
Saída de Flávio para os EUA expõe racha entre aliados
Rafaela Gama
O Globo
Entre discursos de perseguição política e outros em defesa da pacificação do Brasil, aliados de Flávio Bolsonaro (PL) se dividiram nesta terça-feira nas redes sociais após circular a informação de que o senador teria ido para os Estados Unidos depois da derrota sofrida para o presidente Lula na eleição de domingo. O entorno do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro vinha atuando para convencê-lo a reconhecer o resultado nas urnas e virar a página.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), foi um dos que se manifestaram. No domingo, ele acompanhou a apuração ao lado do senador, em Brasília, mas manteve o silêncio nas horas seguintes, enquanto Flávio previa a apresentação de um pedido de anulação do pleito em função da prorrogação do tempo de votação, que também havia sido solicitado pela sua campanha, ou da cassação da chapa de Lula por abuso de poder político e econômico.
“ELEIÇÃO PASSOU” – O discurso do senador, depois de perder por uma diferença de mais de 4 milhões de votos, não foi encampado por Tarcísio. No vídeo publicado ontem, o governador afirma por seis vezes que “a eleição passou”, agradece ao aliado pela “caminhada” e aos eleitores pelos quase 60 milhões de votos, diz que agora é hora da “união” da oposição como “fiscal do governo” e critica “excessos do Judiciário e uso da máquina” durante a campanha.
— A eleição passou, mas não passou o desejo de ministérios com nomes técnicos e sérios, de um país que não gaste mais com os juros da dívida do que com saneamento básico, saúde e educação, que corte privilégios antes de pedir sacrifícios e que combata o crime de verdade, não só no discurso. Esse desejo tem nome: chama-se projeto de país — disse o governador na gravação.
“APRENDER A PERDER” – Em tom semelhante, o líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ) afirmou, em entrevista ao colunista do O Globo Bernardo Mello Franco, que “é preciso aprender a ganhar e a prender”. Em nota publicada na segunda-feira, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, também reconheceu a derrota de Flávio após apagar uma publicação nas redes sociais na qual se recusava a dar respaldo à votação. Na primeira versão do texto, o PL dizia que “reconhecia a dimensão do resultado presidencial”. Mais tarde, o trecho foi substituído por “reconhecemos o resultado presidencial, proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE)”.
Na tarde de ontem, Valdemar se reuniu com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e registrou o momento nas redes sociais. Na legenda do post, o dirigente diz que os dois conversaram sobre o futuro do partido e os desafios que têm pela frente. Antes de o ex-presidente anunciar Flávio como seu sucessor nas urnas, o presidente do PL demonstrou preferência pela candidatura de Michelle ao Planalto — ela acabou concorrendo e sendo eleita ao Senado pelo Distrito Federal.
A derrota de Flávio também foi reconhecida por lideranças evangélicas que apoiaram sua candidatura, como o apóstolo Estevam Hernandes, líder da igreja Renascer em Cristo. Pelas redes sociais, ele disse que “não lutará contra a vontade de Deus” e que “o papel dos servos é prosseguir”.
“PERSEGUIÇÕES” – Escolhido como vice na chapa presidencial do PL, o senador Alfredo Gaspar também reconheceu a derrota em um vídeo publicado ontem nas redes. Na gravação, agradeceu os votos recebidos e disse que os dois enfrentaram “muitos obstáculos e perseguições”, mas conseguiram “vencer” o primeiro turno em uma eleição “completamente atípica”.
— Nossas bandeiras continuam e nós não vamos desistir do Brasil. Nós lutamos até o fim, permanecemos de pé, mantivemos nossos princípios. Têm vitórias que representam derrotas e têm derrotas que são verdadeiras vitórias — disse Gaspar.
SOLIDARIEDADE – Junto ao vídeo, Gaspar também publicou uma nota em que dizia prestar “solidariedade” a Flávio e sua família “diante da perseguição implacável”. O senador também foi defendido pelo deputado Nikolas Ferreira e por Sergio Moro, governador eleito do Paraná. “Em que tipo de país o candidato da oposição à presidência, que teve 59 milhões de votos, tem o seu passaporte apreendido no dia seguinte à eleição?”, questionou em um post no X. O ex-juiz da Lava-Jato afirmou que “nesse contexto, Flávio deixar o país é compreensível”.
Carlos Jordy (PL), eleito para o Senado pelo Rio, disse que Flávio foi para os EUA “para não ser usado como moeda de troca contra o impeachment de Moraes”. O ministro determinou a entrega dos documentos do candidato derrotado no âmbito de uma investigação sobre suspeitas de irregularidades financeiras envolvendo o advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio. Eleita para o Senado por Santa Catarina, Caroline de Toni (PL) também afirmou que o aliado poderá ser preso se voltar ao país, assim como o pai, tendo “o mesmo destino de quem ousa enfrentar o PT e disputar o poder no Brasil”.
Autoproclamar-se presidente não parece ser um bom negócio
O oposicionista Juan Guaidó também se autoproclamou presidente da Venezuela em 2019 e acabou, com o tempo, minguando e se isolando até desaparecer do cenário político venezuelano.
É mantido no poder, por ser corrupto, àquele que propõem-se a cumprir a mentalizada, caótica e baderneira “idéia fixa”!
A emenda saiu pior que o soneto
Quando Flávio Rachadinha apaga sua autoproclamação de presidente e a substitui por “líder do Brasil”, ele comete um erro ainda maior, ofendendo o próprio pai.
Afinal, se há um líder político na famíglia, este é o seu pai, Jair Bolsonaro, o verdadeiro detentor dos votos que Rachadinha obteve.
Cumpre lembrar, para não esquecer, que o presidente do TSE (Nunes Marques) e o vice-presidente (André Mendonça), responsáveis por conduzir as eleições de 2026, foram indicados ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
Não se deixe enganar
Há muitas supostas informações que são fake News, servidas diariamente por bolsonaristas como ração para alimentar bolsotários.
Acorda, Brasil! Presta atenção!
A fuga do amarelão
Não faltam sinônimos para definir Flávio Bolsonaro, fujão, como covarde, mentiroso e incapaz de encarar a lei
Qual você prefere? Amarelão, covarde, medroso, pusilânime, frangote, maricas, desertor, foragido, poltrão, peidão, pipoqueiro, frouxo, trêmulo, borrão, arregão? Ou, numa palavra, cagão -digo, fujão?
Se você for um dos meus fiéis leitores bolsonaristas ou um dos 59.826.041 eleitores que cravaram o número de Flávio Bolsonaro na urna neste domingo (25), a escolha é farta.
Todas definem o caráter do homem que, não fosse por outros 64.256.232 brasileiros, poderia ser agora o presidente da República.
Derrotado e sujeito a investigação e processo por uma quantidade de acusações -a escolha também é farta-, preferiu escafeder-se a enfrentar a Justiça. Onde está o machão que ele fingia ser?
Fonte: Folha de S. Paulo, Opinião, 28.out.2026 às 8h00 Por Ruy Castro
Caras de bosta de Marinho, Nikolas e Marcel
A imagem da derrota e da fuga de Flávio Bolsonaro está estampada nas caras de bosta de Rogério Marinho, Nikolas Ferreira e Marcel van Hattem, que aparecem ao lado e atrás dele durante o pronunciamento após a confirmação da derrota para Lula, de virada, nas eleições presidenciais de 2026.
Derrotado na eleição, Flávio não deve esperar muita coisa de Trump
Quando Jair Bolsonaro, também derrotado por Lula, fugiu para os Estados Unidos, no final de 2022, ele imaginava que Trump o abrigaria em seu resort Mar-a-Lago, em Palm Beach.
No entanto, Trump nem tomou conhecimento da presença de Bolsonaro em solo americano.
Diante disso, o ex-mito teve que se hospedar em Orlando, na casa de um ex-lutador de MMA, onde permaneceu por três meses e depois voltou, talvez por já não o suportarem mais por lá.
Durante esse período, ele não recebeu nenhum telefonema, nem mesmo do motorista de Trump, segundo o jornalista Wilson Moherdaui, comentarista do Jornal da Cultura (TV Cultura).
Flávio, portanto, talvez não deva ter grande expectativa quanto à sua estadia e à recepção de Trump nos EUA.