Lula e Flávio disputam um Brasil dividido entre economia e democracia

STF mergulha na desconfiança ao misturar decisões judiciais e disputa política

STF avançou e revelou-se mau jogador na política

Dora Kramer
Folha

O Supremo Tribunal Federal participa da guerra política mesmo quando quer dar a impressão de que se afasta dela. Toma decisões referidas no placar da primeira etapa da disputa eleitoral, evidenciando falta de tino para atuar em terrenos alheios à sua alçada.

A série de acenos favoráveis aos bolsonaristas parece antes uma tentativa de não atrapalhar o presidente Luiz Inácio da Silva (PT) mais do que já atrapalhou. De outro lado, a extemporânea entrada da revisão criminal de Jair Bolsonaro (PL) na pauta da corte sinaliza a presunção de que os ventos no tribunal possam mudar a depender do resultado das eleições.

ALINHAMENTOS – Ambos os gestos mantêm o STF atrelado a alinhamentos políticos, o que está bem longe de significar contenção às funções jurídico-constitucionais. Se processos deveriam ser arquivados, denúncias rejeitadas e penas relaxadas, tais providências tomadas agora dão a ideia de que obedeceram ao calor dos votos. À mesma lógica submete-se o exame do benefício ao ex-presidente.

Nesse modo, prossegue o tribunal que, estando à beira do abismo reputacional, dá um passo adiante e mergulha no poço da desconfiança, quando as circunstâncias adversas aconselhariam a direção oposta.

O ativismo vem agora embalado em supostas reparações, mas nem por isso deixa de exibir as digitais do engajamento. Aos políticos de profissão é dada a prerrogativa da pressa em se posicionar. Dos apoios emprestados a quente depende a acomodação futura das forças em disputa de poder e relevância.

DISTÂNCIA – Aos juízes cabe o papel de observação não engajada; espectadores mantidos a prudente distância de interpretações de cunho político-eleitoral. Recolher os flaps sob a ponderada orientação do presidente Edson Fachin é a melhor opção.

A pior, voltar ao tabuleiro onde o STF já se mostrou um mau jogador. Não soube medir as consequências de seus atos. Convém, então, que se convença de que não deve se aventurar por mares onde não está preparado nem autorizado a navegar.

Flávio visita Bolsonaro e busca conselhos para a reta final da campanha

Encontro ocorreu dois dias após retomada das visitas

Luísa Marzullo
O Globo

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) visitou o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar em Brasília, na manhã desta quinta-feira. O encontro ocorreu pouco antes das 9h, um dia após o Senado aprovar a proposta de emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala de trabalho 6×1.

Segundo interlocutores, os dois conversaram sobre a votação da medida e a reta final da disputa contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), marcada para 25 de outubro. O senador também buscou conselhos do pai sobre a condução da campanha, segundo aliados.

ORIENTAÇÃO – A conversa ocorreu depois de Flávio votar a favor do fim da escala 6×1, apesar das críticas que vinha fazendo à proposta nos últimos meses. Nos bastidores, Jair Bolsonaro orientou aliados do PL a apoiarem a medida, diante da preocupação com o desgaste eleitoral que uma posição contrária poderia provocar. A campanha do senador, por sua vez, já admite a possibilidade de propor ajustes nas novas regras em um eventual governo, a depender dos impactos sobre o emprego e os custos das empresas.

A visita foi a segunda de Flávio ao pai nesta semana, após o fim de uma suspensão de 90 dias determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Na terça-feira, o senador passou cerca de meia hora com Bolsonaro e afirmou, ao deixar o encontro, que o ex-presidente estava satisfeito com o resultado do primeiro turno e havia lhe dado orientações para a sequência da campanha.

— Ele estava muito alegre com o resultado dessas eleições, de termos saído na frente e de termos um Senado forte, uma Câmara forte. É óbvio que ele dá algumas dicas, só não vou ficar externando porque realmente pode ser interpretado de alguma forma maldosa e acabar sendo revertido contra ele — disse Flávio na ocasião.

ENTREVISTA – Após o encontro desta quinta, Flávio seguiu para o QG da campanha, onde participa dos preparativos para os próximos compromissos na televisão. O senador será entrevistado pelo Jornal Nacional nesta sexta-feira e enfrentará Lula no primeiro debate entre os dois candidatos, marcado para domingo, na Band.

Como mostrou o O Globo, Jair Bolsonaro também tem recomendado cautela ao filho em relação a promessas de cargos, negociações políticas e possíveis desgastes com aliados antes da votação. As orientações ocorrem em meio às articulações do PL para a formação de um eventual governo e para a sucessão dos comandos da Câmara e do Senado, prevista para fevereiro de 2027.

Flávio estava proibido de visitar o pai desde 13 de julho, depois de divulgar nas redes sociais uma carta escrita pelo ex-presidente em apoio à sua candidatura. Moraes considerou que a publicação descumpriu a determinação judicial que impede Bolsonaro de utilizar redes sociais, inclusive por intermédio de terceiros, e suspendeu os encontros por 90 dias.

AUTORIZAÇÃO – A retomada das visitas foi autorizada pelo ministro nesta segunda-feira, após manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR). A decisão, no entanto, manteve a proibição de encontros com finalidade político-eleitoral e de divulgação de manifestações públicas do ex-presidente.

Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado. Ele está em regime domiciliar desde março, após receber autorização judicial para se recuperar de problemas de saúde.

Trump jamais fará do Brasil uma prioridade, mesmo com Flávio no poder

Maioria dos candidatos que usaram nomes de parentes na urna não se elegeu

Empate técnico mantém eleição aberta e aumenta a importância dos indecisos

Migração da terceira via para Flávio não é automática

Paulo Assad
Bernardo Yoneshigue
Bruno Alfano
O Globo

A primeira pesquisa Quaest para o segundo turno da corrida presidencial, divulgada ontem, mostra que a disputa entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) continua acirrada mais de uma semana depois da primeira volta do pleito.

O levantamento contratado pelo O Globo e TV Globo aponta cenário de empate técnico, na margem de erro de dois pontos para mais ou menos, com o candidato do PL numericamente à frente, com 46% das intenções de voto, ante 44% do petista. Outros 9% dizem que vão votar em branco, anular ou não irão votar, enquanto 1% está indeciso.

TRANSFERÊNCIA AUTOMÁTICA – A distância, de dois pontos percentuais, é praticamente a mesma registrada no primeiro turno, em 4 de outubro, quando as urnas mostraram o senador fluminense com 47% dos votos válidos, contra 45% do petista. Os dados mostram, porém, que não há uma transferência automática dos eleitores dos candidatos da chamada terceira via a Flávio, embora o senador tenha vantagem, após o candidato do PL conseguir atrair o apoio de boa parte dos rivais, entre eles Augusto Cury (Avante) e Ronaldo Caiado (PSD).

Entre quem preferiu Cury, terceiro colocado no primeiro turno, por exemplo, 34% escolhem hoje o petista no segundo turno, e 30% migram para Flávio — outros 30% optam pelo “não voto”, ou seja, branco, nulo ou abstenção, e 6% se dizem indecisos. Entre quem votou em Caiado, um grupo maior prefere o senador (42%), mas 23% indicam a intenção de votar em Lula, e 33% preferem anular, votar em branco ou não votar no próximo dia 25.

Já entre os eleitores de Renan Santos (Missão), que se manteve neutro no segundo turno, 40% escolhem o candidato do PL, enquanto 14% declaram apoio a Lula e uma fatia maior (43%) opta pelo voto em branco e nulo ou diz que não vai votar.

MAIOR APOIO – O levantamento da Quaest também mostra que Lula atrai mais apoio que Flávio entre os eleitores que não compareceram no primeiro turno ou que apertaram branco e nulo nas urnas — fatia que representa pouco mais de 25% do eleitorado. Nesse segmento, o atual presidente tem 43% das intenções de voto, ante 38% de Flávio. O grupo que se absteve é tratado como estratégico pela campanha do PT e tem sido foco de propagandas e mobilizações de apoiadores.

De acordo com o diretor da Quaest, Felipe Nunes, o resultado mostra que reduzir a abstenção em relação ao primeiro turno não é suficiente, mas é essencial para Lula.

— Dos 7% de eleitores que acabaram votando em alternativas à polarização, a maior parte está optando por Flávio no segundo turno. A exceção é o eleitorado de Cury, que se divide. Mas o que está fazendo a diferença para essa disputa tão acirrada é o eleitor que disse que se absteve ou que votou branco/nulo no primeiro turno — disse Nunes à TV Globo.

DEBATES – Após a divulgação da pesquisa, a campanha de Lula avaliou que os debates da Band e Globo, no próximo domingo e no dia 23, respectivamente, serão decisivos para a definição do novo presidente. A campanha de Flávio ainda vê espaço para movimentar a disputa na reta final. O senador também aposta nos debates e no reforço da mobilização nas redes sociais.

A Quaest fez 2.154 entrevistas entre sábado e terça-feira, em meio a movimentações de ambas as campanhas para ampliar suas votações. Após Lula aparecer atrás de Flávio no primeiro turno, a campanha do petista promoveu uma revisão da estratégia de comunicação. As mudanças envolveram da gravação de vídeos em formato de selfie a mobilizações na Avenida Paulista e na Praia de Copacabana. Em ato realizado na capital paulista no domingo, Lula pediu para que seus eleitores convençam aqueles que não foram votar no primeiro turno a comparecerem às urnas.

Anteontem, o presidente também ampliou seu pacote de bondades às vésperas do pleito ao anunciar o perdão de débitos tributários de microempreendedores individuais (MEIs) e o pagamento de até R$ 5 mil via Pix para o segmento em 2027. Nas redes sociais, Lula também prometeu criar um programa Pé-de-meia para universitários, caso reeleito.

ARTICULAÇÃO – Já Flávio Bolsonaro tem concentrado esforços na articulação com os partidos, que, ao longo dos últimos dias, declararam apoio à sua campanha. Na lista estão Republicanos, Podemos, União Brasil, PP e Novo. Na terça-feira, 16 diretórios do MDB também declararam apoio ao senador, enquanto outros dez ficaram com Lula.

Flávio também fez novos anúncios de olho no eleitorado. Na semana passada, o senador afirmou, durante o horário eleitoral, que, caso eleito, manterá programas sociais e afirmou ter a intenção de criar um Ministério da Prosperidade, voltado para a qualificação profissional e empreendedorismo. Na terça-feira, mudou de posição e passou a afirmar que iria votar a favor da proposta para o fim da escala 6×1, defendida por Lula e votada no Senado.

Por enquanto, a pesquisa reforça padrões já conhecidos nas intenções de voto. Lula vai melhor no Nordeste (61% das intenções de voto), entre eleitores com renda de até dois salários mínimos (53%), entre beneficiários do Bolsa Família (60%), além de mulheres (49%) e católicos (49%). Já Flávio tem mais apoio no Sul (61%), entre evangélicos (60%), entre quem tem renda acima de 5 salários mínimos (53%) e entre homens (51%) e brancos (51%).

REJEIÇÃO –  Segundo a Quaest, na pesquisa espontânea, quando os nomes dos candidatos não são apresentados aos entrevistados, os indecisos são 7%, o que indica que há uma fatia, ainda que pequena, dos eleitores que não está tão convicta sobre sua escolha. Um fator de dificuldade para os dois candidatos é a alta rejeição. A análise mostra que mais da metade dos eleitores não votariam nem em Flávio (54%) nem em Lula (53%).

O instituto também questionou os entrevistados sobre o que causa mais medo: a reeleição de Lula ou a volta dos Bolsonaro. Os dois cenários voltaram a empatar numericamente, 43% de menções para ambos. No caso de Lula, o número representa estabilidade desde 21 de setembro. Em relação aos Bolsonaro, o índice avançou três pontos desde a última pesquisa, em 3 de outubro, resultado que, para Felipe Nunes, da Quaest, sinaliza relativa recuperação de Lula na comparação com a pesquisa de véspera do primeiro turno.

RECEIO – O temor com o retorno da família do ex-presidente ao poder subiu mais entre aqueles com renda familiar entre dois e cinco salários mínimos, atingindo a marca de 42%, percentual em empate técnico com o medo da reeleição de Lula (44%). Outro destaque está entre os jovens. Antes o medo de Lula era majoritário no segmento e agora há divisão — 45% têm mais medo da volta do Bolsonaro e 45% têm mais medo da continuidade de Lula.

Segundo a Quaest, quem tem medo da reeleição de Lula, ressalta mais corrupção, custo de vida e uma má administração como razões. Já quem tem medo da volta dos Bolsonaro, cita mais a rejeição pessoal à família, autoritarismo e tentativa de golpe, a lembrança de um governo ruim e a possibilidade do fim dos programas sociais.

A Quaest mediu o apoio junto aos eleitores de pautas que têm sido usadas pelas campanhas para acenar aos eleitores. A proibição das bets (72% de aprovação) e o fim da escala de trabalho 6×1 (68%), bandeiras do petista, têm amplo apoio.

IMPEACHMENT – Já abrir impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (63%) e reduzir a maioridade penal para 16 anos e para 14 em caso de estupro (80%), ideias defendidas pelo senador, também têm a aprovação da maior parte dos entrevistados, enquanto a anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro e aos condenados do 8 de Janeiro é mais rejeitada que aprovada — 47% são contra, e 38% a favor.

O percentual de eleitores que desaprovam o governo Lula oscilou um ponto para baixo e soma 48%. O índice ainda supera a aprovação, que variou um ponto para cima e agora soma 45%.

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Meta AI permite propaganda para Flávio e bloqueia imagens de Lula no WhatsApp

“Falha” da Meta AI cria assimetria eleitoral

Bruno Romani
O Globo

A Meta AI, ferramenta de inteligência artificial (IA) da Meta que opera dentro do WhatsApp, permite criar imagens para Flávio Bolsonaro (PL), mas se recusa a criar material do tipo para Lula (PT). A brecha na ferramenta foi detectada na manhã desta quarta (14) por usuários do aplicativo de mensagens e teve resultados replicados por testes do O Globo, mesmo após a Meta afirmar que havia resolvido o problema.

Nesta manhã, a IA da Meta produziu dentro do WhatsApp imagens ao responder comandos como “Crie uma imagem em verde amarelo escrita ‘Flávio 22” ou “Crie uma imagem em verde amarelo escrita ‘Flávio 22 presidente”.

RECUSA – Ela se recusou a produzir material com o seguinte comando: “Crie uma imagem em verde amarelo escrita ‘Lula 13 presidente”. A ferramenta se recusou a publicar qualquer variação relacionada ao candidato petista, inclusive palavras isoladas como “Lula” ou “Luiz Inácio”.

Não foi possível também criar qualquer variação que envolva o sobrenome “Bolsonaro”, o que indica uma falha no filtro da empresa de Mark Zuckerberg. Ao ser questionada sobre a falta de neutralidade para a criação da imagem para Flávio, a ferramenta respondeu: “Você tem razão, não foi neutro. Eu gerei ‘Flávio 22’ antes, mas não deveria ter seguido por essa linha de arte de campanha para candidatos na disputa presidencial.”

O próximo teste foi pedir uma arte em vermelho com o número 13, desatrelado a qualquer nome, mas a ferramenta se recusou. Procurada, a Meta publicou nota dizendo: “Em cumprimento com as regras eleitorais do Brasil, nós proibimos temporariamente a recomendação de candidatos ou a geração de imagens deles. s candidatos e seu número nas urnas também não produzam imagens”.

TESTES – No entanto, após o envio do posicionamento ainda era possível gerar a imagem “Flávio 22” dentro do WhatsApp. A reportagem tentou os mesmos testes dentro do Instagram e do app próprio da Meta AI, mas nos dois casos, os resultados foram bloqueados.

Os bloqueios, no entanto, ocorrem apenas no Brasil. Em contato com cidadãos brasileiros nos EUA e na Alemanha, a reportagem conseguiu produzir imagens para os dois candidatos.

O episódio da Meta AI se soma a uma série de reclamações de apoiadores de Lula de tratamento desigual e interferência eleitoral. Nos últimos dias, o campo da esquerda vem relatando banimentos, restrições e queda de alcance de contas nos apps da Meta, incluindo Instagram e WhatsApp. Na sexta, a campanha de Lula acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) por suposta interferência eleitoral.

PGR contesta decisão de Mendonça e defende permanência de chefes da Polícia Federal

Gonet defende cúpula da Polícia Federal

Mariana Muniz
O Globo

A Procuradoria-Geral da República (PGR) afirmou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que não há elementos concretos que justifiquem o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial da corporação, determinado pelo ministro André Mendonça em meio à crise envolvendo as investigações do Banco Master.

Em parecer encaminhado ao presidente da Corte, Edson Fachin, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, também sustentou que os relatórios de inteligência produzidos pela PF sobre a atuação de Mendonça não apresentam evidências de investigação ilegal contra o magistrado.

SUSPENSÃO DA DECISÃO – O documento, assinado em 9 de outubro, defende que o Supremo mantenha definitivamente a suspensão da decisão de Mendonça, determinada pela Presidência da Corte, e retire o caso da Segunda Turma, onde o julgamento está interrompido por um pedido de vista. Para a PGR, a controvérsia deve ser analisada pelo plenário do tribunal, sob a condução de Fachin.

A manifestação representa um novo capítulo do embate entre Mendonça e a cúpula da Polícia Federal, que se intensificou após a divulgação de relatórios internos da corporação sobre reuniões de investigadores com o ministro e decisões tomadas por ele em procedimentos sob sua relatoria.

Ao analisar o conteúdo dos documentos, Gonet afirma que não foram identificados elementos que indiquem vigilância pessoal, monitoramento de deslocamentos ou acesso clandestino a informações privadas do magistrado. “Não se encontra no apanhado dos relatórios evidência de vigilância pessoal, nem de acompanhamento de deslocamentos, interceptação de comunicações, acesso clandestino a dados privados ou qualquer técnica voltada a perscrutar fatos da vida do relator”, afirma o parecer.

REGISTROS – Segundo a PGR, os documentos se limitam a registrar episódios relacionados ao trabalho da Polícia Federal, avaliar consequências operacionais de decisões judiciais e apontar dificuldades enfrentadas pelos investigadores. “As conjecturas lançadas, contudo, não se confundem com investigação”, sustenta Gonet.

O procurador-geral também contesta a responsabilização de Andrei Rodrigues e do diretor de Inteligência Policial pela elaboração dos relatórios. Segundo o parecer, não há elementos que demonstrem que os dois dirigentes tenham determinado, autorizado ou participado da produção do material.

A PGR destaca ainda que os documentos foram encaminhados ao Supremo em cumprimento a uma determinação judicial do ministro Alexandre de Moraes, então relator do Inquérito das Fake News. “Dos autos, em síntese, não emerge ato concreto do Diretor-Geral ou do Diretor de Inteligência Policial que justifique o afastamento de qualquer deles dos cargos que ocupam”,  afirma o documento.

FUNDAMENTOS JURÍDICOS – Além de afastar a existência de elementos concretos contra os dirigentes da PF, Gonet questiona os fundamentos jurídicos utilizados por Mendonça para determinar o afastamento. O procurador-geral argumenta que a medida foi provocada pelo Partido Novo, que não integra a investigação criminal e, por isso, não teria legitimidade para requerer providências cautelares dessa natureza.

O partido havia solicitado inicialmente o afastamento de Andrei Rodrigues e, posteriormente, sua prisão cautelar. Segundo a PGR, a legislação reserva à autoridade policial e ao Ministério Público a iniciativa de medidas dessa natureza durante investigações criminais.

O parecer também ressalta que o afastamento de um servidor público exige demonstração individualizada de risco concreto à investigação, o que, na avaliação de Gonet, não ocorreu. Outro argumento é que a nomeação e a manutenção do diretor-geral da Polícia Federal são atribuições do presidente da República. Para a PGR, a supervisão judicial de investigações não confere aos magistrados poder para interferir na estrutura de comando da corporação, salvo em situações excepcionais.

Vorcaro depõe à PF sobre suspeita de fraude de R$ 12 bilhões no Banco Master

PF aponta fraudes em compra de cartas de crédito

Elijonas Maia
CNN

O ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, prestará novo depoimento à PF (Polícia Federal) na quinta-feira (15), por videoconferência. O foco desse interrogatório é a negociação de compra e venda do Master pelo BRB, banco público de Brasília.

A PF aponta que houve fraude de R$ 12 bilhões na compra das chamadas cartas podres e pagamento de propina em seis imóveis de luxo em Brasília e São Paulo, de Vorcaro a Paulo Henrique Costa, então presidente do BRB.

ADIAMENTO – O total da contrapartida seria de R$ 150 milhões, como mostraram mensagens encontradas no celular de Vorcaro. Essa oitiva já foi adiada duas vezes, após a defesa do ex-banqueiro argumentar que não teve acesso aos autos do processo e que não teria como preparar o cliente.

Após o depoimento de Vorcaro, a PF deve ouvir Paulo Henrique Costa, mas ainda não há data prevista. O afastamento de Costa da presidência do BRB completará um ano no próximo mês. Ele foi alvo de buscas em novembro do ano passado, na primeira fase da Operação Compliance Zero, em que Vorcaro foi preso pela primeira vez.

O ex-dono do Banco Master foi solto doze dias depois de ser preso, ainda em novembro de 2025, mas voltou a ter a prisão preventiva decretada em março deste ano. Vorcaro está atualmente preso na Papudinha, ala do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.

PF identifica Flávio Bolsonaro como “usuário master” de conta ligada a offshore do caso Master

Lula mira os evangélicos e transforma a defesa da família em estratégia eleitoral

‘Exército do Lula’: Após decisões de Marques, corregedor do TSE cobra julgamento urgente do plenário