Disputa pelo vice na chapa expõe racha na direita em torno de Flávio Bolsonaro

Centrão quer Tereza Cristina; núcleo raiz prefere Zema

Andréia Sadi
G1

Há uma disputa importante acontecendo nos bastidores da pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) sobre a escolha do vice. Essa disputa expõe uma divisão clara dentro da direita. Aliados mais próximos de Flávio Bolsonaro resistem ao nome da senadora Tereza Cristina, do PP, que é a preferida do Centrão e já foi sugerida mais de uma vez pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto.

Esse “núcleo duro” e mais “raiz” do entorno do senador avalia que o vice precisa ser uma solução de lealdade direta ao projeto do filho 01 de Jair Bolsonaro, sem estar vinculado a um grupo político forte. Eles fazem até uma comparação: dizem que o ideal seria algo parecido com o que Lula (PT) fez em 2002, com José Alencar. Um aliado de Flávio definiu assim ao blog: ”um vice que vá dar paz”.

ESCOLHA POR MOURÃO – Bolsonaro escolheu Hamilton Mourão em 2018 — após negativas de outros nomes — e viveu às turras com o vice, com teorias de conspiração de que o general queria derrubá-lo. Em 2022, o ex-presidente escolheu Braga Netto, outro general, pois acreditava que ele seria uma espécie de ”seguro-impeachment”, por não ter estrutura própria de poder nem fazer parte de grupos no Congresso.

Para esse “núcleo duro” e mais ideológico da pré-campanha de Flávio, é aí que entra o nome de Romeu Zema, do partido Novo, que deixou o governo de Minas Gerais para disputar a eleição. Zema é pré-candidato a presidente, mas aliados do senador do PL enxergam nele uma “solução mais simples” para a vice, justamente por não carregar um bloco político como o Centrão.

Quanto a Tereza Cristina, ex-ministra de Bolsonaro, a resistência se dá por dois motivos. Por ser vista como um nome muito ligado ao Centrão e também por um episódio recente que incomodou a ala mais radical: a participação dela numa comitiva que tratou de tarifas nos Estados Unidos.

IRRITAÇÃO – Aliados dizem que Eduardo Bolsonaro ficou irritado com isso e atua contra o nome dela. Por outro lado, a senadora continua forte entre empresários e setores do mercado financeiro, que veem nela um nome mais moderado e previsível. No fim das contas, a discussão gira em torno de uma lógica bem pragmática: a vice como moeda de troca. O que cada nome entrega? Tempo de TV? Fundo eleitoral? Apoio político?

No caso do Zema, entra na conta o peso de Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país. O ex-governador é visto como alguém mais fiel ao projeto bolsonarista, mas que ainda precisa provar quanto agrega eleitoralmente. Tereza Cristina, por sua vez, é um nome ligado ao Centrão, com apoio do mercado, empresários e setores da direita.

“Quem acha vive se perdendo, por isso agora eu vou me defendendo…”

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Poemas & Canções

O cantor, músico e compositor carioca Noel de Medeiros Rosa (1910-1937), na letra de “Feitio de Oração”, feita com o parceiro Vadico, mostra o samba como sendo a manifestação de um sentimento que  percorre e comove o indivíduo, a ponto de recorrer a uma espécie de oração.

Esse samba-canção foi gravado por Silvio Caldas, em 1933, pela RCA Victor.

FEITIO DE ORAÇÃO
Vadico e Noel Rosa

Quem acha vive se perdendo
Por isso agora eu vou me defendendo
Da dor tão cruel desta saudade
Que, por infelicidade,
Meu pobre peito invade

Batuque é um privilégio
Ninguém aprende samba no colégio
Sambar é chorar de alegria
É sorrir de nostalgia
Dentro da melodia

Por isso agora lá na Penha
Vou mandar minha morena
Pra cantar com satisfação
E com harmonia
Esta triste melodia
Que é meu samba em feito de oração

O samba na realidade não vem do morro
Nem lá da cidade
E quem suportar uma paixão
Sentirá que o samba então
Nasce do coração

Ex-braço direito de Bolsonaro recebe milhões do Master e atua na defesa de Vorcaro

Repasses do Master cresceram 27 vezes sob estratégia de Vorcaro para ter influência

O caso Banco Master e a erosão silenciosa das instituições brasileiras

Caso não é isolado e revela uma rede de relações

Pedro do Coutto

A mais recente revelação envolvendo o Banco Master não é apenas mais um escândalo financeiro — é um retrato inquietante de como as engrenagens de poder no Brasil continuam operando em zonas cinzentas, onde legalidade, influência e interesses privados frequentemente se confundem. Trata-se de um padrão recorrente na história política nacional, mas que, a cada novo episódio, assume contornos mais sofisticados e difíceis de rastrear, justamente por se esconder sob a aparência de formalidade e regularidade.

Reportagem de O Globo aponta que figuras de alto escalão da República, como o ex-presidente Michel Temer, o ex-ministro Ricardo Lewandowski e o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles, teriam recebido valores expressivos do banco — cifras que, somadas, alcançariam dezenas de milhões de reais e que foram declaradas à Receita Federal com finalidades fiscais controversas.

LEGITIMIDADE – O dado mais perturbador não está apenas nos valores, mas na naturalidade com que essas operações parecem ter sido registradas, como se a formalização bastasse para conferir legitimidade ao que, na essência, pode configurar conflito de interesses.

 Ainda que os detalhes jurídicos precisem ser minuciosamente apurados, o simples fato de tais nomes surgirem associados a práticas potencialmente irregulares já provoca um abalo relevante na confiança institucional. Em democracias maduras, a credibilidade é um ativo tão importante quanto a própria legalidade. Quando ela é corroída, abre-se espaço para o ceticismo generalizado — terreno fértil para discursos populistas e para o enfraquecimento das instituições.

O episódio ganha contornos ainda mais sensíveis quando se observa a presença de outros atores do sistema político e econômico, como Guido Mantega, também citado no contexto das movimentações financeiras. A recorrência de nomes que ocuparam posições estratégicas no Estado brasileiro sugere que não estamos diante de uma eventualidade, mas de um possível padrão de relacionamento entre o setor financeiro e o núcleo decisório do poder público.

REDE DE RELAÇÕES – O que se desenha, portanto, não é um caso isolado, mas possivelmente uma rede de relações que conecta o sistema financeiro a decisões estratégicas de Estado — algo que, se confirmado, aponta para um padrão estrutural de captura de influência. Esse tipo de captura não se dá necessariamente por meio de ilegalidades explícitas, mas por mecanismos mais sutis: consultorias, pareceres, contratos formais e remunerações que, embora registradas, levantam dúvidas sobre sua real motivação.

É a chamada “zona cinzenta institucional”, onde o problema deixa de ser apenas jurídico e passa a ser ético. Nesse ambiente, a distinção entre o público e o privado se dilui, e o interesse coletivo corre o risco de ser subordinado a agendas particulares.

PAPEL DELICADO — Nesse cenário, o papel do Supremo Tribunal Federal torna-se central — e também delicado. As declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva dirigidas ao ministro Alexandre de Moraes, sugerindo cautela e até eventual impedimento em julgamentos relacionados ao caso, introduzem uma camada adicional de tensão que transcende o próprio escândalo.

Quando o chefe do Executivo se manifesta publicamente sobre a atuação de um ministro da mais alta corte do país, o gesto não pode ser interpretado como trivial. Ele carrega implicações institucionais profundas, pois toca no princípio da separação de poderes. Ainda que o argumento apresentado seja o de preservar a biografia e a integridade do magistrado, o efeito político pode ser o oposto: alimentar suspeitas e tensionar ainda mais a relação entre os Poderes.

O Supremo, por sua vez, encontra-se em uma posição particularmente sensível. Ao mesmo tempo em que deve garantir a aplicação da lei com rigor, precisa preservar sua própria legitimidade diante de uma opinião pública cada vez mais desconfiada. Qualquer decisão — seja de avançar ou de recuar — será inevitavelmente interpretada à luz do contexto político.

DELAÇÕES — A questão das delações premiadas, mencionada no contexto do caso, também merece atenção. Nos últimos anos, esse instrumento foi fundamental para desvendar esquemas complexos, especialmente durante a Operação Lava Jato. Foi por meio delas que se revelou a profundidade de redes que conectavam empresas, partidos e agentes públicos em diferentes níveis.

No entanto, o uso intensivo das delações também gerou controvérsias, sobretudo quanto a eventuais excessos, pressões indevidas e fragilidades probatórias. O desafio agora é encontrar um ponto de equilíbrio: preservar o instrumento como ferramenta de investigação, sem permitir que ele seja banalizado ou utilizado de forma distorcida.

Qualquer movimento que possa limitar ou desestimular colaborações precisa ser analisado com rigor, sob pena de enfraquecer mecanismos essenciais de combate à corrupção. Ao mesmo tempo, é legítimo — e necessário — discutir salvaguardas que garantam a lisura do processo.

AUTORREGULAÇÃO – No pano de fundo de toda essa discussão está uma questão maior: a capacidade do Estado brasileiro de se autorregular e de impor limites claros às relações entre poder político e poder econômico. O caso Banco Master, independentemente de seu desfecho jurídico, já cumpre um papel importante ao expor fragilidades estruturais que há muito tempo são conhecidas, mas raramente enfrentadas com a profundidade necessária.

A história recente mostra que escândalos passam, nomes mudam, mas os mecanismos tendem a se reinventar. Romper esse ciclo exige mais do que investigações pontuais — exige reformas institucionais, transparência radical e, sobretudo, uma mudança de cultura política.

Sem isso, o país continuará a oscilar entre momentos de indignação e longos períodos de acomodação, enquanto as zonas cinzentas do poder seguem operando, silenciosamente, no coração da República.

Luxo dos jatinhos enfeitiçou ministros do STF, porque aeroporto é coisa de pobre

A charge mostra três jatinhos voando. Nos dois primeiros deles, aparecem os ministros do STF Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. Na fuselagem lê-se a palavra “Aero-Vorcaro”. Em um terceiro jatinho está Nunes Marques, com o texto Aero-empreseario amigo” na fuselagem do avião. Em primeiro plano, um vira-lata e um cão salsicha observam as aeronaves no céu. O vira-lata diz; — Nunes Marques também! O cão salsicha diz: — Mais um a favor da tarifa Zero!

Charge do Cláudio Oliveira (Folha)

Elio Gaspari
O Globo

Nem um maledicente profissional seria capaz de prever que o Supremo Tribunal Federal entraria numa crise por causa da evolução patrimonial de alguns de seus ministros ou da conduta de magistrados com empresários. A bem da Justiça, vale registrar que, somados, eles formam uma minoria audaciosa, onipotente e, em alguns casos, vingativa.

Até hoje, o Supremo viveu grandes encrencas, sempre provocadas pelo que os ministros pensavam, ou falavam. Agora, não importa o que eles pensam, mas o que fazem. Alguns deles (Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Kassio Nunes Marques e outros) encalacraram-se pelo privilégio de usar jatinhos de empresários para seu conforto.

NAS ASAS DO MASTER – Moraes e Toffoli voavam nas asas de uma empresa do banqueiro Daniel Vorcaro. Um para sair de Brasília, o outro para descansar no resort Tayayá.

Jatinho do amigo permite decolar à hora que se quer, com destino ao aeroporto que se escolheu, sem passar pela sala de embarque onde ralam os bípedes comuns. Aeroporto é coisa de pobre, quem é gente de bem vai a hangar privatizado.

Jatinho é um símbolo de poder, prestígio ou patrimônio e disseminou-se nos últimos 50 anos. O primeiro jatinho público de que se tem notícia foi o do Banco Central.

RELATA O ADVOGADO – O jatinho havia pertencido a um papeleiro quebrado, e seu advogado contaria: “A certa altura, negociando com os burocratas, percebi que estavam de olho no avião. Endureci a negociação e eles levaram o jatinho, mas fizeram concessões com as quais poderiam ter comprado uma esquadrilha”.

O jatinho do Banco Central serviu a ministros e hierarcas amigos de ministros. Perdido o poder, lá se ia o conforto. Em setembro de 1983, quem estava no gabinete paulista do poderoso ministro Delfim Netto, ouviu-o falando ao telefone: “Quer o avião para voltar ao Rio? Diz a ele para ir de ônibus”.

Quem queria o avião do Banco Central para voltar para sua casa, no Rio, era o economista Carlos Geraldo Langoni, que acabava de ser defenestrado da presidência do BC.

VOANDO PELA FAB – Delfim usava seu poder como ninguém. O jatinho do BC talvez tenha se aposentado. Autoridade de verdade hoje em dia voa pela FAB. (O Supremo não divulga os voos de seus ministros, nem quando um presidente do tribunal vai à Argentina para um encontro de juízes paranaenses e o jatinho fica por dias à sua espera.)

Voando nas asas de Vorcaro, os ministros livraram-se de uma eventual curiosidade pública e acabaram na vala das conexões do banqueiro. Mau negócio. Os viciados em jatinhos dos amigos foram expostos como aproveitadores.

Noves fora o conforto, o que os empurra para os hangares é o horror à convivência com os cidadãos comuns.

CARROS BLINDADOS – Um curioso jura que no século passado viu a juíza Sandra Day O’Connor, da Suprema Corte dos Estados Unidos, na sala de embarque da ponte aérea Washington-Nova York. Coisa de país pobre, só o presidente do tribunal tem carro oficial. O STF, com 11 ministros, tem uma frota de 91 carros, 11 deles blindados.

Mudou o Brasil e mudaram os tempos. No século passado, antes da era dos jatinhos, o jornalista Assis Chateaubriand, entrevado, mostrava seu poder fazendo numa Rolls Royce o percurso de umas centenas de metros na pista do Galeão, saindo do jato que o trazia da Europa para embarcar no bimotor que o levaria para São Paulo. Em tese, às suas custas. 

Declaração de Lula sobre Moraes expõe falhas no roteiro para se descolar do caso Master

Imprensa destrói blindagem do Supremo e exibe enriquecimento ilícito de Moraes

Laerte: Crise política é culpa da imprensa - O Cafezinho

Charge do Laerte (Folha)

Carlos Newton

Chega a ser constrangedora e revoltante a resistência corporativa do Supremo Tribunal Federal, que faz o possível e o impossível para blindar os ministros envolvidos em corrupção, especialmente Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. Mas tudo em vão. Por mais esforços que o STF faça, os resultados são patéticos e depõem contra a honorabilidade da maioria dos ministros, atingidos também pelo enriquecimento antiétic0 de parentes que advogam causas nos Tribunais Superiores, à exceção de André Mendonça e Cármen Lúcia.

Desde o início do caso do Banco Master, as tentativas de blindar Toffoli e Moraes têm fracassado e só serviram para agravar cada vez a situação dos ministros.

BLINDAGEM INÚTIL – Despertados pelas notícias de irregularidades, publicadas em O Globo por Lauro Jardim e Malu Gaspar, deputados e senadores também tentaram investigar o caso em Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI), pedindo quebras de sigilo e convocação de testemunhas e investigados, mas o Supremo derrubava tudo.

Numa perseguição implacável, o Supremo mudou ser entendimento anterior, a prorrogação da CPMI do INSS foi negada e não há motivos para acreditar que a CPI do Crime Organizado, que termina dia 14, consiga ser prorrogada.

Quanto às duas tentativas de CPI do Master, continuam blindadas pelos presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre, que são alinhados com o governo Lula e com parte do Supremo.

ATÉ A PROCURADORIA… – Para fortalecer esse festival de blindagem, até a Procuradoria Geral da República mergulhou de cabeça. Os parlamentares fizeram uma série de representações, muito bem fundamentadas, mas o procurador-geral Paulo Gonet alegou que não havia nada a investigar.

Esse esforço impressionante do eixo Planalto-Supremo está sendo jogado fora, porque hoje em dia os jornalistas já conseguem se libertar das pressões dos empresários da comunicação e sempre arranjam como publicar as denúncias, que estão apresentadas de forma avassaladora.

Esse episódio demonstra a crescente importância da imprensa livre, na qual se insere a Tribuna da Internet, que em maio de 2025 enviou dossiês sobre o Banco Master à Comissão de Valores Imobiliários, ao Tribunal de Contas da União e ao Banco Central, alertando as autoridades, que só viriam a intervir em novembro, cinco meses depois, portanto.

BALANÇO DE MARÇO – Como sempre fazemos, vamos agradecer as contribuições feitas no mês passado, para colaborar com a manutenção deste espaço livre na web, que não tem patrocínio político, partidário ou empresarial.

A princípio, os depósitos feitos em nossa conta na Caixa Econômica Federal:

DIA  REGISTRO  OPERAÇÃO          VALOR
02    021542          DEP DIN LOT…………..100,00
03    031546          DEP DIN LOT…………..230,00
06    061302          DEP DIN LOT…………..200,00
14     141312           DEP DIN LOT…………200,00
21     211321           DEP DIN LOT…………200,00
28    281418          DEP DIN LOT…………..100,00

Agora, as contribuições feitas através do Banco Itaú/Unibanco:

02    PIX TRANSF JOSE FR  01/03………. 150,00
02    PIX TRANSF PAULO R 02/03………..100,00
05    TED 001.5977.JOSE A P J……………..355,03
16    TED 001.4416.MARIO A C R…………300,00
30   TED 033.3591.ROBERTO S D………..200,00

Agradecendo mais uma vez as colaborações, vamos em frente, em busca da utopia de uma imprensa verdadeiramente livre.

Caiado exalta ação policial mais violenta do Rio e quer Forças Armadas na segurança

Até os senadores mais moderados já falam em impeachment de ministros do Supremo

AMB questiona quórum para impeachment de ministros do STF

Ilustração do site Migalhas

Raquel Landim
Estadão

As notícias sobre as relações próximas entre ministros do Supremo Tribunal Federal e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro se sucedem e nada acontece. Nem mesmo a gritaria de sempre no Congresso Nacional. É um sinal grave do aparelhamento dos órgãos de investigação e do sistema de pesos e contrapesos que deveria reger a República.

Graças ao trabalho investigativo da imprensa, as revelações se avolumam. Contra o ministro Alexandre de Moraes pesam o contrato de R$ 129 milhões do escritório de sua esposa com o Master, as trocas de mensagens no dia da primeira prisão de Vorcaro, e agora as viagens no avião de uma empresa do ex-banqueiro.

OUTROS ENVOLVIDOS – Já o ministro Dias Toffoli está envolvido na venda da participação de resort de luxo do Paraná ao ecossistema do Master, foi relator do caso e brecou a investigação, e também voou nos jatinhos da empresa de Vorcaro.

O ministro Nunes Marques também apareceu na confusão depois que uma consultoria tributária que recebeu dinheiro do banco subcontratou seu filho.

Os parlamentares fizeram uma série de representações à Procuradoria Geral da República (PGR), que disse que não havia nada o que investigar, e o PGR Paulo Gonet participou de um evento de degustação de uísque promovido por Vorcaro em Londres junto com outras autoridades…

BLINDAGEM GERAL – Deputados e senadores também tentaram investigar o caso via Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI) e tiveram quebras de sigilo e tentativas de ouvir testemunhas barradas pelo STF.

A prorrogação da CPMI do INSS foi negada pelo Supremo numa mudança de entendimento e não há motivos para acreditar que a CPI do Crime Organizado, que termina dia 14, terá destino diferente.

Uma CPI do Master sequer chegou a sair da gaveta dos presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, David Alcolumbre. Alinhados com o governo e com parte do Supremo, Motta e Alcolumbre recorrem a manobras para afastar investigações sobre o caso.

Resta apenas a delação de Daniel Vorcaro, que está nas mãos da Polícia Federal e da PGR, sob supervisão do ministro André Mendonça. Vorcaro resiste a se admitir um criminoso e a falar sobre suas relações com ministros do Supremo. Ele teme que, mesmo que sua delação passe pelo crivo de Mendonça, acabe esbarrando na resistência de outros colegas do tribunal.

GANHAR NO VOTO – Os parlamentares jogaram a toalha diante da blindagem. Decidiram partir para as eleições e ganhar no voto a força para controlar o comando do Congresso, principalmente do Senado.

A avaliação dentro da oposição é que o caso Master mostrou que existe corrupção na mais alta corte do país e que o STF recorre a blindagem ao invés da autocontenção. Por isso, parlamentares já falam nos bastidores, mesmo os mais moderados, em impeachment dos ministros do STF caso saíam vencedores em outubro.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Excelente análise de Raquel Landim, mas ficou faltando mencionar uma via de ataque à corrupção – a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, a única que continua a investigar o incrível caso da impunidade (até agora) dos ministros do Supremo. Pode ser que tenha algum êxito. Vamos ter confiança e aguardar. (C.N.)

Alcolumbre enfim marca sessão a que pode derrubar veto de Lula ao PL da Dosimetria

Presidente destrava agenda após pressão da oposição

Luísa Marzullo
O Globo

O presidente do Senado e do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), convocou uma sessão conjunta do Congresso Nacional para o dia 30 de abril com pauta única: a análise do veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao projeto da dosimetria.

A sessão foi marcada para depois da sabatina do ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, indicado por Lula ao Supremo Tribunal Federal. Nos bastidores, a avaliação é que o encadeamento das agendas ajuda a acomodar o ambiente político e acalma a oposição, que recebe um aceno.

PRESSÃO – A decisão destrava a agenda do Congresso após semanas de pressão de parlamentares e marca uma mudança de postura de Alcolumbre, que vinha evitando convocar sessão conjunta em meio à crise envolvendo o caso do Banco Master e à disputa sobre a instalação de uma CPI para investigar o tema.

Na última quarta-feira, em plenário, o senador já havia sinalizado a intenção de avançar sobre o assunto, ao afirmar que queria realizar a sessão “o mais rápido possível”. A declaração foi dada após cobrança do senador Magno Malta (PL-ES), que questionou quando o veto seria analisado. “O meu desejo é o mais rápido possível fazermos uma sessão para deliberarmos um assunto importantíssimo, que é o veto da dosimetria”, disse.

Nos bastidores, a definição de uma pauta única é vista como uma forma de evitar que a sessão seja utilizada para a leitura de requerimentos de CPIs, especialmente a que mira o caso do Banco Master — cuja abertura depende de sessão conjunta do Congresso. A medida reduz o espaço para ampliação da crise política em torno do tema.

ALTERAÇÃO DAS PENAS – O projeto da dosimetria altera regras para cálculo de penas aplicadas aos condenados pelos atos de 8 de janeiro. Entre os pontos aprovados pelo Congresso, está a proibição da soma de condenações por crimes de mesma natureza, como abolição do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado, determinando a aplicação apenas da pena mais grave.

A proposta também flexibiliza critérios para progressão de regime nesses casos, permitindo que condenados com bom comportamento avancem após o cumprimento de cerca de 16,6% da pena.

PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS – Ao vetar integralmente o texto, Lula argumentou que a proposta violava princípios constitucionais, comprometia a individualização das penas e representava interferência do Legislativo sobre atribuições do Judiciário. O gesto foi anunciado em cerimônia que marcou os três anos dos ataques às sedes dos Três Poderes, em movimento interpretado no Congresso como de forte simbolismo político.

A expectativa entre parlamentares é de que o veto seja derrubado com folga, repetindo o placar da aprovação do projeto, que superou os 300 votos na Câmara. O ambiente favorável à derrubada é compartilhado pela oposição e por parte expressiva do Centrão, enquanto o governo atuava para adiar a votação.

Quando sair da cadeia, Vorcaro deve abrir um salão de beleza para ministros do STF

Os segredos da Suíte Master. Charge de João Spacca para a newsletter desta segunda-feira (9). #meio #charge #bancomaster #vorcaro

Charge do Spacca (Arquivo Google)

Vicente Limongi Netto

O profeta Daniel, conceituado na Bíblia, que escapou da cova dos leões, tem xará nos dias atuais com 42 anos, mineiro de Belo Horizonte, que virou o Brasil de cabeça para baixo. É um homem superdotado, que sabe duplicar os peixes e os pães, como Jesus fez para alimentar seus seguidores.

Até o momento, segundo a Folha de São Paulo, Vorcaro gastou 60 milhões de reais com os poderosos da República. Lambuzou com grana todas as esferas dos Três Poderes.

A classe dominante se fartou com ricos presentes, viagens e doações financeiras do facínora do Master. As provas contra os meliantes togados e crápulas engravatados envergonham o Brasil.

GRIFE DE BANDIDAGEM – Vorcaro virou grife nacional da bandidagem e da safadeza. Línguas afiadas fazem paródia do sucesso musical de Roberto Carlos, dizem que “esse cara é o Vorcaro”.

Perdeu o voo, diga que é amigo do Vorcaro. Não consegue mesa em restaurante chique, use o nome do Vorcaro. Quer passear no exterior com a família, Vorcaro resolve.  O meliante do Master tem a chave dos bastidores da República.

A força do ex-banqueiro é tão formidável que o governo Lula pensa em lançar na Bolsa de Valores as ações do ousado fazedor de negócios. Empresários que enxergam longe vão lançar a cachaça Vorcaro e a linguiça Vorcaro. Turista que for ao Corcovado vai poder comprar o cartão postal do mineiro que come quieto.

ELE FAZ MILAGRES – Camisas da seleção brasileira já trazem a cara de Vorcaro. Ele faz milagres. Logo que sair da cadeia, o que não demora, é claro, o bom Vorcaro vai abrir luxuosa clínica de estética.

O objetivo é atender parceiros de fé, como Dias Toffoli, Alexandre de Moraes, Nunes Marques e Gilmar Mendes, que envelheceram bastante nos últimos meses, devido à derrocada do Banco Master.

Depois do tratamento vão sair felizes com outra cara. Com a cara de um radiante Vorcaro.

Moraes determina perda de cargos de coronéis da PM por omissão no 8 de Janeiro

Decisão atinge oficiais condenados a 16 anos de prisão

Ana Pompeu
Folha

O ministro Alexandre de Moraes, do STF(Supremo Tribunal Federal), determinou nesta quarta-feira (8) que a Polícia Militar do Distrito Federal declare a perda dos cargos públicos dos cinco coronéis condenados por omissão durante os ataques golpistas de 8 de Janeiro de 2023. Segundo o relator, com base na jurisprudência do STF, não há controvérsia sobre a possibilidade de perda do posto e da patente de oficial como consequência de condenação criminal, seja por crime militar ou comum.

A corporação enviou um ofício ao ministro no último dia 25 pedindo orientações sobre o cumprimento da decisão de expulsar Fábio Augusto Vieira, Klepter Rosa Gonçalves, Jorge Naime Barreto, Paulo José Ferreira e Marcelo Casimiro. O relator respondeu ao questionamento na decisão.

OMISSÃO – Moraes reproduziu trecho do voto dado por ele pela condenação no qual afirma que as condutas dos militares foram “marcadas pela omissão deliberada no cumprimento do dever funcional” e têm “manifesta incompatibilidade com a permanência no serviço público”.

Os ex-integrantes da cúpula da corporação tiveram pena de 16 anos de prisão fixada pela Primeira Turma pelos crimes de tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça contra o patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado. Além disso, o colegiado também havia decretado a perda dos cargos públicos.

“Não há, portanto, qualquer dúvida em relação à decisão proferida […] uma vez que, nos termos da tese firmada no julgamento do ARE 1.320.744/DF, de minha relatoria, a perda da graduação da praça pode ser declarada como efeito secundário da sentença condenatória pela prática de crime militar ou comum”, disse Moraes.

PERDA DOS CARGOS – Os oficiais estão presos desde 11 de março na chamada Papudinha, em Brasília, mas a decisão do Supremo que condenou o grupo determinou também a perda dos cargos públicos. Como mostrou a coluna Painel, a situação dos cinco coronéis hoje causa apreensão na Polícia Militar do DF. Enquanto as tropas temem que a decisão de Moraes abra um precedente capaz de encurtar o rito de expulsão da categoria, familiares relatam angústia com a possível perda da aposentadoria.

No ofício enviado a Moraes, a PMDF reafirma seu “integral e incondicional compromisso com o fiel e imediato cumprimento” da decisão, mas diz haver uma dúvida sobre o regime constitucional específico aplicável aos militares estaduais e do DF sobre a perda do posto e da patente.

“A questão assume relevo particular em razão da condição dos atingidos —oficiais já na inatividade (reserva remunerada)—, circunstância que recomenda a definição mais precisa acerca da forma de implementação do comando decisório, especialmente diante das especificidades do regime jurídico-constitucional aplicável à categoria”, diz o documento.

POLICIAIS MILTARES CONDENADOS: 

Coronel Fábio Augusto Vieira, comandante-geral da PMDF em 8 de janeiro.

Coronel Klepter Rosa Gonçalves, subcomandante-geral da PMDF em 8 de janeiro, promovido a comandante-geral pelo interventor Ricardo Cappelli no dia 9.

Coronel Jorge Eduardo Naime Barreto, ex-comandante do DOP (Departamento de Operações) da PMDF, de licença em 8 de janeiro.

Coronel Paulo José Ferreira, chefe interino do DOP em 8 de janeiro devido à folga de Naime.

Coronel Marcelo Casimiro, ex-comandante do 1º CPR (Comando de Policiamento Regional) da PMDF.

NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Mais um grave erro judiciário de Moraes e da Primeira Turma do STF. O coronel Jorge Naime Barreto estava de férias, viu o problema na TV e correu para a Praça dos Três Poderes, para ajudar a repressão aos manifestantes. Como pode ser acusado de omissão? (C.N.)

Piada do Ano! Advogado do PT apoia Moraes na iniciativa de restringir as delações…

No STF, Mendonça está cercado de inimigos para destruí-lo e preservar Moraes e Toffoli

André Mendonça, ministro do STF -- Metrópoles

Mendonça será atacado por todos os lados no Supremo

Mario Sabino
Metrópoles

Vou me permitir dar um alerta ao ministro André Mendonça, relator do caso Master no STF: cuidado. Muito cuidado. Ele já deve saber, obviamente, que não tem amigos no tribunal. O que talvez não tenha entendido completamente é que fez inimigos ferozes, e não apenas lá.

Os inimigos têm tentáculos em todos os lugares, inclusive na imprensa, e é por meio da imprensa que eles começam o seu trabalho de desgaste, lançando mão primeiramente de jornalistas ingênuos e, em seguida, das penas de aluguel.

PRIMEIRA FASE – Ainda estamos na fase dos recados. O mais recente deles é que Mendonça não deveria “supervalorizar informações que não sejam objetivamente criminosas, sob pena de minar a confiança da população no Judiciário e sujeitar a corte e seus integrantes a uma nova onda de ataques”.

O recado parte da lorota reiterada dia sim, outro também de que todas as informações que já vieram à tona ainda não são suficientes para incriminar os ministros envolvidos com Daniel Vorcaro, e de que investigá-los significa fazer o jogo de golpistas.

Enquanto os recados são dados, os inimigos de Mendonça devem estar levantando todo tipo de informação possivelmente comprometedora sobre ele para ser usada como moeda de troca.

NO PENTE FINO… – Imagino, por exemplo, que o Instituto Iter, criado por Mendonça, esteja sob intenso escrutínio. O ministro precisa ter atenção redobrada, portanto, aos contratos firmados pelo instituto, especialmente os de patrocínio, bem como às funções desempenhadas por ele no Iter.

Não há precaução que seja excessiva, ainda, no tipo de contato que o ministro mantém com os investigadores. É fundamental evitar toda e qualquer troca de mensagens por aplicativos e conversas presenciais sem testemunhas. Ater-se aos canais oficiais é imperativo.

Não menos importante é evitar os holofotes extras, em especial os lançados por políticos. Teria sido de bom alvitre, por exemplo, recusar neste momento a homenagem que Mendonça recebeu na Assembleia Legislativa de São Paulo.

IGUAL A MORO – Por mais que o seu discurso na Assembleia paulista, em prol da contenção, da prudência e da imparcialidade de um magistrado, soe como música a quem já não tolera mais o espetáculo de arrogância, truculência e parcialidade a que se assiste na cúpula do Judiciário, o ministro precisa ter sempre presente que os seus inimigos não titubearão se puderem transformá-lo em “juiz parcial” e “carrasco político”, como fizeram com Sergio Moro. Eles não lhe respeitarão o peso da toga de integrante do Supremo.

Diz-se que a abertura de investigações contra os ministros envolvidos com Vorcaro contaria, hoje, com a maioria de um voto no plenário do STF. Não sei se Mendonça acredita nisso. Eu não acredito. Mas ela pode ser alcançada se a delação de Vorcaro vier realmente forte e não se der munição aos inimigos para que melem tudo.

Conheça os conselhos de Lula a Moraes para que o ministro consiga se limpar…

Um poema cristão de Rubem Braga, apimentado pelo Velho Testamento

Sentiu uma coisa boa dentro de si, uma... Rubem Braga - PensadorPaulo Peres
Poemas & Canções

Considerado o maior cronista brasileiro desde Machado de Assis, o capixaba Rubem Braga (1913-1990), sempre afirmou que a poesia é necessária, tanto que escreveu vários poemas, entre eles, esse bem-humorado “Poeta Cristão”.

POETA CRISTÃO
Rubem Braga

A poesia anda mofina,
Mofina, mas não morreu.
Foi o anjo que morreu:
Anjo não se usa mais.
Ainda se usa estrela
Se usa estrela demais.

Poeta religioso
Mocinha não pode ler:
Pecará em pensamento,
Que o poeta gosta do Novo,
Mas pilha seus amoricos
É no Velho Testamento.

Ai, o Velho Testamento!
Eu também faço poema,
Ora essa, quem não faz:
Boto uma estrela na frente
E um pouco de mar atrás.

Boto Jesus de permeio
Que Deus, nos pratos de amor,
É um excelente recheio.
E isso bem posto e disposto
Me vou aos peitos da Amada:
Sulamita, Sulamita,
Por ti eu me rompo todo,
Sou cavalheiro cristão.
Minh’alma está garantida
Num rodapé do Tristão
E o corpo? O corpo é miséria,
Peguei doença, mas Jorge
de Lima dá injeção!

O badalo está chamando,
Bão-ba-la-lão.

Amada, não vai lá não!
Eu também tenho badalos –
Bão-ba-la-lão
Eu sou poeta cristão!

Piada do Ano! Fachin lidera rebelião de juízes e do MP para manter os penduricalhos

Vai vendo. Série : DESTRUIDORES DO BRASIL EDSON FACHIN Advogado das trincheiras petista que incansavelmente lutou pela retirada da cadeia do maior corrupto do Brasil. E vc? O que acha? Compartilhem e

Charge do Schmock (Arquivo Google)

Deu no Infomoney

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) formaram maioria, nesta quarta-feira, para aprovar as novas regras que limitam o pagamento de verbas extras. Mas, ao regulamentar essas normas, ambos os conselhos acabaram, na prática, criando novos “penduricalhos”.

No mês passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) fixou normas para o teto remuneratório, hoje em R$ 46.366,19, para membros do Judiciário e do Ministério Público. Ficou determinado também que caberia ao CNJ e ao CNMP regulamentar o assunto, em resolução conjunta. Isso vale até o Congresso Nacional editar lei nacional sobre o tema.

RÉPLICA AO STF – No julgamento cuja apreciação teve início nesta quarta-feira, o CNJ e o CNMP mantiveram o auxílio-moradia, que tinha sido parcialmente vetado pelo STF, e criaram uma gratificação à primeira infância.

O principal ponto aprovado pelo STF tinha sido o escalonamento das verbas que podem ser pagas acima do subsídio mensal. O Tribunal definiu que a soma de todas as vantagens não pode exceder 70% do valor do teto. Esse limite foi dividido em dois blocos de 35%:

Antiguidade (35%): Parcela de valorização por tempo na carreira (5% a cada cinco anos), limitada ao teto de 35 anos de exercício.

Verbas indenizatórias (35%): Soma de diárias, ajuda de custo para remoção, gratificação de magistério, comarca de difícil provimento, férias não gozadas e acúmulo de jurisdição.

ATROPELANDO O STF – A resolução feita em conjunto pelo CNJ e pelo CNMP atropelam a decisão do Supremo e estabelecem nove verbas indenizatórias possíveis, que podem ser pagas fora do teto, a saber:.

Gratificação pelo exercício em comarca, sede, função, ofício ou unidade de difícil provimento; Gratificação por exercício cumulativo de jurisdição, atribuição ou ofício; Indenização de férias não gozadas de 30 dias por exercício; Auxílio-saúde, mediante comprovação do valor efetivamente pago;

E mais: Gratificação de proteção à primeira infância e à maternidade (que será 3% do subsídio por dependente de até 6 anos); Diárias; Ajuda de custo em caso de remoção, promoção ou nomeação que importe em alteração do domicílio legal; Auxílio-moradia; e Abono de permanência de caráter previdenciário.

CONTRADIÇÕES CLARAS – A decisão do STF determinava a suspensão doS pagamentos de parcelas indenizatórias ou auxílios previstos em decisões administrativas, resoluções e leis estaduais. E citou expressamente auxílios natalinos, auxílio combustível, auxílio moradia, entre outros. A gratificação de proteção à primeira infância e à maternidade, por sua vez, não estava prevista na decisão do STF entre aquelas verbas que poderiam ser pagas fora do teto.

– O STF decidiu que auxílio-moradia era inconstitucional. O CNJ votou a resolução e o auxílio-moradia voltou. Isso diz muito sobre como funciona a lógica dos penduricalhos no Brasil: cada vez que uma brecha fecha, outra abre. A nossa preocupação agora é que isso sirva de precedente para outras carreiras do funcionalismo exigirem os mesmos benefícios. A decisão do STF foi categórica. Não podemos deixar que uma regulamentação administrativa distorça o que a Corte decidiu – afirma Jessika Moreira, diretora-executiva do Movimento Pessoas à Frente.

ALEGOU FACHIN – Segundo o relator da proposta, ministro Edson Fachin (presidente do STF e do CNJ), o objetivo é dar mais clareza e uniformidade às regras, sem criar novos benefícios. No voto, ele afirmou que a resolução apenas traduz em normas práticas o que já foi decidido pelo STF, garantindo previsibilidade, transparência e respeito ao teto salarial.

“O trabalho técnico consistiu, primordialmente, em traduzir em linguagem normativa os parâmetros constitucionais definidos pela Corte, compatibilizando-os com a realidade funcional das carreiras da Magistratura e do Ministério Público, de modo a conferir clareza, previsibilidade e uniformidade ao novo regime remuneratório”, diz Fachin.

Além disso, Fachin destacou que não importa o nome dado às verbas: o que define se elas são legais é a situação concreta em que são pagas, evitando-se pagamentos automáticos ou sem justificativa específica.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– É o fim da picada! O presidente do Supremo não respeita nem mesmo o que a instituição decidiu. E foi rápido no gatilho, pois não permitiu que entrasse em vigor a decisão do plenário, relatada pelo ministro Flávio Dino, que ainda dependia de regulamentação. Ou seja, nada de novo no front ocidental. A esculhambação salarial na Justiça brasileira continua preservada, fabricando enriquecimentos ilícitos em série, às custas do cidadão-eleitor-contribuinte. (C.N.)

Distanciamento de Michelle já ameaça o projeto presidencial de Flávio Bolsonaro

Resistência de Michelle tem irritado aliados de Flávio

Malu Gaspar
Rafael Moraes Moura
O Globo

A resistência da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro a se engajar na campanha à Presidência da República de Flávio Bolsonaro tem irritado e preocupado aliados do senador e integrantes do PL diretamente envolvidos nas articulações pela sua candidatura ao Palácio do Planalto.

Desde que Flávio se lançou candidato, Michelle tem se recusado a participar de eventos públicos com o enteado ou mesmo a divulgar os atos de campanha. Interlocutores da ex-primeira-dama alegam que ela está priorizando os cuidados médicos do marido, mas na equipe da candidatura a ausência dela tem sido vista como uma lacuna a ser sanada.

TRAÇÃO – Para os interlocutores de Flávio, o engajamento de Michelle poderia ajudar a candidatura a ganhar tração entre mulheres e evangélicos, segmentos do eleitorado que devem ser decisivos e também estão na mira do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), com quem Flávio vai disputar os votos no campo da direita.

Por isso, vários aliados do senador têm procurado Michelle para tentar convencê-la a se envolver mais. Mas ela até agora não cedeu, pelo contrário. Nas conversas com os mais próximos, sobram queixas sobre o comportamento dos enteados.

Com isso, passou a crescer também o receio de que o distanciamento da primeira-dama chame a atenção para as fraturas familiares do ex-clã presidencial numa eleição que tende a ser muito polarizada entre lulistas e bolsonaristas e decidida por uma margem pequena de vantagem.

MÁGOA – Na opinião de uma influente liderança evangélica que pediu para não ser identificada, Michelle tem “mágoa por não ter sido escolhida vice” do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), numa dobradinha de chapa presidencial que chegou a ser ventilada nos bastidores para disputar as próximas eleições.

Tarcísio vai disputar a reeleição no Palácio dos Bandeirantes, e a ex-primeira-dama pretende concorrer a uma vaga no Senado Federal pelo Distrito Federal. “A relação de Michelle com os filhos sempre foi difícil. Eles se odeiam. É a disputa pelo espólio político de alguém que ainda não morreu”, resumiu um integrante da tropa de choque bolsonarista no Congresso.

ATRITOS –  Uma série de episódios recentes escancararam os atritos entre Michelle e os filhos de Bolsonaro. No início deste mês, Michelle repostou no Instagram um vídeo do senador Esperidião Amin (PP-SC) em alusão ao Dia Mundial de Conscientização do Autismo, o que foi interpretado nos bastidores como uma alfinetada ao ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL), adversário de Amin na corrida pelo Senado Federal.

Também não ajudou a acalmar os ânimos o fato de um assessor de Michelle, André Costa, repostar em seu perfil no Instagram, em dezembro do ano passado, o post de uma matéria do Metrópoles com o resultado de uma pesquisa Quaest que trazia a informação de que 62% dos entrevistados diziam não votar em Flávio. Costa já havia publicado anteriormente um vídeo do pastor Silas Malafaia defendendo a candidatura de Tarcísio ao Palácio do Planalto.

“Alguém que faz tantas menções a Deus e tem tantas pautas religiosas deveria abraçar a todos, mas não é o que Michelle faz. Ela não abraça a candidatura do Flávio, não congrega, em pleno momento de fragilidade do marido”, alfinetou um integrante do PL ouvido em caráter reservado.

BATE-BOCA – A tensão entre os dois lados já resultou num tiroteio verbal, tendo como pano de fundo a aproximação entre o ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PSDB) e o diretório do PL no Ceará. Tradicional reduto petista, o Estado é um dos maiores colégios eleitorais do Nordeste, com 6,9 milhões de eleitores aptos a votar.

Em novembro do ano passado, Michelle criticou publicamente a aliança de correligionários com Ciro Gomes, costurada pelo deputado federal André Fernandes (PL-CE). Ao participar do lançamento da pré-candidatura ao governo do Ceará do senador Eduardo Girão (Novo), ela chamou de precipitada a aliança em torno da candidatura de Gomes.

“Adoro o André, passei em todos os estados falando dele, do [deputado estadual] Carmelo Neto e da esposa dele, que foi eleita. Tenho orgulho de vocês, mas fazer aliança com o homem que é contra o maior líder da direita, isso não dá. Nós vamos nos levantar e trabalhar para eleger o Girão”, discursou Michelle na ocasião. “Essa aliança vocês se precipitaram em fazer.”.

AÇÃO NO TSE – Michelle tem mágoa de Ciro Gomes, porque o ex-governador, na época em que estava filiado ao PDT, apoiou uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que levou Bolsonaro a ser condenado e declarado inelegível por oito anos. A ação girava em torno de uma reunião do então presidente com embaixadores, marcada por críticas às urnas eletrônicas.

Após o mal-estar provocado pela declaração de Michelle, Flávio Bolsonaro disse que a madrasta foi “autoritária”, escancarando o desconforto na sigla com a postura da ex-primeira-dama. “A Michelle atropelou o próprio presidente Bolsonaro, que havia autorizado o movimento do deputado André Fernandes no Ceará. E a forma com que ela se dirigiu a ele, que talvez seja nossa maior liderança local, foi autoritária e constrangedora”, disse Flávio.

Flávio se desculpou depois com Michelle, mas ela ainda guarda mágoas com o episódio – e não abre mão de um pedido público de desculpas. Apesar das críticas da ex-primeira-dama, o PL decidiu apoiar a candidatura de Ciro Gomes, como forma de garantir um forte palanque para Flávio Bolsonaro no Ceará.

CUIDADOS MÉDICOS –  Em meio ao fogo cruzado entre a madrasta e os filhos do presidente, interlocutores da primeira-dama tentam colocar panos quentes. Afirmam que o foco de Michelle neste momento é cuidar da saúde de Bolsonaro, que foi para a prisão domiciliar no mês passado por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, após uma intensa articulação nos bastidores que reuniu Tarcísio, Michelle e integrantes do próprio STF.

Com o quadro de saúde debilitado, Bolsonaro necessita de supervisão por 24 horas. Michelle tem assumido essa responsabilidade e aprendeu inclusive a fazer uma manobra no corpo do ex-presidente para ajudá-lo a superar as frequentes crises de soluço. “Ela prometeu ao Moraes que cuidaria do Bolsonaro. Ela não vai fazer nada para o Flávio nessa pré-campanha”, disse ao blog uma amiga da primeira-dama.

Escritório de Viviane Moraes recebeu valor dez vezes maior que outras bancas de advogados