Lula ameaça expurgar aliados do Centrão que aderiram a Flávio Bolsonaro

José Guimarãe mapeia cargos e propõe ‘limpa’

Victoria Azevedo
O Globo

Integrantes do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se irritaram com a adesão dos partidos do chamado Centrão que têm assento na Esplanada petista à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), principal adversário do petista no segundo turno. Nos últimos dias, o senador amarrou apoio de União Brasil, PP, Republicanos e Podemos.

Ele também deverá contar com apoio da maioria dos diretórios do MDB. O Podemos não têm ministros no governo, mas ocupa comando de autarquias e têm indicações na máquina federal, considerando cargos nos estados.  

LEVANTAMENTO – O ministro José Guimarães (Secretaria de Relações Institucionais) diz ao O Globo que está fazendo um levantamento das indicações dessas legendas em cargos da administração federal e que defenderá no Palácio do Planalto que essas pessoas sejam exoneradas.

— Se depender de mim, vamos fazer uma limpa geral nos cargos e indicações. Quem está com Lula tem que estar com Lula— afirmou o ministro.

Responsável pela articulação política do Executivo com o Legislativo, Guimarães atuou proximamente de lideranças dos partidos de centro no primeiro turno para garantir a neutralidade deles. Antes do primeiro turno, o próprio Lula conversou com dirigentes partidários do Republicanos, do Podemos e da federação União-PP para garantir essa neutralidade.

NEGOCIAÇÕES – Ele pediu às lideranças que as siglas não tomassem nenhuma decisão num eventual segundo turno sem conversar com ele, indicando estar aberto a definir espaços na Esplanada em caso de vitória nas eleições.  

Desde o resultado das urnas no domingo, integrantes da campanha de Lula reforçaram o contato com os partidos para buscar essa neutralidade, apesar das sinalizações das siglas de que elas deveriam caminhar com Flávio. Na federação União-PP houve queixas sobre o comportamento do PT nos estados durante o primeiro turno.

No caso do Piauí houve queixas pelo de uma suposta quebra de acordo de “não agressão” firmado no estado, para evitar comprometer a eleição do senador Ciro Nogueira, presidente do PP. Em agenda no estado, Lula falou em “vira-lata” num momento que tratava das candidaturas ao Senado, o que foi interpretado como uma indireta a Ciro.

APOIO – O presidente do PT e coordenador-geral da campanha de Lula, Edinho Silva, afirmou na terça que tinha buscado contato com integrantes do PSD, Republicanos e integrantes do PP para buscar apoio ao petista. O PSD já havia declarado neutralidade no próprio domingo.

Havia também expectativa de neutralidade ou eventual apoio de Augusto Cury (Avante) à candidatura petista. O escritor, que ficou em terceiro lugar no primeiro turno, no entanto, declarou apoio a Flávio nesta quinta-feira.

EQUÍVOCO – Segundo um auxiliar do presidente, os partidos cometeram um equívoco ao declarar apoio tão rapidamente à candidatura adversária. Ele diz que as siglas fizeram esse movimento “sem dar nenhuma satisfação” ao governo.

Agora, diante da série de reveses, aliados do presidente cobram uma postura mais dura com os partidos. Guimarães afirmou que a campanha passará a explorar essa relação para atacar Flávio.

— Vamos radicalizar o discurso contra Flávio Bolsonaro e mostrar que ele é o candidato do sistema porque agregou as velhas práticas políticas e as velhas lideranças do Centrão.

AMEAÇA – Mais cedo, nesta quinta-feira, Guimarães também se manifestou nas redes sociais. “É a máfia do poder querendo o controle total da máquina pública. Essa união representa um perigo real e imediato para os direitos sociais e trabalhistas, preparando o terreno para uma reforma da Constituição e um ataque fatal aos direitos do povo brasileiro. Com essa gente colocando as mãos na máquina pública, vamos assistir à volta de um modelo apodrecido, em que o Congresso funciona como um balcão de negócios alimentado por emendas bilionárias e pela compra de votos (…) o Brasil dirá não às velhas raposas que querem tomar conta do galinheiro”, escreveu Guimarães.

DIÁLOGO – Com esse cenário, integrantes da equipe do presidente dizem que é preciso manter o diálogo com segmentos desses partidos, para ter apoio em estados estratégicos. O entorno de Lula diz contar com o apoio do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). O primeiro declarou publicamente apoio ao presidente no primeiro turno, participou de atos eleitorais a favor de Lula na Paraíba, seu reduto eleitoral, e posou para fotos usando um boné com o nome do chefe do Executivo e fazendo o “L” com os dedos —gesto da militância petista.

O segundo fez um gesto considerado importante para a campanha ao destravar a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala de trabalho 6×1, considerado um trunfo eleitoral do petista. A proposta deverá ser votada ao menos em primeiro turno na próxima semana. Além disso, tanto Motta quanto Alcolumbre não participaram dos anúncios de seus respectivos partidos ao senador.

Nesta quinta, pela manhã, Motta se reuniu com Lula no Palácio da Alvorada, em Brasília. Questionado pela imprensa sobre o encontro, à tarde, o presidente respondeu: “Ele vai me ajudar a ganhar as eleições”.

Pedido de Fux para acessar investigações de Moraes amplia divisão no Supremo

PF, PGR e defesa de Vorcaro negam depoimento sobre financiamento de filme de Lula

“Massacre” da esquerda nas urnas acende o sinal de alerta na cúpula do Judiciário

Onda bolsonarista chegou ao Senado e assustou o STF

Rafael Moraes Moura
O Globo

O resultado do primeiro turno das eleições foi considerado um “massacre”, por integrantes da cúpula do Poder Judiciário. O avanço da bancada bolsonarista no Senado deixou integrantes do Supremo Tribunal Federal e de tribunais superiores em alerta com o risco de avanço dos mais de 100 pedidos de impeachment contra ministros do Supremo e materializou o maior receio do presidente do STF, Edson Fachin, com as investigações do caso Banco Master: o de que, sem autocontenção, o Judiciário acabaria sendo contido por algum “poder externo”.

A eleição de 33 novos senadores que defendem abertamente o impeachment de ministros do STF, levando a “bancada pró-impeachment” a 49 integrantes, também foi um resultado mais pessimista do que o projetado internamente pelo próprio STF em julho, a partir das pesquisas eleitorais da época.

“BANCADA DO IMPEACHMENT” – Há três meses, integrantes da Corte estimavam que a “bancada do impeachment” chegaria a 40 senadores – um patamar alto, mas ainda aquém dos 54 votos estabelecidos no ano passado por Gilmar Mendes como o quórum necessário para afastar um ministro do STF. Embora tenha sido dada em dezembro de 2025, a liminar de Gilmar até hoje não foi submetida para referendo do plenário.

A onda conservadora derrotou candidatos do campo progressista como Leila do Vôlei (PSB-DF), Benedita da Silva (PT-RJ), Randolfe Rodrigues (PT-AP) e Manuela d’Ávila (PSOL-RS). “O resultado do Senado foi um massacre. Foi uma revolta contra o sistema”, afirma um interlocutor próximo do ministro Alexandre de Moraes.

Nas palavras de um ministro de tribunal superior, o “eleitor puniu o presidente Lula pela crise ética do STF”, em referência à guerra na Corte agravada com as investigações do caso Master, que trouxeram à tona as conexões pessoais e financeiras do banqueiro Daniel Vorcaro com Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques.

INDICAÇÃO – Dos três, só Toffoli foi indicado por Lula, mas como o presidente da República conta com a boa vontade do STF para manter a governabilidade e se tornou aliado de Moraes e Gilmar, o escândalo também respingou na administração petista. “O STF foi derrotado, mas o PT foi humilhado”, resumiu um ministro com bom trânsito no Palácio do Planalto.

Ao defender a adoção de um Código de Ética, Fachin costumava dizer que se o Supremo não fizesse uma reforma por iniciativa própria ela acabaria vindo de fora. O resultado das urnas aponta nessa direção.

O principal alvo dos pedidos de impeachment é Moraes, por conta de seu papel como relator das principais investigações que fecharam o cerco contra Jair Bolsonaro e aliados, além das suas conexões pessoais e de sua mulher, a advogada Viviane Barci de Moraes, com Vorcaro.

PANOS QUENTES – Em entrevista à Globonews, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, tentou colocar panos quentes, sinalizando que há espaço para uma acomodação nos bastidores. “Eles [senadores] têm que conduzir isso com sabedoria e inteligência, porque não adianta pôr fogo no país”, afirmou.

“Essa discussão de impeachment vai depender do Senado. Cada senador pensa de um jeito, e os senadores têm muita força, têm muita independência, e eles vão se entender para que façam o melhor para o país. Não interessa pôr fogo no país. O que nós precisamos agora é tocar o país para frente.”

REFORMA DO JUDICIÁRIO –  Mesmo sendo ele mesmo algo de um inquérito no STF aberto por conta dos US$ 12,3 milhões recebidos de Daniel Vorcaro para supostamente financiar um filme sobre a vida do pai, Jair Bolsonaro, o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, surfou na rejeição ao Supremo.

Enquanto Lula ainda busca uma proposta de reforma do Judiciário, o programa de governo de Flávio, intitulado “Para o Brasil Vencer o Atraso”, defende uma série de medidas na arena jurídica, como impor um limite às decisões monocráticas dos ministros e o fim das chamadas competências criminais originárias do STF. “No segundo turno é de esperar um tom mais duro do atual governo em favor de mudanças profundas na cúpula do Judiciário”, prevê um ministro de tribunal superior.

Nesta semana, Lula já deu o tom do discurso do segundo turno, ao dizer que está “carregando nas costas uma coisa muito grave, que é a promiscuidade que ficou estabelecida na Suprema Corte brasileira depois das denúncias”. O petista também disse ser preciso “definir concretamente” os critérios para a escolha de um ministro da Suprema Corte – ainda que tenha indicado neste terceiro mandato um ex-advogado pessoal (Cristiano Zanin) e um ex-ministro da Justiça de seu governo (Flávio Dino).

INSTÂNCIAS INFERIORES – Pela proposta de Flávio, parlamentares e outras autoridades da República passariam a ser julgados por instâncias inferiores, como os Tribunais Regionais Federais e o Superior Tribunal de Justiça (STJ). Os detalhes da proposta de Flávio, no entanto, não foram divulgados até hoje.

Flávio tem afirmado que vai indicar homens e mulheres conservadores para o STF, “que sejam contra o aborto, contra as drogas, que respeitem a Constituição acima de tudo e que estejam lá pra obedecer à Constituição e não pra ficar defendendo interesses pessoais como o que está acontecendo hoje lá no Supremo”.

Fux abre nova tensão no STF ao pedir acesso integral ao Inquérito das Fake News

Moraes manda intimar Bolsonaro por cobrança fiscal no caso das joias sauditas

Charge do Amarildo (agazeta.com.br)

Helena Prestes
CNN

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), atendeu a um pedido da Receita Federal e determinou, nesta quarta-feira (7), que o ex-presidente Jair Bolsonaro seja intimado sobre uma cobrança por infração fiscal no caso das joias sauditas que recebeu durante seu mandato.

Moraes autorizou a intimação de Bolsonaro, que está preso em regime domiciliar há pouco mais de um ano por determinação do ministro. O ex-presidente foi preso após ser condenado por tentativa de abolição do Estado democrático de direito e outros cinco crimes.

CUSTÓDIA – Em julho deste ano, Moraes determinou a transferência da custódia das joias sauditas dadas de presente pela Arábia Saudita ao ex-presidente e à ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro.

O ministro atendeu a um pedido da Receita e acatou a um parecer favorável da PGR (Procuradoria-Geral da República), decidindo arbitrar pelo envio dos itens de uma agência da Caixa Econômica Federal para a Alfândega do Aeroporto de São Paulo.

O CASO –  A Polícia Federal indiciou Bolsonaro, em 2024, pelos crimes de associação criminosa, lavagem de dinheiro e apropriação de bens públicos por tentar vender as joias sauditas dadas ao governo brasileiro nos Estados Unidos. Segundo o relatório da corporação, a venda dos itens teria como objetivo o enriquecimento ilícito do ex-presidente. O valor da operação é estimado em cerca de R$ 6,8 milhões.

Em março, porém, a PGR pediu o arquivamento da investigação, argumentando que não há uma legislação clara que regulamente esse tipo de situação. Para o órgão, não é possível responsabilizar criminalmente alguém com base em cenários marcados por lacunas legislativas ou por forte divergência interpretativa sobre o que é lícito ou ilícito.

Gonet ressaltou, no entanto, que sua análise se limita à esfera penal e não impede a apuração de eventuais responsabilidades em outras áreas, como na esfera civil ou administrativa. Ainda no mesmo mês, o TCU (Tribunal de Contas da União) decidiu que presentes de uso pessoal, recebidos por presidentes e vice-presidentes, não são patrimônios públicos e podem continuar com os políticos ao saírem do cargo.

Veja acaba com Lula, ao mostrar o acordo entre Vorcaro e o PT, de R$ 1 bilhão

Edições - Revista VEJA | VEJA

Vorcaro conta o acordo bilionário feito com os lulistas

Cláudio Humberto
Diário do Poder

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, preso sob acusação de protagonizar uma das maiores fraudes bancárias da História, afirma em áudios e documentos obtidos pela revista Veja ter liberado milhões de reais para um documentário sobre Lula (PT) em troca de um acerto para fazer negócios com fundos de pensão de servidores federais.

O objetivo era pagar propinas de R$1 bilhão para a meta de negócios de R$9 bilhões com os fundos de pensão. Os detalhes constam de um anexo levado à Procuradoria-Geral da República em junho, na segunda proposta de delação que foi descartada.

“FALTA DE PROVAS” – A PGR recusou a proposta que envolvia o próprio Lula alegando “falta de provas”, já que os pagamentos teriam sido feitos em espécie. A defesa de Vorcaro informou então que as provas eram concretas: mensagens de WhatsApp, registros de quem retirou o dinheiro e informações sobre locais e rotas das entregas.

Segundo o relato de Vorcaro, a aproximação com o PT foi articulada por seu então sócio e CEO do Master, Augusto Lima, com intermediação do então líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).

Em encontro com o ex-tesoureiro do partido, João Vaccari Neto, compadre e homem de confiança de Lula, o ex-banqueiro teve de combinar pagamento de cerca de R$ 30 milhões em dinheiro vivo ao Instituto Lula, dirigido p or Paulo Okamotto, para “cobrir despesas” de documentário sobre Lula produzido no exterior — o filme Lula, de Oliver Stone, que reúne depoimentos de aliados do presidente, como o advogado Walfrido Warde. Haveria ainda outro valor, não detalhado, pago diretamente à instituição.

“CONFISSÕES” – A reportagem, de Robson Bonin, é destaque de capa na revista Veja sob o título “Primeiras confissões”. Segundo os relatos atribuídos ao banqueiro, os pagamentos fariam parte de uma articulação para facilitar o acesso do Banco Master a investimentos de fundos de pensão federais, como Previ, Petros e Postalis.

Entre os nomes mencionados estão o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, o ex-ministro Alexandre Padilha, o ex-secretário-executivo da Presidência Olavo Noleto e Paulo Okamotto, ligado ao Instituto Lula.

Além desse adiantamento, o amigo e compadre de Lula, João Vaccari, exigiu uma taxa de 10% sobre tudo o que o banco captasse junto a fundos de previdência de servidores da Caixa (Funcef), do Banco do Brasil (Previ), da Petrobras (Petros) e dos Correios (Postalis). Se a operação se concretizasse, o esquema embolsaria R$1 bilhão e Vorcaro, R$ 9 bilhões.

“POR FORA” – Em áudio, o banqueiro descreve o acerto e contrasta o pagamento com o patrocínio ao filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro: o recurso para o documentário de Lula foi feito “por fora”, enquanto o outro seria um patrocínio regular.

Vorcaro também aponta a participação do então ministro da Secretaria de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, do então secretário-executivo Olavo Noleto e de operadores ligados a eles. Ele diz ter formado, no fim de 2023 e início de 2024, uma equipe no Master para captar recursos nos fundos de pensão federais e, a partir daí, ter recebido propostas de “mordidas”.

Mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular do banqueiro indicam contatos com o entorno de Padilha; Vorcaro afirma ainda ter ido ao Planalto e participado de jantares com o ministro.

LABORATÓRIO – Em abril de 2024, Lula participou da inauguração de um Biomm, laboratório de produção de insulina em Nova Lima (MG) cujo controle foi adquirido por Daniel Vorcaro junto a Walfrido ds Mares Guia, ex-ministro e amigo pessoal de Lula. Dessa inauguração participaram ministros como o próprio Padilha.

O ex-banqueiro não estava presente porque no mesmo dia, 24 de abril, ele se encontrava em Londres em evento com a participação de autoridades brasileiras, as quais seriam recebidas por ele no George Club, à noite, para uma degustação de uísque Macallan e charutos que custou a Vorcaro o equivalente a R$ 3,4 milhões. Entre as autoridades presentes estavam ministros do STF como Alexandre de Moraes, o PGR Paulo Gonet e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

Desde a eclosão do escândalo do Banco Master, Lula tem usado o caso para atacar adversários ligados ao banqueiro, entre eles o senador Flávio Bolsonaro.

Lula não tem de onde tirar mais votos e a esquerda permanece desarvorada

Lula e Flávio Bolsonaro se enfrentam no segundo turno pela Presidência |  Sobral em Revista

Charge do Clayton (Sobral em Revista)

Luiz Felipe Pondé
Folha

As democracias andaram, rodaram, e parecem caminhar para dar razão ao filósofo antiliberal alemão Carl Schmitt. A polarização é um exemplo muito forte do que ele definiu como o centro da vida política, a saber, a identificação dos amigos e inimigos no espaço social e político. Só quando atingimos o nível de odiar o outro a ponto de considerá-lo uma ameaça existencial é que chegamos ao coração do que significa a política.

Um diagnóstico, sem dúvida, terrível. Entretanto, nem por isso descartável como chave analítica do mundo em que vivemos. Essas eleições de 2026 parecem dar, cada vez mais, razão a Schmitt.

É AMEAÇA? – A política seria mesmo feita de ódio? E essa hipótese, se comprovada em alguma medida, seria a verdadeira ameaça à democracia liberal tal como conhecemos? Diferente da Europa da primeira metade do século 20, com suas ditaduras à esquerda e à direita, agora esse ódio circularia pela livre escolha dos cidadãos. “Eu escolho odiar” ou “nós contra eles, até a morte, sem negociação com nenhum adversário”.

Schmitt é um pensador maldito. Foi do partido nazista e antissemita, apesar de ser acusado por outros nazistas de adesão por oportunismo.

A classe acadêmica, jornalística e artística, apesar de respeitosas exceções, costuma ser covarde e oportunista, o que nega o mito de “resistentes”. Portanto, Schmitt e Heidegger podem ter sido oportunistas mesmo. De qualquer modo, a maldição, com razão, permanece.

ANTIPOLARIZAÇÃO – Muita gente já sabe que, talvez, a única forma de escapar da polarização é ampliar o repertório em filosofia, história e ciência política, além, é claro, de abandonar o vocabulário viciado das redes.

Toda ideologia é burra. A política é o território da violência, segundo o filósofo Francis Fukuyama. Eleições e redes sociais são irmãs gêmeas, não há mais como negar esse fato. E as redes são a mídia do ódio em política.

Independe de quão longe formos na análise dessas eleições e do processo que vem se acirrando, principalmente desde as eleições de 2018, que sagrou Bolsonaro presidente, o fato é que a política no Brasil — e não só nele — se torna, a cada dia, uma arena de gladiadores. Para eles, a ideia de diálogo, de busca de consenso e constitucionalidade perde força diante do ódio como afeto essencial da política, tal qual pensava Schmitt. Um sintoma claro disso é a politização do Supremo Tribunal Federal que é marcado, também, pelo ódio como afeto essencial nas relações institucionais.

É UMA GUERRA – Do ponto de vista da democracia liberal e de seus teóricos, o ódio como afeto essencial da política é o fracasso absoluto da busca por um contrato social que reduza o convívio violento. O ódio na política de hoje é a guerra, por outros meios.

Esse primeiro turno das eleições parece apontar para uma humilhação em larga escala da esquerda. Mesmo que Flávio Bolsonaro e Lula terminem quase empatados, pelo que as pesquisas apontavam, Lula estaria À frente numericamente. O cenário que se delineia é um no qual Lula chega aos números previstos, enquanto Flávio vai além dos números previstos para ele.

Apesar desse quase empate, simbolicamente, Flávio sai “vitorioso” desse primeiro turno, apesar de todo o pacote de bondades do Lula —que destruiu de vez o equilíbrio fiscal e as contas do governo— e dos escândalos do “Dark Horse” ou das fake news de uma ridícula guerra espiritual. Nunca vi petista rezando para santa. A esquerda está em pânico.

DILEMA DE LULA – Os candidatos nanicos, pelo menos os que passaram de 2% dos votos, são do espectro da direita, mesmo que tenham xingado Flávio na propaganda eleitoral desse primeiro turno. A pergunta é: de onde Lula tirará mais votos?

Claro que do primeiro turno para o segundo, muita coisa pode acontecer. Mas a agonia da esquerda não para aí. Lula não tem herdeiros, muito por culpa do seu estilo populista, egocentrado e centralizador. Lula transformou o PT num quintal de irrelevantes.

Quando olhamos para o restante do resultado das eleições, por exemplo, o pleito para governadores e senadores, a direita devastou a esquerda em razoável medida. O crescimento da bancada de direita no Senado poderá tentar emparedar o humilhado STF de fato. Trata-se de um passo importante no projeto da direita para os próximos quatro anos, mesmo que Lula ganhe no segundo turno por uma margem quase nula. A esquerda foi derrotada nesse primeiro turno. Hora de rezar?

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Hugo Motta se antecipa ao PL e sonha costurar sua reeleição na Câmara

Motta  articula reeleição ao comando da Câmara

Victoria Azevedo
O Globo

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), se reuniu na manhã desta quarta-feira com parlamentares para discutir estratégias para garantir sua recondução à frente da Casa, a partir de fevereiro de 2027, diante do aumento expressivo da bancada do PL neste ano.

Motta teve apoio de quase todos os partidos quando foi eleito presidente pela primeira vez, em 2024, mas se aproximou do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nos últimos meses por interesses eleitorais na Paraíba, seu reduto eleitoral, contrariando parlamentares da oposição.

ESTRATÉGIAS – Agora, com o crescimento da bancada do PL (foram eleitos 121 deputados, ante 99 em 2022), aliados de Motta falam em traçar estratégias para evitar uma candidatura adversária competitiva na oposição ou que demais partidos deixem de apoiá-lo.

O presidente da Câmara já tinha designado um grupo pequeno de aliados próximos para ajudá-lo nesse processo, entre eles os líderes do PP, Dr. Luizinho (RJ), e do MDB, Isnaldo Bulhões Jr. (AL). Agora, segundo relatos, a ideia é buscar amarrar o apoio dos partidos enquanto intensifica o diálogo individual com os deputados, sobretudo os que tomarão posse para seus primeiros mandatos no próximo ano.

Foram eleitos 183 novos deputados no domingo —de um total de 513—, numa taxa de renovação de cerca de 35,6%. Desde agosto Motta já vinha afirmando a aliados que buscaria aproximação com os novatos. A avaliação é que é preciso usar as ferramentas que um presidente da Câmara tem a seu dispor para se aproximar dos estreantes: entre elas a distribuição de relatorias de projetos estratégicos, cargos administrativos na Casa, divisão de gabinetes e até mesmo fatia das emendas parlamentares.

REUNIÃO – A estratégia é colocar isso em prática a partir de agora, já com o resultado das urnas. Procurado, Motta não se manifestou. Nesta quarta, o parlamentar se reuniu com alguns deles, como Lucas Reis (PT-BA), ex-chefe de gabinete de Jaques Wagner (PT-BA), que teve 192 mil votos, e Ditinho Avivip (União Brasil-BA), que teve 111 mil votos. O parlamentar também se reuniu com Luizinho, Isnaldo e outros aliados como o líder do PSDB, Adolfo Viana (BA). O recém-eleito senador Guilherme Derrite (PP-SP), que hoje exerce mandato de deputado, também passou na residência oficial da presidência da Câmara.

Outros encontros na próxima semana com deputados também estão sendo discutidos por esse entorno de Motta, além de viagens aos estados para buscar aproximação com os parlamentares. Na primeira eleição à presidência, o parlamentar cumpriu agendas em diversas cidades de diferentes estados.

Um aliado de Motta diz que a recondução ao posto estaria mais bem encaminhada se Lula fosse reeleito presidente no próximo dia 25, diante da força da máquina federal que poderia atuar em favor do deputado. Apesar disso, mesmo com eventual eleição de Flávio Bolsonaro (PL), ele acredita que o parlamentar já larga com uma base de 250 a 300 votos — para ser eleito presidente é preciso ter votos de mais da metade dos 513 votantes, em votação secreta. Isso porque o cenário hoje é que os partidos do chamado centrão apoiem Motta.

APOIO – Nos bastidores, esse grupo entende que Dr. Luizinho deverá ser o candidato de Motta em 2029, o que amarra o partido agora na sua reeleição. Além disso, o presidente da Câmara é próximo de Ciro Nogueira, presidente nacional da legenda. Com o PP numa federação com o União Brasil, a expectativa é que também a sigla apoie Motta. Além disso, o parlamentar conta com sinalizações positivas do PT e de partidos da esquerda como PSB e PDT.

Uma dúvida é o PSD, que em 2023 lançou o líder da bancada, Antonio Brito (BA), à disputa. Brito desistiu depois que Motta conseguiu endosso do PT e do PL. O PL, por sua vez, tem falado do desejo de lançar uma candidatura, e o mais cotado é o líder da sigla, Sóstenes Cavalcante (RJ). A avaliação de integrantes do partido é que Motta perdeu as chances de ter apoio dos deputados da oposição após se aproximar de Lula.

Buscando apoio do presidente para eleger o pai, Nabor Wanderley (Republicanos-PB), a uma vaga ao Senado, Motta declarou publicamente apoio à reeleição do petista, participou de atos pró-Lula na Paraíba e posou para fotos usando boné vermelho com o nome do presidente e fazendo o “L” com as mãos, gestos associado a apoiadores do presidente. O pai do deputado, no entanto, não teve apoio formal de Lula na disputa, e ficou em terceiro lugar.

NEGOCIAÇÃO –  O presidente do Republicanos, Marcos Pereira (SP), levou o apoio à recondução de Motta à mesa de negociação com o PL para que o partido endossasse a candidatura de Flávio Bolsonaro no segundo turno. Apesar disso, não há nenhuma garantia nesse movimento, segundo relatos, e essa discussão ainda será feita.

Aliados de Motta minimizam a possibilidade de o PL lançar um candidato próprio, mas afirmam ser preciso já amarrar apoios agora, evitando que sua candidatura desidrate. Eles dizem que há instrumentos da Presidência da Câmara que podem criar dificuldades para essa iniciativa, como, por exemplo, ameaçar o partido com perda de espaço na Casa e nas comissões temáticas. Além disso, há uma avaliação que o PL tem como prioridade eleger o próximo presidente do Senado, abrindo espaço para uma composição com os partidos do Centrão pela recondução de Motta na Câmara.

Flávio sinaliza retomada da política de armas pretendida por Bolsonaro

Datafolha mostra Flávio com 52% e Lula com 48% dos votos válidos

Nova geração se elegeu e tomou a Câmara usando as redes sociais

As redes sociais mudam o mapa da Câmara

Luis Felipe Azevedo
O Globo

O sucesso nas urnas de nomes como o de Nikolas Ferreira (PL-MG) e Lucas Pavanato (PL-SP) — os candidatos mais votados para a Câmara, com mais de três milhões de votos cada — aponta para uma tendência não só de eleição de candidatos cada vez mais jovens na Casa, mas também para a força de uma nova leva de políticos embalados pelo uso estratégico das redes sociais. O movimento ocorreu ao mesmo tempo em que quadros tradicionais, com longos mandatos no Congresso, não se reelegeram.

O resultado dos dois bolsonaristas superou a votação de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) em 2018. Com cerca de 1,8 milhão de votos, o agora ex-deputado federal detinha o recorde até então. Nikolas conquistou 3,1 milhões de votos, o dobro do alcançado pelo mineiro em 2022, quando teve quase 1,5 milhão.

MAIS VOTADO – Na ocasião, ele já havia conquistado o título de deputado federal mais votado do país. Já Pavanato é ex-integrante do MBL e ingressou na política após participar de manifestações à favor do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. No último domingo, ele teve 3 milhões de votos por São Paulo.

Pavanato faz parte de uma nova safra de políticos inspirados na “guerra cultural” proposta pelo guru Olavo de Carvalho. A vertente tem forte presença digital e um empurrão decisivo de Nikolas.

CONFRONTOS – Para alcançar votação expressiva, o vereador adotou as redes e o conflito como principais instrumentos políticos. Abordagens de rua e confrontos com adversários ideológicos em universidades ajudaram a construir a persona “anti-woke” de Pavanato, que se coloca contra pautas identitárias associadas à esquerda. Entre os temas que decidiu levar para o Legislativo estão a proibição do aborto, a restrição de políticas relacionadas à população trans e a revisão da política de cotas raciais.

A tendência de jovens com alta votação na direita também se materializou com a performance do presidente do PL no Ceará, André Fernandes, de 28 anos, que alcançou a marca de 684 mil votos. Ele foi o quarto deputado com maior votação no país este ano.

CONEXÃO – Para a cientista política Mayra Goulart, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a votação expressiva de jovens na direita é fruto do uso do discurso antissistema: “Jovens têm mais pertinência em se apresentar dessa maneira. Esse tipo de candidato tem maior probabilidade de estar mais conectado a novas formas de comunicação e cognição, por meio das redes”.

Também compõem o top cinco de mais votados no país as deputadas Érika Hilton (PSOL-SP), de 33 anos, e Sâmia Bomfim (PSOL-SP), de 37 anos. Reeleitas, elas conquistaram, respectivamente, 1,59 milhão e 583 mil votos. Ambas tiveram alto crescimento na comparação com a votação alcançada em 2022.

Em São Paulo, também chama atenção o fato de que nenhum dos cinco mais votados tem mais de 40 anos. Além de Pavanato, Érika e Sâmia, completam a lista Kim Kataguiri (Missão) e Tabata Amaral (PSB).

DA ESQUERDA À DIREITA –  Na esquerda, entre os eleitos com votação expressiva está Ricardo Cardoso de Azevedo, o Rick Azevedo, de 32 anos. Em meio à discussão sobre o fim da escala de trabalho 6×1, sua principal pauta, o psolista conquistou 191.371 votos, sendo o segundo mais votado da bancada federal do Rio.

O resultado das urnas também levou à Câmara a influenciadora mineira Ana Elisa (PT), de 21 anos, a mulher mais jovem a ser eleita para a Casa. Ela foi a segunda mais votada no estado, atrás somente de Nikolas. Com mais de 2 milhões de seguidores, ela defende que “não existe mais separação de redes e ruas”.

“Gostaria de deixar realmente um apelo para toda a esquerda. É o momento de nós deixarmos realmente a ignorância de lado, calçarmos a sandália da humildade e entendermos que com a rede social a gente precisa sim aprender”, disse a petista sobre a disputa presidencial.

SEGUNDA MAIOR VOTAÇÃO – Também na esquerda, Jones Manoel (PSOL), de 36 anos, chegou ao Congresso com a segunda maior votação do ano em Pernambuco. Na direita, Jeffrey Chiquini (Novo), de 36 anos, alcançou a maior votação da história para deputado federal no Paraná. O bolsonarista Lucas Polese (PL), de 29 anos, conquistou o mesmo feito no Espírito Santo.

Também chega à Casa Alvinho Lira (PP), de 20 anos. O filho do ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP) foi o mais votado de Alagoas e será o deputado mais jovem da história.

Para o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ), que não conseguiu o sexto mandato na Câmara, um vendaval de extrema direita varreu o país e deixará a política mais medíocre a partir de 2027.

A eleição não acabou: Lula ainda pode virar o jogo

Lula pode virar se mudar a rota e souber jogar

Dora Kramer
Folha

O desempenho da direita impressionou, mas não o suficiente para consolidar a impressão de que a eleição esteja resolvida, Jair Bolsonaro indultado e os golpistas anistiados. É verdade que não há registro de virada do segundo sobre o primeiro colocado de um turno a outro, e é fato também que nunca a distância foi tão estreita.

Foram menos de dois pontos percentuais de diferença. Dianteira que a oposição tem motivo para comemorar, mas que o governo tem condição de inverter nas próximas três semanas se souber disputar com competência os cerca de 8% dados aos demais candidatos.

CAUTELA – Posta a bola no chão, fica a lição de que a subestimação do adversário é péssima conselheira. Isso valeu para Luiz Inácio da Silva (PT), que desde o início menosprezou a oponente, e vale agora para Flávio Bolsonaro (PL), que será imprudente se desdenhar da capacidade de reação de Lula, decorrente do susto.

O choque de realidade ficou evidente no semblante de decepção dos aliados e na aparente calma da manifestação do presidente logo após a confirmação do resultado do primeiro turno. Lula mediu palavras, procurou se ater aos limites da normalidade a fim de ganhar tempo e não se precipitar sobre o que fazer.

SUPERAÇÃO – O petista acostumou-se a colher vitórias em sua trajetória, mas também a enfrentar adversidades e superar obstáculos. Nas piores horas, soube pisar no freio e redirecionar a rota. Daí ter sido eleito depois de três derrotas, reeleito no meio da tempestade do mensalão e voltado à Presidência depois de parecer que a prisão na Lava Jato seria o fim de carreira.

Lula ignorou orientações, deixou-se tomar pelo ressentimento, deu espaço à figura antipatizada de Janja, reduziu os eleitores a devedores de gratidão, ignorou a demanda por progresso e bem-estar, deu prioridade a temas alheios aos reais interesses do país e, diante disso, preferiu o culto à própria personalidade. Pode produzir uma guinada na direção? Pode, resta saber se terá força e discernimento bastantes para dar conta do recado.

Flávio e Lula entram no segundo turno sob pressão para fazer debates na TV

STF traça estratégia para enfrentar Senado que ameaça vários ministros da Corte

STFbuscará diálogo e usará investigações como pressão

Bela Megale
O Globo

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) têm conversado sobre estratégias a serem adotadas diante da eleição de senadores que formam uma bancada com grandes chances de fazer impeachment de integrantes da corte e tentar esvaziar a atuação do tribunal.

A avaliação feita por quatro magistrados à coluna é que há duas frentes de atuação. Uma delas seria estabelecer diálogo com correligionários do PL que não são considerados da ala radical, que tem o ataque ao STF como bandeira.

ESPAÇO PARA DIÁLOGO – A leitura é que, apesar de todos os senadores eleitos da extrema direita terem feito campanhas com ataques ao tribunal, há espaço para diálogo com uma ala desses parlamentares. Entre os eleitos citados nominalmente por ministros estão Reinaldo Azambuja, do Mato Grosso do Sul, e Eduardo Gomes, do Tocantins.

Outra frente envolve parlamentares que estão na mira de investigações da Polícia Federal sob a relatoria do STF. É o caso do senador do PL eleito pelo Rio de Janeiro, Carlos Jordy, investigado por suposto desvio de cotas parlamentares, e do senador e ex-governador eleito pelo Mato Grosso, Mauro Mendes, que também é investigado por desvios de recursos do seu estado envolvendo uma empresa de telefonia.

Ministros relataram que as investigações em andamento podem ter desdobramentos até mesmo antes dos senadores eleitos assumirem seus cargos. Com os inquéritos sob relatoria do STF, integrantes da corte avaliam que aqueles que têm situação complicada na Justiça não vão querer dobrar a aposta sobre o impeachment de ministros. “A valentia vai até a página dois”, disse um magistrado.

Lula amplia comando da campanha e reduz espaço de Edinho Silva no PT

Edinho tem sido criticado pela forma como conduziu a campanha

Sérgio Roxo
O Globo

O senador Camilo Santana (PT-CE) deve entrar na coordenação-geral da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e, com isso, reduzir o poder do presidente do PT, Edinho Silva, que é alvo de críticas.

Ex-governador do Ceará por dois mandatos e ex-ministro da Educação, Camilo atuou nos últimos meses como principal cabo eleitoral para que Elmano de Freitas (PT) fosse reeleito governador de seu estado. A disputa cearense foi acirrada com Ciro Gomes (PSDB), que liderou as pesquisas de intenção de voto até a reta final.

PRESTÍGIO – A vitória de Elmano no primeiro turno aumentou o prestígio do senador junto a Lula e entre as lideranças petistas. Nesta terça-feira, Camilo passou boa parte do dia com o presidente no Palácio da Alvorada. Ele viajou para o Ceará no fim do dia para o aniversário do pai e voltará para Brasília nesta quarta-feira.

Tradicionalmente no PT, é o presidente da legenda que coordena a campanha presidencial. Por causa disso, Edinho desempenha atualmente esse papel. A entrada de Camilo representaria uma inovação . Pessoas que participam da coordenação afirmam que ainda não está claro como deve ser a divisão de papéis entre os dois integrantes da coordenação-geral.

CRÍTICAS – Edinho tem sido criticado pela forma como conduziu a campanha no primeiro turno. Para lideranças do partido e membros do governo, o dirigente teve postura centralizadora e dificuldade para alinhar as posições das diferentes áreas sobre as decisões estratégicas.

No começo da noite de terça-feira, Edinho foi questionado em entrevista, após reunião do comando do PT, se haveria mudanças na coordenação de campanha. “A questão não é troca de nomes, ao contrário: nós queremos agregar novas lideranças à coordenação”, afirmou.

PARTICIPAÇÃO – O presidente do PT disse que Camilo já fazia parte da coordenação da campanha presidencial, mas pediu para se afastar para cuidar da candidatura de Elmano de Freitas e agora será incorporado. Disse também que os senadores eleitos pela Bahia Rui Costa e Jaques Wagner devem participar do núcleo de comando, assim como o vice Geraldo Alckmin.

“Nós temos agora os nossos senadores eleitos: o Rui e o próprio Jaques, que podem fazer parte de um grupo de coordenação. Eu tenho defendido que o vice-presidente Geraldo Alckmin também venha participar de forma mais efetiva da coordenação. Nós temos que ampliar, porque nós temos que percorrer o Brasil em 20 dias. É mais gente ajudando a dar conta dessa missão”, disse.

Moro minimiza caso ‘Dark Horse’, mas diz que Flávio terá de responder se surgirem fatos