Lula confirma presença no debate na Band; Flávio Bolsonaro foge do confronto

Ao que tudo indica, Flávio vai correr do encontro

Jeniffer Gularte
O Globo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou nesta terça-feira sua presença no debate na Band, marcado para o próximo domingo. Nas redes sociais, o petista desafiou Flávio Bolsonaro (PL) a comparecer no programa. No primeiro turno, nenhum dos dois candidatos participou dos encontros programados.

— Domingo estarei no debate da Band, espero que meu adversário compareça, para que a gente possa fazer com que o povo tenha conhecimento da diferença de programa, da diferença de candidatura. Eu estarei lá — afirmou Lula.

AUSÊNCIA – Durante evento no comitê político do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que não irá comparecer ao primeiro embate do segundo turno. O presidenciável disse, por outro lado, que a equipe de campanha ainda vai avaliar a presença no último debate antes do segundo turno. O encontro organizado pela TV Globo está marcado para o dia 23 de outubro.

— Não vou, não está previsto ir nesse debate domingo. Estamos analisando, quem vai dar a palavra final será minha equipe técnica, de ir ao último debate — disse Flávio.

De acordo com o Grupo Bandeirantes, o debate será realizado no próximo domingo, 18 de outubro, a partir das 20h. Conforme previsto nas regras do debate, caso algum candidato não compareça, o púlpito ficará vazio.

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Messias defende diretor da PF após campanha de Flávio pedir investigação

Andrei atuou conforme a lei, diz Messias

Deu na CNN

O advogado-geral da União, Jorge Messias, manifestou nesta segunda-feira (12) solidariedade ao diretor-geral da PF (Polícia Federal), Andrei Rodrigues, após o chefe da força policial ser alvo de ação da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência. Segundo Messias, Andrei “atuou conforme a lei”.

“O delegado federal Andrei atuou conforme a lei. Isso não deveria causar estranheza a ninguém, muito menos a um candidato à Presidência da República”, disse no X. A campanha do senador apresentou no último domingo (11) uma notícia crime ao TRE-DF (Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal) pedindo uma investigação contra Andrei.

INTERFERÊNCIA – A peça questiona a abertura pela PF de uma apuração sobre uma possível interferência externa nas eleições. A investigação foi arquivada na quarta-feira (7).

“A independência técnica da Polícia Federal é uma garantia da sociedade brasileira. Cabe à instituição receber notícias de possíveis irregularidades, examinar seus fundamentos e decidir, com autonomia e responsabilidade, pela instauração ou não de investigações, como precisamente ocorreu. Nada mais, nada menos”, afirmou.

ASSUNTO LEGÍTIMO – Segundo o AGU, a hipótese de interferência estrangeira em eleições é “assunto legítimo de debate público, sobretudo diante das preocupações internacionais com a integridade dos processos democráticos e da importância do Brasil nesse cenário”.

“Acreditamos que a atividade policial deve permanecer protegida de pressões indevidas, venham de onde vierem. A defesa da soberania nacional, da legalidade e da integridade das eleições é um compromisso permanente da República, e a Polícia Federal, neste Governo, nunca faltou a essa responsabilidade”, afirmou.

Senado acelera debate sobre fim da escala 6×1 em meio à disputa entre Lula e Flávio

Charge do Nando Motta (Brasil 247)

Eduarda Teixeira
CNN

O Senado retoma, nesta terça-feira (13), a discussão da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que acaba com a escala 6×1. Será a quarta sessão de debate sobre o texto. A quinta e última está marcada para quarta-feira (14). A votação em primeiro turno será no mesmo dia.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), definiu cinco sessões de discussão antes da votação. Três foram realizadas na semana passada, todas com maioria de governistas e baixa presença da oposição. Cumpridas as cinco, o texto estará pronto para ser votado em primeiro turno.

DOIS TURNOS – Para a aprovação total de uma PEC no Senado são necessários dois turnos de votação, com 49 votos favoráveis em cada um deles. Além disso, o regimento da Casa prevê três sessões de discussão entre o primeiro e o segundo turno.

O governo tenta coletar assinaturas para apresentar um calendário especial e quebrar essa pausa, chamada de interstício, entre o primeiro e o segundo turno. Sem o mecanismo, não há tempo hábil para aprovar a proposta antes do segundo turno das eleições, em 25 de outubro.

Os senadores de oposição querem adiar a votação para depois do segundo turno. O líder da oposição na Casa Alta, Rogério Marinho (PL-RN), que também coordena a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência, disse na semana passada que “não faz bem ao país” votar um tema desse tamanho durante o período eleitoral.

“OPORTUNISTA” – Ele classificou a discussão como “oportunista” e disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está “desesperado” para se reconectar com o eleitorado. Há um receio entre aliados de que a medida beneficie Lula e, ao mesmo tempo, um entendimento de que votar contra a proposta pode atrapalhar a campanha de Flávio no segundo turno. O candidato do PL disse na quarta-feira (7) ter uma alternativa melhor do que o fim da 6×1.

Marinho também sinalizou contrariedade ao texto e defendeu uma proposta própria, que já tramita no Senado. O projeto flexibiliza a escala de trabalho, permite que o trabalhador seja remunerado por hora trabalhada e abre brecha para redução salarial. Para o senador, não pode haver uma determinação de cima para baixo sobre a escala de trabalho. Apesar das ressalvas, aliados de Flávio afirmam que o senador deve votar a favor da proposta para evitar danos eleitorais.

O QUE DIZ A PEC –  O texto reduz a escala para cinco dias de trabalho e dois de descanso por semana, com jornada de 40 horas semanais. A proposta foi aprovada na Câmara dos Deputados, mas está parada no Senado desde maio.

Alcolumbre chegou a dizer que não votaria o texto para não “contaminar” o processo eleitoral e que esperava um contato do presidente Lula, o que não aconteceu. A tensão só diminuiu após um almoço entre os dois e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), em 27 de agosto.

Se aprovada, a proposta passa a valer 60 dias após a promulgação pelo Congresso. Nesse período, a jornada semanal cairá de 44 para 42 horas. Em 14 meses, para 40. O texto também fixa a obrigatoriedade de duas folgas por semana, sendo uma delas preferencialmente no domingo, ou distribuídas no mês calendário.

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Fazendeiros ameaçam invadir terra indígena se Flávio Bolsonaro vencer

Mensagens são monitoradas pelo governo federal

João Gabriel
Folha

Fazendeiros dizem que vão invadir territórios indígenas na Amazônia caso Flávio Bolsonaro (PL) vença as eleições de 2026, segundo áudios e relatos reunidos pela Folha. Os indícios de invasões a territórios chegaram às autoridades do governo federal, que também apuram se a onda crescente de incêndios florestais dentro de um território foi causada propositalmente por fazendeiros.

O caso mais emblemático, até agora, aconteceu no Pará, na terra indígena Apyterewa, próxima ao rio Xingu, que tem longo histórico de violência e viveu um pico de desmatamento durante o governo Jair Bolsonaro (PL). Pecuaristas chegaram a construir uma pequena cidade dentro da área protegida, conhecida como Vila Renascer.

AMEAÇAS – Oito áudios obtidos pela Folha revelam ameaças de invasão ao território onde vivem os parakanãs —povo de recente contato com não indígenas e, por isso, mais vulneráveis— previstas para o próximo dia 25, data do segundo turno das eleições, e citam Flávio.

Por razões de segurança, a transcrição dos áudios não será publicada, nem a identidade dos envolvidos. Os recados foram enviados por WhatsApp por moradores da região a indígenas nos últimos dias. O material é de conhecimento dos órgãos de inteligência do governo federal.

As mensagens dizem que os fazendeiros aguardam o dia da eleição para entrar na terra indígena e construir suas fazendas lá dentro, diante da expectativa deles de que Flávio, caso vitorioso, e o já eleito governador, Dr. Daniel (Podemos), retirem o território dos Parakanã e passem para os pecuaristas da região.

METADADOS – A Folha cruzou os metadados de origem dos áudios com banco de dados e conversou com investigadores que atuam nesse caso para confirmar que eles são ligados a endereços nos arredores do território Apyterewa.

A campanha de Flávio é procurada pela reportagem, por meio de seu canal oficial de imprensa, desde a noite de quinta-feira (8), mas não respondeu até a publicação desta reportagem. O mesmo foi feito com a gestão estadual do Pará, que não se posicionou. Dr. Daniel, governador eleito no Pará, disse por meio de sua assessoria que não vai comentar.

Os áudios e as ameaças foram pauta da reunião do Comitê de Desintrusão do governo Lula (PT) da última quinta. Polícia Federal (PF), Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente), Funai (Fundação dos Povos Indígenas) e Ministério dos Povos Indígenas disseram que monitoram a situação.

PRESSÃO – O Ministério dos Povos Indígenas disse que monitora o “aumento da pressão para a ocupação ilegal do território”. “Durante a reunião, o Comitê deliberou pelo reforço das ações de segurança, incluindo o aumento do efetivo mobilizado, a fim de intensificar a manutenção da desintrusão e prevenir novas ocupações ilegais”, afirmou em nota.

“Em relação aos áudios que associam as eleições de 2026 à invasão do território indígena, o Ministério esclarece que a apuração dos fatos compete às autoridades policiais responsáveis pela investigação”, completou.

O Ibama disse que acompanha a situação. “Também há evidências de mobilização em outras regiões da Amazônia, tanto em terras indígenas, quanto em outras áreas protegidas, com vistas à retomada das atividades de garimpo ilegal”, completou o órgão. Um agente da Polícia Federal disse à reportagem, sob anonimato, que as informações de inteligência quanto às ameaças aos parakanãs são sólidas e preocupantes.

HISTÓRICO –  Dados de desmatamento do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisa Espacial) mostram que a área desmatada na Apyterewa foi de 18,9 km² em 2018 para 85,3 km² em 2019, primeiro ano da gestão bolsonarista, e bateu o recorde em 2022, com 102, 2 km² destruídos. Em 2023, primeiro ano do governo Lula, despencou para 20,6 km².

A Apyterewa também é um dos territórios que foi objeto da ADPF (Ação por Descumprimento de Preceito Fundamental) 709. Em 2020, o então ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luís Roberto Barroso ordenou que o governo federal deveria expulsar invasores das áreas indígenas —determinação não cumprida por Bolsonaro.

A desintrusão começou em 2023, com reação violenta dos fazendeiros, que realizam periodicamente emboscadas contra operações de retirada do gado ilegal. Em diversos casos, pontes dentro da área foram derrubadas para inviabilizar a passagem dos agentes. Um servidor da Funai foi baleado no final de 2023 e um contratado do Ibama foi morto em 2025.

QUEIMADAS –  Nos últimos meses, o clima eleitoral voltou a acirrar os ânimos na região, segundo autoridades ouvidas pela reportagem. Os focos de incêndio explodiram nas últimas semanas, e investigadores suspeitam de queimadas propositais. Segundo dados do Inpe compilados pelo Programa Xingu, passaram de 41 em julho para 626 em agosto e 1.007 no mês passado.

Homologada em 2007, a terra indígena Apyterewa fica em São Félix do Xingu (PA), ocupa 773 mil hectares e abriga mais de mil parakanãs de recente contato. A classificação indica que o povo preserva sua cultura e organização social, com autonomia e certo distanciamento da sociedade não indígena. Por isso, a interação não controlada com invasores representa uma ameaça maior do que para grupos mais integrados à sociedade ocidental.

Em áudios recebidos pelas lideranças e obtidos pela Folha, moradores relatam maior circulação de motos e caminhonetes e dizem que fazendeiros compram lonas e materiais de roça para iniciar uma invasão após o segundo turno. As mensagens orientam os indígenas a evitar áreas onde pecuaristas já preparam o solo para pastagens e plantações e sugerem que os parakanãs deixem a região.

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Após derrota eleitoral,Romeu Zema sinaliza que pretende se afastar da política

Aliados afastam ideia de Zema compor eventual governo Flávio

Isabel Mega
CNN

O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), indicou a aliados que pretende se afastar por um tempo da política após a eleição de 2026. Os relatos são de que Zema não estaria disposto a assumir cargos no executivo.

Após o 1º turno, o mineiro deu apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), que teve uma vantagem de dois pontos sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O objetivo partidário de usar a candidatura para capitalizar apoio aos candidatos para a Câmara dos Deputados, no entanto, foi cumprido. O Novo conseguiu ultrapassar a cláusula de barreira e elegeu 10 parlamentares.

“NÃO É DA POLÍTICA” –  Aliados afirmam que, apesar de ter deixado de ser um “outsider” da política, Zema nunca vestiu de fato o figurino de político. “A política é muito difícil para quem não é da política e Romeu não é da política”, relata uma pessoa próxima.

Ao longo da campanha, o ex-governador enfrentou pressão do PL e do próprio partido para desistir e teve que dosar reações para evitar desgastar o Novo. Os relatos são de esgotamento após o cenário do primeiro turno.

Zema teve desempenho inexpressivo nas urnas no 1º turno e ficou em sexto lugar no próprio estado onde foi eleito em 2018 e reeleito em 2022 para o governo. O candidato não ganhou em nenhuma cidade mineira e também não conseguiu fazer a eleição do sucessor, Mateus Simões (PSD).

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Mendonça proíbe Lula de impulsionar vídeo que aponta Flávio contra o fim da escala 6×1

Mendonça também manda CUT retirar vídeos

Márcio Falcão
Vinícius Cassela
G1

O vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), André Mendonça, decidiu neste domingo (11), proibir a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de impulsionar um vídeo em que afirma que o senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), é contra a escala 6×1.

A decisão acontece após um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro para suspensão do conteúdo que “desqualifica” o candidato. A decisão foi de forma preliminar e ainda precisa ser referendada pelo plenário do TSE.

MENSAGEM NEGATIVA – “A utilização de recursos financeiros para ampliar a difusão de mensagem predominantemente negativa contra candidatura adversária encontra vedação expressa na legislação eleitoral”, justificou Mendonça. No vídeo, com uma duração de 30 segundos, uma atriz afirma que Flávio Bolsonaro seria contrário ao fim da escala de trabalho 6×1 e que Partido Liberal, a qual é filiado, estaria realizando campanha para impedir a aprovação da medida.

De acordo com a defesa de Bolsonaro, a campanha de Lula fez dois anúncios que juntos “registraram entre 715.000 e 820.000 impressões, com soma dos alcances informados de 369.144 contas” e estimam que foram gastos entre R$ 10 e R$ 15 mil nas divulgações, entre os dias 12 e 14 de setembro.

Mendonça pondera que o vídeo parou de ser impulsionados nas redes sociais após o prazo informado e que, por isso, a decisão valerá apenas para caso a campanha de Lula queira voltar a propagar o vídeo por meio de impulsionamentos pagos e não para divulgação de forma orgânica.

PROIBIÇÃO À CUT –  Em outro processo, o ministro André Mendonça também decidiu que a Central Única dos Trabalhadores (CUT) remova cinco vídeos contra Flávio Bolsonaro de suas páginas oficiais.

De acordo com o ministro, um perfil institucional não pode divulgar propaganda eleitoral, independente da veracidade do conteúdo. “As cinco publicações somavam mais de 29 mil curtidas e aproximadamente 4,5 mil comentários, indicando significativa circulação na plataforma Instagram”, afirmou.

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