Flávio e os irmãos decidiram adotar a cidadania italiana
José Horta Manzano
Blog Brasil de Longe
O Poder Executivo da Suíça é colegial. O governo é exercido por um colégio de sete membros, chamados conselheiros federais. Cada conselheiro federal é eleito pelo Parlamento para um mandato de quatro anos.
As eleições para o Conselho Federal têm lugar a cada quatro anos, sempre após a eleição dos novos deputados e senadores. Cada conselheiro tem o direito de se recandidatar tantas vezes quanto desejar. Pode também renunciar ao mandato quando lhe aprouver.
CIDADÃO ITALIANO – Ignazio Cassis nasceu na Suíça, filho de imigrantes provenientes da Itália. Dado que a lei suíça de nacionalidade não reconhece o “jus soli” (direito de solo), o pequeno Ignazio herdou a cidadania italiana dos pais.
Foi assim até a idade de 15 anos quando se tornou suíço “por derivação” – quando da naturalização dos pais, os filhos menores têm direito “por derivação” à nova nacionalidade. A partir daí, Cassis tornou-se binacional, italiano e suíço.
Em seguida, estudou medicina, fez mestrado e doutorado, exerceu por alguns anos e entrou para a vida política. Foi deputado durante dez anos até o dia em que o Parlamento o elegeu para o seleto clube de sete membros do Conselho Federal.
PREFERIU RENUNCIAR – Naquele momento, Ignazio Cassis entendeu que não era admissível integrar o Executivo e, ao mesmo tempo, guardar no bolso um passaporte estrangeiro. Ato contínuo, seguiu o rito de renúncia à nacionalidade italiana. Isso foi em 2017. Hoje está em seu terceiro mandato como conselheiro federal.
No Brasil, em 2005, Lula era presidente da República quando uma celeuma correu solta por Brasília e Roma. É que a primeira dama de então, dona Marisa Letícia, fez saber que tinha conseguido reconhecimento de sua nacionalidade italiana por direito de sangue (jus sanguinis). Tanto ela, quanto os filhos passaram a ser oficialmente binacionais, brasileiros e italianos.
Indagada, explicou que não fazia isso por si, mas para “garantir uma oportunidade para os meninos no futuro”. Nem todo o mundo apreciou a explicação. A celeuma também atingiu Roma, mas por outros motivos.
DISSE D’ALEMA – Massimo d’Alema, deputado italiano e ex-primeiro-ministro, reclamou que dona Marisa sequer falava italiano, tinha origens peninsulares longínquas e podia votar nas eleições italianas, enquanto a babá de seus filhos, imigrante estabelecida na Itália havia muitos anos, que falava italiano e pagava seus impostos na Itália, não podia.
Passado algum tempo, o assunto morreu e ninguém mais falou disso. E já faz alguns anos que os quatro filhos homens de Jair Bolsonaro são detentores da nacionalidade italiana, com direito a passaporte no bolso e cédula para votar por correio nas eleições.
Pelas informações de que disponho, o pai não requereu o reconhecimento da cidadania. Portanto, continua mononacional.
FLÁVIO ITALIANO – Preste atenção ao que vem agora. Um dos filhos homens do homem é candidato a ocupar o trono que já foi do pai. Ele recobrou sua cidadania italiana – é, portanto, binacional: meio brasileiro, meio estrangeiro. É impossível asseverar desde já se esse rapaz será eleito ou se vai amargar derrota e comer poeira da estrada. Suponhamos, como exercício de futurismo, que vença a corrida e se torne presidente do Brasil.
Das duas, uma. Ou renuncia, nos conformes, à cidadania italiana, ou teremos um presidente que é, certamente, brasileiro nato, mas que é também… estrangeiro. Uma situação conflituosa, que a Constituição não previu.
Está na hora de promover uma alteração da Lei Maior no sentido de proibir estrangeiros assim como binacionais de se candidatarem à Presidência. O candidato terá de renunciar a sua(s) cidadania(s) estrangeira(s) antes de ser eleito. Caso contrário, a eleição periga ser anulada, por motivo de o candidato ser estrangeiro.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Interessante artigo, enviado lá do Sul Maravilha por Duarte Bertolini. O autor, José Horta Manzano, vive na Suíça e há 45 anos mora na Europa. Mantém o blog “Brasil de Longe” e colabora no caderno Opinião, do “Correio Braziliense”. Apoiamos sua tese: Flávio Bolsonaro precisa renunciar à cidadania italiana. Os filhos de Lula, também. (C.N.)
Ter também cidadania italiana não seria mais um trunfo de um presidente brasileiro nas negociações com o bloco europeu em tempos de Associação Mercosul-União Europeia?
Messias fora e redução de pena para extremista: é o começo do fim da gestão Lula?
Os sinais de fragilidade do petista na corte brasiliense são evidentes
A rejeição de Messias conseguiu reunir no mesmo balaio aliados improváveis. Estavam vibrando na mesma frequência um grupo de ministros do STF, bolsonaristas e ainda Alcolumbre e sua tropa. Razões diferentes colocaram todos no esforço consumado de barrar o escolhido de Lula.
Faltaram a Lula votos para bancar seu escolhido, como também faltaram votos para manter seu veto ao projeto de lei da dosimetria, aquele que diminui a pena dos condenados pelo 8 de Janeiro.
Essa votação do Congresso, como no caso da rejeição de Messias, reúne também interesses diversos com motivações também diversas.
Para os bolsonaristas, o projeto é importante para reduzir o tempo de prisão do ex-mito, ainda que no discurso tenham dito (demagogicamente) que estavam pensando só nos demais condenados por atos extremistas no 8/1.
Na hipótese de Flávio na cadeira de presidente, a anistia completa ao pai já está prometida e anunciada.
Com tantas derrotas numa semana só pode se perguntar: é o começo do fim da gestão Lula? A resposta vem só em outubro.
Mas os sinais de fragilidade na esfera do poder na corte brasiliense são evidentes.
Resta saber se isso é prenúncio também de carências de votos para aprovar a reeleição do presidente.
Fonte: O Estado de S. Paulo, Política, Opinião, 01/05/2026 | 09h30 Por Francisco Leali
“É o começo do fim da gestão Lula? A resposta vem só em outubro.”
De vir antes e já teria começado.
“É o começo do fim da gestão Lula? A resposta vem só em outubro.”
Deve vir antes e já teria começado.
O cidadinho da faixa reconhecida até pela PF não tem cidadania italiana, via Marisa. Convenceu-se de que a Cosa Nostra tupiniquim tem Falconis dentro do Tayayá federal.
Não há qualquer conflito. Tanto pela lei brasileira, quanto pela lei italiana, eles são italianos desde o momento do seu nascimento. Ou seja, a nacionalidade foi atribuída, não foi caso de aquisição (naturalização de estrangeiro).
Ainda assim, mesmo que fosse caso de naturalização, no ano de 2023, foi feita uma emenda constitucional (EC 131/23) em que se determinou que a perda da nacionalidade brasileira só ocorre se o próprio cidadão fizer pedido expresso perante autoridade competente. Isso significa que a dupla cidadania passou a ser regra, e não exceção.
Em resumo, longe de proibir, em 2023 nós demos um passo decisivo para normalizar isto.