Proximidade com Trump não assegurou proteção a Flávio
Marcelo Copelli
Durante anos, a família Bolsonaro tratou a proximidade com Donald Trump como um ativo capaz de atravessar fronteiras. Em nove dias, as urnas dos dois países apresentaram a conta. Em 25 de outubro, Flávio Bolsonaro perdeu a Presidência para Lula. Em 3 de novembro, os eleitores americanos retiraram de Trump a perspectiva de continuar contando com maiorias republicanas no Congresso. O aliado que deveria sustentar a estratégia também sofreu um revés eleitoral. E o sobrenome que deveria assegurar a continuidade não bastou para chegar ao Planalto.
Os resultados americanos já estão definidos: os democratas conquistaram o controle da Câmara e do Senado. A nova legislatura só toma posse em 3 de janeiro de 2027 e, até lá, o Congresso em exercício segue republicano. Trump continua na Casa Branca, com o poder de veto e a prerrogativa de conduzir o Executivo. Mas, a partir de janeiro, terá de lidar com uma oposição capaz de fiscalizar sua administração, condicionar sua agenda legislativa e abrir investigações.
CUSTO DE VIDA – A AP Voter Poll, realizada com mais de 100 mil eleitores, mostrou que a pressão sobre o orçamento doméstico e a insatisfação com a política econômica tiveram peso importante no resultado. Quase nove em cada dez entrevistados consideraram o custo de vida um fator relevante para o voto. A mensagem vai além da retórica: a avaliação de um governo também passa pela experiência concreta da população e pelo impacto de suas decisões no cotidiano.
Para o Brasil, o episódio importa porque o bolsonarismo fez da relação com Trump uma peça de estratégia, não apenas de afinidade. Eduardo Bolsonaro foi um dos principais articuladores dessa aproximação. Instalado nos Estados Unidos, tentou converter o acesso a autoridades americanas em instrumento de pressão sobre as instituições brasileiras.
Vieram as tarifas adicionais sobre exportações brasileiras e as sanções contra autoridades do país. O Supremo não recuou. Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por crimes relacionados à tentativa de golpe. Eduardo recebeu pena de quatro anos e dois meses por coação no curso do processo, em uma ação ligada à pressão exercida sobre as instituições brasileiras. Há um mandado de prisão contra ele, mas o ex-deputado continua nos Estados Unidos, sem estar sob custódia das autoridades brasileiras. A ofensiva produziu constrangimento diplomático e prejuízo comercial, mas não submeteu as instituições brasileiras à vontade de Washington.
DERROTA NAS URNAS – Foi nesse cenário que Flávio tentou assumir o lugar do pai. Recebeu 48,21% dos votos válidos, contra 51,79% de Lula. A diferença de pouco mais de 4,4 milhões de votos confirmou o fracasso da tentativa de transformar o sobrenome Bolsonaro em garantia de continuidade no poder. A transferência de capital político não foi suficiente para conquistar a Presidência.
A situação dos dois aliados ajuda a compreender o alcance desse revés. Trump perderá as maiorias republicanas no Congresso, mas permanecerá no comando do Executivo. Flávio, por sua vez, não conseguiu converter a identificação com o pai em vitória eleitoral. Jair, condenado e inelegível, continua sendo a referência central de um movimento cuja sucessão permanece presa à sua figura e às circunstâncias judiciais da família.
A fuga de Flávio para os Estados Unidos ilustra o desgaste dessa estratégia. Dois dias depois de perder a eleição, o senador deixou o Brasil por via terrestre, cruzou a fronteira com a Argentina e, de lá, seguiu de avião, com passagem por Guayaquil, no Equador, até Miami, onde chegou em 28 de outubro. Partiu sem cumprir a ordem do ministro Alexandre de Moraes para entregar os passaportes, no âmbito de um inquérito em que era investigado por suspeita de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
AVAL – Washington não lhe fechou a porta. Integrantes do governo Trump ajudaram a viabilizar sua entrada, e o próprio presidente disse que a aprovaria. Mas, segundo a Reuters, a administração não pretendia endossar a pretensão do senador de se apresentar como líder legítimo do Brasil. A distinção é reveladora: permitir sua entrada nos Estados Unidos não significava assumir sua causa política.
A distância entre afinidade ideológica e interesse de Estado ficou evidente. Para Washington, a relação com Brasília envolve comércio, diplomacia e segurança, questões que não se subordinam às ambições de uma família brasileira. A proximidade com Trump podia oferecer visibilidade e acesso a interlocutores, mas não garantir a intervenção que os Bolsonaro esperavam.
A reeleição de Lula reafirmou a escolha das urnas brasileiras pela continuidade de seu governo e impôs uma derrota à tentativa de sucessão familiar articulada em torno de Flávio Bolsonaro.
DESGASTE – A derrota de Trump não encerra o trumpismo, assim como o resultado brasileiro não significa o desaparecimento imediato do bolsonarismo. Mas os dois episódios expõem o desgaste de uma estratégia que apostou na força de lideranças personalistas e em alianças internacionais como garantias de permanência no poder. Nos Estados Unidos, Trump terá de enfrentar um Congresso controlado pelos adversários. No Brasil, a família Bolsonaro vê ruir a pretensão de transformar a influência de Jair em uma herança política transmissível aos filhos.
A condenação do ex-presidente, a derrota eleitoral de Flávio e a ausência do respaldo político que se esperava de Trump deixaram à mostra a fragilidade de uma estrutura dependente de uma única família e de um aliado estrangeiro. O sobrenome não garantiu a sucessão, e a proximidade com Washington não assegurou proteção. O poder não se herda nem se terceiriza.
Hoje a mídia critica o fato do Flávio estar nos EUA.
Quando o Sr Leonel de Moura Brizola ficava hospedado no Hotel Roosevelt em Nova York ela não criticava.
Lá ele recebia todo dia jornais do Brasil via tripulações da VARIG.
O azar do bolsonarismo, que viabilizou a sua derrocada e inviabiliza o seu futuro, é que as novas e super novas gerações da juventude cabeça, composta por jovens idealistas, orientadas pelos idosos revolucionários, descobriram que os Bolsonaro representam tudo aquilo que as melhores cabeças do Brasil (evidente na entrevista do saudoso Teotônio Vilela, há 43 anos, no Canal Livre da Band) condenam há muito tempo, tal seja a submissão do Brasil à tutela norte-americana, que, desta feita, restou muito clara, derrotados que foram não apenas no Brasil mas tb nos EUA, de modo que a única saída mais inteligente, honrada e honrosa que lhes resta, do tipo fuga do inferno para o céu, é a rendição ao megaprojeto novo e alternativo de política e nação, a mega solução, via evolução, que, enfim, resolve o país, a política e a vida do conjunto da população, a nosso ver.
Sugestão à moda “Rei Salomão”, o mais justo dos reis, tipo assim, basta de polarização nefasta e de cizânia junto à população, o poder não pode ser mais deste ou daquele lado, mas tem que ser isto sim de todos, que venha então a Democracia de Verdade, Direta, com Meritocracia e Deus na Causa, seja qual for o seu Deus, que venha então a Nova Via Política de Verdade, apartidária.
O Brasil ainda tem regiões inteiras a serem desbravadas e desenvolvidas, cujas proezas dependem da irmandade brasileira, de nascimento e de coração, unida, posto que é nosso dever fazermos isso, tais sejam as transformações necessárias, não podemos ficar esperando a vida todas que os gringos venham fazer isso por nós, basta os bravos irmãos brasileiros que já perdemos para os EUA entre outras nações, inclusive europeias, que seriam de grande valia caso estivessem aqui conosco para nos ajudar a transformar o nosso país numa grande nação.
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