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Johanns Eller
O Globo
O candidato derrotado à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) se autoproclamou nesta quarta-feira o presidente eleito do Brasil, citando, sem provas, uma “fraude eleitoral” no processo brasileiro.
Após receber mais de 59 milhões de votos no último domingo, quando acabou derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Flávio fugiu para os Estados Unidos, onde emitiu uma declaração agradecendo ao presidente americano, Donald Trump, e o da Argentina, Javier Milei, que colaboraram com a operação para que ele deixasse do país incógnito.
“VERDADEIRO PRESIDENTE” – O texto, divulgado pelo aliado Paulo Figueiredo à imprensa, substitui uma coletiva que o candidato derrotado concederia na manhã de quinta-feira em Miami. No documento, que tem no cabeçalho com uma versão do brasão da república em que se lê “Estados Unidos do Brazil”, com z, Flávio se dirige “ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil”.
Sem provas, o senador fala em “fraude eleitoral” e cita a extensão do horário de votação no último domingo por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin após interrupções no funcionamento do transporte público em várias capitais brasileiras.
Na manifestação, Flávio Bolsonaro se compara ao ex-político e diplomata brasileiro Rui Barbosa (1849-1923), um dos principais personagens do Império e da República, e com o general e ex-presidente da França Charles de Gaulle.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Seria ingênuo tratar a declaração de Flávio Bolsonaro, derrotado nas urnas e inconformado com o resultado, como mera falácia. O que está em causa é uma estratégia recorrente da extrema-direita: lançar suspeitas sem provas, desacreditar o processo eleitoral e construir uma narrativa de fraude para manter a própria base mobilizada. Ao se proclamar “verdadeiro presidente eleito”, o senador não apresenta evidências que sustentem a acusação. Tenta, antes, substituir o resultado das urnas por uma versão conveniente aos seus interesses.
A referência ao “Brazil”, com z, e a comparação com figuras históricas não tornam a declaração mais legítima. Apenas reforçam o caráter artificial de uma encenação que procura conferir aparência institucional a uma alegação sem comprovação. A retórica da perseguição política tampouco dispensa explicações sobre as controvérsias que envolvem o senador e a sua trajetória pública.
Flávio não perdeu apenas uma eleição: ao colocar em dúvida, sem provas, a legitimidade do resultado, contribui para corroer a confiança nas instituições democráticas. Os seus eleitores têm o direito de cobrar-lhe explicações e coerência. O que não podem exigir das instituições é que substituam os fatos por uma versão fabricada para justificar uma derrota. Na democracia, o voto pode ser contestado pelos meios legais; não pode ser reescrito pela vontade de quem perdeu. (M.C.)
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Meios legais, onde encontrar a resposta?
Cumpre lembrar, para não esquecer, que o presidente do TSE (Nunes Marques) e o vice-presidente (André Mendonça), responsáveis por conduzir as eleições de 2026, foram indicados ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
Suspeita-se que a delirante carta atribuída a Flávio Rachadinha tenha sido escrita nos Estados Unidos por Eduardo Bananinha e seu ajudante Paulo Figueiredo. Quem votou nele sente vergonha e constrangimento, com exceção dos bolsotários.
Autoproclamar-se presidente não parece ser um bom negócio
O oposicionista Juan Guaidó também se autoproclamou presidente da Venezuela em 2019 e acabou, com o tempo, minguando e se isolando até desaparecer do cenário político venezuelano.
A emenda saiu pior que o soneto
Quando Flávio Rachadinha apaga sua autoproclamação de presidente e a substitui por “líder do Brasil”, ele comete um erro ainda maior, ofendendo o próprio pai.
Afinal, se há um líder político na famíglia, este é o seu pai, Jair Bolsonaro, o verdadeiro detentor dos votos que Rachadinha obteve.
Senhores Carlos Newton e Jorge Beja , não seria o caso de bloquear imediatamente o acesso virtual do senador foragido Flávio Bolsonaro (RJ-PL) , ao senado federal e cassar suas credenciais como senador da república , inclusive suspender suas remunerações como senador da república?