Paulo Peres
Poemas & Canções
O desenhista, cinéfilo, jornalista, advogado, tradutor, cronista e poeta paulista Guilherme de Andrade de Almeida (1890-1969), o Príncipe dos Poetas Brasileiros, revela que somente enxerga os olhos de sua amada na sala escura do “Cinema”.
CINEMA
Guilherme de Almeida
Na grande sala escura,
só teus olhos existem para os meus:
olhos cor de romance e de aventura,
longos como um adeus.
Só teus olhos: nenhuma
atitude, nenhum traço, nenhum
gesto persiste sob o vácuo de uma
grande sombra comum.
E os teus olhos de opala,
exagerados na penumbra, são
para os meus olhos soltos pela sala,
uma dupla obsessão.
Um cordão de silhuetas
escapa desses olhos que, afinal,
são dois carvões pondo figuras pretas
sobre um muro de cal.
E uma gente esquisita,
em torno deles, como de dois sóis,
é um sistema de estrelas que gravita:
são bandidos e heróis;
são lágrimas e risos;
são mulheres com lábios de bombons;
bobos gordos, alegres como guizos;
homens maus e homens bons…
É a vida, a grande vida
que um deus artificial gera e conduz
num mundo branco e preto, e que trepida
nos seus dedos de luz.
Tou confundido.
I) Não permita, Deus, que eu morra sem que volte para lá. É parte da “Canção do Exílio” de Gonçalves Dias. Ou não é mais?
II) Na grande sala escura… “E os teus olhos de opala, exagerados na penumbra.”
Afinal, a sala estava escura ou na penumbra ?
Tem razão, Celso Sablons. Vou corrigir a mancada.
Abs.
CN