de antagonismo, mas eu espero que a gente consiga ir com maturidade”, afirma um senador do Centrão que apoiou Flávio durante a campanha.
Na mesma linha, o deputado Ricardo Barros (PP-PR) diz que Lula terá de negociar com esses partidos para garantir sustentabilidade no Congresso. “Os partidos de Centro têm um DNA pela governabilidade, pelo compromisso de que o presidente eleito possa cumprir seu plano de governo, que foi aprovado nas urnas. Não vejo surpresa no que vai acontecer, que é a construção de uma maioria para sustentar o governo no nosso presidencialismo de coalizão”, afirma.
MANIFESTAÇÕES – Partidos como União Brasil, Republicanos – que apoiaram Flávio –, MDB e PSD emitiram nota após o resultado das eleições, parabenizando o presidente Lula pelo resultado. “Reafirmo também nossa disposição de apoiar medidas e ações por um Brasil que cresça, gere empregos e reduza as desigualdades, em benefício de todos os brasileiros”, escreveu Antonio Rueda, presidente do União Brasil.
Em manifestação publicada nas redes sociais, o MDB diz que “é um momento em que a vontade popular se fez soberana”. “Desejamos que ele tenha serenidade para governar o País em favor de TODOS sem exceção”, finaliza a nota do partido. Apesar de não fechar questão em favor de Flávio Bolsonaro, a maioria dos diretórios do MDB apoiou a eleição do senador do PL.
Já Gilberto Kassab, presidente do PSD, escreveu em nota de reconhecimento à eleição de Lula ter a certeza de que “nossos parlamentares e governadores eleitos seguirão defendendo os bons projetos e manterão a relação republicana com o Governo Federal, em defesa do objetivo comum a todos nós, que é o desenvolvimento do Brasil e o bem-estar da nossa população”.
NEGOCIAÇÕES – Na base de Lula, alguns parlamentares concordam que o governo precisará fazer um mandato menos petista, sinalizando para os outros partidos. Na avaliação de um ex-ministro, a nova gestão terá de ampliar o diálogo com setores da direita democrática, construir alianças e trabalhar desde já na elaboração do Orçamento de 2027, com propostas para ajustar as contas públicas.
Isso passaria por apresentar em até 30 dias um pacote com medidas de ajuste fiscal, em uma demonstração de disposição para construir uma agenda econômica capaz de reunir apoio para além de sua base tradicional.
Para este interlocutor, o gesto de Lula de permitir que o vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin (PSB), fosse o primeiro a falar no discurso após a vitória foi um sinal de que o presidente entende a necessidade de ampliar a interlocução política e econômica.
CRÍTICAS A FLÁVIO – Mesmo parlamentares que apoiaram Flávio criticam sua primeira manifestação após o resultado eleitoral ao dizer que não reconheceria a vitória do adversário.
“Péssimo para um perdedor começar o discurso dessa forma. Desmonta a moderação que ele próprio estava tentando construir, tirou a imagem que trazia para a gente de que ele não era o pai”, afirma um parlamentar do Centrão, em referência ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Outro integrante do grupo também criticou a declaração. “Fala no calor do resultado. Espero que ele reavalie e faça uma fala mais tranquila”, afirma.
Alguns destes parlamentares lembram que o posicionamento vai contra o que ele próprio disse em diversas entrevistas, de que iria aceitar o resultado das eleições. Após a apuração das urnas, Flávio chegou a chamar o resultado de “sacanagem” e disse que era “algo inaceitável”.
“É impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto que essas coisas aconteceram. Nós vamos usar o nosso direito, vamos pedir a anulação dessas eleições”, disse.
DECISÃO DE ZANIN – O argumento do senador se baseia na decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de prorrogar por duas horas as eleições. A decisão aconteceu após relatos de estados que tiveram o transporte público afetado por falhas, redução de frotas e cobrança indevida, além de excesso de chuvas. Tanto a campanha de Lula quanto a de Flávio pediram a prorrogação.
Levantamento do G1 com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aponta que 35.521 votos foram registrados após as 17 horas de domingo. A vantagem de Lula foi de 4,4 milhões de votos.
Flávio Bolsonaro também disse que fiscais do PL foram retirados da sala-cofre da Corte durante a apuração das Eleições 2026. A informação foi desmentida pelo próprio TSE.
PRESIDÊNCIAS DAS CASAS – A vitória de Lula também deve reconfigurar a disputa pelas presidências da Câmara dos Deputados e do Senado. Os atuais presidentes da Câmara e do Senado, Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União-AP) , respectivamente, foram aliados importantes do petista nos últimos meses.
Na Câmara, a avaliação é que a reeleição de Motta está bem encaminhada. O deputado articulou um bloco com o maior número de partidos e isolou o PL nas negociações. No Senado, a situação de Davi Alcolumbre é considerada menos consolidada devido ao tamanho da bancada eleita pela direita para assumir a partir de 2027. Apesar disso, o cenário com a vitória de Lula ficou mais favorável a Alcolumbre.
FIM DA ESCALA 6X1 – A avaliação é que o governo Lula deve ao presidente do Senado a aprovação de uma das principais bandeiras eleitorais da campanha: a aprovação do fim da escala 6×1. Por isso e para evitar a chegada de um aliado de Flávio ao comando do Senado, senador Rogério Marinho (PL-RN), o Planalto deve se articular para garantir a reeleição de Alcolumbre.
Com o apoio do Executivo, Alcolumbre teria em mãos instrumentos importantes para negociar apoio dos senadores, como a liberação de emendas e a distribuição de cargos.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Nada de novo no front ocidental. Os políticos são pragmáticos e pegajosos. Só melhoram o padrão quando há desenvolvimento socioeconômico, como ocorre nos países escandinavos, onde não há altíssimos salários nem mordomias para os parlamentares, os magistrados e os governantes, porque, verdadeiramente, todos são iguais na forma da lei. Esquanto isso, aqui debaixo do Equador, é essa zona que vocês conhecem. (C.N.)
Ao contrário do que faziam supor a mídia e as pesquisas durante o período eleitoral, foi o antibolsonarismo que ganhou a eleição presidencial, e não o antipetismo.
A rejeição aos Bolsonaros e ao seu modus operandi é extremamente alta.
Dizem que as prostitutas as vezes enganar seus clientes. Aco que essa turma do centrao são piores do que essas prostitutas.
Um amigo policial me explicou, ‘no crime organizado não existe vácuo de poder.’
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Não vai haver mais reeleição.
Tarcísio vai virar o Judas de Quaresma.
Na esquerda sem candidato a próxima eleição vai virar um briga de foice no escuro, e o Diabo vai descer pra assistir.